19 Congresso de Iniciação Científica ESPORTE E TELEVISÃO ...

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19 Congresso de Iniciao CientficaESPORTE E TELEVISO: IMPLICAES PARA A FORMAO PROFISSIONAL EMEDUCAO FSICAAutor(es)MILENA AVELANEDA ORIGUELAOrientador(es)CINTHIA LOPES DA SILVAApoio FinanceiroPIBIC/CNPQ1. IntroduoO esporte televisivo faz parte do cotidiano das pessoas. Isso inclui principalmente os estudantes de Educao Fsica, que estudam oesporte. Esses sujeitos, futuros profissionais, tem a responsabilidade de ensinar seus alunos e ajud-los a refletir sobre como o esporteproduzido pela televiso se diferencia do esporte vivenciado ou assistido presencialmente. Para isso, fundamental terem acesso aessa discusso na formao profissional.O esporte presencial diferente do esporte televisivo porque este pr-interpretado. Os efeitos especiais, narrativas e edies deimagens alm das relaes de poder entre patrocinadores e canais de televiso transformam o esporte em telespetculo. Nossapreocupao ao realizar este estudo foi de chamar a ateno como os telespectadores recebem estes eventos esportivos. Se eles tm aoportunidade de escolha e reflexo com relao ao que assistem ou se o consomem como qualquer outro produto da indstria cultural.2. Objetivos1. Compreender conceitos-chave relacionados ao esporte, televiso, lazer e formao profissional em Educao Fsica;2. Analisar os significados do esporte difundido pela televiso;3. Identificar e refletir sobre as implicaes da difuso do esporte pela televiso para formao profissional em Educao Fsica.3. DesenvolvimentoO esporte mantm uma estreita relao com a televiso. A televiso o transformou, com suas imagens, closes, transmisses ao vivo.Mas o esporte telespetculo, produzido pela mdia se diferencia do esporte como prtica e como lazer (BETTI, 2005).Estudando autores clssicos e contemporneos torna-se possvel compreender sobre o fenmeno social da difuso do esporte pelateleviso. As idias de Pierre Bourdieu e John Thompson so referenciais fundamentais para a presente discusso.Bourdieu (1997), no estudo sobre a televiso, fala das relaes de poder que constituem esse campo, no qual a concorrnciaeconmica entre os canais, na busca pelas cotas de mercado, realiza-se concretamente na concorrncia entre os sujeitos queparticipam desse meio jornalistas e rgos de imprensa.O consumidor no tem o controle, como a Indstria Cultural quer que acreditemos, ele seu objeto e no o sujeito desta indstria.Porm, no se trata nem das massas nem das tcnicas, a indstria cultural abusa da considerao com relao s massas para reiterar,firmar e reforar a mentalidade destas, que dada como priori e imutvel (ADORNO, 1986, p.288).Com relao recepo dos produtos da indstria cultural, Thompson (2000) nos chama ateno ao termo comunicao emmassa. Por se tratar de uma transmisso de mensagens de mo nica, no caso da televiso, do transmissor para o telespectador, ondeo receptor tem pouca possibilidade para contribuir no contedo a ser apresentado, seria mais apropriado falar em transmisso oudifuso.Nestas transmisses, eventos e fatos so retirados do contexto histrico, sociolgico e antropolgico. Tal descontextualizao sutil ecompensada com outras informaes como closes, replays, cmeras com diversos ngulos, etc, o telespectador tem a falsa sensaode estar olhando por uma janela de vidro, quando na realidade assiste uma interpretao da realidade (BETTI, 2005, p.85).Assistir ao esporte pela televiso completamente diferente de se assistir presencialmente nos estdios ou quadras. A televisoseleciona as imagens e as interpreta (BETTI, 2003). Isso notadamente percebido ao assistirmos, por exemplo, um jogo de vlei oufutebol pela televiso. Os narradores no narram apenas as jogadas, mas falam repetidamente o quanto as jogadas so espetaculares,inacreditveis, sensacionais, como os jogadores so paredes, craques, fenomenais, como do um show.O entusiasmo dos jornalistas e comentaristas lana luz sobre uma expresso usada por Umberto Eco (1984): a falao, expressoessa que, resume bem o que grande parte da programao esportiva televisiva faz. Ela cumpre algumas funes bsicas,principalmente nas mesas-redondas, noticirios e programas esportivos. Segundo Betti (2003), essas funes so: informar eatualizar, contar a histria, criar expectativas, explicar e justificar, prometer, criar polmicas e construir rivalidades, criticar, comentar,eleger dolos.Outra funo da mdia esportiva o possvel incentivo prtica regular de atividades esportivas. Contrapondo-se ao entendimentogeral de que o esporte, entendido como telespetculo induziria sua assistncia passiva e, com isso, contribuiria para a sedentarizaoda populao, existe certa expectativa de que as pessoas possam ser motivadas pelos fatos esportivos espetaculares que assistem nateleviso (ou informadas pela mdia quanto aos diversos benefcios atribudos ao esporte) e adotem atitudes favorveis prticaregular de exerccios fsicos e esportivos. Mesmo considerando que isso no o real objetivo da mdia, parece interessante sinstituies escolares e socioeducativas que atuam com o esporte tirarem proveito desta predisposio prtica esportiva que seriamotivada pela mdia - ainda que de forma provisria e temporria (PIRES, 2007).Ns, como telespectadores, e ao mesmo tempo profissionais na rea da Educao Fsica, precisamos nos atentar sobre comoassistimos o esporte televisivo e o quanto isso nos influencia como educadores.De acordo com Pires (2007) nossa responsabilidade agir educativamente para desmistificar o desempenho esportivo apresentado namdia. Ao contrrio do desejado, que a mdia incentive a prtica do esporte, pode ocorrer que a mdia iniba a prtica do esporte comoatividade pedaggica e ldica, porque ao vermos na televiso as jogadas de efeito dos grandes atletas, suas bicicletas, enterradase cravadas, podemos tom-las como referncia de nvel tcnico ou do rendimento necessrio para praticar esportes. Se noconseguirmos alcanar esse nvel tcnico podemos ficar desmotivados e trocarmos definitivamente a prtica do esporte de carterparticipativo pela assistncia ao esporte espetacularizado. Com isso, a associao entre assistncia e prtica, que seria muito benfica,pode se transformar na substituio de uma pela outra, atendendo assim aos interesses comerciais que fazem do esporte umamercadoria de consumo e, de ns, seus teleconsumidores (PIRES, 2007, p.6)Sobre esta demanda, Pires (2000) destaca que ao lado dos conhecimentos cientficos produzidos pelas cincias que compreendem,prescrevem e explicam o movimento humano, o currculo acadmico dos cursos de Educao Fsica deveria proporcionar a reflexosobre os diversos elementos da cultura de movimento.A questo aqui no se trata de rebaixar as cincias biolgicas e elevar as prticas sociais cotidianas condio de cincia. Ointeressante seria que o profissional da rea pudesse dispor de conhecimentos e habilidades que lhe permita articular entre ocientificamente elaborado e o culturalmente construdo (PIRES, 2000)A respeito do esporte, os estudantes de Educao Fsica chegam aos cursos com uma referncia do senso comum. No esportetelevisivo, a maior referncia, se no a nica, do esporte de alto rendimento. Para que esses sujeitos tenham como refletir equestionar essa base, preciso uma ao pedaggica que viabilize a apropriao de conhecimentos. Saberes confrontados,questionamentos ao esporte espetculo e aos discursos da mdia, so fundamentais para esta apropriao. Assim, podero lidar comtais discursos e realizar uma leitura, de modo a selecionar e filtrar o que transmitido (LOPES DA SILVA, 2010).O esporte televisivo pode ser debatido em disciplina especfica sobre mdia assim como sugere Pires (2003), ou em disciplinasrelacionadas ao esporte e lazer.Marcellino (1987) afirma ser cada vez mais necessria a considerao do lazer como objeto de educao a educao para o lazer emuma sociedade orientada pela cultura de consumo e conformismo. necessrio, portanto, um processo educativo que incentive aimaginao criadora, o esprito crtico, ou seja, uma educao para o lazer, no com o objetivo de criar necessidades, como assim ofaz a mdia (televiso), mas satisfazer necessidades individuais e sociais. E o canal para isso a educao formal.MATERIAIS E MTODOSA metodologia foi a pesquisa bibliogrfica, com base nas ideias de Severino (2007), e foi efetuada a partir de um levantamento nosSistemas de Bibliotecas da UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba) e da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas),correspondente s obras de estudiosos do Lazer, da Comunicao e da Educao Fsica, que se centram em um referencialsociocultural. Para a realizao deste levantamento foram consultados livros, dissertaes, teses e peridicos. Para a sistematizao dapesquisa foi utilizado o laboratrio de Corporeidade e Lazer, locado na UNIMEP.4. Resultado e DiscussoPor meio deste estudo, compreendemos alguns conceitos-chave relacionados ao esporte, televiso, lazer e formao profissional emEducao Fsica. Estes conceitos tiveram por base autores que seguem uma linha sociocultural.Com relao ao esporte podemos afirmar que um dos fenmenos mais expressivos da atualidade e que faz parte da vida da maioriadas pessoas no mundo todo (BRACHT, 2005)Analisamos os significados do esporte difundido pela televiso, destacando a concorrncia econmica entre os canais de televiso edos sujeitos que produzem estas imagens, como jornalistas e rgos de imprensa (BOURDIEU, 1997). Alm disso, a mercantilizaodo esporte se torna uma relao entre a oferta e a demanda dos esportes, segundo Marchi Junior (2005).De acordo com Betti (1998) vimos que, assistir ao esporte pela televiso diferente de assisti-lo estando presente em estdios equadras, pois a viso do esporte televisionado restrita e editada. O telespectador tem a falsa sensao de estar olhando por umajanela de vidro, quando na realidade assiste uma interpretao da realidade (BETTI, 2005, p.85).A televiso pode ser tratada como ferramenta pedaggica na escola. Porm, para utiliz-la necessrio que os estudantes sejam bempreparados. Por este motivo, Giovanni Pires (2000), aponta a necessidade de se trabalhar conceitos de temas como esporte e mdia noscursos de graduao em Educao Fsica.Ressaltamos aqui a importncia que os currculos acadmicos deveriam proporcionar sobre a reflexo dos diversos elementos dacultura de movimento ao lado dos conhecimentos das cincias biolgicas. O profissional poderia se tornar mais capacitado por disporde conhecimentos e habilidades que lhe permita articular entre o cientificamente elaborado e o culturalmente construdo (PIRES,2000).Pires (2003) compreende que a formao profissional em Educao Fsica pode capacitar os estudantes universitrios a terem umainterveno futura promotora do desenvolvimento da conscincia crtica e criativa, comprometida em desenvolver aes no sentido daeducao para a mdia e para o lazer.5. Consideraes FinaisAo analisarmos como se d a difuso do esporte pela televiso e quais suas implicaes para a formao profissional em EducaoFsica, conclumos que existe a necessidade de preparar tais estudantes nos cursos de graduao. Disciplinas que envolvam a reflexode elementos da cultura corporal e que desenvolvam a capacidade de se trabalhar com temas mdia e esporte so essenciais para aformao completa dos futuros profissionais.Os estudantes de Educao Fsica, ao compreenderem como a mdia influencia a sociedade atual podero ter uma melhor atuaofutura e desenvolver juntamente com seus alunos uma atitude ativa e reflexiva diante dos discursos, informaes e imagens da mdia.O papel do profissional de Educao Fsica com relao s imagens veiculadas na mdia sobre o esporte mediar espetculo esportivoe seus receptores, seus futuros alunos. Educar para criatividade e criticidade, sem negar possibilidades do lazer: combate ao tdio,tempo livre, busca da excitao, vivncia eletrnica e sociabilidade.Entendemos assim que a atitude esperada por parte do profissional de Educao Fsica com relao ao esporte televisivo no seja arepetio e sim a mediao de significados que viabilize aos sujeitos a compreenso da mdia e de uma leitura qualificada dessefenmeno no sentido da educao para o lazer. fundamental a discusso desses temas nos cursos de formao profissional.Referncias BibliogrficasADORNO, T.W. A indstria cultural. In: COHN, G. (org). Theodor W. Adorno:Sociologia. So Paulo: tica. Grandes Cientistas Sociais, 54. 1986.BETTI, M. A janela de vidro: esporte, televiso e educao fsica. Campinas: Papirus, 1998.________.__________. 2ed. Campinas: Papirus, 2003._________. Esporte, Entretenimento e Mdias: implicaes para uma politica de esporte e lazer. Impulso, Piracicaba, 16(39): 83-89,2005.BOURDIEU, P. Sobre a televiso. Oeiras: Celta Editora, 1997.BRACHT, V. Sociologia crtica do esporte: uma introduo. Iju: Ed. Uniju, 2005.ECO, H. Viagem na irrealidade cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.LOPES DA SILVA, C. Esporte televisivo, lazer e educao: implicaes para a formao profissional em educao fsica. RevistaLazer & Sociedade. Escola de Artes, Cincias e Humanidades da Universidade de So Paulo, p.60-72, 2010.MARCELLINO, N.C. Lazer e educao. 11.ed. Campinas: Papirus, 1987.MARCHI Junior, W. Desporto. In: GONZLEZ, F.J.; FENSTERSEIFER, P.E. (Org.). Dicionrio Crtico de Educao Fsica. Iju:Ed.Uniju, 2005.PIRES, G. L. O esporte e os meios de comunicao de massa: relaes de parceria e tenso. Possibilidades de superao? In:GRUNENNVALDT, J.T. (Org.). Educao fsica, esporte e sociedade: temas emergentes. So Cristvo: DEF/UFS, 2007.__________; GONALVES, A. Estudos sobre mdia esportiva na formao do professor de Educao Fsica: apontamentos depesquisa-ao. Revista Motrivivncia. Educao Fsica, Esporte, Lazer e Mdia II. Ano XIII, n. 18, mar. 2000. Disponvel em:. Acesso em: jun. 2011.___________. Cultura esportiva e mdia: abordagem crtico-emancipatria no ensino de graduao em Educao Fsica. In: BETTI,M. (Org.) Educao Fsica e mdia: novo olhares, outras prticas. So Paulo: Hucitec, p.19-44, 2003.SEVERINO, A.J. Metodologia do Trabalho Cientfico. So Paulo: Editora Cortez, 2007.THOMPSON, J. R. Ideologia e cultura moderna: teoria social crtica na era dos meios de comunicao de massa. 5ed. Petrpolis:Vozes, 2000.

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