18º Congresso de Iniciação Científica ATITUDES E VALORES ... ?· 18º Congresso de Iniciação Científica…

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18 Congresso de Iniciao Cientfica

ATITUDES E VALORES DE ALUNOS DA REA CIENTFICO-TECNOLGICA RELACIONADOS CINCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE

Autor(es)

ANA PAULA TEIXEIRA SILVA

Orientador(es)

MARIA GUIOMAR CARNEIRO TOMAZELLO, SIMONE SENDIN MOREIRA GUIMARES

Apoio Financeiro

FAPIC/UNIMEP

1. Introduo

Este projeto faz parte de uma pesquisa internacional de avaliao das atitudes Proyecto de Investigacin Iberoamericano enevaluacin de actitudes relacionadas con la Ciencia, la Tecnologia y la Sociedad (PIEARCTS) coordenado por ngel Vzquez, daUniversidad de las Islas Baleares/Espanha, que est sendo realizada por meio da aplicao de um questionrio de opinies envolvendoonze pases iberoamericanos, com a inteno de obter indicadores das atitudes de alunos universitrios sobre as relaes Cincia,Tecnologia e Sociedade. O movimento CTS ganhou fora no cenrio poltico-social nas dcadas de 1960 e 1970, nos pasesdesenvolvidos, devido degradao ambiental, corrida espacial, guerra do Vietn, entre outros eventos. No Brasil, essemovimento chega em 1990 e atualmente, volta a ganhar fora na academia, em funo dos grandes problemas socioambientais e danecessidade de reviso dos currculos. A educao com enfoque CTS apresenta-se como uma das novas formas para se minimizarparadigmas capitalistas (BAZZO et al.,2007), e mostrar limitaes e a serventia da Cincia e da Tecnologia, no para desqualificar oconhecimento, mas para desmistificar concepes. (CEREZO, 2004). Com isso, preciso atender s transformaes socioambientaise s novas necessidades no contexto atual. Na concepo tradicional espera-se que a cincia apresente sempre resultados confiveis,uma vez que se utiliza de um mtodo de trabalho - o mtodo cientfico - e de um severo cdigo de honestidade profissional, uma vezque todo trabalho cientfico submetido avaliao de especialistas na rea (BAZZO et al, 2003). Com respeito tecnologia, a idiapredominante de que as atividades tcnicas so subprodutos da cincia e isso refora o suposto carter neutro, alheio a interesses econflitos sociais, do binmio cincia-tecnologia. De acordo com Santos e Mortimer (2002), a tecnologia pode ser compreendida comoo conhecimento que nos permite controlar e modificar o mundo. Para os autores, o fato da tecnologia estar associada diretamente aoconhecimento cientfico, tornando-se indissocivel da cincia, tem levado a uma confuso comum que reduzir a tecnologia dimenso de cincia aplicada. O movimento CTS adquiriu tal importncia que hoje h inmeros cursos e currculos com esse enfoque,livros, revistas cientficas, dissertaes e teses que tratam de assuntos relacionados. Apesar do evidente interesse e do crescimento darea, no h, atualmente, um consenso sobre o que significa CTS, mas, segundo Membiela (1997, p.51), pode-se dizer que ummovimento educativo que promove a alfabetizao cientfica e tecnolgica dos cidados para que possam participar do processodemocrtico de tomada de deciso e na resoluo de problemas relacionados com a cincia e tecnologia. Para a tomada de decisesestratgicas so cada vez mais teis os indicadores de percepo pblica da cincia e da tecnologia, pois constituem um termmetropara avaliar a valorao que a sociedade faz do sistema cientfico e tecnolgico. preciso desmistificar a imagem tradicional decincia e tecnologia, que pode resumir-se em uma simples equao, o chamado modelo linear de desenvolvimento (CEREZO, 2003,p.119): +cincia=+ tecnologia=+ riqueza=+bem estar social.- que est sendo realizada por meio da aplicao de um questionrio de

opinies envolvendo onze pases iberoamericanos, com a inteno de obter indicadores das atitudes de alunos universitrios sobre asrelaes Cincia, Tecnologia e Sociedade. O movimento CTS ganhou fora no cenrio poltico-social nas dcadas de 1960 e 1970,nos pases desenvolvidos, devido degradao ambiental, corrida espacial, guerra do Vietn, entre outros eventos. No Brasil, essemovimento chega em 1990 e atualmente, volta a ganhar fora na academia, em funo dos grandes problemas socioambientais e danecessidade de reviso dos currculos. A educao com enfoque CTS apresenta-se como uma das novas formas para se minimizarparadigmas capitalistas (BAZZO et al.,2007), e mostrar limitaes e a serventia da Cincia e da Tecnologia, no para desqualificar oconhecimento, mas para desmistificar concepes. (CEREZO, 2004). Com isso, preciso atender s transformaes socioambientaise s novas necessidades no contexto atual. Na concepo tradicional espera-se que a cincia apresente sempre resultados confiveis,uma vez que se utiliza de um mtodo de trabalho - o mtodo cientfico - e de um severo cdigo de honestidade profissional, uma vezque todo trabalho cientfico submetido avaliao de especialistas na rea (BAZZO et al, 2003). Com respeito tecnologia, a idiapredominante de que as atividades tcnicas so subprodutos da cincia e isso refora o suposto carter neutro, alheio a interesses econflitos sociais, do binmio cincia-tecnologia. De acordo com Santos e Mortimer (2002), a tecnologia pode ser compreendida comoo conhecimento que nos permite controlar e modificar o mundo. Para os autores, o fato da tecnologia estar associada diretamente aoconhecimento cientfico, tornando-se indissocivel da cincia, tem levado a uma confuso comum que reduzir a tecnologia dimenso de cincia aplicada. O movimento CTS adquiriu tal importncia que hoje h inmeros cursos e currculos com esse enfoque,livros, revistas cientficas, dissertaes e teses que tratam de assuntos relacionados. Apesar do evidente interesse e do crescimento darea, no h, atualmente, um consenso sobre o que significa CTS, mas, segundo Membiela (1997, p.51), pode-se dizer que ummovimento educativo que promove a alfabetizao cientfica e tecnolgica dos cidados para que possam participar do processodemocrtico de tomada de deciso e na resoluo de problemas relacionados com a cincia e tecnologia. Para a tomada de decisesestratgicas so cada vez mais teis os indicadores de percepo pblica da cincia e da tecnologia, pois constituem um termmetropara avaliar a valorao que a sociedade faz do sistema cientfico e tecnolgico. preciso desmistificar a imagem tradicional decincia e tecnologia, que pode resumir-se em uma simples equao, o chamado modelo linear de desenvolvimento (CEREZO, 2003,p.119): +cincia=+ tecnologia=+ riqueza=+bem estar social.

2. Objetivos

Este trabalho tem por objetivo verificar as atitudes e valores de estudantes da rea cientfico-tecnolgica da regio de Piracicaba/Campinas em relao Cincia, Tecnologia e Sociedade. Os resultados permitiro a comparao entre pases iberoamericanos epodero contribuir para definies de polticas pblicas em reas estratgicas.

3. Desenvolvimento

As atitudes e valores dos alunos da rea cientfico-tecnolgica esto sendo avaliados por meio do Questionrio VOSTS (Views onScience-Technology-Society), produzido por Aikenhead y Ryan (1989, 1992), apud Manassero y Vsquez (2002) e adaptado por estespara a pesquisa ibero-americana sobre as concepes de alunos e professores sobre Cincia, Tecnologia e Sociedade. Esse modelo dequestionrio, segundo Manassero y Vsquez (2002), pode ser considerado como uma nova verso dos clssicos questionrios Likertde atitudes, formados por uma coleo de frases, cujas pontuaes "concordo" e "discordo" so somadas para dar uma pontuaototal, mas que, de acordo com Gardner (1996, apud Manassero y Vsquez, 2002), apresentam srios problemas metodolgicos como afalta de unidimensionalidade da escala, a falta de um constructo nico e comum a toda a escala. As afirmativas constantes doquestionrio so ainda classificadas em Adequadas, Plausveis ou Inadequadas (Classificao das alternativas) de acordo com osreferenciais tericos do trabalho, o que altera a pontuao, dependendo dessa classificao. Assim, uma afirmativa adequada tem suamaior pontuao no grau de concordncia 9, j uma ingnua tem sua maior pontuao no grau de concordncia 1, como mostra atabela I, anexa. A classificao das afirmativas : Adequada (A): A proposio expressa uma opinio apropriada sobre o tema, nosaspectos tericos, histricos e de aplicao prtico vivel. Plausvel (P): Mesmo no completamente adequada, a proposio expressaalguns aspectos apropriados. Ingnuas (I): A proposio expressa uma opinio inapropriada ou no plausvel sobre o tema.

4. Resultado e Discusso

Os sujeitos da pesquisa foram 109 alunos das reas de Engenharia do Curso de Controle de Automao e Engenharia e Qumica daUNIMEP, oferecidos no Campus de Santa Brbara DOeste. Os alunos foram convidados a participar da pesquisa e os queconcordaram, responderam ao questionrio. As figuras 1 e 2 (anexas) representam os resultados obtidos com os alunos dos primeirosanos e dos ltimos anos dos cursos, respectivamente.Dentre as 15 questes do questionrio aplicado aos alunos do primeiro ano (figura 1) dos cursos de Engenharia de Automao eQumica, as questes 20411 e 40531 foram as que apresentaram menores ndices. A questo 20411, que trata da influncia dascrenas ticas e religiosas na investigao cientfica, apresentou ndices negativos, revelando que os alunos no compreendem que nacincia tambm esto inclusos valores religiosos. J a alternativa 40531, que tambm teve um ndice atitudinal baixo, mostra que os

alunos consideram que a tecnologia sempre trar benefcios sociedade. Do total de 15 questes, os alunos dos primeiros anos doscursos de Engenharia de Automao e Engenharia Qumica, em 12 delas, obtiveram ndices positivos e em 3 questes, ndicesnegativos Na Figura 2 observamos os resultados dos alunos dos ltimos anos dos cursos j mencionados. Os alunos parecem ter umacompreenso um pouco menos ingnua que os alunos dos primeiros anos em relao s questes CTS. Observa-se um aumento dosvalores dos ndices, em especial das alternativas 20411 e 40531, porm ainda encontram-se muito abaixo de +1, valor consideradoideal.

5. Consideraes Finais

O trabalho atingiu o objetivo proposto que foi verificar as atitudes e valores de estudantes de engenharia da regio de Piracicaba emrelao Cincia, Tecnologia e Sociedade (CTS). Cabe um destaque para os resultados finais obtidos entre os dois grupos de alunos-do primeiro e do ltimo ano- uma vez que pouco diferem entre si, apesar dos alunos formandos apresentarem ndices levementemelhores do que os que iniciam a faculdade, mas no como seria desejvel. Em suma, todos apresentam atitudes e valores ingnuosem relao s interaes Cincia, Tecnologia e Sociedade (CTS). Esses resultados implicam uma necessidade de mudanascurriculares, que contemplem discusses no mbito CTS, pois os alunos precisam ser ajudados a ter uma viso menos neutra dacincia e menos determinista da tecnologia. Esses resultados se explicam pelo fato de que, em geral, nos currculos dos cursos deengenharia, a nfase dada s aplicaes da cincia e da tecnologia sem explorar as suas dimenses com a sociedade. Segundo Santose Mortimer (2001, p.12) essa abordagem pode gerar uma viso deturpada sobre a natureza desses conhecimentos, como se estivesseminteiramente a servio do bem da humanidade, escondendo e defendendo, mesmo que sem inteno, os interesses econmicosdaqueles que desejam manter o status quo.

Referncias Bibliogrficas

BAZZO, W.; VON LINSINGEN, I.; PEREIRA, L. T. V. Introduo aos estudos CTS(Cincia, Tecnologia e Sociedade). Madri:Organizao dos Estados Ibero-americanos, 2003CEREZO J. A. Cincia, tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos. In: SANTOS, L. W. et al. (Orgs.).Cincia, tecnologia e sociedade: o desafio da interao. Londrina: IAPAR, 2002. p. 3-39.CEREZO, J. A. L. Cincia, Tcnica e Sociedade. In: IBARRA A.; OLIV, L. Questiones ticas de la Cincia y de la Tecnologia en elsiglo XXI. Madri: OEI y Biblioteca Nueva, 2003.MEDWAY, P. Issues in the theory and practice of technology education. Studies in Science Education, 16, 1-24, 1989.ALLSOP, R.T. y WOOLNOUGH, B.E. The relationship of technology to science in: English schools. Journal of Curriculum Studies,22(2), 127-136, 1990.MANASSERO, M. A. Y.; VZQUEZ, A. A. Instrumentos y mtodos para la evaluacin de ls actitudes relacionadas com la cincia,la tecnologa y la sociedad. Enseanza de las Cincias, 20 (1) pp.15-27, 2002.SANTOS, W. L. P; MORTIMER E. F.; Uma anlise de pressupostos tericos da abordagem C-T-S (Cincia TecnologiaSociedade) no contexto da educao brasileira; ENSAIO Pesquisa em Educao em Cincias Volume 02 / Nmero 2, Dez. 2002Anexos

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