17ª edição - o espectro

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  • 17 Edio - 2 Maro 2015 Ncleo de Cincia Poltica ISCSP - UL

    Portas dOuro

    pg2

    Quem tem medo dos preos do petrleo?

    pg7

    Seria bom que, com esta ameaa dos preos do petrleo, o Governo angolano pressen-

    tisse a reduo do seu capital poltico e se empenhasse nas reformas polticas necessrias,

    para que no se tor-ne realidade a ame-aa bem mais negra de antigas convul-ses sociais.

    Evaso Fiscal

    pg6

    Bandeiras do Syriza JACOBINMAG.COM pg11

  • POLTICA INTERNA

    02 | O ESPECTRO 2 MARO 2015 www.facebook.com/OEspectro

    Portas dOuro

    Tiago Santos

    O Labirinto no qual se viram encurralados directores e altos quadros do Servio de Estrangeiros e Fronteiras, do Instituto dos Registos

    e Notariado, do Ministrio da Justia e empresas imobilirias, conduziu ao congelamento da atribuio de vistos Gold durante os ltimos meses do ano transacto e incio daquele que agora decorre. Uma das principais medidas de atraco de investi-

    mento para o nosso pas, ao ser assolada por suspeitas de corrupo e pagamento de luvas, tornou-se obsoleta e foi, tal como seria

    expectvel, suspensa. O investimento estran-geiro em Portugal, principal factor de motivao para a im-plementao desta medida, verificou um crescimento de 641% at imploso do referido escndalo e tendo como base o valor calculado em

    Setembro de 2013. Derivado da medida concretamente definida, o Estado, reteve desde a introduo da mes-ma em 2012, um va-lor em torno dos 1100 milhes de eu-ros. Independen-temente da conclu-so do processo e das implicaes judi-ciais que da advirem, o Tesouro Nacional no poderia perma-necer privado de uma injeco de capi-tais desta ordem, ainda que pessoas individualmente con-sideradas venham a ser declaradas culpa-das em sede de julga-mento por ilcitos co-metidos no decorrer do processo. Aten-dendo a esta necessi-dade oramental, Paulo Portas, en-quanto principal es-tratega do programa, viu-se obrigado a al-terar a formulao do projecto com o intuito de afastar possveis irregulari-dades e, em simult-neo, alargar a base de incidncia do

    mesmo. O aumento da fiscalizao e a sua descentralizao cer-tamente cumpriram a funo de evitar no-vos escndalos. As no-vas possibilidades de investimento altera-ro a gnese dos in-vestidores e do inves-timento em si. No an-terior diploma o inves-timento era, na sua totalidade, afecto ao sector imobilirio que pelas suas caractersti-cas uma vertente econmica sem qual-quer valor acrescenta-do e na qual o investi-mento nico no pro-cesso de criao de riqueza. Para alm dos factores enunciados no nos esqueamos do efeito deste mes-mo sector no crash de 2008, coisa que Portu-gal no pode correr o risco de repetir. O no-vo diploma abre espa-o a investimentos na investigao cientfica, na cultura e na reabili-tao de patrimnio. Ora desta forma o Go-verno colmata a difi-culdade financeira de investimento cultural e fomenta, em simul-

    Paulo Portas POLITICAPORTUGAL.COM

  • 2 MARO 2015 www.facebook.com/OEspectro

    O ESPECTRO | 03

    POLTICA INTERNA

    tneo, o progresso cientfico-tecnolgico dando resposta aos anseios da crescente comunidade de inves-tigadores que muitas vozes levantou aquan-do da atribuio de bolsas pela Fundao para a Cincia e Tec-nologia. Em acrscimo, atende-se tambm ao desfa-samento entre os grandes centros e as periferias interiores ao consagrar uma re-duo do valor mni-mo de investimento necessrio para a ob-teno do Visto. Por-tugal no pode conti-nuar a ser um pas a duas velocidades. Por-tugal no pode ser mais interior e litoral porque as dimenses territoriais fazem de ns um pas onde a coeso territorial tem de ser regra Cultura, Cincia e Rea-bilitao passam as-sim a ser uma trade de conceitos com pos-sibilidade de cresci-mento num pas onde urge a aproximao aos padres euro-peus. Cultura, Cincia

    e Reabilitao pas-sam assim a ser uma realidade no desen-volvimento nacional, sem que isso signifi-que uma alienao de recursos do Esta-do investidos nas reas fundamentais para o investimento pblico como a Sa-de, a Educao e a Segurana. Atendendo s priori-dades que o Estado deve ter e numa par-ceria que se espera de sucesso entre o pblico e o privado, Paulo Portas lana os fundamentos para o aumento da Taxa de Crescimento sem hi-potecar as funes primordiais da rela-o existente entre as autoridades esta-tais e os cidados. Aguardemos os pri-meiros resultados que comprovem que o investimento priva-do pode e deve col-matar os sectores aos quais o Ora-mento no consegue responder, tendo em conta os condicionamentos existentes.

    em parceria com o NAE - ISCTE

    Pedro Diogo

    No atual momento em que Portugal est a sair de uma reces-so profunda, de extrema pertinncia discutir qual a me-lhor estratgia para o desenvolvimento de Portugal. Os ltimos anos tm sido marca-dos pelas polticas de austeridade e por uma estratgia de desenvolvimento ba-seada nos baixos sa-lrios e nas exporta-es. Ora, mesmo aps o fim do Progra-ma de Ajustamento, o pas apresenta um crescimento residual, um desemprego ele-vado mesmo com a emigrao e com os ocupados, a dvida pblica continua a aumentar e a taxa de inflao j negativa. A evoluo destes

    indicadores fulcrais mostra que esta estra-tgia econmica neoli-beral, aplicada pelo atual governo, est a ser um falhano (os dados econmicos de outros pases da UE mostram que tambm nesses pases estas polticas esto a fa-lhar). Assim, neces-sria uma estratgia de desenvolvimento alternativa. Com o fa-lhano generalizado das polticas neolibe-rais, e devido ao facto de j existirem provas dadas, as polticas keynesianas assumem-se como a melhor al-ternativa disponvel. Ou seja, num perodo de recesso ou de bai-xo crescimento, como o que vivemos atual-mente, necessrio estimular a economia.

    Estratgia para o

    desenvolvimento de

    Portugal

  • 04 | O ESPECTRO 2 MARO 2015 www.facebook.com/OEspectro

    POLTICA INTERNA

    Apesar do atraso tem-poral do BCE, a recen-te compra de ttulos de dvida pblica, esti-lo quantitative easing americano, e as baixas taxas de juro, mos-tram que a poltica monetria j est no caminho certo para

    promover o cresci-mento e o emprego. Agora falta a outra parte, ou seja, uma poltica oramental expansionista. Estas polticas so necess-rias para aumentar o consumo e a procura interna. O objetivo que, atravs de au-mentos salariais e da construo de obras pblicas, se aumente o rendimento das fa-

    mlias, aumentando assim o consumo e, portanto, a procura, o que seguidamente far aumentar a pro-duo e novamente o emprego, trazendo crescimento econo-mia. As polticas de prote-

    o social tambm devem ser re-alargadas. Tambm elas contribuem para recuperar a procura interna para alm de combaterem a po-breza e a desigualda-de, algo que tambm tem aumentado fru-to das polticas de austeridade. Claro que devido elevada dvida pblica estas polticas keynesianas

    devem ser acompa-nhadas de alguma conteno oramen-tal, mas sempre at um ponto que permi-ta um crescimento econmico significa-tivo (pelo menos 2%). Para alm da alterao das polti-

    cas conjunturais, Por-tugal necessita tam-bm de uma altera-o das polticas es-truturais, ou seja, so necessrias polticas que promovam um crescimento a longo prazo. Portugal deve continuar a sua apos-ta nas exportaes mas ao contrrio do que tem sido promo-vido pelo atual go-verno, deve apostar

    nas exportaes de produtos com elevado valor acrescentado, j que os nossos salrios nunca sero baixos o suficiente para com-petir sequer com pa-ses do Leste Europeu. Para esta alterao no padro de especializa-o necessrio um aumento do nvel de educao dos jovens portugueses e progra-mas de aprendizagem ao longo da vida para trabalhadores menos qualificados j no ati-vo. O facto de o pas ter uma moeda forte refora ainda mais es-ta necessidade de ex-portar produtos com alto valor acrescenta-do. Deve existir igual-mente uma estratgia que promova um de-senvolvimento ambi-entalmente sustent-vel com regulaes ambientais mais aper-tadas em articulao com a UE, por exem-plo no que respeita aos nveis de CO2 e de outros poluentes, apostando tambm em produtos biolgi-cos e proteo dos ecossistemas.

    Euro MUNDOLEOWEEZER.BLOGSPOT.COM

  • 2 MARO 2015 www.facebook.com/OEspectro

    O ESPECTRO | 05

    Apelo aos Judeus

    para regressarem a

    Israel

    Joo Ferreira

    O Primeiro-Ministro israelita Netanyahu apelou aos judeus eu-ropeus a mudarem-se para Israel na sequn-cia dos atentados em Copenhaga contra a principal sinagoga da capital dinamarquesa. A todos os judeus da Europa: eu digo que Israel vos espera de braos abertos, acrescentou. Segundo Netanyahu, o governo israelita vai adoptar um plano para enco-rajar a imigrao de judeus da Frana, Bl-gica e Ucrnia, com um montante de cer-ca de 45 milhes de dlares( cerca de 40 milhes de euros). No entanto, o mi-nistro israelita dos Ne-gcios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, j tinha pedido uma guerra sem quartel

    contra o terrorismo islmico, aps os lti-mos atentados come-tidos na capital dina-marquesa em que morreram duas pes-soas, entre elas um jovem judeu, e cinco ficaram feridas. O pri-meiro ministro israe-lita asserta que o seu pas est preparado para acolher uma imigrao em massa proveniente da Euro-pa. Estamos espe-ra que esta onde de ataques e os assassi-natos antissemticos continuem a aconte-cer, disse Benjamin Netanyahu. Os aten-tados na capital dina-marquesa asseme-lham-se aos do jornal francs Charlie Heb-do, em Janeiro, por terem como alvo uma sinagoga e um artista sueco conheci-

    do pelas suas carica-turas controversas de Maom. De acordo com a Lei do Regres-so de Israel, qual-quer pessoa que te-nha pelo menos um av judeu tem o