17 bienal de s£o paulo (1983) - arte plumria

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Catálogo da exposição Arte Plumária do Brasil, parte da 17ª Bienal de São Paulo (1983).

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  • Exposio Arte Plumria do Brasil

    1 7.a BIENAL DE SO PAULO 14 de outubro a 16 de dezembro de 1983

    PAVILHO ENGENHEIRO ARMANDO ARRUDA PEREIRA PARQUE IBIRAPUERA

    SO PAULO BRASIL

  • SO PAULO

    DIRETORIA EXECUTIVA Luiz Diederichsen 'Villares - Presidente Celso Neves - 1.0 Vice-Presidente Justo Pinheiro da Fonseca - 2, Vice-Presidente Sylvio Lus Bresser G, Pereira Mrio Pimenta Camargo Mrio Salazar Gouva Roberto Muylaert Stella Teixeira de Barros

    CONSELHO DE ARTE E CULTURA Walter Zanini - Presidente Ulpiano Bezerra de Meneses - Secretrio Paulo Srgio Duarte Donato Ferrari Sheila Leirner Glauco Pinto de Moraes Luiz Diederichsen Villares

    CURADORIA Norberto Nicola/Curador Sonia Ferraro Dorta/Curadora-assistente Ulpiano Bezerra de Meneses / Coordenador

    pela Fundao Bienal de So Paulo

  • PATROCNIO

    GOVERNO FEDERAL Ministrio de Educao e Cultura - Funarte Ministrio das Relaes Exteriores

    GOVERNO DO ESTADO DE SO PAULO Secretaria de Estado da Cultura

    PREFEITURA MUNICIPAL DE SO PAULO Secretaria Municipal de Cultura

    --------- _ ...... _-_ lIIiIIIInIIIIUI

    - ----- _ ...... ---

    ---II1II'-- __ v_

    APOIO CULTURAL

  • Pr-Memria U.'lJ'U"-".H" de So

    Colees:

    Museu Paraense Museu Museu Plnio USP

    Aires ;Ui\.U_C

  • 3 Apresentao/Norberto Nicola 7 Introduo/Ulpiano T. Bezerra de Meneses 9 Introduction/Ulpiano T. Bezerra de .Meneses

    13 Arte Plumria/Sonia Ferraro Dorta e Lcia van 19 Plumria Bororo/Sonia Ferraro Dorta 23 Plumria Karaj/Maria Heloisa Fnelon Costa 27 Plumria Kayap/Lux B. Vidal 31 Plumria Tukano/Lcia Hussak van Velthem 33 Plumria dos ndios Urubus-Kaapor/Berta G. 37 Bibliografia Geral 38 Documentao fotogrfica 56 Mapa com localizao dos grupos 57 Catlogo da exposio

    Alto Xingu Kalaplo Kamayur Mehinku Trumi Txiko Waur Yawalapiti

    Apinay Asurini do Trocar Bororo Canela Gavio Guajajra Guarani Hiskariana Jurna Karaj Kaxinwa Kayab Kayap Kubn-Kran-Kegn Mekranoti Munduruk Palikur Parintintin Rikbktsa Tapirap Temb Tiriy Tukano Tukna Txukahami U rubus-Kaapor Waipi Wai-Wai Wayana-Aparai Xavante Xikrin Yanomami Karib Kayap Sem referncias

    75 Roteiro

  • Grampo para o occipcio - Tukano (243) .

    2

  • APRESENTAO Noberto Nicola So Paulo, agosto de 1983

    No meu primeiro encontro com a plumria do ndio brasileiro, fui surpreendido com a descoberta de uma ma-nifestao sui generis de arte, que at ento havia escapa-do minha sensibilidade. Desde a se desenvolveu meu profundo interesse por esta concepo esttica, por suas realizaes atravs dos tempos e por seu significado cultu-ral. Vi a plumria como manifestao da sensibilidade humana. beleza, alcanada plenamente por esses homens atravs da observao da natureza, da apropriao do material que os comove esteticamente e de sua elaborao artesanal. Verifiquei, inclusive, com imenso prazer, a se-melhana entre as tcnicas empregadas pelos indgenas, no uso de penas e fibras como matria-primas, e aquela que utilizo em meu trabalho artstico. Esta coincidncia serviu como uma gratificante motivao para a compreen-so da plumria de nossos ndios. Na confeco de seus adornos esto aplicadas as mais inventivas maneiras de fazer, com notvel habilidade artesanal, tendo como ma-tria-prima algo de belo e precioso que lhes oferece a natureza. Com um material das mais variadas cores, for-mas, texturas e tamanhos, organizados em suas com-binaes infinitas de ritmos e harmonias, formaram um vocabulrio plstico para dar curso sua expresso. O resultado dessa atividade que principalmente destinada ao uso pessoal, acompanhando os traos e o movimento do corpo de seu portador, um exemplo clssico de a forma seguir a funo. Portanto, a plumria do Brasil densa de todas aquelas caractersticas que compem uma obra plstica ao ponto de impressionar como arte do mais alto nvel.

    Estimulado pela experincia pessoal, acalentei o vivo de-sejo de realizar uma mostra dessas obras, expostas de tal forma que me permitissem partilhar com o pblico a sen-sao de descoberta e prazer que vivenciara ao conhecer essa arte. Na qualidade de membro da Comisso de Arte do Museu de Arte Moderna de So Paulo, sugeri a in-cluso de uma mostra de Arte Plumria do Brasil na programao de 1980. A idia foi aceita com entusiasmo por todos, e o MAM, sob a presidncia do Sr. Flvio Pinho de Almeida, realizou a exposio que eu idealizara, e que mais tarde viria a receber da crtica de arte de So Paulo, o ttulo de "Melhor Exposio do Ano".

    Por sua envergadura, o projeto exigia a colaborao de muitos especialistas. Sema Petragnani trabalhou na orga-nizao e divulgao. As etnlogas Sonia Ferraro Dorta e Lcia H. van Velthem ocuparam-se do aspecto cientfico. Thekla Hartmann e Lux Vidal tambm nos prestaram inestimvel colaborao. Berta G. Ribeiro e Maria Heloisa

    Fnelon Costa igualmente nos auxiliaram com grande presteza.

    Foi necessrio mais de um ano para organizao da mos-tra, que recebeu efetiva cooperao do Museu Paulista e do Museu Plnio Ayrosa, ambos da Universidade de So Paulo; do Museu Paraense Emlio Goeldi, de Belm do Par; e Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Contamos ainda com a ajuda generosa de colecionadores particulares, que puseram disposio suas valiosas peas de arte plumria. dedicao desinteres-sada dos que acabamos de mencionar, juntou-se a cola-borao de jovens artistas e arquitetos que auxiliaram na montagem, tornando possvel a concretizao desse tra-balho, que revela um aspecto significativo da cultura brasileira.

    O xito e a repercusso dessa apresentao, seguida por outras, no Museu Emlio Goeldi e no Palcio do Itama-rati, em Braslia, levaram o Ministrio das Relaes Ex-teriores e o Ministrio da Educao e Cultura, atravs da Fundao Pr-Memria, a patrocinar e promover uma srie de exibies internacionais da coleo, a primeira no Museu Nacional de Histria Natural da Smithsonian Institution, em Washington D.C., seguida de outras, no Museu Nacional de Antropologia da Cidade do Mxico e no Museu Nacional de Bogot. No Mxico, ela foi sele-cionada como uma das principais exposies do ano, ao lado das mostras de Picasso, Heney, Moore e obras-primas medievais da Espanha. Para esta etapa, devemos prestar um tributo memria de Alosio Magalhes, ento diretor da Fundao Pr-Memria, cujo apoio foi dado com entusiasmo; essencial foi ainda a participao de Marisa Ricupero, representante oficial da Fundao Pr-Memria que acompanhou estas exibies.

    A arte plumria, expresso autctone de numerosas tri-bos brasileiras desde tempos imemoriais e merecedora de estudos por vrias disciplinas das cincias humanas, de-pois de alcanar na sua trajetria internacional entusias-mada recepo das vrias faixas sociais, especialmente dos crticos de arte que lhe dedicaram as mais elogiosas apre-ciaes, acolhida agora pela Fundao Bienal de So Paulo, fato que me parece um perfeito coroamento a seu percurso, dando a seu contedo pleno reconhecimento de arte visual.

    A mostra que se apresenta na 17.a Bienal de So Paulo a mais representativa que j pudemos organizar, pois agora tivemos a oportunidade de enriquec-la com outros

    3

  • aspectos e exemplares que antes no nos foi dado atingir. Esperamos ainda que mais estudos e mostras sejam objeto da ateno dos especialistas, para que a Arte Plumria possa ser apreendida em todas as suas significaes e tome o seu lugar de direito no cenrio cultural do nosso pas.

    Brincos (par) - Karaj (110).

    4

    Estou certo, ainda, de que a plumria do ndio brasileiro trar uma melhor compreenso dos valores de nossas culturas nativas. Penso poder falar de uma Amrica que antecedeu aos colonizadores e que continua sendo parte integrante desse -Novo Mundo que criamos.

  • Detalhe de brinco - Karaj (110).

    5

  • Grinalda com cobre-nuca - Rikbktsa (190).

    6

  • INTRODUO Ulpiano T. Bezerra de Meneses So Paulo, agosto de 1983

    A primeira verso da expOSlao de Arte Plumria do Brasil foi apresentada pelo Museu de Arte Moderna de So Paulo, em 1980, por breve tempo - menos de um ms. A verso atual, que se insere nos quadros da 17.a Bienal de So Paulo, comporta alteraes e enriqueci-mentos de monta.

    Antes de mais nada, aumentou o nmero de peas. Houve substituies e acrscimos, para responder a uma cober-tura mais ampla do tema e atender a critrios de repre-sen ta ti vidade.

    Alm disso, o roteiro original, que basicamente distribua as peas segundo grupos tribais, foi reorientado. A expo-sio desenvolve-se, agora, segundo trs eixos principais, destinados a explorar com mais eficincia e abrangncia a enorme gama de significaes destes objetos. Os dois primeiros eixos so a morfologia) as formas e tipos de artefatos, e sua tecnologia) matrias-primas, tratamento, modos de fabricao. O terceiro eixo, mais denso, acen-tua os aspectos funcionais) fazendo circular questes como chefia e status) o universo mgico-religioso, o contedo mtico, os contextos de vida/morte, homem/mulher, criana/ adulto, a definio de uma identidade tnica. Tambm se incluiu um apndice, referente s modifica-es da produo tradicional em situaes de aculturao.

    Esta nova seleo e ampliao do acervo exibido e a re-formulao de sua apresentao correspondem aos pro-psitos de estmulos reflexo e viso crtica que o Conselho de Arte e Cultura da Fundao Bienal de So Paulo procurou imprimir s diversas manifestaes da 17.a mostra internacional e que, no caso, conviria tornar mais explcitos.

    Em primeiro lugar, preciso compreender o que repre-senta uma exposio de "arte primitiva", de "material etnogrfico", e com linhas de leitura "antropolgica", no seio de um empreendimento que, por definio, est vol-tado para a arte contempornea. Por certo, no vem ao caso discutir se o enfoque mais adequado seria o "arts-tico" ou o "antropolgico": arte um tema antropolgi-co. Trata-se, porm, de uma das exposies satlit