12ª edição - o espectro

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  • O ESPECTRO Ncleo de Cincia Poltica - ISCSP UL 12 EDIO - 07 de Julho de 2014

    Para que Portugal consiga aumentar a sua taxa de natalidade, subs dios de incentivo sera o uma solua o insuficiente para se conseguir alcanar metas significativas. Este problema apenas pode ser resolvido

    com o aumento dos rendimentos provenientes do trabalho das fam lias o que, para se materializar teria de encontrar a imposia o de medidas que corrigissem situao es sociais gravosas e

    ainda outro aspeto muito importante da desigualdade no mercado de trabalho entre homens e mulheres, situaa o em que muitas vezes o ge nero e colocado acima do me rito profissional.

    NATALIDADE PARA

    A SUSTENTABILIDADE Poltica Interna, 4

    PEN NSULA

    BE RCA

    As portas que

    a Ibria abriu

    Poltica Interna, 6

    PARTDO

    SOCALSTA

    A Festa

    Socialista j

    comeou

    Poltica Interna, 5

    CR TCA

    LTERA RA

    Endgame

    Coluna Ex Libris, 3

    PORTUGAL

    Estranho Caso

    de Esprito

    Santon

    Coluna Ex Libris, 3

    OBSERVATRIO POLTICOOBSERVATRIO POLTICOOBSERVATRIO POLTICO

    www.observatoriopolitico.pt

    SLAMOFOBA

    EM FRANA Globo, 6

  • 02 | 09 Junho 2014

    O ESPECTRO

    EDITORIAL

    O Nu cleo de Cie ncia Pol tica (NCP), principal impulsionador do projecto O Espectro, elegeu recentemente os seus novos o rga os diretivos. Como candidato a Presidente da Direca o, foi com orgulho e sentido de responsabilidade que vi a Lista A vencer estas eleio es nucleares apo s a apresentaa o de um programa ambicioso mas realista, assente, principalmente, no objetivo de dinamizar e divulgar cada vez mais e melhor as atividades do NCP bem como na ambia o de aproximar e integrar todos os alunos de Cie ncia Pol tica dando corpo a muitas das preocupao es existentes na nossa a rea. Tenho conscie ncia que tempos exigentes se avizinham. Todo o ensino superior tera que ultrapassar novos desafios e Cie ncia Pol tica na o sera excea o. E por esta raza o que, mais do que nunca, o NCP deve representar e salvaguardar os interesses dos alunos que representa. No entanto, para que esse dever se cumpra, o NCP na o conta so comigo mas sim com um conjunto de jovens estudantes com ambia o, responsabilidade e vontade de fazer mais pelo seu curso. Sa o estas pessoas que certamente levara o Cie ncia Pol tica mais longe. Uma nota final para o projecto O Espectro. Este jornal acade mico, lanado no u ltimo mandato, e algo que deve ser motivo de orgulho para todos os seus intervenientes, para todo o Nu cleo de Cie ncia Pol tica e para todos os seus alunos. Como tal, e inconceb vel na o lhe dar continuidade depois de tudo o que ja conquistou e que tem ainda por conquistar. Nesta u ltima edia o antes das fe rias, os nossos leitores podera o continuar a contar com artigos de grande qualidade sobre temas bastante atuais pois tambe m no s estamos sempre em cima do acontecimento.

    Presidente do Ncleo de Cincia Poltica, Joo Louro

    FICHA TCNICA

    Coordenao sa Rafael Vice-Coordenao Andre Cabral Reviso Andre Cabral e Ana Beatriz Bagarra o Editor sa Rafael Plataformas de Comunicao Daniela Nascimento, Joa o Miguel Silva e Joa o Cunha Cartaz Cultural sa Rafael Redao Gonalo Serpa sa Rafael Joa o Louro Joa o Pedro Rodrigues Rui Coelho Rui Sousa Tiago Sousa Santos

    CONTACTOS

    Facebook: facebook.com/OEspectro Correio electrnico: jornaloespectro@gmail.com Twitter: twitter.com/O_Espectro

  • 07 Julho 2014 | 03

    O ESPECTRO

    POL TCA NTERNA

    O P I N I O d e R U I S O U SA

    E s t ra n h o C a s o d e E s p i r i t o S a n t o n

    O almoo termina com a sobremesa. Ouve-se o burburinho de tiramisu , com cheirinho, acrescentam os adultos, exibindo a dentadura ja gasta de tantas refeio es. Os herdeiros passam a sala de estar, pedindo licena delicadamente. Monopo lio e o jogo escolhido. Entre tabuleiros de cha e bolachas de manteiga, os jogadores escolhem os peo es. Uns mais bonitos que outros, mas o importante na o e o fantoche refere o filho mais velho, que, por andar nesta terra ha mais tempo, ja apreende alguns ensinamentos. O banqueiro e ao mesmo tempo um jogador de campo, e sendo o jogo uma diversa o de fam lia, os seus companheiros esta o mais que selecionados. As regras esta o presentes mas a ansiedade da partida e de tal ordem que as normas podem ficar para outra Primavera. Como em qualquer jogo existe um regulador. Neste caso, o pai de uns e tio de outros vai espreitando o que se esta a passar mas sempre com ar conivente, pois no fim de contas eles sa o ca dos meus, sangue do meu sangue e qualquer problema que possa acontecer faz parte - pensa ele debruando o queixo sobre a palma da ma o. As coisas na o esta o a correr bem ao dono do jogo. E nem com a

    assuna o da titularidade da banca o jogador consegue sustentar as suas propriedades, consolidar a sua liquidez ou humilhar os seus concorrentes. Tem presente como qualquer "player" a casa da prisa o, quer por azar, quer por indicaa o que pretende evitar a todo o custo. Com uma manobra discreta, esconde o dinheiro que lhe restava nos calo es azuis turquesa que a tia do Alentejo lhe tinha oferecido e acusa os parentes de roubo. Furto, alia s. Estala a gritaria na divisa o da casa como se de um banco numa crise financeira desagrada vel se tratasse. Para po r a gua na fervura, um familiar pede ao senhor convidado que intervenha face a impote ncia das ao es da fam lia. Levanta-se um sujeito da mesa, alto, com boa estampa fisica e fecha o jogo num gesto u nico como se esta brincadeira tivesse ido longe demais. O indiv duo reputado passa a comandar as operao es e tem como intena o credibilizar o ambiente que ja tem um odor a vicio. Diz a sabedoria popular que quem conta um conto acrescenta um ponto. Na o podendo voltar ao tempo do escudo, resta-nos contar os pontos e acrescentar os euros em falta.

    CRTICA LITERRIA, por Rui Coelho

    Endgame

    Derrick Jensen

    COLUNA EX LIBRIS

    Empenhado nos movimentos ambientalistas e alterglobalistas ao longo da de cada de 90, Derrick Jensen tem-se dedicado a elaboraa o de um olhar cr tico aprofundado sobre temas como a conservaa o ambiental, civilizaa o industrial e culturas ind genas. Os dois volumes de Endgame, publicados em 2006, oferecem uma articulada cr tica anti-civilizacionista acompanhada por uma provocante proposta de aca o pol tica. A civilizaa o, entendida como o modo de vida sedenta rio e urbano, e para o autor uma loucura. Antes de mais, devido a sua insustentabilidade. A exige ncia cont nua de crescentes volumes de energia e recursos na o pode ser satisfeita num planeta finito, como se pode comprovar pela acelerada destruia o ambiental que tem acompanhado o desenvolvimento de tal configuraa o social. Jensen acusa ainda a

    civilizaa o de assentar no exerc cio de viole ncia em larga escala. Assim, genoc dios das populao es ind genas, sweatshops, indu stria alimentar, terrorismo e repressa o pol tica na o seriam acidentes, mas sim, expresso es da lo gica intr nseca ao corrente sistema. Perante tais ameaas a vida na Terra, o autor propo e uma contraofensiva violenta que, atrave s da destruia o de infraestruturas industriais fundamentais (como barragens e oleodutos), acelere o inevita vel colapso civilizacional, minimizando os danos sociais e ambientais do mesmo. Apesar dos va rios defeitos que podem ser apontados ao racioc nio de Endgame (viole ncia, extremismo, misantropia), a obra oferece uma consistente cr tica a civilizaa o, chamando a atena o do leitor para a insustentabilidade e desumanidade do nosso modo de vida. Provoca assim, uma urgente reflexa o e, quem sabe, mudana.

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    estamos espera do teu

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  • POL TCA NTERNA

    04 | 07 Julho 2014

    O ESPECTRO

    O P I N I O d e J O O P E D R O R O D R I G U E S

    A s m e t a s d o d f i c e

    O chumbo do Tribunal Constitucional, sobre o qual ja me pronunciei na edia o passada, abriu mais um buraco oramental nas contas do estado no valor de 860 milho es de euros. As medidas declaradas inconstitucionais previam a redua o de despesa corrente atrave s dos habituais grupos sociais funciona rios pu blicos e pensionistas aos quais o governo pretendia, respectivamente, cortar sala rios e penso es de sobrevive ncia e ainda a tributaa o dos subs dios de desemprego e doena. Praticamente uma legislatura volvida, o governo continua espartano na aplicaa o cega do rigor contabil stico no acto governativo e os resultados pra ticos continuam imuta veis na sua insubstancialidade. Numa altura em que importantes indicadores macroecono micos apresentam uma evolua o positiva, como e caso do consumo e investimento, o governo pretendia aplicar medidas contra rias a recuperaa o econo mica ao aplicar uma machadada ao rendimento dispon vel das fam lias, admitindo comprometer o ciclo virtuoso que tenuemente se afigurava para atingir,

    forosamente, a meta convictamente estipulada. Devido ao chumbo por parte do Tribunal Constitucional, as metas do de fice para 2014 (4% do PIB) e 2015 (2,5%) esta o em risco, uma vez que no primeiro trimestre deste ano a economia portuguesa registou um saldo negativo de 6% (importa notar que o TC na o aplicou retroactividade na decisa o de inconstitucionalidade) e que o Ministro da Economia, Pires de Lima, na tradicional reto rica eleitoral a que estamos habituados, rejeita um aumento de impostos no ano vindouro. Ora, num exerc cio puramente inge nuo, de credulidade plena no discurso ministerial, e dif cil descortinar uma melhoria deste indicador sem admitir aumentos significativos da receita fiscal ou reduo es acentuadas nas funo es atuais do estado. Existem ainda outros factor