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    crescendo como pessoa. Amadurecemos juntos.. .a forma de ver a realidade que

    vivemos mudou para mim ao longo desses anos. (CASTRO, Daniela. Fala, garoto.

    Jornal Correio da Bahia, Salvador, 19 agost, 2007. Folha da Bahia, p.1.)

    Mas se por um lado a companhia instiga os seus intrpretes a se posicionarem em

    relao aos temas abordados nos seus espetculos, existem algumas questes

    relacionadas aos textos criados pela Novos Novos que suscitam discusses. Haveria

    uma faixa etria para a assistncia aos espetculos, j que cada criana v, aprende e

    percebe de maneira diferenciada? Seria aquele tema escolhido para Alices e Camalees

    pertinente ao universo infantil? Ficaria a criana (tanto os atores-aprendizes quanto o

    pblico) satisfeita com a abordagem daquela temtica? Faz parte de seu mundo de

    preocupaes? O fato que ainda h a idia de que para as crianas s alguns temas

    devem ser trabalhados, e essa forma de se entender a apresentao do mundo s novas

    geraes, em contraponto com o apresentado em Alices e Camalees, gerou repercusso

    na mdia.

    ....optar por temas to complexos corajoso, mas tambm tem seus riscos. Ficaa dvida para que faixa etria o espetculo est direcionado. Talvez para opblico juvenil, capaz de entender melhor as metforas e as muitas associaesdo espetculo. difcil para os pequenos captar certas referncias ditaduramilitar ou mesmo a idia que serve como ponto de partida para a pea,emprestada de Alice no Pas das Maravilhas. Para eles h bons elementosldicos: a trilha sonora executada por uma banda ao vivo e o figurino dopequeno Pedro Trindade... (PEREIRA, Ana Cristina. Sem medo de serpolitizado. Jornal Correio da Bahia, Salvador, 26 nov., 2004. Folha da Bahia,p.2.)

    Em suma, o texto Alices e Camalees tinha como desafio criar um ambiente favorvel

    onde se desse o encontro e o confronto entre diversidades representadas pelo contedo

    do texto e a necessidade de ludicidade existente em trabalhos direcionados criana.

    Tarefa nada fcil tratar da represso, do autoritarismo e da tirania com a

    responsabilidade e a leveza necessrias em um trabalho para crianas. quela poca, o

    caminho encontrado foi construir este texto dentro de um vis colaborativo, com uma

    constante abertura para as opinies dos artistas-colaboradores e tambm dos atores-

    aprendizes. S assim, nos ensaios, poderamos perceber at que ponto uma cena, uma

    fala, estaria dentro do contexto do universo infantil. E assim foi feito.

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    Em contrapartida, em 2007 a Companhi a Novos Novos opta pela montagem de um

    texto no indito, no caso Ciranda do medo. Este espetculo percorreu caminho oposto

    ao das experincias anteriores do grupo residente do Teatro Vila Ve lha, pois a autora do

    texto, Sonia Robatto j havia publicado a histria em livro, lanado junto a um

    compacto de vinil, em 1981. Em 2005, Sonia convidou a companhia a lev-lo ao palco.

    Essa proposta demorou dois anos para ser concretizada, j que o grupo encontrava-se

    centrado na realizao do seu primeiro espetculo juvenil, Diferentes iguais (2006),

    composto por elenco de adolescentes, e em Ciranda do medo havia a necessidade de se

    ter crianas no elenco, para a composio das cenas. Ento, assim que foi retomado o

    projeto Ciranda do medo, abrimos vagas para que outras crianas entrassem no elenco

    da Novos Novos.

    Em janeiro de 2007, durante a oficina de teatro para crianas ministrada por mim e

    integrantes da Novos Novos, 80 participantes lotaram a sala-de-aula do Teatro Vila

    Velha. Esses alunos tinham idades entre 5 e 12 anos, a maioria entre 5 e 8 anos, e aquela

    oficina sinalizava o incio da caminhada do texto de Sonia Robatto para o tablado. Mas

    como seria criar um espetculo a partir de uma histria j formatada, com personagens e

    situaes j (pr)existentes? Talvez at, pensaram alguns da equipe, estivssemos

    prestes a ingressar em um processo mais rpido e fcil, uma vez que a histria j existia

    e cabia encenadora apenas adapt-la.

    Em maro de 2007 iniciou-se o processo de ensaios de Ciranda do medo. O primeiro

    passo foi incorporar 11 crianas da oficina de teatro ao elenco da companhia, na funo

    de estagirios, perfazendo um total de 40 pessoas no elenco do grupo. Os passos

    seguintes conduziriam composio de personagens e de cenas. Outro fato novo nesta

    encenao era o tempo que tnhamos para a realizao da montagem. Seriam trs meses,

    pois o projeto contava com o patrocnio da FUNARTE - Fundo Nacional das Artes,

    atravs do Prmio Miryam Muniz de Teatro, com pauta marcada para estria do

    espetculo em junho. As experincias anteriores dos quatro textos at ento encenados

    pela Companhia Novos Novos tiveram perodos de criao e ensaios maiores, variando,

    cada uma das montagens, entre 6 e 9 meses. Mas o desafio foi aceito, pois existia a

    crena de que o processo de criao seria mais rpido.

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    Muitas leituras do texto foram realizadas junto ao o elenco. A estratgia adotada

    privilegiava a atividade em grupo, pois no poucos dos novos integrantes, ainda

    pequeninos, no sabiam ler. Naquele instante, buscava-se a opinio deles sobre o tema

    abordado pelo texto e, atravs de desenhos e depoimentos, eles esboavam seus

    sentimentos. Resolvi produzir uma atividade, construindo desenhos em cartazes. Neles,

    cada criana expunha o que havia percebido de importante na histria e depois

    explicava suas impresses e seu respectivo desenho aos colegas. Seguem algumas frases

    retiradas dessas apresentaes.

    s vezes o medo parece ser do tamanho de um elefante, mas se agente reparar bem, ele dotamanho de um ratinho. (Joo Victor, 16 anos)

    Os produtos contra o medo s aumentam o medo. (Lucas Carvalho, 15 anos)

    O medo um escuro por dentro. (Joana Trindade, 11 anos)

    H vrias faces para o medo. (Uiliames Souza, 12 anos)

    Medo de enfrentar o medo. (Larissa Librio, 11 anos)

    Os dois lados do medo: dia e noite. (Maiara Santos, 11 anos)

    Medo do desconhecido. (Tom Costa, 9 anos)

    No tem hora pra ter medo. (Gabriel Arthur, 6 anos)

    Todo mundo quer se livrar do medo. (Jorge da Silva, 13 anos)

    Existem diversas possibilidades de medo; cada um com seu medo. (Thierry Gomes, 17 anos)

    De posse desse material, propus ao el enco a construo de um grande painel,

    ilustrando desenhos e frases. O resultado foi um trabalho em cores claras e desenhos

    ricos em ludicidade, apesar do tema, primeira vista, ser sombrio. Atravs dessas

    atividades definiu-se que a leveza sobressairia na concepo de cenrio e figurino de

    Ciranda do medo. Apenas dois personagens estariam na contra-mo dessa concepo: o

    Medo e o Dono do Medo.

    A primeira coisa que pensei sobre o figurino de Ciranda do medo foi que noqueria nada parecido com os bichinhos da propaganda da Parmalat e que noseria um figurino com cores escuras. Conversei com Dbora, encenadora dapea, e ela tambm no gostaria que nada fosse dessa forma. Fui pensando:Como as crianas representariam os bichos da ciranda sem estarem vestidas debichos? Durante o processo de montagem e conversando com Dbora, a

  • Foto: Marcio Lima / Espetculo Ciranda do medo, 2007. Elenco da Companhia Novos Novos

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    mesma me disse uma frase que para mim foi bsica: So crianas brincandode bichos, pronto!. Da surgiu idia. Os acessrios, como chapus comratos, lobos, elefantes, orelhas de cachorro, etc, as roupas situadas emdiferentes pocas, no muito distantes da nossa, dcadas de 40, 50, 60, 70 e 80,solucionaram a questo. No poderia perder de vista que o medo faz parte davida humana. Comea a a minha luta para tentar convencer a autora do textode que o figurino poderia ser da forma que eu estava pensando e que a diretoraestava concordando. Sonia Robatto, autora, j tinha uma idia pr-concebidade como seria o figurino da pea quando convidou a Novos Novos para montaro espetculo, e a idia inicial de Snia fugia um pouco da maneira comovnhamos trabalhando nos espetculos anteriores... (Marsia Motta, artista-colaboradora da Companhia Novos Novos,.figurinista e cengrafa)

    Mais uma vez percebe-se, agora nesta anlise, que cada processo criativo da

    Companhia Novos Novos trs em si caractersticas prprias. Se j se tinha o texto, e

    consequentemente seus personagens e situaes estavam determinadas, porque o ncleo

    de atores estava querendo investigar a caracterizao dessas personagens e definio do

    espao? Seriam resqucios dos processos anteriores de colaborao coletiva? Foi a partir

    desse tipo de questionamento que o texto Ciranda do medo comeou a ser instrumento

    de pesquisa, e assim foi lido, relido, desenhado, refletido, comentado.

    No decorrer das improvisaes das cenas alguns atores-aprendizes demonstravam

    insatisfao com o contedo do texto original, sinalizando que a histria precisava ser

    (re)formatada pela Companhia Novos Novos para que o espetculo trouxesse as

    caractersticas desse grupo. Se no texto original a histria girava em torno do

    personagem Medo, nas improvisaes o Dono do Medo era quem dominava a cena. Nas

    prticas anteriores j se tinha descoberto que uma montagem com crianas s funciona

    quando elas possuem propriedade de todo o contexto. Ento, como encenadora, resolvi

    criar algumas novas cenas e inverter a ordem do texto, dando destaque ao Dono do

    Medo, conforme se percebe na exposio das duas passagens abaixo: primeiro, o texto

    original; em seguida, o encenado:

    A ciranda do medo / Texto original / In cio da histria

    Narrador - Era uma vez um rato.

    Era muito medroso!

    No saa de casa.

    Tinha um medo sem fim!

    Rato - O gato to perigoso!

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    Narrador - E o medo do rato inventava

    mil gatos, de todas as cores,

    brancos, pretos, amarelados.

    Gatos mal-assombrados,

    cheios de dentes, de unhas, de olhos

    Cheios de pulos-de-gatos!

    Narrador - Era uma vez um gato.

    Era muito medroso!

    No saa de casa.

    Tinha um medo sem fim!

    Gato - O cachorro to perigoso!

    Narrador - E o medo do gato inventava

    montes e montes de cachorros,

    magros, gordos, peludos, fofos,

    todos muito fortes e bravos,

    que latiam, uivavam!

    Narrador - Era uma vez um cachorro...

    A proposta do texto original era dar conti nuidade histria, apresentando toda a cadeia

    de animais envolvidos na ciranda. Essa se inicia com o rato, que treme de medo do gato,

    que tem medo do cachorro, que teme o lobo, que tem medo do leo, que teme o homem,

    que morre de medo do elefante, que tem medo do rato. A presena do Medo e do Dono

    do Medo s se d no meio da histria. Ou seja, o foco do texto original o

    desenvolvimento da ciranda. Mas nas improvisaes propostas ao elenco a ordem foi

    mudada e esse medo do outro nascia da influncia do Dono do Medo, conforme se

    percebe no texto abaixo, levado cena:

    Ciranda do medo / Texto encenado / Incio da histria

    Abertura Msica instrumental, tema do Dono do Medo. (Entra o Dono do Medo e sua

    ajudante. Comeam a expor suas mercadorias)

    Dono do Medo Pode pegar e examinar, melhor artigo do que este no h.

    Remdios contra medo de ratos, gatos, cachorros, lobos, lees, homens, elefantes. s usar este

    spray, pomada ou espalhar este p pelo lugar e nenhum ser vivo vai ousar pintar... E todos

    muito baratos!!!

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    Ajudante Ba-ra-ts-si-mos!!!

    (Instrumental Msica-Tema do Dono do Medo)

    Dono do Medo Pague em suaves prestaes mensais. Sem juros, nem correo monetria.

    Promoo especial. quase de graa. No perca !!!

    Ajudante No perca !!!!!!

    Narrador Criana Eu acho que j vi este homem num programa de televiso.

    Narrador Adolescente ele mesmo! O danado enriqueceu fcil. Logo, logo tinha uma loja,

    com sees para todos os medos, vendendo sprays, pomadas e caixinhas com pozinhos para

    espantar o medo de tudo que existe. No brincadeira no!!

    Dono do Medo Senhoras e senhores, ateno!!! Este o famoso p de porlopop!! um p

    mgico, capaz de tirar todos os medos dos medrosos, perna tremendo, choror, espirro, soluo,

    corao disparado...

    Criana 1 Ele inventou at um medo que eu no conhecia: Medo do Bicho-Papo!!!

    Criana 2 Que papava tudo que via!!!

    Criana 3 Que se escondia debaixo da cama das criancinhas!!

    Criana 4 Medo inventado por ele mesmo. E ps at um anncio na televiso.

    Dono do Medo Seja um homem do seu tempo. Pape o Bicho-Papo! Com as Armadilhas

    Furaco voc ficar livre para sempre do Bicho-Papo! Em suaves prestaes!!!

    Narrador Adolescente Os ratos, gatos, cachorros, lobos, lees e elefantes eram muito

    medrosos, tinham um medo sem fim. At os homens tinham medo dos outros homens.

    Narrador Criana E como que tudo isso comeou?

    Narrador Adolescente Na minha cabea comeou... assim!

    (Coreografia / Transio de cena. Entram vrios personagens com bas. Personagens se

    dirigem platia)

    Personagem 1 Existe muito tipo de medo!

    Personagem 2 No tem ba que d para guardar.

    Personagem 3 Quem tem um medo guardado, escondidinho, a??

    Personagem 4 Ningum respondeu!! bom perguntar de novo. E bem alto!!

    Personagem 3 Quem tem um medo guardado, escondidinho, a? E de qu?

    Personagem 5 Medo de cobra.

    Personagem 6 Medo de barata.

    Personagem 7 Medo de lagartixa.

    Personagem 8 Medo de avio.

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    Personagem 9 Medo de pegar nibus sozinho.

    Personagem 10 Medo de assalto.

    Personagem 11 (Puxa uma pessoa do pblico para que ela diga, no meio do palco, qual o

    seu medo)

    (De repente um ba grande se abre. Aparece o Medo. Todos gritam)

    Todos AH, Ah, Ah!!!!!!!!!!!

    (Outros bas pequenos se abrem. Aparecem pequenos personagens)

    Todos O Medo!!!

    (Instrumental / Msica-Tema do Medo)

    Medo Essa histria minha, muito minha. Todo mundo tem medo de tudo. Diga a, meu:

    quem no tem um medo guardado, escondido? Medo de errar, de perder de ano, de levar

    bomba! Medo do futuro, da morte, da vida. Quem no tem medo nesta vida? Diga a... Este

    mundo meu! (risos). Eu sou o Medo.

    Narrador Adolescente Respeitvel pblico, muita ateno! Vai comear a famosa histria da

    Ciranda do medo.

    Narrador Criana Preparem seus coraes...

    Narrador Adolescente ...para viver um turbilho de emoes. O Medo est solto! Todo

    cuidado pouco.

    S a partir desse momento inicia-se a apresentao da ciranda, seguindo o fluxo

    cclico de entradas e sadas dos personagens, segundo as indicaes do texto original. A

    autora, Sonia Robatto, que acompanhava o passo-a-passo do processo, inicialmente

    demonstrou resistncia s mudanas, mas aps muito dilogo entre encenadora, autora e

    equipe de artistas-colaboradores as alteraes iniciais foram aceitas, cabendo a Sonia

    escrever outras novas cenas caso esse expediente se fizesse necessrio para a

    transposio do texto para o palco. E foi.

    A relao estabelecida entre os personagens Medo e Dono do Medo, durante os

    ensaios, sinalizava para a necessidade de uma busca mais profunda por parte dos dois

    intrpretes. Optei por apresentar dupla de atores-aprendizes um resumo do texto

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    Esperando Godot, de Samuel Becket, e em seguida utilizar fragmentos de cenas entre

    os personagens Pozzo e Lucky. Esses fragmentos de cenas serviram de fonte

    inspiradora para improvisaes entre os personagens Medo e Dono do Medo, visando

    estabelecer uma relao de domnio e submisso. Para enfatizar ainda mais essa relao

    entre os dois personagens, que se tornaram elo de ligao para toda a pea, foram

    criadas novas cenas que passaram pela avaliao da autora e foram (re)criadas. Abaixo,

    transcrio do dilogo do texto de Samuel Becket que originou o acrscimo histria

    original de Ciranda do medo:

    (Esperando Godot / Pgina 41 Cena descreve a relao de poder e submisso existente

    entre os personagens Pozzo e Lucky)

    Pozzo (num gesto magnnimo)

    Assunto encerrado. (Puxa a corda). De p, porco! (Pausa). Toda vez que ele cai, ele dorme.

    (Puxa a corda). De p suno! (Barulho de Lucky levantando e empilhando o equipamento.

    Pozzo puxa a corda) Volta! (Lucky volta de costas) Pra! (Ele pra) Vira! (Ele se vira) ... (A

    Lucky) Casaco! (Lucky depe a valise, leva o casaco, volta a seu lugar, pega a valise). Segura!

    (Pozzo estica o chicote. Lucky avana, mas como tem as duas mos ocupadas, segura o chicote

    entre os dentes, e recua. Pozzo comea a colocar o casaco, mas pra). Casaco! (Lucky se

    adianta, inclina-se para a frente, pe tudo no cho, adianta-se, e ajuda Pozzo a vestir o

    casaco, recua e pega tudo de novo)....Cesta! (Lucky vem, apanha a cesta volta e se imobiliza).

    Mais longe! (Ele vai). A! (Ele pra). Ele fede. nossa! (Bebe um pouco de vinho, morde uma

    galinha com voracidade e joga fora os ossos depois de chup-los). Lucky comea a cochilar e

    curva o corpo, at que a valise bate no cho. Ele acorda bruscamente. Recomea a cochilar.

    Ritmo de quem dorme de p.

    (Ciranda do medo / Texto encenado)

    Dono do Medo (chamando Medo) Venha c, depressa, seu Medo medroso, molenga. Volte,pare, vire para l, vire para c. Fique quieto, seu preguioso. Eu sou o Dono do Medo! Eu souseu Dono! (Gritando). Sou ou no sou? Sou ou no sou?Medo (Cortando, depressa) Claro que . dono e senhor, meu chefe.Dono do Medo (Sorrindo) noite. o nosso domnio. Chegou a nossa vez. E olhe quebeleza, todos eles com medo, com medo do Medo.Medo (Muito feliz) Medo de mim!!! Ai que bom... Eu sou terrvel.Dono do Medo No, seu convencido, medo de mim. Fui eu que lhe inventei. O Medo sexiste porque algum inventa ele.Medo (Triste) E quem me inventou foi o senhor, no foi?Dono do Medo (Rindo) Foi. Eles podem nem saber, mas eles tm medo de mim...Medo Chefe, e se eles descobrirem que eu fui inventado, que eu s vivo na imaginao deles,que eu no sou real?Dono do Medo Bote sua boca pra mar de vazante... Preste ateno!!! Ningum vai descobrirnada. O importante meter medo. Aprenda que assim que algum comea a ter medo numlugar, em algum outro lugar outra pessoa comea tambm a ter, entendeu? assim quefunciona, que aumenta o meu mercado consumidor. Entendeu?

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    Medo (Quase chorando) No. O senhor me desculpe, eu no entendi.Dono do Medo a mesma coisa com a coragem. Assim que uma pessoa comea a tercoragem, em algum outro lugar do mundo outra pessoa tambm comea. Ningum pode tercoragem... Isso no pode acontecer, entendeu? perigoso... Eles no podem ter coragem!

    Outro aspecto do processo criativo da montagem de Ciranda do medo que desperta

    reflexo refere-se relao entre a quantidade de pessoas no elenco e o nmero de

    personagens. Inicialmente esse fato no geraria problemas, pois o texto sugeria

    personagens coletivos, ou seja, ncleo de ratos, gatos, cachorros etc. Mas durante as

    improvisaes outros personagens foram surgindo, independente da estrutura j

    estabelecida no texto. O que fazer?

    Observando o perfil do elenco constatei que muitos queriam criar novas cenas e novos

    atuantes na histria. Esse querer pulsava principalmente no ncleo dos atores recm-

    ingressos na companhia, os mais novos, que tinham em Ciranda do medo a pea de

    estria em um tablado. Resolvi deixar fluir esse querer e um dos resultados dessa atitude

    foi o surgimento de uma personagem que prontamente foi acolhida na histria, a

    Ajudante do Dono do Medo. Criada e feita por uma menina de 6 anos, a Ajudante do

    Dono do Medo arrogante e extremamente metida. Com propriedade na defesa da

    personagem que ela mesma criou, a pequena intrprete demonstrou domnio de seu

    papel. Para a composio de outros personagens que representavam animais, solicitei

    coregrafa que toda a movimentao das cenas remetesse a desenhos animados. Assim,

    trabalhou-se um misto de gestualidades entre o humano e o desenho animado. A idia

    era buscar a transio do jogo, a brincadeira da transformao. Do ponto de vista do

    aprendizado do elenco, o desafio era faz-lo perceber que naquela composio de

    personagem aparentemente simplista havia um manancial riqussimo. Eram personagens

    com os quais podiam se identificar e encontrar lies positivas e explicaes sobre si

    mesmos.

    Ciranda do medo teve sua primeira temporada em junho de 2007, no palco principal

    do Teatro Vila Velha. Com sua ida cena, concluiu-se mais uma etapa de aprendizado

    na Companhia Novos Novos: o processo criativo de encenar um texto j escrito. O que

    se percebe que, tambm nessa experincia, o contato direto da equipe com o

    dramaturgo possibilitou conversas, investigaes, trazendo essa construo para o

    universo da Novos Novos. No houve, ento, um grande estranhamento no processo,

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    apesar de ser perceptvel que caminhos diferentes so seguidos nos dois casos em

    questo ao se levantar uma pea teatral a partir de um texto indito, criado para este

    grupo; ao se encenar um texto que j existe.

    Percorremos, ento, uma pequena descri o de minha experincia com a dramaturgia

    e o processo colaborativo de criao. Uma das concluses a que chego que essas

    experincias, desenvolvidas entre 2001 e 2008, nunca se mostram iguais. Cada processo

    foi adequado s caractersticas de cada elenco e equipe de artistas. Alguns foram mais

    colaborativos, outros menos, um processo com mais de um dramaturgo, outros com

    apenas um. Mas inegvel o aprendizado de que, na criao de um espetculo, todos os

    envolvidos tm sua parcela de responsabilidade e de autoria.

    III.III Musicalidade

    A Novos Novos prioriza oferecer cena lo cal textos teatrais inditos, adequados

    interpretao do seu elenco e que proponham discusses pertinentes ao mundo

    contemporneo. Para isso, tem ao redor de si artistas-colaboradores que vm ajudando

    a criar uma linguagem prpria de fazer teatro com e para crianas e adolescentes.

    Durante cada processo de criao existe um cuidado especial com a elaborao do

    universo que compe cada espetculo, incluindo aqui os sons e a msica propriamente

    dita.

    No processo criativo de um novo text o, a musicalidade funciona como importante

    suporte ao seu desenvolvimento dramtico. O processo da construo das letras das

    canes tambm de troca e composio, evitando-se o uso de letras simplistas,

    repetitivas, pasteurizadas, maniquestas, que diluam contedos significativos e

    importantes do texto. Na trajetria da companhia h experimentos e parcerias diversos

    (vide fichas tcnicas dos espetculos em anexo), com destaque para Ray Gouveia, que

    assina a direo musical de vrios espetculos da Novos Novos. Para se ater ao mais

    recente, so as insero de efeitos sonoros, vinhetas e msicas compostas por Ray para

    Ciranda do medo que so o mote para muitas solues do espetculo; e vice-versa A

    trilha sonora, executadas ao vivo por msicos convidados, acompanha a histria em

    seus diferentes contornos, percorrendo caminhos que apostam no uso da poesia como

  • Foto: Marcio Lima / Espetculo Alices e Camalees, 2004. Elenco da Companhia Novos Novos

  • 117

    ferramenta de comunicao entre palco e platia, ajudando a estabelecer uma unidade

    formal e orgnica para o espetculo.

    No que se refere ao contato dos intrpretes da Novos Novos com a msica, isso se d

    atravs de um processo de prticas de dinmicas. Inicialmente, busca-se desativar

    possveis resistncias e travamento dos atores para com a idia de se trabalhar de forma

    ntima com msica; depois se busca o dilogo dessa msica com os atores e os

    mltiplos elementos cnicos. Alm disso, proposto ao grupo experimentar o canto

    para s depois se definir o perfil do intrprete para o trabalho. Como na companhia no

    temos um preparador vocal de atores, cabe ao diretor musical a escolha do ator para a

    execuo/interpretao da msica em cena. Pelo fato de a Novos Novos ser um grupo -

    e no um elenco reunido por um tempo limitado - tem sido possvel verificar os

    resultados desse processo na prtica, a cada montagem. Percebe-se um pequeno mas

    significativo progresso na performance musical dos atores e na habilidade de se colocar

    em dilogo a msica e a encenao. Na companhia, a performance vocal um caminho

    para estimular a atuao.

    O cantor e compositor Ray Gouveia, diretor musical das montagens Imagina s...

    Aventura do fazer (2001), Mundo Novo Mundo (2003), Diferentes iguais (2006) e

    Ciranda do medo (2007), ao se flagrar criando trilhas para espetculos infanto-juvenis

    relata, no encarte do CD 3x Novos Novos

    ....eu no sei fazer msica pra criana!!, foi a primeira coisa que me veio cabea quando recebi o convite para compor a trilha de Imagina s... ; montaruma banda, fazer os arranjos e dirigir musicalmente um espetculo infantil,ento, era algo inconcebvel... Mas desafio aceito, vi nascerem canes semrefres, sem linhas meldicas simples, sem letras fceis... afinal, no dava parasubestimar a sensibilidade e inteligncia daquelas crianas! Ainda assim fiqueisurpreso durante a primeira audio eu temia a reao delas pois no haviafeito msicas como as que a gente ouve hoje em dia nos programas infantis. Derepente, por mais sensveis e inteligentes que fossem, poderiam estar com seuimaginrio impregnado pelo universo das louras da TV. Pensamento adulto! Osmeninos me deram um n, ganharam de dez a zero. E me incentivaram aaceitar novo convite e fazer outras trilhas... bom estar pelos corredores doteatro e ouvir os atores da Companhia Novos Novos e de outras companhias doTeatro Vila Velha, os tcnicos, o pe ssoal da administrao, cantarolando asmsicas dos espetculos. muito bom sentir a emoo das pessoas ao final decada espetculo, s vezes principalmente os adultos tentando disfar-la, svezes surpresos em redescobri-la, sem conseguir esconder nada. (GOUVEIA,Ray; BITTENCOURTT, Jarbas. 3 X Novos Novos, Salvador: Stdio do Vila,2005. digital, estreo. CDBA 183).

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    O percurso da musicalidade dos espetcu los da companhia cumpre todas as rduas

    tarefas que aliceram o processo criativo. Aqui tambm h um esforo para se achar um

    acordo profundo entre as intenes do dramaturgo e do diretor musical, as habilidades

    dos atores-aprendizes e as concepes do encenador. O processo ganha grande

    importncia, como observa Jarbas Bittencourt, que assinou a direo musical da pea

    Alices e Camalees (2004)

    As canes dos espetculos guardam muito do que so esses processos demontagem que culminam com a encenao. So compostas a partir denecessidades surgidas no corpo da dramaturgia e no contato entre diretor,atores, msicos, figurinos, cenrios e todo o conjunto de coisas que o teatroagrega para se concretizar diante de nossos olhos... (GOUVEIA, Ray;BITTENCOURTT, Jarbas. 3 X Novos Novos, Salvador: Stdio do Vila, 2005,digital, estreo CDBA 183).

    Na construo cnica de um espet culo da Novos Novos a apropriao da

    musicalidade busca atingir diferentes efeitos. Tendo ela como recurso cnico, pode-se

    obter um espao que no se defina apenas pelos elementos visuais que o constituem,

    mas tambm por um conjunto de sonoridades, caractersticas ou sugestivas, que tecem

    ambientes para elenco e expectador. Assim, refora-se uma iluso visual atravs da

    paisagem sonora que se apresenta, o que o mestre russo Constantin Stanislavski chama

    de paisagem auditiva13.

    Tambm se pode, a depender da proposta cnica, no se comungar do sonho

    naturalista de reduplicao do real, utilizando-se o material sonoro - msica e

    sonoplastia - como instrumento de produo e exibio de teatralidade. Longe de

    acentuar a atmosfera que emana de uma ao, de um local, a musicalidade se faz ouvir

    para marcar as quebras, para designar o espetculo como uma manifestao teatral.

    Enfim, constata-se nesse fazer teatro que privilegia o uso da msica ao vivo uma

    diversidade de prticas adotadas que acentuam as mais diferentes investigaes em

    torno de uma construo teatral. Para Jean-Jacques Roubine (1998), essa diversificao

    produto de uma longa memria. Curiosamente, o teatro, que - como j foi dito

    tantas vezes - a arte do efmero, nunca pra de se lembrar, de dar continuidade, de

    redescobrir. (op.cit.p.166).

    13 O termo paisagem auditiva trata-se para o teatrlogo russo, Stanislavski, no apenas de reconstituir um meioambiente ou uma atmosfera caracterstica, mas sobretudo de revelar a relao, o acordo ou discordncia, que liga opersonagem ao que est em torno dele. (ROUBINE, 1998)

  • 119

    As possibilidades diversas de investigao sonora incentivadas nos ensaios da

    Companhia Novos Novos visam contribuir de forma significativa para o desempenho da

    performance dos seus atores-aprendizes. Esse resultado se percebe a partir das

    improvisaes de cada ator-cantor. Caso o ator-aprendiz no possua habilidades para

    execuo de uma msica ao vivo, evita-se sua exposio e opta-se pela interpretao da

    banda, que desde 2001 participa dos espetculos da companhia. Juntos, os diretores

    musicais Ray Gouveia e Jarbas Bittencourt assinaram a produo e os arranjos do disco

    3x Novos Novos14, que, segundo Bittencourt, uma tentativa de se explicar um processo

    criativo pontuado por inseres musicais de diferentes contextos

    No CD esto reunidas as canes originais para os espetculos da CompanhiaNovos Novos. O repertrio serve como um guia sonoro dos caminhos seguidosem cada um deles. Como um mapa, ser sempre menor do que a realidade querepresenta, mas ter vida prpria. (GOUVEIA, Ray; BITTENCOURTT,Jarbas. 3 X Novos Novos, Salvador: Stdio do Vila, 2005, digital, estreoCDBA 183).

    14 No anexo dessa dissertao consta a ficha tcnica do CD 3 X Novos Novos.

  • Fotos: Joo Milet, Projeto I 2005Vila Novos Novos ,

    CONSIDERAES FINAIS

  • 121

    O medo girouO mundo girouE tudo uma cirandaMal terminaJ comeou

    Se o tempo rodarE a roda girar hora de mostrarQue essa cirandaMal terminaVai comear

    Ciranda que mexe com o medoQue deixa segredo guardado no arCiranda no de brinquedoNa ponta do dedoComea a rodar

    (Ciranda / Ray Gouvia / Espetculo Ciranda do Medo)

  • 122

    Consideraes finais

    A realizao deste mestrado possibilit ou um aprofundamento sobre a prtica do fazer

    teatro com crianas e adolescentes, juntamente com uma reflexo sobre os processos

    criativos desenvolvidos na Companhia Novos Novos. No percurso desta pesquisa para

    elaborao de minha dissertao, constatei que o momento fundamental no ato de

    aprender aquele em que feita uma autocrtica ou auto-avaliao.

    A cada finalizao de captulo deste trabalho receava estar valorizando aspectos

    referentes dimenso potica, perguntando-me sempre a quem certas revelaes

    poderiam interessar. Conclui nesta elaborao terica que a explanao sobre o fazer

    teatro proposto pela companhia pode mobilizar diretores de teatro, professores, atores e

    a todos que se interessem por processos criativos desenvolvidos atravs de modalidades

    artsticas como teatro, msica, artes plsticas e dana. Tambm pode atingir s reas de

    educao, psicologia e antropologia, uma vez que existe uma clara inteno didtica e

    uma reflexo sobre a influncia do contexto social na criao da obra artstica. No

    menos importante a concluso da necessidade do ato de sonhar, de inventar a sua

    coragem de denunciar e anunciar; e isso vale para seres-humanos de qualquer rea

    profissional.

    Neste percurso aqui apresentado, foram surgindo lembranas de ensaios, resgatados e

    incentivados depoimentos de atoresaprendizes e artistas-colaboradores. A esse

    manancial de informaes somaram-se contedo e percepes surgidos a partir do

    estudo das fontes tericas que aliceraram as criaes da companhia, assim como as

    crticas publicadas em jornais sobre o trabalho da Novos Novos. Junto a tudo, os

    imprescindveis caderninhos de anotaes dos vrios espetculos foram revistos. Foi

    assim que foram resgatadas histrias e referncias quase esquecidas, que aqui revelam o

    itinerrio de um processo de construo coletiva com crianas e adolescentes. Uma

    realizao contnua, que visa a sua completude num trabalho de formao do humano,

    mas que tambm se preocupa com as qualidades artsticas do projeto, explicitadas em

  • 123

    um resultado cnico que passa por todos os ritos de um espetculo de teatro

    profissional, com temporada e exigncias prprias da boa criao artstica.

    Tive tambm a oportunidade de poder ampliar o meu conhecimento sobre esse fazer

    teatro com e para crianas e adolescentes, investigando uma tcnica prpria a partir de

    uma prtica artstica. Enquanto elaborava os textos desta dissertao, ocorria uma

    interlocuo constante de aprendizado com outras pessoas. Nesses dois anos de

    envolvimento com o Mestrado, foram surgindo interessantes polmicas que me

    estimularam a buscar solues que pudessem tornar cada vez mais transparente o

    processo criativo experenciado na Companhia Novos Novos, pois sempre que me

    perguntavam o que pesquisava, como faria, por qu, para qu, eu me lembrava do

    posicionamento do Prof. Dr. Ewald Hackler na banca de seleo do mestrado de 2006.

    Hackler, como experimentado e talentoso diretor de teatro que , aconselhou-me a no

    buscar frmulas ou receitas prontas para justificar a minha prtica de teatro, mas, ao

    contrrio, incentivou-me a investir numa pesquisa que comungasse teoria e prtica num

    mesmo fazer, e que futuramente viabilizasse o seu prosseguimento, mais aprofundado,

    em outros estudos.

    Em sala de aula, igualmente, muito apre ndi. Pude constatar com o Prof. Dr. Flvio

    Desgranges que a prtica exercida num processo de criao o trampolim para os saltos

    de conhecimento sobre o seu prprio fazer teatro e sua pedagogia; salto necessrio para

    a Novos Novos desenvolver sua autonomia, validando seu campo terico atravs da sua

    experincia cnica.

    Os dilogos com a Profa. Mestre Mari a Eugnia Milet, durante o perodo de estgio

    docente, muito contriburam para o (re)conhecer desse fazer teatro direcionado

    crianas e adolescente. Essa convivncia de um semestre, em 2007. II, com a atriz,

    diretora, professora da Escola de Teatro da UFBA e coordenadora do CRIA Centro de

    Referncia Integral de Adolescentes -, estimulou em mim a possibilidade de escrever

    um texto terico, uma dissertao, pontuado pela poesia. Aprendi com Eugnia a

    assumir que os espetculos encenados pela Companhia Novos Novos - Imagina s...

    Aventura do fazer (2001), Mundo Novo Mundo (2003), Alices e Camalees (2004),

    Diferentes iguais (2006) e Ciranda do medo (2007), so muito parecidos com os meus

    sonhos, porque as coisas que a gente faz, conhece ou sabe, so o produto de uma

  • 124

    complexidade de influncias que se misturam, retransformam-se e participam de nossas

    vidas.

    Nos diferentes caminhos percorridos no exerccio do fazer teatro com crianas e

    adolescentes, percebi que sonhar imaginar horizontes de possibilidades; sonhar

    coletivamente assumir a luta pela construo das condies necessrias para a

    realizao do sonhado. No seu percurso de 200-2007, a Companhia Novos Novos vem,

    atravs dos seus espetculos e projetos, investindo na capacidade de sonhar

    coletivamente. Essa vivncia de um sonho comum constitui uma atitude de formao na

    qual h a crena de que as situaes-limite podem ser modificadas. Esse exerccio tanto

    vale para a faceta de formao da Companhia Novos Novos quanto para seu

    desdobramento artstico. A mudana se constri constantemente e coletivamente e na

    construo dessa afirmao que a Novos Novos foi se estruturando passo-a-passo.

    Projetos e espetculos surgiram, e surgem, a partir da disposio de atores-aprendizes e

    artistas-colaboradores em experimentar, conhecer, aprender algo novo e

    conseqentemente em poder comungar esse aprendizado com outras pessoas, outros

    educadores, outros artistas.

    Essa construo de alguma forma enfatiza os quatro pilares de um novo tipo de

    educao, enunciados no relatrio da Comisso Internacional Sobre Educao Para o

    Sculo XXI 1, da Unesco: Aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver

    e aprender a ser. Na companhia esse aprender se traduz como ato/efeito inerente a

    capacidade de sonhar, de criar, de estar no percurso, de poder arriscar e riscar novos

    caminhos, de aventurar-se no percurso que leva ao conhecimento. Como toda

    experincia artstica, esse fazer teatro com e para crianas e adolescentes um processo

    de transformao, portanto de educao para a sensibilidade de uma educao esttica,

    que faz a vida tomar outros sentidos, percorrer outros caminhos.

    Tendo como referncia o seu primeiro espetculo, Imagina s... Aventura do fazer

    (2001), a Novos Novos, desde o seu surgimento, busca abrir portas para uma melhor

    compreenso do mundo contemporneo e de seus problemas e belezas. O trabalho tem

    1 Este relatrio resultado do projeto A evoluo transdisciplinar da universidade, desenvolvido pelo CIRET Centro de Recherches et d`Etudes Transdisciplinaires - com a colaborao da UNESCO. Seus princpios e indicaesencontram-se na Declarao de Locarno, adotados pelos participantes do Congresso internacional Que universidadepara o amanh? (Sua-1997).

  • 125

    como objetivo pintar essa realidade com outras cores, com e para crianas e

    adolescentes, ou seja, com e para o futuro. fato que a viso de mundo do adulto sobre

    a sociedade contempornea interfere no processo de produo cultural destinada

    criana. No deve ser assim, pois dentro dessa discusso imprescindvel que se leve

    em conta os conflitos, medos, anseios, desejos e opinies tambm das crianas e dos

    adolescentes. Desconsiderando opinies e experincias das crianas e dos adolescentes,

    o adulto exerce o poder sonegando ou distribuindo os bens e produtos culturais,

    decidindo os critrios para se determinar qualidade e valor dessa produo, muitas vezes

    sem o conhecimento necessrio para faz-lo. O que se depreende desta afirmao que

    em relao a um determinado espetculo ou processo, o adulto pode validar ou renegar

    esse fazer artstico calcado numa racionalidade prpria, enquanto a criana encontra na

    emoo a sua forma mais direta de se relacionar com a experincia esttica.

    Esta demarcao real/imaginrio um caminho de mo-dupla e, medida que se

    desenvolve, a criana absorve aquela que uma experincia esttica fundamental para

    seu crescimento. Diretora e escritora de teatro para crianas, Maria Clara Machado

    acrescenta

    A razo e imaginao no se constroem uma contra a outra, mas ao contrrio,uma pela outra. No tentando extirpar da infncia as razes da imaginaocriadora que vamos torn-la racional. Pelo contrrio, auxiliando-a amanipular essa imaginao criadora cada vez mais com habilidade, distncia.O que supe, quase sempre, possvel mediao do adulto, dilogo.(MACHADO, 1979, p.3).

    Outro importante esclarecimento relativo ao fazer teatro da companhia que partimos

    do pressuposto que o estudo contnuo de tericos das artes, da histria e da literatura,

    dentre outros campos, imprescindvel. Mas sabemos que nenhuma das prticas

    apresentadas, ou mesmo a da Companhia Novos Novos em algum momento, detentora

    do verdadeiro e definitivo mtodo de formao do ser humano atravs da arte e de

    atores. A labuta nesse trabalho deve ser contnua, as buscas freqentes e as concluses

    revisitadas. Mas, certo, esse fazer busca instigar uma abertura de conscincia para uma

    ativa atuao e transformao da vida pessoal e social. Essa tomada de conscincia

    constitui uma mudana na leitura de mundo, ou melhor, uma aptido para empreender

    uma leitura prpria do mundo. E isso uma formao mais abrangente porque exige

    uma compreenso crtica do papel de cada um na sociedade..

  • 126

    Talvez por acreditar que o seu fazer teatro representa formao e no treinamento

    que na companhia o caminho percorrido para a criao de um texto, desde o primeiro

    dia de ensaio, sempre leva a questes e reflexes que enriqueem a pesquisa do tema do

    projeto. A idia das suas encenaes apresentar, de forma ldica e simblica,

    discusses pertinentes ao mundo contemporneo. Assim, a reflexo aqui transcrita de

    dois processos distintos de criao e encenao de textos, os dos espetculos Alices e

    Camalees (2004) texto indito, e Ciranda do medo (2007), no indito, esfora-se por

    investigar aspectos semelhantes e divergentes das duas produes cnicas, dando a

    conhecer os percursos trilhados pelos autores, Edson Rodrigues e Sonia Robatto, e suas

    obras junto ao processo criativo e ativo da Companhia Novos Novos.

    A musicalidade presente no trabalho da Companhia Novos Novos tambm ganhou

    destaque neste estudo. Com a constante insero de efeitos sonoros, vinhetas e

    composies executadas ao vivo por uma banda de instrumentistas convidados, os

    espetculos do repertrio da Novos Novos foram ganhando contornos prprios,

    percorrendo caminhos que apostam no uso da poesia como ferramenta de comunicao

    entre palco e platia, e, to importante quanto, entre ensaios e palco. Na CNN as trilhas

    sonoras funcionam como dramaturgia cantada.

    Ainda preciso destacar o quanto foi prazeroso e pleno de beleza a construo de toda

    a pesquisa e a leitura dos textos que compem o corpo terico de A Cena de Novos

    Novos, percursos de um fazer teatro com crianas e adolescentes . Esses textos, em

    especial, escritos por atores-aprendizes e artistas-colaboradores, por vezes mostram-se

    bastante densos e carregados de legtima emoo. So depoimentos, reflexes e

    entrevistas que, alm de outras tantas concluses, mostram algo que o trabalho na

    Novos Novos tem de explcito: a contnua soma de gente e talento. Celeiro para que a

    encenadora-sujeito de sua prtica se exercite na formao que se faz cotidiana e no

    desejo mesmo de recriar essa formao, de forma permanente, na diversidade dos

    contextos da ao artstica/pedaggica.

    Esse encontro vivificante proporciona um modo de pensar e olhar a vida e o mundo

    atravs de um fazer teatro com crianas e adolescentes. Minha aposta que esse

    caminho contribua na formao de artistas e arte-educadores diferentes. A idia se

  • 127

    fazer da reflexo sobre a prtica o grande mote para se aprender a ser formador,

    colocando na curiosidade diante do mundo e da vida a possibilidade de se buscar

    conhecer, compreender, entender, criticar e transformar. O importante se instigar a

    busca, o caminhar, a preocupao com o se encontrar a melhor forma. Sem um mapa,

    um caminho pronto, sem uma receita, a Companhia Novos Novos delineia uma

    dimenso para a sua criao cnica, consciente e crtica, reafirmando a importncia do

    sonho e da imaginao criativa como combustveis do movimento da vida,

    ressignificando-a e humanizando-a.

  • 128

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ABROMOVICH, Fanny. O estranho mundo que se mostra s crianas. So Paulo: Summus, 1983. ARAJO, Nlson. Histria do Teatro. Salvador: Empresa Grfica da Bahia, 1991. ARTAUD, Antonn. O Teatro e seu duplo. So Paulo: Max Limonad,1983. BARBA, Eugnio e SAVARESE, Nicola. A Arte Secreta do Ator: Dicionrio de Antropologia Teatral. Campinas: HUCITEC/EDUNICAMP, 1995. ________________. A Canoa de papel: Tratado de Antropologia Teatral. So Paulo: HUCITEC,1994. BENJAMIN, Walter. Reflexes: a criana, o brinquedo e a educao. So Paulo: Editora 34, 2002. BOAL, Augusto. Jogos para atores e no atores - 14 ed. Ver. e ampliada Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1998. _______________. Teatro do oprimido e outras poticas. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 2005. BOLESLAVSKI, Richard. A Arte do ator. So Paulo: Perspectiva,1992. BRECHT, Bertolt. Estudos sobre teatro. Traduo de Fiama Pais Brando. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. BROUGRE, Gilles. Brinquedo e cultura. So Paulo; Cortez, 1997. BROOK, Peter. A Porta Aberta. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 2000. ____________. Fios do tempo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. ____________. O ponto da mudana. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1994. BURNIER, L. Otvio. A arte de ator: da tcnica representao. Campinas: Unicamp, 2001. CAMPOS, Claudia de Arruda. Maria Clara Machado. So Paulo: EDUSP, 1998. CARLSON, Marvin. Teorias do teatro: Estudo histrico-crtico, dos gregos atualidade. Traduo de Gilson Csar Cardoso de Souza - So Paulo: Fundao Editora da UNESP, 1997. CHEKOV, Michael. Para o Ator. So Paulo: Martins Fontes, 1996.

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  • 132

    ANEXOS: Notcias da Trajetria

    Anexo I- Fotos dos Espetculos

    Anexo II- Ficha Tcnica dos Espetculos

    Anexo III- Ficha Tcnica do CD

    Anexo IV- Fotos Projeto Escola no Teatro

    Anexo V- Fotos Of icinas Proj. Vila Novos Novos

    Anexo VI- Matrias de Jornais

    Anexo VII Material Grfico dos Espetculos

    Anexo VIII Pesquisa Diga a

    Anexo IX - Material Grfico dos Intercmbios

  • Fotos dos espetculos: Marcio Lima

    133

  • Fotos dos espetculos: Marcio Lima

    134

  • ESPETCULOS

    Ciranda do medo2007

    Fotos: Marcio Lima

    135

  • FICHA TCNICA DOS ESPETCULOS DA COMPANHIA

    2001

    Espetculo: Imagina s...Aventura do fazer

    Direo: Dbora Landim

    Texto: Edson Rodrigues

    Superviso: Marcio Meirelles

    Assistente de Direo : Valdinia Soriano

    Cenrio e Figurino: Marsia Motta

    Costureira: Bernadete Cruz

    Iluminao: Rivaldo Rio

    Msicas: Ray Gouveia

    Msicos: Andr Simes, Janana Carvalho, Leonardo Bittencourt, Pedro Meirelles,

    Tom Gouveia.

    Coreografias: Isis Carla

    Assistente de Coreografias: Lria Morais

    Preparao vocal: Janana Carvalhp

    Produo : Dbora Landim

    Realizao: Companhia Novos Novos e Teatro Vila Velha

    Elenco:(12 atores-aprendizes)

    Diego Velame, Chaiend dos Santos, Elaine Adorno, Felipe Augusto, Felipe Gonzales,

    Jamile Menezes, Lucas Carvalho, Luciana Santiago, Rassa Fernandes, Thierri Gomes,

    Victor Almeida, Willian Climaco.

    136

  • 2003

    Espetculo: Mundo Novo Mundo

    Direo: Dbora Landim

    Texto: Edson Rodrigues

    Assistente de Direo : Valdinia Soriano

    Msicas: Ray Gouveia

    Msicos: Andr Simes, Illy Gouveia, Janana Carvalho, Ray Gouveia e Tom Gouveia.

    Cenrio: Ray Vianna

    Execuo do cenrio: Ray Vianna, Flvio Lopes, Joo Paulo, Marcio Santana, Paulo

    Batistela/Nietzche e os pais dos atores.

    Figurinos: Hamilton Lima

    Execuo do figurino: Bernadete Cruz, Ctia Assis e equipe de figurino do TVV

    (Eliana Negreiro, Helisa Castro, Rosngela Gomes, Sarai Santos e Wldia Ges.)

    Iluminao: Valmyr Ferreira

    Msicas: Ray Gouveia

    Coreografias: Augusta Braga

    Preparao vocal: Karina de Faria

    Direo de produo : Dbora Landim

    Produo executiva: Isabela Silveira

    Realizao: Companhia Novos Novos e Teatro Vila Velha

    Elenco: (14 atores-aprendizes)

    Adrielle Costa, Beatriz Bastos, Chaiend dos Santos, Elaine Adorno, Felipe Augusto,

    Felipe Gonzales, Gleiciane Cardoso, Jamile Menezes, Joo Vitor, Lucas Carvalho,

    Rassa Fernandes, Thierri Gomes, Victor Almeida, Willian Climaco.

    137

  • 2004

    Espetculo: Alices e Camalees

    Texto: Edson Rodrigues

    Direo: Dbora Landim

    Assistentes de Direo: Cssia Valle, Valdinia Soriano e Hamilton Filho.

    Msica: Jarbas Bittencourt

    Banda: Leonardo Bittencourt (bateria), Joo Meirelles (guitarra), Moreno Laborda(baixo), Fbio Seixas (guitarra), Patrcia Rodovalho (violo) e Karen Silva Santos (voze violino) so integrantes do IEM (Instituto de Educao Musical).

    Coreografia: Lulu Pugliese

    Cenrio: Mrcio Meirelles

    Execuo do Cenrio: Lorena Torres Peixoto

    Iluminao: Fbio Esprito Santo

    Figurino: Pedro Trindade (integrante da Cia. Novos Novos) Coordenao de

    Execuo: Marcio Meirelles e Marsia Motta

    Execuo do Figurino:Eliana Negreiros, Rosngela Gomes, Sarai Reis e Bernadete

    Cruz.

    Criao de Adereos: Pedro Trindade

    Execuo de Adereos : Denise Silva

    Imagem em Tela : Sara Victoria

    Projeto Grfico : Camilo Fres

    Fotografias: Marcio Lima

    Divulgao: Edson Rodrigues e Assessoria de Comunicao do Teatro Vila Velha

    Produo: Dbora Landim e Yolanda Nogueira

    Assistente de produo: Incio Deus

    Realizao: Companhia Novos Novos e Teatro Vila Velha

    Elenco da Cia. Novos Novos ( 21atores-aprendizes)

    Adrielle Costa, Chaiend Santos, Elaine Adorno ,Felipe Gonzales, Felipe Augusto,

    Gleiciane Cardoso, Jamile Menezes, Joana Trindade, Joo Vitor Santana, Leo Costa,

    Lucas Carvalho, Malena Bastos, Pmela Campos, Paula Silva, Pedro Trindade, Rassa

    Fernandes, Rosa Abreu, Tarsila Lima, Wanessa Carvalho, Vera Lcia, Victor Porfrio.

    Atrizes Convidadas: Cssia Valle e Marsia Motta

    138

  • 2006

    Espetculo: Diferentes iguais

    Direo Dbora Landim

    Texto Edson Rodrigues e Fbio Esprito Santo

    Assistente de Direo Hamilton Filho

    Elenco ( 8 atores-aprendizes) - Elaine Adorno, Felipe Gonzales, Jamile Menezes, Joo

    Vitor Santana, Lucas Carvalho, Rassa Fernandes, Thierry Gomes, Victor Almeida

    Direo Musical - Ray Gouveia

    Msicos Felipe Menezes, Joo Meirelles e Leonardo Bittencourt

    Tnico de Som Maurcio Roque

    Coreografias Lulu Pugliese

    Cenrio - Nietzsche

    Execuo de cenrio

    Alunos da oficina de cenotcnia do projeto Vila Novos Novos II Alailson Borges

    Elizeu Santana

    Geovane Ferreira

    Josenilson Rodrigues

    Levi Sena

    Joelson Gomes

    Figurino e Maquiagem - Marisia Motta

    Execuo de figurino Ana Ruth Brito Cunha

    Bernadete Cruz

    Rosngela Gomes , Sarai Santos

    Confeco de adereos Francis Strappa

    Ruhan lvares

    Maurcio Pedrosa

    Luz - Fbio Esprito Santo

    Montagem de luz

    Alunos da oficina de iluminao do projeto Vila Novos Novos II Brbara Luciana,

    Elizeu Santana

    Geovane Ferreira

    Marcelo Monteiro

    Renato Rios

    139

  • Divulgao- Edson Rodrigues e Assessoria de Comunicao do Teatro Vila Velhha

    Fotografias -Marcio Lima

    Fotografias da exposio- Joo Meirelles

    Arte Grfica-Guilherme Athayde

    Oficineiros- AC Costa (oficina de perna de pau)

    Agnaldo Buiu (oficina de berimbau )

    Hugor (oficina de tcnica circense/ malabaris e monociclo)

    Jos Carlos (Brad) e Hamilton Filho (oficina de mscara popular)

    Produo - Moinhos Giros de Arte

    Realizao -Companhia Novos Novos e Teatro Vila Velha

    2007

    Espetculo: Ciranda do medo

    Direo: Dbora Landim

    Texto: Sonia Robatto

    Assistente de direo: Hamiltom Filho

    Direo musical: Ray Golveia

    Msicos: Andr Simes , Felipe Menezes, Leonardo Bittencourt e Pedro Amorym

    Tcnico de som: Mauricio Roque

    Coreogrfia: Lulu Pugliese

    Cenrio e figurino: Marsia Motta

    Execuo de figurino: Ana Ruth Brito Cunha, Bernadete Cruz, Rosngela Gomes eSarai Santos.

    Iluminao: Valmir Ferreira

    Assistente de iluminao: Brbara Freire

    Cenotcnico: Paulo Batistela Nietzsche

    Assistente de cenografia: Mauricio Papacapim

    Oficina de perna de pau: AC Costa

    140

  • Confeco de origami: Srgio Dias

    Confeco das perucas: Doralice Cerqueira

    Aderecistas: Rubenval Menezes e Eliete Telles

    Fotografia: Mrcio Lima e Joo Meirelles

    Ilustrao: Avelino Guedes

    Programao visual e design: Marcos Frana

    Produo: Marsia Motta e Yolanda Nogueira

    Elenco (35 atores-aprendizes): Adriely Costa, Alessandro Xavier, Beatriz Castellucio,Beatriz Santana, Caio Rocha, Camila Santos, Chaiend Santos, Elaine Adorno, FelipeMiranda, Felipe Fernandes, Gabriel Arthur, Gleiciane Cardoso, Heduen Muniiz, IcaroVila Nova, Igor Meneses, Jssica Duarte, Joana Andrade, Joo Victor Santana, JorgeJnior, Larissa Librio, Lo Costa, Lucas Carvalho, Maiara Cerqueira, Nambia Mota,Pamela Campos, Pedro Andrade, Rosa Abreu, Taiana Muniz, Thierry Gomes, TomCosta, Uiliames Canabarro, Vera Lcia, Vida Carvalho, Vinicius Nascimento, WanessaCarvalho.

    141

  • FICHA TCNICA DO CD 3X NOVOS NOVOS

    Produzido por Jarbas Bittencourt e Ray Gouveia

    Msicos - Andr Simes (voz solo), Janana Carvalho (voz solo), Lucas Carvalho (vozsolo), Juciara Carvalho (voz solo), Leonardo Bittencourt (bateria e percusso),Supertom (baixo), Moreno Laborda (baixo), Joo Meirelles (guitarra), Snia Chada(obo), Laila Rosa (violino), Andr Oliveira (pandeiro), Mauricio Roque (percusso),Ray Gouveia (escaleta)

    Coro - Janana Carvalho, Andr Simes, Illy Gouveia, Juciara Carvalho, Tom Gouveia,por Jarbas Bittencourt e Ray Gouveia

    Coro infantil - Lucas Carvalho, Jamile Menezes, Igor Menezes, Larissa Librio, FelipeMiranda e Lucas Wilber

    Arranjos - Jarbas Bittencourt e Ray Gouveia

    Tcnicos de gravao - Mauricio Roque e Jarbas Bittencourt.

    Mixagem e masterizao - Mauricio Roque

    Projeto grfico P555 Design grfico

    Gravado e mixado e masterizado - Studio do Vila, Teatro Vila Velha

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  • PROJETO ESCOLA NO TEATRO25 mil alunos da rede municipal de ensino assistiram aosespetculos da Companhia Novos Novos

    Fotos: Joo Milet

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  • Fotos:Joo Milet, Projeto Vila Novos Novos I e II, 2005 e 2006.

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  • MATERIAL GRFICO DOS ESPETCULOS

    IMAGINA S...AVE NTURA DO FAZER 2001MUNDO NOVO MUNDO 2003ALICES E CAMALEES 2004

    DIFERENTES IGUAIS 2006

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  • 159

    Cirandado medo

    Co m p an h i a N ovo s N ovo sap r esen t a

    Direo:

    Text o:

    Dbor aLandimSniaRobat t o

    Teat r o Vi l a VelhaSbadosedomingos

    16h

    Espet cul o Infant o-J uveni l

    MATERIAL GRFICO DO ESPETCULOCIRANDA DO MEDO 2007

  • 160

  • 161

  • INTERCMBIOS INTERNACIONAIS Phakama (Inglaterra e frica),Fundacin Defensores del Chaco (Argentina), Contact The World e LIFT(Inglaterra)

    162

  • 163