15ª Edição di Pirituba Acontece

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Esta publicao resultado do projeto "CLICK, um olhar curioso sobre o mundo" (http://clickumolhar.com/), um projeto de educomunicao que visa promover a cidadania e o desenvolvimento dos habitantes do bairro de Pirituba

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  • 15 Edio - Novembro de 2012Esta publicao resultado do projeto Click, um olhar curioso sobre o mundo, que promove oficinas de jornalismo comunitrio.

    Obstculos acessibilidadepersistem em Pirituba

    InfnciaCiberntica: as crianas hoje em diaj nascemconectadas?

    pg. 05

    pg. 10

    ConscinciaNegra

    pg. 06

    No Especial deste ms, entenda aimportncia do feriado comemorado noprximo dia 20.

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    Foto: Lara Deus

  • Fala, Click!

    EquipeAdriane Toscano, Amanda Sanches, Andr Muzetti, Beatriz Xavier, Caique Resende Peruch, Cris Bibiano, Dayane San-tuci, Edson Caldas, Evelyn Kazan, Igor dos Santos, Ingrid Alves, Joo Gasparotto, Julia Reis, Julio Augusto, Karine Ferreira, Lara Deus, Lucas Sena, Marina Budia, Marina Na-gamini, Olga Bagatini , Roberta Caroline, Ruama Almeida, Samuel Parmegiani, Thalita Xavier, Vanessa Coscia , Victhor Fabiano, Yago Rud.

    Cena da srie American Horror Story

    O que voc acha de nossa publicao? Mande sua opinio para: clickumolhar@gmail.com

    /piritubaacontece

    @clickumolhar

    02

    Ouvindo Vozesa sua opinio aqui

    Lcio, muito obrigado por sua assiduidade. gratificante saber que estamos conseguindo rea-lizar um bom trabalho com o projeto. Um abrao!

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    Ol, leitores!

    Novembro j chegou. S mais um pouquinho e j estamos no Natal de novo. Fim de ano est batendo porta! Novo ms e nova edio do Pirituba Acon-tece! Confira o que tem de legal dessa vez.

    A estao de trem de Pirituba um tema pre-ocupante em nosso bairro por no ter infra-estrutura para melhor atender os deficientes. Ser que o r-go responsvel por esses assuntos tem planos para melhorar as condies? Saiba mais sobre isso no Piritubando.

    Uma linda histria de superao. Essa a do senhor Vicente. Veja a grande trajetria desse exemplo de perseverana. O que voc, leitor, acha das mudanas de opinies? Confira um quadro opi-nativo muito interessante no Dirio da Educao.

    Sendo este um ms bem agitado, com os ves-

    Ol, Equipe Click! Ningum pode imaginar que a iniciativa

    poderia ser de jovens na mdia de 17-18 anos. uma tremenda ideia. Fantstica, desafiadora, creativa, diferente. Ainda mais sendo de moos e moas que futuramente sero timos jorna-listas.

    Valeu, muito bacana. O jornal est bem direcioando, as crnicas, histrias e tudo mais. Tudo leva a crer que o Click um projeto que tem cara e pensamento de jovens diferentes, isso hoje muito difcil de se ver.

    Todos esto de parabns e um gran-de abrao a essa equipe talentosa, continuem sempre assim. O futuro os espera. Um fantico leitor, Prof Lcio Contador.

    tibulares e tudo o mais, no deixe de ver as matrias sobre o assunto, como sobre o teatro que encena as peas das obras da Fuvest e, pra no esquecer ne-nhuma data, veja a lista de datas dos vestibulares! E, claro, passe pelo Novo Olhar, que est com cr-nicas maravilhosas e uma tirinha muito legal. Faa bom proveito, amigo leitor.

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  • 03

    Piritubandofique por dentro da nossa regio

    O projeto Click, um olhar curioso sobre o mundo desenvolve, na E.E. Ermano Marchetti, oficinas que capacitam os jovens a criar, manter e progra-mar uma rdio para a escola.

    Essas oficinas tm o objetivo de potenciali-zar o uso da rdio com um meio de comunicao dos estudantes, desenvolver o trabalho em equipe e o senso crtico, de maneira descontrada e colabo-rativa. O objetivo da rdio tornar a escola mais interessante para os alunos, uma vez que se cria um espao que traduz a prpria essncia jovem, um es-pao que ele pode criar, ele pode ser protagonista do processo miditico, comenta a coordenadora da escola, Neide Medeiros.

    O trabalho com esse veculo coloca o jovem como o principal ator, deixando visvel, para este, a possibilidade de se expressar, atuando como um agente no processo educativo, de forma a aguar o sentimento de pertencimento, de identidade. Ten-do a rdio na escola, leva o aluno a se interessar mais por alguma coisa, e s o fato de ele estar fo-cado em algo, j faz uma diferena muito grande na vida de um moleque de 15, 16 anos, diz Juan Contador, um dos participantes das oficinas.Alm de desenvolver a capacidade comunicativa, de criatividade e liderana, viabiliza o resgate da escola como uma instituio prazerosa e que deve ser valorizada pela funo que exerce na socieda-de. Juan afirma que as escolas pblicas, no s do bairro, mas de todos os cantos da cidade, precisam mais de atividades extra-escolares como essa.

    Sintonize noErmano Marchetti

    Por Evelyn Kazan

    Na manh do dia 28 de abril, comeavam as ofi-cinas de 2012 do Click, um olhar curioso sobre o mundo, projeto de educomunicao que edita o Pirituba Acontece. Com um diferencial: agora, muitos dos participantes do ano anterior organiza-vam as atividades. Uma caminhada de sete meses de sucesso que, em dezembro, termina ou melhor, recomea.Neste ano, as oficinas ocorreram, em grande parte, no Centro Universitrio Anhanguera, que cedeu es-pao ao projeto. Alm dos tradicionais conceitos de comunicao, na segunda fase do Click, contamos com diversas atividades inditas, como a de cobrir o lanamento de um livro, visitar o Hopi Hari, gravar um telejornal e at mesmo participar de uma oficina organizada pelos novos integrantes.Uma [oficina] que marcou muito foi a nossa cober-tura no lanamento do livro do Victhor [Fabiano], pois foi a primeira vez que eu entrevistei algum e que fiz uma matria junto com a turma nova, con-ta Vanessa Coscia, que entrou no projeto em 2012. Decidi participar do Click porque adorei a iniciati-va de um grupo de jovens que elaborou um projeto de jornalismo comunitrio para o bairro, e eu queria realmente fazer parte disso. Quem j estava no projeto no ano em 2011 e se tornou mediador notou a mudana. A diferena que voc tem que ser responsvel e sua funo nas oficinas muda, pois voc tem que explicar, aponta Igor dos Santos. Mesmo que ns desenvolvamos um projeto sem hierarquia, eu me sinto mais res-ponsvel pelo andamento das oficinas e das edies do jornal, explica Lara Deus. Em dezembro, o grupo de 28 pessoas que forma a famlia Click se rene para celebrar o fim de um ano cheio de conquistas. Celebrar tambm tudo que aprendemos e o comeo de algo novo. Um futuro em que o Pirituba Acontece no pode faltar. Logo de cara percebi que o projeto no seria algo pequeno, estaria sempre crescendo, e eu realmente espero isso para o Click, diz Vanessa.

    Chega ao fim mais uma fase do projeto ClickPor Edson Caldas

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  • 04

    O Pirituba Acontece entrevistou Vicente Xavier Moreira, de 58 anos, que, diante de sua histria, um grande exemplo de superao. Ele conta como sua vida melhorou desde que se mudou para So Paulo e como a convivncia com sua famlia, mesmo enfrentando dificuldades e desafios. Aos 34 anos, mudou-se de So Domingos do Maranho para a capital paulista para cuidar da sade de suas trs filhas, que so deficientes visuais. Aqui cons-truiu uma histria repleta de desafios e vitrias.

    Vicente, aos 29 anos, estava trabalhando em um garimpo, quando recebeu uma carta de sua es-posa comunicando-o sobre o nascimento de sua fi-lha e tambm de sua deficincia visual. Quando eu cheguei em casa, vi os olhinhos azulinhos [...] mas ela enxergava um pouquinho. Ele conta que ele e sua esposa mostravam a sua filha alguns brin-quedos e ela acompanhava com os olhos. O mesmo acontecia com as lamparinas que havia no local. O pai pensou em procurar tratamentos que pudessem melhorar a viso da filha, mas onde viviam, em So Domingos do Maranho, no havia recursos para isso. Logo, decidiram ir para So Lus, onde sua esposa frequentou por dois meses o hospital, mas os mdicos no conseguiram diagnosticar a doena que a menina tinha. Foi a que decidiram se mudar para So Paulo. Eu vim, como diz o ditado, com a cara e a coragem. Como tambm dito na piada de Gonzaga: a mala era um saco e o cadeado era um n. Chegando aqui, ele recebeu o auxlio da prefeitura e de sua amiga Gizelda e, assim, come-ou a construo de sua casa. O filho de Vicente, na poca com um ano, ficou em So Domingos e depois de cinco meses, foi trazido para So Paulo pelo seu tio.

    Quando chegou aqui, Vicente era analfabe-to, e isso lhe trazia muitas dificuldades. Dois anos depois, com incentivo tambm de sua amiga Gizel-da, comeou a estudar e melhorou sua qualidade de vida. O primeiro emprego que conseguiu foi sendo

    ajudante de pedreiro e, por conta das dificuldades, j havia pensado algumas vezes em voltar para o Maranho, mas no o fez. Um tempo depois, come-ou a trabalhar em uma vidraaria e, aos finais de semana, fazia alguns bicos em sua casa. Assim, comeou a montar sua prpria vidraaria, onde tra-balha hoje.

    Quando estudavam, suas filhas tiveram a oportunidade de ter aulas de bal. O pai de uma moa que danava era voluntrio na escola onde elas estudavam, e ela se ofereceu para ensinar bal para deficientes visuais. At hoje elas praticam esta atividade, e uma das coisas mais prazerosas na vida delas. Vicente conta que o convvio com suas filhas muito normal. Uma coisa que a gen-te nunca deve fazer tratar um deficiente como um deficiente.

    Ele considera que ter conseguido estudar j foi uma superao em sua vida, pois, assim, ficou mais fcil para cuidar de suas filhas. No dia-a-dia, ns vamos superando os obstculos que tnhamos e que foram deixados para trs. Ele afirma que nada por acaso, as dificuldades apareceram, talvez, para que ele pudesse vir a So Paulo oferecer uma vida melhor para suas filhas. Aqui elas estudaram, uma delas se formou em Recursos Humanos e as outras duas fizeram o colegial completo. Vicente afirma que se sente realizado e com dever cumpri-do com sua filha mais nova, que j casada e pos-sui suas prprias responsabilidades. Para suas duas filhas que danam bal mas ainda no trabalham, ele espera que consigam um emprego, que pos-sam comprar um apartamento para o futuro delas e pensar sempre em um amanh melhor que o hoje.

    Perfil:Vicente Xavier

    Por Roberta Caroline e Vanessa Coscia

    Voc conhece algum, aqui no bairro, que tambm tem uma grande histria para ser contata? Mande sua sugesto para clickumolhar@gmail.com.

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  • clickumolhar.com

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    As estaes de trem da linha 7-Rubi que atendem o bairro de Pirituba no oferecem acesso a deficientes fsicos e visuais. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), empresa vinculada ao go-verno estadual, no tem previso para quando essas obras ficariam prontas.

    Para embarcar na estao Piqueri, o usurio tem que passar por, no mnimo, trs escadas. A prxima parada, Pirituba, s no tem escadas para quem vem do lado da Avenida Raimundo Pereira de Magalhes e deseja ir sentido Francisco Morato. Nenhuma dessas estaes tem piso ttil para que deficientes visuais possam caminhar com seguran-a. Esses so empecilhos tanto para quem precisa se locomover pela cidade usando uma cadeira de rodas quanto para deficientes visuais. Segundo a CPTM, vias como a linha 8-Dia-mante, j foram adaptadas para esses usurios, com a implantao de rampas e elevadores, mas a linha 7-Rubi no tem previso para ser acessvel. Tudo o que se sabe que essas adaptaes sero feitas juntamente com as obras de modernizao das estaes.

    Para o usurio Srgio Stampar, 30 anos, a falta de investimento em infraestrutura acessvel predomina no bairro de Pirituba, no s nos trans-portes, um cadeirante teria que ser um acrobata para conseguir circular pelas caladas de Pirituba. Letcia Rodrigues, de 20 anos, comenta a diferen-a de investimento em transportes no centro e na periferia, em estaes da CPTM que so mais no centro eles investem.

    Por Lara Deus

    Acessibilidade nas estaes no tem data para sair

    Antonio Gilberto Barduchi, 63 anos, comeou a vender jornais numa banca improvisada na Av. General Edgar Fac e contava com o auxlio do Sr. Manuel, ele colocava os jornais pra mim de ma-drugada no nibus e o nibus trazia. Ele ia busc-los por volta das 5h da manh, montava sua banca com alguns caixotes e tbuas e ali vendia jornais e revistas. O processo se repetia diariamente e ele ficava por l at s 12h, horrio em que ia para a escola.

    Nessa mesma banca, Antonio conheceu sua atual mulher, quando tinham aproximadamente 13 anos, eles namoraram at os 20 e depois se casa-ram. Eles esto juntos h 43 anos e tem 4 filhos que tambm residem aqui no bairro.

    Ele vive em Pirituba h muitos anos e com-prou uma banca h aproximadamente 12. Quando questionado sobre a evoluo da regio nos lti-mos anos, ele diz que tudo melhorou muito e que o bairro timo, se comparado com outros, mas ainda tem queixas, tal como o lixo espalhado pelas ruas e do trnsito, mas que so coisas bem comuns em qualquer lugar.

    Contudo, afirma que j comprou at casa na praia, mas desistiu de sair de Pirituba, a vida da gente aqui, trabalhando.

    Conhea umjornaleiro h 50 anos no bairro

    Por Julia Reis e Roberta Caroline

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    Curiosidade: voc sabia que ms que vem, no dia 15 de dezembro, comemora-se o Dia do Jor-naleiro?

  • EspecialEquipe Click

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    20 de novembro. Dia da conscincia negra. A data comemorada no dia da morte do lder quilombola Zumbi dos Palmares, um expoente da resistncia dessas pessoas que sofreram a mais dolorida distin-o. No Brasil, a miscigenao mostrou que somos todos um h bastante tempo e a lei libertou os es-cravos h 124 anos, mas o preconceito com base na cor da pele infelizmente ainda existe.

    Atualmente, os negros ainda ganham, em mdia, metade do que os brancos. Hoje em dia, 12,8% dos negros so universitrios, contra 31,1% dos brancos. Em pleno 2012, jovens negros e po-bres so os que mais morrem em confronto com a polcia. Tudo isso tem completa ligao com o reconhecimento da sociedade brasileira acerca da igualdade entre as pessoas.

    Uma piada aqui, outra ali e o esforo para que o racismo acabe vai por gua abaixo. Alis, por que racismo se somos todos da mesma raa, a humana? importante que o Brasil inteiro lute pra esclarecer essa ideia.

    O debate est no alto escalo do poder nacio-nal. A questo das cotas vem a para explicit-la: reservar vagas para negros garante o direito ou se-grega mais ainda? Opinies pessoais e polmicas parte, importante que se pense a condio do negro brasileiro nos dias de hoje. No se pode mais aceitar viver em um mundo em que ainda h pessoas que julgam o carter das outras pela cor da pele. Esti-mular o debate e a conscincia de que todos somos humanos o melhor jeito pra pensamentos como esse acabarem.

    Conscincia negra: a raiz da liberdade

    O preconceito,em qualquerforma, algo

    horrvelA integrante do projeto Click, um olhar curioso sobre o mundo Roberta Caroline d sua opinio sobre a data.

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    Conscincia Negra um feriado que marca a luta do negro contra a escra-vido, opresso e o racismo. O pro-fessor universitrio Dennis Oliveira (49), afirma que a sociedade s vai deixar de ser racista quando houver uma mudana radical e o Brasil adotar medidas de igualdade (como o sistema de cotas) j um grande passo contra a opresso. Pela pri-meira vez o pas est admitindo que racista e que tem que combater o problema do racismo, ele diz. Den-nis ainda acredita que um dos pro-blemas nessa luta que no Brasil o racismo algo...