18º Congresso de Iniciação Científica ATITUDES E ... ?· 18º congresso de iniciação científica…

Download 18º Congresso de Iniciação Científica ATITUDES E ... ?· 18º congresso de iniciação científica…

Post on 10-Jan-2019

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

18 Congresso de Iniciao Cientfica

ATITUDES E VALORES DE ALUNOS E PROFESSORES DA REA DE HUMANASRELACIONADOS CINCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE

Autor(es)

FLVIA DE ASSIS FAVETTA

Orientador(es)

MARIA GUIOMAR CARNEIRO TOMAZELLO

Apoio Financeiro

PIBIC/CNPQ

1. Introduo

Este trabalho um recorte de um projeto de Iniciao Cientfica PIBIC/CNPq/UNIMEP , que por sua vez faz parte de uma pesquisainternacional de avaliao das atitudes- Proyecto Iberoamericano de Evaluacin de Actitudes Relacionadas com la Cincia, laTecnologia y la Sociedad PIEARCTS. A pesquisa est sendo realizada atravs da aplicao de um questionrio de opinio envolvendoonze pases iberoamericanos. Para investigar as ideias de alunos do ensino mdio e superior das reas das cincias humanas ecientfico-tecnolgicas, a coleta de dados obedece a critrios estatsticos para ser representativa da populao nos universos estudados.Os questionrios esto sendo aplicados de forma homognea em todos os pases envolvidos de forma a se desenvolver umamacro-avaliao internacional sobre questes CTS. O Movimento Cincia, Tecnologia e Sociedade (CTS) surgiu nas dcadas de60/70, tanto nos Estados Unidos como na Europa, como uma resposta de parte da comunidade acadmica insatisfeita com osproblemas ambientais, econmicos, sociais, polticos causados pelo uso indiscriminado da cincia e da tecnologia. Embora com osdiferentes enfoques, o movimento tinha como alvo desmistificar a imagem tradicional de cincia e tecnologia que no possua umarelao linear com o bem estar social, como se esperava. (CEREZO, 2003). As imagens do pblico em relao Cincia so em geral,neutras e alheias a interesses e conflitos sociais, sempre em favor da humanidade. Quanto tecnologia, em pesquisa com professoresde cincias do nvel mdio, Espndola e Ricardo (2004) concluram que o conceito de Tecnologia o de cincia aplicada, ou seja, atecnologia um subproduto da cincia. Mas desde Hiroshima, com a bomba atmica, o homem perdeu sua f inabalvel na cincia,sendo que desde essa poca muito se tem ouvido falar sobre a culpabilidade da cincia-tecnologia, seja por ao ou pela no-ao. Apercepo pblica da cincia-tecnologia em nossos dias, esquizofrnica: h indivduos tecno-otimistas e tecno-catastrofistas(GARCIA, CEREZO E LOPES, 1996). O movimento CTS adquiriu tal importncia que hoje h inmeros cursos, currculos com esseenfoque, livros, revistas cientficas, dissertaes e teses que tratam de assuntos relacionados. Apesar do evidente interesse e docrescimento da rea, no h, atualmente, um consenso sobre o que significa CTS, mas, segundo Membiela (1997), pode-se dizer que um movimento educativo que promove a alfabetizao cientfica e tecnolgica dos cidados para que possam participar do processodemocrtico de tomada de deciso e na resoluo de problemas relacionados com a cincia e tecnologia. Os indicadores de percepopblica da cincia so cada vez mais importantes para a tomada de decises estratgias e constituem um termmetro para avaliar avalorao que a sociedade faz do sistema cientfico e tecnolgico. Mas, sobretudo, segundo Vogt e Polino (2003), fornecemparmetros necessrios para promover a participao social e a democratizao de tomada de decises, tendo-se em conta que aproduo cientfica e tecnolgica tem impactos mltiplos que afetam a complexa trama de interesse da sociedade contempornea. A

cincia e a tecnologia tm importncia evidente e indiscutvel no mundo moderno, no qual adquirem carter relevante em todos osaspectos da vida, influenciando os processos de transformaes polticas das sociedades contemporneas. Parte-se do pressuposto deque os subsistemas de cincia e tecnologia desenvolvem-se mais facilmente em contextos nos quais a populao partilha nveisdeterminados de conhecimentos cientficos e atitudes positivas perante a cincia. Entretanto, um dos desafios da atualidade para acompreenso das relaes CTS o desenvolvimento de indicadores que permitam avaliar tanto a evoluo da percepo pblica, dacultura cientfica bem como a participao dos cidados, em direo a cenrios de economias baseadas cada vez mais noconhecimento. (VOGT e POLINO, 2003). Reconhecida sua importncia e necessidade, a construo de indicadores , contudo umatarefa difcil, que deve, segundo Vogt e Polino (2003), modelar-se pela realizao de esforos sistemticos de cooperao entre osacadmicos e as instituies governamentais dos pases.

2. Objetivos

Esse trabalho tem por objetivo investigar a percepo que os estudantes brasileiros do ensino mdio e do ensino superior, da rea dehumanas, da regio de Piracicaba/Campinas, tm sobre questes relativas Cincia, Tecnologia e Sociedade, de forma a contribuir noprocesso de reflexo terica sobre a educao cientfica e obter dados que permitam comparao internacional entre os pasesiberoamericanos, trazendo novos elementos para a definio de polticas pblicas nessa rea.

3. Desenvolvimento

As percepes dos alunos em relao Cincia e Tecnologia esto sendo obtidas a partir da aplicao de um questionrio de 15perguntas baseados na estrutura do questionrio VOSTS (Views on Science-Technology-Society), produzido por Aikenhead y Ryan(1989, 1992, apud Manassero e Vsquez, 2002) e adaptado por estes para a pesquisa ibero-americana sobre as concepes de alunos eprofessores sobre Cincia, Tecnologia e Sociedade. Esse modelo de questionrio, segundo Manassero e Vsquez (2002), pode serconsiderado como uma nova verso dos clssicos questionrios Likert de atitudes, formados por uma coleo de frases, cujaspontuaes "concordo" e "discordo" so somadas para dar uma pontuao total, mas que, de acordo com Gardner (1996, apudManassero e Vsquez, 2002), apresentam srios problemas metodolgicos como a falta de unidimensionalidade da escala, a falta deum constructo nico e comum a toda a escala. Segundo Guimares e Tomazello (2003), com essa nova ferramenta possvel sanaralguns problemas tais como: dar aos sujeitos da pesquisa uma grade maior de opes; ajustar a correspondncia entre o instrumentoescolhido e o que se quer medir (diminuindo a distncia entre o que se quer medir e o que realmente se mede); diminuir a tendnciaque os alunos tm a responder para satisfazer as expectativas dos professores (na medida em que os valores para cada questo sodesconhecidos dos alunos). As afirmativas constantes dos dois questionrios so ainda classificadas em Adequadas, Plausveis ouIngnuas (tabela I) de acordo com os referenciais tericos do trabalho, o que altera a pontuao, dependendo dessa classificao.Assim, uma afirmativa adequada tem sua maior pontuao no grau de concordncia 9, j uma ingnua tem sua maior pontuao nograu de concordncia 1, como mostra a tabela I (anexo 1). A Classificao das Afirmativas a seguinte: Adequada (A): A proposioexpressa uma opinio apropriada sobre o tema, nos aspectos tericos, histricos e de aplicao prtica vivel; Plausvel (P): Mesmono completamente adequada, a proposio expressa alguns aspectos apropriados; Ingnua (I): A proposio expressa uma opinioinapropriada ou no plausvel sobre o tema.O clculo para encontrar o ndice Global de Atitude ou ndice Atitudinal para cada um dos questionrios foi o seguinte:* Adequadas= pontos diretos / n de questes com esse ndice = Xa/4= xa* Plausveis= pontos diretos / n de questes com esse ndice = Xb/2= xb* Ingnuas= pontos diretos / n de questes com esse ndice = Xc/4= xcxa+xb+xc = y/3 = ndice global para questo

Se o ndice global de atitude for positivo, a atitude valiosa, e tanto melhor quanto mais se aproximar do 1. J, se o ndice fornegativo, a atitude ingnua e mais o ser quanto se aproximar do -1. (Manassero e Vzquez, 2002).

4. Resultado e Discusso

Figura 1- Resultados dos ndices atitudinais mdios dos 107 alunos do 1 ano do Ensino Superior em funo dos valores mdiosobtidos nas 15 questesFigura 2 -Resultados dos ndices atitudinais mdios dos 62 alunos do ltimo ano do Ensino Superior em funo dos valores mdiosobtidos nas 15 questesOs resultados, mostrados nas figuras de 1 e 2 mostram pequenas diferenas nas respostas entre as duas turmas de alunos, mas osalunos que esto finalizando o Ensino Superior (ltimo ano) indicaram uma viso menos ingnua de CT. Das 15 questes tanto paraos alunos do primeiro ano; como os do ltimo ano, apenas as questes 20411 e a 70231 apresentaram ndices negativos; e a questo70231 nos dois casos est muito prxima de 0. A questo 20411, com o menor ndice refere-se influncia das crenas ticas ereligiosas na investigao cientfica; o que mostra que os alunos tm a viso ingnua que a cincias, assim como os cientistas soneutros e no so influenciados por estas crenas. E a questo com o maior ndice tambm coincide para os alunos iniciantes e os queesto finalizando a faculdade, que a 40161, que trata da transferncia de indstrias para pases subdesenvolvidos, esta questo no adequada para a realidade brasileira; afinal o Brasil recebe estas indstrias. Porm os alunos tm facilidade em identificar que estaatitude no adequada. De maneira geral, os alunos dos ltimos anos se saem melhor; tiveram melhores ndices em 13 das 15questes. Os alunos iniciando a Universidade se saram melhor nas questes 70231 e 90411. Este resultado pode indicar que ao longoda graduao seja construda uma viso mais crtica acerca das questes relacionadas cincia, tecnologia e sociedade; porm esteresultado ainda est distante do ideal. Para isso preciso incentivar que alunos e professores tenham espao para discutir estasquestes, para que cada vez mais tenham uma viso mais crtica e menos ingnua sobre a cincia e seus rumos e como a sociedadeinfluencia nesta questo e vice versa. A mdia global de todos os alunos para as 15 questes, que esta representada pela linha rosa nasfiguras 1 e 2, foi 0,6 para os alunos iniciantes e 0,11 para os alunos do ltimo ano. Dos 107 alunos dos primeiro ano 22 obtiveramndice global negativo; e dos 64 alunos dos ltimos anos 16 obtiveram ndice global negativo. Portanto a maioria dos alunos obtevendices globais positivos, porm ainda distante de +1, que corresponderia percepo ideal. Pode-se dizer que a maior parte dosalunos tem algumas noes acerca das questes abordadas neste questionrio, mas precisam ser auxiliados a pens-las de maneiramais crtica, para poderem ter uma postura mais reflexiva e ativa na sociedade. Esses resultados no remetem aos currculos dos cursosde nvel superior e tambm aos dos de nvel fundamental e mdio. Segundo Solomon e Aikenhead (1994, apud Santos e Mortimer,2002), em alguns pases h um processo de implantao de currculos de CTS, com a elaborao de materiais didticos, sua aplicaoe avaliao e a realizao de cursos de formao de professores, sendo que pesquisas tm constatado que os estudantes, de umamaneira geral, tm se beneficiado com a introduo de temas CTS. Segundo Santos e Mortimer (2002) projetos nacionais de ensinode cincias, com nfase em CTS poderiam contribuir para a alfabetizao e o letramento cientfico e tecnolgico dos alunos.

5. Consideraes Finais

De forma geral, os resultados mostram que os alunos precisam ser auxiliados a perceber a Cincia, a Tecnologia e suas relaes com aSociedade de uma forma mais crtica, menos ingnua, uma vez que a idia de neutralidade representa obstculo para uma cinciademocrtica evidenciando-se, portanto, a importncia do Movimento CTS na educao. Em sntese, podemos dizer que os alunos tmuma viso tradicional de cincia e de Tecnologia, na qual, a verdade alcanada de um modo autnomo (neutro) pela aplicao de ummtodo privilegiado (o mtodo cientfico), que produz mais tarde um mundo de possibilidades tecnolgicas, que vo levar ao bemestar da humanidade (determinismo tecnolgico). Concordamos com Molina (2009, apud Castro, 2009, s/p.) importanteproblematizar essas duas idias que hoje so muito fortes em nossa cultura: a neutralidade da cincia e o determinismo tecnolgico.

Referncias Bibliogrficas

CASTRO, F. Falsa neutralidade. Revista da FAPESP, 2009. Disponvel em: Acesso em: 20 de agosto de 2009.

CEREZO, J. A. L. Cincia, Tcnica e Sociedade. In: IBARRA A.; OLIV, L. Questiones ticas de la Cincia y de la Tecnologia en elsiglo XXI. .Madri: OEI y Biblioteca Nueva, 2003.

ESPNDOLA, R. DE C. E RICARDO, E. C. O ensino da tecnologia na concepo dos professores das cincias do nvel mdio.Humanitates Volume I - Nmero 2 Nov. 2004, Universidade Catlica de Braslia UCB, 2004.

GARCIA, M. I. G., CEREZO, J.A.L., LPEZ, J.L.L.Cincia, Tecnologia y Sciedad. Madrid: Tecnos S.A., 1996.

GUIMARES, S. S.M. ; TOMAZELLO, M.G.C. Avaliao das idias e atitudes relacionadas com sustentabilidade: metodologia einstrumentos. Cincia & Educao. V.10, n.2, p.173-183, 2004.

MANASSERO, M. A. Y VZQUEZ, A. A. Instrumentos y mtodos para la evaluacin de las actitudes relacionadas con la ciencia, latecnologa y la sociedad. Enseanza de las Ciencias, 20 (1) pp.15-27, 2002.

MEMBIELA IGLESIA, P. Uma revisin del movimiento educativo cincia-tecnologia- sociedade. Enseanza de las ciencias, 1997,15 (1).

SANTOS, W.L.P.DOS. MORTIMER, E.F. Uma anlise de pressupostos tericos da abordagem C-T-S (Cincia,Tecnologia eSociedade) no contexto da educao brasileira. Ensaio-Pesquisa em Educao em Cincias. volume 0 2 / Nmero 2 Dezembro,2002.

VOGT, C.; POLINO, C. (orgs). Percepo Pblica da Cincia: resultados da pesquisa na Argentina, Brasil, Espanha e Uruguai..Campinas, SP: Editora da UNICAMP; So Paulo, SP: FAPESP, 2003.

Anexos

Recommended

View more >