18ª Edição - O Espectro

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18 Edio - 6 Abril 2015 Ncleo de Cincia Poltica ISCSP - UL A Educao em Portugal pg6 Condenados a repetir os erros do passado pg11 Na Grcia, a revolta popular traduziu-se numa tmida vitria eleitoral do SYRIZA. Em Espanha, o plano mais radical: a formao de raiz de um partido poltico que encarne no s os valores, mas o prprio modelo assemblerio dos protestos anti-austeridade. A culpa dos reguladores? pg8 Poncha Laranja pg4 POLTICA INTERNA 02 | O ESPECTRO 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro Um dos principais de-safios que Portugal enfrenta a sua ele-vada dependncia energtica. Esta situa-o advm sobretudo do facto do pas ser escasso em recursos naturais e mais espe-cificamente energti-cos. Assim Portugal tem sido ao longo do tempo um grande im-portador de matrias primas, na rea ener-gtica sobretudo car-vo, gs natural e, com maior proemi-nncia, o petrleo. Em Portugal esta a taxa de dependncia ener-gtica era em 2005 de 88,8% representando uma fatia importante das importaes por-tuguesas e contribuin-do para que Portugal tivesse uma balana comercial claramente negativa. Assim tem de ser uma priorida-de para Portugal di-minuir os gastos com a importao de energia e para um pas com escassez de recursos energticos a aposta nas energias renovveis torna-se natural. Essa aposta j comeou a ser fei-ta em Portugal tendo tido o seu auge du-rante os governos do Eng. Jos Scrates. Tal aposta j come-ou a dar os seus fru-tos com a taxa de de-pendncia energtica em 2014 a descer pa-ra os 71%. Assim esta aposta nas energias renovveis deve ser continuada e incenti-vada no s porque tem efeitos positivos para a economia co-mo tambm tem efeitos positivos para o ambiente j que no geral estamos a falar de formas de energia no poluente. assim necessrio analisar as diferentes formas de energia renovvel enumeran-do vantagens e des-vantagens bem co-mo a sua implanta-o em Portugal. Energia Hdrica: Esta a forma de energia renovvel com maior implantao em Por-tugal tambm devido ao facto de ter sido a primeira a surgir. Es-te tipo de energia ge-rado pela energia que se encontra nu-ma determinada massa de gua como um rio tem a vanta-gem de ser uma das formas mais eficien-tes de produzir ener-gia renovvel geran-do uma grande pro-duo, tendo um bai-xo custo de produo e proporcionando um desenvolvimento local. Infelizmente esta tipo de energia tem tambm algu-mas desvantagens pa-ra o ambiente, como a eroso dos solos e destruio de ecossis-temas, e para as pes-soas j que pode pro-vocar a transferncia de populaes ribeiri-nhas como se verifi-cou no Alqueva. Actu-almente j 30% da energia consumida em Portugal tem ori-gem hdrica. Energia Elica: Esta forma de energia re-novvel que aproveita a energia gerada pelo vento atravs de ven-toinhas gigantes tem tido um crescimento vertiginoso em Portu-gal sobretudo desde 2005. A ttulo ilustrati-vo Portugal est a pro-duzir 23 vezes mais energia elica do que 10 anos atrs. As su-as vantagens so o facto de ser inesgot-vel, ser relativamente barata, no poluente e existir rentabilidade no investimento. Con-tudo apresenta tam-bm algumas desvan-tagens como o facto de ser intermitente e dependente da exis-tncia e da velocidade em parceria com o NAE - ISCTE Dependncia energtica e sustentabilidade ambiental Pedro Diogo 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro O ESPECTRO | 03 POLTICA INTERNA do vento, provocar rudo, alterar a paisa-gem e interferir com as rotas de aves. Energia Solar: Esta for-ma de energia apro-veita a luz do sol para a criao de energia. Existem vrias tcni-cas de produo entre as quais se contam os painis foto voltaicos e as fbricas heliotr-micas. As principais vantagens so o facto de no ser poluente, necessitar de pouca manuteno, aumen-to da potncia ao lon-go do tempo e apli-cvel a habitaes. As principias desvanta-gens so a grande quantidade de energia que necessrio no seu fabrico, os preos elevados e a depen-dncia das condies atmosfricas. Portugal est na linha da frente neste tipo de energia com a Central Foto-voltaica de Serpa en-quanto uma das maio-res centrais do Mundo. Outros tipos de ener-gia renovvel so menos atraentes ou por ainda se encontrarem numa fase embrionria, energias das ondas e mars, ou por terem efeitos negativos ele-vados, como o caso da biomassa. Naturalmente a utili-zao destas formas de energia deve ser incentivada e expan-dida sendo que a sua distribuio pelo ter-ritrio deve ser adap-tada s especificida-des climatricas, oro-grficas e hidrolgi-cas do mesmo para aproveitar ao mximo cada uma destas formas de energia. Para alm disso o pas deve ter um forte enfoque na poltica ambiental com um compromis-so no que respeita a outras vertentes co-mo a defesa dos habitats e da biodiversidade, podendo apostar no turismo da natureza, na promoo da mo-bilidade sustentvel (atravs de carros elctricos e hbridos), uma regrada utilizao dos recur-sos naturais, sobretu-do a gua potvel que um bem cada vez mais escasso bem co-mo a terra arvel e um compromisso de fazer o possvel para reverter o actual padro de aquecimento global e subida do nvel global dos oceanos, atravs da reduo da emisso dos gases de efeitos de estufa, algo que est intimamente relacionado com as energias renovveis e com a mobilidade sus-tentvel. Energia Elica em Portugal ENERGIASRENOVAVEIS12.BLOGS.SAPO.PT 04 | O ESPECTRO 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro POLTICA INTERNA Poncha de Laranja Tiago Santos Poderia comear este texto recorrendo costumeira alegoria do Bailinho da Madei-ra que marca grande parte dos comentrios polticos sempre que a populao insular se desloca s urnas. Po-deria mesmo ter en-titulado esta opinio tomando de assalto a caracterstica dana da Regio Autnoma. No entanto para alm de cair na repetio cairia no erro de no adequar as palavras realidade, visto que as ltimas eleies no assistimos a uma superioridade abis-mal como tem sido hbito. Miguel Albu-querque e toda a sua equipa partiram para estas eleies na pe-numbra do passado recente do PSD Ma-deira e com isso tam-bm na penumbra do passado da prpria ilha sendo estes in-dissociveis. verda-de que o agora Presi-dente Regional havia h pouco tempo con-quistado a liderana do partido, conquis-tando desde logo um lugar na histria, mas essa vitria no po-deria nunca servir de afirmao poltica e muito menos signifi-caria que a vitria nas eleies regio-nais estava assegura-da. O acto eleitoral interno surge num plano diferente da-quele que se realizou no passado dia 29 de Maro pois a ausn-cia de uma candidatu-ra jardinista deixava o campo aberto para a vitria de Albuquer-que, que havia j con-quistado um impor-tante resultado contra Alberto Joo Jardim em 2012. O acto elei-toral foi o teste ao fu-turo do agora Presi-dente Regional e do PSD na Madeira na era ps-Jardim. Foi a balana que permitiu escrutinar se o reina-do do ex-Presidente foi fruto solitrio da sua pessoa, ou se exis-te verdadeiramente uma ligao entre a populao madeiren-se e o Partido Social Democrata. Hoje, co-nhecidos os resulta-dos, a resposta parece bvia. Para alm da confirmao da fora da onda laranja na ilha estas eleies trouxe-ram a pblico as fragi-lidades do Partido So-cialista na regio. Em coligao com o PTP e com o PAN no conse-guiu concretizar a Mu-dana que deu nome candidatura, tendo sido relegado condi-o de terceira fora Miguel Albuquerque TVI24.IOL.PT POLTICA INTERNA 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro O ESPECTRO | 05 poltica local. Este re-sultado deve ser pon-derado pelos dirigen-tes socialistas a nvel nacional, porque a derrota, essa, foi pe-sada. Ainda sobre o Partido Socialista pa-rece-me evidente que o afastamento da po-pulao madeirense ao partido da rosa no se esgota nos candida-tos regionais. Antnio Costa fez questo de marcar presena du-rante a campanha e nem isso parece ter contribudo para um resultado positivo, motivo que levou o Secretrio-Geral do PS a no se pronunciar sobre os resultados. No deixa de ser irni-co que foi no segui-mento de um acto eleitoral, ganho pelo Partido Socialista, que Antnio Costa se lan-ou no seu Golpe de Estado e que agora, com uma derrota ca-tegrica, no exista sequer uma declara-o pblica proferida pelo lder. Esta conju-gao de factos pare-ce confirmar que ape-sar das diferenas en-tre o PSD Madeira e o PSD de Pedro Pas-sos Coelho os madei-renses colocam-no no topo das suas pre-ferncias. Pode ser dito, talvez com ra-zo, que o resultado regional ditou uma nova maioria absolu-ta a favor do maior partido do Governo pelo facto de o Pri-meiro-Ministro no se ter imiscudo na campanha de Albu-querque, mas ainda assim desde as elei-es internas que a Comunicao Social faz questo de colar os dois polticos quer pela sua conhecida amizade, quer pela proximidade que es-tes tiveram nos tem-pos de Juventude So-cial Democrata, quando Passos lide-rava a estrutura a nvel nacional e Albu-querque era lder na Madeira. Albuquer-que conquistou para si e para o seu parti-do nova maioria ab-soluta contrariando os que acusavam o Poder Regional da Madeira de funcionar numa lgica de Mo-narquia e que apon-tavam figura de Al-berto Joo Jardim a total responsabilida-de pelas sucessivas vitrias social-democratas. O popu-lismo e mesmo a co-aco, argumentos arremessados a Jar-dim, parecem dar agora lugar a um si-lncio face ao surgi-mento de uma nova figura com resultados semelhantes. Por fim, mais uma vez se comprova que a Ma-deira um activo de peso para as aspira-es do PSD, que no deve ser esquecido pela direco parti-dria. Parece-me que Passos deveria agora aproveitar politica-mente o inebriamen-to provocado pela Poncha de Laranja que Albuquerque serviu e assim con-quistar de modo defi-nitivo o apoio da po-pulao insular para as Eleies Legislati-vas que se aproxi-mam. Torna-se claro que a Madeira mui-to mais que Costa! PUBLICIDADE LIGA RABE Summit 2015 28 e 29 Abril Organizado pelo NERI ISCSP-ULisboa Curso de Comunicao e Liderana comea 27 ABRIL Organizado pela Sociedade de Debate ISCSP-ULisboa 06 | O ESPECTRO 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro POLTICA INTERNA em parceria com o NAE - ISCTE Qual o interesse da Educao? (I) Gonalo Lima Desde h alguns scu-los a esta parte (pelo menos desde Adam Smith e a sua Riqueza das Naes, de 1776) se tenta perceber quais os factores cha-ve que determinam o aumento da riqueza de um pas, ou seja, o seu crescimento eco-nmico. Num mbito mais abrangente, e na verdade mais funda-mental, fala-se em de-senvolvimento. De qualquer das formas, para que haja uma es-tratgia de polticas pblicas no sentido de garantir o bem-estar colectivo da popula-o do pas necess-rio, em primeiro lugar, fazer o diagnstico certo dos principais problemas e, em se-gundo lugar, aplicar o tratamento adequa-do. Um dos problemas que mais constrangi-mentos cria ao cresci-mento econmico em Portugal , inega-velmente, a forma-o e qualificao profissional dos seus cidados. Devido ao atraso significativo provocado pelo tor-por do Estado Novo, e apesar das melhori-as significativas da ltima dcada, Portu-gal continua a ser um dos pases com pio-res resultados neste tipo de indicadores, ao nvel da Unio Eu-ropeia (UE). Desta-cam-se sobretudo, a elevada taxa de abandono escolar precoce (18,9% em 2013) e a baixa per-centagem de popula-o com Ensino Su-perior (17,6%, em 2013; 7,4 pontos per-centuais abaixo da mdia da UE). A aprendizagem, seja ela formal ou infor-mal, o processo pri-mordial de acesso ao Conhecimento. O mesmo tem um valor intrnseco: todo o processo de evoluo humana processo de conhecimento das suas prprias possibi-lidades. Mas tem tambm um valor mais prosaico asso-ciado ao crescimento econmico, que na gria econmica se d o nome de capital humano, factor fun-damental na criao de riqueza. Quanto a isto, segundo a OCDE (2003), um aumento de um ano no nvel mdio de escolarida-de traduz-se num au-mento da taxa de crescimento anual entre 0,3 e 0,5 pon-tos percentuais. Alm disto, sabido que as economias modernas caracteri-zam-se cada vez mais pela sua capacidade de diferenciao pro-dutiva, ou seja, pela sua capacidade de inovao, algo para o qual fundamental uma populao cada vez mais instruda e com capacidades de aprendizagem cont-nua. As generalizadas baixas qualificaes e a elevada taxa de abandono escolar continuam a tornar o nosso sistema de ensi-no um mecanismo re-produtor de desigual-dades: alarga o fosso de rendimento entre aqueles que concluem o Ensino Superior e os que se ficam por n-veis mais baixos de qualificao. A desa-celerao do investi-mento dos ltimos anos em programas de formao ao longo da vida (e o fim de ou-tros) tambm em na-da contribui para a convergncia dos pa-dres de qualificaes com os da UE. Para que Portugal no fi-que para trs no pro-cesso de desenvolvi-mento necessita de uma escola pblica forte e de excelncia, capaz de formar do melhor modo os alu-nos a pensarem por si mesmos e a desenvol-verem trabalho de al-to valor acrescentado, seja em contexto uni-versitrio, seja em POLTICA INTERNA contexto profissional. No processo de me-lhoria constante da escola pblica , con-tudo, importante refe-rir o equilbrio delica-do entre a necessida-de de aumento da exi-gncia de aprendiza-gem e a capacidade de incluso, bem co-mo a criao de moti-vao para o pensa-mento autnomo. Va-le, pois, a pena adian-tar algumas propostas de melhoria do siste-ma de ensino, a de-senvolver a longo-prazo. Divido-as em dois tipos de propos-tas, umas de altera-o estrutural (da organizao e funcio-namento das escolas) e outras de alterao programtica (dos programas propria-mente ditos). Em ter-mos de propostas de alterao estrutural, considero fundamen-tal (1) a criao de um sistema de avali-ao de professores, com funcionamento efectivo e revises regulares do modelo de avaliao aplica-do; (2) reformulao da carreira docente, cuja progresso pro-fissional seria cada vez mais baseada na qualidade do traba-lho prestado e no s na antiguidade; (3) maior autonomia e liberdade de contra-tualizao com pro-fessores, por parte dos agrupamentos escolares; (4) reforo do investimento em actividades extra-curriculares e de apoio aos alunos nas escolas, transversal a todas as escolas, com o intuito de integra-o social e reforo de aprendizagem. Em termos de propostas de alterao progra-mtica, considero fun-damental (1) a inclu-so da disciplina de Filosofia logo a partir do 7 ano de escolari-dade, enquanto intro-duo histria das ideias e rudimentos de Lgica; (2) a obri-gatoriedade da disci-plina de Matemtica A para todos os cursos cientfico-humansticos; (3) re-foro do ensino de obras de literatura universais, que no se esgotem numa verso em prosa da Odisseia, nem em apenas obras portuguesas; (4) in-centivo criao de aulas mais participa-das com reforo da capacidade de auto-nomia de aprendiza-gem dos alunos. Em prximos textos justi-ficarei, conveniente-mente, cada uma des-tas propostas. FRANCHISEBRASIL.COM 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro O ESPECTRO | 07 08 | O ESPECTRO 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro POLTICA INTERNA em parceria com o NAE - ISCTE A culpa dos reguladores? Joo Rodrigues A entrada na era da tecnologia, da informatizao e das comunicaes in-stantneas, revolucio-nou mltiplas indstrias e mudou-as estruturalmente, tor-nou as economias e as sociedades mais inter-dependentes e acelerou significa-tivamente a propagao de cont-gios econmicos e financeiros. As ltimas crises econmicas foram fortemente po-tenciadas e desen-cadeadas pelo setor financeiro, ainda que a relao de causalidade esteja longe de ser total. Quando os efeitos de-pressivos originrios nas salas de mercados transvasam para a economia real, com efeitos destrutivos para o rendimento disponvel das famlias e as recesses comeam a engordar, alimentan-do-se vorazmente da espiral de pessimismo dos agentes econmicos, surgem habitualmen-te vozes que denunciam a corrup-o do sistema financeiro capitalista e a sua promis-cuidade com as mari-onetes do mundo poltico. Critica-se a ganncia, reivindica-se mais e melhor regulao, mas raramente se levantam questes como: que culpa tenho eu? Ou ser que o problema no a falta de regu-lao, mas a prpria regulao? Fazendo uma analogia certamente demasiado simplista, mas com um propsito explicativo importante, cer-tamente todos en-tendemos o para-doxo americano em que a generalizao do direito posse de arma se traduziu num aumento da insegurana para todos. Acontecer o mesmo com a regulao dos mercados finan-ceiros, principalmen-te dos investidores institucionais ou profissionais? Ao que tudo indica parece que sim. Um estudo de Malcolm Baker, Brendan Brad-ley e Jeffrey Wurgler, conduzido com da-dos recolhidos sobre o comportamento bolsista das aces americanas entre 1968 e 2008 indica que o aumento do peso dos investidores institucionais nos mercados contribuiu para o aumento de anomalias nas co-taes e para a for-mulao de bolhas especulativas, muito por culpa do sistema de regulao. Uma das principais preocupaes dos reg-uladores propiciar informao clara e percetvel aos poten-ciais detentores de unidades de partici-pao nestes fundos: sejam eles fundos de investimento ou de penses. A questo que se colo-ca : como que o Sr. Silva pode saber se est a colocar o seu dinheiro nas mos de bons profissionais? Como que pode dis-tinguir facilmente se uma rentabilidade de 3% boa ou m? A anlise comparativa torna-se desta forma um requisito man-datrio. Para examinar a performance de de-terminado fundo, estabelecido um ponto de referncia, como um ndice bolsista representa-tivo do comportamen-to do mercado, como o PSI20 ou S&P500. Depois, analisa-se se o referido fundo conse-gue oferecer uma rentabilidade superior do ndice. Porm, h uma outra dinmica POLTICA INTERNA que importa para o Sr. Silva, da qual os regu-ladores o tentam proteger fazendo com que a performance neste ranking de rent-abilidades dependa de outro fator: o risco! Como o Sr. Silva ambi-ciona um bom retor-no, mas provavelmen-te importa-se bastante mais com a segurana do capital investido, no vai querer que um doidivanas encartado arrisque muito para lhe oferecer uma grande rentabilidade, caso tudo corra bem. Ora, aqui que reside o cerne da questo. Como a medida de risco a variao face performance do ndice escolhido, nenhum investidor, por razes meramen-te algbricas, se vai interessar por ter um grande retorno se isso implicar desviar-se significativamente do comportamento do prprio ndice, na me-dida em que esse risco adicional canibaliza em termos de avaliao o impacto positivo do retorno. Logo, a maximizao do ndice de In-formao (a medida de avaliao que ex-plicita a performance de um fundo com base na ponderao simultnea de retor-no e risco), orienta artificialmente os in-vestidores a es-colherem os ttulos que compem o pr-prio ndice. Como o volume de capitais mobilizado pelos fun-dos de investimento enorme, os ndices escolhidos so os mesmos e como so todos obrigados a aplicar a mesma razo, a procura avassaladora e artifi-cial pelos referidos ttulos, leva a que se sobrevalorizem numa dinmica que se auto alimenta de forma preocupante. Como a procura por si s causa a valor-izao, mais investi-dores, na nsia de tambm obterem resultados positivos, vo procurar esses mesmos ttulos, reforando ainda mais estre processo vicioso. O pior disto tudo, que este comportamento es-capa ao ndice de In-formao: como a medida de risco a variao face ao ndice, se o prprio ndice variar, ainda que por valorizaes artificiais dos ttulos que o compem, j no existe qualquer canibalizao. Ou seja, o ndice de Informao provoca e no deteta o risco especulativo. Um dia, quando por qualquer motivo a gota de gua nesta irracionalidade che-gar e os ttulos re-verterem para o seu valor fundamental, o Sr. Silva vai-se sentir expropriado e com dificuldades em ex-plicar famlia como que depois de uma deciso fundamen-tada perdeu o dinheiro resultante de anos de privaes materiais. No obstante da iluso por falta de literacia financeira, as consequncias re-sultam do comporta-mento dos Srs. Silva desta vida. A verdade, que falta ainda con-tar a histria do inves-tidor que consciente-mente se recusou a entrar na bolha espec-ulativa e se arriscou a apresentar resultados mais baixos que os seus pares para sal-vaguardar o interesse dos clientes. Esse no atraiu o interesse de nenhum Sr. Silva e a integridade moral levou-o ao desem-prego por falta de clientela. Pelo perigoso fenmeno aqui retratado sucintamen-te, importa abandonar urgentemente os clssicos postulados normativos acerca da eficincia e racionali-dade dos mercados e rever urgentemente a forma de regular e avaliar os investidores institucionais. 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro O ESPECTRO | 09 Lder jihadista exige destruio das pirmides de Giz Joo Ferreira O lder muulmano Murgan Salem al-Gohary declarou que da responsabilida-de de todos os muul-manos aplicar os pre-ceitos do Islamismo, ordenando a destrui-o dos dolos, se-melhana do que se fez no Afeganisto, referindo-se s Pir-mides de Quops. No entanto, segundo o site Egypt Indepen-dent, o jihdista, que alega ter ligaes aos Talibs, alem de que-rer destruir a Grande Pirmide de Giz tam-bm quer destruir a esttua da Esfinge. As afirmaes acontece-ram durante uma en-trevista Egypts Dre-am TV, um dia depois de o partido ultracon-servador Salafist ter invocado a Lei de Sha-ria numa manifesta-o na Praa de Tahir. Segundo a Sha-ria no existe separa-o entre a religio e o Direito. Estas exi-gncias feitas por parte do lder muul-mano so o resultado de pura Ignorncia face Histria como aos mistrios da mes-ma, dando especial ateno s Pirmides e Esfinge que per-manecem ainda um grande mistrio para a Humanidade. Mas no a primeira vez que isto acontece, pois, j houve um l-der muulmano na Idade Mdia que ten-tou destruir a Grande Pirmide, mas a sua dimenso tal que desistiu. Os muul-manos radicais conti-nuam sistematica-mente a destruir o patrimnio da Huma-nidade alegando que se vai contra Mao-m, para ser des-trudo. O que sabe-mos sobre o Passado pouco e com estes sucessivos atentados Histria as prxi-mas geraes nunca sabero o que existiu antes delas, e a nossa gerao, que ainda tem muito que estu-dar e compreender sobre o Passado, se permitirmos tais ac-tos de barbrie, per-manecer na igno-rncia e incompreen-so. Acerca dos mis-trios das pirmides de Giz e da Esfinge, as trs pirmides es-to alinhadas com exacta preciso com o cinturo de Orion bem como se notou o recente alinhamen-to em 2012 de Satur-no, Vnus e Mercrio com as trs pirmi-des. Alm disso, fo-ram descobertos ves-tgios de dobradias de bronze dentro da maior pirmide (das trs) datadas a mais de mil anos antes da descoberta do bron-ze (Ser que os anti-gos egpcios conheci-am a fuso da prata com o ouro?). Estes so uns do mistrios, de muitos, por resol-ver (h quem diga que no foram construdas pelos egpcios). H quem diga que a Es-finge tenha sido cons-truda no ano 10.500 a.c com ligaes m-tica Atlntida.mas isto apenas o come-o do scratching de surface de algo muito maior. O importante reconhecer que tanto a Esfinge e as Pirmi-des tm uma mensa-gem para a Humani-dade, cabe-nos a ns descobrir, aprender e compreender o seu contedo. Concluo que, no ser fcil destruir as pirmides e a Esfinge e por isso, devemos estar aten-tos as estes atentados contra o patrimnio da Humanidade, espe-cialmente em Kem, a Terra Queimada (Egipto). Deixo o leitor com uma frase : Bem-aventurado aquele que vive, bem aventu-rado aquele que mor-re em Tebas. POLTICA EXTERNA 10 | O ESPECTRO 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro POLTICA EXTERNA Condenados a repetir os erros do passado Rui Coelho Desde o activismo di-gital de Anonymous e Wikileaks at aos mo-vimentos assemble-rios dos Indignados e Occupy, contagiados pelas revoltas popula-res no Magreb, entre 2010 e 2012, assisti-mos a uma exploso de envolvimento cvi-co de base como o mundo no via desde o final da dcada de 60. Por todo o lado cidados comuns deci-diram tomar nas pr-prias mos as rdeas das suas comunidades polticas, h muito capturadas numa teia de autoritarismo, cor-rupo e falsa repre-sentao. No entanto, tal como sucedeu h 50 anos, essa energia transformadora pare-ce estar a ser canaliza-da para um beco sem sada. Na Grcia, a revolta popular traduziu-se numa tmida vitria eleitoral do SYRIZA. Em Espanha, o plano mais radical: a for-mao de raiz de um partido poltico que encarne no s os valores, mas o pr-prio modelo assem-blerio dos protestos anti-austeridade. Por c, aplaude-se e ten-ta-se imitar tais aud-cias. Tambm no s-culo passado, o mpe-to dos novos movi-mentos sociais que agitaram o mundo ao longo da dcada de 60 acabaram por ser canalizados para a formao de partidos verdes. Inicialmente marca-dos por um forte ethos horizontal e participativo, as no-vas foras partidrias foram rpidas a tro-car crescentes con-cesses por um pou-co mais de poder. Em poucos anos essas experincias institu-cionarizaram-se ao ponto de serem in-distinguveis de qual-quer outro partido dos sistemas polti-cos que integram. Tambm a Amrica do Sul percorreu o mesmo caminho. Pa-ses como a Bolvia, Equador e Argentina viram o nacimento de movimentos radi-cais contra as polti-cas econmicas capi-talistas traduzidos em vitrias eleitorais para os partidos que melhor souberam capitalizar essas for-mas de participao extra-institucional. Tambm a a retrica revolucionria foi acompanhada por uma governao que apenas pode ser ca-tegorizada como so-cial-democrata. Tanto na Europa da dcada de 70, como na Bolvia e Argenti-na, no s o processo transferncia do em-penho revolucionrio para estratgias elei-torais e governativas no trouxe as prome-tidas transformaes sociais, como acabou por resultar na asfixia das lutas e movimen-tos que o possibilita-ram. O mesmo pode ser esperado tanto para um eventual go-verno PODEMOS co-mo para a Grcia, on-de o reformismo do SYRIZA cada vez mais contestado. Pe-rante a cega repetio dos erros do passado, resta-nos apenas re-zar para que a traio da esquerda no ali-mente o crescimento dos novos fascismos. Pablo Iglesias 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro O ESPECTRO | 11 Propriedade do Ncleo de Cincia Poltica ISCSP - UL Coordenador: Isa Rafael | Co-coordenador: Andr Cabral | Revisores: Andr Cabral e Beatriz Bagarro | Design: Isa Rafael | Plataformas de Comunicao: Daniela Nascimento, Joo Cunha e Joo Silva | Cartaz Cultural: Isa Rafael www.facebook.com/OEspectro jornaloespectro@gmail.com CARTAZ CULTURAL 23h Inst. S. Cincias Sociais e Polticas Rua Almerindo Lessa 1300-663 Ajuda, Lisboa Preo sob consulta FESTA DA PRIMAVERA AEISCSP 12 | O ESPECTRO 6 ABRIL 2015 www.facebook.com/OEspectro HOMENAGEM A MANOEL DE OLIVEIRA Sem horrio definido Cinema Ideal Rua do Loreto 15/17 1200-010 Lisboa Preo sob consulta 25 ABRIL 38 CORRIDA DA LIBERDADE 10h30 Praa dos Restauradores (Incio) Praa dos Restauradores 1250-001 Lisboa Inscries Grtis at 18 de Abril parceria com 09 a 22 ABRIL 17 ABRIL