150325 relatorio aplicacao penas

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relatorio aplicação das penas - Brasil

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  • A Aplicao de Penas e Medidas Alternativas

    Relatrio de Pesquisa

  • A Aplicao de Penas e Medidas Alternativas

    Relatrio de Pesquisa

  • Governo Federal

    Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica Ministro Roberto Mangabeira Unger

    Fundao pblica vinculada Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica, o Ipea fornece suporte tcnico e institucional s aes governamentais possibilitando a formulao de inmeras polticas pblicas e programas de desenvolvimento brasileiro e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus tcnicos.

    Presidente Sergei Suarez Dillon Soares

    Diretor de Desenvolvimento Institucional Luiz Cezar Loureiro de Azeredo

    Diretor de Estudos e Polticas do Estado, das Instituies e da Democracia Daniel Ricardo de Castro Cerqueira

    Diretor de Estudos e Polticas Macroeconmicas Cludio Hamilton Matos dos Santos

    Diretor de Estudos e Polticas Regionais, Urbanas e Ambientais Rogrio Boueri Miranda

    Diretora de Estudos e Polticas Setoriais de Inovao, Regulao e Infraestrutura Fernanda De Negri

    Diretor de Estudos e Polticas Sociais, SubstitutoCarlos Henrique Leite Corseuil

    Diretor de Estudos e Relaes Econmicas e Polticas Internacionais Renato Coelho Baumann das Neves

    Chefe de Gabinete Ruy Silva Pessoa

    Assessor-chefe de Imprensa e Comunicao Joo Cludio Garcia Rodrigues Lima

    Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoriaURL: http://www.ipea.gov.br

  • Rio de Janeiro, 2015

    Relatrio de Pesquisa

    A Aplicao de Penas e Medidas Alternativas

  • Ipea

    Alexandre dos Santos CunhaDoutor em direito, tcnico de planejamento e pesquisa e diretor-adjunto da Diretoria de Estudos e Polticas do Estado, das Instituies e da Democracia do Ipea (Diest/Ipea).

    Almir de Oliveira JniorDoutor em sociologia, tcnico de planejamento e pesquisa da Diest/Ipea e coordenador do projeto.

    Bernardo MedeirosMestre em direito e tcnico de planejamento e pesquisa, lotado no gabinete da presidncia.

    Emlia Juliana FerreiraMestre em antropologia e assistente de pesquisa da Diest/Ipea.

    Fbio S e SilvaDoutor em direito, poltica e sociedade e tcnico de planejamento e pesquisa da Diest/Ipea.

    Helder FerreiraMestre em sociologia e tcnico de planejamento e pesquisa da Diest/Ipea.

    Luseni AquinoMestre em sociologia e tcnica de planejamento e pesquisa da Diest/Ipea.

    Pedro Vicente da Silva NetoGraduado em estatstica e assistente de pesquisa da Diest/Ipea.

    Talita Tatiana Dias RampinMestre em direito e assistente de pesquisa da Diest/Ipea.

    Tatiana Dar ArajoMestre em cincias sociais e assistente de pesquisa da Diest/Ipea.

    Vitor Silva AlencarMestre em direito e assistente de pesquisa da Diest/Ipea.

    Consultores

    Arthur Trindade Maranho CostaDoutor em sociologia e professor da Universidade de Braslia (UnB).

    Renato Srgio de LimaDoutor em sociologia e membro do Frum Brasileiro de Segurana Pblica.

    Rebecca Lemos IgrejaDoutora em antropologia e professora da UnB.

    Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada ipea 2015

    FICHA TCNICA

    Pesquisadores de campo

    Alessandra de Almeida BragaMestre em sociologia e direito.

    Amlcar Cardoso Vilaa de FreitasDoutor em sociologia.

    Andra Caon Reolo StobbeMestre em direito.

    Carolina Cutrupi FerreiraMestre em direito.

    Dineia Largo AnzilieroMestre em direito.

    Erica Santoro Lins FerrazMestre em direito.

    Fabio Henrique Araujo MartinsMestre em psicologia e sociedade.

    Klarissa Almeida SilvaDoutoranda em sociologia.

    Marcelo Ottoni DuranteDoutor em sociologia e poltica.

    Suzann Flvia Cordeiro de LimaDoutora em psicologia.

    Tatiana Santos PerroneMestre em antropologia social.

    Walison Vasconcelos PascoalMestre em antropologia.

    Wilson Santos de VasconcelosMestre em demografia.

    Yuri Frederico DutraMestre em direito e filosofia.

    Auxiliares da pesquisa de campo

    Andrew Todd Prudew, Arlan Montilares de Oliveira Silva, Bruna de Freitas do Amaral, Clara Jane Costa Adad, Karla Juliana Novais dos Santos, Mara Cardoso Zapater, Maria Zenaide Gomes de Castro, Mozart Augusto Machado, Muryan Passamani da Rocha, Naiara Vilardi Soares Barbrio, Naira Rodrigues Alves da Silva, Priscilla Andr Ribeiro, Vitor Moraes Dias e Zonilce Brito Vieira

    As opinies emitidas nesta publicao so de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, no exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada ou da Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica.

    permitida a reproduo deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reprodues para fins comerciais so proibidas.

  • SUMRIO

    RESUMO ..................................................................................................................................................................... 7

    1 INTRODUO .......................................................................................................................................................... 8

    2 METODOLOGIA ...................................................................................................................................................... 11

    3 DISCUSSO NOS SEMINRIOS REGIONAIS ............................................................................................................. 23

    4 RESULTADOS DO ESTUDO QUANTITATIVO .............................................................................................................. 28

    5 RESULTADOS DO ESTUDO QUALITATIVO ................................................................................................................. 45

    6 CONSIDERAES FINAIS ........................................................................................................................................ 86

    REFERNCIAS ........................................................................................................................................................... 93

    BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ............................................................................................................................... 93

  • 7A Aplicao de Penas e Medidas AlternativasRESUMO

    Com a perspectiva de aprimorar a implementao das alternativas penais no pas, o Departamento Penitencirio Nacional do Ministrio da Justia (Depen/MJ), por meio da Coordenao-Geral de Penas e Medidas Alternativas (CGPMA), estabeleceu acordo de cooperao tcnica com o Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea) para realizao do projeto Poltica Criminal Alternativa Priso (doravante intitulado A Aplicao de Penas e Medidas Alternativas). O termo de referncia acordado entre os dois rgos objetivou a prospeco de uma nova poltica criminal alternativa priso, a partir da elaborao de estudos diagnsticos de natureza quantitativa e qualitativa.

    Quanto ao estudo quantitativo, pretendeu-se, originalmente, executar um levantamento retrospectivo sobre o fluxo da justia criminal, desde a fase de execuo penal at o inqurito policial, a fim de entender os aspectos determinantes da aplicao (e da no aplicao) de penas e medidas na justia brasileira. A pesquisa abarcou as seguintes Unidades da Federao (UFs): Alagoas (AL), Distrito Federal (DF), Esprito Santo (ES), Minas Gerais (MG), Par (PA), Paran (PR), Pernambuco (PE), Rio de Janeiro (RJ) e So Paulo (SP).1

    Com base em amostra desenhada pela equipe do Ipea para cada uma das UFs selecionadas, foram escolhidos processos, distribudos entre varas criminais e juizados especiais, com baixa definitiva em 2011. Os formulrios para coleta de dados foram compostos por questes fechadas, abrangendo, entre outras, variveis relativas ao perfil sociodemogrfico do autor e aquelas estritamente processuais, que pudessem fornecer subsdios para a compreenso do fluxo do sistema de justia criminal.

    Complementando a pesquisa quantitativa, trabalhou-se com um enfoque qualitativo. Com a vantagem de possibilitar a abordagem mais intensiva e pormenorizada do funcionamento rotineiro do sistema de justia, o estudo qualitativo enfocou os rgos onde se d, a partir de etapas anteriores, o desfecho do processamento do fluxo da justia criminal, ou seja, varas e juizados criminais, varas de execuo penal (VEPs) e centrais de penas e medidas alternativas. O trabalho de campo envolveu, inclusive, a observao de audincias e a realizao de entrevistas com magistrados e servidores. No se tratou aqui do acompanhamento de processos em si; cuidou-se, sim, da observao de como os processos so abordados e conduzidos nos diferentes rgos e quais os obstculos e as dificuldades encontradas para a aplicao e execuo das alternativas penais.

    De forma a diversificar esses casos, foram selecionadas cinco UFs entre aquelas que fazem parte do estudo quantitativo, garantindo-se a representao de todas as regies geogrficas brasileiras. Em cada uma das UFs selecionadas, foram objeto de investigao a capital e uma cidade do interior, com o intuito de confrontar as duas realidades em termos de estrutura e procedimentos e averiguar o impacto destes fatores sobre a implementao das penas e medidas alternativas.

    O plano de pesquisa tambm cuidou de prever um componente de debate e validao dos resultados junto a um pblico diversificado, incluindo especialistas, membros de

    1. O estado da Bahia foi retirado devido a problemas com a consistncia e confiabilidade dos dados fornecidos pelo seu sistema de justia criminal.

  • 8 Relatrio de Pesquisaorganizaes da sociedade civil, operadores do direito e trabalhadores do sistema de justia no pas. Para isso, foi concebida a realizao de oficinas nas cinco regies geogrficas brasileiras. Como esses eventos foram realizados ainda na fase da coleta de dad