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EDIO AGOSTO / SETEMBRO 2011

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  • DISTRIBUIO GRATUITAVENDA PROIBIDA

    ARTIGOIWCA: Aliana Internacional Mulheres do Caf

    COLHEITAColheita do Conilon a plenovapor no Esprito Santo

    ENTREVISTA COM ROMRIO GAVA FERRO, PESQUISADOR DO INCAPER DO ES

  • NA INTERNET

    conilonbrasil.com.br

    Atualizaes dirias, estamos ligados em tudo que acontece no agronegcio mundial.

    Informaes a jato no Twitter twitter.com/conilonbrasil

    Acompanhe o vai e vem do mercado, as pre-vises, cotaes, o que acontece na bolsa em Londres e em Nova York.

    Mercado

    Eventos

    NotciasConfira as principais notcias e acontecimen-tos do agronegcio caf.

    Calendrio de exposies e feiras dos eventos ligados a agricultura.

    Banestes vai investir R$ 130 milhes no caf capixaba

    O Banestes vai aplicar, este ano, R$ 130 milhes na cafeicul-tura. Os recursos, oriundos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcaf), destinam-se safra 2011/2012. O montante soma-se aos R$ 40 milhes destinados para a colheita do caf, investimento feito com recursos prprios da instituio.

    O anncio foi feito pelo diretor Comercial do Banco, Jos An-tnio Bof Buffon, na ltima sexta-feira (03), durante visita Fazenda Experimental de Marilndia (FEM), localizada no mu-nicpio de mesmo nome. A FEM uma das 12 unidades do g-nero pertencentes ao Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistncia Tcnica e Extenso Rural (Incaper).

    Representantes do Banestes estiveram na Fazenda para conhe-cer as pesquisas desenvolvidas pelo Incaper e tambm para ter contato direto com a produo de caf. Eles estiveram em um cafezal e assitiram aos processos de colheita, de secagem e de moagem do gro.

    O valor liberado pelo Banestes por meio do Funcaf o mais expressivo at ento e, portanto, histrico. imprescindvel que os gerentes do Banestes entendam a atividade cafeeira, pois li-dam diariamente com o produtor rural e podem melhor orient-lo sobre o uso do crdito, afirmou Buffon.

    Os gerentes das agncias Banestes subordinadas Superinten-dncia Regional Norte (Suren) participaram de uma espcie de treinamento para conhecerem o processo de produo do caf, desde o plantio at a venda. Estiveram presentes tambm os su-perintendentes Joo Carlos Bussular e Jos Gidalberto Santana.

    As explanaes sobre a cultura cafeeira ficaram por conta do pesquisador do Incaper Romrio Gava Ferro; do gerente Co-mercial e de Relacionamento do Banco de Desenvolvimento do Esprito Santo (Bandes), Paulo Srgio Dias Federici; e da as-sessora tcnica da rea de Crdito Rural do Banestes, Priscila Andrade Silva Faria.

    A gerente da Agncia Banestes So Gabriel da Palha, Gilvnia Boldrin Bonomo Guimares, revelou-se satisfeita com a visita: A rotina de trabalho da Agncia no permite que faamos isso, mas uma visita assim fundamental para conhecermos melhor as atividades que estamos financiando...

    Dora Dalmasio

  • Sumrio CONILON BRASIL - JUNH0 / JULHO 2011ANO II - EDIO N 10

    CAPA 14

  • 7ENTREVISTARomrio Gava Ferro, Pesquisador e Coordenador do Incaper

    12ARTIGOSIWCA: Aliana Internacional Mulheres do Caf

    23GUAElemento fundamenrtal da vida

    26GESTO DO AGRONEGCIOVix Partners

    28ESPAO GOURMETAna ArgentaIniciando um negcio de sucesso em cafeteria

    COLHEITAColheita do Conilon a pleno

    vapor no Esprito Santo

    19

    18

    CONILON TECHAzadiractina

    23 Feira de Cafs Especiais - Houston,

    Texas

    20

    COBERTURA

  • Carta do EditorPrezados amigos, com grande alegria que comeo esse novo desafio dentro da equipe Conilon Brasil, espero que a partir dessa edio, possamos levar para vocs assuntos de relevncia dentro da cadeia do caf.

    Comear um trabalho sempre motivador e desafiador, como sabem, sou o gerente de marketing da empresa, e agora como editor, tenho o objetivo de aproximar ainda mais nossos leitores e anunciantes de nossa revista, atravs de notcias e reportagens de interesse do agronegcio caf.

    Essa edio foi feita com assuntos observados em diversas visitas a produtores, feiras do setor e anlises de mercado, com temas atuais para os envolvidos em melhorar a qualidade do caf conilon e posicion-lo em um mercado com valor agregado.

    Acreditamos que temos que olhar o caf conilon de forma sistmica, para isso, ser mostrado o papel do mercado, em uma reportagem esclarecedora sobre comrcio justo. Teremos tambm o artigo da IWCA, discorrendo sobre o importante papel das mulheres no caf.

    Espero que desfrutem de uma boa leitura, com um bom caf conilon ( 100% maduro, seco em terreiro, cereja descascado ou natural, fica a dica).

    Arthur Fiorottarthur@conilonbrasil.com.br

    Editor: Arthur Fiorott Consultor Tcnico: Adelino ThomaziniDiretora Financeira: Neide Baldo Editora de Texto: Tania ThomaziniDiretor de Arte: Jaques Brinco Jr Impresso: Grfica e Editora GSAColaboradores Nesta Edio: Josiane Cotrim, Sebrae, Enio Queijada de Souza, Sylvia Cassimiro Pinheiro, Rogrio Galuppo Fernandes, Adriano Matos Rodrigues, Joo Augusto Prsico, Jackeline Uliana da Pronova, Ana Argenta.Atendimento Comercial: 27 3224 - 3412 comercial@conilonbrasil.com.brEndereo para correspondncia: Rua Clvis Machado, 176 - Sala 405 Ed. Conilon, Enseada do Su CEP 29050-900 Vitria - ES

    Revista com Tiragem Bimestral: 2 mil exemplaresDistribuio Gratuita: ES, RJ, SP, MG, BA, RO, MT, GODistribuio Nacional: Governo dos Estados, Associaes, Prefeituras, Setor Produtivo Industrial e Comercial, Produtores Rurais, Agrnomos, Cooperativas e Universidades.

    *Os textos, incluindo opinies e conceitos emitidos, so de responsabilidade exclusiva de seus autores.

    Receba a revista em sua casa, cadastre-se em nosso site.www.conilonbrasil.com.brCadastro gratuitoSugestes e opinies:sac@conilonbrasil.com.brrevista@conilonbrasil.com.br

  • ENTREVISTA

    Conilon Brasil 7

    CB: Quais so as novas tecnologias para o desenvolvimento do caf coni-lon no Esprito Santo e Brasil?

    Romrio: A pesquisa cientfica com o caf conilon, uma atividade dinmica desenvolvida no Esprito Santo, pelo Incaper desde 1985. Nesses mais de 25 anos de pesquisa, vm sendo executados trabalhos baseados nas demandas levan-tadas pela cadeia do caf. Atualmente so 30 projetos de pesquisas, 103 expe-rimentos, conduzidos nas diferentes re-as do conhecimento, que geraram vrias tecnologias, produtos e conhecimentos, amplamente utilizados pelos cafeiculto-res. Foram seis variedades, plantio em linha, espaamento, vergamento, reco-mendaes de calagem e adubao, a poda programada de ciclo, manejo de

    pragas e doenas, conservao de solo, manejo de irrigao e tecnologias para a melhoria da qualidade final do produ-to, descritas em diferentes publicaes, sendo a mais completa, o livro Caf Conilon. Grande parte dos trabalhos tm sido realizados em parcerias com vrias instituies nacionais e interna-cionais, envolvendo pesquisas bsicas e aplicadas. Os destaques atuais e futu-ros, so as novas variedades clonais a serem lanadas; identificao de genes que conferem resistncia a ferrugem e a seca; caracterizao de germoplas-ma; trabalhos associados a qualidade de bebida, a ferrugem, os nematides, a nutrio e o manejo de irrigao. Os re-sultados obtidos so usados por mais de 40% dos cafeicultores capixabas, numa rea estimada de 120 mil hectares. Os

    produtores que utilizam adequamente as tecnologias, alcanam produtividades de 45 a 150 sacas/ha. Essas tecnologias contribuiram nos ltimos 18 anos,para o aumento de mais de 200% na produtivi-dade e na produo de caf conilon do Esprito Santo.

    CB: Um dos grandes problemas do caf conilon a no mecanizao de sua colheita, existem estudos para que em breve possamos usar colheitadei-ras na lavoura de Conilon?

    Romrio: A planta do caf conilon muito diferente do arbica, nos aspec-tos de porte, arquitetura, produtividade, nas tcnicas de implantao e manejo das lavouras, colheita, secagem e bene-ficiamento. A planta multicaule e os

    Romrio Gava FerroEngenheiro Agrnomo formado pela UFES, Mestre e Doutor em Gentica e Melhoramento de Plantas pela UFV. Pesquisador do Incaper desde 1985, Coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, Bolsista de Produtividade Cientfica no CNPq, autor de mais de 300 trabalhos tcnicos-cientficos.

    Romrio Gava FerroCoordenador do Programa Estadual de Cafeicultura do Incaper

  • ENTREVISTA

    8 Conilon Brasil

    frutos so bastante aderidos aos ramos. No geral a maturao uniforme e os frutos no despreendem dos ramos ao atingirem a maturao fisiolgica. As mquinas desenvolvidas para a colheita do caf arbica no se adaptam bem a do Conilon. do conhecimento de to-dos que a colheita a prtica que mais onera o custo de produo, e quase na sua totalidade realizada de forma ma-nual. Mesmo sabendo que a maioria da colheita do Conilon realizada pelas fa-mlias, verifica-se que os grandes produ-tores, os mais empresariais, esto tendo dificuldade de aumentar a sua produo pela falta e elevado custo da mo de obra, principalmente nessa operao. H demanda por tecnologias para colheita mecnica. Houveram vrias iniciativas nesse sentido, mas ainda no foram de-senvolvidas tecnologias bem ajustadas para resolver essa questo, em funo das caractersticas que possui essa plan-ta. Visando resposta a esse problema, h um projeto ainda em discusso, entre o Incaper e instituies privadas, objeti-vando pesquisar variedades, manejo da planta e desenvolvimento de mquinas, para atender a colheita mecnica do caf conilon. CB: Em seu livro ( ... ) voc relata que o caf conilon que plantamos no Esp-rito santo proveniente da regio do rio Koulliou , entre o Congo e o Ga-

    bo, na frica. Se tratando de c. cane-phora, quais as diferenas existentes entre o caf conilon e o caf robusta? Romrio: Quando pensamos em caf, direcionamos a mente para mais de 100 espcies. Dessas, apenas duas so responsveis por todo o caf produzi-do e consumido no mundo, que so as Coffea arabica (Caf arbica) e Coffea canephora (cafs Robusta e Conilon), que representam 62% e 38% da produ-o mundial, que atualmente, est na or-dem de 133 milhes de sacas por ano. A variedade Conilon que cultivada no Brasil, e a Robusta, sobretudo, no Viet-n, Indonsia, India e Costa do Marfim, so de fecundaes cruzadas, diplides e apresentam o fenmeno de auto-incom-patibilidade gentica. Elas so muito di-ferentes quanto a porte, arquitetura, tipo, tamanho, colorao de folhas e frutos, susceptibilidade aos fatores biticos e abiticos. A variedade Robusta apre-senta plantas com hbito de crescimen-to ereto, caules de maiores dimetros e pouco ramificados, folhas e frutos de maior tamanho, maturao tardia, maior vigor e tolerncia a ferrugem, menor tolerncia a seca e no geral melhor qua-lidade de bebida. A variedade Conilon se caracteriza por apresentar plantas de hbito de crescimento arbustivo, caules ramificados, folhas alongadas, flores-cimento precoce, resistncia seca e

    maior susceptibilidade s doenas. No Esprito Santo, predomina o cultivo da variedade Conilon, principalmente pela sua tolerncia a seca. Os trabalhos de pesquisa realizados pelo Incaper, na ara de melhoramento em mais 1000 clones, mostram grande variabilidade gentica do caf conilon para diferentes caracte-rsticas. A explorao dessa variabilida-de, possibilitou ao Incaper desenvolver e lanar seis variedades. Essa variabili-dade continua sendo explorada, visando sobretudo o agrupamento de clones por ciclo de maturao para formao de novas variedades mais estveis e produ-tivas; com tolerncias a seca, as pragas e doenas; com arquiteturas mais adequa-das para aplicao da Poda Programada de Ciclo; com adequados desenvolvi-mentos no viveiro; com gros grandes e maiores rendimentos de beneficiamen-to; e com melhor qualidade.

    CB: Estados como: So Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais, esto bus-cando tecnologias para plantar o caf conilon. O que isso pode impactar na cafeicultura do Esprito Santo?

    Romrio: A evoluo da cafeicultura do conilon considerada um Caso de Sucesso no estado do Esprito Santo, devido a renovao do parque cafeeiro, seguindo novas bases tecnolgicas. Os conhecimentos e as informaes so so-

    A evoluo da cafeicultura do

    conilon considerada um Caso

    de Sucesso no estado do Esprito

    Santo, devido a renovao do

    parque cafeeiro, seguindo novas

    bases tecnolgicas.

  • ENTREVISTA

    Conilon Brasil 9

    cializadas rapidamente pelos diferentes meios de comunicao. Assim, devido as adequadas tecnologias, a rusticidade e alto potencial de rendimento, associado ao menor custo de produo, tm des-pertado interesse de muitos cafeicultores de diferentes partes do Brasil, tradicio-nalmente produtores de caf arbica para o plantio do Conilon. H uma cres-cente demanda por Conilon/Robusta de qualidade superior em todo o mundo. Segundo autoridades do mercado, a pro-duo de Robusta de pases tradicionais da sia e frica esto no seu limite, e o Brasil o nico pas que incrementa a sua produo em mais 6 milhes de sacas desse caf por ano, para atender a demanda de Robusta projetada para 2015. O momento muito bom para o Conilon devido aos estoques baixos, o preo do caf arbica elevado, melhoria da qualidade final do produto e disponi-bilidade de tecnologias apropriadas para os cafeicultores. Alertamos cautela aos cafeicultores de outras regies do Brasil, em utilizarem as tecnologias desenvol-vidas para Estado, uma vez que as con-

    dies agroclimticas de outros estados podem ser distintas do Esprito Santo. Ao continuar o cenrio atual, o mundo absorver toda a produo de Conilon com qualidade superior.

    CB: A cafeicultura de Conilon no Es-prito Santo basicamente familiar, com poucas tcnicas de gesto da pro-priedade. Como podemos melhorar a eficincia da cafeicultura Capixaba?

    Romrio: A rea mdia de caf conilon colhida no Esprito Santo cerca de 9,0 hectares. Mesmo considerada de peque-na dimenso, visando enfrentar o mundo globalizado do caf, importante fazer uma boa gesto desse negcio. Para tal, recomenda-se ao produtor administrar seu cultivo de forma empresarial. As-sim, sugere-se seguir os princpios da sustentabilidade; utilizar corretamente as tecnologias; se profissionalizar por intermdio de leituras e treinamentos; planejar todas as atividades e execut-las adequadamente, avaliando o tem-po, custo, operao, retorno e eficcia;

    planejar e acompanhar a execuo das operaes associadas a atividade, da im-plantao e conduo da lavoura at a comercializao do produto; fazer con-ta visando saber o custo de uma saca de caf; se organizar em associao e/ou cooperativa; e saber que as garantias de retorno e de mercados esto diretamente relacionadas as obtenes de altas pro-dutividades econmicas e produo de caf com qualidade superior.

    CB: Durante esses 30 anos de pesqui-sa, samos de uma produtividade bem baixa para ser referncia no quesito produtividade. Qual o caminho para a qualidade ser instalada no caf co-nilon?

    Romrio: Os cafeicultores de coni-lon no geral so empreendedores. Eles evoluiram muito devido ao uso correto das tecnologias e tm conhecimento da importncia de melhoria da qualidade. O Conilon ganha espao no consumo, por intermdio de sua maior utilizao nos blends com o caf arbica, no so-lvel e nos espressos, que so os cafs, que mais crescem o consumo no cenrio mundial. Atualmente, cerca de 38% do consumo de caf conilon/robusta, mas as literaturas mostram a utilizao de 50% desses cafs para 2015, desde que se melhore a qualidade final do produ-to. Seguindo as estratgias utilizadas do caf arbica, iniciada a 15 anos no Esta-do, que vem gerando uma verdadeira re-voluo na qualidade desse caf no Es-prito Santo, o Governo do Estado, em parceria com vinte uma instituies da cadeia do caf capixaba, vm trabalhan-do com vrias aes, numa campanha no quarto ano, visando melhorar a qua-lidade do Conilon. Esse trabalhos vm dando resultados positivos. A maioria dos produtores conhecem a importncia e as tecnologias para fazer qualidade e vm aderindo ao programa.

  • 10 Conilon Brasil

    ENTREVISTA

    CB: Os 10 mandamentos do caf Co-nilon so referncia de melhoria de qualidade, hoje o produtor j ciente do que fazer na lavoura. Porque ain-da h grande resistncia quando fala-mos em produo com qualidade?

    Romrio: No bem resistncia. O pro-dutor vm se conscientizando da impor-tncia em fazer qualidade. O problema que a produo de Conilon do Estado cresceu muito rapidamente nas ltimas duas dcadas, saindo de 2,4 milhes de sacas em 1993 para a ordem de 8,0 mi-lhes de sacas em 2011. As estruturas de colheita, ps-colheita e armazenamento no acompanharam o aumento da pro-duo. Os cafeicultores esto se estrutu-rando por intermdio de treinamentos, melhorias e ampliao de terreiros e secadores, buscando novas alternativas de secagem e armazenamento, visan-do atender a demanda e exigncias do mercado. H uma conscincia que fazer qualidade garantia de mercado, facili-dade de venda, maior preo e mais lucro. Ainda o mercado no remunera adequa-damente o Conilon de qualidade supe-rior, mas j h uma sinalizao atual de prmio de 20%. Ao aumentar o volume e a regularidade da produo com qua-lidade, o Conilon receber prmios se-melhantes aos aplicados ao caf arbica.

    CB: Quais as polticas pblicas que o INCAPER introduzir para a cultura do caf conilon no Esprito Santo?

    Romrio: O Incaper continuar a cum-prir a sua misso em relao a cafeicul-tura capixaba, que contribuir para o desenvolvimento sustentvel do Coni-lon do Estado do Esprito Santo, com aes no mbito da pesquisa, assistncia tcnica e extenso rural, priorizando os produtores de base familiar. A instituio em parceria nos mbitos estadual, na-cional e internacional vem ampliando a pesquisa cientfica, assistncia tcnica e extenso do conhecimento, seguindo as diretrizes estabelecidas no Novo Pedeag temtica caf, com aes estratgicas que visam at o ano 2025, duplicar a pro-dutividade mdia estadual com a produ-o de pelo menos 30% de Conilon com qualidade superior. Para tal, vem priori-zando as aes associadas a renovao e revigoramento do parque cafeeiro, me-lhoria da qualidade final do produto, de-senvolvimento de novas variedades, au-xiliando no marketing interno e externo do conilon capixaba, ampliando a rede de jardins clonais, trabalhando em par-ceria com outros centros de pesquisas e universidades objetivando a ampliao da base do conhecimento. Alm do estra-tgico programa de pesquisa, o Incaper

    tem um amplo trabalho de transferncia de tecnologia em todos os municpios ca-pixabas, por intermdio de cerca de 1000 aes por ano, envolvendo demonstraes de mtodos (poda, adubao, irrigao, plantio em linha, variedades), dias de cam-po, encontros, palestras, visitas tcnicas, cursos e publicaes. Atenco especial dada aos municpios menos desenvolvi-dos, contribuindo assim, para diminuio das desigualdades regionais.

    CB: Recentemente foi instalada a IN16 e o protocolo de Robustas finos no Bra-sil. O que esses dois parmetros ajudam na cafeicultura do Brasil?

    Romrio: A IN16 e o protocolo Robus-tas Finos no Brasil, so projetos/aes que cumprindo os prazos e estabelecendo adequadas estruturas para operacionaliz-los, podero ser instrumentos importantes para acelerar a melhoria da qualidade do caf brasileiro, uma vez que, qualidade um caminho sem volta e uma questo de sobrevivncia. Devemos ter sempre em mente que o caf um alimento. As-sim, deve ser produzido, industrializado e comercializado, seguindo os princpios da sustentabiliade. Esses projetos/aes adequadadmente executados oferecero contribuies, sobretudo, referentes a se-gurana alimentar, nos aspectos de dispo-nibilizao aos consumidores, cafs com certificao de pureza, caracteristicas or-ganolpticas e sensorias adequadas, incor-porando na qualidade global das bebidas, mais aroma e mais sabor.

    Ao aumentar o volume e a regularidade da produo com qualidade, o Conilon receber

    prmios semelhantes aos aplicados ao caf arbica.

  • 12 Conilon Brasil

    ARTIGO

    IWCAAliana Internacional Mulheres do Caf

    Apoio desde o gro at a xcaraUma aliana internacional reunindo mulheres de toda a cadeia produtiva do caf, com a misso de torn-las mais visveis e suas vozes mais escutadas. Foi isso que um grupo de norte-americanas imaginou em 2003 durante uma visita Nicargua e Costa Rica, pases produtores da Amrica Central. O encontro dessas mulheres da indstria com as produtoras dos dois pases inspirou a criao da Aliana Internacional Mulheres do Caf (International Womens Coffee Alliance - IWCA, na sigla em ingls) que hoje est presente em sete pases da frica e das Amricas Central e do Sul.

    O que seria mais uma viagem a pases produtores de caf acabou sendo uma experincia nica de intensa troca de experincias, convvio humano e uma co-nexo at hoje lembrada pelas pioneiras que participaram daquela viagem. Hoje, a Aliana existe na Nicargua, Gua-temala, Costa Rica, El Salvador, Repblica Dominicana, Colmbia e Burundi. O logo de uma mulher estilizada se-gurando um gro de caf acima da cabea (foto ao lado)representando a reivindicao de sua posio e reconheci-mento na indstria do caf j despertou o interesse de outros pases em criar a aliana em seus territrios. Mulheres de Ruanda, Qunia, Zambia, Etipia, Peru, Honduras, Papua Nova Guin, Mxico, India, Haiti, Japo e do Brasil esto se mobilizando no sentido de tambm criarem representaes da IWCA em seus territrios.

    O objetivo da ONG, conforme explcito no seu site www.womenincoffee.org, formar uma aliana global de mulheres empenhada em reduzir as barreiras para todas as mulheres da indstria do caf e que promova o acesso a recursos, criando ao mesmo tempo um frum de conexo entre elas. Uma misso muito clara: empoderar as mulheres nos pases produtores a fim de que elas alcancem um estilo de vida pleno e sustentvel, alm de promover o contato com alianas de mulheres dos pases consumidores em todo o mundo.

    E como falar em caf e em mulheres do caf sem a presena do Brasil, maior produtor e segundo maior consumidor do mundo da commodity?

    O processo para se criar a organizao em um pas envol-ve vrias etapas. Inicia-se com uma socializao informal, contatos, encontros, troca de informaes sobre a existncia e o trabalho da IWCA. Este primeiro passo avana para o estabelecimento de medidas mais oficiais - plano estrat-gico, legislao local e legalizao. Em alguns pases esse

    processo pode levar anos dependendo dos recursos dispon-veis e do nvel de organizao de cada um.

    Atravs da estratgia da IWCA denominada success through localization so formadas as representaes locais, principalmente nos pases produtores. Durante essa fase inicial, cada pas cria uma rede de transferncia de conheci-mentos onde cada elo da cadeia do caf tem o mesmo grau de importncia. A representao nacional da aliana em cada pas composta de mulheres e homens que integram toda a cadeia da indstria do caf. Ao se tornar uma entida-de legal, a organizao torna-se uma voz desse pas e passa a ter acesso a financiamento para projetos, treinamento, con-sultoria e assessoria tcnica.

    Claro que cada pas possui uma realidade diferente e as atividades da Aliana em cada um deles ir refletir tais di-ferenas. IWCA-Costa Rica, por exemplo, foi a primeira a criar sua representao (chamada localmente Alianza de Mujeres en Caf Costa Rica). Foi tambm o pas que sediou, em 2008, uma conveno internacional da organi-zao. Ali, graas ao financiamento da IWCA-Costa Rica

    Texto: Josiane Cotrim

  • ARTIGO

    Conilon Brasil 13

    foi possvel implementar um projeto que criou uma marca de caf chamada Colheita de Mulher (Cosecha de mujer, em espanhol). Esta marca j est sendo comercializada em supermercados de dentro e fora do pas. Um percentual das vendas desse caf destinado a bolsas de estudo para moas de um orfanato a fim de que possam continuar seus estudos para que tenham uma profisso, uma casa e um trabalho.

    J na Nicargua, a questo da terra o foco da IWCA-Nicaragua (Alianza de Mujeres en Caf - Nicaragua, nome no pas). Ali, as mulheres se esforam em prestar asses-soria jurdica a produtoras locais. Segundo Gabriela Fi-gueroa de Heck, uma das fundadoras da organizao na Nicargua, muitas mulheres no possuem registro de suas propriedades. As terras foram passando de gerao em ge-rao sem nunca terem sido legalizadas, diz Gabriela. Ela explica que isso impede que essas mulheres melhorem de vida, pois sem registro no podem obter financiamentos para adquirir equipamentos, insumos, contratar assistncia tcnica, a fim de aumentarem sua produtividade e, conse-quentemente, melhorarem a vida de sua famlia. A impor-tncia do ttulo da terra vai alm dos benefcios financeiros j que, a partir do momento em que uma produtora possui o registro de sua propriedade, a mulher passa a ter mais reconhecimento e mais respeito na comunidade onde vive. Da o esforo da aliana nicaraguense para mudar essa si-tuao no pas.

    O Brasil est na fase inicial do processo para integrar essa rede internacional de mulheres. A ideia realizar um semi-nrio com a participao de mulheres integrantes da cadeia

    produtiva das 12 regies cafeicultoras do pas e de especia-listas dos EUA. Um seminrio para ajudar as produtoras a entenderem os parmetros que medem a qualidade do caf e como o processo de avaliao de uma prova de caf (cup-ping), por exemplo, pode representar uma ajuda fundamen-tal na abertura de mercados para o seu produto. O objetivo que cada grupo de mulheres das diferentes regies possa reproduzir o que aprendeu na sua comunidade.

    Igualdade de gnero: meta do milnio

    Ao compartilhar sua viso e seus valores, a IWCA cria oportunidades para impactar e expandir a esfera de influn-cia da mulher na cafeicultura e assim realizar avanos em relao meta do milnio das Naes Unidas de promover a igualdade de gnero e o empoderamento das mulheres.

    A questo da igualdade de gnero tem se tornado priorida-de para autoridades poltico-administrativas, organizaes sociais, setor privado e agencias internacionais dos pases produtores que vem oferecendo cooperao tcnica e finan-ceira a fim de promover o status da mulher. Essa melhoria hoje amplamente reconhecida como uma das mais eficien-tes estratgias para encarar os desafios do desenvolvimento de comunidades no mundo.

    Atravs da criao de uma aliana de mulheres do caf num pas, a IWCA constri importantes conexes nacionais e internacionais entre mulheres. Uma vez estabelecida em um pas, a IWCA pode abrir portas para o mercado interna-cional criando importantes conexes que unem toda a ca-deia do caf do gro xcara.

    SCAA 2011No dia 29 de abril passado, em Houston, Texas, a IWCA real-izou um jantar de gala no contexto da feira da Specialty Coffee Association of AmericaSCAA, principal evento de caf dos Estados Unidos. Naquela noite, mulheres lderes da indstria do caf da Repblica Dominicana e Burundi concluram as ltimas formalidades e agora so membros da Aliana. O ato se deu perante cerca de 100 convidados representantes da IWCA nos pases da Amrica Central e do Sul, voluntrias e voluntrios, apoiadoras e apoiadores. O jantar foi possvel graas s empresas Java Pura Coffee Roasters, Illy e Smart-Cup.

  • 14 Conilon Brasil

    MATRIA CAPA

    Em 2001, a FLO (Fair Trade Labelling Organization) e as outras redes de Comrcio Justo (IFAT, NEWS e EFTA) criaram uma plataforma de cooperao intitulada FINE (sigla para as iniciais das orga-nizaes participantes) e definiram em conjunto sua definio de Comrcio Justo:O Comrcio Justo uma parceria comercial baseada em dilogo, trans-parncia e respeito, que busca maior igualdade no comrcio internacional. Ele contribui para o desenvolvimen-to sustentvel ao oferecer melhores condies comerciais e assegurar os direitos de produtores e trabalhadores marginalizados, especialmente no He-misfrio Sul.

    O comrcio justo surgiu de uma pre-ocupao das pessoas envolvidas na agropecuria, com a injustia nas rela-es prprias ao comrcio internacio-nal e com o tratamento abusivo dado aos trabalhadores nas ento colnias da Europa no sculo XIX. Somente nos anos de 1940 e 1950 que acon-teceram as primeiras aes concretas na busca de solues para esses pro-blemas.

    Na dcada de 70 ocorreram iniciati-

    vas de comprar tambm produtos agr-colas diretamente dos produtores. Na Sua, por exemplo, surgiu a Gebana (de Gerechte Banane, ou banana jus-ta), em 1978, e j se abriam espaos nos supermercados para esses produ-tos.

    Em meados de 1980, o movimento recebeu novo impulso e, em 1986, pe-quenos agricultores do Mxico pedi-ram que, ao invs de enviarem ajuda humanitria, lhes comprassem caf a um preo justo. Naquela poca o pre-o do caf, alm de outras matrias-primas agrcolas, nos mercados inter-nacionais de commodity, estava abaixo de seus custos de produo, conde-nando milhes de famlias, em toda a Amrica Central, ao xodo rural, se no houvesse outra alternativa.

    J em 1989, na Holanda, foi criada a International Fair Trade Association (IFAT), uma rede global de organiza-es de comrcio justo. Durante a d-cada de 1990, o comrcio justo cresceu consideravelmente, sendo criada em 1994, a Fair Trade Federation em Wa-shington, EUA, reunindo produtores, importadores, atacadistas e varejistas. Em 2002 a nova marca global de Co-mrcio Justo foi lanada no mundo,

    identificando empresas e produtos cer-tificados. Por fim, em janeiro de 2004, foi lanada tambm a marca global da IFAT, identificando as organizaes que atendem aos critrios de Comrcio Justo.

    Os produtores esto no corao de todo esse movimento. Produzem e ex-portam suas mercadorias e, para isso, devem estar organizados em associa-es ou cooperativas, sendo estimu-lados a participar mais do restante da cadeia dos negcios.

    Os importadores atuam como ata-cadistas e distribuidores e, s vezes, atuam tambm diretamente como va-rejistas, apoiando seus parceiros de produo no desenvolvimento de pro-dutos, com capacitao e, em momen-tos de dificuldades econmicas e so-ciais, promovendo ou participando de campanhas de conscientizao, tendo como assuntos, por exemplo, a injus-tia comercial. Essas atividades inte-gram e se articulam por meio de redes de troca de informaes com ONGs de desenvolvimento, agncias de ajuda humanitria, centros educativos, etc. e fazem lobby para promover mudanas tambm no nvel poltico.

    O Comrcio Justo certificado cres-

    JUSTOCOMRCIO

    O Comrcio Justo uma parceria comercial baseada em dilogo, transparncia e respeito, que busca maior igualdade no comrcio internacional.

    Texto: Equipe Conilon BrasilColaboradores SEBRAE: Enio Queijada de Souza, Sylvia Cassimiro Pinheiro, Rogrio Galuppo Fernandes, Adriano Matos Rodrigues

    Joo Augusto PrsicoColaboradores PRONOVA: Jackeline Ulliana

  • Conilon Brasil 15

    MATRIA CAPA

    ceu a taxas anuais acima de 18%, en-tre 1997 (ano em que comearam os levantamentos internacionais) e 2002. De acordo com a IFAT, h clientes para todos os padres de produto, desde o barato ao mais caro. Muitas empresas identificaram consumidores que esto dispostos a gastar bastante quando acreditam que o produto tenha um va-lor especial, por isso Fair Trade po-tencialmente muito maior que somente um mercado de nicho; no entanto, exi-ge que seja realizado um trabalho de

    marketing consistente para cada caso. Para o SEBRAE o Comrcio Justo

    tem como objetivo atender aos interes-ses dos pequenos negcios e sua in-cluso no mercado. Cabe ao SEBRAE preparar produtores e empreendedores atravs da disponibilizao de infor-mao, capacitao e ferramentas que apem a tomada de deciso dos mes-mos para acesso aos mais diferentes mercados. Visando isso, em 2008 o

    SEBRAE lanou o Edital de Comrcio Justo e Solidrio apoiando 79 proje-tos de diversos setores (agronegcios, confeces, artesanato) totalizando mais de oito milhes de reais.

    Dentre esses projetos, 32 foram no setor de agronegcios, sendo 4 espec-ficos na rea da cafeicultura e um de-les conjugado com a apicultura. Como exemplo desse trabalho, podemos citar o caso do SEBRAE Minas Gerais, por exemplo, que atua em 3 projetos em sua carteira de agronegcios que con-templam as iniciativas de Comrcio Justo. O projeto Caf do Cerrado, com certificao Fair Trade para Estados Unidos e Europa um dos exemplos de sucesso.

    Em outro projeto modelo, so bene-ficiados 9 grupos de cafeicultores Fair Trade do Sul de Minas Gerais. Esses produtores estiveram presentes, em abril de 2011 na Feira da SCAA (Hous-ton / Texas / USA) quando confirmaram a venda imediata de 109 containers de caf para o mercado externo, com uma receita de R$ 200 a 280 mil / container, com pagamento de prmio de 10% do valor de mercado. A expectativa, ainda de comercializao de mais 183 con-tainers ainda em 2011. Esta ao, bem

    como toda a preparao do grupo em anos anteriores, contou com o apoio do SEBRAE MG.

    J no Esprito Santo, o SEBRAE assiste o projeto Comercializao do Caf na Perspectiva da Agricultura Familiar e do Comrcio Justo propos-to pela Cooperativa dos Agricultores Familiares do Territrio do Capara COOFACI do Municpio de una. Em 2009, o programa promoveu a co-mercializao de 4.800 sacas de caf para a empresa Estatal Caf Venezuela, com o apoio do Ministrio do Desen-volvimento Agrrio (que tambm tem tratado do assunto, apoiando o agricul-tor familiar). Dessas sacas, 1920 sacas foram de caf cereja descascado no valor de U$ 200,00 ( duzentos dla-res ), enquanto o mercado local estava pagando de R$ 280,00 a R$ 290,00. As outras 2.880 sacas foram de caf Arbica Rio tipo 7, comercializadas no valor U$ 150,00 ( cento e cinqenta dlares ) por saca, enquanto o mercado local estava pagando de R$ 175,00 a R$ 180,00.

    A viso do SEBRAE fornecer a in-formao sobre os mercados, cabendo as cooperativas, associaes e produto-res de caf a tomada de deciso para

    O projeto Caf do Cerrado, com certificao Fair Trade para Estados Unidos e Europa um dos exemplos de sucesso.

    JUSTOCOMRCIO

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    MATRIA CAPA

    qual mercado acessar. No racional envidar esforos, e, sobretudo recursos (que via de regra so escassos) para obter uma certificao de comrcio justo se o mercado que se busca no conhece e muito menos remunera todo o esforo. Para o SEBRAE, no mer-cado interno, e, sobretudo nos merca-dos locais, ainda estamos num estgio bastante incipiente quando se fala em Fair Trade, comrcio justo e conceitos afins.

    Segundo o SEBRAE NACIONAL, uma vez que o produtor participar dos grupos, associaes ou cooperativas em regies onde existam projetos lo-cais com essa pauta e se houver de-manda de mercado, o mesmo poder auxiliar os grupos de produtores. O custo da certificao dever ser ana-lisado e verificado se vantajoso ou no para o produtor. Poder tambm, ser alvo de negociao entre produtor e comprador de comrcio justo. A idia de atendimento coletivo justamente dividir os investimentos entre os inte-ressados.

    Alguns estados nos sinalizaram que o programa tem trazido melhores resultados aos produtores familiares, com preos mais altos e mais estveis, pagos aos produtores, possibilitando o

    investimento em equipamentos para processamento do caf e em projetos sociais. SEBRAE NACIONAL

    De maneira geral, o objetivo do SE-BRAE mostrar aos agricultores fami-liares uma maneira de agregar valor ao seu produto levando em considerao o desenvolvimento econmico, social e ambiental.

    Transparncia,

    preo justo e

    responsabilidades

    O Comrcio Justo envolve gesto transparente e relaes que tratam, de forma justa e respeitosa, os parceiros comerciais. Um preo justo no contex-to regional ou local, acordado median-te dilogo e participao, cobrindo os custos de produo e permitindo uma produo socialmente justa e ecologi-camente segura, alm de proporcionar pagamento justo para os produtores e levar em considerao o princpio do pagamento igual para trabalho igual de homens e mulheres. Os agentes envolvidos garantem pagamento ime-diato para seus parceiros e, sempre que possvel, ajudam os produtores com o

    acesso a financiamento antes da produ-o ou da colheita.

    No Comrcio Justo um ambiente de trabalho seguro e saudvel para os produtores primordial, a participao de crianas na ajuda dos trabalhos no campo no deve afetar negativamente seu bem-estar e segurana, nem suas obrigaes educacionais e a necessi-dade de brincar, devendo haver con-sonncia com a conveno das Naes Unidas sobre os direitos da criana, bem como as leis e normas vigentes no contexto local, alm de estimular ativa-mente as melhores prticas ambientais e a aplicao de mtodos responsveis de produo.

    Como exemplo de um trabalho bem sucedido na cafeicultura podemos citar o trabalho da PRONOVA (Cooperativa dos Cafeicultores das Montanhas do Esprito Santo), que desde 1998 realiza um trabalho com seus cooperados de melhoria da qualidade do caf, estimu-lando a produo de cafs especiais. Esse trabalho, aliado participao e a premiao dos produtores nos con-cursos de qualidade de caf nacionais, fez com que a cooperativa, em 2005, buscasse uma certificao para os ca-fs, objetivando a produo de cafs ambientalmente corretos, socialmente

    JUSTOCOMRCIO

    O Comrcio Justo envolve gesto transparente e relaes que tratam, de forma justa e respeitosa, os parceiros comerciais.

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    MATRIA CAPA

    responsveis e economicamente vi-veis com um selo que mostrasse para os compradores (principalmente no mercado externo) que o caf produzi-do na regio de montanhas do Esprito Santo possui qualidade, aliada sus-tentabilidade. Foi nesse contexto que a cooperativa obteve o selo FAIR TRA-DE, uma das certificaes mais impor-tantes a nvel de agricultura familiar e reconhecida mundialmente.

    Segundo Jackeline Uliana Donna, gerente de Certificao da PRONO-VA, a certificao FAIRTRADE trou-xe uma melhor organizao da coope-rativa e das propriedades cooperadas, estimulou a realizao de treinamen-tos e capacitaes, trouxe importan-tes parcerias de projetos que s foram possveis pelo trabalho de produo de cafs de qualidade e sustentveis, possibilitou a abertura de novos mer-cados, alm de agregar valor aos cafs de qualidade.

    Hoje a PRONOVA possui em seu quadro social aproximadamente 229 agricultores de 13 municpios e j se consolidou como a principal interlo-cutora da cafeicultura da regio, re-alizando um constante trabalho de sensibilizao dos cafeicultores da necessidade de produzir o caf de for-

    ma sustentvel, ou seja, adotando pro-cessos eficientes e transparentes, com responsabilidade ambiental e social, no s na produo, mas tambm no processamento e comercializao des-ses gros, j que compradores e con-sumidores esto preocupados, alm da qualidade do caf que consomem, com um conjunto de fatores que envolvem a produo de um caf economicamente vivel, socialmente justo e ecologica-mente correto.

    Jackeline Uliana ressalta que em abril de 2011, durante a Feira da Asso-ciao Americana de Cafs Especiais (SCAA), realizada em Houston - EUA a PRONOVA foi destaque no stand do FAIRTRADE USA em um painel onde estavam os cinco projetos pre-miados no Concurso Cada Projeto Vale (promovido pela FAIR TRADE USA) que elegeu, em cinco categorias, os melhores Projetos desenvolvidos pelas cooperativas certificadas FAIR TRADE em nvel mundial. A PRONO-VA foi a nica cooperativa premiada no Brasil e a que se destacou na categoria QUALIDADE em nvel mundial.

    A gerente de certificao explica que ao investir na melhoria da qualidade do caf e na certificao, os pequenos produtores das regies das Montanhas

    do Esprito Santo ganharam destaque no cenrio da cafeicultura brasileira e mundial com benefcios que extrapo-lam os cafs certificados e beneficiam todo o agronegcio caf capixaba, a exemplo do que vem acontecendo em pases que hoje j oferecem cafs certi-ficados ao mercado mundial.

    O trabalho de certificao vale a pena e precisa ser realizado, visando no s agregao de valor para os ca-fs, mas sim todos os benefcios dire-tos e indiretos que a certificao pro-porciona! Jackeline Uliana.

    Diante do acima exposto, fica claro que o Comrcio Justo torna-se a cada dia mais uma excelente alternativa de desenvolvimento. Porm, necessrio que alguns pontos sejam considerados para fortalecimento desse movimento, como o aumento na distribuio e da disponibilidade, garantia da qualidade, divulgao das marcas, a conscienti-zao dos consumidores, a adoo e o apoio das grandes empresas. Vale ressaltar, porm que principalmente, a viso de futuro, a seriedade, o pro-fissionalismo e a habilidade de criar oportunidades do cafeicultor brasileiro so as ferramentas chaves para o fran-co desenvolvimento do Mercado Justo no nosso setor.

    JUSTOCOMRCIO

    O trabalho de certificao vale a pena e precisa ser realizado, visando no s agregao de valor para os cafs, mas sim todos os benefcios diretos e indiretos que a certificao proporciona!Jackeline Uliana.

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    COBERTURA

    23 FEIRA DECAFS ESPECIAISHOUSTON TEXAS

    2011Pela 1 vez em vinte e trs edies da exposio da SCAA, os cafs robustas tiveram o merecido reconhecimento. Com as aes de degustaes realizadas, o Conilon pde ser apreciado por degustadores de renome no cenrio de cafs especiais. A surpresa em relao ao sabor dos cafs era visvel, mostrando que o trabalho realizado no Esprito Santo est na direo correta.

    Texto: Equipe Conilon Brasil

  • Conilon Brasil 19

    COLHEITA

    A colheita do Conilon, safra 2010/2011, segue a pleno vapor. percep-tvel que o produtor est mais disposto e que est se dedicando cada vez mais melhoria da qualidade do Conilon brasileiro. Apesar desta constatao, podemos verificar em visitas s regies produtoras no ES, que temos muito melhorar para atingir a excelncia na produo de Conilon de qualidade, ou seja, para alcanarmos uma melhoria sistmica da qualidade do Conilon, dentro dos padres que o mercado de alto valor agregado exige.

    Um dos pontos mais claros do levantamento realizado pela equipe da Co-nilon Brasil, foi o incio da colheita antes das lavouras atingirem o ponto de maturao ideal. Encontramos com freqncia muitos produtores iniciando a colheita em reas com apenas 40% de gros maduros.

    O processo de secagem tambm precisa de melhorias. Apesar de saberem que no o ideal, alguns produtores continuam realizando a seca do caf em tempe-raturas inadequadas e com material combustvel imprprio para essa operao.

    Apesar desses pontos de melhoria, importante ressaltar que muitos produ-tores, que j aceitaram a necessidade de mudana e implementaram um novo sistema de colheita, secagem e armazenamento, j colhem os frutos desse tra-balho. A valorizao de cafs conilon de qualidade j se torna mais freqente. Constatamos a comercializao de cafs naturais, secados em terreiro de ci-mento, com gil de 15 a 20%. No caso de Conilon cereja descascado esse gil pode chegar a aproximadamente 30%.

    O Importante saber que estamos evoluindo no processo de melhoria de qualidade do Conilon e que o mercado j apresenta uma reao a essa mudana.

    Texto: Equipe Conilon Brasil

  • 20 Conilon Brasil

    CONILON TECH

    A agricultura brasileira vem avanando na busca de tecnologias e processos que minimizem danos ambientais e ofeream produtos seguros para a sa-de do consumidor final. A preservao e manuteno de inimigos naturais nos agroecossistemas so imprescindveis para o estabelecimento de um equi-lbrio, evitando efeitos indesejveis como seleo de populaes de inse-tos-praga resistentes aos defensivos, aparecimento de pragas secundrias e ressurgncia de pragas.

    Nessa linha, vem crescendo o nme-ro de pesquisas com produtos naturais, sendo a planta com atividade insetici-da, Azadirachta indica, conhecida co-mumente por nim, considerada uma das mais importantes em vrias partes do mundo. Durante os ltimos anos, 25 diferentes ingredientes ativos do nim foram descobertos e pelo menos nove afetam o crescimento ou comporta-mento dos insetos. Dentre eles, a aza-diractina o composto mais eficiente.

    O Nim (Azadirachta indica) uma rvore que pertence famlia Melia-ceae, nica no seu gnero botnico. O seu nome cientfico faz referncia sua

    origem, a ndia. Tambm conhecida como nim (portugus) ou amargosa, faz parte da mesma famlia que diversas espcies de rvores conhecidas, como o mogno, o cedro, a santa brbara, ou cinamomo, o cedrilho, a canjerana e a triqulia. originrio do Sudeste da sia e cultivado em diversos pases da sia, em todos os pases da frica, na Austrlia, Amrica do Sul e Central. O Nim usado h sculos na sia, principalmente na ndia, como planta medicinal. Tem diversos usos, em es-pecial anti-sptico, curativo ou verm-fugo; utilizado no preparo de sabes medicinais, cremes e pastas dentais. A rvore usada para sombra e possui madeira de qualidade para a produo de mveis, construo, batentes e por-tas, caixas e caixotes, lenha, carvo, etc. Seu uso como inseticida se tornou bem conhecido nos ltimos 30 anos, quando seu principal composto, a aza-diractina, foi isolado. A molcula da azadiractina muito complexa e ainda no pde ser sintetizada, assim, todos os produtos que contm azadiractina so produzidos por extrao da plan-ta ou de suas sementes. Os inseticidas naturais de nim so biodegradveis,

    portanto no deixam resduos txicos nem contaminam o ambiente. Possuem ao repelente, anti-alimentar, regula-dora de crescimento e inseticida, alm de acaricida, fungicida e nematicida. Por sua natureza, os extratos de nim so mundialmente aprovados para uso em cultivos orgnicos.

    A rvore de nim originria de clima tropical, se desenvolve bem em temperaturas acima de 20C, em solos bem drenados, no cidos e altitudes abaixo de 700 m. Nessas condies, pode iniciar a produo de frutos em cerca de dois anos, podendo atingir 10 kg de semente seca/planta, sendo que cada quilograma de sementes se-cas contm aproximadamente 3000 sementes. No Brasil, as primeiras in-trodues realizadas para pesquisa do nim como inseticida foram reali-zadas pelo IAPAR, em Londrina PR, em 1986 com sementes originrias das Filipinas. Em continuidade ao projeto, em 1989 e 1990, material oriundo da ndia, Nicargua e Repblica Domini-cana, foi plantado em Londrina, Para-nava PR (regio mais quente e areno-sa), Jaboticabal SP e Braslia DF, para avaliao de desenvolvimento.

    AZADIRACTINATexto: Equipe Conilon Brasil

  • Conilon Brasil 21

    CONILON TECH

    Nos anos noventa, principalmente nos ltimos cinco anos, as propriedades da planta se tornaram mais conhecidas no Pas, dando-se incio ao plantio de reas comerciais em So Paulo, Gois, Mato Grosso, Par e outros. Esses es-tados apresentam clima favorvel a seu cultivo, esperando-se, portanto, produ-es prximas ao obtido nos pases de origem. Em condies menos adequa-das, como as do Norte do Paran, com clima subtropical, as plantas se desen-volvem mais lentamente, iniciando a produo de frutos aps cerca de seis anos, atingindo a produo mxima de 3 a 4 kg de semente seca/planta aps 10 anos do plantio (dados obtidos no IAPAR).

    Modo de Ao

    A ao dos extratos de nim sobre insetos bastante varivel de espcie para espcie. H registro de ao sobre mais de 300 espcies. A maior parte das investigaes foi feita em laboratrio, sendo necessrios mais estudos para po-der se determinar com maior segurana quais as pragas pode controlar, as doses, freqncia de aplicao, etc.

    De modo geral a azadiractina afeta o desenvolvimento dos insetos de di-ferentes modos. Pela sua semelhana com o hormnio da ecdise (processo que possibilita ao inseto trocar o es-queleto externo e, assim poder cres-cer), perturba essa transformao e, em altas concentraes pode imped-la, causando a morte do inseto. Por essa razo, as formas jovens de insetos so mais fceis de controlar. No causa a morte do inseto imediatamente, dado o seu efeito fisiolgico, porm, alm de afetar a ecdise, reduz o consumo de alimento, retarda o desenvolvimen-to, repele os adultos e reduz a postura nas reas tratadas. Tambm tem maior ao por ingesto, de modo que os in-setos mastigadores so mais facilmen-te afetados.

    As espcies mais facilmente contro-ladas so as lagartas, pulges, cigarri-nhas, besouros mastigadores. Resulta-dos de pesquisa do IAPAR mostraram efeitos letais e deformidades em larvas e pupas de lagarta-do-cartucho do mi-lho, curuquer do algodoeiro, caros e bicho-mineiro, cochonilhas e reduo de postura em bicho-mineiro, broca-do-caf e mosca branca. Em testes com

    a joaninha, inimigo natural de pulges, extratos de nim no causaram morte dos adultos e sua ao sobre as larvas foi mediana para uma espcie e incua para outra, no reduzindo sua voraci-dade, o que comprova seu potencial para uso em associao com inimigos naturais contra as pragas.

    Preparo de Extratos

    Os extratos podem ser preparados com a simples triturao das sementes ou frutos frescos, em gua, deixando-se a mistura descansar por 12 horas e filtrando-se o lquido e pulverizando-se sobre as reas infestadas. O mesmo pro-cedimento pode ser usado para folhas frescas ou secas, embora a azadiractina a ocorra em menor concentrao.

    O leo inseticida extrado pela pren-sagem das sementes, obtendo-se no mximo 47% de leo, que contm cer-ca de 10% da azadiractina existente no fruto. A torta restante , pois, muito rica em azadiractina, tem efeito nematicida e serve como adubo orgnico. Pode, tambm, ser secada e utilizada poste-riormente para preparo de extratos inse-ticidas, em mistura com gua e filtrao.

    AZADIRACTINA

  • 22 Conilon Brasil

    CONILON TECH

    Para se armazenar sementes para preparar o extrato posteriormente, os frutos devem ser colhidos, secos ao sol por dois a trs dias, e mais uns dois dias sombra por dois dias e despol-pados manualmente em gua ou utili-zando-se despolpadeira de caf. Deixa secar bem e armazenar, de preferncia a baixa temperatura. As sementes que sero plantadas podem ser preparadas da mesma forma.

    Doses

    Devido aos bons resultados do uso do nim, j existem produtos indus-trializados e registrados no Ministrio da Agricultura para o uso como inseti-cida. As doses variam de acordo com a concentrao de cada produto e a origem do extrato.

    De modo geral, o leo emulsionvel de nim, a 5 ml/l de gua, pode con-trolar bem os insetos mastigadores, especialmente as lagartas, em vrias

    culturas. Extratos de sementes a 5 g/l de gua e folhas a 10g/l de gua tambm podem reduzir drasticamente a populao de lagartas. Outros in-setos, como os pulges e percevejos, que so sugadores, exigem doses um pouco mais altas, como 10 ml de leo emulsionvel/l de gua. Ainda so necessrios mais estudos para se de-terminar as doses exatas para controle das muitas espcies de pragas das la-vouras.

    Diversas pragas do cafeeiro, como o bicho-mineiro, a broca-do-caf, a co-chonilha branca, a mosca-das-frutas e o caro-da-leprose, mostraram-se sen-sveis ao do nim em laboratrio. A pulverizao do leo emulsionvel (dose acima de 1,25 ml/l de gua) ou de extratos de sementes (acima de 15 g/l de gua) ou de extratos de fol-has (acima de 40 g/l de gua) sobre folhas de caf reduziu cerca de 50% o nmero de ovos colocados pelo bicho-mineiro. O leo emulsionvel

    tambm causou mortalidade dos ovos depositados.

    O dano causado pela broca-do-caf tambm pode ser reduzido com a ao do nim. A pulverizao de leo emulsionvel a 10 ml/l de gua sobre os frutos reduziu o nmero de brocas vivas e de frutos brocados. A pulver-izao de extratos de frutos e folhas tambm causou reduo do nmero de frutos brocados. Extrato de frutos a 20 g e 40 g/l de gua causaram 40% e 70% de reduo. Extratos de folhas a 15 g/l de gua causaram 40% de reduo e a 150 g/l de gua, causaram 60% de reduo dos frutos brocados.

    Quando pulverizado sobre a co-chonilha branca, o leo emulsionvel de nim causou repelncia, inativa-o dos indivduos, com posterior mortalidade. Em conseqncia, re-duziu e atrasou o desenvolvimento de novas geraes. A concentrao de 4,5 ml/l de gua causou cerca de 95% de mortalidade.

    Broca-do-caf

  • elemento fundamental da vida

    ARTIGO

    Conilon Brasil 23

    A gua um recurso natural indispensvel sobrevi-vncia do homem e demais seres vivos do Planeta. Seus mltiplos usos so indispensveis para um grande nmero de atividades humanas, como o abasteci-mento pblico e industrial, a agricultura, a produo de energia eltrica e as atividades de lazer e recreao, bem como a preservao da vida aqutica. uma substncia fundamental para os ecossistemas da natureza, solvente universal e importante para a absoro de nutrientes do solo pelas plantas. Infelizmente, este recurso natural en-contra-se cada vez mais limitado e exaurido pelas aes impactantes do homem que degrada a sua qualidade e pre-judica os ecossistemas.

    Srios problemas de abastecimento em diversas regies do pas j so identificados e conhecidos. Organismos in-ternacionais alertam para o fato de que nos prximos 25 anos cerca de 2,8 bilhes de pessoas podero viver em regies com extrema falta de gua, inclusive para o pr-prio consumo. No entanto, no s a escassez de gua que preocupa, mas tambm a contaminao das guas dis-ponveis. A crescente expanso demogrfica e industrial observada nas ltimas dcadas trouxe como conseqncia o comprometimento das guas dos rios, lagos e reserva-trios.

    A poluio das guas gerada por efluentes domsticos, efluentes industriais e detritos da atividade urbana e agr-cola.

    A gua o elemento essencial e estratgico ao desenvol-vimento agrcola. O setor agrcola o maior consumidor

    de gua. A nvel mundial, a agricultura consome cerca de 69% de toda a gua derivada das fontes (rios, lagos e aq-feros subterrneos) e os outros 31% so consumidos pelas indstrias e uso domstico. No Brasil, quase metade da gua consumida destina-se a agricultura irrigada.

    As taxas de crescimento da produo agrcola mundial tm sido menores que os incrementos populacionais. Para uma produo sempre crescente de alimentos, a alternati-va est na produo agrcola sob irrigao, que tem pos-sibilitado um nmero maior de safras por ano, principal-mente em pases do hemisfrio sul.

    A nvel mundial, a expanso da rea agrcola sem irriga-o restrita, pela dificuldade de se encontrar reas que no apresentem riscos ambientais e at mesmo pela inexistncia de solos aptos. Para a agricultura irrigada, a expanso da rea no mundo torna-se mais difcil devido s restries de disponibilidade de recursos hdricos, s condies ambien-tais, s dificuldades econmicas e degradao dos solos.

    A incorporao e conseqente expanso de reas irri-gadas devem estar associadas ao aumento dos nveis de produtividade atuais, porm ateno especial deve ser dada s prticas apropriadas de irrigao, sem que estas resultem em danos ao sistema solo-planta. No mundo, 10 milhes de hectares de reas so abandonados anualmente por efeito da salinizao e processos decorrentes.

    A falta de informaes, completas e sistemticas, quanto qualidade da gua, poder conduzir ao uso de guas de qualida-de inadequada, com conseqentes efeitos deletrios nas proprie-dades fsico-qumicas dos solos e nos rendimentos das culturas.

    GUATexto: Tania Thomazini

  • 24 Conilon Brasil

    ARTIGO

    Salinidade ou alta concentrao total de saisA alta concentrao total de sais causa a salinizao do solo atra-

    vs da elevao do potencial osmtico e reduo do potencial h-drico, dificultando a absoro de gua pela planta podendo causar toxidez s plantas.

    Sodificao a elevada proporo da concentrao de sdio em relao de

    outros sais, principalmente clcio e magnsio, que acarreta proble-mas na estruturao do solo dificultando o processo de infiltrao da gua no solo, devido obstruo ou extino dos macroporos;

    A infiltrao do solo aumenta com o aumento da salinidade e reduz com o aumento da proporo relativa de sdio;

    Concentrao de bicarbonatosAltas concentraes de bicarbonatos promovem precipitao de

    clcio e magnsio, na forma de carbonatos, reduzindo a concen-trao de clcio e magnsio no solo;

    Pode elevar a proporo relativa de sdio, uma vez que a so-lubilidade do carbonato de sdio maior que a solubilidade dos carbonatos de clcio e magnsio, provocando problemas de infil-trao da gua no solo;

    A precipitao de carbonatos de clcio e magnsio pode ocorrer dentro das tubulaes, ocasionando obstruo (parcial ou total) das tubulaes e emissores.

    Presena de elementos txicosQuando em altas concentraes, os ons de boro, cloro e sdio

    podem ocasionar toxidez s culturas. Seu grau de dano depende da concentrao do elemento, da sensibilidade da cultura e da eva-potranspirao diria.

    Contaminao por agentes patognicos (vermino-ses. esquistosomose, etc.)

    Deve-se avaliar a possibilidade de ocorrer contaminao do irri-gante, da comunidade vizinha irrigao e dos consumidores dos produtos irrigados.

    A classificao de qualidade de gua mais usada a que avalia a qualidade da gua em funo da CE (salinidade) e RAS (So-dificao) entre outros parmetros. Este modelo classifica a gua em funo das restries que cada caracterstica discutida possa exercer na conduo adequada da agricultura irrigada.

    Perigo de salinizao: As guas so divididas em quatro clas-ses, segundo sua condutividade eltrica (CE), ou seja, em funo de sua concentrao total de sais solveis.

    C1 - gua com salinidade baixa Pode ser usada para irrigao da maioria das culturas e na maioria

    dos solos, com pouca probabilidade de ocasionar salinidade. Alguma lixiviao necessria, mas isso ocorre nas prticas normais de irri-gao, exceo dos solos com permeabilidade extremamente baixa.

    C2 - gua com salinidade mdia.Pode ser usada sempre que houver um grau moderado de lixivia-

    o.Plantas com moderada tolerncia aos sais podem ser cultivadas, na maioria dos casos, sem prticas especiais de controle da salinidade.

    C3 - gua com salinidade alta.No pode ser usada em solos com deficincia de drenagem. Mes-

    mo nos solos com drenagem adequada, pode-se necessitar de prticas especiais para o controle da salinidade. Pode ser usada somente para irrigao de plantas com boa tolerncia aos sais.

    Perigo de alcalinizao ou sodificao: As guas so di-vididas em quatro classes, segundo sua razo de adsoro de sdio (RAS), ou seja, em funo do efeito do sdio trocvel, nas condies fsicas do solo:

    S1 - gua com baixa concentrao de sdioPode ser usada para irrigao, em quase todos os solos, com pequena

    possibilidade de alcanar nveis perigosos de sdio trocvel. S2 - gua com concentrao mdia de sdioS pode ser usada em solos de textura grossa ou em solos orgnicos

    com boa permeabilidade. Ela apresenta um perigo de sodificao consi-dervel, em solos de textura fina, com alta capacidade de troca catinica,

    especialmente sob baixa condio de lixiviao, a menos que haja gesso no solo.

    S3 - gua com alta concentrao de sdioPode produzir nveis malficos de sdio trocvel, na maioria dos so-

    los, e requer prticas especiais de manejo do solo, boa drenagem, alta lixiviao e adio de matria orgnica. Nos solos que tm muito gesso, ela pode no desenvolver nveis malficos de sdio trocvel. Pode reque-rer o uso de corretivos qumicos para substituir o sdio trocvel, exceto no caso de apresentar salinidade muito alta, quando o uso de corretivos no seria vivel.

    S4 - gua com muito alta concentrao de sdio geralmente imprpria para irrigao, exceto quando sua salinida-

    de for baixa ou, em alguns casos, mdia, e a concentrao de clcio

    Os principais problemas vinculados qualidade da gua de irrigao so:

    Classificao da gua de irrigao

  • ARTIGO

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    do solo ou o uso de gesso ou outros corretivos tornarem o uso desta gua vivel.

    Algumas vezes, a gua de irrigao pode dissolver suficiente quanti-dade de clcio de solos calcrio, diminuindo, assim, apreciavelmente, o perigo de solidificao. Isso deve ser levado em conta, no uso de guas

    C1-S3 e C1-S4. Para solos calcrios com pH alto, ou para solos no-calcrios, o nvel de sdio nas guas das classes C1-S3, C1-S4 pode ser melhorado com a adio de gesso. Tambm poder ser benfico, quando

    se usarem guas das classes C2-S3 e C3-S2, adicionando, periodicamen-te, gesso ao solo.

    Efeito da concentrao de boro: O boro um elemento es-sencial para o crescimento dos vegetais, mas a quantidade re-querida muito pequena. Porm, em concentraes um pouco maiores, torna-se muito txico para alguns vegetais. O nvel de concentrao que o torna txico varia de acordo com a esp-cie de vegetal. O nvel que txico para uma planta sensvel, por exemplo, limo, pode ser o ideal para uma planta tolerante, como, por exemplo a alfafa. Em razo dessa variao de esp-cie para espcie, a gua para irrigao tem de ser classificada em classes distintas, segundo a sensibilidade da cultura a ser irrigada.

    Efeito da concentrao de bicarbonato: guas que con-tm concentraes elevadas de ons de bicarbonato, h tendn-cia para a precipitao do clcio e do magnsio, sob a forma de carbonatos, reduzindo, ento, a concentrao de clcio e mag-nsio na soluo do solo e, conseqentemente, aumentando a proporo de sdio.

    A classificao da gua para irrigao pode ser feita em fun-o do conceito de Carbonato de Sdio Residual (CSR):

    CSR = (CO3 + HCO3) (Ca++ + Mg++)I - guas com CSR superior a 2,5 miliequivalentes por litro no

    so recomendadas para irrigao.II - guas que contenham CSR entre 1.25 e 2.5 miliequivalen-

    tes por litro so duvidosas para irrigao.III - guas que contenham CSR inferior a 1,25 miliequivalen-

    tes por litro so normalmente apropriadas para irrigao.

    Acredita-se que com bom manejo da irrigao, no que diz respeito drenagem e lixiviao, e com uso apropriado de corretivos, possvel usar, com sucesso, na irrigao, algumas das guas classificadas com duvidosas.

    importante ressaltar que guas com carbonatos em exces-so, podem trazer srios prejuzos, principalmente quando se usa agricultura com irrigao localizada, j que o excesso de carbonatos provoca encrostamento nos equipamentos de irriga-o, e conseqentemente causa entupimentos nas tubulaes.

    A gua de irrigao quando salina traz dois tipos de proble-mas: (a) o direto, que a deposio de sais via irrigao no

    solo, onde ficam acumulados, com a evaporao da gua e/ou consumo pelas plantas; (b) o indireto, acarretado pela reduo da disponibilidade de gua para as plantas, em decorrncia do incremento no potencial osmtico de modo a afetar a produti-vidade das culturas.

    guas salinas levam para o solo grande quantidade de sais via irrigao, esses sais conseqentemente se acumulam na zona radicular das plantas, e os seus teores aumentam a cada irrigao; aps uma irrigao o teor de sais prximo a super-fcie do solo aproximadamente igual ao da gua de irrigao e vai aumentando com a profundidade, pois os sais se concen-tram ali para serem levados para camadas mais profundas com as prximas irrigaes e posteriormente lixiviados a maiores profundidades. Devido a isso que existe a necessidade de se aplicar uma quantidade de gua maior que a consumida pelas plantas, principalmente no perodo vegetativo, para que esse excesso de gua possa carrear os sais a profundidades fora do alcance do sistema radicular, no afetando assim as culturas.

    Deve-se lembrar ainda que os problemas de toxicidade, no geral, complicam e complementam os problemas de salinidade e permeabilidade, pois o acmulo dos ons em concentraes txicas demora certo tempo e os sintomas visuais dos danos desenvolvem-se muito lentamente para serem notados, e o sur-gimento de tal problema depender do tempo, da concentrao, da tolerncia da cultura e do volume de gua transpirada.

    Os ons cloreto presentes na gua de irrigao provocam com maior freqncia toxicidade nas culturas, esses ons no so adsorvidos pelas partculas do solo, porm, por serem muito mveis, so facilmente absorvidos pelas razes das plantas e translocados at as folhas, onde se acumulam devido transpi-rao, sendo este problema mais intenso nas regies de climas mais quentes, onde as condies ambientais favorecem uma alta transpirao. O tipo de irrigao a ser utilizado tambm apresenta maior ou menor intensidade de absoro do cloreto, ou seja, quando da utilizao do mtodo de irrigao por as-perso a toxicidade mais rpida, pois a absoro realizada diretamente pelas folhas. Essa absoro pode ser afetada pela qualidade da gua que est sendo usada na irrigao e tambm pela capacidade da planta em excluir o seu contedo no solo, o qual se controla com a lixiviao.

    Por fim, o pH normal para gua de irrigao situa-se entre 6,5 e 8,4. As guas com pH anormal podem criar desequilbrios de nutrio ou conter ons txicos. As mudanas provocadas por pH anormal da gua de irrigao no solo so lentas, e quando isso ocorre, ao invs de se corrigir o pH da gua, por no ser prtico, faz-se a correo do solo.

    Para saber se a gua adequada para ser usada na irrigao, o agricultor deve realizar a anlise da gua e submeter o re-sultado ao estudo de um profissional que ir orient-lo quanto ao manejo adequado da irrigao.

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    ESPAO gourmet

    Ana ArgentaConsultora em cafs

    O negcio do caf um segmento fascinante, rico em histria e impactante em termos econmicos. Globalmente, o caf movimenta um volume de mais de 70 bilhes de dlares anualmente, traduzindo-se na segunda maior commodity mundial, atrs apenas do petrleo.

    Num cenrio frentico e competitivo em que o caf est inserido, surgem empreendedores dispostos a criar opera-es inovadoras no comrcio da bebida caf, confiantes em prosperar financeiramente, e determinados em materializar a idia. Contudo, por falta de conhecimento sobre o produto principal que iro operar e do segmento em que iro atuar, e por no considerarem a elaborao de um bom planejamento para o novo negcio, correm srios riscos de entrar na estats-tica das empresas que no sobrevivem.

    Muitos empreendedores, preferem iniciar um negcio pela execuo, e no dedicam tempo para o planejamento. Ob-servando isso em muitas das consultas que recebo de futu-ros empreendedores da rea, decidi orient-los com fatores que considero chave para iniciar um negcio de sucesso em cafeteria. Sem a pretenso de cobrir todos os detalhes que impactam no projeto do novo negcio, descrevo abaixo estes fatores.

    ConhecimentoAcima de qualquer aspecto, buscar conhecimento a respei-

    to do produto e segmento em que o empreendedor ir atuar, pr-requisito para avanar nas prximas etapas. Ao conhecer sobre o assunto, possvel responder a uma simples questo: este o produto e o segmento com o qual realmente preten-do empreender?. A fonte de conhecimento est em toda a parte, o importante selecionar a informao que incremente seu conhecimento e fornea uma viso real da operao di-

    ria com caf, pois a partir desta viso o empreendedor ter mais segurana para seguir adiante, ou optar por outro cami-nho. Desta forma, recomendo dedicar um bom tempo para estudar sobre o assunto, e como dica, listo as seguintes ativi-dades: adquirir livros especficos sobre conhecimento geral em caf, desde livros sobre a histria do caf no Brasil e no mundo, at guias completos na rea; contato com associaes que possam fornecer estatsticas, pesquisas, projetos e dados sobre a rea, e, claro, a Internet como fonte inesgotvel de in-formao. Construindo este conhecimento, recomendo reali-zar diferentes cursos na rea, iniciando pelo curso de barista, participar de palestras, workshop e seminrios, visitar feiras, congressos e eventos, alm de visitas a fazendas produtoras de caf em diferentes regies do Brasil. Acrescento ainda; visitar cafeterias em diferentes locais e observar pontos for-tes e fracos de cada local, reunir-se com pessoas da rea, e, se possvel, realizar um estgio ou mesmo trabalhar em uma cafeteria antes de iniciar o seu prprio negcio. E muito im-portante: realizar estas atividades constantemente!!

    Plano de negcios Seguro para atuar na rea, momento de criar um Plano de

    Negcios, ou o famoso Business Plan. fundamental que o empreendedor dedique um tempo para a concepo do pla-no de negcios, pois ele que d a direo de onde, quando e como voc quer chegar com o seu negcio, e melhor prepara-do para lidar com as situaes da rotina diria. E por que to importante este plano? De maneira geral, o plano de negcios consiste em uma ferramenta que ajuda a visualizar qual o ta-manho, as oportunidades e as ameaas do seu mercado, qual o perfil e necessidade do seu pblico-alvo, os pontos fortes e fracos da sua concorrncia. Alm disso, o plano ir ajudar a definir quais os servios e produtos que voc ir oferecer ao seu cliente, qual a sua estratgia de comunicao para atrair

    Iniciando um negcio de sucesso em cafeteria

    ESPAO gourmet

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    estes clientes, e como ser a operao e logstica diria para ter qualidade nos produtos e servios oferecidos. E claro, o plano ir forar a pensar na viabilidade econmica do neg-cio, visualizando o investimento inicial, o capital de giro, o retorno deste investimento, os custos mensais, a previso de vendas, a lucratividade e rentabilidade do negcio, entre ou-tros aspectos da anlise financeira. Finalmente, preparar um plano de negcios, ir ajudar a ter motivao e inspirao para executar o seu to sonhado negcio!

    Revisado seu plano de negcios, momento de execut-lo, e na fase de execuo tambm possvel complementar informaes faltantes do plano. Portanto, revise e altere seu plano sempre que necessrio.

    IdentidadeUma das etapas previstas a criao da identidade, ou seja,

    a cara da sua empresa, a sua logomarca. Alguns autores di-zem que a logomarca deveria ser criada antes do plano, pois ela o seu mais duradouro ativo dentro da empresa. O im-portante escolher uma empresa de branding & design, que, preferencialmente, conhea sobre o segmento, compreenda o posicionamento e atuao da empresa, definindo a postura e abordagem da marca, tornando a identidade clara, objetiva e concisa. Tambm dever ser facilmente aplicada em toda a imagem da loja e papelaria da empresa, envolvendo: car-dpios, uniformes, louas, merchandising interno, folders, expositores, sinalizao, etc. E no esquea; produza um ma-terial de qualidade!!

    Ponto idealA busca incansvel do ponto ideal, um dos aspectos mais

    importantes, seno o mais importante do negcio. Mas afi-nal, qual o melhor ponto? A melhor localizao depende do conceito, misso, foco, pblico-alvo, dentre outros aspec-

    tos do negcio. Neste etapa, o empreendedor j dever saber o modelo de cafeteria que planeja abrir; em rua, shopping, quiosque, drive-thru, etc. A partir desta definio, contacte uma consultoria imobiliria para apoiar no processo, procure fazer uma pesquisa de mercado consistente, pesquise tam-bm em rgos da cidade sobre o nmero de escolas, praas, supermercados, etc na regio, e como a movimentao das pessoas entre os bairros. Quando encontrar o ponto adequa-do certifique-se da existncia de estacionamento prximo ou no prprio local, avalie tambm o estado do imvel, pois ser impactante na definio do investimento em reformas e construo. Em caso de locao fundamental negociar uma carncia enquanto faz a reforma, e definir o tempo de locao do imvel. Pretendendo abrir um caf dentro de um shopping center, estar atento aos custos de locao e operacionais, e a jornada de trabalho maior, implicando em maior custo com mo-de-obra.

    AmbienteDeterminado o ponto, momento de definir como ser o

    ambiente, por isso nesta etapa importante ter o apoio de profissional especializado que ir elaborar o projeto arquite-tnico do local. Certamente o arquiteto ir contemplar todos os itens para o bom funcionamento da cafeteria, e, para co-nhecimento, cito alguns que devem ser considerados: esta-cionamento, sadas de emergncia, banheiros para deficien-tes, ventilao, ar-condicionado (quente e frio, dependendo da regio), um timo projeto de iluminao, rampas, etc. Normalmente, uma cafeteria dividida em duas sees: fren-te da loja, onde esto os clientes e fundo da loja, onde esto os funcionrios. A frente da loja o que define o ambiente e a identidade da cafeteria; os mveis, a decorao, a ilumina-o, o tipo de cho, as cores, a msica ambiente. Este con-junto influencia na percepo do cliente sobre a experincia

    Qual o melhor ponto? A melhor localizao? A busca incansvel do ponto ideal um dos aspectos mais importantes, seno o mais importante do negcio.

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    ESPAO gourmet

    positiva ou negativa do local. Na rea de trabalho funda-mental definir um espao que proporcione uma operao efi-ciente para que a equipe trabalhe de forma sincronizada ga-rantindo agilidade, eficcia e qualidade no atendimento. Faa um bom projeto de iluminao, sem correr o risco de criar ambientes muito escuros ou muito iluminados, a utilizao de luz natural sempre bem-vinda. Crie um ambiente que te-nha boa sinalizao, preocupe-se em orientar o cliente como funciona a logstica da loja, identifique seus produtos, expli-que, informe preos. E muito importante, use seu ambiente com bom senso para educar o cliente sobre o mundo do caf.

    O projeto da cafeteria comea a tomar forma e, novas eta-pas so necessrias para uma implantao bem sucedida.

    Mquinas, equipamentos...A escolha correta de mquinas, equipamentos e utenslios,

    traduz-se em funcionamento estvel no dia-a-dia da cafeteria. Pesquisar fornecedores e observar aspectos como: proposta comercial, assistncia tcnica, localizao, reposio de pe-as e horrios de atendimento, e, se possvel, ouvir depoi-mentos de clientes sobre o fornecedor. Cada mquina tem caracterstica prpria, conversar com especialistas da rea uma tima dica para ter sucesso na escolha. Em relao a equipamentos e utenslios, estes precisam ser bem dimensio-nados para no correr o risco de excesso ou falta. Na hora de escolher, pesquisar em lojas de fbrica, a fim de obter custos menores, buscar lojas especializadas na rea de alimentos e bebidas, e, especialmente, verificar a respeito dos utenslios principais do barista que muitas vezes no so encontrados facilmente no mercado local.

    Cardpio, cafs e serviosA definio do cardpio, caf e servios deve ser realiza-

    da de forma responsvel e criteriosa. O cardpio dever ser personalizado, criado em harmonia com o conceito da loja, ambiente, perfil do cliente e a cultura local. Deve estar sus-tentado por trs pilares; operacional, gastronmico e econ-mico. Para a escolha do caf, importante pesquisar muito sobre as opes disponveis, visitar fazendas produtoras, de-gustar cada caf avaliando-os criteriosamente, considerar as certificaes que o caf possui e, como sugesto, criar uma planilha comparativa dos cafs selecionados com a inteno de compar-los e facilitar a deciso na escolha. E, sempre, agregar valor aos produtos comercializados, criando servios diferenciados, trabalhando no ps-venda, e no atendimento especializado ao cliente.

    Contratao e treinamento A principal dor de empresrios atualmente a mo-de-

    obra, por isso a contratao e treinamento da equipe, deve ser

    realizada de forma obstinada. Escolha as pessoas que mais se identificam com o foco da sua cafeteria, faa entrevistas para conhecer os profissionais ou mesmo contrate empresas que assessoram na contratao de pessoas. O profissional deve ter um nvel de escolaridade adequado com a sua clientela para que possa prestar um bom atendimento, escolha pessoas pr-ativas, dinmicas e com vontade de aprender sempre. O treinamento operacional deve ser constante, oferecer cursos na rea para a equipe ou contratar uma consultoria especia-lizada que possa prestar este servio exclusivamente para a loja, imprescindivel para iniciar a operao. A presena dos proprietrios no treinamento fundamental para dar suporte e supervisionar o trabalho dirio da equipe. Estabelecer me-tas para cada membro da equipe e recompens-los quando atingirem ou superarem estas metas, faz com que a equipe sinta-se motivada no dia-a-dia da cafeteria. Crie um ambiente saudvel para trabalhar e esteja sempre presente!!

    Marketing e propagandaMas o novo negcio s ter sentido, se comunicado ao seu

    pblico, e para isso necessrio executar o plano de marke-ting e propaganda definido no plano de negcios. O que mui-tas vezes acontece que os empreendedores elaboram um plano de negcios, mas no executam importantes tpicos planejados, pois no fazem a reserva de oramento para tal.

    Portanto, aqui fao um alerta; defina e reserve o oramento que ser utilizado para marketing e propaganda. Divulgue a sua marca, o seu diferencial comparado ao da concorrncia, e informe de maneira clara onde voc est localizado. Utilize de forma intensa a Internet para divulgao, crie o website da empresa, utilize o email marketing para divulgar produtos e servios, inclua comentrios em blogs relacionados ao seu produto, planeje um site de ecommerce (loja virtual), e tam-bm utilize a midia convencional. Enfim, h fortes aliados para se tornar conhecido, mas seja claro e consistente ao re-passar a imagem da sua empresa para o pblico-alvo.

    Para empreender, portanto, necessrio estudar arduamen-te o segmento, ser perseverante, ter boa dose de criatividade, planejar os invetimentos e jamais desanimar. Empreender um desafio e sempre haver um risco, mas se estes riscos esti-verem sob controle a chance de tomar decises assertivas a respeito do negcio e ter sucesso, torna-se consequentemente maior.

    Ana Argenta formada em Tecnologia da Informao, ps-graduada em Marketing e Gesto de Negcios, e MBA pela Business School So Paulo e Rotman School of Management, University of Toronto. Fruto da formao acadmica, em 2005 criou a Argenta Consultoria em Cafs uma empresa focada em consultoria de negcios para o segmento premium de empresas que atuam no comrcio de cafs.Mais informaes: 55 41 9800 9898 - www.argentacafes.com