1 capacitação para controle social nos municipios

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  • 1. Braslia | 2010 ASSISTNCIA SOCIAL CAPACITAO PARA CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS E PROGRAMA BOLSA FAMLIA
  • 2. Presidente da Repblica Federativa do Brasil Luiz Incio Lula da Silva Ministra do Desenvolvimento Social e Combate Fome Mrcia Helena Carvalho Lopes Secretrio Executivo Rmulo Paes de Sousa Chefe de Gabinete da Ministra Valdomiro Luis de Sousa Secretria de Avaliao e Gesto da Informao Luziele Tapajs Secretria Nacional de Assistncia Social Maria Luiza Amaral Rizotti Secretria Nacional de Renda de Cidadania Lcia Modesto Screctrio Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional Crispim Moreira Secretrio de Articulao para Incluso Produtiva Ronaldo Garcia Coutinho
  • 3. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao CAPACITAO PARA CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS: Assistncia Social e Programa Bolsa Famlia Braslia | 2010
  • 4. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome Todos os direitos reservados Qualquer parte desta publicao pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao (SAGI) Esplanada dos Ministrios, Bloco A, 4 andar, Sala 409 70.054-906 Braslia DF Telefone (61) 3433-1501 http://www.mds.gov.br Coordenao Editorial: Marcelo Rocha Equipe: Carolina Freire, Clara Dantas Farias, Janine Santos, Maria do Socorro Coelho Ferreira, Rejane Kuntze Silva, Renato Rillos, Romrio Roma Silva, Toms Vasconcelos Nascimento, Tatiane de Oliveira Dias, Valdir Pereira dos Santos Elaborao dos textos: SAGI: Antnio Santos Barbosa de Castro, Carmela Zigoni, Marclio Marquesini Ferrari, Maria Virgnia Riguettim Fernandes Camilo SNAS: Jos Cruz, Aparecida Velasco do Nascimento Sousa, Eliana Teles do Carmo, Rosrio de Maria da Costa Ferreira, Egli Muniz (consultora) SENARC: Franco Bernardes, Rachel Cristina de Oliveira CNAS: Liliane Neves do Carmo Desenho Instrucional: Richelly Cardoso Projeto Grfico e Diagramao: Alessandro Mendes Reviso: Thaise dos Santos 1a Tiragem: 5.000 exemplares Impresso: Grfica Brasil Maio de 2010 Brasil. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Capacitao para controle social nos municpios: Assistncia Social e Programa Bolsa Famlia: Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao; Secretaria Nacional de Assistncia Social, 2010. 224 p.; 25 cm. ISBN: 978-85-60700-36-3 1. Assistncia social, capacitao, Brasil. 2. Controle social, Brasil. 3. Poltica social, Brasil. 4. Sistema nico de Assistncia Social, Brasil. 5. Programa Bolsa Famlia, Brasil. CDU 364(81)(036)
  • 5. Secretria de Avaliao e Gesto da Informao Luziele Tapajs Secretria de Avaliao e Gesto da Informao Adjunto Antnio Jos Gonalves Henriques Diretor do Departamento de Gesto da Informao Caio Nakashima Diretora do Departamento de Avalianao Jnia Valria Quiroga da Cunha Diretor do Departamento de Monitoramento Gustavo Alexandre Espindola Reis Diretora do Departamento de Formao e Disseminao Monica Rodrigues Coordenao Geral de Publicaes Tecnicas Marcelo Rocha Equipe Clara Farias, Rejane Kuntze, Tatiane Dias, Thaise dos Satos, Toms Nascimento Coordenao Geral de Formao e Treinamento Rosemeire Scatena Equipe Antonio Castro, Carmela Zigoni, Maria do Socorro Ferreira, Valdir Pereira, Marclio Marquesini Ferreira e Janine Bastos Santos Coordenao Geral de Disseminao Maria Francisca Pinheiro Coelho Equipe Carolina Freire Estagirio Romrio Roma Silva
  • 6. Caros Conselheiros da Assistncia Social Caros Membros de Instncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia A Constituio Federal de 1988 possui um forte vis democrtico e estabelece a participao popular e o controle social como elementos essenciais gesto das polticas pblicas no Brasil. Os Conselhos foram institudos considerando esse princpio. Na mesma direo, a Portaria n 246/2005 do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) determina que a adeso dos municpios ao Programa Bolsa Famlia (PBF) deve ser condicionada existncia de uma Instncia de Controle Social (ICS). A Norma Operacional Bsica do Sistema nico de Assistncia Social (NOB/SUAS, 2005), por sua vez, regulamenta a atuao dos Conselhos de Assistncia Social, que devem ser compostos de forma paritria por representantes do governo e da sociedade civil, e tm as funes de elaborar, acompanhar e avaliar os planos de assistncia social, mas tambm de controlar, fiscalizar e acompanhar a gesto dos fundos de assistncia social nas esferas federal, estadual e municipal. As ICSs, tambm paritrias, tem como objetivo acompanhar a gesto do Programa Bolsa Famlia e o Cadastro nico de Programas Sociais do Governo Federal (Cadnico); em comum, Conselhos Municipais de Assistncia Social e Instncias de Controle Social buscam acompanhar a gesto de recursos e benefcios da proteo social no contributiva. O bom desempenho dessas atribuies e responsabilidades exige de todos vocs, agentes pblicos de controle social, um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes especficos. O MDS tem o compromisso de oferecer polticas de capacitao para efetivar suas aes, como preconizado no SUAS e na Portaria n 555/2005/MDS. Compreendemos que o papel desenvolvido no espao do controle social um elemento fundamental para o sucesso da poltica de assistncia social e de renda de cidadania, que visam a garantia de direitos e a diminuio das desigualdades sociais do pas. Por isso, e em resposta a demandas apresentadas pelos Conselhos e pelas Conferncias de Assistncia Social, e dos membros das ICSs, o MDS implementa desde 2007, o Programa Gesto Social com Qualidade, que promove iniciativas de formao e capacitao para gerentes, tcnicos, agentes sociais e conselheiros envolvidos na formulao, implementao e controle social das polticas e programas sociais sob a responsabilidade do Ministrio. Em 2007, foi realizada a Capacitao Descentralizada para Gerentes Sociais, em 2008, a Capacitao a Distncia para Implementao do SUAS e Bolsa Famlia e, em 2009, a Capacitao para Conselheiros Nacionais e Estaduais de Assistncia Social. A Capacitao para Controle Social nos Municpios: Assistncia Social e Bolsa Famlia apresenta-se como mais uma ao do Programa Gesto Social com Qualidade, desta vez capacitando agentes de controle social nos territrios e locais onde as polticas sociais esto se materializando junto aos beneficirios.
  • 7. Outras iniciativas de capacitao esto em desenvolvimento. E sero realizadas ainda em 2010, visando consolidar as polticas sociais com a qualidade esperada. Todas essas iniciativas demonstram o compromisso do MDS em investir no desenvolvimento das competncias dos diferentes agentes e fortalecer as capacidades das diferentes instituies e fruns pblicos que contribuem para a efetividade das polticas sociais. Esperamos, assim, atender s expectativas da sociedade brasileira quanto aos resultados das polticas e programas sociais desenvolvidos pelo Governo Federal. Mrcia Helena Carvalho Lopes Ministra do Desenvolvimento Social e Combate Fome
  • 8. FORTALECER A CONDUO TCNICA, TICA, POLTICA E AUTNOMA DOS CONSELHOS. O Ministrio de Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS), com o apoio do Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS), vem dando continuidade ao processo de capacitao de conselheiros iniciado em 2009. Importante ressaltar que essa capacitao trata-se de deliberao de Conferncias de Assistncia Social e tem por objetivo fortalecer a atuao dos conselhos e dos conselheiros no exerccio do controle social da Poltica de Assistncia Social. Tais deliberaes se transformaram,inicialmente, no Plano Decenal aprovado na V Conferncia Nacional e se traduziram em Metas do Plano na VI Conferncia Nacional, que buscaram a qualificao e a democratizao do controle social no Sistema nico da Assistncia Social (SUAS). O material ora apresentado faz parte do Projeto de Capacitao para Conselheiros Municipais, que contemplar membros dos Conselhos de Assistncia Social e respectivos secretrios (as) executivos (as) e, ainda, conselheiros das Instncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia (PBF). Temos orgulho de entregar aos agentes da Poltica de Assistncia Social, o material didtico para esta capacitao. Essa publicao consolida um conjunto de materiais informativos produzidos desde 2004, o qual consubstancia o princpio de que para o fortalecimento da participao popular fundamental o investimento na democracia. Essa capacitao, oportuna e necessria pela natureza e papel dos conselhos no controle social do SUAS, tem por objetivo democratizar o acesso informao e, ainda, vem ratificar que os princpios Constitucionais, que dizem que a assistncia social deve ter como uma de suas diretrizes a participao da populao, por meio de organizaes representativas, na formulao das polticas e no controle das aes em todos os nveis (Lei 8.742/93). Ao garantir meios para que os conselhos desenvolvam suas competncias, cumpre-se o papel de potencializar e fortalecer a conduo tcnica, tica, poltica e autnoma dos conselhos, pois esses podem manter a sociedade mobilizada na defesa dos direitos. esse o caminho que queremos trilhar junto aos conselhos. Sendo assim, reafirmamos nossos compromissos com o sistema descentralizado e participativo, e que o debate a ser realizado possa inovar conceitos e paradigmas acerca do exerccio do controle social no SUAS, visando a construo e defesa dos estatutos de direito presentes na Poltica de Assistncia Social. O CNAS cumpre desta forma sua atribuio de contribuir para que os conselhos se constituam cada vez mais como um dos condutores de defesa dos direitos socioassistenciais definidosno campo da Poltica de Assistncia Social. Marcia Maria Biondi Pinheiro Presidente do Conselho Nacional de Assistncia Social
  • 9. APRESENTAO A Capacitao para o Controle Social nos Municpios Assistncia Social e Programa Bolsa Famlia uma iniciativa do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) que visa ao aprimoramento da atuao dos conselheiros agentes pblicos de controle social - para que esses possam realizar suas atribuies de forma efetiva no campo das polticas de proteo social no contributiva em todos os municpios brasileiros. Este projeto de grande envergadura, que ir capacitar mais de 21 mil conselheiros em todo o Pas, pretende contribuir com a efetivao das diretrizes de participao popular e controle social das polticas pblicas previstas na Constituio Federal de 1988, nas orientaes da Norma Operacional Bsica do Sistema nico de Assistncia Social (NOB-SUAS/2005) e na legislao pertinente ao Programa Bolsa Famlia (PBF). Foram muitos os passos, nestes ltimos anos, para a construo e efetivao de polticas e programas que garantissem o direito renda e assistncia social de qualidade para todos que necessitassem. Nesse contexto, o Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) criado em 2004, com a responsabilidade de coordenar a poltica de assistncia social e o Programa Bolsa Famlia (PBF). No mbito da assistncia social, foram retomadas as diretrizes da Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS/1993), realizando-se quatro Conferncias Nacionais de Assistncia Social no perodo entre 2003 e 2009, com participao de municpios e estados em todas as etapas do processo deliberativo. Foi exatamente a IV Conferncia (2003) que consolidou a Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS), criando bases para a instituio, em 2004, do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS). Este Sistema adotou um modelo de gesto descentralizado, em que os benefcios de renda so repassados diretamente s famlias ou indivduos de forma impessoal e as polticas, programas e servios acontecem nos territrios a partir de co-responsabilidades de gesto definidas com base no pacto federativo e na participao da sociedade na elaborao, implementao e fiscalizao das polticas sociais. Neste sentido, o controle social, efetuado por meio dos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional de Assistncia Social parte do processo de efetivao de uma poltica de assistncia social normatizada, institucionalizada e territorializada. Na mesma direo, a Lei n 10.836, de 2004, em seu Artigo 8, determina que a execuo e a gesto do Programa Bolsa Famlia (PBF) ocorrero de forma descentralizada, por meio da conjugao de esforos entre os entes federados, observada a intersetorialidade, a participao comunitria e o controle social. Esta idia foi complementada pelo Artigo 9, ao determinar
  • 10. que o controle social do PBF deve ser realizado em mbito local, por um conselho ou por um comit instalado pelo poder pblico municipal, denominados Instncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia (ICS/PBF). O carter estratgico dos conselheiros singular. Esses so chamados a desempenhar na efetiva operacionalizao da poltica pblica de assistncia social e do Programa Bolsa Famlia (PBF) contrasta, no entanto, com a inexistncia, em nosso pas, de uma cultura consolidada de participao popular e controle social. No intuito de contribuir para a alterao desse quadro, a Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao (SAGI), em parceria com a Secretaria Nacional de Assistncia Social (SNAS), a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC) e o Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS), conceberam a Capacitao para o Controle Social nos Municpios: Assistncia Social e Programa Bolsa Famlia. A partir da integrao das reas do MDS e do dilogo permanente com o CNAS, a capacitao foi desenvolvida com uma metodologia que privilegia a interao entre conhecimentos tericos e experincias prticas dos conselheiros, valorizando os aspectos da participao, representatividade e intersetorialidade dos espaos de controle social. Esta iniciativa se soma s aes de capacitao j realizadas pelo MDS no mbito do Programa Gesto Social com Qualidade, que atua na formao de gestores, tcnicos e agentes pblicos com vistas ao aperfeioamento das polticas e programas de proteo social. Assim, foi realizada, em 2008, a Capacitao Descentralizada de Gerentes Sociais, que focalizou a qualidade dos servios do SUAS e, em 2009, a Capacitao de Conselheiros Estaduais de Assistncia Social, que teve como proposta qualificar a atuao do controle social na rea de assistncia social em mbito estadual. Ainda em 2010, sero implementados outros projetos de capacitao visando efetivao das polticas sociais. Estas aes so entendidas pelo MDS como fundamentais para a criao de estratgias de superao das desigualdades sociais por meio de polticas e programas de transferncia de renda e assistncia social. necessrio que os agentes pblicos estejam preparados para atuar em prol da populao vulnervel, conhecendo as particularidades regionais, geracionais, tnicas e de gnero que influenciam os contextos de desigualdades. Assim, para que as polticas sociais se consolidem fundamental, que os setores de representao da sociedade participem ativamente do controle social, promovendo a eficincia e a transparncia das aes. Luziele Tapajs Secretria de Avaliao e Gesto da Informao
  • 11. CAPACITAO PARA O CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS: ASSISTNCIA SOCIAL E PROGRAMA BOLSA FAMLIA Como desdobramento do Programa Gesto Social com Qualidade e em atendimento NOB-SUAS e a Portaria 555/2005 do MDS, que normatizam a demanda por capacitaes para efetivao do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS) e do Programa Bolsa Famlia (PBF), o Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) vem implementar a Capacita- o para o Controle Social nos Municpios: Assistncia Social e Programa Bolsa Famlia. Este material visa subsidiar as aulas presenciais e a elaborao do relatrio de concluso de curso, constituindo-se tambm em um instrumento de consulta para os conselheiros municipais de assistncia social e membros de instncias de controle social do Programa Bolsa Famlia. OBJETIVOS DA CAPACITAO O projeto de capacitao busca oferecer aos membros dos Conselhos Municipais de Assis- tncia Social (CMAS) e das Instncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia (ICS/PBF) de todos os municpios brasileiros os conhecimentos e atitudes essenciais ao desempenho de suas atribuies legais, de forma a aprimorar sua capacidade institucional e contribuir para a efetivi- dade do controle social. Assim, a diretriz pedaggica e a matriz de contedos foram desenvolvidas para: possibilitar a adequao da atuao dos CMAS e ICS/PBF aos princpios e parmetros da poltica de proteo social no contributiva; estimular a reflexo crtica e sistemtica sobre o papel dos agentes de controle social como elementos catalisadores da participao da comunidade no processo de implementao do Sistema nico da Assistncia Social (SUAS) e do Programa Bolsa Famlia (PBF) nos municpios; propiciar a compreenso da importncia da articulao entre os conselhos nacional, esta- duais, do Distrito Federal e municipais de assistncia social, e entre estes e as ICS/PBF e demais conselhos setoriais de polticas pblicas; permitir aos participantes visualizar as especificidades dos papis e da atuao exigida dos agentes de controle social oriundos da sociedade civil e daqueles oriundos do poder pblico; incentivar a reflexo sobre as potencialidades e limites dos CMAS e das ICS/PBF na propo- sio de polticas e no monitoramento do SUAS e do PBF.
  • 12. A capacitao ser executada em uma etapa presencial, com carga horria total de 24 horas e durao de trs dias, seguida e complementada de uma etapa no presencial com durao de 45 (quarenta e cinco) dias, contados a partir do encerramento da etapa presencial. Esta ltima consistir na elaborao de um trabalho final, o Relatrio de Concluso de Curso (RCC), feito em grupo, com apoio de um monitor. A instituio capacitadora ir disponibilizar um roteiro para os grupos, tendo como tema a atuao do controle social e a relao dos conselheiros com a base social ou setor que representam. A metodologia do trabalho pedaggico da etapa presencial baseia-se na vinculao entre os contedos tericos e o exerccio das atribuies e responsabilidades incumbidas aos conselheiros e ser operacionalizada por meio do revezamento entre aulas expositivas/dialogadas e oficinas de aprendizagem e do uso de estratgias pedaggicas que estimulem a reflexo crtica e a troca de experincias entre os participantes. PBLICO-ALVO Conselheiros Municipais de Assistncia Social e membros de Instncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia. CONTEDO Os temas da capacitao versam sobre o papel do controle social no aprofundamento da democracia e da cidadania no contexto da poltica de proteo social no contributiva e, por motivos didticos, encontram-se organizados em trs mdulos. Para cada mdulo, corresponde uma carga horria de 8 (oito) horas, destinadas realizao de aulas expositivas e oficinas de aprendizagem. A distribuio dos contedos para a parte presencial est assim organizada:
  • 13. 1 dia 8 h/a MDULO 01. A REDEMOCRATIZAO E A PARTICIPAO SOCIAL NO BRASIL TEMAS Espaos de participao popular criados pela Constituio Federal de 1988. Trajetria histrica da poltica de proteo social no contributiva no Brasil e da participao popular no controle dessas polticas. Poltica Nacional de Assistncia Social. Controle social da Poltica Nacional de Assistncia Social. Programa Bolsa Famlia. Controle social do Programa Bolsa Famlia. Decises dos agentes de controle social. A participao da sociedade civil e dos usurios no controle social da poltica de proteo social no contributiva. 2 dia 8 h/a MDULO 02. GESTO DA ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA. TEMAS Importncia de conhecimento da gesto da proteo social no contributiva para o desempenho do controle social. Instrumentos de gesto do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS): PAS, oramento, ciclo oramentrio, financiamento da assistncia social, gesto da informao, Rede SUAS, monitoramento, avaliao, Relatrio Anual de Gesto. Instrumentos de gesto do Programa Bolsa Famlia: Cadnico, IDF, gesto de benefcios, IGD, gesto de condicionalidades, acompanhamento das famlias beneficirias, sistemas informacionais, Rede Pblica de Fiscalizao do PBF. 3 dia 8 h/a MDULO 03. DESAFIOS INTEGRAO DOS RGOS DE CON- TROLE SOCIAL. TEMAS Os conselhos como instncias de representao da sociedade. A articulao e a integrao entre os conselhos de assistncia social e os conselhos setoriais de polticas pblicas nos municpios. Agenda comum entre o Conselho Nacional de Assistncia Social, os Conselhos Estaduais de Assistncia Social e os Conselhos Municipais de Assistncia Social. Criao e Fortalecimento dos Fruns de Assistncia Social. Os diferentes tipos de controle da Administrao Pblica. Audincias pblicas.
  • 14. OBJETIVOS DESTE MATERIAL Tendo em vista o alcance dos objetivos gerais e instrucionais da Capacitao para Controle Social nos Municpios: Assistncia Social e Programa Bolsa Famlia, e considerando o valor social e a complexidade dos processos e atividades relacionados ao exerccio cotidiano das atribuies incumbidas aos agentes pblicos e sociais de controle social, o material de estudo ora apresentado ao pblico pretende: apresentar instrumentos e procedimentos, subsidiar e promover reflexes, debates e troca de experincias capazes de contribuir para o desenvolvimento das competncias necessrias ao bom desempenho dos conselheiros municipais de assistncia social e responsveis pelo controle social do Programa Bolsa Famlia acerca das atribuies que lhes so incumbidas de controle social da poltica de proteo social no contributiva e traduzir conhecimentos acadmicos e institucionais em linguagem que possibilite a apro- priao dos contedos pelos conselheiros municipais. COMO EST ORGANIZADO ESTE MATERIAL Para facilitar a aprendizagem e atingir os objetivos propostos, o material se divide em trs mdulos e estes em tpicos. So apresentados, tambm, quadros informativos; indicaes biblio- grficas e alguns exerccios de fixao da aprendizagem. ESTE MATERIAL SERVIR PARA QUE VOC: estude ou consulte seu contedo em qualquer hora, individualmente ou em grupo; se prepare antecipadamente para as aulas, podendo, assim, contribuir de forma enriquece- dora nos debates; elabore resumos e snteses, destaque pontos que julgar mais importantes, estabelea relao entre o estudado e o exerccio cotidiano de suas atribuies de conselheiro; faa reviso dos temas estudados em sala de aula; se prepare para realizar com sucesso o Relatrio de Concluso de Curso. ORIENTAES PARA SEUS ESTUDOS Familiarize-se com este material de estudo. Nele encontram-se os contedos relativos aos trs mdulos que compem o curso de capacitao oferecido pelo Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) para os conselheiros municipais de assistncia social e das Ins- tncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia.
  • 15. Leia com ateno cada um dos mdulos de contedo e reporte as dvidas ao seu professor. Procure ampliar seus conhecimentos, por meio de leituras complementares ou consultando a bibliografia indicada. Lendo outros autores, voc amplia sua viso sobre o tema e cresce pessoal e profissionalmente. Por fim, leia, estude, reflita, analise, tire suas concluses e lembre-se sempre de que seu empe- nho pessoal pea-chave para o sucesso no curso e na vida. Bons estudos!
  • 16. SIGLAS BJV Benefcio Varivel Vinculado ao Adolescente BNH Banco Nacional de Habitao BPC Benefcio de Prestao Continuada Cadnico Cadastro nico de Programas Sociais do Governo Federal CAPs Caixas de Aposentadoria e Penses CAS Conselhos de Assistncia Social CAS-/DF Conselho de Assistncia Social do Distrito Federal CEAS Conselho Estadual de Assistncia Social CEBs Comunidades Eclesiais de Base Ceme Central de Medicamentos CGF Coordenao Geral de Fiscalizao CGU Controladoria Geral da Unio CIB Comisso Intergestora Bipartite CIT Comisso Intergestora Tripartite CLT Consolidao das Leis do Trabalho CMAS Conselhos Municipais de Assistncia Social CNAS Conselho Nacional de Assistncia Social CNSS Conselho Nacional de Servio Social CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criana e do Adolescente CONGEMAS Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistncia Social CONSEA Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional CRAS Centro de Referncia de Assistncia Social CREAS Centro de Referncia Especializado de Assistncia Social FNAS Fundo Nacional de Assistncia Social FONSEAS Frum Nacional de Secretrios de Assistncia Social Funabem Fundao Nacional para o BemEstar do Menor IAPs Institutos de Aposentadoria e Penses ICS Instncia de Controle Social IDF ndice de Desenvolvimento da Famlia
  • 17. IGD ndice de Gesto Descentralizada IGDE ndice de Gesto Descentralizada Estadual Inamps Instituto Nacional de Assistncia Mdica da Previdncia Social INPS Instituto Nacional de Previdncia Social INSS Instituto Nacional do Seguro Social IPEA Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada LA Liberdade Assistida LBA Legio Brasileira de Assistncia LDO Lei de Diretrizes Oramentrias LOA Lei Oramentria Anual LOAS Lei Orgnica da Assistncia Social LRF Lei de Responsabilidade Fiscal MDS Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome MEC Ministrio de Educao e Cultura MPAS Ministrio da Previdncia e Assistncia Social NIS Nmero de Identificao Social - NOB/SUAS Norma Operacional Bsica do Sistema nico de Assistncia Social PAIF Servio de Proteo e Atendimento Integral Famlia PAS Plano de Assistncia Social PBF Programa Bolsa Famlia PETI Programa de Erradicao do Trabalho Infantil PMAS Plano Municipal de Assistncia Social PNAS Poltica Nacional de Assistncia Social PPA Plano Plurianual PSC Liberdade Assistida (LA) e de Prestao de Servios Comunidade SCFV Servio de Convivncia e Fortalecimento de Vnculos SENARC Secretaria Nacional de Renda de Cidadania SGD Sistema de Garantia de Direitos SGD Sistema de Garantia de Direitos SIBEC Sistema de Benefcios ao Cidado - SICON Sistema de Acompanhamento das Condicionalidades
  • 18. Sinpas Sistema Nacional de Previdncia Social SISPETI Sistema de Gerenciamento do Programa de Erradicao do Trabalho Infantil SISVAN Sistema de Vigilncia Alimentar e Nutricional - (SISVAN), SUAS Sistema nico de Assistncia Social TCU Tribunal de Contas da Unio
  • 19. SUMRIO MODULO 1 - A REDEMOCRATIZAO E A PARTICIPAO SOCIAL NO BRASIL 1. A REDEMOCRATIZAO E A PARTICIPAO SOCIAL NO BRASIL .................................29 2. AMPLIAO E CONSOLIDAO DAS POLTICAS DE PROTEO SOCIAL NO BRASIL ....32 2.1. O PERCURSO HISTRICO DA ASSISTNCIA SOCIAL ..................................................32 2.1.1 A INSTITUCIONALIZAO DA ASSISTNCIA SOCIAL ................................................33 2.1.2. A ASSISTNCIA SOCIAL NA CONSTITUIO FEDERAL DE 1988 ..............................36 2.2. A ATUAL CONFIGURAO DA ASSISTNCIA SOCIAL NO BRASIL .................................38 2.3. A POLTICA NACIONAL DE ASSISTNCIA SOCIAL (PNAS) E O SISTEMA NICO DE ASSISTNCIA SOCIAL (SUAS) .....................................................................................42 2.4. O PROGRAMA BOLSA FAMLIA (PBF) ........................................................................52 3. O CONTROLE SOCIAL DA POLTICA DE ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA .................................................................................54 3.1. O CONTROLE SOCIAL DA ASSISTNCIA SOCIAL ........................................................54 3.1.1. OS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL .............................................................54 3.1.2. AS CONFERNCIAS DE ASSISTNCIA SOCIAL ........................................................55 3.1.3. COMO SO CRIADOS OS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL? ..........................56 3.1.4. AS COMPETNCIAS DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL ............................57 3.1.5. FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL ...............................60 3.1.6. PERIODICIDADE DAS REUNIES DOS CONSELHOS ................................................60 3.1.7. COMPOSIO DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL ....................................60 3.1.8. PERODO DE GESTO DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL .........................64 3.1.9. NOMEAO DOS CONSELHEIROS E PRESIDNCIA DO CONSELHO .........................64 3.1.10. AS SECRETARIAS EXECUTIVAS DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL ...........64 3.2. O CONTROLE SOCIAL DO PBF .................................................................................65 4. O PAPEL DOS CONSELHEIROS ...................................................................................74 MODULO 2 - A GESTO DA ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA 1. POR QUE IMPORTANTE PARA O CONSELHEIRO CONHECER A GESTODO SUAS E DO PBF? .....................................................................................89
  • 20. 2. A GESTO DO SUAS ..................................................................................................89 2.1. INSTRUMENTOS DE GESTO DO SUAS ....................................................................92 2.1.1. O PLANO DE ASSISTNCIA SOCIAL (PAS) ..............................................................92 2.1.2. O ORAMENTO E O FINANCIAMENTO ...................................................................94 2.1.3. GESTO DA INFORMAO .................................................................................123 2.1.4 MONITORAMENTO E AVALIAO .........................................................................127 2.1.5. O RELATRIO ANUAL DE GESTO .......................................................................129 3. A GESTO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA ..............................................................131 3.1. COMPONENTES DE GESTO DO PBF .....................................................................133 3.2. SISTEMAS ELETRNICOS DE GESTO E FERRAMENTAS INFORMACIONAIS DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA ........................................................148 4. A FISCALIZAO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA ....................................................153 4.1 A REDE PBLICA DE FISCALIZAO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA .......................154 4.2. APURAO DE DENNCIAS ...................................................................................155 4.3. AS ESTRATGIAS DAS ICS QUANTO FISCALIZAO DO PBF .................................155 MODULO 3 - DESAFIOS INTEGRAO DOS RGOS DE CONTROLE SOCIAL 1. OS CONSELHOS COMO INSTNCIAS DE REPRESENTAO DA SOCIEDADE ..............161 2. A ARTICULAO ENTRE OS CONSELHOS DE POLTICAS PBLICAS ..........................165 2.1. EXEMPLOS DE ARTICULAO ENTRE POLTICAS E CONSELHOS SETORIAIS .............165 2.2. A ARTICULAO ENTRE OS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL, AS INSTNCIAS DE CONTROLE SOCIAL DO PBF E OS DEMAIS CONSELHOS SETORIAIS ...169 3. A ARTICULAO ENTRE CONSELHOS E OS RGOS DE CONTROLE DA ADMINISTRAO PBLICA ...............................................................172 3.1. OS DIFERENTES RGOS E MECANISMOS DE CONTROLE DA ADMINISTRAO PBLICA ......................................................................................172 3.1.1. CONTROLE INTERNO: A CONTROLADORIA-GERAL DA UNIO (CGU) ......................172 3.1.2. AS OUVIDORIAS PBLICAS .................................................................................173 3.1.3. CONTROLE EXTERNO: TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO (TCU) .............................174 3.1.4. INSTITUIES E MECANISMOS DE CONTROLE ....................................................175
  • 21. TEXTO COMPLEMENTAR I - O MDS E OS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS .................................................................... 181 TEXTO COMPLEMENTAR II - A CONSTRUO DE POLTICAS PBLICAS DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL PELO MDS .................................... 193 LEGISLAES DA ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA ... 219
  • 22. 27 A REDEMOCRATIZAO E A PARTICIPAO SOCIAL NO BRASIL MDULO 01
  • 23. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 29 1. A REDEMOCRATIZAO E A PARTICIPAO SOCIAL NO BRASIL Relembrando um pouco a histria, nosso pas foi construdo dentro de uma tradio exclu- dente e autoritria, a partir da colonizao portuguesa, que s foi superada quando os brasileiros, unidos, atuaram no processo de restaurao da democracia e do Estado de direito ao fim do regime militar. Essa unio foi vivida na Assembleia Nacional Constituinte, que representava uma excepcional oportunidade histrica de dar ao pas a mais nacional de suas constituies. Assim, em 05 de outubro de 1988, foi promulgada a Constituio Cidad, resultado desse especial momento histrico de mobilizao da sociedade brasileira e da atitude de homens e mu- lheres que desejavam um novo Brasil, com igualdade para todos! Logo em seu primeiro artigo, no pargrafo nico, temos destacada a importncia de cada cidado: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente Criada para vivermos com igualdade e justia, a Constituio Brasileira de 1988 definiu for- mas de participao popular. So elas: NO PODER LEGISLATIVO os cidados podem participar por meio do voto em eleies, referendos, plebiscitos, da proposio de legislao por iniciativa popular e do encaminhamento de denncias de irregularidades ao Tribunal de Contas da Unio (TCU). Ao eleger seus representantes, voc est confiando a eles o papel de lutar pelos seus direitos de cidado, o que no esgota sua participao direta. NO PODER JUDICIRIO a participao popular pode ocorrer por meio do jri popular com a finalidade de julgar crimes dolosos contra a vida e pelo direito de proposio de ao popular para anular atos lesivos ao patrimnio pblico. NO PODER EXECUTIVO a participao popular ocorre por meio dos conselhos e comits de polticas pblicas, bem como da legitimidade de apresentar denncias de irregularidades perante a Controladoria-Geral da Unio (CGU). ATENO Participao social (ou parti cipao popular) pode ser entendida como formas de expresso da vontade indivi- dual e coletiva da sociedade com o objetivo de contri- buir com propostas de mu- dana e de interferir nas to- madas de deciso do poder pblico. Nesse sentido, os conselhos e as conferncias so espaos privilegiados de participao popular.
  • 24. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 30 Uma recente conquista exemplifica a possibilidade de a sociedade influir na agenda pblica, a campanha nacional pela incluso da alimentao como direito social na Constituio, liderada pelo Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (CONSEA). A campanha contou com a participao de entidades civis, movimentos sociais, rgos pblicos e privados, organizaes no governamentais, artistas, cidads e cidados de todo o pas. Qual foi o resultado? A aprovao da Emenda Constitucional 64, aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional no dia 4 de fevereiro de 2010. Com isso, a Carta Constitucional passa a assegurar como direitos sociais o acesso educao, sade, alimentao, ao trabalho, moradia, ao lazer, segurana, previdncia social, pro- teo maternidade, infncia e assistncia aos desamparados como direitos sociais. Essa conquista foi fruto do espao ativo e participativo da sociedade na construo do pas, no combate pobreza, fome e excluso social e na reduo das desigualdades. A participao e o controle social continuam sendo fundamentais para concretizao dos direitos sociais. GARANTINDO NOSSO ESPAO Essa nova cultura participativa aponta para novos temas na agenda pblica e para a conquista de novos espaos. O cidado tem assegurado o direito de participao no processo de tomada de decises, e tambm no acompanhamento das polticas pblicas. A participao contnua na gesto pblica permite que os cidados no s atuem na formu- lao das polticas pblicas, como tambm verifiquem o real atendimento s necessidades da populao e fiscalizem de forma permanente a aplicao dos recursos pblicos. Com essa atitude de participao, acompanhamento e fiscalizao, o cidado exerce o con- trole social, interferindo no direcionamento das polticas pblicas, exigindo e promovendo a transparncia e o uso adequado dos recursos pblicos. Esse exerccio ocorre em espaos pblicos de articulao entre governo e sociedade, constituindo importante mecanismo de fortalecimento da cidadania.
  • 25. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 31 O controle social a participao da populao na gesto pblica que garante aos cidados espaos para influir nas polticas pblicas, alm de possibilitar o acompanhamento, a avaliao e a fiscalizao das institui- es pblicas e organizaes no governamentais, visando assegurar os interesses da sociedade. MAS O QUE CONTROLE SOCIAL? nesse contexto que iremos refletir sobre a importncia da atuao efetiva dos conselheiros municipais de assistncia social e dos conselheiros municipais que exercem o controle social do Programa Bolsa Famlia. Para comear, vamos entender como, no processo histrico brasileiro, a proteo social no contributiva particularmente a poltica pblica de assistncia social e a garantia de renda se constituiram como conquistas da sociedade.
  • 26. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 32 2. AMPLIAO E CONSOLIDAO DAS POLTICAS DE PROTEO SOCIAL NO BRASIL A Constituio Federal de 1988 impulsionou uma significativa reorganizao da agenda social brasileira, posicionando o cidado no centro desse processo como sujeito de direitos. Alm disso, a participao e a descentralizao condio de diretrizes para a organizao das polticas pblicas. Nesse contexto, a assistncia social passa a integrar a seguridade social do Pas, junto com a Sade e a Previdncia Social. Isso significa que a assistncia social ganha um carter de poltica de proteo social articulada a outras polticas. O princpio da garantia de renda segue o mesmo caminho de afirmao dos direitos sociais e de combate pobreza, excluso e desigualdade. Vamos conhecer essa histria? 2.1. 0 PERCURSO HISTRICO DA ASSISTNCIA SOCIAL Desde o Brasil colonial, a assistncia aos pobres foi marcada por: um carter filantrpico e caritativo, sob a liderana da Igreja e dos chamados homens bons, e tinha por atividade princi- pal o recolhimento e a distribuio de esmolas. A assistncia encontrava-se associada tutela e ao controle dos grupos assistidos, inicialmente sob uma perspectiva voltada principalmente para as questes de higiene e sade da populao, confundindo-se com a assistncia mdica. A partir da segunda metade do sculo XIX, como resposta ao fim da escravido e ao incio do processo de industrializao, a assistncia passou a fomentar a disciplina e a preparao para o trabalho. No incio do sculo XX, como resposta ao fortalecimento das lutas sociais e trabalhistas, o Estado foi obrigado a ampliar sua ao na rea social, inicialmente nas relaes de trabalho: A Revoluo de 1930 conduziu a questo social para o centro da agenda pblica. Datam desse perodo: a criao do Ministrio do Trabalho, Indstria e Comrcio; Em 1923, criaram-se as Caixas de Aposentadoria e Penses (CAPs) dos ferrovirios, abrindo-se, com isso, as vias de acesso da questo social ao campo da ao poltica do Estado.
  • 27. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 33 Quer dizer que apenas os trabalhadores formais, com carteira de trabalho assinada e que contribuam para a Previdncia Social eram assegurados pela proteo social do Estado. Aqueles que no participavam do merca- do de trabalho legalmente protegido, no tinham acesso a esse sistema. a publicao da Consolidao das Leis do Trabalho (CLT) e a criao dos Institutos de Aposentadoria e Penses (IAPs), como parte de um sistema de Previdncia Social em que o acesso aos benefcios condicionado ao pagamento de contribuio. Iniciou-se assim a construo de um sistema pblico de proteo social, embora de base contributiva. O que isso quer dizer? queles que no conseguiam garantir sua sobrevivncia pelo trabalho ou pelo apoio familiar restavam, portanto, o provimento de amparo social pelas entidades e organizaes da sociedade civil. Com isso, as pessoas atendidas pelas entidades sociais eram vistas como pobres, carentes, incapazes para o trabalho. Eram responsabilizadas pela sua situao e eram percebidas, ainda, como incapazes de lutar por seus prprios interesses e de se organizar politicamente. 2.1.1 A INSTITUCIONALIZAO DA ASSISTNCIA SOCIAL A criao do Conselho Nacional de Servio Social (CNSS), em 1938, representa a primeira tentativa de regulao e fomento pblico no mbito da assistncia social no Pas. Sua importncia deve-se preocupao do Estado com a centralizao e organizao das obras assistenciais pbli- cas e privadas, cuja fiscalizao ficou sob sua responsabilidade a partir de 1943. Vinculado ao Ministrio da Educao e Sade e formado por pessoas ligadas ao campo da filantropia, indicadas e nomeadas pelo Presidente da Repblica, o CNSS tinha por funes: a) organizar o plano nacional de servio social, englobando os setores pblicos e privados; b) sugerir polticas sociais a serem desenvolvidas pelo governo e c) opinar sobre a concesso de subvenes e auxlios governamentais s entidades privadas. Em 1942, foi fundada a Legio Brasileira de Assistncia (LBA), com o principal objetivo de prestar assistncia s famlias dos soldados mobilizados para a Segunda Guerra Mundial. A LBA foi instituda como um rgo de colaborao com o Estado e por este financiada. Aos poucos passou a atuar em todas as reas que diziam respeito assistncia social.
  • 28. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 34 Essas aes efetivavam-se por meio de benefcios e encaminhamentos aos servios, com base no na identificao das necessidades sociais e na garantia de direitos, mas na avaliao caso a caso da situao dos indivduos necessitados. Uma de suas principais heranas para a assistncia social foi a consolidao do primeiro- damismo. Isso mesmo: A Constituio Federal de 1946 desencadeou no Pas um processo de democratizao com a descentralizao do poder da esfera federal e a garantia de autonomia aos Executivos e Legisla- tivos estaduais. No entanto, na prtica, o Executivo federal continuou centralizando as decises polticas e oramentrias de mbito nacional. O modelo assistencial baseado na filantropia e na benemerncia privadas foi mantido e ex- pandido. A criao de instituies assistenciais pblicas e privado-filantrpicas foi estimulada por todo o Pas, por meio da iseno tanto de impostos como da contribuio patronal Previdncia Social, cabendo ao CNSS a responsabilidade de conceder o certificado de fins filantrpicos s entidades privadas. Isso resultou num emaranhado de aes e prticas sem unidade, coordenao e ateno aos resultados produzidos. Em 1969, a LBA foi vinculada ao Ministrio do Trabalho e Previdncia Social, e outras insti- tuies pblicas foram criadas para atuar de forma segmentada e fragmentada, como a Fundao Nacional para o Bem-Estar do Menor (Funabem), a Central de Medicamentos (Ceme) e o Banco Nacional de Habitao (BNH). ATENO A LBA foi a primeira instituio de assistncia com abrangncia nacional, atuando no fomento e coordenao da ao assistencial de instituies filantrpicas por meio de repasse de verbas pblicas. Suas aes, direcionadas s pessoas excludas do sistema previdencirio, eram baseadas na caridade, na benemerncia ou no favor, estabelecendo, assim, laos de dependncia entre os assistidos e os provedores da assistncia, fomentando o clientelismo e a tutela. ATENO Nos anos da ditadura militar (1964 a 1984), a assistncia social manteve o padro filantrpico e benemerente, constitudo de um conjunto variado de aes pblicas e privadas desarticuladas e descontnuas, que funcionavam de forma complementar a outras polticas pblicas. A assistncia aos pobres era delegada s primeiras-damas e no era vista como responsabilidade estatal, reiterando a caridade, a relao de ajuda, o clientelismo e o personalismo, marcas registradas da assistncia social brasileira por um longo perodo.
  • 29. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 35 Por que de forma segmentada? Segmentada porque as aes assis- tenciais eram voltadas para crian- as, adolescentes, idosos, gestantes, pessoas com deficincia, como seg- mentos isolados. Por que de forma fragmentada? Fragmentada porque eram aes estanques, sem articulao umas com as outras. No se baseavam em diagnsticos das demandas e necessidades coletivas, mas eram formuladas para atender necessidades individuais. Atribuir pessoa a condio de necessitada significa titul-la como incapaz de cuidar de si mesma, carente, reiterando a subalternidade e associando a condio de carncia a uma deficincia cultural. Esse carter discriminatrio da assistncia social provoca a irresponsabilidade com relao qualidade dos servios prestados ou com os resultados, fugindo s avaliaes do Estado e ao controle social da sociedade, especialmente dos usurios, que so vistos, e mantidos, como subalternos. No campo da Previdncia Social, aconteceram mudanas significativas nesse perodo: a unificao dos Institutos de Aposentadoria e Penses (IAPs) no Instituto Nacional de Previdncia Social (INPS); a extenso da previdncia aos trabalhadores rurais sem exigncia de contribuio, por meio do FUNRURAL, e a unificao do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Nacional de Assistncia Mdica da Previdncia Social (Inamps) no Sistema Nacional de Previdncia Social (Sinpas). Em 1974, devido piora das condies sociais e ao crescimento da pobreza, por conta da es- tagnao econmica e da crise do petrleo enfrentadas naquela dcada, o Governo Federal criou, paralelamente s outras instituies j existentes, o Ministrio da Previdncia e Assistncia Social (MPAS). A estrutura desse Ministrio contava com uma Secretaria de Assistncia Social, a qual foi destinada a misso de formular, em carter consultivo, a poltica de combate pobreza. No entanto, rompendo as barreiras impostas pelo regime militar, a sociedade brasileira come- ou a se organizar e a lutar por mais liberdade e melhores condies de vida, especialmente por meio da presso e reivindicaes legitimas dos movimentos sociais.
  • 30. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 36 Diversos movimentos sociais brasileiros se restabeleceram e tomaram fora neste perodo, constituindo-se como sujeitos de um amplo processo de luta das classes populares pela democra- cia e por melhores condies de vida. Vamos entender bem o que se quer dizer quando se fala em movimentos sociais: Foram esses atores sociais os responsveis por inscrever na Constituio Federal de 1988 a marca dos direitos sociais, da democracia participativa, da descentralizao e da cidadania. A democracia participativa, implica o exerccio da participao direta e pessoal dos cidados no processo de tomada de deciso do poder pblico, por meio de vrios mecanismos, como o plebiscito popular, a ao popular, entre outros. 2.1.2. A ASSISTNCIA SOCIAL NA CONSTITUIO FEDERAL DE 1988 A Constituio Federal de 1988 inscreveu a assistncia social como poltica pblica no mbi- to da seguridade social, proporcionando proteo populao brasileira por meio de uma srie de medidas pblicas contra as privaes econmicas e sociais, voltadas garantia de direitos e de condies dignas de vida. A assistncia social torna-se, portanto, uma poltica de proteo social articulada a outras polticas sociais destinadas promoo da cidadania, afirmando-se como direito reclamvel pelos cidados. Confira os artigos constitucionais: Em especial, importante destacar a atuao das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), das associaes de moradores, dos ncleos de educao popular, do movimento sindical, do movimento pela reforma sanitria, do movimento da categoria dos assistentes sociais. Movimentos sociais so grupos de pessoas que se unem em torno da de- fesa de necessidades reivindicaes e interesses sociais, bem como valores culturais e polticos comuns, ganhando visibilidade social para sua causa. Constituem movimentos sociais: movimento de mulheres, movimento negro, movimento ambientalista, movimento de luta pela terra, movi- mento de defesa dos direitos da criana e do adolescente, entre outros.
  • 31. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 37 A Constituio Federal de 1988 foi, efetivamente, um importante marco para a histria brasileira. Entre inmeros avanos, ampliou os direitos sociais e muitas questes que antes eram vistas como problema de cada um ou coisa de pobre passaram a ser vistas como uma questo de todos, como responsabilidade pblica, e, portanto, garantidas por lei. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judicirio que compem o Estado brasileiro passam a compreender que para proteger o cidado preciso percorrer dois caminhos ao mesmo tempo. Preste bastante ateno: Constituio Federal de 1988 Art. 203. A assistncia social ser prestada a quem dela necessitar, inde- pendentemente de contribuio seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteo famlia, maternidade, infncia, adolescncia e velhice; II - o amparo s crianas e adolescentes carentes; III - a promoo da integrao ao mercado de trabalho; IV - a habilitao e reabilitao das pessoas portadoras de deficincia e a promoo de sua integrao vida comunitria; V - a garantia de um salrio mnimo de benefcio mensal pessoa por- tadora de deficincia e ao idoso que comprovem no possuir meios de prover prpria manuteno ou de t-la provida por sua famlia, conforme dispuser a lei.
  • 32. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 38 1) o caminho chamado de contributivo, que est relacionado com a proteo social para as pessoas que pagam a previdncia social. Esto protegidos os trabalhadores com carteira de trabalho assinada, os que contribuem como autnomos e os trabalhadores rurais que contri- buram parcialmente para a previdncia social. Dentre os direitos sociais contributivos esto: a aposentadoria, a penso por morte e invalidez e o seguro-desemprego. 2) o caminho conhecido como no contributivo, no est ligado ao trabalho com carteira assinada ou contribuio previdncia social, mas com a garantia de servios e direitos so- ciais, independentemente da vinculao social ou ao mercado de trabalho. Essas aes so financiadas a partir da redistribuio da riqueza produzida pela sociedade. Por este caminho, todos tm assegurada a garantia da proteo social, com nfase especial para idosos, crianas e adolescentes, deficientes, pessoas que no podem trabalhar ou que tm dificuldade de ingres- sar no mercado de trabalho. Dentre os direitos no contributivos esto: a sade, a assistncia social, a educao, a cultura, o desporto, a garantia de renda e outros. O arcabouo criado a partir da Constituio Federal de 1988, associado ao grave e insusten- tvel quadro social enfrentado nas dcadas de 1980 e 1990, estabelece as condies concretas para que o Estado brasileiro reoriente suas aes por meio de um conjunto de polticas pblicas voltadas ao enfrentamento da pobreza e da violao de direitos. 2.2. A ATUAL CONFIGURAO DA ASSISTNCIA SOCIAL NO BRASIL A dcada de 1990 foi marcada pelos movimentos sociais que lutavam pela efetivao dos direitos impressos na Constituio. As organizaes da sociedade civil e os setores polticos e aca- dmicos promoviam estratgias para pressionar o governo para que o campo da assistncia social se consolidasse como direito. Entre as estratgias, promoveu-se um debate nacional visando a ela- borao de um novo Projeto de Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS), a ser encaminhado ao Legislativo para regulamentao dos artigos 203 e 204 da Constituio Federal, em substituio primeira verso que foi integralmente vetada em 1990. Esse processo culminou na promoo, pelo Ministrio do Bem-Estar Social, de uma srie de encontros regionais e da histrica Conferncia Nacional de Assistncia Social, de junho de 1993. ATENO A Constituio Federal de 1988 abre caminho para que a garantia de renda tambm seja reconhecida como direito no contributivo. O Ministrio do Bem-Estar Social foi criado aps a Constituio Federal. Porm, na contramo dos preceitos constitucionais, fortalece o modelo cen- tralizador simbolizado pela LBA, mantendo a mesma fragmentao de aes.
  • 33. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 39 Nessa ocasio, foram definidos democraticamente os pontos fundamentais a serem contem- plados pelo que viria a ser a Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS), garantindo que o projeto que tramitava no Congresso Nacional, de autoria do chefe do Executivo, fosse alterado e se aproximasse do modelo originariamente construdo pelos setores envolvidos na Conferncia. A LOAS, (Lei n. 8.742) aprovado em 7 de dezembro de 1993, regulamenta os artigos 203 e 204 da Constituio, definindo claramente os objetivos e diretrizes da assistncia social, a forma de organizao e a gesto das aes socioassistenciais, reforando a assistncia social como sistema descentralizado, com participao popular e financiado pelo poder pblico, conforme prescreve a Constituio Federal. A LOAS avana na distribuio de competncias da assistncia social entre as esferas de governo, define o carter, a composio e as atribuies das instncias deliberativas, bem como a estrutura de financiamento da rea. A Lei considera entidades e organizaes de assistncia social aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficirios, bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos. Nessa perspectiva, os servios, programas e projetos prestados pelas entidades de assistncia social devem ser orientados pela lgica do direito, e no segundo a lgica do dever moral. Assim, a LOAS assegura a diretriz constitucional da primazia da respon- sabilidade do Estado na gesto, financiamento e execuo da assistncia social nas trs esferas de governo.
  • 34. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 40 A LOAS organiza ainda a assistncia social na forma de um sistema descentralizado e par- ticipativo. Mas, o que um sistema descentralizado? Vamos por partes: Descentralizado, ainda, porque se admite a execuo de servios, programas e projetos socio- assistenciais por instituies da sociedade civil sem fins lucrativos, fomentadas e subvencionadas pelo poder pblico. Porm, nesses casos, so tambm submetidas aos mesmos princpios estabe- lecidos pela LOAS: O conceito de sistema remete ideia de um conjunto de elementos in- terconectados, a fim de formar um todo organizado. O termo sistema significa combinar, ajustar, formar um conjunto. O sistema um conjunto de rgos funcionais, componentes, entidades, partes ou elementos e a integrao entre esses componentes se d por fluxo de informaes, fluxo de matria, fluxo de sangue, fluxo de energia. Um sistema s existir se houver comunicao entre seus compontentes e um objetivo comum. Na linguagem dos sistemas, a boa integrao dos elementos componen- tes do sistema chamada sinergia, determinando que as transformaes ocorridas em uma das partes influenciam todas as outras. A alta sinergia de um sistema faz com que seja possvel a este cumprir sua finalidade e atingir seu objetivo final com eficincia. Por outro lado, a falta de sinergia pode implicar mau funcionamento do sistema, vindo a causar inclusive falha completa, morte, falncia, pane, queda do sistema etc. Porque passa a ser responsabilidade das trs esferas de governo, respei- tado, em cada nvel, o comando nico das aes. Isso implica a cor- responsabilidade no financiamento dos servios, benefcios, programas e projetos socioassistenciais pelos trs nveis de governo. Exige plena articulao entre as trs esferas federativas, cabendo a coor- denao e as normas gerais esfera federal e a coordenao e execuo, s esferas estaduais, municipais e Distrito Federal. SISTEMA DESCENTRALIZADO
  • 35. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 41 O seu reconhecimento como direito do cidado e o dever legal de sua oferta com quali- dade, atendendo a todo aquele que dela necessitar e no todo da necessidade, tanto quando forem ofertados diretamente pelo estado como por intermdio da sociedade civil. O sistema descentralizado , por princpio, participativo, na medida em que assegura po- pulao o direito participao na elaborao, controle e avaliao das aes socioassistenciais em todos os nveis. A LOAS instituiu o Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS) como orgo mximo de deliberao da poltica de assistncia social no Brasil. Alm disso, delegou-lhe a competncia de convocar a Conferncia Nacional de Assistncia Social, como instncia privilegiada de participao popular e controle social da Poltica Nacional de Assistncia Social. Ao mesmo tempo, delegou aos estados, Distrito Federal e municpios a responsabilidade de instituir seus respectivos conselhos. Importante lembrar: A participao e o controle social constituem inovaes histricas no cam- po da assistncia social, uma vez que o extinto Conselho Nacional de Servio Social (CNSS) no contava com tal representatividade e no cumpria funo de controle social. Outro grande avano institudo pela LOAS foi a estrutura de financiamento da assistncia social, que tem por base o Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS) e os Fundos de Assistncia Social dos estados, do Distrito Federal e dos municpios. A responsabilidade pela gesto de cada Fundo atribuda ao rgo competente pela gesto da Poltica de Assistncia Social na respectiva esfera federativa, submetida ao controle dos respectivos Conselhos de Assistncia Social. De acordo com a LOAS, as fontes de financiamento da assistncia social constituem-se de: recursos da Unio, dos estados, do Distrito Federal e dos municpios, como corresponsveis pela gesto, execuo e financiamento da poltica; recursos provenientes das contribuies sociais previstas no art. 195 da Constituio Federal; recursos provenientes de doaes de pessoas fsicas ou jurdicas, nacionais ou estrangeiras, e os provenientes de concursos de prognsticos, sorteios e loterias (Decreto n. 1.605/1995). Por fim, a LOAS condicionou os repasses de recursos financeiros da Unio para estados, Dis- trito Federal e municpios criao dos respectivos: ATENO A democracia participativa um regime no qual se pretende a existncia de efetivos mecanismos de controle da sociedade civil sobre a administrao pblica, no se reduzindo o papel democrtico apenas ao voto, mas tambm estendendo a democracia para a esfera social. CONSELHOS PLANOS FUNDOS
  • 36. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 42 Esse mecanismo apresenta o grande mrito de induzir e promover o planejamento, bem como a articulao das aes socioassistenciais entre as esferas federativas. Essa nova configurao atribui tambm um papel central ao controle social da Poltica Nacional de Assistncia Social. 2.3. A POLTICA NACIONAL DE ASSISTNCIA SOCIAL (PNAS) E O SISTEMA NICO DE ASSISTNCIA SOCIAL (SUAS) A criao do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS), em 2004, constituiu mais um passo na consolidao da assistncia social como direito de cidadania. Na IV Conferncia Nacional de Assistncia Social, no ano de 2003, deliberou-se pela imple- mentao do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS). A partir da, desenvolveu-se um amplo e democrtico debate em todo o Pas. Esse debate traduziu, e continua traduzindo, o cumprimento das principais deliberaes da IV Conferncia Nacional de Assistncia Social e denota o compromisso coletivo das trs esferas de governo e respectivas instncias de controle social em materializar a LOAS. Ao fim desse processo, aps o acolhimento de uma srie de contribuies dos Conselhos de As- sistncia Social, do Frum Nacional de Secretrios de Assistncia Social (FONSEAS), do Colegiado de Gestores Municipais de Assistncia Social (CONGEMAS), de Universidades, Ncleos de Estu- do, Centros de Pesquisas e pesquisadores, entre outros, e aps a pactuao na Comisso Interges- tores Tripartite (CIT), em 2004, foi aprovada a Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS). A Poltica Nacional de Assistncia Social1 inova em muitos aspectos: estrutura a assistncia social em nveis de proteo social com perspectiva socioterritorial, ou seja, considerando diversidades locais e regionais; tem como base de referncia a famlia, espao privilegiado e insubstituvel de proteo e socia- lizao primrias; executada nos territrios, tendo como parmetros as demandas, necessidades e potencialidades locais. Com isso, o novo reordenamento da poltica comea a possibilitar que determinados grupos da sociedade historicamente excludos possam ter acesso aos servios e benefcios socioassistenciais; O SUAS um sistema pblico no contributivo, descentralizado e parti- cipativo, que tem por funo a gesto do contedo especfico da assistn- cia social no campo da proteo social brasileira. 1 A Poltica Nacional de Assistncia Social foi aprovada em reunio do CNAS (Resoluo n. 145, de 15 de outubro de 2004, publicada no Dirio Oficial da Unio em 28 de outubro de 2004).
  • 37. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 43 favorece, assim, a localizao de uma rede de servios a partir das reas de maior vulnerabili- dade e riscos e, ao centrar-se na famlia, recoloca em foco a composio dos direitos socioassis- tenciais integrados ao ncleo social bsico de acolhida, convvio, autonomia, sustentabilidade e protagonismo social; ultrapassa a viso de ateno aos mais pobres, aos necessitados, e recoloca o foco da assistncia social nas necessidades sociais, pautada na dimenso tica de incluir as diferenas e os dife- rentes, os invisveis, os transformados em casos individuais, embora, de fato, sejam parte de uma situao social coletiva. Nessa perspectiva, aponta para a necessidade de que gestores e operadores da poltica sejam capazes de captar as desigualdades sociais que provocam as inmeras vulnerabilidades e riscos, bem como os recursos para enfrentar tais situaes com menor dano pessoal e social possvel. Vulnerabilidades e riscos deixam de ser vistos, portanto, como responsabilidades do indivduo. Dessa forma, exige uma viso social capaz de entender que os territrios e a populao que neles se relaciona tm necessidades, mas tambm possibilidades e habilidades a serem potencializadas. Um dos mais importantes normativos do SUAS a Norma Operacional Bsica do Sistema nico de Assistncia Social (NOB/SUAS), aprovada pelo CNAS por meio da Resoluo n. 130, de 15 de julho de 2005. A NOB/SUAS regulamenta a PNAS/2004 e, entre outras definies: disciplina a operacionalizao da gesto da poltica de assistncia social, conforme a Consti- tuio Federal de 1988, a LOAS e legislao complementar aplicvel nos termos da Poltica Nacional de Assistncia Social de 2004; define a diviso de competncias e responsabilidades entre as trs esferas de governo, os nveis de gesto de cada uma dessas esferas, as instncias que compem o processo de gesto e controle dessa poltica e como elas se relacionam; estabelece normas sobre a nova relao com as entidades, organizaes governamentais e no governamentais; organiza os principais instrumentos de gesto a serem utilizados; institui a forma da gesto financeira, que considera os mecanismos de transferncia, os critrios de partilha e de transferncia de recursos. ATENO Dando continuidade aos preceitos estabelecidos pela Constituio Federal de 1988 e pela Lei Orgnica da Assistncia Social de 1993, a PNAS reafirma a assistncia social como poltica pblica de responsabilidade estatal com um contedo especfico no campo da proteo social: a garantia das seguranas da acolhida, do convvio, do desenvolvimento da autonomia, de rendimentos e de sobrevivncia a riscos circunstanciais, superando a viso de que complementar a outras polticas. A implantao da Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS/2004) e do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS) sob o paradigma da constituio do direito socioassistencial incidiu em aspectos fundamentais da gesto como a descentralizao, o financiamento, o controle social e a gesto do trabalho.
  • 38. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 44 Igualmente importante a Norma Operacional Bsica de Recursos Humanos (NOB-RH/ SUAS), pactuada no mbito da Comisso Intergestores Tripartite (CIT) e aprovada pelo Conse- lho Nacional de Assistncia Social (CNAS), por meio da Resoluo n. 269, de 13 de dezembro de 2006. Essa norma estabelece e consolida os principais eixos a serem considerados para a gesto do trabalho do SUAS. Em acordo com a Constituio Federal de 1988 e com a LOAS de 1993, a PNAS(2004) e a NOB/SUAS (2005) configuram a assistncia social com base em trs diretrizes: na gesto com- partilhada das aes entre o Estado e a sociedade civil sob coordenao e primazia do primeiro, na atribuio de competncias tcnicas e polticas diferenciadas para as diferentes esferas federativas, e no cofinanciamento das aes entre elas. A PNAS/2004 estabelece tambm as funes da assistncia social, que so referncia para o planejamento, organizao, execuo, monitoramento e avaliao de seus servios: a vigilncia social, que se refere produo e sistematizao de informaes sobre vulnera- bilidades e riscos, garantindo diagnsticos consistentes e a possibilidade do planejamento e oferta de servios, benefcios, programas e projetos que efetivamente atendam as necessidades da populao, com a devida cobertura; a proteo social, que garante as seguranas de convvio, acolhida, desenvolvimento da auto- nomia, rendimentos e sobrevivncia a riscos circunstanciais, a defesa social e institucional, que assegura um conjunto de direitos a serem garantidos na operao do SUAS a seus usurios. A regulao da dinmica deste sistema socialmente orientada pela ao pblica descentralizada poltico-administrativamente, territorialmente adequada e democraticamente construda, baseada na noo de territrio. Mas o que territorizalizao? ATENO No mbito das aes, o SUAS regula, em todo o territrio nacional, a oferta de servios, benefcios, programas, projetos e aes de assistncia social, de carter permanente e eventual, organizados sob critrio universal e em rede hierarquizada de mbito federal, estadual, municipal e do Distrito Federal. A territorializao refere-se centralidade do territrio como fator de- terminante para a compreenso das situaes de vulnerabilidade e risco social, bem como para seu enfrentamento. A adoo da perspectiva da territorializao materializa-se a partir da descentralizao da poltica de assistncia social e consequente oferta dos servios socioassistenciais em locais prximos aos seus usurios. Isso aumenta sua eficcia e efetividade, criando condies favorveis ao de preveno ou enfrentamento das situaes de vulnerabilidade e risco social, assim como de identificao e estmulo das potencialidades presentes no territrio.
  • 39. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 45 Por outro lado, a gesto da assistncia social estruturada na forma de um sistema cujo foco a famlia, resultando da o princpio da matricialidade sociofamiliar. Mas o que se entende por matricilidade sociofamiliar? Ao eleger a matricialidade sociofamiliar como uma de suas bases estruturantes, o SUAS orga- niza a rede socioassistencial para apoio s famlias, tendo em vista assegurar a toda a populao o direito convivncia familiar, seguindo o pressuposto de que, para a famlia prevenir, proteger e manter seus membros, necessria a ao efetiva do poder pblico. Dessa forma, o SUAS organizado por nveis de proteo social, que so: A matricialidade sociofamiliar refere-se centralidade da famlia como ncleo social fundamental para a efetividade de todas as aes e servios da poltica de assistncia social. A famlia, segundo a PNAS, o conjun- to de pessoas unidas por laos consanguneos, afetivos e/ou de solida- riedade, cuja sobrevivncia e reproduo social pressupem obrigaes recprocas e o compartilhamento de renda e/ou dependncia econmica. PROTEO SOCIAL BSICA SUAS PROTEO SOCIAL ESPECIAL DE MDIA COMPLEXIDADE DE ALTA COMPLEXIDADE
  • 40. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 46 AGORA VAMOS SABER MAIS SOBRE A PROTEO SOCIAL BSICA. O que configura a proteo social bsica nos municpios e no Distrito Federal a existncia do CENTRO DE REFERNCIA DE ASSISTNCIA SOCIAL (CRAS). O CRAS uma unidade pblica estatal descentralizada da Poltica Nacional de Assistncia Social, responsvel pela organizao e oferta de servios da proteo social bsica do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS) nas reas de vulnerabilidade e risco social. Os CRAS devem ser instalados nos territrios onde reside a populao vulnerabilizada, facili- tando seu acesso. Por isso, caracteriza-se como a principal porta de entrada do SUAS. Vulnerabilidade social Famlias e indivduos com perda ou fragilidade de vnculos de afetividade, pertencimento e sociabilidade; desvantagem pessoal resultante de deficincias; excluso pela pobreza e/ou pelo acesso s demais polticas pblicas. O CRAS referncia para o de- senvolvimento de todos os servi- os socioassistenciais de proteo bsica do Sistema nico de Assis- tncia Social (SUAS), de carter preventivo, protetivo e proativo, no seu territrio de abrangncia. O CRAS uma unidade que possibilita o acesso de um gran- de nmero de famlias rede de proteo social de assistncia so- cial. uma unidade que tem por objetivo prevenir a ocorrncia de situaes de vulnerabilidades e riscos sociais nos territrios, por meio do desenvolvimento de po- tencialidades e aquisies, do for- talecimento de vnculos familiares e comunitrios e da ampliao do acesso aos direitos de cidadania.
  • 41. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 47 So Servios da Proteo Social Bsica: Servio de Proteo e Atendimento Integral Famlia (PAIF); Servio de Convivncia e Fortalecimento de Vnculos; Servio de Proteo Social Bsica no Domiclio para Pessoas com Deficincia e Idosas. O PAIF deve ser obrigatoriamente ofertado no CRAS. Os demais podem ser ofertados di- retamente no CRAS, desde que este disponha de espao fsico e equipe compatvel. Quando desenvolvidos no territrio do CRAS por outra unidade pblica ou entidade de assistncia social privada sem fins lucrativos, devem ser obrigatoriamente a ele referenciados. Para integrar servios e benefcios, foi pactuado na Comisso Intergestores Tripartites, a CIT, um Protocolo especfico para a Gesto Integrada de Servios, Benefcios e Transferncia de Ren- da no mbito do Sistema nico de Assistncia Social: O Protocolo de Gesto Integrada entre Servios, Benefcios e Transferncias de Renda. Por meio da Resoluo n. 7, de 10 de setembro de 2009, esse Protocolo estabelece procedi- mentos necessrios para a garantia da oferta prioritria de servios socioassistenciais nos CRAS s famlias do Programa Bolsa Famlia (PBF), do Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI), do Benefcio de Prestao Continuada (BPC) e Benefcios Eventuais, especialmente das que apresentam sinais de maior vulnerabilidade. Nesse sentido, o Protocolo confirma que o descumprimento de condicionalidades no PBF ou no PETI, assim como a no presena na escola das crianas do BPC, constituem situaes reveladoras do alto grau de vulnerabilidades das famlias. O documento de gesto, orienta que especialmente estas sejam priorizadas no que se refere ao atendimento e acompanhamento pelos servios. Mais do que isso, o Protocolo norteia o planejamento e a execuo de aes orientadas pela perspectiva da vigilncia social, uma vez que a par- tir do processamento e anlise das informaes que ser feita a identifi- cao das famlias, assim como sua localizao no territrio, viabilizando a busca ativa e a insero destas nos servios socioassistenciais do SUAS.
  • 42. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 48 AGORA VAMOS SABER MAIS SOBRE A PROTEO SOCIAL ESPECIAL. A Proteo Social Especial organizada em mdia e alta complexidade. Vamos ver as especifici- dades dessas duas modalidades de atendimento. A Proteo Social Especial de Mdia Complexidade tem como objetivos: A Proteo Social Especial de Mdia Complexidade materializa-se por meio do CENTRO DE REFERNCIA ESPECIALIZADO DE ASSISTNCIA SOCIAL (CREAS) e de um conjunto de servios. O CREAS CONSTITUI-SE NUMA UNIDADE PBLICA E ESTATAL ONDE SE OFERTAM SERVIOS ESPECIALIZADOS E CONTINUADOS A FAMLIAS E INDIVDUOS NAS DIVERSAS SITUAES DE VIOLAO DE DIREITOS. Como unidade de referncia deve: promover a integrao de esforos, recursos e meios para enfrentar a disperso dos servios e potencializar aes para os usurios; articular os servios de mdia complexidade e operar a referncia e a contrarreferncia com a rede de servios socioassistenciais da proteo social bsica e especial, com as demais polticas pblicas setoriais e demais rgos do Sistema de Garantia de Direitos. O CREAS poder ser implantado com abrangncia local/municipal ou regional, de acordo com o porte, nvel de gesto e necessidade dos municpios, alm do grau de incidncia e complexidade das situaes de violao de direitos. IMPORTANTE SABER! Aquele CREAS que possuir abrangncia regional ser desenvolvido por iniciativa do estado ou de grupos de municpios, podendo ser implantado nas seguintes situaes: A oferta de servios de orientao e o apoio especializado e continuado a indivduos e famlias com direitos violados, mas cujos vnculos familiares e comunitrios no foram rompidos, tendo a famlia como foco de suas aes, na perspectiva de potencializar sua capacidade de proteo e socia- lizao de seus membros. Para tanto, deve manter articulao permanen- te com o Sistema de Garantia de Direitos, com a rede socioassistencial e com as demais polticas pblicas.
  • 43. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 49 nos casos em que a demanda do municpio no justificar a oferta, no seu mbito, de servios continuados no nvel de proteo social especial de mdia complexidade, ou, nos casos em que o municpio, devido ao seu porte ou nvel de gesto, no tenha condies de gesto individual de um servio em seu territrio. Saiba quais so os Servios da Proteo Social Especial de Mdia Complexidade: Servio de Proteo e Atendimento Especializado a Famlias e Indivduos; Servio Especializado de Abordagem Social; Servio de proteo social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestao de Servios Comunidade (PSC); Servio de Proteo Social Especial para Pessoas com Deficincia, Idosas e suas Famlias; Servio Especializado para Pessoas em Situao de Rua. A Proteo Social Especial de Alta Complexidade tem por objetivo: executada por meio dos seguintes servios: Servio de Acolhimento Institucional; Servio de Acolhimento em Repblica; Servio de Acolhimento em Famlia Acolhedora; Servio de Proteo em Situaes de Calamidades Pblicas e de Emergncias. Garantir a proteo integral, moradia, alimentao, higienizao e traba- lho protegido para famlias e indivduos que se encontram sem referncia e/ou em situao de ameaa, necessitando serem retirados do convvio familiar e/ou comunitrio.
  • 44. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 50 Pode-se, assim resumir os eixos estruturantes do SUAS: descentralizao poltico-administrativa; territorializao; matricialidade sociofamiliar; novas bases para a relao entre Estado e sociedade civil; financiamento; controle social; participao popular/cidado usurio; poltica de recursos humanos, informao, monitoramento e avaliao. Alguns desses eixos sero tratados especificamente nos mdulos seguintes. SINTETIZANDO: 1. O SUAS um sistema pblico no contributivo, descentralizado e participativo que tem por funo a gesto do contedo especfico da assistncia social no campo da proteo social brasileira. 2. A regulao da dinmica desse sistema socialmente orientada pela ao pblica territorial- mente adequada e democraticamente construda, com definio de competncias especficas de cada esfera governamental; pela valorizao do impacto social das diversas polticas estru- turais e pelo desenvolvimento social sustentvel. 3. De acordo com a Constituio Federal de 1988, a LOAS de 1993, a PNAS de 2004 e a NOB/SUAS de 2005, a assistncia social est configurada na forma de um sistema: baseado na noo de territrio; focado no atendimento famlia; orientado para a garantia de ateno diferenciada nos nveis de proteo bsica e especial, sendo esta de mdia e alta complexidade; com aes ordenadas sob o princpio matricial; organizado com base na gesto compartilhada das aes entre o Estado e a sociedade civil, sob coordenao e primazia do primeiro, na atribuio de competncias tcnicas e pol- ticas diferenciadas para as diferentes esferas federativas e no cofinanciamento das aes entre elas;
  • 45. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 51 planejado, monitorado e avaliado por meio de sistema de informaes e controlado pela sociedade. 4. O SUAS trata, efetivamente, de um modelo emancipatrio que requer a proviso de aes da Poltica de Assistncia Social, as quais, articuladas a outras polticas, respondam s ne- cessidades sociais e coletivas, e tambm sejam capazes de atuar nos inmeros requerimentos individuais e privados, decorrentes da situao de vida das famlias. 5. Dentre as polticas com as quais a assistncia social vem se integrando efetivamente, tendo em vista a garantia dos direitos sociais de imensa parcela da populao brasileira, esto as polticas de garantia de renda, consubstanciadas no Programa Bolsa Famlia. A ASSISTNCIA SOCIAL E O SUAS Quando a Constituio Federal de 1988 afirmou que a assistncia social era um direito de todas as pessoas, a luta por tirar este direito do papel contou com trs marcos at a instituio do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS): a edio da Lei Orgnica de Assistncia Social (LOAS) em 1993; a publicao, em outubro de 2004, da nova Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS) onde foi defi- nido o modelo de gesto para a nova poltica de seguridade social, o SUAS; e a publicao, em julho de 2005, da Norma Operacional Bsica do Sistema nico de Assistncia Social (NOB/SUAS), que disciplina a gesto e a poltica de assistncia social nos territrios, e define os parmetros para a regulamentao e implantao do SUAS. QUEM INTEGRA O SUAS? os rgos gestores, entidades e trabalhadores dos trs entes federados; conselhos, fundos e conferencias de assistncia social; as instncias de pactuao; as representaes de gestores estaduais e municipais, como o Colegiado Nacio- nal de Gestores da Assistncia Social (CONGEMAS) e o Frum Nacional de Secretrios de Assistncia Social (FONSEAS); o fruns de discusso poltica; os usurios da assistncia. A importncia do SUAS encontra-se justa- mente em no s traduzir-se um novo modelo de gesto, mas estabelecer-se como um pro- jeto que busca e materializa o direito social e a ruptura com a esfera do no direito, papel ao qual a assistncia social havia sido relegada por anos. O SUAS um sistema federativo que envolve todos os entes da federao: Estados, munic- pios, Distrito Federal e Unio. O SUAS organi- zado pelo MDS e coordenado pela Secretaria Nacional de Assistncia Social (SNAS). So rgos de gesto colegiada como as Comisses Intergestores Bipartite (CIB) e Tri- partite (CIT).
  • 46. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 52 2.4. O PROGRAMA BOLSA FAMLIA (PBF) O Bolsa Famlia um programa de transferncia direta de renda com condicionalidades vol- tado a famlias em situao de pobreza e extrema pobreza, que vincula o recebimento de benefcio financeiro ao cumprimento de compromissos nas reas de sade, educao e assistncia social. Criado em 2004, por meio da Lei n. 10.836, de 9 de janeiro de 2004, e regulamentado pelo Decreto n. 5.209, de 17 de setembro de 2004, o PBF fruto da unificao dos programas de transferncia de renda do Governo Federal criados a partir de 2001: Bolsa Escola, Bolsa Alimen- tao e Vale Gs. Essa unificao permitiu atender mais famlias em todo o Pas, alm de evitar que muitas famlias recebessem vrios benefcios, enquanto outras no recebiam recurso algum, mesmo tendo direito. O Programa Bolsa Famlia constitui-se hoje um dos maiores programas de transferncia con- dicionada de renda do mundo em abrangncia territorial e cobertura populacional, benefician- do atualmente cerca de 12,4 milhes de famlias caracterizadas por sua vulnerabilidade social decorrente de nveis muito baixos de renda. Seus objetivos so: combater a fome e promover a segurana alimentar e nutricional das famlias mais pobres, promover o acesso dessas famlias rede de servios sociais pblicos, promover a emancipao sustentada das famlias que vivem em situao de pobreza e extrema pobreza por meio da integrao de aes da Unio, estados, Distrito Federal e municpios. No alcance desses objetivos, o PBF se pauta na articulao de trs dimenses essenciais superao da forme e da pobreza: promoo do alvio imediato da pobreza por meio da transferncia direta de renda s famlias; reforo ao exerccio de direitos sociais bsicos nas reas de sade, educao e assistncia so- cial, por meio do cumprimento das condicionalidades, o que contribui para que as famlias consigam romper o ciclo da pobreza entre geraes; e articulao de oportunidades para o desenvolvimento das famlias, por meio de aes que promovam a superao da situao de vulnerabilidade e pobreza pelos beneficirios do PBF. So exemplos dessas aes: programas de qualificao profissional, de gerao de trabalho e renda, de melhoria das condies de moradia, de alfabetizao de adultos, de educao de jovens e adultos, alm da tarifa social de energia eltrica, de fornecimento de registro civil e demais documentos e da iseno de taxas em concursos pblicos federais. A gesto do Programa realizada de forma descentralizada, por meio da cooperao entre o Governo Federal, estados, o Distrito Federal e os municpios, no esforo conjunto de erradicao da pobreza e na reduo das desigualdades sociais e regionais, conforme rezam os princpios
  • 47. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 53 constitucionais. O programa executado, em nvel federal, pelo Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS), por meio da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania. Os estados, o Distrito Federal e municpios, por seu turno, designam formalmente uma coordenao do Programa Bolsa Famlia, geralmente vinculadas s Secretarias de Assistncia So- cial ou congneres. Para apoiar financeiramente os municpios, estados e o Distrito Federal no desempenho de suas aes relacionadas ao PBF, o MDS criou um mecanismo de transferncia de recursos vinculado ao ndice de Gesto Descentralizada (IGD) que avalia o desempenho de cada ente na gesto dos componentes do PBF.Estes aspectos sero melhor detalhados no mdulo II. Para ter acesso ao benefcio do PBF, as famlias precisam estar inscritas no Cadastro nico de Programas Sociais do Governo Federal (Cadnico). O Cadastro nico constitudo por sua base de dados, instrumentos, procedimentos e siste- mas eletrnicos que renem informaes sobre a famlia e seus membros. O Cadnico permite que os governos - Federal, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais - conheam as reais con- dies de vida dos brasileiros em situao de pobreza e obtenham o diagnstico socioeconmico das famlias cadastradas.
  • 48. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 54 3. O CONTROLE SOCIAL DA POLTICA DE ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA Como vimos, a Constituio Federal de 1988 definiu como diretrizes das polticas pblicas na- cionais, em especial na organizao da assistncia social, a descentralizao poltico-administrativa e a participao popular na formulao das polticas e no controle das aes em todos os nveis. O controle social da assistncia social e do Programa Bolsa Famlia realizado por meio da par- ticipao da populao na gesto da poltica, no acompanhamento, na fiscalizao das instituies governamentais e no governamentais que os executam e dos recursos destinados ao funcionamento dos servios, programas, projetos e benefcios, incluindo os benefcios de transferncia de renda. A participao popular na formulao e no controle da Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS, 2004) foi efetivada pela Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS, 1993), que, em seu art. 16, institui o Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS) e estabelece os Conselhos Estaduais de Assistncia Social (CEAS), os Conselhos Municipais de Assistncia Social (CMAS) e o Conselho de Assistncia Social do Distrito Federal (CAS/DF), como instncias deliberativas do sistema descentralizado e participativo, de carter permanente e composio paritria entre governo e sociedade civil. A gesto do PBF tambm se fundamenta nos princpios da participao comunitria e do controle social, no entendimento de que a sociedade parte legtima para acompanhar a gesto do Programa. Para viabilizar os preceitos da Lei n. 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que criou o Programa Bolsa Famlia, os municpios que aderem ao PBF devem designar um Conselho, genericamente denominado de Instncia de Controle Social do PBF (ICS). Vamos, a partir deste momento, abordar algumas questes relacionadas ao controle social e sa- ber mais a respeito desse assunto, das atribuies e dos espaos onde o controle social se efetiva. 3.1. O CONTROLE SOCIAL DA ASSISTNCIA SOCIAL 3.1.1. OS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL So rgos vinculados ao Poder Executivo da esfera de governo que lhes so correspondentes, possuem carter permanente, deliberativo e so compostos de forma paritria por representantes: do governo; da sociedade civil
  • 49. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 55 Aos conselhos cabe o exerccio de um conjunto de atribuies relacionadas principalmente formulao e ao controle social da Poltica Nacional de Assistncia Social. 3.1.2. AS CONFERNCIAS DE ASSISTNCIA SOCIAL So eventos de natureza especial que possuem carter deliberativo, a exemplo dos Conselhos, possuem realizao peridica. Constituem-se em fruns democrticos, abertos participao do conjunto da populao, instituies e organismos envolvidos no s com a formulao, gesto e controle da Poltica Nacional de Assistncia Social nas trs esferas federativas, mas tambm os sujeitos aos quais as aes dessa poltica se destinam (usurios), tendo em vista o fortalecimento da continuidade do processo de sua implementao. Cabe s Conferncias avaliar a PNAS e propor diretrizes para o aperfeioamento do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS). Figura 1 CICLO DAS AES EXERCIDAS POR CONSELHOS E CONFERNCIAS No entanto, as diretrizes definidas pelas Conferncias no condicionam a ao apenas dos Conselhos, mas tambm de um conjunto de organismos e instncias envolvidas no processo de formulao e gesto da Poltica Nacional de Assistncia Social, dentre os quais: o prprio rgo da administrao pblica responsvel pela coordenao da poltica (MDS); as instncias de pactuao: CIB e CIT; as instncias de articulao: fruns e outros. ATENO Representam tanto o trmino quanto a abertura de um ciclo, avaliam os resultados do processo de implementao e propem as diretrizes orientadoras do processo de reformulao para aperfeioamento da poltica, estabelecendo, portanto, um novo ponto de partida ao formuladora e de controle social desenvolvida pelos Conselhos. Formulao Controle Avaliao Reformulao para Aperfeioamento
  • 50. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 56 Voc sabe o que uma instncia de pactuao? Constituem-se em espaos de debate, negociao e concentrao de diferentes vises e propostas sobre a operacionalizao da PNAS. Promovem consensos entre os entes envolvidos, porm no exigem processo de votao ou de deliberao em suas decises. As instncias de pactuao so duas: as Comisses Intergestores Bipartite (CIBs) e a Comisso Intergestores Tripartite (CIT). 3.1.3. COMO SO CRIADOS OS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL? Segundo a LOAS, em seu art. 17, 4, os Conselhos de Assistncia Social so criados por lei especfica, seja ela federal, estadual, do DF ou municipal. A lei definir, dentre outras atribuies: a natureza, a finalidade e as competncias do conselho, que dever estar em conformidade com o que preconizam a LOAS, a Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS), suas Normas Operacionais (NOB/SUAS e NOB-RH /SUAS), resolues do CNAS e dos demais Conselhos; o perodo de vigncia cada mandato dos conselheiros (gesto); o nmero de conselheiros que devero compor o conselho, entre titulares e suplentes, ga- rantindo a paridade entre representantes da sociedade civil e governo; a estrutura administrativa, como a existncia da Secretaria Executiva e das comisses temticas. O Conselho de Assistncia Social dever possuir um regimento interno contendo o detalha- mento de suas competncias, de acordo com o que est definido na LOAS e na lei de criao do conselho. Assim, dever especificar, dentre outras: a forma como sero criadas as comisses temticas e procedimentos para a criao de grupos de trabalho temporrios e permanentes; o processo de eleio dos conselheiros representantes da sociedade civil; os trmites para substituio de conselheiros e perda de mandato; a periodicidade das reunies do Plenrio e das comisses; as orientaes sobre como sero publicadas as decises do Plenrio; a indicao das condies que devem ser seguidas para alterar o regimento interno; o detalhamento das atribuies da Secretaria Executiva do Conselho. Assim, a interveno dos Conselhos na formulao e no controle da pol- tica constitui um processo complexo que envolve conflitos, pactuaes e a construo de acordos no interior dos prprios Conselhos e na relao destes com os organismos e instncias de gesto, pactuao e articulao.
  • 51. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 57 3.1.4. AS COMPETNCIAS DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL Segundo a LOAS, competncia dos conselhos, dentre outras, inscrever e fiscalizar as entida- des e organizaes de assistncia social. Em seu art. 9, a LOAS diz que: O que isso significa? Significa que essas entidades devem ser previamente autorizadas pelos conselhos para o fun- cionamento. Essa autorizao dar-se- pela inscrio das entidades e organizaes de assistncia social nos conselhos de seus municpios e do DF. Os conselhos de Assistncia Municipais Social tm como principais atribuies: O funcionamento das entidades e organizaes de assistncia social de- pende de prvia inscrio no respectivo Conselho Municipal de Assistn- cia Social ou no Conselho do Distrito Federal, conforme o caso. - Convocar e encaminhar as deliberaes das Conferncias de Assistncia Social. - Apreciar e aprovar o Plano de Ao da Assistncia Social do municpio. - Apreciar os relatrios de atividades e de realizao financeira dos recur- sos do Fundo de Assistncia Social do municpio. - Apreciar e aprovar a proposta oramentria dos recursos da assistncia social a ser encaminhada ao poder legislativo. - Acompanhar os processos de pactuao da Comisso Intergestora Tri- partite (CIT) e Comisso Intergestora Bipartite (CIBs). - Divulgar e promover a defesa dos direitos socioassistenciais. o instrumento que define a composio do Conselho, a periodicidade das reunies, quorum de votao, regras de eleio (ou indicao), seleo e substituio de conselheiros, dentre outros. O regimento interno deve ser elaborado e aprovado pela plenria do Conselho, publicado no instrumento oficial de comunicao do municpio e disponibilizado para os conselheiros e demais interessados da sociedade. O QUE O REGIMENTO INTERNO?
  • 52. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 58 Os conselhos, ainda, normatizam, disciplinam, acompanham, avaliam e fiscalizam servios, programas, projetos e benefcios prestados pela rede socioassistencial estatal ou no. Em rela- o a essa atribuio, importante que os conselheiros conheam a tipificao dos servios socioassistenciais. O que isso? A tipificao apresenta as referncias bsicas para acompanhamento, avaliao e fiscalizao desses servios, sendo uma referncia para os outros conselhos estabelecerem os critrios para repasse de recursos financeiros aos servios socioassistenciais. Conforme j comentado, o art. 30 da LOAS condio para o repasse dos recursos da assis- tncia social aos municpios, estados e Distrito Federal para efetiva instituio e funcionamento de: conselhos de assistncia social; fundo de assistncia social e plano de assistncia social. Mas o repasse tambm est condicionado comprovao do acompanhamento e controle da gesto pelos respectivos Conselhos, demonstrados atravs da aprovao do Relatrio Anual de Gesto (NOB/SUAS - Gesto Financeira). Para bem exercer essa funo pblica, necessrio que o conselho conhea as legislaes importantes que orientam as suas competncias, o seu funcionamento e a sua estrutura. Veja as normativas para aprofundar esses conhecimentos: ATENO A tipificao detalha a descrio de cada servio da Proteo Social Bsica e Especial, os usurios a que se destina, seus objetivos, as provises que devem ofertar, as aquisies que devem garantir aos usurios, entre outros. Foi aprovada pela resoluo do CNAS n0 109, de 11 de novembro de 2009.
  • 53. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 59 Lei n. 8.742/1993, Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS); Lei n. 9.604/1998, que dispe sobre a prestao de contas de aplicao de recursos a que se refere a LOAS; Decreto n. 6.307/2007, que dispe sobre os benefcios eventuais de que trata o art. 22 da LOAS; Decreto n. 6.308/2007, que dispe sobre entidades e organizaes de assistncia social; Decreto n. 6.214/2007, que regulamenta o benefcio de prestao conti- nuada da assistncia social devido pessoa com deficincia e ao idoso de que tratam a Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e a Lei n. 10.741, de 1o de outubro de 2003, que acrescenta pargrafo ao art. 162 do De- creto n. 3.048, de 6 de maio de 1999, e d outras providncias; Decreto n. 1.605/1995, que regulamenta o Fundo Nacional de Assistn- cia Social; Decreto n. 5.085/2004, que define as aes continuadas de assistncia social; Resoluo CNAS n. 145/2004, que aprova a Poltica Nacional de Assis- tncia Social (PNAS); Resoluo CNAS n. 130/2005, que aprova a NOB/SUAS; Resoluo CNAS n. 191/2005, que dispe sobre entidades e organiza- es de assistncia social; Resoluo CNAS n. 23/2006, que traz entendimento acerca de trabalha- dores do setor; Resoluo CNAS n. 24/2006, que dispe sobre representantes de usu- rios e de organizao de usurios; Resoluo CNAS n. 212/2006, que prope critrios orientadores para a regulamentao da proviso de benefcios eventuais no mbito da Poltica Pblica de Assistncia Social; Resoluo CNAS n. 237/2006, aponta diretrizes para estruturao, re- formulao e funcionamento dos Conselhos de Assistncia Social; Resoluo CNAS n. 269/2006, que aprova a NOB-RH/SUAS. Resoluo CNAS n. 109/2009, que aprova a Tipificao Nacional de Servios Socioassistenciais.
  • 54. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 60 3.1.5. FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL Cabe aos rgos da administrao pblica responsveis pela gesto da Poltica Nacional de Assistncia Social em cada esfera de governo a garantia da infraestrutura necessria ao funciona- mento do conselho (espao fsico, materias permanentes e de consumo) e arcar com despesas de passagens, traslados, alimentao, hospedagem dos/as conselheiros/as, tanto de representantes do governo quanto da sociedade civil, quando estiverem no exerccio de suas atribuies. Recomen- da-se que essa condio esteja prevista na lei de criao do conselho. No que tange questo dos recursos financeiros destinados manuteno e funcionamento do conselho, necessrio que estejam previstos no oramento dos respectivos rgos gestores, conforme recomenda a Resoluo CNAS n. 237/2006, em seu art. 20. Para a NOB/SUAS, a comprovao da criao e o pleno funcionamento dos conselhos de assistncia social so requisitos de gesto para os estados, Distrito Federal e municpios. 3.1.6. PERIODICIDADE DAS REUNIES DOS CONSELHOS O Plenrio do Conselho deve reunir-se, obrigatoriamente, pelo menos uma vez ao ms em sesses ordinrias, e, extraordinariamente, sempre que necessrio. Para isso, o Plenrio tem auto- nomia de se autoconvocar. Essa previso deve constar no regimento interno, conforme os arts. 13 e 14 da Resoluo CNAS n. 237/2006. 3.1.7. COMPOSIO DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL A LOAS dispe, em seu art. 18, as competncias do CNAS e, no inciso V, diz que compete ao Conselho Nacional zelar pela efetivao do sistema descentralizado e participativo de assistncia social. Diante disso, o CNAS tem desenvolvido aes que visam orientar a atuao dos espaos de controle social dessa poltica pblica. Destacamos a Resoluo n. 237/2006, que d diretrizes para a estruturao, a reformulao e o funcionamento dos Conselhos de Assistncia Social. Tais diretrizes encontram-se embasadas nas legislaes vigentes. Conforme dispe o art. 16 da LOAS, os Conselhos tm composio paritria entre governo e sociedade civil, e a Resoluo do CNAS n. 237/2006, em seu art. 10, 3, recomenda que o nmero de conselheiros/as no seja inferior a 10 membros titulares. Diante disso, torna-se imprescindvel garantir a representao dos trs segmentos que compem a sociedade civil, prin- cipalmente os representantes de usurios da assistncia social. A representao da sociedade civil d-se por meio dos seguintes segmentos:
  • 55. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 61 Cada um desses segmentos j est regulamentado conforme descrevemos abaixo: Organizaes de usurios e representantes de usurios: De acordo com a Resoluo CNAS n. 24/2006, as organizaes de usurios devem garantir estatutariamente a participao de usurios em seus rgos diretivos e decisrios. A participao a que se refere a mencionada Resoluo trata de poder decisrio, ou seja, com direito a voz e voto nas instncias de deciso da organizao de usurios da assistncia social. No que diz respeito aos representantes de usurios, a Resoluo CNAS n. 24/2006 os define como sendo pessoas vinculadas aos programas, projetos, servios e benefcios socioassistenciais. Entidades e organizaes de assistncia social: O art. 3 da LOAS define que entidades de assistncia social so aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficirios abrangidos pela LOAS, bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos. O Decreto n. 6.308/2007 dispe sobre as entidades e organizaes de assistncia social de que trata o referido artigo da LOAS e estabe- lece suas caractersticas essenciais: a) realizar atendimento, assessoramento ou defesa e garantia de direitos na rea da assistncia social, na forma do Decreto; b) garantir a universalidade do atendimento, independentemente de contraprestao do usurio; c) ter finalidade pblica e transparncia nas suas aes. As entidades e organizaes de assistncia social podem ser, isolada ou cumulativamente, de atendimento, assessoramento ou defesa e garantia de direitos e devem ter suas aes organizadas de forma continuada, permanente e planejada. Conforme o referido Decreto, constituem-se ca- ractersticas de cada um desses tipos de entidades: ORGANIZAES E REPRESENTANTES DE USURIOS ORGANIZAES E ENTIDADES DE ASSISTNCIA SOCIAL REPRESENTANTES DE TRABALHADORES DA A.S.
  • 56. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 62 Aquelas que prestam servios e executam programas ou projetos voltados prioritariamente para o fortalecimento dos movimentos sociais e das or- ganizaes de usurios, formao e capacitao de lideranas, dirigidos ao pblico da poltica de assistncia social, nos termos da Lei n. 8.742, de 1993, e respeitadas as deliberaes do CNAS de que tratam os incisos I e II do art. 18 daquela Lei. DE ASSESSORAMENTO Aquelas que prestam servios e executam programas ou projetos voltados prioritariamente para defesa e efetivao dos direitos socioassistenciais, construo de novos direitos, promoo da cidadania, enfrentamento das desigualdades sociais, articulao com rgos pblicos de defesa de direi- tos, dirigidos ao pblico da poltica de assistncia social, nos termos da Lei n. 8.742, de 1993, e respeitadas as deliberaes do CNAS de que tratam os incisos I e II do art. 18 daquela Lei. DE DEFESA E GARANTIA DE DIREITOS So aquelas que prestam servios, executam programas ou projetos e concedem benefcios de proteo social bsica ou especial, dirigidos s famlias e indivduos em situaes de vulnerabilidades ou risco social e pessoal, nos termos da Lei n. 8.742, de 1993, e respeitadas as delibera- es do Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS) de que tratam os incisos I e II do art. 18 daquela Lei. DE ATENDIMENTO
  • 57. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 63 As entidades e organizaes de assistncia social devero estar inscritas nos conselhos muni- cipais de assistncia social ou do Distrito Federal, conforme mbito de atuao, para seu regular funcionamento, nos termos do art. 9 da LOAS, s quais caber a fiscalizao independentemen- te do recebimento ou no de recursos pblicos. Representantes dos trabalhadores da assistncia social: A Resoluo CNAS n. 23/2006 regulamenta o entendimento acerca de trabalhadores do setor. Essa Resoluo estabelece como legtima todas as formas de organizao de trabalhadores do setor, como associaes de trabalhadores, sindicatos, federaes, confederaes, centrais sin- dicais, conselhos federais de profisses regulamentadas, que organizam, defendem e representam os interesses dos trabalhadores que atuam institucionalmente na Poltica Nacional de Assistncia Social, conforme a LOAS, a PNAS e a NOB-RH/SUAS. So critrios para definir as organizaes representativas dos trabalhadores da assistncia social: a) ter em sua base de representao segmentos de trabalhadores que atuam na poltica pblica de assistncia social; b) defender direitos dos segmentos de trabalhadores na Poltica Nacional de Assistncia Social; c) propor-se defesa dos direitos sociais dos cidados e dos usurios da assistncia social; d) ter formato jurdico de sindicato, federao, confederao, central sindical, conselho fe- deral de profisso regulamentada ou associao de trabalhadores legalmente constituda; e) no ser representao patronal ou empresarial. Eleies dos conselheiros representantes da sociedade civil: Como instrumentos de regulao para o processo de escolha dos representantes da sociedade civil nos Conselhos tm-se as seguintes legislaes: ATENO O art. 12 da Resoluo CNAS n. 237/2006 recomenda que, no segmento governo, o conselho seja composto por representantes das reas da assistncia social, sade, educao, trabalho e emprego e fazenda, sendo esses indicados e nomeados pelo respectivo Chefe do Poder Executivo. Em relao sociedade civil, o art. 11 da Resoluo CNAS n. 237/2006 dispe que seus representantes sejam eleitos em assembleia de eleio, instaurada especificamente para esse fim. Esse processo deve ser coor- denado pela sociedade civil sob a superviso do Ministrio Pblico, ga- rantindo ampla participao de toda a sociedade, principalmente dos usurios da Poltica.
  • 58. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 64 Decreto n. 6.308/2007, que dispem sobre as entidades e organizaes de assistncia social que trata o art. 3 da LOAS; Resoluo CNAS n. 109/2009, que define a tipificao dos servios socioassistenciais; Resoluo CNAS n. 23/2006, que dispe sobre o entendimento acerca de trabalhadores do setor; Resoluo CNAS n. 24/2006, que dispe sobre representantes de usurios e de organizaes de usurios da assistncia social. Para esse processo, os conselhos devem consultar tambm sua lei de criao e regimento interno. 3.1.8. PERODO DE GESTO DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL Segundo o art. 5 da Resoluo do CNAS n. 237/2006, o mandato dos conselheiros ser definido na lei de criao do conselho de assistncia social, sugerindo-se que tenha a durao de, no mnimo, dois anos, podendo ser reconduzido uma nica vez, por igual perodo. Isso significa que um determinado conselheiro que j tenha sido reconduzido mais de uma vez (ou seja, foi reeleito) no poder retornar ao conselho em um mandato subsequente (em um terceiro mandato seguido), nem mesmo representando outra entidade ou segmento, nem mesmo como suplente. 3.1.9. NOMEAO DOS CONSELHEIROS E PRESIDNCIA DO CONSELHO Os conselheiros so nomeados por ato do titular do Poder Executivo local, ou seja, o governador, no caso dos conselhos estaduais e do Distrito Federal, e o prefeito, no caso dos conselhos municipais. Com relao ao presidente e ao vice-presidente dos conselhos, estes devem ser eleitos entre seus membros, em reunio plenria. A Resoluo CNAS n. 237/2006 recomenda, ainda, a alternncia entre representante do governo e da sociedade civil em cada mandato, sendo permitida uma nica reconduo. 3.1.10. AS SECRETARIAS EXECUTIVAS DOS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL Os Conselhos de Assistncia Social devem contar com uma Secretaria Executiva, que a unidade de apoio para o seu funcionamento, subordinada presidncia do conselho, tendo por objetivo assessorar suas reunies e divulgar suas deliberaes. Sua estrutura dever ser disciplinada em ato do Poder Executivo, com um corpo tcnico e administrativo composto de servidores dos quadros do rgo gestor da assistncia social na respectiva esfera ou proveniente de outros rgos da administrao pblica, com a finalidade de cumprir as funes designadas pelo conselho.
  • 59. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 65 fundamental para o funcionamento do Conselho, ter uma Secretaria Executiva que cumpra suas responsabilidades para o bom desempenho das competncias e atribuies do Conselho. Os conselheiros, por mais comprometidos que sejam, tm outras responsabilidades nas suas organizaes de origem. E quais so as principais responsabilidades da Secretaria Executiva? garantir que as informaes e documentos atualizados teis ao exerccio das funes de conselheiros, como cpia de documentos e prazos a serem cumpridos, cheguem em tempo hbil para serem usados no que for necessrio; registrar as reunies do Plenrio (atas) e manter a documentao atualizada; publicar as decises/resolues no Dirio Oficial; manter os conselheiros informados das reunies e da pauta, inclusive das comisses temtica (se houver); organizar e zelar pelos registros das reunies e demais documentos do conselho e torn-los acessveis aos conselheiros. AfunodaSecretariaExecutiva,porm,noseresumeorganizaodasrotinasadministrativas do conselho, mas principalmente tarefa de assessoria, levantando e sistematizando dados e informaes que permitam Presidncia e ao Colegiado tomarem decises. Tem ainda como tarefa executar outras competncias que lhe forem atribudas, como coordenar, supervisionar, dirigir e estabelecer os planos de trabalho da Secretaria. Ressalta-se que essas atribuies e competncias devem estar dispostas no regimento interno do conselho, a fim de disciplinar o ato dessa equipe de assessoramento. 3.2. O CONTROLE SOCIAL DO PBF O controle social do Programa Bolsa Famlia (PBF) exercido pela participao da sociedade civil no planejamento, acompanhamento, fiscalizao e avaliao da execuo do PBF, visando potencializar os resultados do Programa. Essa funo exercida pela INSTNCIA DE CONTROLE SOCIAL DO PBF que possui um importante papel no processo de acompanhamento e fiscalizao do Programa nos municpios, estados e Distrito Federal, estabelecendo uma parceria com o poder pblico local para a reduo da pobreza das famlias beneficirias e a promoo da incluso social. ATENO O cargo de secretrio/a executivo/a dever ser criado na estrutura do respectivo Conselho (LOAS, art. 17, 3, e Resoluo CNAS n. 237/2006, art. 15), o qual, conforme dispe a NOB/ SUAS, deve ser ocupado por profissional de nvel superior. ATENO Cabe a essa equipe apoiar o Conselho nos procedimentos administrativos internos, inclusive com a elaborao de atas e memrias das reunies, conforme orienta o art. 15 da Resoluo CNAS n. 237/2006.
  • 60. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 66 a) Marco legal do controle social do PBF Conforme legislao em vigor, no ato de adeso ao Programa, o municpio dever definir a Instncia de Controle Social do PBF, ou seja, o conselho que exercer o controle social do Programa. Esse rgo permite a participao da sociedade por meio de acompanhamento, avaliao e fiscalizao da poltica de transferncia de renda e de incluso social. Portanto, os conselheiros das ICS possuem a responsabilidade de acompanhar a implantao e a execuo do Programa Bolsa Famlia. A efetivao do controle social do Programa Bolsa Famlia no pode ser assegurada apenas pelo preceito legal ou pelo formalismo de sua estrutura, atos e aes. importante que o conselheiro da Instncia de Controle Social do PBF entenda e exera seu papel. Nesse sentido, o conselheiro do PBF deve reconhecer e valorizar a relevncia de sua misso, sempre tendo em mente que o conselho um espao para a manifestao social e para o exerccio da democracia. b) A constituio da Instncia de Controle Social (ICS) A Instncia de Controle Social do PBF instituda de duas formas: criao de um Conselho especfico para o exerccio do controle social do PBF; designao das funes e atribuies de controle social do Programa Bolsa Famlia a um Conselho preexistente, como, por exemplo, o Conselho Municipal de Assistncia Social, o Conselho Municipal de Sade, o Conselho Municipal de Educao, entre outros. INSTRUMENTO LEGAL DESCRIO Lei n0 10.836/04 Lei de criao do PBF, que estabeleceu o Controle Social como um dos componentes do Programa. Decreto n0 5.209/04 Decreto de regulamentao do PBF, que definiu a com- posio e as atribuies das Instncias de Controle Social. Portaria n0 246/05 Portaria que regulamentou a adeso dos municpio ao PBF, e estabeleceu a criao ou designao de Coselho como requisito para a formalizao das aes de gesto local do Programa. Instruo Normativa SENARC n0 01/05 Instruo que prescreveu orientaes aos municpios, estados e Distrito Federal para a constituio da ICS e o desenvolvimento de suas atividades.
  • 61. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 67 A ICS deve ser permanente, paritria, representativa, intersetorial e autnoma, o que significa que deve: ser formada por igual quantidade de conselheiros representantes do governo e da sociedade civil (princpio da paridade); espelhar a diversidade de instituies e rgos existentes no municpio (princpio da representatividade); assegurar a participao de representantes das reas de assistncia social, sade e educao, entre outras (princpio da intersetorialidade); ter o funcionamento independente, de modo que suas aes no sofram interferncia de interesses alheios (princpio da autonomia). O PBF visa promover condies mais dignas de vida parcela tradicionalmente excluda da sociedade brasileira, buscando a superao da situao de vulnerabilidade, a autonomia social e a sustentabilidade de renda. Portanto, grande o desafio do conselheiro que assumiu a misso de exercer o controle social do PBF. Contudo, esse desafio no deve servir de desestmulo ao conselheiro no desempenho do seu papel, pelo contrrio, destaca o quanto o conselheiro do PBF importante no municpio. Por isso, essencial que os conselheiros criem estratgias e mecanismos para que a ICS se faa presente no municpio perante a populao. Vamos a alguns pontos fundamentais sobre a ICS para os quais voc deve ter muita ateno: 1. A ICS deve pautar-se pelo funcionamento regular, o que significa dizer que suas atividades, reunies e audincias devem ser peridicas, planejadas, contar com pautas predefinidas por deliberao do conselho. 2. As deliberaes, os encaminhamentos e as solicitaes da ICS precisam ser formalizados por meio de atas e ofcios, arquivados e acessveis ao pblico. 3. Para garantir a transparncia de seus atos e aes, o conselho deve divulgar populao seu calendrio de atividades, bem como estar acessvel com estratgias bem estabelecidas e disseminadas de recebimento de denncia e realizao de audincias abertas participao dos cidados.
  • 62. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 68 Quais seriam as principais atividades da ICS? acompanhamento do Programa Bolsa Famlia no municpio, em especial nos seus componentes de gesto (cadastramento, gesto de benefcios e das condicionalidades, articulao de aes complementares e fiscalizao); auxlio na identificao das famlias mais pobres e vulnerveis do municpio, a fim de que sejam cadastradas no Cadnico e possam ter acesso aos programas desenvolvidos para atender as suas necessidades, dentre eles o PBF; avaliao da oferta e da qualidade dos servios pblicos do municpio, especialmente de educao, sade e assistncia social, considerando as condies de acesso da populao mais vulnervel; apoio ao desenvolvimento de outras polticas sociais que favoream a emancipao e a sustentabilidade das famlias beneficirias do PBF e avaliao da sua implementao e dos resultados; auxlio na fiscalizao e na apurao de denncias do PBF no municpio; incentivo participao da comunidade no acompanhamento e fiscalizao das atividades do PBF. Essas atividades levam a ICS a praticar sua principal atribuio: o acompanhamento da gesto do Programa Bolsa Famlia, contribuindo para o alcance dos resultados esperados, reduo da pobreza e da desigualdade social e para a transparncia da gesto do programa no municpio. O processo de escolha e designao dos conselheiros deve contar com a participao da sociedade civil e mobilizao dos rgos governamentais. Para possibilitar a representao legtima da sociedade civil no Conselho, importante que o municpio realize consultas pblicas entre os seguintes atores: movimentos sindicais de empregados e patronal, urbano e rural; associaes de classe profissionais e empresariais; instituies religiosas de diferentes expresses de f; movimentos populares organizados, associaes comunitrias e organizaes no gover namentais; representantes de populaes tradicionais, especialmente, indgenas e quilombolas; representantes dos beneficirios do PBF, entre outros.
  • 63. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 69 A paridade de representao na ICS entre o governo e a sociedade civil tem por objetivo assegurar o dilogo e a manifestao de diferentes pontos de vista. De maneira mais geral, o que esperado desses conselheiros? Dos conselheiros governamentais, espera-se que sejam capazes de trazer, para a ICS informaes claras e atualizadas sobre as diretrizes da poltica sobre a qual exercem o controle social. Eles tambm devem dizer qual a posio do governo nos assuntos em pauta. Quanto aos conselheiros da sociedade civil, espera-se que sejam capazes de trazer as contribuies de seus segmentos em favor da poltica pblica, alimentadas tambm pelos debates e discusses prprias da sociedade civil, em fruns, em movimentos sociais, etc. Algumas atividades do conselho podem e devem ser custeadas pelo municpio, com vistas na melhoria do desempenho de suas atividades, desde que haja a prestao de contas dos recursos utilizados. Por exemplo, para garantir a participao dos conselheiros representantes da sociedade civil nas reunies, pode ser concedido auxlio-transporte. Outra possibilidade para o custeio da participao dos conselheiros em cursos de capacitao relacionados sua atividade no conselho. Vamos conhecer algumas condies para a atuao da ICS, tendo em vista a sua importncia e seus objetivos: 1. Infraestrutura e organizao: o primeiro passo para a atuao efetiva da Instncia de Controle Social do PBF a organizao do seu trabalho interno. A ICS deve assegurar um espao fsico permanente com condies adequadas para o seu funcionamento, como material de escritrio, telefone, computador, impressora, etc. Alm de uma equipe tcnica mnima com o objetivo de secretariar e organizar a documentao do conselho. A garantia dessa infraestrutura de funcionamento responsabilidade do Poder Executivo municipal. Caso a ICS no conte com esses recursos mnimos, importante que a plenria do conselho planeje suas necessidades e apresente formalmente ao prefeito a demanda de recursos fsicos e financeiros. ATENO Os conselheiros, sejam representantes da sociedade civil, sejam representantes do governo, no devem defender interesses particularistas das entidades que representam. ATENO Os conselheiros no podem ser remunerados pelo exerccio de suas funes, pois a atividade que o conselheiro desempenha considerada servio pblico relevante. A consolidao da ICS como um espao efetivo de participao e controle social do PBF depender da organizao interna dos trabalhos, da garantia da paridade e representatividade dos conselheiros, do dilogo com a sociedade, da transparncia de suas aes, bem como das condies de funcionamento, alm de demandar um bom conhecimento do Programa Bolsa Famlia e tambm da realidade social do municpio por parte de todos os conselheiros.
  • 64. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 70 2. Planejamento e oramento: para que a ICS seja bem-sucedida no atendimento s suas demandas,importantequesejaobservadoociclodeplanejamentoedeelaboraodaproposta oramentria do municpio. A falta de previso das necessidades da ICS nestes instrumentos certamente dificultar o atendimento das demandas. A definio das responsabilidades de cada conselheiro e o planejamento das atividades fazem parte da etapa subseqente para a efetivao da ICS. As atribuies e responsabilidades da instncia e de seus conselheiros, bem como as regras bsicas de seu funcionamento, so definidas no regimento interno da ICS. 3. Regimento interno: este instrumento define a composio do Conselho, a periodicidade das reunies, quorum de votao, regras de eleio (ou indicao), seleo e substituio de conselheiros, dentre outros. O regimento interno deve ser elaborado e aprovado pela plenria da ICS, publicado no instrumento oficial de comunicao do municpio e disponibilizado para os conselheiros e demais interessados da sociedade. 4. Plano de trabalho: anualmente, a ICS deve planejar as atividades que pretende realizar ao longo do perodo, estabelecendo um plano de trabalho que defina quando as aes devem ocorrer, onde sero realizadas, bem como os responsveis e os recursos necessrios para sua realizao. Esse planejamento deve ser construdo a partir de uma ou mais reunies, de modo que envolva toda a plenria e construa consensos acerca das tarefas a serem realizadas. Uma vez aprovado pelo plenrio do conselho e registrado em ata, o plano de trabalho deve ser encaminhado ao governo municipal, com vistas em apresentar as demandas de recursos materiais e financeiros. 5. Organizao do trabalho: o trabalho do conselheiro deve ser planejado e realizado a partir da definio das rotinas de trabalho do conselho, a fim de garantir agilidade e eficincia. Caso seja necessrio, a ICS pode constituir grupos de trabalho, comisses e cmaras tcnicas temticas. 6. Comunicao: um dos elementos cruciais da gesto da ICS. O conselho deve divulgar para a populao a existncia e a importncia das aes realizadas por ele. Essa estratgia permitir o estabelecimento de um dilogo permanente com a sociedade e o reconhecimento da ICS como um espao de debate das aes pblicas e para o encaminhamento de demandas de interesse comum para o poder pblico. Para isso, pode recorrer tambm parceria com o Poder Executivo local. interessante que faa parte da agenda do conselho a realizao de consultas pblicas e de reunies abertas populao, de forma que se permita o debate e a manifestao tanto dos beneficirios do PBF quanto dos demais setores da sociedade. Esses so alguns pontos que no devem e no podem ser negligenciados para uma boa atuao da ICS, por isso fundamental a ao do poder pblico municipal quanto a essas condies.
  • 65. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 71 A gesto municipal tem alguns compromissos com o funcionamento da ICS, alm dos j tratados aqui: assegurar a participao da ICS no planejamento das aes de gesto do PBF, bem como no planejamento de utilizao dos recursos do IGD; garantir a manuteno das informaes cadastrais da ICS no MDS; disponibilizar informaes sobre a gesto do PBF e outros servios pblicos ofertados pelo municpio, sempre que demandado pelo conselho. A seguir, apresentaremos algumas orientaes de estratgias que a ICS deve adotar para acompanhar, avaliar e fiscalizar o PBF, a partir dos seus componentes de gesto. Quanto ao recursos transferidos por meio do IGD: O planejamento da utilizao dos recursos do IGD uma responsabilidade da gesto municipal. No entanto, os membros da Instncia de Controle Social podem participar dessa deciso. os membros podem identificar as principais necessidades do municpio e apresentar propostas para a aplicao do recurso; importante que o conselho avalie se o planejamento est sendo realizado de maneira intersetorial. A ICS, embora exera um papel consultivo nessas discusses, tem muito a contribuir para a definio das prioridades de aplicao do recurso; a ICS tambm pode avaliar se os recursos do IGD esto sendo gastos de acordo com o que foi programado e se as prioridades de aplicao dos recursos esto sendo atendidas; assim, caso identifiquem o uso indevido do recurso, os membros da instncia devem informar ao Conselho Municipal de Assistncia Social, que o rgo responsvel pela avaliao da prestao de contas anual do Fundo Municipal de Assistncia Social. Quanto ao Cadastro nico: importante que a ICS mantenha-se informada e acompanhe o processo de cadastramento do Cadnico. Para isso, importante que: realize visitas peridicas nas reas de maior concentrao de pobreza, bem como em associaes, sindicatos, igrejas, para esclarecer a populao sobre o funcionamento e a importncia do Cadastro nico; avalie as estratgias adotadas pelo municpio para a identificao, mapeamento e cadastramento das famlias mais pobres, especialmente a realizao de visitas domiciliares;
  • 66. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 72 avalie as estratgias de divulgao de aes de cadastramento; identifique as situaes de impedimento do cadastramento e procure identificar no poder pblico local o que pode ser feito para vencer a dificuldade; avalie se os formulrios do cadastro so mantidos em boas condies de manuseio e arquivo, pelo prazo mnimo de cinco anos; verifique periodicamente a quantidade de famlias cadastradas, considerando que o municpio pode, a qualquer tempo, incluir novas famlias no Cadastro nico, desde que se enquadrem no critrio de renda; avalie as estratgias de atualizao cadastral realizada pelo municpio. Quanto gesto de benefcios: A ICS tem um importante papel relacionado com a gesto de benefcios. Nesse sentido, a Instncia de Controle Social do PBF precisa: identificar se existem famlias pobres e extremamente pobres inscritas no Cadastro nico que ainda no foram beneficiadas pelo PBF e os motivos; acompanhar os atos de gesto de benefcios (bloqueios, desbloqueios, cancelamentos, reverso de cancelamentos) do PBF, via consulta ao Sistema de Benefcios ao Cidado (SIBEC); verificar se o desbloqueio de benefcio est sendo realizado corretamente, avaliando os motivos. Quanto gesto de condicionalidades: Dada a importncia das condicionalidades, a ICS deve estar atenta em: trabalhar em parceria com os conselhos de sade, educao e assistncia social do municpio para garantir que os servios acompanhados por eles sejam ofertados pelo poder pblico s famlias beneficirias do PBF; monitorar os registros das condicionalidades e avaliar as dificuldades encontradas pelas famlias para o cumprimento desses compromissos; incentivar a atualizao cadastral das famlias sempre que houver mudana de endereo ou troca de escola, para que o acompanhamento das condicionalidades possa ser realizado e incentivar o desenvolvimento de aes para divulgar as condicionalidades e para sensibilizar e mobilizar as famlias para o seu cumprimento. Quanto articulao de oportunidades para o desenvolvimento das famlias: A ICS precisa tambm preocupar-se com o desenvolvimento das famlias beneficirias. Assim, deve procurar:
  • 67. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 73 estimular que a gesto promova a integrao e a oferta de outras polticas pblicas que favoream a emancipao social e sustentabilidade econmica das famlias beneficirias do PBF; sensibilizar os beneficirios sobre a importncia da participao nas oportunidades de insero econmica e social oferecidas pelo municpio; avaliar os resultados da participao das famlias nas aes de desenvolvimento das famlias e identificar as potencialidades para a criao de programas prprios ou de integrao com programas federais e estaduais, observando as caractersticas do municpio e as necessidades da populao em situao de maior vulnerabilidade. Quanto fiscalizao do PBF: A ICS, para cumprir suas atribuies, deve participar do processo de fiscalizao do Programa Bolsa Famlia. Para tanto, precisa: acompanhar os processos de fiscalizao orientados pelo MDS e pela Rede Pblica de Fiscalizao; em caso de denncias comprovadas, solicitar ao gestor municipal que tome as devidas providncias para solucionar a irregularidade e comunicar ao gestor municipal, SENARC e Rede Pblica de Fiscalizao do PBF a existncia de problemas na gesto do PBF.
  • 68. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 74 4. O PAPEL DOS CONSELHEIROS Os conselheiros de assistncia social e das instncias de controle social do PBF so agentes pblicos. Como agentes pblicos, realizam um servio pblico relevante, de forma no remunerada. Sua principal atribuio exercer o controle social da Poltica Nacional de Assistncia Social e do Programa Bolsa Famlia. Preste bastante ateno: ser conselheiro mais do que uma mera formalidade. As pessoas que ocupam o assento de conselheiro precisam estar cientes da importncia da participao no cotidiano da gesto pblica de um municpio, estado ou do poder pblico como um todo. A idealizao dos conselhos sempre esteve ligada partilha de poder, concedendo populao a possibilidade de ocupar espaos onde ela possa realmente participar. Os conselhos podem ser identificados como espaos de exerccio da democracia. Para o cumprimento de suas atribuies de decidir ou deliberar sobre assuntos que vo mudar a vida de indivduos e famlias de seu municpio, exercendo com rigor os princpios que orientam o exerccio de sua funo pblica, o conselheiro deve conhecer alguns mecanismos que facilitaro o exerccio de suas atribuies, alm de tudo aquilo que j foi discutido neste documento. Ento, no que se basear para tomar decises? Vamos falar sobre isso agora. Qualquer deciso a tomar, em qualquer esfera de atuao, exige informao. Assim, quanto mais informado o conselheiro estiver, melhores condies ele ter para analisar e decidir sobre os planos de assistncia social e acompanhar o planejamento da gesto do PBF de seu municpio, bem como opinar sobre as propostas oramentrias no que tange a estas aes. Alm disso, no que diz respeito assistncia social, os conselheiros devem estar inteirados acerca dos critrios de repasse de recursos para instituies socioassistenciais. Portanto, ele deve aprofundar seu conhecimento a respeito da Poltica Nacional de Assistncia Social e do Programa Bolsa Famlia, sobre a legislao e marcos regulatrios, as necessidades e demandas da populao de seu municpio, os documentos que deve analisar e aprovar e, enfim, inteirar-se dos assuntos a serem tratados nas reunies.
  • 69. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 75 Para isso, deve ser percorrido um caminho de mo dupla: a) De um lado, deve saber que o gestor da assistncia social de seu municpio, bem como o gestor do PBF, tem obrigao de fornecer todas as informaes que o conselho precisa para poder decidir. b) De outro, o conselheiro quem deve ter uma atitude proativa, solicitando ao gestor as informaes necessrias. Essa solicitao deve ser feita formalmente, por intermdio de ofcios e, sempre que possvel, baseando-se em leis, resolues ou pareceres. Deve saber, ainda, que no site do MDS, ele pode acessar um conjunto de informaes fundamentaiseatualizadassobreaPNASeoPBF,equeexistemtambmsistemaseletrnicos da Rede SUAS e de acompanhamento do PBF (os quais sero discutidos no Mdulo 2 do Curso) que, como conselheiro, pode e deve utilizar para manter-se informado. Porm, alm de informar-se, o conselheiro deve tambm informar a comunidade, com base no princpio da publicidade que se deve dar ao exerccio de sua funo pblica, prestando todo tipo de esclarecimento quando for solicitado e dando publicidade aos temas discutidos e s decises tomadas, por meio dos veculos de comunicao, audincia pblicas, etc. Como os conselheiros expressam suas decises? As decises tomadas no Plenrio do Conselho e tambm nas Conferncias so atos administrativos. Manifestam a vontade da administrao pblica que, agindo concretamente, tem por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos, visando realizao do interesse pblico. Nessa condio, esto sujeitas ao controle jurisdicional. Em geral, os conselhos expressam o contedo das suas decises por meio de: mais um instrumento de democratizao das decises pblicas garantido na Constituio Federal de 1988, regulado por leis federais, constituies estaduais e leis orgnicas municipais. Constitui-se numa reunio entre o Poder Executivo e Legislativo e/ou o Ministrio Pblico, com a participao da populao, para ampliar o debate sobre determinado tema na formulao de polticas, projetos de lei, execuo oramentria. As audincias podem ser realizadas por solicitao da prpria populao ou dos conselhos e auxiliam na ampliao das discusses sobre a poltica. O QUE UMA AUDINCIA PBLICA?
  • 70. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 76 Figura 2 Formas para os conselhos manifestarem suas decises Ento, quais os instrumentos para o exerccio de suas atribuies de conselheiro? O exerccio das atribuies de conselheiro envolve a discusso e aprovao de dois instrumentos de gesto da assistncia social, mas que acabam se constituindo nos principais instrumentos de controle social: o Plano Municipal de Assistncia Social e o planejamento da aplicao dos recurssos transferiados por meio do IGD o oramento da assistncia social no municpio. Esses instrumentos sero tratados tambm no 2 Mdulo do nosso curso. No entanto, importante ressaltar aqui que eles devem ser elaborados tendo por horizonte as metas para o controle social estabelecidas no SUAS Plano 10, aprovadas na V Conferncia Nacional de Assistncia Social, ressaltando mais uma vez a importncia da proatividade dos conselheiros, no sentido de concretizar essas metas no seu municpio. Para o bom desempenho de suas atribuies, o conselho deve planejar, anualmente, as atividades que pretende realizar ao longo do perodo, estabelecendo um plano de trabalho. Vejam agora algumas situaes-problema que podem ou impedir a boa atuao da ICS ou demand-las em seu papel de controle social do Programa Bolsa Famlia, com algumas sugestes de solues: DELIBERAO Ato por meio do ual o conselho decide sobre um tema ou questo, aps exame ou discusso. Por meio de deliberao pode-se aprovar, por exemplo, o Plano Municipal de Assistncia Social. RECOMENDAO Manifestao opinativa pela qual os rgos consultivos da administrao expressam seu entendimento sobre assuntos de cunho tcnico ou jurdico. DILIGNCIA Ato que tem por finalidade o reconhecimento da legalidade de outro ato ou procedimento pblico. Por isso, realizada depois que a ao ou procedimento j aconteceu. RESOLUO Ato por meio do qual os conselhos manifestam suas decises. Em termos gerais, a resoluo um ato administrativo editado por rgos pblicos dotados de capacidade deliberativa.
  • 71. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 77 PROBLEMA SUGESTES DE SOLUO A ICS pouco se rene definir, no planejamento anual da ICS, o calendrio de reunies a serem realizadas, e divulg-lo para o governo e a sociedade. solicitar, por meio de ofcio ao presidente da ICS, a convocao de reunio, exigindo o cumprimento do regimento interno; rever o regimento interno de forma a reforar o nmero mnimo de reunies que a ICS deve realizar, o quorum necessrio, o respon- svel pela convocao e o que fazer quando no so convocadas; solicitar prefeitura apoio para a reserva de espaos para a realizao das reunies. A estrutura fsica da ICS inadequada planejar e deliberar em ata sobre as necessidades da ICS em termos de recursos fsicos, humanos e financeiros e formalizar esta deman- da ao Poder Executivo local; participar do processo de elaborao da proposta oramentria anu- al do municpio de forma a garantir recursos para o funcionamento da ICS; articular com outros rgos pblicos (como tambm da sociedade) alternativas para a melhoria das condies de funcionamento da ICS (por exemplo, compartilhando espaos e recursos humanos). o instrumento no qual so definidas quando as aes devem ocorrer, onde sero realizadas, bem como os responsveis e recursos necessrios para sua realizao. um planejamento construdo a partir de uma ou mais reunies do Conselho, de modo que envolva toda a plenria e construa consensos acerca das tarefas a serem realizadas. Uma vez aprovado pelo Plenrio do Conselho e registrado em ata, o plano de trabalho deve ser encaminhado ao governo municipal, com vistas em apresentar as demandas de recursos materiais e financeiros. O QUE O PLANO DE TRABALHO? No que tange organizao do trabalho dos conselheiros, a fim de garantir agilidade e eficincia, caso seja necessrio, o Conselho pode constituir grupos de trabalho, comisses e cmaras tcnicas temticas.
  • 72. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 78 PROBLEMA SUGESTES DE SOLUO Pouca clareza das atribuies dos conselheiros e m distribuio das atividades debater, em reunio especfica do conselho, as atribuies e respon- sabilidades da ICS; definir a distribuio das atividades a serem desempenhadas pelos conselheiros e elaborar plano de trabalho (anual ou semestral) con- tendo as aes, os responsveis e recursos necessrios. Indisponibilidade dos conselheiros ou falta de interesse em atuar na ICS promover o debate entre a ICS e a sociedade sobre a importncia dos conselhos (suas funes e atribuies) e da participao da so- ciedade nas questes pblicas; definir e distribuir melhor as responsabilidades entre os conselhei- ros; promover a substituio dos conselheiros que no participam regu- larmente das atividades do conselho, de acordo com o estabelecido no regimento interno da ICS. O presidente da ICS o gestor municipal do PBF a no ser que haja alguma vedao desta natureza no regimento interno da ICS, isso pode no ser um problema. importante, no entanto, que a presidncia da ICS seja exercida, de maneira alterna- da, entre representantes do governo e da sociedade civil; rever o regimento interno para que o exerccio da presidncia do conselho no prejudique a autonomia do conselho ou seja um im- peditivo do desenvolvimento das suas atividades. Os conselheiros no se sentem capacitados para o exerccio da funo participar das capacitaes voltadas a conselheiros e promovidas pelo MDS, estados ou o prprio municpio; apresentar as necessidades de capacitao para a administrao de recursos humanos do municpio; realizar reunies de formao continuada entre os conselheiros, com a leitura dos documentos, manuais e apostilas, para troca de expe- rincias e elucidao de dvidas. Conselheiros remunerados para participar da ICS a legislao do PBF no permite que os conselheiros sejam remune- rados pela atuao no conselho; algumas atividades dos conselheiros podem ser custeadas pelo esta- do ou pelo municpio para melhorar o desempenho dos conselhei- ros, como o custo de deslocamento e estadia para cursos de capaci- tao fora do municpio.
  • 73. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 79 PROBLEMA SUGESTES DE SOLUO A ICS tem dificuldade de receber as informaes imprescindveis para sua atuao solicitar ao gestor providncias para o cadastramento dos conselhei- ros na Central de Sistemas da SENARC/MDS e no SiBEC; planejar a necessidade de informaes, de forma que os atores sai- bam quando sero demandados a prov-las; convidar os gestores das reas de educao, sade e assistncia social para apresentar os resultados das reas nas reunies do conselho. Carto de benefcio das famlias do PBF retidos por estabelecimentos comerciais realizar audincias pblicas, convocando os beneficirios, gestor do PBF, promotor pblico, as associaes comerciais e sindicatos do municpio para orientar sobre a operacionalizao do PBF, os direi- tos dos beneficirios de escolher onde gastar seu benefcio e que a reteno de cartes se constitui crime (apropriao indbita); solicitar ao gestor do PBF providncias, informando que tal atitude se configura em crime (apropriao indbita); denunciar a ocorrncia ao Ministrio Pblico, ou mesmo delega- cia de polcia; caso seja um correspondente bancrio, denunciar o fato Caixa Econmica Federal. Existem suspeitas de que os correspondentes bancrios da CAIXA esto cobrando pelo saque dos benefcios esse tipo de ocorrncia passvel de denncia aos rgos pblicos do municpio, especialmente para a promotoria e a delegacia de polcia; caso seja um correspondente bancrio, denunciar o fato CAIXA, SENARC/MDS ou Rede Pblica de Fiscalizao. Famlias utilizam o benefcio financeiro do PBF de forma indevida a utilizao dos recursos do PBF de livre escolha do beneficirio. Contudo, a ICS pode realizar audincias pblicas com os benefici- rios de forma a orient-los sobre as formas de utilizao do recurso; solicitar ao gestor municipal do PBF a realizao de oficinas de educao financeira com os beneficirios, a partir da orientao do MDS e da CAIXA. Existem denncias sobre problemas do PBF apoie o municpio na apurao das denncias e encaminhe toda a documentao levantada para o gestor municipal do PBF para que sejam analisadas; utilize o SIBEC para analisar a denncia e avaliar sua procedncia.
  • 74. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 80 E sobre a tica do conselheiro? Vamos falar sobre isso agora. A conduta do conselheiro deve pautar-se nos princpios ticos fundamentais, entre os quais o reconhecimento e a defesa: da democracia, do Estado democrtico de direito, da cidadania, da justia, da equidade e da paz social; dos direitos humanos, da liberdade e da autonomia de todos os indivduos; da garantia dos direitos civis, polticos e sociais a toda a populao brasileira; da distribuio de renda e da universalidade de acesso s polticas sociais; da organizao e participao de todos os segmentos sociais, em especial, os usurios da Poltica de Assistncia Social; da diversidade social, de raa e etnia, gnero, geracional, orientao sexual e de deficincias, e, consequentemente, o combate a toda forma de preconceito; da gesto democrtica e controle social das polticas sociais. Os conselheiros devem exercer suas funes com respeito, disciplina, dedicao, cooperao e discrio, cumprindo os mesmos deveres ticos dos agentes pblicos: 1. Defender o carter pblico da Poltica Nacional de Assistncia Social e da poltica de garantia de renda. 2. Conhecer o marco legal da Poltica Nacional de Assistncia Social e do Programa Bolsa Famlia, bem como garantir o debate em espaos pblicos e nas entidades publicas e privadas que representam. 3. Contribuir para a viabilizao da participao efetiva da populao nas decises do Conselho, buscando metodologia, forma e linguagem adequada. 4. Garantir a informao e divulgao ampla dos benefcios, servios, programas e projetos da Poltica Nacional de Assistncia Social e do Programa Bolsa Famlia, bem como dos recursos oferecidos pelo poder pblico e dos critrios para sua concesso. 5. Contribuir para a criao de mecanismos que venham desburocratizar o Conselho, tornando mais fcil o acesso aos dados pela populao brasileira. 6. Manter dilogo permanente com os conselhos das demais polticas pblicas e com os segmentos em todas as esferas de representao. 7. Representar o conselho nas pautas de discusso da Poltica de Assistncia Social e do Programa Bolsa Famlia em seu municpio, regio, estado da Federao. 8. Manter relao com os fruns da sociedade civil e instituies pblicas no mbito das esferas administrativas.
  • 75. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 81 9. Zelar para a implantao efetiva do sistema descentralizado e participativo da Poltica Nacional de Assistncia Social e pela garantia dos princpios da intersetorialidade, da participao comunitria e do controle social na gesto do PBF. 10. Contribuir para a manuteno do espao do conselho como esfera de debate, dilogo, etapa anterior ao momento da deliberao. 11. Manter vigilncia para que o conselho cuide da aplicao dos direitos socioassistenciais, direcionando a discusso para o cumprimento da proteo social para as diversas esferas dos poderes pblicos e entidades de defesa de direitos. 12. Participar das atividades do conselho, reunies plenrias, grupos de trabalho e comisso, desenvolvendo com responsabilidade e presteza todas as atribuies que lhes forem designadas. 13. Representar o conselho em eventos para os quais forem designados. 14.Agircomrespeitoedignidade,observadaasnormasdecondutasocialedaadministraopblica. 15. Zelar pelo patrimnio do conselho. 16. Manter seus dados cadastrais atualizados no conselho e nos sistemas cadastrais do MDS. 17. Responder com presteza e de modo formal, de acordo com as normas do processo administrativo. 18. Exercer o controle social da Poltica Nacional Pblica de Assistncia Social e da gesto do Programa Bolsa Famlia.
  • 76. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 82 relevante lembrar que, entre alguns atos, os conselheiros no devem: Enfim, o conselheiro deve ser comprometido com a consolidao da assistncia social como poltica pblica de proteo social e do PBF como possibilidade de acesso dessa populao renda, buscando garantir, em seu municpio, os direitos do cidado que delas necessitam em seu municpio. O comprometimento do conselheiro vai fazer a diferena na vida das famlias usurias da assistncia social e do Programa Bolsa Famlia. Por isso, no esquea: as aes que voc realiza todos os dias no seu municpio impactam diretamente a vida de milhes de famlias. Uma longa travessia h de ser trilhada em direo ao aprofundamento da democracia e dos direitos de cidadania, pois o modelo socioassistencial traduzido no SUAS e na poltica de garantia de renda, contribui com o rompimento de prticas conservadoras e preconceituosas ainda presentes na sociedade brasileira, ou seja, prticas clientelistas, parternalistas, entre outras, que operam na contramo da garantia do direito. - permitir que interesses de ordem pessoal interfiram em suas decises; - utilizar sua funo para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; - pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificao, prmio, comisso, doao ou vantagem de qualquer espcie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua misso ou para influenciar outro conselheiro ou servidor para o mesmo fim; - retirar da repartio pblica, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimnio pblico; - fazer uso de informaes privilegiadas obtidas no mbito interno de seu servio como conselheiro em benefcio prprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; - permitir ou concorrer para que interesses particulares prevaleam sobre o interesse pblico.
  • 77. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 83 Tal processo no pode prescindir, no entanto, da consolidao e efetivao das conquistas legais e institucionais alcanadas na forma de uma nova cultura tcnica e poltica a orientar as aes socioassistenciais e a prtica dos envolvidos nos diferentes mbitos do planejamento, gesto e implementao da Poltica de Assistncia Social e da garantia de renda. Assim, no estabelecimento de relacionamentos entre os operadores da poltica e os sujeitos de direitos que se encontram no horizonte das polticas pblicas pautados nos princpios e diretrizes conquistados legal e institucionalmente reside nosso maior desafio.
  • 78. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 84 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS BOSCHETTI, Ivanete. Assistncia social no Brasil: um direito entre originalidade e conservadorismo. 2 ed. Braslia: Universidade de Braslia, 2003. BRASIL. Congresso Nacional. Lei n 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispe sobre a organizao da assistncia social e d outras providncias. Dirio Oficial da Unio. Braslia, 1993. BRASIL.MinistriodoDesenvolvimentoSocialeCombateFome.Capacitaodeconselheiros de assistncia social: guia de estudos. Braslia, 2009. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Instncias de controle social do Programa Bolsa Famlia: guia de atuao. Braslia: Secretaria Nacional e Renda e Cidadania, 2006. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Poltica Nacional de Assistncia Social PNAS/2004. Norma Operacional Bsica NOB/SUAS. Braslia, 2005. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. SUAS: Sistema nico de Assistncia Social. Configurando os eixos da mudana. Brasil: Secretaria Nacional de Assistncia Social, 2007. Caderno 2. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Conselho Nacional de Assistncia Social. Tipificao nacional de servios socioassistenciais: texto da resoluo n109, de 11 de novembro de 2009, publicada no Dirio Oficial da Unio em 25 de novembro de 2009. Braslia, 2009. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Conselho Nacional de Assistncia Social. SUAS Sistema nico de Assistncia Social: implicaes do SUAS e da gesto descentralizada na atuao dos Conselhos de Assistncia Social. Braslia, 2006. v.2. BRASIL. Tribunal de Contas da Unio. Orientaes para Conselhos da rea de assistncia social. Braslia, 2007. CAMPOS, Edval Bernardino. Assistncia social: do descontrole ao controle social. Servio Social & Sociedade. So Paulo: Cortez, n. 88, novembro de 2006. ______. O protagonismo do usurio da assistncia social na implementao e controle social do SUAS. In: BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Capacitao de conselheiros de assistncia social: guia de estudos. Braslia, 2009. CUNHA, Rosani. Transferncia de renda com condicionalidades: a experincia do Bolsa Famlia. In: BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Concepo e gesto da proteo social no contributiva no Brasil. Braslia: UNESCO; MDS, 2009.
  • 79. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 85 IAMAMOTO, Marilda Vilela; CARVALHO, Raul. Relaes sociais e servio social no Brasil: esboo de uma interpretao terico metodolgica. 16 ed. So Paulo: Cortez; Lima, Peru: CELATS, 2004. JACCOUD, Luciana. Proteo social no Brasil: debates e desafios. In: BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Concepo e gesto da proteo social no contributiva no Brasil. Braslia: UNESCO; MDS, 2009. PEREIRA, Potyara Amazoneida Pereira. Mudanas estruturais, poltica social e papel da famlia: crtica ao pluralismo de bem estar. In: SALES, M. A; MATOS, M. C; LEAL, M. C. (Org.). Poltica social famlia e juventude. So Paulo: Cortez, 2004. SADER, Eder. Quando novos personagens entram em cena: experincias, falas e lutas dos trabalhadores da grande So Paulo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. SPOSATI, Aldaza. Modelo brasileiro de proteo social no contributiva. In: BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Concepo e gesto da proteo social no contributiva no Brasil. Braslia, 2009. YAZBEK, Maria Carmelita. Estado, polticas sociais e implementao do SUAS. In: BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Capacita SUAS. Braslia, 2008, v.1. ______.Classes subalternas e assistncia social. So Paulo: Cortez, 1993. YAZBEK, Maria Carmelita; MARTINELLI, Maria Lucia; RAICHELIS, Raquel. O servio social brasileiro em movimento: fortalecendo a profisso na defesa dos direitos. Servio Social & Sociedade, So Paulo: Cortez, n. 95, 2008.
  • 80. 87 A GESTO DA ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA MDULO 02
  • 81. 89 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Agora, vamos comear o segundo mdulo de nosso curso, que tem por objetivos: identificar os instrumentos de gesto do SUAS e demonstrar a relao entre eles; conhecer as dimenses e componentes do Programa Bolsa Famlia, sua operacionalizao e seus instrumentos de acompanhamento; compreender porque importante para os conselheiros municipais conhecer a gesto da poltica de assistncia social e do Programa Bolsa Famlia. 1. POR QUE IMPORTANTE PARA O CONSELHEIRO CONHECER A GESTO DO SUAS E DO PBF? Como vimos no Mdulo 1 (itens 3 - o controle social, e 4 - o papel dos conselheiros) os con- selheiros devem estar atentos gesto local das polticas e programas em dois sentidos: a) para obter dos gestores informaes teis para o acompanhamento da efetivao do Plano de Assistncia Social (PAS) em relao ao Plano Plurianual (PPA) e para o acompanhamento do cadastramento das famlias no Cadnico; b) para realizar a fiscalizao dos recursos pblicos, pois conhecendo a gesto, o conselheiro tem mais possibilidades de identificar os processos internos prefeitura e as formas de aplicao dos recursos. 2. A GESTO DO SUAS Inicialmente, preciso ter clareza sobre o que gesto. GESTO o processo por meio do qual uma ou mais aes so planejadas, organiza- das, dirigidas, coordenadas, executadas, monitoradas e avaliadas, tendo em mira o uso racional e a economia de recursos (eficincia), a realizao dos objetivos planejados (eficcia) e a produo dos impactos esperados sobre a realidade do seu pblico-alvo (efetividade). Envolve, portanto, a mobilizao e o trabalho de pessoas, a organizao de estruturas institucionais, o embate de ideias e a construo de consensos, o uso de tecnologias e instrumentos in- formacionais, necessrios tomada de deciso e implementao das aes.
  • 82. 90 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Como vimos no primeiro mdulo, o Sistema nico de Assistncia Social (SUAS) um siste- ma composto de um conjunto de aes: servios, programas, projetos, benefcios e transferncias de renda. A gesto do SUAS, portanto, est relacionada ao: a) processo tcnico e poltico por meio do qual as aes acima referidas so formuladas e imple- mentadas; b) modelo de organizao institucional e distribuio de responsabilidades entre atores, insti- tuies e unidades da federao quanto ao processo de planejamento, financiamento, execuo, monitoramento e avaliao da poltica pblica; c) conjunto de mecanismos jurdicos e polticos, instrumentos tcnicos, ferramentas informacio- nais e processos administrativos, mobilizados pelos diversos atores que atuam na rea gestores, tcnicos, conselheiros etc. visando garantir a efetividade das aes e o seu controle pela sociedade. A realizao da assistncia social como direito envolve estruturas e decises complexas do po- der pblico e a sua materializao reivindica o aperfeioamento da operacionalizao do conjunto de aes que compe o Sistema. A gesto do SUAS se pauta em dois fundamentos essenciais: O primeiro, nos princpios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia que regem a administrao pblica direta e indireta. O segundo, na participao e cogesto do sistema pelo controle social, alicerados na compreenso de partilha do poder e necessariamente pela democratizao das decises, que devem ser tomadas numa esfera mais prxima do cidado, possibilitando maior fiscalizao, controle e influncia nas aes estatais. A Constituio Federal de 1988 determina em seu texto a integrao de duas ferramentas de gesto vitais para o poder pblico: o Planejamento e o Oramento. No mbito da Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS), a NOB/SUAS (2005) amplia essa concepo trazendo para rea, alm do Plano e Oramento de Assistncia Social, outros instrumentos de gesto do Sistema nico, como a Gesto da Informao, o Monitoramento e Avaliao e o Relatrio Anual de Gesto. Aps a redemocratizao do pas, vivenciamos o processo de descentralizao administrativa e financeira com a municipalizao das aes antes centralizadas pelos estados e Unio. Desse processo resultou um dficit, sobretudo, para os municpios que no possuam capacida- de instalada de gesto. Mais de duas dcadas se passaram e o momento ainda de aperfeioamento do Estado brasileiro, particularmente no aspecto da capacidade de gesto dos entes federados.
  • 83. 91 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA vital para o SUAS que todos os entes da federao possuam um nivelamento bsico das condies de gesto que esto estabelecidas no artigo 30 da LOAS, respeitando sempre a compe- tncia de cada um, as diferenas locais e regionais, fundamentados nos princpios federativos da cooperao, mas tambm da garantia da unidade na diversidade. Cabe administrao pblica alguns procedimentos para favorecer o aperfeioamento do processo de gesto, como, por exemplo: a coordenao do processo de planejamento e de elaborao do oramento, assegurando a participao dos atores do SUAS, adequando seu contedo a uma linguagem acessvel, sem prejuzo da utilizao de mtodos cientficos fundamentais para garantir racionalidade poltica e econmica; o Plano Decenal do SUAS e as deliberaes das Conferncias como norteadores do planeja- mento participativo e dos rumos sociais deste Sistema, expressos nos Planos e Oramentos de Assistncia Social; a necessidade de inovaes no modelo de gesto do SUAS. A dinmica das instituies, da socie- dade e a busca pela eficincia no servio pblico devem promover essas inovaes. Cita-se, como exemplo, a realizao de pactos entre os entes federados que configuram modalidades democr- ticas de comprometimento conjunto e um importante instrumento para gerir, num ambiente federativo, estruturas complexas, como as organizaes pblicas; instituio da cultura de planejamento, principalmente no mbito municipal, que possibilite aos gestores a (re)organizao dos servios, programas, projetos, benefcios e transferncia de renda de acordo com as reais necessidades das famlias e indivduos nos territrios. Esses instrumentos possibilitam maior capacidade programtica para a gesto do SUAS e, associados ao acompanhamento contnuo, permitem ao gestor detectar e corrigir deficincias durante a execuo das aes que constituem o SUAS, alm de embasar o processo decisrio do corpo dirigente e da instncia deliberativa. Vamos agora saber mais detalhadamente sobre alguns instrumentos de gesto do SUAS. O aperfeioamento da capacidade de gesto dos municpios, estados, Dis- trito Federal e Unio necessariamente passa pelo resgate e fortalecimento de Conselhos, Planos e Fundos de Assistncia Social e da institucionali- zao de uma cultura de planejamento e acompanhamento continuado como instrumentos fundamentais gesto descentralizada do SUAS.
  • 84. 92 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 2.1. INSTRUMENTOS DE GESTO DO SUAS Segundo a NOB/SUAS, os instrumentos de gesto caracterizam-se como ferramentas de pla- nejamento tcnico e financeiro do SUAS, nos trs nveis de governo, tendo como parmetros o diagnstico social e os eixos da proteo social, bsica e especial. Quais so esses instrumentos? Falaremos, a partir de agora, sobre cada um desses instrumentos para que voc compreenda bem do que se trata. 2.1.1. O PLANO DE ASSISTNCIA SOCIAL (PAS) A responsabilidade pela elaborao do PAS do rgo gestor, ou seja, da Secretaria de Assistn- cia Social em cada esfera de governo. Seguindo o princpio democrtico e participativo que orienta o SUAS, o rgo gestor deve submet-lo anlise e aprovao do Conselho de Assistncia Social. Para o bom desempenho dessa funo, o conselho deve utilizar o PAS como um intrumento: tcnico, poltico e operacional, que organiza, regula e norteia a execuo da poltica de assistn- cia social e define as aes prioritrias a serem desenvolvidas pelos gestores da rea; de referncia para o planejamento estratgico, dirigido para a implantao de um sistema de aes articuladas, sistemticas, contnuas, com direo definida e comando nico; referncia capaz de viabilizar a insero da poltica de assistncia social no sistema de planeja- mento global da unidade da federao a que se refere; referncia capaz de possibilitar a oferta dos servios socioassistenciais conforme as reais necessi- dades das famlias e indivduos. O PAS um instrumento cujo processo de elaborao se d pelo rgo gestor, e sua anlise e aprovao so de competncia do conselho, a fim de garantir o entendimento da orao: envolve mediaes polticas entre diferentes atores sociais e polticos; possibilita a participao dos segmentos organizados da sociedade civil e dos usurios nas for- mulaes, discusses e deliberaes do conselho; exige o conhecimento das caractersticas sociais, polticas, econmicas, culturais, locais e regio- nais, bem como das necessidades e demandas sociais da populao-alvo; a) O Plano de Assistncia Social (PAS) b) O oramento e o financiamento c) A gesto da informao d) O monitoramento e a avaliao e) O Relatrio Anual de Gesto
  • 85. 93 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA exige a formulao de estratgias polticas e a identificao dos meios tcnicos necessrios ao enfrentamento e superao das necessidades sociais identificadas; exige o conhecimento da rede socioassistencial existente, constituda pelos servios, programas, projetos e benefcios da assistncia social, das aes de transferncias de renda e dos servios de outras polticas pblicas presentes no territrio; pauta-se nos marcos normativos, na legislao, em documentos oficiais da poltica de assistncia social, nas deliberaes das conferncias e dos conselhos de assistncia social nos trs nveis; deve pautar-se, principalmente, no Plano Decenal da Assistncia Social, planejamento no qual constam as responsabilidades dos trs entes federados. ESTRUTURA DO PAS O Plano de Assistncia Social composto, dentre outros, dos seguintes itens: A PERIODICIDADE DO PAS O Plano Municipal de Assistncia Social elaborado geralmente para o prazo de uma admi- nistrao, estabelecendo diretrizes, metas e aes, que devero ser realizadas durante esse perodo. Dever ser desdobrado, anualmente, em um Plano de Ao. O PLANO DE AO O Plano de Ao um instrumento de gesto que deve ser preenchido anualmente por mu- nicpios, estados e Distrito Federal por meio do aplicativo SUAS Web, uma ferramenta de plane- jamento disponibilizada pela Secretaria Nacional de Assistncia Social (SNAS) para lanamento e validao anual das informaes necessrias transferncia regular e automtica de recursos do cofinanciamento federal dos servios socioassistenciais. ATENO No caso do municpio, tem- se um Plano Municipal de Assistncia Social (PMAS), elaborado pela Secretaria Municipal de Assistncia Social e aprovada em plenria deliberativa no Conselho Municipal de Assistncia Social (CMAS). - anlise situacional (diagnstico); - objetivos gerais e especficos; - diretrizes e prioridades; - aes estratgicas para sua implementao; - metas, resultados e impactos esperados; - recursos materiais, humanos e financeiros disponveis e necessrios sua implementao; - mecanismos e fontes de financiamento; - cobertura da rede prestadora de servios; - indicadores de monitoramento e avalio e o espao temporal da execuo.
  • 86. 94 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS esse Plano que materializa o planejamento fsico e financeiro dos repasses de recursos fundo a fundo (do Fundo Nacional de Assistncia Social para os Fundos de Assistncia Social Estaduais, Municipais e do DF) para posterior apreciao dos Conselhos de Assistncia Social. Essa a razo pela qual os gestores devem inserir, nesse sistema, informaes referentes ao planejamento dos servios a serem executados a partir do cofinanciamento federal, servindo de base para as aes de gesto e de controle social. O SUAS Web apresenta, por fim, alguns itens de preenchimento obrigatrio, entre outros: o cadastro; os atos de criao do Conselho de Assistncia Social e do Fundo de Assistncia Social; a data de suas publicaes oficiais e o ato de aprovao do respectivo Plano de Assistncia Social pelo conselho. Tambm se faz necessrio informar os recursos prprios e aqueles advindos do Fundo Esta- dual de Assistncia Social previstos nas leis oramentrias, para o respectivo Fundo de Assistncia Social, e a previso de atendimento dos usurios para cada servio socioassistencial cofinanciado. 2.1.2. O ORAMENTO E O FINANCIAMENTO O ORAMENTO Neste tpico abordaremos basicamente como construdo o sistema oramentrio brasileiro e como se financia a poltica pblica de assistncia social. Alm disso, discutiremos tambm o papel dos conselhos municipais nos processos decisrios relacionados ao tema. Para que os governantes possam executar as polticas pblicas, eles devem primeiramente se- guir o que est previsto na Constituio Federal de 1988. No caso do Oramento Pblico, alm do que est previsto na Constituio, necessrio que sigam o que dispe a Lei n. 4.320/1964, a Lei Complementar n. 101/2000 (a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal) e principalmente a Portaria n. 42/1999 do Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. O QUE ORAMENTO PBLICO? O Oramento Pblico nada mais do que o compromisso do governante com a sociedade no que se refere execuo das polticas pblicas. Por meio dele, todos os cidados podero visualizar onde, como, quando e por qual valor poder ser realizada determinada obra ou servio. Em outras palavras, para que os hospitais sejam construdos, os funcionrios pblicos sejam remunerados, as escolas sejam erguidas, preciso ATENO As aes previstas no plano devero ser organizadas de acordo com os tipos de proteo social bsica e especial, de mdia e alta complexidade estudados no Mdulo I do nosso curso.
  • 87. 95 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA antes a previso detalhada do que ser feito e do quanto ser gasto. Essa previso ser expressa no texto do Oramento Pblico. De acordo com Balco e Teixeira (2004), ao mostrar onde e como o poder pblico pretende aplicar o dinheiro pblico, o oramento espelha suas reais priori- dades polticas. Uma anlise do projeto oramentrio de qualquer dos nveis de governo indica quais so os projetos e planos de desenvolvimento em andamento e os setores ou grupos sociais que sero beneficiados. O oramento pblico reflete politicamente a direo, os compromissos e as prioridades por parte do governante, bem como a relao de foras entre os grupos da sociedade civil organizada e o poder de influncia dos parlamentares eleitos em cada um dos nveis federativos. Cabe, neste momento, diferenciarmos dois conceitos que normalmente causam bastante confuso: ciclo or- amentrio x processo oramentrio. Por ciclo oramentrio compreendem-se as fases de tramitao dos instrumentos oramen- trios que estudaremos a seguir. No ciclo, o que importa o incio e o trmino dos perodos de elaborao e execuo do plano plurianual (ppa), da lei de diretrizes oramentrias (ldo) e da lei oramentria anual (loa). J no processo oramentrio temos as definies dos papis de cada poder (executivo e legis- lativo): quem elabora, quem encaminha a proposta, quem analisa, quem emenda, quem aprova. COMO SE CONSTRI O ORAMENTO PBLICO? O oramento pblico um instrumento de organizao e planificao das aes e programas dos governos. Em seu artigo 165, nossa Constituio define quais so os instrumentos de plane- jamento e oramento que todos os entes da Federao obrigatoriamente devero seguir: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecero: Vamos conhecer melhor cada uma dessas peas que fazem parte do oramento pblico. O Plano Plurianual; As diretrizes oramentrias; Os oramentos anuais.
  • 88. 96 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS O PLANO PLURIANUAL (PPA) O Plano Plurianual dever conter as diretrizes, objetivos e metas da administrao pblica federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes, bem como para as relativas aos pro- gramas de durao continuada. Em sua essncia, o PPA corresponde ao principal instrumento de planejamento existente em todos os entes da Federao. Segundo Giacomoni (2002), o PPA passa a se constituir na sntese dos esforos de planejamento de toda a administrao pblica, orientando a elaborao dos demais planos e programas de governo, assim como do prprio oramento anual . Cabe salientar, ainda, que o PPA define o planejamento global das aes de governo em cada uma das unidades da federao, por um perodo de quatro anos. Nesse processo, como dito an- teriormente, cada unidade da federao obrigada a elaborar seu prprio PPA. Tem-se, portanto, um PPA para a Unio, um PPA para um dos estados federados e um PPA para cada um dos municpios brasileiros. De acordo com a Constituio Federal de 1988: a proposio do PPA responsabilidade do Poder Executivo; cada Poder Executivo dever encaminhar ao Poder Legislativo uma proposta de PPA a ser ana- lisada, emendada e votada nas datas previstas na Constituio Federal, Constituies Estaduais e Leis Orgnicas Municipais. O PPA elaborado no primeiro ano de mandato do governante eleito para ser executado nos quatro anos seguintes, ou seja, cada governante, em seu primeiro mandato, executa um ano do PPA anterior e trs anos de seu prprio PPA. Dessa forma, reduz-se a possibilidade de, a cada nova pos- se, as obras e servios iniciados no governo anterior serem interrompidas ou at mesmo desfeitas. Alm disso, o PPA constitui o documento base para a elaborao tanto da Lei de Diretrizes Or- amentrias (LDO) quanto da Lei Oramentria Anual (LOA). Conforme Vainer et alli (2005), em qualquer esfera da Federao o PPA dever atingir os seguintes objetivos: O que so despesas de capital? So aquelas que impactam na formao do patrimnio pblico.
  • 89. 97 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Quadro 1 Principais objetivos do PAA A LEI DE DIRETRIZES ORAMENTRIAS (LDO) Com base no PPA, cada governante dever elaborar, anualmente, a Lei de Diretrizes Or- amentrias (LDO). Assim, a LDO no poder incorporar nenhuma ao que no tenha sido contemplada no PPA. Conforme previsto na Constituio Federal de 1988, a LDO dever conter as diretrizes e me- tas da administrao pblica e dispor sobre as alteraes na legislao tributria, alm de orientar a elaborao da Lei Oramentria Anual, a LOA. A Lei Complementar n. 101/2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), agregou novos contedos proposta de LDO, encaminhada pelo Executivo ao Legislativo. No artigo 4o. da LRF afirma-se que a LDO dispor sobre: PRINCIPAIS OBJETIVOS DO PPA definir, com clareza, as metas e prioridades da administrao bem como os resultados espe- rados; organizar, em programas, as aes que resultem em oferta de bens ou servios que atendam demandas da sociedade; estabelecer a necessria relao entre os programas a serem desenvolvidos e a orientao estratgica do governo; nortear a alocao de recursos nos oramentos anuais, compatvel com as metas e recursos do Plano Municipal de Assistncia Social; facilitar o gerenciamento das aes do governo, atribuindo responsabilidade pelo monitora- mento destas aes e pelos resultados obtidos; integrar aes desenvolvidas pela Unio, estado e governo local; estimular parcerias com entidades privadas, na busca de fontes alternativas para o financia- mento dos programas; explicitar, quando couber, a distribuio regional das metas e gastos do governo; dar transparncia aplicao de recursos aos resultados obtidos.
  • 90. 98 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS ATENO A LDO uma Lei intermediria entre o PPA e a Lei Oramentria Anual (LOA), ou seja, o Oramento Pblico. I. equilbrio entre receitas e despesas; II. critrios e forma de limitao de empenho; III. normas relativas ao controle de custos e avaliao dos resultados dos programas finan- ciados com recursos dos oramentos; IV. demais condies e exigncias para transferncia de recurso. Alm disso, a LDO deve trazer um Anexo de Metas Fiscais, com a avaliao geral da situao financeira, e um Anexo de Riscos Fiscais, com a avaliao dos passivos contingentes e de outros riscos capazes de afetar as contas pblicas. Da mesma forma que o PPA, a LDO dever ser elaborada anualmente pelo Poder Executivo e analisada, emendada e aprovada pelo Legislativo. A LEI ORAMENTRIA ANUAL (LOA) Por fim, temos a Lei Oramentria Anual (LOA), que composta pelas receitas (origem dos recursos pblicos) e despesas (destinao dos recursos pblicos). A prerrogativa constitucional de elaborao da proposta oramentria exclusiva do Poder Executivo. Ao Poder Legislativo cabe alterar a proposta original, por meio de emendas, ou apenas ratific-la por meio do voto. No tocante ao contedo da LOA, a Constituio Federal de 1988 determina que contenha: I. o Oramento Fiscal; II. o Oramento de Investimento das Empresas Estatais e o III. o Oramento da Seguridade Social. Alm disso, o contedo da LOA decorre das defini- es contidas tanto na LDO quanto no PPA. Vamos ver o que esses trs tipos de oramentos significam: Oramento Fiscal: corresponde ao oramento dos Poderes, seus fundos, rgos e entidades da administrao direta e indireta, inclusive fundaes institudas e mantidas pelo poder pblico;
  • 91. 99 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Em se tratando de uma Lei que estima as receitas (ou seja, prev quanto ser arrecadado durante o perodo de um ano) e fixa as despesas (ou seja, com base na previso da arrecadao, fixa quanto e no que podero ser gastos os recursos), a LOA uma pea que orienta o cotidiano dos governos, pois todas as suas aes devero obedecer s definies presentes neste documento. O CICLO ORAMENTRIO PPA, LDO e LOA constituem, em sntese, o espelho da organizao do planejamento dos entes federados do Pas, havendo um relacionamento claro entre tais instrumentos: ao tomar posse, cada governante dever elaborar em seu primeiro ano de mandato o PPA. Este dever ser encaminhado Cmara Municipal para discusso, alterao e aprovao. O PPA um plano de mdio prazo, com vigncia de quatro anos. Sua execuo iniciada no 2 ano de mandato do governante e finalizada no primeiro ano de mandato do prximo governante. Tal dispositivo impede a interrupo de obras e servios por ocasio da mudana de governo. Em cada ano, o prefeito dever elaborar uma proposta de LDO e uma proposta de LOA baseadas no contedo expresso no PPA. Dessa forma, todo o contedo pode ser visualizado na figura que se segue: Oramento de Investimento: compreendido pelo oramento das em- presas em que a Unio, direta ou indiretamente, detenha maioria do ca- pital social com direito a voto; Oramento da Seguridade Social: abrange todas as entidades e rgos a ela vinculados, da administrao direta ou indireta, bem como fundos e fundaes institudos e mantidos pelo poder pblico.
  • 92. 100 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS O PROCESSO ORAMENTRIO Ressalta-se outra questo que trata especificamente das responsabilidades de cada Poder no processo oramentrio. De acordo com a Constituio Federal de 1988, o Poder Executivo e o Poder Legislativo tm funes diferentes no referido processo. Pela figura seguinte, podem-se visualizar sinteticamente tais atribuies: Plano Plurianual (PPA) Elaborado no 1 ano de mandato do atual governante Lei Oramentria Anual (LOA3) Elaborada no 4 ano de mandato do atual governante Lei Oramentria Anual (LOA2) Elaborada no 3 ano de mandato do atual governante Lei Oramentria Anual (LOA1) Elaborada no 2 ano de mandato do atual governante Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO2) Elaborada no 3 ano de mandato do atual governante Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO1) Elaborada no 2 ano de mandato do atual governante Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO3) Elaborada no 4 ano de mandato do atual governante Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO4) Elaborada no 1 ano de mandato do prximo governante Lei Oramentria Anual (LOA4) Elaborada no 1 ano de mandato do prxi- mo governante Quadro 2 O Ciclo Oramentrio Brasileiro
  • 93. 101 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Ressalta-se que a relao entre Estado e sociedade no trato do oramento pblico em nosso pas marcada pelo distanciamento entre aqueles que elaboram e executam o oramento (gesto) e aqueles que o financiam e que necessitam das polticas pblicas (populao). IMPORTANTE SABER Por isso, fundamental a promoo de avanos na participao ativa da sociedade na constru- o e no controle da execuo do oramento pblico e isso exige dos conselhos e dos conselheiros o efetivo cumprimento das atribuies que lhes foram destinadas quanto a este processo. Processo Oramentrio Emenda e aprova a LDO Emenda e aprova o PPA Poder Legislativo (Analisa, vota, altera o PPA, LDO e LOA) Elabora e encaminha o PPA Poder Executivo Prope PPA, LDO e LOA Elabora e encaminha a LDO Elabora e encaminha a LOA Emenda, aprova e fiscaliza a LOA Quadro 3 O Processo Oramentrio
  • 94. 102 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS ENTENDENDO A GRAMTICA ORAMENTRIA A LOA um documento, como dissemos anteriormente, que contempla todas as receitas e despesas do Poder Executivo. um documento que tem ao mesmo tempo caractersticas admi- nistrativas, contbeis, econmicas, jurdicas e polticas. Por isso, chama-se de gramtica oramentria todos os termos necessrios para podermos decifrar e compreender o contedo impresso na LOA. Tais termos so de grande valia no dia a dia dos conselheiros que precisam lidar com dados da execuo oramentria municipal e, principalmente, com dados da execuo oramentria da assistncia social. Assim, preste bastante ateno nos seguintes termos: CLASSIFICAO DAS RECEITAS ORAMENTRIAS Existem dois tipos de classificaes das Receitas Oramentrias: classificao por natureza; classificao por fontes de Recursos. a) Classificao por natureza De acordo com o Manual Tcnico do Oramento de 2010, a classificao da receita por natureza busca a melhor identificao da origem do recurso segundo seu fato gerador. Em outras palavras, trata-se de buscar identificar aquilo que, do ponto de vista econmico, refere-se receita. A Lei n. 4.320/1964 determina, em seu artigo 11, que as receitas se classificam em Receitas Correntes e Receitas de Capital. A disposio dessas classificaes, como todas as outras que discutiremos, feita por meio de codificao prpria. As receitas correntes tm o cdigo identifi- cador 1 e as receitas de capital tm o cdigo identificador 2. O QUE SO RECEITAS CORRENTES? As receitas correntes podem ser definidas, conforme orientao do SIAFI1 , como receitas que apenas aumentam o patrimnio no duradouro do Estado, isto , que se esgotam dentro do perodo anual. So os casos, por exemplo, das receitas dos impostos que, por se extinguirem no decurso da exe- cuo oramentria, tm de ser renovadas todos os anos. Como receitas correntes, podemos citar as receitas tributrias, patrimoniais, industriais e ou- tras de natureza semelhante, alm das oriundas de transferncias correntes. Trata-se de um tipo de receita que no causa impacto algum no tamanho do patrimnio da administrao pblica, uma ATENO A leitura e compreenso da Lei Oramentria Anual (LOA) nem sempre fcil, dado o sistema de codificao criado por meio da Lei n. 4.320/1964. 1 Sistema Integrado de Administrao Financeira do Governo Federal. ATENO Unidade oramentria corresponde ao agrupamento de servios subordinados ao mesmo rgo ou repartio a que sero consignadas dotaes prprias. (art. 14 da Lei n. 4.320/1964). De acordo com o Manual Tcnico do Oramento de 2010 do MPOG, as unidades oramentrias so as estruturas administrativas responsveis pelas dotaes oramentrias e pela realizao das aes.
  • 95. 103 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA vez que sua utilizao, no campo da despesa, servir para a manuteno das atividades estatais e no para a aquisio de bens. s receitas correntes, corresponde a noo de operaes correntes. De acordo com Machado Jr. & Reis (2000), as operaes correntes dizem respeito a todas aquelas transaes que o governo realiza diretamente ou atravs de suas ramificaes; e de cujo esforo no resulta acrscimos no seu patrimnio. Como exemplo, temos que os recursos presentes no Oramento para pagamento de servidores (professores, mdicos, assistentes sociais, psiclogos, advogados, etc.) sero utilizados por estes no mercado privado, no resultando na aquisio de nenhum bem que possa ampliar o Patrimnio do Estado. O QUE SO RECEITAS CAPITAL? Por sua vez, as receitas de capital so aquelas que, utilizadas para a realizao de investimen- tos, causam alterao no Patrimnio do Estado. Entre elas encontram-se aquelas obtidas por meio da contrao de emprstimos e de outras operaes de crdito. A estas receitas corresponde a noo de operaes de capital, operaes que produzem altera- o no Patrimnio do Estado com a aquisio de bens de capital, a exemplo das obras de asfalta- mento, construo de hospitais, construo de escolas, construo de viadutos, etc. Merece ateno a relao entre receitas e despesas, ou seja, a correspondncia direta que existe entre elas na classificao por natureza: As receitas correntes geram despesas correntes e as receitas de capital geram despesas de capital. No quadro abaixo, apresenta-se uma sntese das receitas e despesas segundo a natureza: Quadro 4 Sntese das Receitas e Despesas, segundo a sua natureza b) Classificao por fontes de Recursos2 Na classificao anterior, verificamos a que se destinam as receitas. Nesta classificao, sabe- remos a quem se destinam determinados agrupamentos de receitas a partir de determinada regra legal. Assim, entende-se por fonte de recurso a origem ou a procedncia dos recursos que devem ser gastos com uma determinada finalidade. necessrio, portanto, individualizar esses recursos de modo a evidenciar sua aplicao segundo determinao legal 3 . RECEITAS DESPESAS 1 Receitas Correntes 3 Despesas Correntes 2 Receitas de Capital 4 Despesas de Capital 2 Atualizado pela Portaria n. 10, de 27 de junho de 2001, da Secretaria de Oramento Federal do Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto (SOF/MPOG.
  • 96. 104 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Para este caso tambm h codificao especfica. No quadro abaixo, apresentamos os princi- pais grupos de fontes de recursos e sua respectiva codificao: Quadro 5 Grupo de Fontes de Recursos CLASSIFICAO DA DESPESA ORAMENTRIA Trataremos agora das principais classificaes da despesa oramentria. Analisaremos basica- mente os seguintes tipos de classificao: classificao quanto esfera oramentria; classificao institucional; classificao funcional programtica; classificao quanto natureza. Vamos conhecer cada uma dessas classificaes: Classificao quanto esfera oramentria A classificao quanto esfera oramentria tem a funo de identificar apenas em qual ao oramentria se encontra determinada rubrica, se no Oramento da Seguridade Social, no Ora- mento Fiscal ou no Oramento de Investimentos. Quadro 6 Cdigo e Esfera Oramentria GRUPOS DE FONTES DE RECURSOS 1 Recursos do Tesouro Exerccio Corrente 2 Recursos de Outras Fontes Exerccio Corrente 3 Recursos do Tesouro Exerccios Anteriores 4 Recursos Condicionados CDIGO ESFERA ORAMENTRIA 10 Oramento Fiscal 20 Oramento da Seguridade Social 30 Oramento de Investimento 3 Ementrio das receitas do Governo Federal.
  • 97. 105 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Classificao institucional A classificao institucional reflete a estrutura organizacional e administrativa, composta pelo rgo oramentrio e unidade oramentria. No mesmo caso das outras classificaes, ela con- templa codificao prpria. Vamos entender o que rgo oramentrio e unidade oramentria: Classificao funcional programtica A classificao funcional programtica est relacionada s seguintes perguntas: em que rea sero utilizados os recursos pblicos? E o que ser feito? Essa classificao foi introduzida nos oramentos de todos os entes federativos por meio da Portaria n. 42/1999 da SOF/MPOG. Ela responde exatamente ao setor com o qual ser realizada determinada despesa e o que efetivamente ser feito. A Portaria introduz alguns conceitos que podero ser visualizados a seguir: rgo oramentrio: corresponde ao agrupamento de unidades ora- mentrias. Unidade oramentria: corresponde ao agrupamento de servios subor- dinados ao mesmo rgo ou repartio a que sero consignadas dotaes prprias. (art. 14 da Lei n. 4.320/1964). De acordo com o Manual Tc- nico do Oramento de 2010 do MPOG, as unidades oramentrias so as estruturas administrativas responsveis pelas dotaes oramentrias e pela realizao das aes.
  • 98. 106 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Quadro 7 Cdigo e Esfera Oramentria Tambm identificada por meio de cdigos, a classificao funcional engloba todos os setores da administrao pblica, incluindo o Poder Legislativo. No caso da assistncia social, temos a seguinte classificao: Quadro 8 Classificao Funcional FUNO SUBFUNO 08 Assistncia Social 241 Assistncia ao Idoso 242 Assistncia ao Portador de Deficincia 243 Assistncia Criana e ao Adolescente 244 Assistncia Comunitria ITEM CONCEITO Funo Maior nvel de agregao das diversas reas de despesa que competem o setor pblico. Subfuno Representa uma partio da funo, visando agregar determinado subconjunto de despesa do setor pblico. Programa Instrumento de organizao da ao governamental visando concretizao dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no plano plurianual. Projeto Instrumento de programao para alcanar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de operaes, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expanso ou o aperfeioamento da ao de governo. Atividade Instrumento de programao para alcanar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de operaes que se realizam de modo contnuo e permanente, das quais resulta um produto necessrio manuteno da ao de governo. Operaes especiais Despesas que no contribuem para a manuteno das aes de governo, das quais no resulta um produto, e no geram contraprestao direta sob a forma de bens ou servios. CLASSIFICAOFUNCIONALCLASSIFICAOPROGRAMTICA Fonte: Portaria n. 42/1999 MPOG. Org. prpria.
  • 99. 107 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Classificao quanto natureza Igual ao caso das receitas, a despesa classificada em despesas correntes e despesas de capital. As despesas correntes so aquelas destinadas manuteno das atividades do Estado. De acordo com a Lei n. 420/1964, as despesas correntes esto vinculadas manuteno de servios ante- riormente criados, inclusive as destinadas a atender obras de conservao e adaptao de bens imveis. Como exemplo, temos os salrios do funcionalismo pblico, a aquisio de material de consumo, a contratao de servios de terceiros, etc. H tambm uma codificao especfica para a despesa corrente com dgito 3. As despesas de capital referem-se s despesas realizadas com o objetivo de alterar o Patrim- nio do Estado, ou seja, quelas que impactam na aquisio de bens de capital. De acordo com o Portal do SIAFI, as despesas de capital podem ser definidas como: Tais despesas, tem codificao prpria, no caso dgito 4. A seguir temos toda a classificao das receitas e despesas com suas respectivas codificaes: Quadro 9 Receitas e Despesas Ainda no tocante classificao quanto natureza econmica da despesa, existem outras subclassificaes que contribuem para o maior nvel de detalhamento da despesa. So elas: grupo de despesa, modalidade de aplicao da despesa, elemento da despesa. Cada uma dessas sub- classificaes tem codificao especfica e conceituao prpria, que no iremos tratar neste curso por fugir do seu objetivo principal. RECEITAS DESPESAS 1 Receitas Correntes 3 Despesas Correntes 2 Receitas de Capital 4 Despesas de Capital As realizadas com o propsito de formar e/ou adquirir ativos reais, abran- gendo, entre outras aes, o planejamento e a execuo de obras, a com- pra de instalaes, equipamentos, material permanente, ttulos represen- tativos do capital de empresas ou entidades de qualquer natureza, bem como as amortizaes de dvida e concesses de emprstimos.
  • 100. 108 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Assim, apenas a ttulo de conhecimento, temos: Quadro 10 Grupos de Natureza de Despesa Quadro 11 Modalidade de Aplicao GRUPOS DE NATUREZA DE DESPESA 1 Pessoal e Encargos Sociais 2 Juros e Encargos da Dvida 3 Outras Despesas Correntes 4 Investimentos 5 Inverses Financeiras 6 Amortizao da Dvida 9 Reserva de Contingncia MODALIDADES DE APLICAO 20 Transferncias Unio 30 Transferncias aos Estados e ao Distrito Federal 40 Transferncias aos Municpios 50 Transferncias a instituies privadas sem fins lucrativos 60 Transferncias a instituies privadas com fins lucrativos 70 Transferncias a instituies multigovernamentais 71 Transferncias a Consrcios Pblicos 80 Transferncias ao Exterior 90 Aplicaes Diretas 91 Aplicao direta decorrente de Operaes entre rgos, Fundos e Entidades Integrantes dos Oramentos Fiscal e da Seguridade Social 99 A definir
  • 101. 109 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Quadro 12 Elemento de Despesa ELEMENTO DE DESPESA 01 Aposentadorias e Reformas 03 Penses 04 Contratao por Tempo Determinado 05 Outros Benefcios Previdencirios 06 Benefcio Mensal ao Deficiente e ao Idoso 07 Contribuio a Entidades Fechadas de Previdncia 08 Outros Benefcios Assistenciais 09 Salrio-Famlia 10 Outros Benefcios de Natureza Social 11 Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil 12 Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Militar 13 Obrigaes Patronais 14 Dirias Civil 15 Dirias Militar 16 Outras Despesas Variveis Pessoal Civil 17 Outras Despesas Variveis Pessoal Militar 18 Auxlio Financeiro a Estudantes 19 Auxlio-Fardamento 20 Auxlio Financeiro a Pesquisadores 21 Juros sobre a Dvida por Contrato 22 Outros Encargos sobre a Dvida por Contrato 23 Juros, Desgios e Descontos da Dvida Mobiliria 24 Outros Encargos sobre a Dvida Mobiliria 25 Encargos sobre Operaes de Crdito por Antecipao da Receita 3 26 Obrigaes Decorrentes de Poltica Monetria 27 Encargos pela Honra de Avais, Garantias, Seguros e Similares 28 Remunerao de Cotas de Fundos Autrquicos 30 Material de Consumo 31 Premiaes Culturais, Artsticas, Cientficas, Desportivas e Outras 32 Material de Distribuio Gratuita 33 Passagens e Despesas com Locomoo 34 Outras Despesas de Pessoal Decorrentes de Contratos de Terceirizao 35 Servios de Consultoria 36 Outros Servios de Terceiros Pessoa Fsica 37 Locao de Mo de Obra 38 Arrendamento Mercantil 39 Outros Servios de Terceiros Pessoa Jurdica 41 Contribuies 42 Auxlios 43 Subvenes Sociais 45 Equalizao de Preos e Taxas 46 Auxlio-Alimentao 47 Obrigaes Tributrias e Contributivas 48 Outros Auxlios Financeiros a Pessoas Fsicas 49 Auxlio-Transporte 51 Obras e Instalaes 52 Equipamentos e Material Permanente 61 Aquisio de Imveis 62 Aquisio de Produtos para Revenda 63 Aquisio de Ttulos de Crdito 64 Aquisio de Ttulos Representativos de Capital j Integralizado 65 Constituio ou Aumento de Capital de Empresas 66 Concesso de Emprstimos e Financiamentos 67 Depsitos Compulsrios 71 Principal da Dvida Contratual Resgatado 72 Principal da Dvida Mobiliria Resgatado 73 Correo Monetria ou Cambial da Dvida Contratual Resgatada 74 Correo Monetria ou Cambial da Dvida Mobiliria Resgatada 75 Correo Monetria da Dvida de Operaes de Crdito por Antecipao da Receita 4 76 Principal Corrigido da Dvida Mobiliria Refinanciado 77 Principal Corrigido da Dvida Contratual Refinanciado 81 Distribuio Constitucional ou Legal de Receitas 91 Sentenas Judiciais 92 Despesas de Exerccios Anteriores 93 Indenizaes e Restituies 94 Indenizaes e Restituies Trabalhistas 95 Indenizao pela Execuo de Trabalhos de Campo 96 Ressarcimento de Despesas de Pessoal Requisitado 98 Investimentos Oramento de Investimentos 99 A Classificar
  • 102. 110 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS De acordo com Giacomoni (2002, p. 112), o identificador de uso tem como objetivo destacar, em cada crdito, a parcela da dotao que est reservada para compor a contrapartida de emprstimos ou doaes . Temos, assim, a seguinte configurao: Quadro 13 Identificador de Uso ORAMENTO PARTICIPATIVO importante observarmos que em alguns municpios4 brasileiros e tambm em alguns esta- dos5 foi criada uma metodologia que possibilita a participao da populao na deliberao dos recursos pblicos oramentrios. Tal experincia, conhecida como oramento participativo (OP) por meio de critrios tcnicos e polticos, possibilita a qualquer cidado decidir como, onde, quando e por quanto, utilizar os recursos pblicos presentes no oramento. Essa experincia, implantada no somente no Brasil6 , inaugura a possibilidade da construo de espaos de cogesto entre o Poder Executivo e a sociedade, reduzindo a corrupo, o desper- dcio e aproximando os governantes dos governados, o que efetivamente contribui para a conso- lidao da democracia participativa em nosso pas. OS FUNDOS ESPECIAIS De acordo com a Lei n. 4.320/1964, os fundos especiais correspondem ao produto de receitas especificadas, que por lei, se vinculam realizao de determinados objetivos ou servios, facul- tada a adoo de normas peculiares de aplicao. Em outras palavras, os fundos especiais so a garantia da existncia de recursos pblicos oramentrios especficos para determinada finalidade, definida em lei. CDIGO DESCRIO 0 Recursos no destinados contrapartida 1 Contrapartida Banco Internacional para a Reconstruo e o Desenvolvimento 2 Contrapartida Banco Interamericano de Desenvolvimento BID 3 Contrapartida de emprstimos com enfoque setorial amplo 4 Contrapartida de outros emprstimos 5 Contrapartida de doaes 4 Podemos citar como exemplos os Municpios de Santo Andr (SP), Belo Horizonte (MG), Tapejara (RS), Porto Alegre (RS), Caxias (RS), Uberlndia (MG), que em momentos diferentes nos ltimos 20 anos praticaram experincias de oramento participativo. 5 Cita-se como exemplo os Estados do Rio Grande do Sul (Governo Olvio Dutra-PT) e Distrito Federal (Governo Cristovam Buarque PT). 6 H referncias de experincias de OP em Portugal, Canad, Uruguai. Para maiores informaes consultar www.democra- ciaparticipativa.org.br
  • 103. 111 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Dessa forma, para a existncia de qualquer fundo especial, necessria uma lei que o defina, demonstre as receitas que o comporo e apresente a finalidade do seu uso, no havendo possibili- dade de utilizao em outra rea. Outras caractersticas dos fundos especiais so a ausncia de personalidade jurdica prpria e a ausncia de autonomia administrativa e financeira, uma vez que, segundo a Lei n. 4.320/1964, eles tm como funo a realizao de aes determinadas por leis prprias. AS SUBVENES No que se refere s subvenes, a Lei n. 4.320/1964 as divide em: a) Subvenes econmicas De acordo com o art. 12 da Lei n. 4.320/1964, as subvenes econmicas so despesas correntes destinadas s empresas pblicas ou privadas de carter industrial, comercial, agrcola ou pastoril. b) Subvenes sociais As subvenes sociais, por sua vez, so despesas correntes destinadas a instituies pblicas ou privadas de carter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa. Machado Jr. & Reis (2000), ao compararem os dois tipos de subvenes, nos fazem afirmaes que nos so teis e esto demonstradas na figura que se segue: Quadro 14 Tipos de Subvenes Fonte: Machado Jr. & Reis (2000) O FINANCIAMENTO Como vimos anteriormente, a implementao de qualquer poltica pblica depende da pro- viso de recursos oramentrios. O acesso a estes recursos, por sua vez, exige a insero da poltica na LOA, com a especificao da dotao oramentria a ela destinada, e sua vinculao s diretri- zes, objetivos e metas constantes no PPA, bem como s metas e prioridades constantes na LDO. Vimos tambm que o Conselho Municipal de Assistncia Social tem um papel importante na fiscalizao e acompanhamento da poltica de assistncia social, especialmente no que se refere ao controle do processo de execuo e financiamento desta. OBJETIVO DA SUBVENO ENTIDADE BENEFICIADA TIPO DE SUBVENO Carter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa (sem lucro) Instituies pblicas ou privadas Subvenes sociais Carter industrial, comercial, agrcola ou pastoril (com lucro) Empresas pblicas ou privadas Subvenes econmicas
  • 104. 112 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Este tpico objetiva ampliar os conhecimentos sobre o financiamento da poltica de assistncia social em todas as esferas da Federao. Tal objetivo de grande relevncia para os conselheiros municipais de assistncia social, dado que, com isso, tero condies de discutir com maior pro- priedade a origem e a destinao dos recursos pblicos da assistncia social. O financiamento da poltica de assistncia social tem como referncia o SUAS e, por isso, dever levar em considerao: o modelo de gesto descentralizada e participativa; as funes da poltica pblica de assistncia social proteo social, defesa social e institucional e vigilncia socioassistencial; as bases estabelecidas pelo SUAS para a relao entre Estado e sociedade civil; o cofinanciamento da Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS) pelas trs esferas da Fe- derao; os critrios de partilha e de transferncia de recursos; as definies quanto s competncias tcnicas e polticas das trs esferas da federao e da rede prestadora de servios; a participao popular e o controle social. A seguir, discutiremos o financiamento da assistncia social, com base na NOB/SUAS (2005) e na PNAS (2004), as suas fontes de financiamento e os procedimentos para a efetivao da poltica pblica de assistncia social por meio dos fundos de assistncia social existentes. Ainda, discutiremos como se d o controle social do oramento da assistncia social. AS FONTES DE FINANCIAMENTO Nos trs nveis da Federao, as instncias de financiamento da assistncia social so os Fun- dos de Assistncia Social. De acordo com a NOB/SUAS (2005) a gesto financeira da Assistncia Social se efetiva atravs desses fundos, utilizando critrios de partilha de todos os recursos neles alocados, os quais so aprovados pelos respectivos Conselhos de Assistncia Social . As fontes de financiamento dos fundos so estabelecidas em suas respectivas leis de criao, sendo que, no tocante ao Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS), a base do financia- mento so as contribuies sociais que compem o oramento da seguridade social, conforme o artigo 195 da Constituio Federal. O FNAS ainda tem outra fonte de receita, qual seja, o pro- duto da alienao dos bens imveis da extinta Fundao Legio Brasileira de Assistncia (LBA). Para estados e municpios, a LOAS, em seu artigo 30, estabelece que os fundos devam contar com recursos prprios dessas esferas como condio para o cofinanciamento federal:
  • 105. 113 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Quadro 15 Condio para repasses fundo a fundo OS FUNDOS DE ASSISTNCIA SOCIAL A Lei Orgnica de Assistncia Social (LOAS) criou o Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS) e estabeleceu que o financiamento dos benefcios, servios, programas e projetos devero ser de responsabilidade dos municpios, estados, Distrito Federal e Unio, e por meio das contri- buies sociais previstas na Constituio Federal de 1988, em seu artigo 165. Alm disso, de acordo com a LOAS, dever ser criado um Fundo de Assistncia Social em cada ente da Federao. A NOB/SUAS, em seu item 5.1, determina que estes devam ser estru- turados como unidade oramentria, por representarem importante mecanismo de captao e apoio financeiro a essa poltica. O Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS), institudo pela Lei n. 8.742, de 7 de de- zembro de 1993, tem por objetivo proporcionar recursos e meios para financiar benefcios, servios, programas e projetos de assistncia social. Cabe ao Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS), como rgo responsvel pela coordenao da Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS), gerir o Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS), sob orientao e controle do Conselho Nacional de As- sistncia Social (CNAS). Art. 30 (LOAS). condio para os repasses, aos Municpios, aos Es- tados e ao Distrito Federal, dos recursos de que trata esta lei, a efetiva instituio e funcionamento de: I Conselho de Assistncia Social, de composio paritria entre gover- no e sociedade civil; II Fundo de Assistncia Social, com orientao e controle dos respectivos Conselhos de Assistncia Social; III Plano de Assistncia Social. Pargrafo nico. , ainda, condio para transferncia de recursos do FNAS aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municpios a comprovao oramentria dos recursos prprios destinados Assistncia Social, aloca- dos em seus respectivos Fundos de Assistncia Social, a partir do exerccio de 1999. (Includo pela Lei n. 9.720, de 30.11.1998).
  • 106. 114 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Figura 1 Esquema Geral Fundos de Assistncia Social Alm da importncia que atribui aos fundos de assistncia social como instncias de financia- mento desta poltica pblica no SUAS, a NOB destaca no captulo sobre o financiamento outros quesitos que assumem relevncia na gesto e no controle desta rea, os quais devem ser objeto de ateno por parte dos conselheiros nas trs esferas de governo. Abordaremos a seguir alguns desses itens, culminando no processo de controle a ser exercido sobre o financiamento e o oramento desta poltica pblica. MINISTRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE FOME CONSELHO NACIONAL DE ASSISTNCIA SOCIAL FUNDO NACIONAL DE ASSISTNCIA SOCIAL GOVERNOS ESTADUAIS E DISTRITAL CONSELHOS ESTADUAIS E DISTRITAL DE ASSISTNCIA SOCIAL CONSELHOS NACIONAIS DE ASSISTENCIA SOCIAL FUNDO ESTADUAL E DISTRITAL DE ASSISTNCIA SOCIAL FUNDO MUNICIPAL DE ASSISTNCIA SOCIAL PREFEITURAS MUNICIPAIS Responsvel pelo fundo Fiscaliza e controla socialmente o fundo Fiscaliza e controla socialmente o fundo Fiscaliza e controla socialmente o fundo Responsvel pelo fundo Responsvel pelo fundo
  • 107. 115 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA MECANISMOS DE TRANSFERNCIA DOS RECURSOS DO FNAS Existem dois mecanismos de transferncias de recursos do FNAS, quais sejam: importante salientar que o objetivo dos repasses fundo a fundo apoiar tcnica e financeira- mente os municpios, os estados e o Distrito Federal nas despesas relativas aos servios de assistn- cia social reconhecidamente de proteo social bsica e/ou especial, prestados gratuitamente pelas entidades e organizaes pblicas ou privadas, com vistas em garantir a consolidao da PNAS. Assim, so repassados periodicamente recursos diretamente do Fundo Nacional de Assistncia Social para os Fundos Estaduais de Assistncia Social e/ou para os Fundos Municipais de Assis- tncia Social, de acordo com as atribuies e funes de cada instncia. Observe esse fluxo. Figura 2 Fluxo de repasse Fundos de Assistncia Social Repasse direto aos destinatrios, que diz respeito aos benefcios monetrios operados na assistncia social, desta- cadamente o Benefcio de Prestao Continuada (BPC) e os benefcios do Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI) e do Programa Bolsa Famlia, que exigem legislao especfi- ca para serem operacionalizados. 1 Repasses de recursos fundo a fundo, que podem ser regulares e automticos (caracterizados como transferncia le- gal) para cofinanciamento continuado dos servios socioassistenciais; ou con- vnios por meio de sistemtica prpria, utilizando-se de sistema informatizado para financiamento de programas e projetos no continuados (transfern- cias voluntrias). 2 FLUXO DE REPASSE DEVE RESPEITAR AS INSTNCIAS DE GESTO COMPARTILHADA E DE- LIBERAO DA POLTICA DE ASSISTENCIA SOCIAL EM TODAS AS ESFERAS DA FEDERAO FUNDO NACIONAL FUNDO ESTADUAL FUNDO MUNICIPAL
  • 108. 116 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS CRITRIOS PARA A PARTILHA DOS RECURSOS DOS FUNDOS DE ASSISTNCIA SOCIAL De acordo com a LOAS, em seu art. 18, os critrios de partilha dos recursos so deliberados pelo CNAS, orientando a transferncia de recursos do FNAS para os FEAS/FDAS/FMAS. Tais critrios, segundo a NOB/SUAS (2005), devero levar em considerao a construo de indi- cadores que captem a regionalizao mais equitativa (populao, renda per capita, mortalidade infantil e concentrao de renda). Alm disso, considera-se relevante a adoo de critrios de par- tilha para a consolidao dos procedimentos de repasse de recursos para entidades e organizaes de assistncia social. Tavares (2009), ao tratar da discusso dos critrios de partilha dos recursos no SUAS, afirma os critrios de partilha devem ser propostos pelo rgo gestor da poltica de Assistn- cia Social, pactuados na Comisso Intergestores Tripartite CIT e deliberados no Conselho Nacional de Assistncia Social (TAVARES, 2009, p. 238). A autora ainda demonstra que a utilizao de critrios de partilha visa equalizar, priorizar e projetar a universalizao da cobertura de cofinanciamento em todo territrio nacional. (TAVARES, 2009, p. 238). importante destacar que estados tambm devem construir critrios de partilha dos recursos especficos do FEAS a serem utilizados nos municpios. No Distrito Federal e nos municpios, con- forme mencionado anteriormente, tambm devero ser propostos critrios de partilha para orientar o financiamento das aes e projetos que sero desenvolvidos com os recursos dos fundos. CONDIES GERAIS PARA A TRANSFERNCIA DE RECURSOS FEDERAIS A transferncia dos recursos federais a outras unidades da Federao para a poltica pblica de assistncia social dever levar em considerao: os nveis de gesto em que se encontram os municpios; a constituio de unidade oramentria especfica para cada Fundo de Assistncia Social (em todas as esferas da Federao), contemplando todos os recursos destinados ao desenvolvimento dos servios, programas, projetos e benefcios de assistncia da poltica de assistncia social; cumprimento do disposto no artigo 30 da LOAS e correspondncia aos critrios de partilha existentes na NOB/SUAS (2005); comprovao do acompanhamento e controle da gesto pelos respectivos conselhos, demons- trada por meio da aprovao do Relatrio Anual de Gesto, no caso dos municpios e Distrito Federal, e do Relatrio de Execuo do Plano de Assistncia Social, no caso dos estados; alimentao da base de dados do SUAS Web.
  • 109. 117 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA CRITRIOS DE TRANSFERNCIA De acordo com a NOB/SUAS (2005), a transferncia dos recursos fundo a fundo somente ser viabilizada no momento da manuteno do cumprimento das condicionalidades que lhes deram origem, ou seja, o municpio, o Distrito Federal e o estado devero manter sua adeso ao SUAS, cumprindo as exigncias pactuadas para tal finalidade. Em outras palavras, a transferncia dos recursos fundo a fundo somente ser concretizada se cada participante do SUAS cumprir suas responsabilidades aps sua adeso ao sistema. A NOB/SUAS (2005) cria uma srie de Pisos de Proteo Social para a transferncia de re- cursos, com referncia direta ao nvel de complexidade. Tavares (2009), ao refletir sobre a adoo de Pisos de Proteo Social, afirma que: A adoo do piso busca superar a anterior prtica de repasse de recursos com base em valores per capita, pois prope que se oriente a relao de financiamento nas necessidades dos cidados em suas vulnerabilidades e riscos e no no enfoque do necessitado. Assim, sai-se de uma relao que individualiza a demanda para sua considerao como manifestao coletiva. (TAVARES, 2009, p. 239). PISOS DE PROTEO SOCIAL NOB/SUAS (2005) Existem sete Pisos de Proteo Social definidos na NOB/SUAS (2005) que podero ser visu- alizados na figura abaixo: Quadro 15 Pisos de Proteo Social PISO DEFINIO PISO BSICO FIXO Valor repassado para atendimento famlia e seus membros, tendo sua base no nmero de famlias referenciadas no mbito do CRAS. PISO BSICO DE TRANSIO um piso em extino, que promove a adequao de cofinanciamento anteriormente praticado s regras do SUAS integrando os servios desse nvel de proteo. PISO BSICO VARIVEL Voltado ao financiamento de prioridades nacionalmente identificadas (pactuadas na CIT e deliberadas no CNAS), tambm dos servios complementares no territrio e como forma de contemplar especificidades locais e regionais que exijam valores diferenciados de cofinanciamento, inclusive dos CRAS.
  • 110. 118 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS PISO DEFINIO PISO FIXO DE MDIA COMPLEXIDADE Valor destinado ao cofinanciamento dos CREAS. Agrega os valores repassados anteriormente para manuteno dos servios voltados ao Combate ao Abuso e Explorao Sexual de Crianas e Adolescentes. PISO DE TRANSIO DE MDIA COMPLEXIDADE Promove a transio dos recursos anteriormente aplicados na rede ora caracterizada como de Proteo Social Especial de Mdia Complexidade, bem como para o cofinanciamento de servios complementares nesse nvel de proteo. PISO DE ALTA COMPLEXIDADE I Voltado ao cofinanciamento dos servios de acolhimento de crianas, adolescentes, adultos, idosos, prestados em casas lares, abrigos, albergues, ou seja, nos servios de atendimento aos cidados sem vnculo familiar ou que necessitam de afastamento temporrio ou definitivo do seu ncleo familiar. PISO DE ALTA COMPLEXIDADE II Destinado aos servios de atendimento aos usurios em situaes especficas de risco que exigem ofertas mais complexas e qualificadas. Pode ser operado como complemento do Piso de Alta Complexidade I. Alm dos pisos estabelecidos pela NOB, a evoluo do SUAS tem exigido a criao de outros pisos complementares, os quais tm sido propostos por meio de portarias ministeriais aps pactu- ao na Comisso IntergestoresTripartite ( CIT) e deliberao no Conselho Nacional de Assistncia Social ( CNAS). At o momento foram criados os seguintes pisos por essa via: a) Piso Bsico Varivel II: criado pela Portaria MDS n 288/2009 para cofinanciamento dos ser- vios de convivncia e fortalecimento de vnculos para idosos e/ou crianas de 0 a 6 anos e suas famlias, em decorrncia da extino do piso bsico de transio. b) Piso Varivel de Mdia Complexidade PETI: criado pela Portaria MDS n 431/2008 para o cofinanciamento dos servios socioeducativos voltados ao atendimento das crianas e adolescentes vinculados ao Programa de Erradicao do Trabalho Infantil. c) Piso Fixo de Mdia Complexidade III: para cofinanciamento dos servios de atendimento em medidas socioeducativas em meio aberto (Liberdade Assistida e Prestao de Servios Comunida- de) no mbito dos CREAS. Foi criado pela Portaria MDS n 222/2008. Fonte: Tavares (2009). Org. prpria.
  • 111. 119 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA O CONTROLE SOCIAL SOBRE O ORAMENTO E O FINANCIAMENTO DO SUAS De acordo com a NOB/SUAS (2005), todos os entes da federao devero expressar no PPA e nos oramentos anuais quais so os Programas e aes conforme os Planos de Assistncia Social (PAS), ou seja, todo o contedo do PAS dever estar inserido no PPA e na LOA. Aqui mais uma vez se faz necessria a participao ativa dos conselheiros municipais de assistn- cia social no sentido de verificar se h correspondncia entre o contedo do PAS e os contedos do PPA e LOA. Observe a seguinte figura que expe esse fluxo: Figura 3 CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTNCIA SOCIAL (ACOMPANHA E FISCALIZA A EXECUO DO FUNDO MUNICIPAL DE ASSISTNCIA SOCIAL) PLANO PLURIANUAL (PROGRAMAS DE MDIO PRAZO PARA O MUNICPIO) LOA APRESENTA O QUE SER FEITO NO PRXIMO ANO PELO PREFEITO Insero das prioridades de Assistencia Social Correspondencia das previses do PAS
  • 112. 120 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Salienta-se ainda que, segundo a NOB/SUAS (2005), o oramento da assistncia social dever ser inserido na Proposta de LOA na Funo 08 - Assistncia Social e os recursos destinados s despesas correntes e de capital relacionadas aos servios, programas, projetos e benefcios governa- mentais e no governamentais devero ser alocados no Fundo de Assistncia Social respectivo de cada ente da Federao. Tambm importante destacar que, de acordo com a NOB/SUAS (2005), os programas e aes contidos no PAS e refletidos no PPA e na LOA devero considerar os nveis de complexidade dos servios, programas, projetos e benefcios, definindo-os, conforme o caso, como de proteo social bsica e proteo social especial de mdia complexidade ou de alta complexidade. Por sua vez, os recursos voltados para a atividade meio, ou seja, as atividades de manuteno da poltica pblica e voltadas ao apoio administrativo aos conselhos, devero estar inseridos no rgo gestor da poltica pblica. Veja quadro abaixo: Quadro 16 Responsabilidades do rgo Gestor e Conselhos O papel dos conselhos, como instncias de deciso e deliberao, no apenas juridicamente, mas politicamente, de tambm demandar, exigir, negociar, aprender a lidar com as limitaes e criar elementos para que os Conselhos sejam realmente respeitados, no reduzindo suas funes a papis meramente burocrticos e cartoriais, possibilitando cada vez mais a participao do usurio/ beneficirio da assistncia social nesse processo. fundamental a qualificao continuada dos conselheiros para o exerccio efetivo de seu papel e a participao mediante acompanhamento em comisses temticas, tais como: de poltica, financiamento, gesto, registro, entre outras, conforme definies de cada conselho, de modo que a execuo da Poltica seja compreendida e assimilada de forma acessvel, possibilitando de fato uma interveno nesse processo. ATENO O rgo municipal gestor da poltica de Assistncia Social (Secretaria Municipal de Assistncia Social) deve amparar o CMAS com recursos financeiros. RGO GESTOR DA POLTICA PBLICA DE ASSISTNCIA SOCIAL CONSELHO DE ASSISTNCIA SOCIAL - Gesto do Fundo - Proposio de critrios de partilha - Prestao de Contas para o Conselho (apresentao do Relatrio Anual de Gesto) - Orientao - Controle - Fiscalizao
  • 113. 121 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Essa participao qualificada materializa-se por meio de: discusso e participao na elaborao dos Planos de Assistncia Social; discusso e acompanhamento dos oramentos e da execuo financeira; acompanhamento dos recursos alocados no Fundo; participao em reunies ordinrias e extraordinrias do conselho, comisses temticas e trei- namentos; conhecimento das legislaes, normas, cartilhas, programas, projetos, benefcios, rede socioas- sistencial e outros documentos sobre a poltica de assistncia social; participao em fruns, assemblias populares e sesses de discusso e votao do oramento nas instncias executivas e legislativas. Os conselhos de assistncia social tm papel fundamental nesse processo de participao e con- trole e, por isso, precisam atentar para algumas questes essenciais nas suas respectivas esferas de governo, a fim de assegurar maiores condies para a gesto da assistncia social. Destacamos alguns pontos de reflexo e aspectos que, fundamentalmente, devem ser objeto de ateno dos conselheiros no exerccio do controle do financiamento da poltica pblica de as- sistncia social, mencionados na cartilha elaborada pelo Tribunal de Contas da Unio (TCU) para orientaes ao conselho. So eles: Quadro 19 Controle social do financiamento o exerccio do controle e orientao sobre o Fundo de Assistncia Social da referida esfera; acompanhamento, avaliao e fiscalizao da gesto dos recursos, os ganhos sociais e o desempenho dos benefcios, rendas, servios, programas e pro- jetos; aprovao do plano de aplicao do Fundo e sua execuo; aprovao de critrios de partilha; acompanhamento da utilizao dos recursos pblicos pela rede no gover- namental, inclusive atrelando o repasse ao cumprimento dos critrios de qualidade.
  • 114. 122 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Alm disso, Tavares, na oficina intitulada Orientaes do TCU sobre os Fundos de Assistncia Social, realizada no dia 30 de maro de 2010, por ocasio do XII Encontro do CONGEMAS, destacou alguns pontos relevantes para o exerccio do controle sobre os fundos de assistncia social e o financiamento desta poltica sobre os quais existe a necessidade de debate, pela importncia do tema, como segue: Esto sendo viabilizadas condies sustentveis que garantam o atendimento rumo universalizao e a garantia do acesso assistncia social nos nveis de proteo previstos pelo SUAS? O desenho do oramento e sua forma de operacionalizao esto traduzindo o que a PNAS e a NOB estabeleceram, representando a efetiva adeso dos municpios e do Estado ao SUAS? O oramento pblico est contemplando as prioridades definidas para a assistncia social? Existe compatibilidade entre as previses constantes no Plano e na Poltica de Assistncia Social com os montantes de recursos estabelecidos no oramento e demais instrumentos de planejamen- to pblico, inclusive o Plano Plurianual? Existe destinao de recursos prprios da referida esfera de governo para o Fundo de Assistncia Social? H comando nico na referida esfera de governo? A forma como os recursos so alocados no oramento respeita o estabelecido na regulao da assis- tncia social, sendo compatvel com o desenho de cofinanciamento proposto pelo SUAS? O fundo constitui-se em unidade oramentria, como indicado no item 5 na NOB? Qual o per- centual de destinao de recursos para a Funo - 08 Assistncia Social e para o fundo em relao ao oramento geral? O fundo gerido, de fato, pelo rgo gestor da poltica de assistncia social, sendo, inclusive, o gestor dessa poltica o seu ordenador de despesas? O conselho tem acesso s informaes acerca da destinao e execuo oramentria de forma clara e delibera sobre a aplicao dos recursos? Por fim, importante destacar que o TCU, recentemente, publicou o Acrdo n. 2.809/2009 Plenrio, no qual apresenta recomendaes para o aprimoramento do SUAS nos municpios, cujo cumprimento deve ser acompanhado pelos conselhos das referidas esferas, de acordo com a seguinte ementa:
  • 115. 123 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA De acordo com o TCU (na interveno de um de seus representantes na oficina supramen- cionada), os conselheiros, nessas anlises e na sua prtica cotidiana no exerccio do controle social, devem ter: 2.1.3. GESTO DA INFORMAO A construo e consolidao de um sistema descentralizado e participativo sob comando nico e de mbito nacional exigiu o aprimoramento da capacidade de produzir, registrar e dis- seminar a informao. A gesto da informao, nesse sentido, consolida-se como mecanismo privilegiado para o alcance dos objetivos expressos na PNAS/2004 e na NOB/SUAS (2005). Conforme esclarece Tapajs: Relatrio da Auditoria de natureza operacional. Avaliao da aplicao dos recursos federais transferidos pelo Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS) aos Fundos Municipais de Assistncia Social. Anlise do controle exercido sobre os rgos, entidades e demais organizaes responsveis pela gesto desses recursos. Identificao de falhas e oportu- nidades de melhoria. Determinaes. Recomendaes. Autorizao para realizao de monitoramento. Cincia a diversos rgos e entidades. Ar- quivamento. a) iniciativa para a busca das informaes necessrias; b) equilbrio para verificao das matrias que analisar sem pr-julga- mentos; c) participao para, em conjunto com os demais conselheiros, atuar de modo eficiente; d) bom senso para distinguir falhas que podem ser corrigidas (ou seja, irregularidades) do que se considera ilegalidade; e) responsabilidade para que todas as verificaes necessrias sejam feitas; f) independncia demonstrando compromisso no com a administra- o pblica, mas sim com a sociedade.
  • 116. 124 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS (...) a gesto da informao desempenhada pelo processamento de dados provenientes de mltiplas fontes, mais frequentemente acionada a partir de um conjunto de aparatos tecnolgicos de grande monta e complexidade, de forma a poder gerar informao relevante e til para o tempo e necessidades da gesto (TAPAJS, 2007, p.1). Nesses termos, a gesto da informao constitui condio essencial efetivao do SUAS, na medida em que consolida mecanismos de registro, processamento e disseminao de informaes relevantes, racionaliza os processos e fluxos necessrios tomada de deciso e torna pblicas as informaes relevantes ao exerccio do controle social da poltica de assistncia social. A gesto da informao, no que se refere implementao e ao controle social dos servios, programas, projetos, benefcios e transferncias de renda, vinculados ao SUAS, ocorre por meio da Rede SUAS, apresentada a seguir. A REDE SUAS A Rede SUAS, o sistema de informao do SUAS, formada por um conjunto de subsiste- mas e aplicativos dinamicamente relacionados, alimentada por gestores e tcnicos dos trs nveis federativos com as informaes necessrias ao andamento de processos administrativos essenciais execuo, ao financiamento e ao controle social da poltica de assistncia social. Trs tipos de ferramentas informacionais compem a Rede SUAS: SISFAF SISTEMA DE TRANSFERNCIAS FUNDO A FUNDO: Registra as informaes relativas aos procedimentos de repasse de recursos do Fundo Nacio- nal de Assistncia Social (FNAS) para os fundos municipais, estaduais e do DF; Operacionaliza os repasses por intermdio de transferncias automatizadas de arquivos para o SIAFI. Toda a base de dados de pagamentos est disponvel no sistema InfoSUAS. SIAORC SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO ORAMENTRIO DO SUAS ACOMPANHAMENTO ORAMENTRIO: Registra as informaes relativas gesto oramentria dos recursos geridos pelo FNAS. O sistema interage com o SISFAF e alimentado pelos dados exportados do SIAFI, que, aps o devido tratamento, so atualizados tanto no SIAFI como o SISFAF. FERRAMENTAS INFORMACIONAIS DE SUPORTE FINANCEIRO
  • 117. 125 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA SISCON SISTEMA DE GESTO DE CONVNIOS: Registra as informaes relativas ao gerenciamento de convnios operados pelo FNAS, acom- panhando todo o trmite desde o preenchimento dos planos de trabalho, formalizao do con- vnio e prestao de contas. SUAS WEB Registra as informaes relativas: a) ao Plano de Ao Anual; b) ao Demonstrativo Sinttico F- sico Financeiro para gestores com saldos, contas correntes, beneficirios do BPC, parcelas pagas, contendo ordem bancria, data do pagamento, entre outros. aberto para o preenchimento por parte dos gestores e para a aprovao do Plano e Demonstrativo pelo Conselho de Assistncia Social, que possui senha prpria. Comporta o Sistema de Gerenciamento do Programa de Erradi- cao do Trabalho Infantil (SISPETI). Alm disso, o aplicativo que fornece espao de entrega de documentao eletrnica aos gestores estaduais e municipais. GEOSUAS SISTEMA DE GEORREFERENCIAMENTO E GEOPROCESSAMENTO DO SUAS Desenvolvido com a finalidade de subsidiar a tomada de deciso no processo de gesto da poltica de assistncia social. Resulta da integrao de dados e mapas que servem de base cons- truo de indicadores. CADSUAS CADASTRO NACIONAL DO SUAS Cadastro Nacional do SUAS Sistema que comporta todas as informaes cadastrais de pre- feituras, rgos gestores, fundos e conselhos de assistncia social, rede de entidades executoras de servios socioassistenciais e, finalmente, informaes cadastrais dos trabalhadores do SUAS em todo o territrio nacional. O aplicativo observa o aspecto coorporativo entre os aplicativos da Rede SUAS, recebendo e entregando dados. FERRAMENTAS INFORMACIONAIS DE SUPORTE GERENCIAL
  • 118. 126 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS INFOSUAS um sistema espelho das operaes do SUASWeb e dos sistemas de gesto financeira (SIS- FAF e SIAORC). Aberto populao por meio da rede mundial de computadores, ferramenta fundamental para a ao do controle social e para a transparncia da gesto da poltica de assis- tncia social, na medida em que: a) disponibiliza informaes sobre os repasses financeiros do Fundo Nacional de Assistncia So- cial para os Fundos de Assistncia Social dos Estado e Municpios, classificando os repasses pelos servios da Proteo Social Bsica e Especial (de alta e mdia complexidade) por regies, estados e municpios; b) permite acesso base de dados dos pagamentos realizados em anos anteriores, hierarquizados pelos tipos de interveno organizadas no perodo. SICNASWEB o sistema de gesto de processos do Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS). Tem como finalidade inscrever e cadastrar entidades com o intuito de fornecer diversos documentos como certificados, certides, entre outros. Alm disso, permite a racionalizao do trabalho in- terno do CNAS, na medida em que agiliza o trmite de processos e documentos, a publicao de decises do plenrio facilita tambm o controle social sobre esses procedimentos e a gesto de eventos e conferncias. FERRAMENTAS INFORMACIONAIS DE SUPORTE AO CONTROLE SOCIAL
  • 119. 127 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 2.1.4 MONITORAMENTO E AVALIAO MONITORAMENTO O monitoramento consiste no acompanhamento contnuo, cotidiano, por parte de gestores e gerentes, do desenvolvimento dos servios, programas, projetos, benefcios e transferncias de renda e das polticas em relao a seus objetivos e metas. uma funo inerente gesto com capacidade de gerar informaes aos gestores, possibilitando executar ajustes necessrios para melhoria de sua operacionalizao. O monitoramento realiza-se por meio de indicadores, construdos a partir de diversas fontes de dados a fim de disponibilizar aos gestores informaes sobre o desenvolvimento das aes im- plantadas. Esse procedimento possibilita verificar em que medida os objetivos e metas das aes monitoradas esto sendo atingidos. AVALIAO Costuma ser realizada por meio de estudos especficos que analisam aspectos como relevncia, eficcia, eficincia, efetividade, resultados, impactos de programas e polticas, conforme definidos nos objetivos desta. A funo desse procedimento a melhoria das atividades em desenvolvi- mento e o fornecimento de subsdios para o planejamento e para tomada de decises futuras. Geralmente, as avaliaes so realizadas por instituies externas. O monitoramento pode ser desenvolvido com base no acompanhamento de programas, realizado por meio de procedimento a distncia ou por meio de processos presenciais, como as checagens in loco em que gestores, pesquisadores e outros tcnicos podem verificar como a implementao est sendo realizada. Eficcia: Grau em que se alcanam objetivos e metas do projeto na po- pulao beneficiria em determinado perodo de tempo, independen- temente dos custos implicados. Elementos bsicos: a meta e o tempo. Eficincia: Aspectos financeiros, o recurso destinado deve ter o menor custo possvel, atingindo maior nmero de beneficiados. Efetividade: Avaliao do impacto social produzido atravs do clculo entre resultados e objetivos.
  • 120. 128 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS A Avaliao pode ser realizada antes (ex-ante), durante e aps (ex-post) a implementao de uma poltica, programa ou projeto, ou mesmo algum tempo depois, para verificar os resultados e o impacto produzido. Ela tambm pode ser interna, quando realizada pela prpria organizao responsvel pela execuo, ou externa, quando realizada por uma instituio ou por consultores externos contratados para este fim. Vamos ver melhor as caractersticas desses tipos de avaliao: PROCESSO Estudos de pontos que favorecem ou dificultam os processos de implementao da poltica ou programa (desenho, dimenses organizacionais/institucionais). Oferece concluses relevantes para a resoluo de problemas de gesto e melhoria da ao avaliada. RESULTADOS Referente ao desempenho: analisa em que medida os objetivos e as metas da ao foram atingidas ou no; Referente ao impacto: analisa em que medida a ao alterou a realidade experimentada pela populao-alvo da ao. EFEITOS Outros resultados, sociais ou institucionais, esperados ou no, decorrentes da execuo da ao avaliada. OS INDICADORES DE MONITORAMENTO E AVALIAO Os indicadores so medidas quantitativas ou qualitativas dotadas de significado social, usados para quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato para a formulao de polticas. Subsidiam as atividades de planejamento pblico. um valor usado para medir e acompanhar a evoluo de algum fenmeno ou os resultados de processos sociais. So produzidos regularmen- te, com base em diferentes fontes de dados, que do aos gestores informaes regulares sobre o desempenho dos programas e das polticas, permitindo verificar se os objetivos e as metas esto sendo alcanados. Indicadores quantitativos: expressam variaes quantificveis, utilizam unidades de medida: n- mero absoluto de pessoas atendidas, montante recursos, valores, mdias, propores, porcentagens. Indicadores qualitativos: expressam dimenses no quantificveis, como: participao, valo- res, atitudes, liderana, autoestima.
  • 121. 129 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Os indicadores podem ser agrupados nas seguintes classes: Estrutura: valores relativos estrutura fsica e financeira. Exemplo: quantidade de assis- tentes sociais contratados, gerentes treinados, microcomputadores comprados e instalados, percentual de recursos financeiros excutados. Processos: valores relativos s etapas/relaes que fazem parte da implementao do pro- grama. Exemplo: existncia de parceria com a sociedade civil para implementao de um servio, cobertura alcanada por determinado programa, com base em sua populao-alvo e recursos executados. Resultados: valores relativos ao alcance de metas dos programas. O monitoramento e avaliao so processos distintos, porm complementares, indissociveis e em permanente interao. Os indicadores de monitoramento e avaliao devem ser criados a partir dos eixos estruturantes da Poltica Nacional de Assistncia Social com foco nos seguintes tens: 2.1.5. O RELATRIO ANUAL DE GESTO O Relatrio Anual de Gesto, em nvel nacional, estadual, municipal e no Distrito Federal, destina-se a registrar e sintetizar informaes sobre os resultados alcanados e a probidade dos gestores da poltica de assistncia social, alm de divulg-las s instncias formais e de controle social do SUAS, ao Poder Legislativo, ao Ministrio Pblico e sociedade como um todo. Nele encontram-se avaliados os seguintes aspectos: cumprimento das realizaes, dos resultados ou produtos obtidos em funo das metas prioritrias estabelecidas no Plano da Assistncia Social consolidado em um Plano de Ao Anual; aplicao dos recursos em cada esfera de governo, em cada exerccio anual, sendo elabora- da pelos gestores e submetido aos Conselhos de Assistncia Social. Concepo Territorialidade Financiamento Controle social Recursos humanos Gesto e funcionamento dos Conselhos de Assistncia Social
  • 122. 130 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS A responsabilidade por sua elaborao do rgo gestor da assistncia social e deve ser obriga- toriamente apreciado e aprovado pelos respectivos conselhos. Sem essa apreciao e aprovao, o Relatrio Anual de Gesto no pode ser encaminhado s demais instncias envolvidas no proces- so. Sendo assim, o papel desempenhado pelo conselho de fundamental importncia. , ento, importante refletir: Quais os/as procedimentos/estratgias adotados/as pelo conselho para analisar, avaliar e aprovar o Relatrio de Gesto?
  • 123. 131 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 3. A GESTO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA No Mdulo I, conhecemos o Programa Bolsa Famlia (PBF) e suas trs dimenses: (1) pro- moo do alvio imediato da pobreza; (2) reforo ao exerccio de direitos sociais bsicos, que contribui para que as famlias consigam romper o ciclo da pobreza entre geraes e (3) articulao de oportunidades para o desenvolvimento das famlias. Relembrando tambm o marco legal, vimos que a lei de criao do PBF define que a gesto do Programa realizada de forma descentralizada, por meio de cooperao entre os entes fede- rativos. A Unio e os estados desempenham papis fundamentais na realizao do Bolsa Famlia, mas na esfera municipal que o Programa se concretiza, observando a intersetorialidade, a parti- cipao comunitria e o controle social. O primeiro passo para que o municpio implemente o PBF a formalizao do Termo de Adeso, por meio do qual o municpio assume a responsabilidade de designar o gestor munici- pal e indicar a Instncia de Controle Social (ICS) do Programa. Os estados tambm aderem formalmente ao Programa Bolsa Famlia e ao Cadastro nico, criando uma coordenao ou colegiado estadual intersetorial com representantes das reas de sa- de, educao, assistncia social, planejamento, segurana alimentar e trabalho, quando existentes, para apoiar os municpios e o Governo Federal no desenvolvimento do PBF. Procedida a formalizao, cada ente federado assume responsabilidades na execuo e gesto do Programa Bolsa Famlia. Vamos nos familiarizar com essas responsabilidades por meio do quadro a seguir:
  • 124. 132 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS GOVERNO FEDERAL ESTADOS - Expedir normas, coordenar, realizar a gesto e operacionalizao do PBF; - ofertar aes que promovam oportunidades para o desenvolvimento das famlias, em articulao com os Ministrios setoriais e demais entes federados e - acompanhar e fiscalizar a execuo. - Apoiar financeiramente a gesto estadual, distrital e municipal do PBF, por meio do repasse do IGD. Compreende a prtica dos atos necessrios: - concesso e ao pagamento de benefcios; - gesto do Cadastramento nico do Governo Federal; - superviso do cumprimento das condicionalidades; - constituir coordenao composta por representantes das suas reas de sade, educao, assistncia social e assistncia social, segurana alimentar e trabalho, quando existentes, responsvel pelas aes do Programa Bolsa Famlia, no mbito estadual; - promover aes que viabilizem a gesto intersetorial, na esfera estadual; - promover aes de sensibilizao e articulao com os gestores municipais; - disponibilizar apoio tcnico-institucional aos municpios; - disponibilizar servios e estruturas institucionais, da rea da assistncia social, da educao e da sade, na esfera estadual; - apoiar e estimular o cadastramento pelos municpios; - estimular os municpios para o estabelecimento de parcerias com rgos e instituies municipais, estaduais e federais, governamentais e no governamentais, para oferta dos programas sociais complementares; - promover, em articulao com a Unio e os municpios, o acompanhamento do cumprimento das condicionalidades; - submeter a prestao de contas da aplicao dos recursos do IGD ao Conselho Estadual de Assistncia Social. DISTRITO FEDERAL MUNICPIOS (PREFEITURAS) -constituir coordenao composta por representantes das suas reas de sade, educao, assistncia social e segurana alimentar, quando existentes, responsvel pelas aes do Programa Bolsa Famlia, no mbito do Distrito Federal; - proceder inscrio das famlias pobres no Cadastramento nico do Governo Federal; -promover aes que viabilizem a gesto intersetorial; -disponibilizar servios e estruturas institucionais, da rea da assistncia social, da educao e da sade; -garantir apoio tcnico-institucional para a gesto local do programa; -constituir rgo de controle social nos termos do art. 29; -estabelecer parcerias com rgos e instituies do Distrito Federal e federais, governamentais e no governamentais, para oferta de programas sociais complementares; -promover, em articulao com a Unio, o acompanhamento do cumprimento das condicionalidades; - submeter a prestao de contas da aplicao dos recursos do IGD ao Conselho de Assistncia Social do Distrito Federal. - constituir coordenao composta por representantes das suas reas de sade, educao, assistncia social e segurana alimentar, quando existentes, responsvel pelas aes do Programa Bolsa Famlia, no mbito municipal; - proceder inscrio das famlias pobres do municpio no Cadastramento nico do Governo Federal; - promover aes que viabilizem a gesto intersetorial, na esfera municipal; - disponibilizar servios e estruturas institucionais, da rea da assistncia social, da educao e de sade, na esfera municipal; - garantir apoio tcnico-institucional para a gesto local do programa; - instituir a Instncia de Controle Social do PBF; - estabelecer parcerias com rgos e instituies municipais, estaduais e federais, governamentais e no governamentais, para oferta de programas sociais complementares; - promover, em articulao com a Unio e os Estados, o acompanhamento do cumprimento das condicionalidades; - submeter a prestao de contas da aplicao dos recursos do IGD dos estados ao Conselho Municipal de Assistncia Social. Quadro1 - Responsabilidades na Gesto do PBF
  • 125. 133 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Assim, estados e municpios tornam-se parceiros efetivos, corresponsveis pela formulao, implementao e controle do Programa Bolsa Famlia. 3.1. COMPONENTES DE GESTO DO PBF Para garantir a eficincia e a transparncia da execuo do Programa, ou seja, o uso adequado dos recursos pblicos, sem desperdcios, distores e com alcance dos objetivos, o Programa Bol- sa Famlia definiu os processos relativos aos componentes de gesto e operacionalizao. Iremos tratar desses componentes de gesto, sistemas eletrnicos e recursos informacionais, instrumentos de acompanhamento e de controle social nessa gesto. O CADASTRO NICO PARA PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO FEDERAL (CADNICO) O Cadnico um banco de dados informatizado, que identifica as famlias em situao de pobreza, fornecendo dados para a priorizao de aes governamentais na sade, educao, tra- balho, renda, habitao e segurana alimentar. O Cadnico orienta a seleo de beneficirios do PBF, mas no somente. Outros programas tambm consideram os dados do Cadnico, como o ProJovem Adolescente e a Tarifa Social de Energia Eltrica. A gesto do Cadnico feita em conjunto pelo municpio e Governo Federal. No muni- cpio, a gesto feita geralmente em uma secretaria municipal de assistncia social ou correlata e, no Governo Federal, o rgo gestor a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC) do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS). O processo de cadastramento realizado diretamente pela gesto municipal, que os insere no sistema do Cadnico. As famlias cadastradas recebem um Nmero de Identificao Social (NIS), gerado pela Caixa Econmica Federal. IDENTIFICAO DO PBLICO-ALVO O municpio precisa identificar as famlias que compem o pblico-alvo do Cadnico antes de organizar as atividades referentes ao cadastramen- to, ou seja, identificar as famlias de baixa renda, assim caracterizadas: - Renda familiar per capita at meio salrio mnimo ou - Renda familiar total at trs salrios mnimos. muito importante que o municpio priorize o cadastramento das famlias em situao de maior vulnerabilidade social, inclusive os povos e comuni- dades tradicionais, como indgenas, quilombolas e moradores de rua.
  • 126. 134 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS As dimenses socioeconmicas bsicas das famlias podem ser avaliadas com base em infor- maes coletadas pelo Cadnico. Os municpios podem assim identificar o grau de desenvolvimento das famlias e promover aes especficas e complementares na rea de educao, no apoio infncia, terceira idade, na melhoria de condies de moradia, na qualificao do trabalhador, em polticas de emprego e renda e no aprimoramento da educao fundamental e mdia, entre outros. NDICE DE DESENVOLVIMENTO DA FAMLIA (IDF) A partir dessas variveis, o Cadnico possibilita identificar grupos de famlias com vulnera- bilidades especficas, por meio de um aplicativo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (IPEA) , em parceria com o MDS: o ndice de Desenvolvimento da Famlia (IDF). O IDF permite a avaliao da situao socioeconmica das famlias inscritas no Cadnico em seis dimenses ou vulnerabilidades especficas. Este indicador possibilita ao municpio conhe- cer o grau de vulnerabilidade deste pblico, bem como fazer anlise de grupos de famlias com o objetivo de auxiliar no diagnstico local. A fim de contemplar as diversas dimenses da pobreza e a forma como elas afetam o desen- volvimento dos indivduos dentro de um ncleo familiar, o IDF foi elaborado a partir de seis dimenses: 1. Vulnerabilidade 2. Acesso ao conhecimento 3. Acesso ao trabalho 4. Disponibilidade de recursos 5. Desenvolvimento Infantil 6. Condies habitacionais Como outros indicadores que abordam a pobreza em perspectiva multidimensional, o IDF varia entre 0 e 1. Quanto melhores as condies da famlia, mais prximo de 1 ser o seu indicador. A perspectiva multidimensional uma situao que apresenta diver- sas dimenses, caractersticas ao mesmo tempo. A soluo de problemas multidimensionais, como, por exemplo, a pobreza, depende de aes que atuem sobre todas as dimenses que o geram.
  • 127. 135 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA IMPORTANTE A unidade de anlise do IDF a famlia e no o indivduo. No entanto, o indicador de cada famlia se constri a partir dos dados pessoais de seus integrantes. O aplicativo, juntamente com a base de dados do municpio, encontra-se disponvel na rea de download (arquivos) da Central de Sistemas, na pasta Base de Dados IDF. acompanhado do Manual de Uso, no qual so apresentadas suas funcionalidades, dentre elas, a ferramenta de seleo (filtros) de famlias, segundo caractersticas/variveis especficas, o local de residncia rural e urbano e faixas de IDF. O IDF no permite comparaes entre municpios, microrregies, estados e regies, ele se restringe populao pobre que foi objeto de cadastramento nos municpios. Assim, os valores do IDF municipal so restritos ao universo cadastrado, levando em considerao as diferenas na forma de coleta dos dados, a abrangncia do cadastramento e a frequncia de atualizao das informaes. SELEO DAS FAMLIAS PARA O PBF O processo de seleo das famlias para o Programa Bolsa Famlia leva em conta as informa- es da base nacional do Cadastro nico, a estimativa de famlias pobres de cada municpio e o oramento federal direcionado para o Programa. Assim, a estrutura sistmica do PBF, acompa- nhada de critrios bem definidos, visa impedir que haja privilgios individuais ou favorecimento de famlias no processo de seleo. Vamos conhecer melhor como feita a incluso de famlias no PBF. 1. em primeiro lugar, deve-se considerar a estimativa de pobreza no municpio (meta de atendimento do Programa); 2. considera-se tambm a disponibilidade oramentria do Programa, alm do critrio de renda; 3. o processo prioriza as famlias com renda (por pessoa) mais baixa e os cadastros mais atu- alizados; 4. as famlias que possuem renda mensal entre R$ 70,01 e R$ 140,00 s ingressam no Pro- grama se possurem crianas ou adolescentes de 0 a 17 anos; 5. j as famlias com renda mensal de at R$ 70,00 por pessoa podem participar do Programa Bolsa Famlia independentemente da idade de seus membros. ATENO importante saber que a famlia no vai entrar diretamente no Programa Bolsa Famlia com o cadastramento. O critrio principal para incluso a renda mensal da famlia. As famlias que possuem menor renda so includas primeiro, selecionadas de forma automtica pelo Governo Federal.
  • 128. 136 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Para garantir a incluso das famlias que atendem aos critrios do Programa no municpio, os agentes de controle social devem estar atentos aos principais motivos de no seleo: a famlia no estar inscrita no Cadastro nico; o cadastro da famlia estar desatualizado h mais de dois anos; a famlia ter renda por pessoa superior a R$ 140,00. A GESTO DOS BENEFCIOS Os valores referenciais para definio de pobreza e extrema pobreza foram inicialmente definidos na prpria lei do Programa Bolsa Famlia e atualizados pelo Decreto n. 5.749, de 11 de abril de 2006. O valor total do benefcio a que a famlia tem direito varia de R$ 22,00 a R$ 200,00, depen- dendo da renda familiar por pessoa e do nmero de crianas e adolescentes que a famlia possui. So trs os tipos de benefcios do PBF, de forma cumulativa, desde que atendam aos requisitos abaixo: o Benefcio Bsico de R$ 68,00 (sessenta e oito reais) pago s famlias consideradas ex- tremamente pobres, aquelas com renda mensal de at R$ 70,00 (setenta reais) por pessoa (pago s famlias mesmo que elas no tenham crianas, adolescentes ou jovens); o Benefcio Varivel de R$ 22,00 (vinte e dois reais) pago a todas as famlias do Programa que tenham crianas e adolescentes de at 15 anos. Cada famlia pode receber at trs be- nefcios variveis, ou seja, at R$ 66,00 (sessenta e seis reais); o Benefcio Varivel Vinculado ao Adolescente (BVJ) de R$ 33,00 (trinta e trs reais) pago a todas as famlias do Programa que tenham adolescentes de 16 e 17 anos frequentando a escola. Cada famlia pode receber at dois benefcios variveis vinculados ao adolescente, ou seja, at R$ 66,00 (sessenta e seis reais). Uma vez includas no PBF, o pagamento do benefcio feito por meio de carto magntico, emitido pela CAIXA em nome do responsvel legal da famlia. Os cartes so entregues pelos Correios no endereo que a famlia informou no Cadnico. Os Correios fazem at trs tentativas para entregar o carto ao responsvel pela famlia. Caso no encontre a famlia, o carto ser en- tregue Agncia da Caixa Econmica Federal mais prxima da casa do beneficirio. Quando a famlia receber o carto, o responsvel familiar deve ir a uma agncia da CAIXA para ativar o carto e cadastrar uma senha. A famlia tem total liberdade para gastar o benefcio, de acordo com as suas necessidades. Por isso muito importante orientar a famlia para informar ao gestor do PBF qualquer mudana no endereo.
  • 129. 137 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA O Carto Social Bolsa Famlia composto por: logomarca do Governo Federal; logomarca do Programa; nome e nmero de Identificao Social (NIS) do responsvel pela unidade familiar; tarja magntica com o registro do NIS no verso. O carto de uso pessoal e intransfervel. Ningum, alm do titular do benefcio, poder cadastrar a senha, utilizar o carto ou ret-lo por qualquer motivo. A parcela de benefcios paga mensalmente e sua validade mxima de 90 dias para saque, contados a partir de seu ms de referncia. Para conhecer o calendrio de pagamentos, o cidado pode se informar nos postos de pagamento do benefcio, com o gestor do PBF ou na pgina do MDS na Internet. Para cada municpio, h uma agncia CAIXA de vinculao incumbida da operacionaliza- o do pagamento e da entrega de cartes do PBF na localidade. Em cada agncia, o gerente-geral ou funcionrio designado, devidamente capacitado pelo agente operador, deve realizar a interlocuo institucional com a prefeitura. Essas agncias de- vero prestar suporte tcnico aos demais canais de pagamento e orientao especializada ao(s) municpio(s) em sua rea de atuao, sendo eles: agncias bancrias da CAIXA; terminais de autoatendimento CAIXA; casas lotricas; ATENO Realizar o pagamento do benefcio diretamente para os beneficirios por meio da Caixa Econmica Federal, com a utilizao de um carto bancrio, promove a autonomia dos usurios da poltica de renda de cidadania e evita distores na distribuio dos recursos, que feita de forma impessoal e objetiva.
  • 130. 138 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS CAIXA AQUI: estabelecimentos comerciais credenciados como correspondentes banc- rios da CAIXA, como padarias, mercados e outros. Conhecer os critrios de concesso do Programa Bolsa Famlia fundamental para os conse- lheiros municipais e demais agentes de controle social, pois permite acompanhar a execuo do programa no municpio! O saque da parcela do benefcio Bolsa Famlia pelo responsvel da unidade familiar , de fato, o que concretiza os objetivos do PBF. A Gesto de Benefcios do PBF o conjunto de processos e ati- vidades que garantem a continuidade da transferncia de renda s famlias beneficirias do Programa. Ela compreende ainda as atividades de bloqueio, desbloqueio, cancelamento, reverso de cancelamento, suspenso e reverso de suspenso de benefcios, em conformidade com os dispo- sitivos da legislao vigente. INCLUSO BANCRIA A incluso bancria a ao conjunta do MDS e da CAIXA para incentivar a insero dos beneficirios do Programa Bolsa Famlia (PBF) no Sistema Financeiro Nacional a partir da aber- tura e utilizao de contas bancrias. A ao foi motivada pelas dificuldades no acesso ao sistema financeiro que originam a exclu- so bancria dos beneficirios, visando ainda evitar que as famlias atendidas recorram a agentes informais para solicitao de emprstimos, servios de seguros, dentre outros. Quais so os objetivos prioritrios da incluso bancria? prover a insero no Sistema Financeiro Nacional com o acesso aos produtos e servios bancrios; fomentar a educao financeira; propiciar condies para a sustentabilidade econmica das famlias beneficirias do PBF. Como participar do projeto de incluso bancria? Cenrio 1 beneficirio que possui conta CAIXA FCIL: O beneficirio alertado mediante mensagem em seu comprovante de benefcios que o pagamento do ms seguinte ser creditado na sua conta CAIXA FCIL. Recebimento de correspondncia com informaes sobre a incluso bancria e suas vantagens.
  • 131. 139 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Como funciona a conta CAIXA FCIL? uma conta especial de depsito vista ou conta simplificada e possui as seguintes funcionali- dades: iseno tarifria; 4 saques e extratos/ms (ultrapassando, ser tarifado); depsitos; pagamentos; acesso a carto de dbito; acesso a seguros e emprstimos. Preste bastante ateno: a abertura da conta CAIXA FCIL no obrigatria. Os beneficirios no tm o recebimento do benefcio vinculado abertura da conta. A GESTO DAS CONDICIONALIDADES As condicionalidades so compromissos que as famlias beneficirias do PBF assumem com a sade, a educao e a assistncia social de todos os seus integrantes, principalmente de crianas, adolescentes e gestantes. Visam o reforo do direito de acesso das famlias s polticas e programas, bem como possibi- litam promover a melhoria das condies de vida da populao beneficiria e a responsabilizao do poder pblico na garantia de oferta desses servios. LEMBRE-SE: AS CONDICIONALIDADES SO UM CONTRATO ENTRE A FAMLIA E O PODER PBLICO! CABE AO ESTADO O DEVER DE OFERTAR SERVIOS DE SADE E EDUCAO PARA A POPULAO, GARANTIDO NA CONSTITUIO DE 1988 COMO DIREITO. CABE FAMLIA ACESSAR ESTES SERVIOS, OU SEJA, MANTER CRIANAS E ADOLESCENTES NA ES- COLA E FAZER O ACOMPANHAMENTO DA SITUAO DE SADE DE TODOS OS SEUS MEMBROS. Cenrio 2 beneficirio que no possui conta CAIXA FCIL: Ir a um correspondente CAIXA AQUI portando CPF, RG (ou outro do- cumento de identificao), comprovante de endereo (no obrigatrio). Cadastrar senha.
  • 132. 140 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS As condicionalidades so compromissos que as famlias beneficirias do PBF assumem com a sade, a educao e a assistncia social de todos os seus integrantes, principalmente de crianas, adolescentes e gestantes. Visam o reforo do direito de acesso das famlias s polticas e programas, bem como possibilitam promover a melhoria das condies de vida da populao beneficiria e a responsabilizao do poder pblico na garantia de oferta desses servios. No mbito federal, a gesto das condicionalidades do PBF realizada de forma compartilhada pelos Ministrios do Desenvolvimento Social, da Sade e da Educao. NOS MUNICPIOS, NECESSRIO O TRABALHO CONJUNTO DAS SECRETARIAS DE EDUCAO, DE SADE E DE ASSISTNCIA SOCIAL OU OUTRAS SECRETARIAS MUNICIPAIS RESPONSVEIS POR ESTAS REAS. O monitoramento das condicionalidades tem os seguintes objetivos: incentivar as famlias a participarem, de forma mais efetiva, no processo educacional e nas aes de preveno e promoo da sade, de modo que as futuras geraes possam ter melhores oportunidades devido ao seu maior grau de conhecimento e desenvolvimento de capacidades; responsabilizar o poder pblico pela garantia de acesso aos servios sociais bsicos e pela identificao das famlias em situao de maior vulnerabilidade; identificar as famlias em situao de no cumprimento das condicionalidades e implementar polticas e programas pblicos para melhor acompanhar as famlias que estejam nessa situao. CONDICIONALIDADES DO PBF Sade - acompanhamento do calendrio de vacinao e do crescimento e desenvolvimento para crianas menores de 7 anos; - pr-natal para gestantes; - acompanhamento para as mes que amamentam. Educao - frequncia escolar de 85% para crianas e adolescentes entre 6 e 15 anos; - frequncia escolar de 75% para jovens entre 16 e 17 anos. Assistncia Social - frequncia mnima de 85% das crianas e adolescentes de at 16 anos em situao de trabalho infantil nas atividades do servio socioeducativo do PETI.
  • 133. 141 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Vamos conhecer como possvel acompanhar o cumprimento das condicionalidades. 1. o municpio deve acompanhar o cumprimento das condicionalidades. Os Ministrios do Desenvolvimento Social, da Sade e da Educao oferecem sistemas, na Internet, para o registro dos dados das famlias; 2. as informaes sobre sade so registradas a cada seis meses no Sistema de Vigilncia Alimentar e Nutricional (SISVAN), respeitando o calendrio do Ministrio da Sade. O SISVAN est disponvel na Internet, no endereo eletrnico: http://sisvan.datasus.gov.br; 3. o acompanhamento da frequncia escolar feito no sistema do Projeto Presena, do Ministrio da Educao (MEC). Os dados da frequncia escolar podem ser registrados pela prpria escola ou por um tcnico indicado pelo municpio, respeitando o calendrio estabelecido pelo MEC. O Projeto Presena est disponvel na Internet, no endereo ele- trnico: http:// frequenciaescolarpbf.mec.gov.br; 4. as informaes da frequncia s atividades do Servio Socioeducativo do PETI so regis- tradas no SISPETI, sistema da Secretaria Nacional da Assistncia Social do MDS. Visando a facilitar o acompanhamento familiar e a gesto das condicionalidades, o Programa Bolsa Famlia criou o Sistema de Acompanhamento das Condicionalidades, o SICON. Esse sistema agrega todas as informaes relativas s condicionalidades, alm de permitir o registro de recursos e das informaes relativas ao acompanhamento familiar. O SICON est disponvel na Central de Sistemas, na pgina do Programa Bolsa Famla: http://www.mds.gov.br/bolsafamlia. As famlias em descumprimento de condicionalidades devem ser localizadas e acompanhadas, a fim de promover o acesso a servios para melhoria de suas condies de vida, bem como para iden- tificar e atuar sobre os fatores que levaram as famlias ao no cumprimento das condicionalidades. Em outras palavras, famlias em descumprimento de condicionalidades geralmente so as que se encontram em maior risco social, o que dificulta o acesso aos servios sociais a que tm direito. Saiba mais sobre condicionalidades, lendo com ateno o seguinte quadro: O acompanhamento das condicionalidades aproxima o poder pblico das famlias mais vulnerveis e permite a realizao de um diagnstico social com base nas informaes obtidas e nas situaes identificadas du- rante o acompanhamento.
  • 134. 142 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Quadro 2 Gesto de Condicionalidades IMPORTANTE O cumprimento das condicionalidades condio para que as famlias continuem a receber o benefcio financeiro e o compromisso do governo em assegurar o acesso dos beneficirios a tais polticas, promovendo a melhoria da situao de vida dessas pessoas. Nos casos em que ficar demonstrado que o municpio no ofereceu os servios de sade, edu- cao e assistncia social, ou os ofereceu de forma irregular, no haver aplicao de qualquer sano s famlias que no cumprirem as condicionalidades. O descumprimento dos compromissos com o PBF pode levar suspenso e at ao cancela- mento do benefcio. Na primeira vez que a famlia deixa de cumprir qualquer uma das con- dicionalidades do Programa, ela recebe um aviso por escrito no seu endereo para relembrar suas obrigaes com o Bolsa Famlia. Nas prximas vezes, a famlia poder ter seu benefcio bloqueado, suspenso ou cancelado. GESTO DE CONDICIONALIDADES 1. Conjunto de aes articuladas dos governos municipais, estaduais e Federal, objetivando o acompanha- mento peridico dos compromissos assumidos pelas famlias. 2. Acompanhamento peridico das famlias beneficirias nas reas da sade, educao e assistncia social. 3. Registro de informaes nos sistemas informatizados referentes ao acompanhamento das condicionali- dades pelo MDS, MEC e Ministrio da Sade. 4. Medidas articuladas entre Unio, estados, municpios e Distrito Federal propiciando s famlias condi- es para o cumprimento das condicionalidades. 5. Aplicao gradativa de advertncia e sanes nas situaes de descumprimento de condicionalidades, a fim de alertar as famlias sobre o compromisso que possuem ao participar do PBF. 6. Acompanhamento das famlias que descumprem as condicionalidades.
  • 135. 143 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Quadro 3. Avisos e sanes do PBF - crianas e jovens de 7 a 15 anos Quadro 4. Avisos e sanes do PBF - crianas e jovens de 16 a 17 anos O objetivo dessa sistemtica de repercusso assegurar tempo para a atuao do poder p- blico antes do desligamento da famlia do Programa. No entanto, somente isso no suficiente. A garantia de renda mensal, articulada com a incluso das famlias em atividades de acompanha- mento familiar no mbito do Sistema nico de Assistncia Social (SUAS), bem como em servi- os de outras polticas setoriais, compreendida como a estratgia mais adequada para trabalhar a superao das vulnerabilidades sociais que impedem ou dificultam que a famlia cumpra os compromissos previstos no Programa. DESCUMPRIMENTO EFEITO SITUAO DO BENEFCIO 10 Registro Advertncia Famlia continua recebendo o benefcio nor- malmente 20 Registro Bloqueio por 30 dias Uma parcela de pagamento do benefcio fica retida por 30 dias. Aps 30 dias, a famlia volta a receber o ben- efcio normamente; e a parcela bloqueada pode ser sacada. 30 e 40 Registros Suspenso por 60 dias Duas parcelas de pagamento do benefcio no so pagas famlia. Aps 60 dias, a famlia volta a receber o benef- cio normalmente; mas as duas parcelas relativas ao perodo de suspenso no so pagas famlia. 50 Registro Cancelamento Parcelas do benefcio que ainda no forma sacadas pela famlia so canceladas. Parcelas do benefcio que seriam pagas famlia nos meses seguintes so interrompidas. Famlia desligada do PBF. DESCUMPRIMENTO EFEITO EFEITO NO BVJ CORRESPONDENTE 10 Registro Advertncia No h efeito sobre o benefcio 20 Registro Suspenso por 60 dias O benefcio suspenso por 60 dias. No recebe as parcelas suspensas 30 Registros Cancelamento O benefcio cancelado
  • 136. 144 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS O acompanhamento familiar consiste no desenvolvimento de inter- venes desenvolvidas em servios continuados com objetivos estabe- lecidos, que possibilita famlia acesso ao espao onde possa refletir sobre sua realidade, construir novos projetos de vida e transformar suas relaes, sejam elas familiares ou comunitrias. (artigo 20 Protocolo de Gesto Integrado de Servios, Benefcios e Transferncia de Renda no mbito do Sistema a nico de Assistncia Social SUAS) O ACOMPANHAMENTO FAMILIAR Na identificao do descumprimento de condicionalidades e acompanhamento aos avisos e sanes, acontece a busca por possveis dificuldades das famlias beneficirias e fatores impediti- vos do cumprimento das condicionalidades. Com isso, pode-se pensar em maneiras e solues para que a famlia beneficiria tenha garantido o acesso aos direitos sociais bsicos, foco da se- gunda dimenso do PBF. Alm disso, o Programa orienta que a famlia procure o gestor do PBF, caso tenha um pro- blema muito forte para cumprir os compromissos de educao, sade e assistncia social. Isso permitir que a rede do Bolsa Famlia articule uma soluo para o problema. Assim, na gesto local, deve-se: identificar, nos casos de no cumprimento, situaes de maior vulnerabilidade, a fim de orientar as aes do poder pblico para o acompanhamento destas famlias; realizar um trabalho socioassistencial com as famlias para promover o acesso aos servios de educao, sade, assistncia social e a outras polticas pblicas consideradas essenciais para a superao das vulnerabilidades identificadas. A incluso das famlias em situao de descumprimento de condicionalidades em atividades socioassistenciais nos CRAS e/ou CREAS ou equipes de referncia da proteo social bsica e pro- teo social especial compreendida como uma estratgia para trabalhar a superao dos riscos sociais que impedem ou dificultam que a famlia cumpra os compromissos previstos no Programa.
  • 137. 145 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA INTERSETORIALIDADE A partir das condicionalidades, o PBF promove a intersetorialidade, ou seja, a complementa- riedade dos servios da assistncia social, sade e educao. Podemos destacar ganhos para a unidade familiar: passa-se a receber uma ateno integral, com o atendimento mais amplo das necessidades, resultando na melhoria das suas condies de vida. Alm disso, a gesto do PBF compartilhada, as esferas de governo trabalham em conjunto para gerir, aperfeioar, implementar, ampliar e fiscalizar o Programa. Assim, os municpios so responsveis pelo acompanhamento das condicionalidades, pela gesto de benefcios e pela integrao entre o Programa Bolsa Famlia e outras aes e servios que permitem o desenvolvimento de capacidades das famlias. ARTICULAO DE OPORTUNIDADES PARA O DESENVOLVIMENTO DAS FAMLIAS O Programa Bolsa Famlia est integrado com outros programas e aes que objetivam garan- tir oportunidades para que as famlias tenham uma vida melhor, contribuindo para a reduo da pobreza e vulnerabilidades das famlias. Essas aes so executadas por diferentes rgos do Governo Federal, pelos estados e munic- pios, bem como por entidades da sociedade civil. Existem experincias bem-sucedidas nas reas de economia solidria, incluso de beneficirios no mercado formal de trabalho, acesso de jovens de famlias do Programa ao ensino mdio e universidade, organizao de famlias em empreen- dimentos produtivos, entre outras. O APOIO GESTO DESCENTRALIZADA Em 2006, o MDS criou o ndice de Gesto Descentralizada (IGD). Concebido como uma estratgia de apoio gesto municipal do Programa Bolsa Famlia, o IGD um ndice que mede o desempenho dos municpios na gesto do Programa e do Cadnico, considerando a qualidade dos registros cadastrais das famlias (validade e atualizao dos cadastros) e o acompanhamento das condicionalidades de sade e educao. Com base nos resultados apurados por intermdio do IGD, os municpios que apresentam bom desempenho recebem mensalmente recursos para investir em atividades voltadas gesto do PBF. Afinal, est na Constituio Federal: as trs esferas de governo tm res- ponsabilidade com o combate pobreza e desigualdade.
  • 138. 146 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS A Lei n. 12.058, de 13 de outubro de 2009, consolidou os repasses dos recursos do IGD a serem feitos de forma regular e automtica aos municpios e estados que apresentam bom desempenho. Esses recursos so repassados mensalmente do FNAS para o FMAS com base no clculo do ms anterior. O dinheiro depositado em um conta aberta especialmente para fins de execuo de atividades vinculadas gesto do PBF. O IGD varia de 0 a 1 e atualmente calculado pela mdia aritmtica simples de quatro vari- veis de informaes especficas do municpio7 : qualidade e integridade das informaes do Cadnico; atualizao da base de dados do Cadnico; informaes sobre o cumprimento das condicionalidades de educao; informaes sobre o cumprimento das condicionalidades de sade. Essa uma forma de medir a qualidade da gesto do PBF no municpio, pois os cadastros devem estar atualizados e corretos para que as famlias possam receber o benefcio, por meio de atualizao cadastral permanente e de acompanhamento do cumprimento das condicionalidades, indicando o esforo do municpio em ofertar e garantir acesso educao e sade. O valor dos recursos a serem repassados aos municpios o resultado da multiplicao do seu igd pelo valor de referncia r$ 2,50 e da multiplicao desse primeiro produto pelo nmero de beneficirios do programa bolsa famlia no municpio. Apenas municpios que tiverem indicador igual ou superior a 0,20 em todas as variveis e que alcanarem IGD igual ou superior a 0,55 so contemplados8 . O QUE IGDE? Os Estados tambm recebem repasses de recursos do MDS por meio da apurao do IGD, que podem ser utilizados, de forma autnoma, para melhorar a qualidade da gesto e para ofere- cer servios s famlias beneficirias do Programa Bolsa Famlia. E O CONTROLE SOCIAL DO IGD? O planejamento da utilizao dos recursos do IGD uma responsabilidade da gesto muni- cipal. No entanto, os membros da Instncia de Controle Social podem participar dessa deciso, 7 No ano de 2009, o MDS desenvolveu novos indicadores para a composio do IGD com vistas em valorizar os esforos de gesto que esto sendo realizados pelos estados, municpios e Distrito Federal. Consulte a pgina do Bolsa Famlia e os informes Gestor PBF para acompanhar esta atualizao. 8 Estes percentuais tambm esto sujeitos alterao. ATENO O recurso do IGD no pode ser utilizado para pagamento de servidores municipais. O IGD precisa estar incorporado ao oramento do municpio. Se for utilizado sem incorporao, torna-se um ato ilegal, conforme o artigo 60 da Lei n. 4.320/1964: vedada a realizao de despesa sem prvio empenho.
  • 139. 147 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA identificando as principais necessidades do municpio e apresentando propostas para a aplicao do recurso. Alm disso, importante que o conselho avalie se o planejamento est sendo realizado de maneira intersetorial. A ICS, embora exera um papel consultivo nessas discusses, tem muito a contribuir para a definio das prioridades de aplicao do recurso. Caso identifiquem o uso indevido do recurso, os membros da instncia devem informar ao Conselho Municipal de Assistncia Social, que o rgo responsvel pela avaliao da prestao de contas anual do Fundo Municipal de Assistncia Social, consequentemente, da utilizao dos recursos do IGD. Assim, como este recurso repassado pelo FNAS, cabe aos conselhos municipais de assistn- cia social acompanhar a aplicao dos recursos do IGD e assegurar sua correta destinao. Aos CMAS cabe ainda: receber, analisar e manifestar-se sobre a aprovao, integral ou parcial, ou rejeio da pres- tao de contas anual da aplicao dos recursos do IGD; notificar o rgo executor dos recursos do IGD e o MDS da ocorrncia de eventuais irre- gularidades na utilizao dos recursos, inclusive nos casos de manifestao pela aprovao parcial ou rejeio das contas; promover a divulgao das atividades executadas, de forma transparente e articulada, com a Rede Pblica de Fiscalizao do Programa Bolsa Famlia. Os entes federados que tiverem recebido recursos de apoio financeiro gesto do Programa Bolsa Famlia submetero, em prazo fixado pelo Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS), as prestaes de contas anuais da aplicao dos recursos repassados no ano imediatamente anterior aos respectivos Conselhos Municipais de Assis- tncia Social, a quem caber a apreciao de tais contas. A prestao de contas dar-se- pelo SUASWeb, pelo Demonstrativo Sinttico Fsico- Financeiro.
  • 140. 148 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 3.2. SISTEMAS ELETRNICOS DE GESTO E FERRAMENTAS INFORMACIONAIS DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA A pgina do Bolsa Famlia no portal do MDS (www.mds.gov.br/bolsafamilia) um impor- tante recurso para que os conselheiros tenham acesso a inmeras informaes sobre o Programa e sobre o controle social do PBF. Nesse ambiente possvel encontrar: toda a legislao do Programa; relatrios estatsticos que permitem ao municpio observar dados gerais do PBF atualizados (metas de incluso, nmero de famlias cadastradas e beneficiadas, apurao do IGD, entre outros); informes voltados aos gestores e conselheiros; manuais e publicaes eletrnicas; apostilas e vdeos de capacitao; links especficos sobre cada componente de gesto, inclusive do controle social. A pgina do PBF no portal do MDS fornece tambm os links de acesso Central de Sistemas da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania, por meio da qual a ICS consulta o Sistema de Gesto de Condicionalidades (SICON). O Sistema de Benefcios ao Cidado da Caixa Econ- mica Federal (SIBEC) tambm pode ser consultado por meio desta pgina. SISTEMA DE BENEFCIOS AO CIDADO (SIBEC) O Sistema de Benefcios ao Cidado (SIBEC) um sistema informatizado, via Internet, utilizado para a operacionalizao descentralizada da gesto de benefcios do Programa Bolsa Fa- mlia. Pelo SIBEC o municpio pode realizar aes de bloqueio, desbloqueio, cancelamento e reverso de cancelamento do benefcio das famlias do Programa. Para ter acesso ao SIBEC, o gestor municipal do Programa deve solicitar CAIXA, Agente Operador do PBF, mediante a apresentao de documentao especfica, as senhas de acesso para os servidores municipais e para os conselheiros da instncia municipal de controle social (nesses casos, com perfil de consulta). O SIBEC permite tambm consultar desde a situao do benefcio de uma famlia especfica at informaes gerenciais sintticas, como a folha de pagamento do Programa e dos programas remanescentes no municpio. Desde a publicao da Instruo Operacional SENARC/MDS n. 12, de 3 de fevereiro de 2006, as informaes do Cadastro nico refletem nos benefcios das famlias, gerando reduo, aumento e mesmo cancelamento do valor de benefcios financeiros. Por essa razo, sempre que
  • 141. 149 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA uma famlia procurar o municpio para verificar os motivos de alterao dos valores dos benef- cios recebidos preciso checar as informaes do cadastro da famlia e o SIBEC9 . Saiba algumas informaes teis, fornecidas pelo SIBEC, que podem auxiliar os conselheiros no desempenho de suas atribuies no controle social do PBF: folha de pagamento: contm informaes sobre o cadastro do responsvel legal e de seus depen- dentes (nome, endereo, NIS, cdigo domiciliar) e sobre a situao dos benefcios da famlia; situao de benefcios: apresenta o histrico das aes de gesto de benefcios do municpio desde outubro de 2003, com informaes de todas as aes de bloqueio e cancelamento reali- zadas, assim como o motivo e a justificativa informada pelo coordenador/operador municipal para a ao; benefcios no pagos: contm as parcelas de benefcio no sacadas pelos beneficirios, respei- tado o prazo da validade da parcela, que de 90 dias para o saque; evoluo de benefcios no municpio: contm informaes sobre a quantidade de famlias includas e desligadas; cartes emitidos: carto com a referncia do ms em que foi emitido, nome do beneficirio, endereo, data de nascimento do titular do carto, nmero de identificao social (NIS) e municpio de origem; cartes no entregues: englobam as famlias do PBF que tiveram concesso de benefcios e ainda no esto com os seus cartes para saque. Assim, o acesso ao mdulo de consulta do SIBEC permitir que as ICS se informem sobre a situao detalhada dos benefcios concedidos pelo Programa, as informaes cadastrais dos beneficirios e as aes de gesto realizadas pelo gestor municipal (bloqueio, desbloqueio, cance- lamento, reverso de cancelamento). Por esse motivo, a utilizao do SIBEC deve fazer parte da rotina de trabalho e atuao das Instncias de Controle Social do Programa Bolsa Famlia. Para obter acesso ao SIBEC, a ICS deve solicitar formalmente ao gestor municipal do PBF o credenciamento dos conselheiros na CAIXA. Os membros da ICS iro receber um login e uma senha para acessar todos os relatrios disponveis no SIBEC. 9 As orientaes sobre os procedimentos para credenciamento de usurios ao SIBEC esto disponveis na Instruo Operacional n. 15, que pode ser acessada no site do MDS/Bolsa Famlia: www.mds.gov.br/bolsafamilia - Legislao e Instrues.
  • 142. 150 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS SISTEMA INTEGRADO DE GESTO DE CONDICIONALIDADES (SICON) Para realizar a gesto das condicionalidades, foi criada uma ferramenta que possibilita o acom- panhamento das condicionalidades das famlias beneficirias do Programa Bolsa Famlia, o SICON, que agiliza em tempo real as medidas e aes, constituindo-se em ferramenta para planejamento, monitoramento e avaliao. Esse sistema agrega todas as informaes relativas s condicionalidades, alm de permitir o registro de recursos e das informaes relativas ao acompanhamento familiar. Quais so os objetivos do SICON? consolidar as informaes recebidas dos Ministrios da Educao e da Sade; auxiliar a aplicao de sanes e a repercusso sobre o benefcio, quando for o caso; gerar notificaes que devem ser entregues pelo municpio ao responsvel legal de cada famlia com registro de descumprimento; cadastrar recurso e resultado do julgamento; prover os usurios com informaes gerenciais e ferramentas adequadas para o planejamento das aes, a melhoria da gesto e o acompanhamento familiar dos beneficirios do PBF; disponibilizar informaes de acompanhamento de condicionalidades aos gestores municipais e estaduais do PBF e s instncias de controle social do PBF. O SICON apresenta as seguintes funcionalidades: pesquisa famlias com descumprimento de condicionalidades: possibilita que o usurio identifique as famlias com descumprimento por meio do nis do responsvel familiar ou por meio do cdigo do descumprimento de condicionalidades ou ainda pelo tipo de benefcio, tipo de efeito (advertncia, bloqueio, suspenso ou cancelamento), ms da repercusso (referente folha de pagamento do pbf) ou nome do responsvel familiar; recurso quanto ao descumprimento de condicionalidades: permite que o usurio cadastre ou altere o recurso requerido pela famlia em decorrncia do descumprimento. Permite que o usurio avalie o recurso requerido pela famlia; acompanhamento familiar: permite que o usurio cadastre ou altere a situao de acompanha- mento familiar de uma famlia em descumprimento de condicionalidades. Alm disso, permite que o usurio inclua, suspenda ou renove interrupes nos efeitos dos benefcios da famlia que est em acompanhamento familiar, e, finalmente, permite ao usurio registrar o resultado de uma famlia e consultar o histrico de informaes.
  • 143. 151 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Atualmente o acesso ao SICON feito por meio da Central de Sistemas da SENARC. A ICS tambm pode consultar este sistema, mas para isso preciso estar cadastrada como usurio sob o perfil de consulta Central de Sistemas pelo gestor municipal do PBF. O acesso pode ser estendido a outras pessoas designadas mediante cadastramento na SENARC. As instrues para acesso a central de sistemas da SENARC podem ser obtidas na Instruo Operacional SENARC/ DS n. 22, de 25 de junho de 2008. Para melhor compreender, vamos exemplificar: Para fazer uma pesquisa de famlia com descumprimento de condicionalidades possvel utilizar o SICON indicando o cdigo de descumprimento da condicionalidade ou o Nmero de Identificao Social (NIS) do responsvel familiar e clicar na opo pesquisa. O sistema informa qual foi o descumprimento. O SICON possibilita ainda ao gestor e s ICS a identificao de todas as famlias em des- cumprimento com nome, tipo de benefcio, efeitos e ms de repercusso, possibilitando agilizar o acompanhamento familiar no CRAS ou CREAS. O sistema possibilita ainda o registro on-line com resumo das informaes sobre a famlia (diagnstico social), situaes identificadas, atividades que so ou sero realizadas com a famlia e o servio em que acompanhada no CRAS ou CREAS. EXEMPLOS DE CONSULTA AVANADA NO SICON CONSULTA FILTROS SELECIONADOS Famlias com cancelamento por descumprimento de condicionalidades na ltima repercusso. Tipo de benefcio = BFA Efeitos = Cancelamento Ms da repercusso = o ltimo disponvel Todas as famlias canceladas por descumprimento de condicionalidades no municpio. Tipo de benefcio = BFA Efeitos = Cancelamento Ms da repercusso = no selecionar Jovens do BVJ com descumprimento de condicionalidades na ltima repercusso, independentemente do efeito sobre o benefcio. Tipo de benefcio = BVJ Efeitos = no selecionar Ms da repercusso = no selecionar Jovens do BVJ com cancelamento na ltima repercusso. Tipo de benefcio = BVJ Efeitos = Cancelamento Ms da repercusso = o ltimo disponvel
  • 144. 152 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS A Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC)/MDS est desenvolvendo um Siste- ma de Gesto do Programa Bolsa Famlia previsto para ser implementado ainda em 2010. Esse sistema permitir a agregao de informaes que hoje esto dispersas entre o MDS e a CAIXA, alm de trazer novos aplicativos de apoio gesto do PBF. Dentre eles, destaca-se um mdulo de controle social que facilitar a interlocuo entre a SENARC e os conselhos estaduais e municipais, bem como ampliar o acesso aos relatrios e processos de gesto do Programa. Esta uma iniciativa para melhorar a comunicao entre o Governo Federal e as Instncias de Controle Social e, com isso, ampliar os esforos de fortalecimento institucional do controle social do PBF. O MDS, as coordenaes estaduais e as gestes municipais do PBF entraro em contato com as ICS para divulgar o calendrio de implantao do sistema, bem como as estratgias de capa- citao a serem adotadas com vistas em facilitar o uso pelos conselheiros.
  • 145. 153 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 4. A FISCALIZAO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA O PBF transfere anualmente cerca de 13 bilhes de reais s famlias brasileiras, com o obje- tivo de promover o alvio imediato da pobreza e criar condies para a superao da vulnerabi- lidade social de forma sustentvel. Portanto, para garantir o cumprimento desses objetivos, uma das premissas da gesto do Programa a implementao de um sistema de fiscalizao, com vistas a promover a efetividade e a transparncia, garantindo que os recursos cheguem s famlias que atendem aos critrios de elegibilidade do Programa. O trabalho conjunto destas instituies, integrado ao MDS, tem o objetivo de fortalecer o monitoramento e o controle das aes voltadas execuo do PBF sem que isso represente qual- quer interferncia na autonomia e competncia de cada uma das instituies. Cabe SENARC, por meio da Coordenao Geral de Fiscalizao (CGF), a apurao de de- nncias relacionadas execuo do Programa e do Cadnico, alm do atendimento de demandas de fiscalizao de outros rgos. Esse processo conta com a parceria dos gestores municipais e es- taduais do PBF e da Caixa Econmica Federal, devido existncia de equipes competentes e que, por estarem mais prximas, permitem uma apurao mais gil. Sempre que necessrio, a SENARC recorre a visitas aos municpios, com a finalidade de aprofundar o exame em busca de esclarecimen- to e apurao de fatos, circunstncias e responsabilidades que levaram s irregularidades. As Instncias de Controle Social so peas fundamentais na fiscalizao do PBF, uma vez que podem acompanhar de perto a gesto do Programa por terem mais acesso populao local. So tambm importantes aliadas dos gestores locais, podendo atuar de forma conjunta com o municpio subsidiando a fiscalizao nos processos de cadastramento, gesto de benefcios, acom- panhamento das condicionalidades, e articulao de programas complementares. A fiscalizao da gesto do PBF e do Cadastro nico realizada pela Se- cretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC/MDS) e pela Rede Pblica de Fiscalizao, criada em janeiro de 2005, como resultado da consolidao de parcerias com os Ministrios Pblicos Federal e Estadu- ais, o Tribunal de Contas da Unio e a Controladoria Geral da Unio.
  • 146. 154 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Caso no exista a possibilidade de solucionar localmente os resultados obtidos na fis- calizao, as ics devem comunicar senarc ou a rede pblica de fiscalizao a existncia de eventual irregularidade na gesto do pbf. Nesse caso, importante que a denncia seja bem fundamentada, com a apresentao de todas as informaes levantadas pelo conselho. 4.1 A REDE PBLICA DE FISCALIZAO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA Vamos entender melhor o que e quais so as caractersticas da Rede Pblica de Fiscalizao do Programa Bolsa Famlia. a) O que a Rede Pblica de Fiscalizao do PBF? Trata-se de parcerias com os Ministrios Pblico Federal e Estaduais, a Controladoria-Geral da Unio (CGU) e o Tribunal de Contas da Unio (TCU). O trabalho conjunto destas ins- tncias, integrado ao Ministrio de Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS), tem o objetivo de fortalecer o controle do PBF, de modo a garantir que o Programa chegue queles que mais necessitam e atendem aos critrios de elegibilidade. b) Como ela se efetiva? Por meio da assinatura de termos de cooperao. Com isso, os rgos passam a trabalhar de forma integrada com o MDS, sem que isso represente qualquer interferncia na autonomia e competncia das instituies. O principal objetivo assegurar o acesso da populao mais pobre aos benefcios do PBF, realizar o monitoramento e o controle das aes de cadastramento, da gesto de benefcios, do cumprimento das condicionalidades e da oferta de oportunidades para o desenvolvimento das famlias, como a oferta de microcrdito, programas profissionalizantes e de alfabetizao. c) Quais os objetivos dessa cooperao? A criao da rede representa uma nova etapa no processo de fiscalizao. A cooperao tem o objetivo de garantir o pagamento do benefcio a quem precisa e incluir famlias necessitadas que ainda estejam fora do Cadastro nico. Chamados a integrar a realidade do Programa Bolsa Famlia, os rgos fiscalizadores contribuem para oferecer instrumentos de acompanhamento do Programa e melhorar a troca de informaes.
  • 147. 155 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 4.2. APURAO DE DENNCIAS O MDS recebe denncias referentes ao Programa Bolsa Famlia pelos seguintes canais: atendimento pessoal ou carta endereada Ouvidoria do Ministrio; e-mails para a rea de atendimento do Bolsa Famlia; central de atendimento do Fome Zero; Instncias de Controle Social; denncias encaminhadas pelos rgos de controle. A Coordenao-Geral de Fiscalizao do Departamento de Operao da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC) examina as denncias recebidas e, de acordo com a gravidade dos fatos, adota medidas de fiscalizao por meio de visitas aos municpios ou distncia. Na maior parte dos casos, o MDS encaminha as denncias recebidas para os gestores municipais do PBF, solicitando que sejam averiguadas. Quando a CGU realiza auditorias nos municpios escolhidos por meio de sorteios e encontra algum indcio de irregularidade na implementao do PBF, ela encaminha os resultados para a SENARC. Esta, por sua vez, encaminha pedidos de averiguao aos gestores municipais do PBF dos municpios auditados ou para a Caixa Econmica Federal, de acordo com o resultado da auditoria da CGU. Aps a concluso dos processos de apurao das denncias recebidas ou das auditorias da CGU, a SENARC implementa e/ou recomenda aos gestores municipais e/ou ao agente operador do Programa (CAIXA Econmica Federal) a adoo de medidas saneadoras para cada irregula- ridade constatada. Quando o caso, os resultados das aes de apurao de denncias so enca- minhados s instituies integrantes da Rede Pblica de Fiscalizao do Programa Bolsa Famlia para implementao de providncias no mbito de suas competncias. 4.3. AS ESTRATGIAS DAS ICS QUANTO FISCALIZAO DO PBF Acompanhar os processos de fiscalizao orientados pelo MDS e pela Rede Pblica de Fiscalizao; Em caso de denncias comprovadas, solicitar ao gestor municipal que tome as devidas providncias para solucionar a irregularidade; e Comunicar ao gestor municipal, SENARC e Rede Pblica de Fiscalizao do PBF a existncia de problemas na gesto do PBF. ATENO O MDS tambm encaminha aos municpios os resultados de auditorias realizadas nas bases de dados do Cadastro nico, com orientaes para tratar os problemas encontrados.
  • 148. 156 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS BALCO, Nilde; TEIXEIRA, Ana Cludia (Org.). Controle social do oramento pblico. So Paulo: Instituto Polis, 2003. 112p. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Capacitao para implementao do Sistema nico de Assistncia Social SUAS e do Programa Bolsa Famlia PBF. Braslia, 2008. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Concepo e gesto da proteo social no contributiva no Brasil. Braslia/DF: Unesco, 2009. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Poltica Nacional de Assistncia Social PNAS 2004: Norma Operacional Bsica NOB SUAS. Braslia, DF: MDS; SNAS, 2005. 175 p. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Rede SUAS: Gesto e sistema de informao para o Sistema nico de Assistncia Social. Braslia, 2007. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao. Capacitao de Conselheiros de Assistncia Social: guia de estudos. Braslia, 2009. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Secretaria Nacional de Renda e Cidadania. Cartilha acompanhamento familiar do Bolsa Famlia. Braslia, 2009. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Secretaria Nacional de Assistncia Social. Poltica Nacional de Assistncia Social. Braslia: MDS/SNAS, 2004. Disponvel em: . Acesso em: mar. 2010. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Secretaria Nacional de Renda e Cidadania. Sistema de gesto de condicionalidades do Programa Bolsa Famlia SICON/PBF: manual do usurio. Braslia, 2009. BRASIL. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Secretaria de Oramento Federal. Manual tcnico de oramento MTO: verso 2010. Braslia, 2009. 169 p. BRASIL. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Plano Plurianual 2008-2011: Desenvolvimento com incluso social e educao de qualidade. Braslia, 200-?. Disponvel em: www.planejamento.gov.br BRASIL. Presidncia da Repblica. Constituio (1988). Braslia, 1999. Disponvel em: . Acesso em: 08 abr. 2010.
  • 149. 157 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA BRASIL. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Portaria n 42, de 14 de abril de 1999. Atualiza a discriminao da despesa por funes de que tratam o inciso I do 1o do art. 2 e 2 do art. 8, ambos da Lei no 4.320, de 17 de maro de 1964, estabelece os conceitos de funo, subfuno, programa, projeto, atividade, operaes especiais, e d outras providncias. Lex. Braslia, 1999. Disponvel em: . Acesso em: 08 abr. 2010. BRASIL. Presidncia da Repblica. Lei Complementar n 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanas pblicas voltadas para a responsabilidade na gesto fiscal e d outras providncias. Braslia, 2000. Disponvel em: . Acesso em: 08 de abr. 2010. BRASIL. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Portaria n. 1, de 19 de fevereiro de 2001. Dispe sobre a classificao oramentria por fontes de recursos. Disponvel em: www. planejamento.gov.br BRASIL. Ministrio da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de Receita Nacional: aplicado Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios a partir da elaborao e execuo da lei oramentria de 2009. Braslia : Secretaria do Tesouro Nacional, Coordenao-Geral de Contabilidade, 2008. 330 p. BRASIL. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Secretaria de Oramento Federal. Ementrio de classificao das receitas oramentrias. Braslia, 2004. Disponvel em: < http:// www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/sof/publicacoes/ementario_receitas_ orcamentarias_2004.pdf>. Acesso em 06 abr. 2010. BRASIL. Presidncia da Repblica. Lei n 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispe sobre a organizao da assistncia social e d outras providncias. Disponvel em: < http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/LEIS/L8742.htm>. Acesso em: 06 abr. 2010. (Consolidada com a Lei n. 12101/2009). GIACOMONI, James. Oramento pblico. 11 ed. ampliada, revista e atualizada. So Paulo: Atlas, 2002. INSTITUTO DE ESTUDOS SCIO ECONMICOS. O oramento pblico a seu alcance. Braslia, 2006. 133 p. MACHADO JR.; Jos T.; REIS, Heraldo da C. A lei 4.320 comentada. ed. rev. atual. Rio de Jeneiro, IBAM, 2000/2001. POLTICA Nacional de Assistncia Social. So Paulo: Cortez Editora, 2004.
  • 150. 158 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS TAVARES, Gisele de C. O financiamento da Poltica de Asssitncia Social na era Suas. In: BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Concepo e gesto da proteo social no contributiva no Brasil. Braslia: Unesco, 2009. p. 229-258. SISTEMA Integrado de Administrao Financeira do governo Federal. [Braslia]: Ministrio da Fazenda. Disponvel em: . Acesso em: 17 mar. 2010. VAINER, Ari; ALBUQUERQUE, Joslia; GARSON, Sol. Manual de Elaborao: o passo a passo da elaborao do PPA para municpios. 2 ed. Braslia: Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto, 2005. 233 p. VAITSMAN, J.; RODRIGUES, R. S.; SOUSA-PAES, R. O sistema de avaliao e monitoramento das polticas e programas sociais: a experincia do Ministrio de Desenvolvimento Social e Combate Fome do Brasil. Braslia/DF: MDS; Unesco, 2006.
  • 151. 159 DESAFIOS INTEGRAO DOS RGOS DE CONTROLE SOCIAL MDULO 03
  • 152. 161 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Agora, vamos comear o terceiro mdulo de nosso curso, que tem por objetivos: identificar processos e mecanismos que os conselhos podem usar como canal de dilogo com a sociedade; explicar a relevncia da articulao e integrao das aes desenvolvidas pelos conselhos setoriais das polticas de proteo social; caracterizar os diferentes tipos de controle da administrao pblica e identificar os pontos de interseco entre estes e o controle social da poltica de assistncia social e do Programa Bolsa Famlia; 1. OS CONSELHOS COMO INSTNCIAS DE REPRESENTAO DA SOCIEDADE Os conselhos foram institudos pela Constituio Federal de 1988, como resposta ao conjun- to de movimentos e lutas sociais que, em contraposio ao centralismo poltico e concentrao de poder caractersticos do perodo da ditadura militar, exigiam a descentralizao do Estado e o direito da populao participao poltica. Nessa perspectiva, quais seriam os mais importantes desafios efetivao dos conselhos de assistncia social e das instncias de controle social do Programa Bolsa Famlia? A interlocuo com a sociedade e a vocalizao dos segmentos sociais representados, o est- mulo ao debate poltico e formulao de propostas de aperfeioamento das polticas pblicas. Responder a esses desafios significa evitar que estes rgos mantenham uma existncia me- ramente cartorial, ou seja, rgos cuja existncia formal tem por finalidade principal justificar o repasse dos recursos destinados s polticas de referncia, em prejuzo do efetivo desempenho das atribuies legais e das responsabilidades polticas que lhes foram definidas. Conselhos so espaos pblicos privilegiados de efetivao da participa- o popular que possuem suporte legal para atuar na gesto e no controle social das polticas pblicas. Sua legitimao depende da capacidade tcnica no exerccio do controle da poltica pblica e da capacidade poltica de efetiva representao dos interesses e necessidades da sociedade.
  • 153. 162 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS A articulao e o dilogo com movimentos sociais, sindicatos e demais organizaes da socie- dade, a publicizao de suas aes e iniciativas, a disseminao e o compartilhamento de informa- es relevantes ao acompanhamento da poltica pblica, e a promoo de meios que possibilitem o envolvimento da sociedade nos debates relativos implementao e ao futuro desta, contribui para a afirmao dos conselhos enquanto efetivos rgos de representao popular e promoo da democracia participativa. IMPORTANTE Com objetivo de potencializar esse processo, a VII Conferncia Nacional de Assistncia So- cial, realizada em 2009, aprovou um conjunto de deliberaes que apontam a importncia e a necessidade da criao, por parte dos conselhos de assistncia social, de instrumentos que visem oportunizar a ampliao da participao popular e o controle social. Entre elas destacam-se: estimular a implantao dos fruns (municipais, estaduais e regionais) permanentes de assistncia social e promover o seu fortalecimento como espao de participao popular, discusso, socializao de conhecimentos, participao poltica e instrumentalizao da so- ciedade civil para monitorar a efetivao das deliberaes na rea e apresentar proposies; intensificar as aes de fortalecimento do controle social na poltica de assistncia social, por meio da realizao de seminrios, cursos presenciais e a distncia, audincias pblicas e outros instrumentos de participao popular. Na mesma direo, e tendo em vista que a construo de conselhos democrticos e partici- pativos exige a incluso da diversidade de atores relacionados com a poltica de assistncia social, a VII Conferncia aprovou, tambm, deliberaes voltadas promoo do protagonismo dos usurios na gesto e no controle da poltica de assistncia social. Entre as deliberaes dirigidas nesse sentido, vale citar: Articular e incentivar a criao de um frum permanente de usurios onde sero estabe- lecidas as demandas para a agenda pblica, e ampliadas as formas de acesso s informaes sobre seus direitos, conforme as previses da poltica de assistncia social e demais regula- mentaes; Criar estratgias de financiamento e de sensibilizao para a organizao de associaes representativas dos usurios, com vistas garantia do seu lugar poltico junto aos servios socioassistenciais, fruns e conselhos de assistncia social, respeitando o direito de livre escolha do usurio.
  • 154. 163 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA As famlias beneficirias do Programa Bolsa Famlia se caracterizam por necessitarem de uma poltica de renda de cidadania devido baixa renda que dispem para suprir suas necessidades bsicas. Em geral, os membros dessas famlias tambm so usurios da poltica de assistncia so- cial, pois esto expostos a mltiplas vulnerabilidades. Portanto, deve ser garantido espao para a representao deste pblico nos conselhos municipais de assistncia social e nas demais instncias de controle social do PBF. Vale a pena reafirmar aqui o prescrito na Resoluo do CNAS n24/2006 em seu artigo 1, que define a representao dos usurios no CNAS: Art. 1. Os usurios so sujeitos de direitos e pblico da poltica de assistncia social e, por- tanto, os representantes de usurios ou organizaes de usurios so sujeitos coletivos expressos nas diversas formas de participao, nas quais esteja caracterizado o seu protagonismo direto enquanto usurio. 1 Sero considerados representantes de usurios, pessoas vinculadas aos programas, proje- tos, servios e benefcios do SUAS, organizadas sob diversas formas, em grupos que tm como objetivo a luta por direitos. Reconhecem-se como legtimas: associaes, movimentos, fruns, redes, outras denominaes, sob diferentes formas de constituio, jurdica, poltica ou social. 2 Sero consideradas organizaes de usurios aquelas juridicamente constitudas, que tenham, estatutariamente, entre seus objetivos a defesa de direitos de indivduos e grupos vin- culados poltica de assistncia social, sendo caracterizado seu protagonismo na organizao QUEM SO OS USURIOS DA ASSISTNCIA SOCIAL? Constitui o pblico usurio da poltica de assistncia social cidados e grupos que se en- contram em situaes de vulnerabilidade e risco social, tais como: famlias e indivduos com perda ou fragilidade de vnculos de afetividade, pertencimento e sociabilidade; identidades estigmatizadas em termos tnico, cultural e sexual; desvantagem pessoal resultante de deficincias e ciclos de vida; excluso pela pobreza e/ou, no acesso s demais polticas pblicas; uso de substncias psicoativas; diferentes formas de violncia advinda do ncleo familiar, grupos e indivduos; insero precria ou no insero no mercado de trabalho formal e informal; estratgias e alternativas diferenciadas de sobrevivncia que podem representar risco pessoal e social.
  • 155. 164 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS mediante participao efetiva nos rgos diretivos que os representam, ou seja, por meio de sua prpria participao ou de seu representante legal, quando for o caso. Essa resoluo significa um importante avano para a afirmao do car- ter democrtico e representativo dos conselhos ao possibilitar que grupos de usurios vinculados aos servios, programas, projetos e benefcios da assistncia social nos Municpios, DF e Estados possam constituir repre- sentante e, por meio dele, ocupar acento nos respectivos conselhos. Dessa forma, a participao dos usurios no est mais condicionada constituio formal de associaes representativas devero ser organiza- das de acordo com os tipos de proteo social bsica e especial, de m- dia e alta complexidade estudados no primeiro Mdulo do nosso curso. ATENO A PNAS define segmentos com maiores graus de risco social ao agir nas capilaridades dos territrios e se confrontar com a dinmica do real, no campo das informaes, essa poltica inaugura uma outra perspectiva de anlise ao tornar visveis aqueles setores da sociedade brasileira tradicionalmente tidos como invisveis ou excludos das estatsticas populao em situao de rua, adolescentes em conflito com a lei, indgenas, quilombolas, idosos, pessoas com deficincia.
  • 156. 165 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 2. A ARTICULAO ENTRE OS CONSELHOS DE POLTICAS PBLICAS As polticas pblicas e sociais no Brasil esto organizadas segundo uma lgica setorial. Disso resulta que a ao do poder pblico sobre o social se processa de forma fragmentada, recortada em partes que dificilmente se comunicam, ignorando-se que na realidade os problemas e neces- sidades sociais constituem uma unidade complexa e multifacetada: Esta lgica de organizao setorial foi replicada na estruturao dos conselhos. Assim, cada conselho responsvel pelo controle social de uma poltica especfica, em relao qual a Lei dirigiu-lhe determinadas atribuies. Nesse contexto, a articulao entre os conselhos representa uma importante contribui- o para a necessria superao dessa lgica, em favor da intersetorialidade, e para o forta- lecimento do controle social. A necessidade da construo de aes intersetoriais e articuladas entre os conselhos de polti- cas pblicas tm por base o fato de estes conselhos abordarem temas e questes que atingem os mesmos cidados num mesmo territrio. Diz respeito, portanto, necessidade de se abordar a questo social em sua integralidade. 2.1. EXEMPLOS DE ARTICULAO ENTRE POLTICAS E CONSELHOS SETORIAIS a) A construo do Plano Nacional de Promoo, Proteo e Defesa dos Direitos de Crianas e Adolescentes Convivncia Familiar e Comunitria: O dilogo e a articulao entre os conselhos setoriais, tendo por base a identificao das necessidades, demandas e territrio de atuao, comuns a diferentes polticas, podem levar construo de uma agenda de aes integradas. excluso da propriedade da terra, do acesso renda, dos servios de sade e de educao de qualidade, por exemplo, atinge, geralmente, ao mesmo tempo uma mesma famlia e os mesmo indivduos. Por outro lado, ocorre uma segmentao no atendimento s necessidades sociais, com impacto negativo na ao pblica que visam a melhoria das condies de vida da populao.
  • 157. 166 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Um exemplo de articulao e trabalho integrado foi desenvolvido pelo Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criana e do Adolescente (CONANDA), que resultou no Plano Nacional de Promoo, Proteo e Defesa dos Direitos de Crianas e Adolescentes Convivncia Familiar e Comunitria. Considerando que as mesmas crianas e adolescentes devem ser alvo das polticas de educao, sade e assistncia social, ou seja, apresentam necessidades e convivem com problemas sociais que exigem respostas dessas diferen- tes polticas pblicas, o CNAS e o CONANDA se articularam para estimular a interao destas polticas. O objetivo desta articulao foi o de promover a convivncia familiar e comunitria de crianas e adolescentes, com garantia de acesso aos servios de sade, assistncia social, educao, gerao de emprego e renda, dentre outros. b) O Programa Bolsa Famlia (PBF): O Programa Bolsa Famlia (PBF) um exemplo concreto de integrao entre polticas ao promover a transferncia de renda dirigida ao combate pobreza, em articulao com aes de educao, sade e assistncia social, visando a melhoria das condies de vida das futuras geraes. Com base nessa integrao, abre-se espao e torna-se possvel um grande nmero de aes intersetoriais e articuladas entre as ICSs, os Conselhos Municipais de Assistncia Social, de Educao e de Sade, entre outros. c) O Protocolo de Gesto Integrada de Servios, Benefcios e Transferncias de Renda: O Protocolo de Gesto Integrada de Servios, Benefcios e Transferncias de Renda no m- bito do SUAS (Resoluo CIT N 07, de setembro de 2009) acorda os procedimentos para a gesto integrada dos servios, benefcios e transferncias de renda para o acompanhamento das famlias do PBF, do Programa de Erradicao do Trabalho Infantil (PETI) e do Benefcio de Prestao Continuada (BPC) no mbito do SUAS. Este Protocolo define a pactuao entre os entes federados no que diz respeito a procedimen- tos que garantam a oferta prioritria de servios socioassistenciais para as famlias que recebem benefcios assistenciais e de transferncia de renda, e, por outro lado, o encaminhamento para acesso a benefcios assistenciais e transferncia de renda aos indivduos e famlias atendidos nos servios socioassistenciais.
  • 158. 167 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA SOBRE O PROTOCOLO... O Protocolo de Gesto Integrada estabelece e consolida os fluxos entre servios, benefcios e transferncia de renda e fortalece a referncia e contra referncia no mbito do SUAS. Tem por foco orientar o funcionamento da integrao entre os benefcios e servios socioas- sistenciais e a transferncia de renda para consolidar a rede de proteo social nos territrios. Vamos saber mais sobre o Protocolo de Gesto Integrada: O protocolo normatiza a gesto: dispe sobre as responsabilidades dos entes federativos sobre a operacionalizao da gesto integrada; dispe sobre os fluxos de repasse e gesto de informaes; dispe sobre os procedimentos referentes ao atendimento s famlias. Os objetivos do protocolo so: I. Pactuar, entre os entes federados, procedimentos que garantam: a oferta prioritria de servios socioassistenciais para as famlias que recebem benefcios assistenciais e transferncia de renda; o encaminhamento para acesso a benefcios assistenciais e transferncia de renda a indivdu- os e famlias atendidos nos servios socioassistenciais. II. Favorecer a identificao das situaes de vulnerabilidade ou risco social (causas de descumprimento de condicionalidades como violncia, trabalho infantil, etc.); instrumentaliza os rgos gestores da poltica de assistncia social e as equipes do CRAS (Proteo Social Bsica) e do CREAS (Proteo Social Especial) para o planejamento de suas aes, de forma a prevenir e enfrentar de forma mais efetiva as situaes de vulnerabi- lidade ou risco social do pblico que atendem. 1 O Sistema de Garantia de Direitos um conjunto articulado de pessoas e instituies que atuam para efetivar os direitos infantojuvenis. Fazem parte desse sistema: a famlia, as organizaes da sociedade (instituies sociais, associaes comunitrias, sindicatos, escolas, empresas), os Conselhos de Direitos, Conselhos Tutelares e as diferentes instncias do poder pblico (Ministrio Pblico, Juizado da Infncia e da Juven- tude, Defensoria Pblica, Secretaria de Segurana Pblica).
  • 159. 168 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS III. Contribuir na superao de situaes de vulnerabilidade e risco social identificadas, por meio de oferta de acompanhamento familiar e encaminhamentos para a rede socioas- sistencial e das demais polticas pblicas e, quando necessrio, para rgos do Sistema de Garantia de Direitos (SGD)1. incentiva a oferta e a consolidao de servios socioassistenciais nos territrios, bem como facilita o acesso a outras polticas setoriais e ao SGD; ferramenta de induo da universalizao do SUAS nos territrios e de democratizao do acesso a outros direitos de cidadania. SOBRE O PBLICO ALVO DO PROTOCOLO: Sero priorizados para acompanhamento familiar: as famlias que vivenciam situaes de risco social; as famlias do PBF que esto em descumprimento de condicionalidades, na repercusso sus- penso do benefcio, por duas vezes, a fim de garantir a segurana de renda das famlias; demais famlias do PBF em situao de descumprimento de condicionalidades; famlias com beneficirios do BPC que se encontrem em situao de maior vulnerabilidade. O PROCESSO DE MONITORAMENTO DA GESTO INTEGRADA Figura 1- processo de monitoramento da Gesto Integrada PRODUO E REPASSE SISTEMTICO DE INFORMAES PARA ESTADOS, DF E MUNICPIOS, COMO CONDIO PARA A GESTO INTEGRADA Repasse das informaes: Cadastro nico Sistema de Condicionalidades Cadastro BPC MDS Estados Anlise de informaes para apoio municpios na territorializao das vulnerabilidades e no processo de acompanhamento familiar, bem como para a definio dos servios regionalizados Municpios Territorializa a informao e elabora estratgias de acompanhamento familiar no SUAS CREAS ou Equipe PSE CRAS ou Equipe PSB
  • 160. 169 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 2.2. A ARTICULAO ENTRE OS CONSELHOS DE ASSISTNCIA SOCIAL,AS INSTNCIAS DE CONTROLE SOCIAL DO PBF E OS DEMAIS CONSELHOS SETORIAIS A questo da integrao entre os conselhos setoriais e o exerccio do controle social so temas bastante debatidos nas conferncias de assistncia social. A relevncia dessas questes ficou ainda mais evidente na VII Conferncia Nacional de Assistncia Social, realizada em 2009, que tratou do tema Participao e Controle Social no SUAS. Com objetivo de oferecer diretrizes para a efetivao e o desenvolvimento de aes integradas entre os prprios conselhos de assistncia social e entre estes e os demais conselhos setoriais, esta ltima Conferncia aprovou as seguintes deliberaes: criar fruns regionais dos conselhos de assistncia social com a atribuio de planejar, discu- tir e compatibilizar as intervenes face aos problemas em comum, e fortalecer o processo de intercmbio entre os conselhos; aperfeioar a interlocuo e a emisso de deliberaes conjuntas entre os conselhos de assis- tncia social e os conselhos de defesa de direitos, visando a efetivao do SUAS e do Sistema de Garantia de Direitos. O caminho indicado por essas deliberaes reforam e atualizam o contedo de outras delibe- raes adotadas em conferncias anteriores, a exemplo da III Conferncia Nacional de Assistncia Social, de 2001, em que foram aprovadas as seguintes deliberaes sobre o tema: Figura 2- Atribuies e fluxos entre grupos de proteo DEFINIO DE ATRIBUIES E FLUXO ENTRE A PROTEO SOCIAL BSICA E PROTEO SOCIAL ESPECIAL Famlias Beneficirias do Bolsa Famlia e Famlias com Beneficirios do BPC Vulnerabilidades e potencialidades sociais Famlias Beneficirias do Bolsa Famlia e Famlias com Beneficirios do BPC Riscos sociais CRAS/Equipe Tcnica da PSB CRAS/Equipe Tcnica da PSE Bolsa Famlia BPC Benefcios Eventuais Municpios e DF
  • 161. 170 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS criar mecanismos que assegurem o fluxo permanente de informaes entre os conselhos nas trs esferas de governo; implantar uma rede regional articulada de conselhos municipais de assistncia social; realizar reunies entre CNAS, conselhos estaduais, municipais e do Distrito Federal ao menos uma vez ao ano; aperfeioar relaes entre conselhos e comisses intergestores por meio de debates sobre papis e competncias; estabelecer alianas dos conselhos de assistncia social, conselhos de direitos, entidades re- presentativas, Ministrio Pblico e Defensoria Pblica, na busca da garantia dos direitos dos usurios e do cumprimento da LOAS. Na mesma direo, em dezembro de 2004 foi elaborada uma agenda comum entre os conse- lhos municipais, estaduais, do Distrito Federal e nacional de assistncia social, que definiu como aes e estratgias de integrao: realizao de fruns virtuais; divulgao de experincias bem sucedidas dos conselhos municipais, estaduais, do Distrito Federal e nacional; encontros de conselhos de acordo com o porte dos municpios, definidos na PNAS/2004; envolvimento das entidades da rede socioassistencial nos encontros; realizao de balanos das deliberaes das Conferncias para incluso de assuntos no contemplados na pauta comum. Com base nesse apanhado, pode-se dizer que a assistncia social conseguiu, nesse perodo, concretizar um grande nmero de deliberaes e propostas dirigidas promoo da articulao entre os conselhos e entre estes e os demais conselhos setoriais. Algumas experincias, como aque- las citadas no item 2.1., foram efetivadas, mas sabe-se, no entanto, que ainda h muito a ser feito. Quanto a isso, acreditamos que as deliberaes e propostas aqui revisitadas podem servir de estmulo ao desenvolvimento de novas experincias por parte dos conselhos. Em alguns municpios A V Conferncia Nacional de Assistncia Social: SUAS-Plano 10, realiza- da em 2005, definiu como meta especfica a criao de mecanismos de in- formao, integrao e articulao entre os conselhos nacional, estaduais, do DF e municipais de assistncia social e outros conselhos de direitos, visando a abertura de canais de discusso acerca das polticas pblicas.
  • 162. 171 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA a utilizao pelos conselhos setoriais de um espao comum, a chamada Casa dos Conselhos, na medida em que os aproxima, facilita o dilogo para a conformao de uma agenda comum. Em Mossor (RN), por exemplo, a Casa dos Conselhos um espao virtual que disponibiliza documentos, reunies, pautas, deliberaes e encaminhamentos dos conselhos municipais, vi- sando o acesso das informaes entre estas instncias e tambm por parte da populao em geral. Em So Carlos (SP), a Casa dos Conselhos possui sede prpria, e conta com apoio da prefeitura, assim como no municpio de Charqueadas (RS), onde na sede funcionam os conselhos de Edu- cao, Sade, Cultura, Meio Ambiente, Assistncia Social e Alimentao Escolar. H diferentes formas que a articulao de conselhos locais ou regionais podem ser pensadas e testadas a partir do contato e da troca de experincias entre eles. No entanto, o espao comum no gera, por si s, a ao intersetorial. Para isso necessrio que os conselheiros criem uma agen- da comum, visando construir pautas e propostas de aperfeioamento das polticas e programas a partir da intersetorialidade.
  • 163. 172 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 3. A ARTICULAO ENTRE CONSELHOS E OS RGOS DE CONTROLE DA ADMINISTRAO PBLICA Alm de submetidas ao controle social, as aes pblicas tambm esto sujeitas aos controles externos e internos quanto aos aspectos contbil, financeiro, oramentrio, operacional e patri- monial da Unio, previstos nos artigos 70 a 75 da Constituio Federal. Os membros dos conselhos e das Instncias de Controle Social do PBF precisam conhecer es- tes rgos e instrumentos de controle pblico. Cada um deles tem atribuies e funes prprias, determinadas por Lei, e podem servir de aliados do controle social. Vale ressaltar que a VII Conferncia Nacional de Assistncia Social aprovou uma deliberao no sentido de: Promover maior aproximao dos conselhos de assistncia social com as Controladorias, Ou- vidorias, Ministrio Pblico, Poder Legislativo e Tribunais de Contas, nas trs esferas de governo, para a efetivao do controle social. Vamos conhecer os diferentes tipos de controle da administrao pblica e de que forma os conselhos podem se relacionar em suas atribuies para garantir a democratizao, a participao e o controle sobre as polticas pblicas. 3.1. OS DIFERENTES RGOS E MECANISMOS DE CONTROLE DAADMINISTRAO PBLICA 3.1.1. CONTROLE INTERNO: A CONTROLADORIA-GERAL DA UNIO (CGU) A Controladoria-Geral da Unio (CGU) um rgo do Governo Federal que tem como responsabilidade assistir o Presidente da Repblica no que diz respeito a assuntos referentes defesa do patrimnio pblico e ampliao da transparncia da gesto pblica, via atividades de controle interno, auditoria pblica, correio, preveno, combate corrupo e ouvidoria. a) Auditoria e Fiscalizao Uma das atribuies da CGU realizar auditorias e fiscalizar a aplicao dos recursos pblicos. A seguir constam as principais aes da CGU no tocante auditoria e fiscalizao: avaliao da execuo de programas de Governo; aes de controle nos gastos com pessoal da administrao pblica federal; auditorias anuais de prestao de contas; auditoria das tomadas de contas especial; auditoria sobre os contratos de recursos externos;
  • 164. 173 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA demandas externas; interao com gestores federais. A CGU o rgo legtimo para a fiscalizao da aplicao e da efetividade na gesto re- lacionada aos recursos do Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS). Por exemplo, pode sortear municpios a serem auditados no que se refere as aes financiadas com recursos federais, entre eles, os recursos do FNAS ou do IGD/PBF. b) Preveno Corrupo A CGU, alm de fiscalizar o uso dos recursos pblicos, tambm atua para o desenvolvimento de mecanismos de preveno corrupo. Assim, alm de detectar os casos de corrupo, realiza aes que antecipem a tais casos. c) Correio A correio consiste na realizao de atividades relacionadas apurao de possveis irregula- ridades cometidas por servidores pblicos e aplicao das devidas penalidades. 3.1.2. AS OUVIDORIAS PBLICAS As ouvidorias pblicas se inscrevem como relevante instrumento de controle das polticas pblicas, pois possibilitam a comunicao e interlocuo entre sociedade e rgos pblicos res- ponsveis pelas respectivas polticas. Constituem um canal de comunicao direta entre cidado e governo em que se registram reclamaes e denncias. O cidado faz a reclamao ou denncia e tem que ter uma resposta, mas, nem todos os municpios contam com essa instncia, que pode e deve ser ampliada. uma forma de controle social e de defesa de direitos do cidado. O MDS conta com uma Ouvidoria prpria, que pode ser acessada por qualquer cidado, e conta com diversos canais de comunicao: atendimento pessoal ou carta para a Ouvidoria-Geral: Ministrio do Desenvolvimento So- cial e Combate Fome. Endereo: |Esplanada dos Ministrios| Bloco C| 9 andar| Salas 936 e 940| CEP 70.046-900| Braslia/DF|Horrio de atendimento: 08:00h s 18:00h, de segunda a sexta-feira. atendimento por telefone: 0800 707 2003 |07:00h s 19:00h, de segunda a sexta-feira. atendimento por fax: (61) 3433 1299 atendimento por e-mail: ouvidoria@mds.gov.br ou por formulrio eletrnico.
  • 165. 174 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Quando utilizar a ouvidoria do MDS? Quando desejar fazer: Sugesto: apresentao de ideia ou proposta que contribua para o bom funcionamento dos processos de trabalho, das unidades administrativas ou dos servios prestados pela instituio. Reclamao: queixa, manifestao de desagrado ou protesto sobre prestao, ao ou omis- so da administrao ou do servidor pblico. Elogio: demonstrao de satisfao em relao a servio prestado, a atendimento de funcio- nrios, ou a aes e programas do MDS. Crtica: avaliao ou comentrio construtivo/analtico sobre os servios prestados, ou a res- peito da instituio (MDS) e de todos os elementos que a envolve. Denncia: ato que descumpre ou no observa a norma jurdica ou o devido procedimento legal que deveria seguir. Importante: Para que sua denncia seja apurada, necessrio que sejam fornecidos dados essenciais. So eles: nome e endereo do denunciado (incluindo municpio e estado); descrio da irregularidade. Em casos que envolvam beneficirios do Programa Bolsa Famlia, desejvel que seja infor- mado o Nmero de Identificao Social NIS (nmero do carto). 3.1.3. CONTROLE EXTERNO: TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO (TCU) Segundo a Constituio Federal (Artigos 70 a 75), o TCU o rgo que auxilia o Congresso Nacional no exerccio do controle supremo das contas, bens e valores pblicos pelos quais a Unio responda, sejam eles utilizados, arrecadados, guardados, gerenciados ou administrados por qualquer pessoa fsica ou jurdica, pblica ou privada. O TCU controla e fiscaliza, portanto: a) as contas dos poderes executivo, legislativo e ju- dicirio, federais; b) as contas desses trs poderes em nveis estadual, municipal e do Distrito Federal, quando se referirem a dinheiro, bens e valores originrios da Unio; c) as contas de r- gos, empresas, fundaes e autarquias federais, bem como daqulas vinculadas aos demais entes federativos, quando se referirem a dinheiros, bens e valores originrios da Unio; e d) as contas de pessoas fsicas ou jurdicas de direito privado, que tenham utilizado, arrecadado, guardado ou gerenciado dinheiros, bens e valores pertencentes Unio. ATENO O controle externo de titularidade do Poder Legislativo, que o exerce com o auxlio dos Tribunais de Contas.
  • 166. 175 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Com o resultado das aes de controle e uma vez constatadas irregularidades podem ocorrer punies aos responsveis. Vale lembrar, no entanto, que as decises do TCU so de carter ad- ministrativo, podendo ser questionadas na justia comum. As funes do TCU so: exercer a fiscalizao e o controle contbil e financeiro, oramentrio, operacional e patri- monial de todas as unidades administrativas vinculadas aos poderes Legislativo, Executivo e Judicirio da Unio, bem como das fundaes e sociedades mantidas pelo poder pblico federal; julgar as contas dos administradores e responsveis por dinheiro, bens e valores pblicos, bem como as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuzo ao errio pblico; fiscalizar recursos repassados pela Unio mediante convnio, acordo, ajuste, repasse autom- tico regular fundo a fundo ou outro instrumento aos municpios, estados e Distrito federal. Se o conselho suspeitar de irregularidades no uso de recursos pela prefeitura seja aqueles previstos no Plano Municipal de Assistncia Social, dos benefcios do Programa Bolsa Famlia ou do oramento em geral , pode encaminhar a denncia por escrito juntando informaes para serem analisadas. O TCU analisa a denncia e, em caso de comprovada a irregularidade, pode responsabilizar o administrador que a cometeu ou enviar a deciso ao Ministrio Pblico. Vale lembrar, ainda, que qualquer cidado, partido poltico, associao ou sindicato pode formular denncias aos tribunais sobre irregularidades ou ilegalidades praticadas em relao a bens, dinheiro e valores pblicos. 3.1.4. INSTITUIES E MECANISMOS DE CONTROLE a) Ministrio Pblico (MP) Criado pela Constituio de 1988 (Artigos 127 a 130) constitui-se em um rgo autnomo, que defende e fiscaliza a aplicao das Leis, e representa os interesses da sociedade, zelando pelo respeito aos poderes pblicos e pela garantia dos servios pblicos. importante lembrar que o Conselho no dispe de mecanismos legais para intervir em situaes de irregularidades. Cabe a ele o imprescindvel papel de levantar informaes, por exemplo, sobre o uso irregular de re- curso e ento encaminhar ao TCU.
  • 167. 176 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS A loas, em seu artigo 31, confere ao mp a atribuio de zelar pelos direitos nela previstos. Para realizar seus objetivos o Ministrio Pblico pode atuar em conjunto com o Poder Judici rio ou de forma independente. Ao ter a atribuio zelar pelos direitos sociais torna-se um parceiro dos conselhos, pois podem ser propostas ao civil pblica contra os que violam os interesses coletivos, como os direitos socioassistenciais e garantia renda. Pode realizar tambm inqurito civil pblico para verificar se determinado direito foi ou no violado. Suas funes podem ser assim sintetizadas: acompanhar as eleies dos conselhos setoriais municipais, estaduais, do Distrito Federal e Nacional; apurar denncia sobre o uso indevido de recursos pblicos; garantir o funcionamento dos Conselhos conforme prev a Lei; realizar ao civil pblica contra quem violar os interesses coletivos como os direitos socio- assistenciais; realizar tambm inqurito civil pblico para verificar se determinado direito foi violado. Portanto, os conselhos podem recorrer ao Ministrio Pblico ao constatarem irregularidades na administrao pblica. b) Audincia Pblica A Audincia Pblica garantida na Constituio Federal de 1988, regulada pela constituio federal, leis estaduais e leis orgnicas municipais. Rene o Poder Executivo e o Legislativo para debater e expor temas com a populao sobre a formulao e os resultados de uma poltica pbli- ca, ou a elaborao de um Projeto de Lei e a sua execuo oramentria. As audincias so obrigatrias na demonstrao e avaliao do cumprimento das metas fsi- cas de responsabilidade do Poder Executivo para cada quadrimestre, ou seja, no que se refere assistncia social, devem ser expostos, nestas audincias, as aes do SUAS implementadas no municpio de acordo com as metas do PAS. Podem ocorrer por demanda da prpria populao e se constituem em espaos importantes do processo de planejamento permitindo: discusso sobre os planos; detalhamento das aes;
  • 168. 177 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA formulao de critrios de contratao de servios, entre outras. c) Ao Popular A Ao Popular est prevista no artigo 5 da Constituio Federal de 1988, mas faz parte do Direito brasileiro desde 1934. Esse instrumento legal permite a qualquer cidado, desde que seja eleitor, recorrer ao Poder Judicirio para exercer diretamente a funo de fiscalizao dos atos do poder pblico. Portanto, qualquer cidado ser parte legtima para pleitear a anulao ou a declarao de nulidade contra atos lesivos ao patrimnio pblico, seja por incompetncia, vcio de forma, ilegalidade do objeto, inexistncia dos motivos ou desvio de finalidade. d) Ao Civil Pblica (Lei n 7.347, de 24/7/85) Trata-se de recurso jurdico que tem por titular o Ministrio Pblico e se destina proteo de interesses difusos ou coletivos como os causados: ao meio ambiente; ao consumidor; ao patrimnio histrico e cultural; ao patrimnio pblico; ordem econmica e economia popular. Para sua instruo, qualquer pessoa poder, e o servidor pblico dever, provocar a iniciativa do Ministrio Pblico, ministrando-lhe informaes sobre fatos que constituam objeto da ao civil e indicando-lhe os elementos de convico. ATENO A Ao popular no tem nenhum custo para o cidado. A utilizao deste instrumento de fiscalizao dos atos do poder pblico contribui para o desenvolvimento da atuao dos conselhos, pois amplia o campo de compromissos com o controle social na direo de defesa dos interesses coletivos.
  • 169. 178 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Capacitao de Conselheiros de Assistncia Social: guia de estudos. Braslia, 2009. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. SUAS Sistema nico de Sade: orientao acerca dos conselhos e do controle social da poltica pblica de assistncia social. Braslia, DF: MDS; SNAS, 2007. v. 1. 60 p. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. SUAS Sistema nico de Sade: implicaes do SUAS e da gesto descentralizada na atuao dos conselhos de assistncia social. Braslia, DF: MDS; CNAS, 2007. v. 2. 67 p. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Observatrio de boas prticas na gesto do PBF. Braslia. Disponvel em: < http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/ observatorio/praticas_publicas>. Acesso em: 06 jan. 2010. CONSELHO NACIONAL DE ASSISTNCIA SOCIAL (CNAS). Informe CNAS n003/2009: orientaes para as Conferncias Municipais de Assistncia Social passo a passo. Braslia, 2009. CONSELHO NACIONAL DE ASSISTNCIA SOCIAL; BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Caderno de textos: subsdios para debates: participao e controle social do SUAS. Braslia: CNAS; MDS, 2009. 68 p. PINHEIRO, Mrcia Pinheiro; CUNHA, Eleonora Schettini M. Os Conselhos de Assistncia Social. Cadernos de Assistncia Social - Trabalhador. Belo Horizonte: [s.n.], 2006. PONTUAL, Pedro. Caminhos possveis para a articulao entre os Conselhos. In: Observatrio dos direitos do Cidado: articulao entre os Conselhos Municipais. So Paulo: Instituto Plis/PUC-SP, maro 2003. RAICHELIS, Raquel. Articulao entre os conselhos de polticas pblicas: uma pauta a ser enfrentada pela sociedade civil. Servio Social & Sociedade. So Paulo: Cortez Editora, n. 85, 2006. ______. A relao entre os Conselhos e Movimentos Sociais. In: Observatrio dos direitos do cidado: articulao entre os Conselhos Municipais. So Paulo: Instituo Plis; PUC-SP, maro 2003.
  • 170. 179 TEXTO COMPLEMENTAR I O MDS E OS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS
  • 171. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 181 Aderval Costa Filho1 colaborao: Toms V. Nascimento2 O termo Povos e Comunidades Tradicionais surgiu no mbito do movimento ambien- talista, referindo-se queles grupos sociais que vivem em contato direto com o meio ambiente, adotando formas prprias de utilizao dos recursos naturais e possuindo caractersticas sociocul- turais diferenciadas em relao ao restante da populao brasileira, embora interagindo e com- partilhando prticas e hbitos com a sociedade abrangente. Alm de exercerem papel importante na conservao da biodiversidade e da cultura do pas, estima-se que povos e comunidades tra- dicionais perfazem um total aproximado de 25 milhes de pessoas e ocupam aproximadamente do territrio nacional. Eles so compostos pelas comunidades quilombolas, povos indgenas, ribeirinhos, pescadores artesanais, quebradeiras de coco-babau, ciganos, pomeranos, geraizeiros, comunidades de terreiro, comunidades de fundo de pasto, faxinalenses, pantaneiros, caiaras, extrativistas da Amaznia e outros mais. As comunidades tradicionais esto inseridas nas aes do MDS com base em regulamentaes como o Decreto n 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Este Decreto institui a Poltica Nacional de Desenvolvimento Sustentvel dos Povos e Comunidades Tradicionais, para a qual povos e comu- nidades tradicionais so grupos sociais culturalmente diferenciados, que se reconhecem como tais e que possuem formas prprias de organizao social. Estes grupos utilizam seus territrios e recursos naturais como condio para a sua reproduo cultural, social, religiosa, ancestral e eco- nmica, por meio de conhecimentos, inovaes e prticas gerados e transmitidos pela tradio. Dessa forma, os territrios tradicionais so espaos necessrios reproduo cultural, social e econmica dos povos e comunidades tradicionais, sejam eles utilizados de forma permanente ou temporria, observado, no que diz respeito aos povos indgenas e quilombolas, respectiva- mente, o que dispem os arts. 231 da Constituio e 68 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias e demais regulamentaes. Assim, o MDS, por meio da Poltica Nacional de De- senvolvimento Sustentvel dos Povos e Comunidades Tradicionais, tem buscado a promoo do desenvolvimento sustentvel desses povos e comunidades, com nfase no reconhecimento, for- talecimento e garantia dos seus direitos territoriais, sociais, ambientais, econmicos e culturais, com respeito e valorizao sua identidade, s suas formas de organizao e s suas instituies. 1 Doutor em Antropologia pela Universidade de Braslia e Coordenador-Geral de Apoio a Segmentos e Comunidades Especficas da Secretaria de Articulao para Incluso Produtiva do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. 2 Mestre em Sociologia pela Universidade Paris Descartes Sorbonne Paris V e servidor da Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome.
  • 172. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 182 interessante notar tambm que o Decreto n 6.040 se aproxima de outras regulamentaes importantes que asseguram o pleno direito reproduo dos valores culturais, sociais e econmi- cos de povos que se percebem como distintos dos outros setores da sociedade. A Conveno n 169 da Organizao Internacional do Trabalho, da qual o Brasil signatrio, ressalta a autoidenti- ficao dos povos como um importante processo para o fortalecimento das identidades indgenas e quilombolas, e das polticas pblicas voltadas para estas populaes especficas. Com a finalidade de garantir o chamado recorte tnico nas aes do Ministrio do De- senvolvimento Social e Combate Fome voltadas aos povos e s comunidades tradicionais, foi criado, em 2004, o Ncleo de Povos e Comunidades Tradicionais/SAIP/MDS, hoje formalizado como Coordenao-Geral de Apoio a Segmentos e Comunidades Especficas, que composta e coordenada por profissionais com experincia dirigida para os temas pertinentes. As demais secretarias do Ministrio foram constituindo, tambm, seus prprios quadros, de sorte que, atu- almente, dispem de vrios especialistas em atuao junto a povos e comunidades tradicionais. Essa aproximao revela o esforo do MDS, e particularmente da SNAS, em construir suas aes pautadas na aproximao com os marcos legais regulatrios de povos e comunidades tradicionais. Este texto foca especificamente as comunidades quilombolas e os povos indgenas. COMUNIDADES QUILOMBOLAS Quilombo, mocambo, terras de preto. Foram vrias as definies para os quilombos ao longo do tempo, mas apenas recentemente tem-se intensificado o esforo conjunto de lideranas comu- nitrias, representantes do poder pblico e pesquisadores para construir um arcabouo terico e legal sobre o qual as polticas pblicas voltadas para essas populaes se realizem. Em 1740, o Conselho Ultramarino definia como quilombo toda habitao de negros fugidos, que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que no tenham ranchos levantados e nem se achem piles nele (ALMEIDA, 2002). Atualmente, a Associao Brasileira de Antropologia (ABA) considera que quilombos no so grupos isolados ou uma populao homognea em sua composi- o racial. Ou seja, a raa negra da populao no pode ser utilizada como nico critrio para a de- finio desse grupo tnico. As comunidades quilombolas nem sempre so constitudas por descen- dentes de escravos fugidos, mas (...) consistem em grupos que desenvolveram prticas cotidianas de resistncia na manuteno e reproduo de seus modos de vida caractersticos e na consolidao de um territrio prprio (ODWYER, 2002:18). A definio proposta pela ABA representou um avano terico e prtico para os estudos que permeiam essa temtica, indicando um esforo no sen- tido de abandonar o conceito de quilombo definido em 1740 pelo Conselho Ultramarino. Ainda de acordo com a definio legal publicada no Decreto n 4.887, de 20 de novembro
  • 173. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 183 de 2003, do Dirio Oficial da Unio, que regulamenta o procedimento para identificao, re- conhecimento, delimitao, demarcao e titulao de terras ocupadas por remanescentes das comunidades de quilombos, bem como a Instruo Normativa n 49 do INCRA, os quilombos so definidos como grupos tnico-raciais, segundo critrios de auto-atribuio, com trajetria histrica prpria, dotados de relaes territoriais especficas, com presuno de ancestralidade negra relacionada com a resistncia opresso histrica sofrida. Esse alargamento conceitual acerca da definio de quilombo permitiu a construo de um rol de polticas pblicas voltadas exclusivamente para as necessidades territoriais, sociais, econmicas e culturais das comunidades quilombolas, estejam elas nos centros urbanos ou no meio rural. Assim, temos o art. 68 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias da Constituio Federal de 1988, que afirma que aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras reconhe- cida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos ttulos. Devemos, tambm, considerar os arts. 215 e 216 da Constituio Federal, que reconhecem os direitos das comunidades quilombolas quanto ao resguardo das manifestaes culturais das populaes afro-brasileiras, bem como a necessidade de proteo de seu patrimnio material e simblico. Em meio a esta nova realidade jurdica, segundo o art. 6 da Portaria n 6 da Funda- o Cultural Palmares, publicado em 1 de maro de 2004, as terras dos quilombos passam a ser consideradas como Territrio Cultural Afro-Brasileiro (COSTA FILHO, 2009). O Programa Brasil Quilombola (PBQ), coordenado pela Secretaria Especial de Pol- ticas de Promoo da Igualdade Racial da Presidncia da Repblica (SEPPIR/PR), rene todas as aes voltadas para as comunidades quilombolas dos rgos pblicos federais. Os dados da SEPPIR (2008) j revelam 3.554 comunidades identificadas em todo o pas, sendo 1.342 o total de certificaes de autodefinio expedidas pela Fundao Cultural Palmares. Os nmeros das pesquisas ressaltam a dimenso populacional dos grupos assistidos pelo PBQ e demonstram a necessidade de consolidao e continuidade dos programas que buscam garantir os direitos des- ses grupos em legislao prpria. Com isso, foram 851 processos instaurados no INCRA, com a emisso de 102 ttulos de propriedade definitiva, contemplando 95 territrios tradicionais. Para o perodo 2009-2010, os esforos para a implementao dos projetos do PBQ sero intensificados em funo de as comunidades serem cada vez mais acessadas e mapeadas pelos rgos respons- veis pela implementao dessas polticas pblicas, em especial pelo MDS.
  • 174. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 184 POVOS INDGENAS Durante sculos os ndios foram considerados como uma categoria transitria destinada a desaparecer com o tempo aps um processo de assimilao e diluio na sociedade brasileira. Sob o regime de tutela e considerados relativamente incapazes, deveriam ser integrados comunho nacional, segundo o texto do Estatuto do ndio, estabelecido em 1967 e ainda hoje vigente. Tambm eram vistos, e por muitos setores ainda o so, como um obstculo ao desenvolvimento, sobretudo, porque os recursos naturais existentes em suas terras despertam o interesse de diversos grupos econmicos que, por sua vez, tm as suas aes repercutidas no cenrio poltico, notada- mente no Congresso Nacional. Os 225 povos indgenas existentes no Brasil so falantes de mais de 180 lnguas e ocupam 12,5% do territrio nacional. Estima-se que existam cerca de 440.000 ndios aldeados, sendo 63 as referncias de povos em situao de isolamento relativo. E, ao contrrio do que imagina boa parte da populao, a presena indgena no Brasil no se resume Amaznia. Segundo dados da Fundao Nacional do ndio FUNAI (2008), oficialmente so reconhecidas 615 terras in- dgenas em diversas fases de regularizao fundiria que contribuem de forma significativa com a conservao dos recursos naturais. Imagens de satlite comprovam que, em muitas regies do Brasil, as terras indgenas representam as ltimas ilhas de vegetao nativa em meio aos desma- tamentos causados pelas frentes de expanso econmica. A Constituio de 1988, sobretudo em seus arts. 231 e 232, consagra um novo paradigma: o de que os povos indgenas tm o direito reproduo de suas organizaes sociais e culturais, bem como manuteno de seus laos territoriais especficos, e cabe Unio proteger e garantir tais direitos. Ou seja, a nova Carta Magna superou a viso integracionista e tutelar e reconheceu que os povos indgenas necessitam de proteo por parte da Unio. Tal proteo fica mais evi- dente pelo fato de que as terras indgenas so de propriedade da Unio (demarcadas pela FUNAI e registradas na Secretaria de Patrimnio da Unio), cabendo aos ndios a posse permanente e o usufruto exclusivo sobre os recursos naturais nelas existentes. Outro avano importante, e mais recente, foi a criao da Comisso Nacional de Poltica Indigenista (CNPI), em 2007, vinculada ao Ministrio da Justia e presidida pela FUNAI. Ela rene vrios representantes de governo, da sociedade civil e, sobretudo, do movimento indgena. Sua finalidade estabelecer de forma democrtica as diretrizes gerais para a formulao e execu- o dos programas e das aes governamentais voltados quele pblico. A atuao do MDS junto aos povos indgenas insere-se no contexto do fim do monoplio das aes indigenistas do Governo Federal concentradas, at os anos 90, na FUNAI. Desde a sua criao, em 2004, o MDS passou a garantir o acesso de famlias indgenas aos seus programas
  • 175. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 185 sociais, notadamente, o Bolsa Famlia, os Centros de Referncia em Assistncia Social (CRAS) e as aes de segurana alimentar e nutricional. Nesse ltimo caso, destaca-se a criao da Carteira Indgena que busca, em parceria com o Ministrio do Meio Ambiente, executar projetos voltados para a segurana alimentar e nutricional desses povos, alm de fomentar seu desenvolvimento de maneira sustentvel. Em 2005, o MDS assumiu a coordenao do Comit Gestor de Aes Indigenistas Integradas da Grande Dourados, procurando articular aes emergenciais e estruturantes para enfrentar a grave situao de vulnerabilidade social dos ndios Guaranis do Estado do Mato Grosso do Sul, cuja mortalidade infantil causada por desnutrio impactou fortemente a opinio pblica. Efetivamente, conseguiu-se reduzir de forma significativa aqueles problemas, embora sua raiz, que o confinamento dos Guaranis em terras pequenas e degradadas, ainda continue a existir. Importante ressaltar que, atualmente, a coordenao do referido Comit est em transio para o Ministrio da Justia/FUNAI, uma vez que os temas ali tratados extrapolam as atribuies do MDS, incluindo o encaminhamento das questes fundirias, o combate violao dos direitos humanos e a valorizao cultural. De qualquer forma, tanto em relao aos Guaranis do Mato Grosso do Sul quanto aos de- mais povos indgenas do Brasil, o MDS tem procurado estreitar suas relaes e parcerias com os rgos que atuam na questo, sobretudo a FUNAI, inclusive com a perspectiva de celebrao de um Acordo de Cooperao Tcnica, cujo objetivo garantir uma maior participao do rgo indigenista nas polticas sociais voltadas aos povos indgenas, com vistas na sua melhor adequao s caractersticas socioculturais daquele pblico. AES DO MDS PARA OS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS Para garantir acesso s polticas pblicas e um tratamento diferenciado a tais segmentos, o Presidente Lula assinou o Decreto s/n de 27 de dezembro de 2004 (reeditado em 13 de julho de 2006), que criou a Comisso Nacional de Desenvolvimento Sustentvel dos Povos e Comunida- des Tradicionais, presidida pelo MDS e com secretariado executivo do MMA. A referida comis- so composta por 15 representaes dos diversos segmentos considerados tradicionais, alm de 15 rgos de governo, como FUNAI, Fundao Cultural Palmares, SEPPIR, MDA/INCRA, FUNASA, MEC, dentre outros. Como resultado da mobilizao social e dos trabalhos da referi- da Comisso, em 7 de fevereiro de 2007, foi instituda a Poltica Nacional de Desenvolvimento Sustentvel dos Povos e Comunidades Tradicionais PNPCT (Decreto n 6.040/2007). Nela constam os seguintes eixos temticos: acesso aos territrios tradicionais e aos recursos naturais; infraestrutura; incluso social; fomento produo sustentvel. O objetivo geral promover o
  • 176. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 186 desenvolvimento sustentvel de povos e comunidades tradicionais com nfase em seu reconhe- cimento, fortalecimento e garantia dos seus direitos territoriais, sociais, ambientais, econmicos e culturais, com respeito e valorizao de sua identidade, formas de organizao e instituies. No mbito da Comisso Nacional foi construdo, no primeiro semestre de 2009, sob a superviso da Casa Civil, o Plano Prioritrio para Povos e Comunidades Tradicionais 2009- 2010, com nfase ao fomento produo extrativista e ao fortalecimento institucional. J esto aprovisionados at o momento recursos da ordem de R$ 253.239.469,98 por 17 rgos governa- mentais federais. No balano referente s aes em 2008, o Governo Federal investiu recursos da ordem de R$ 543.254.769,17 com aes realizadas junto a povos e comunidades tradicionais. Alm do Plano Nacional prioritrio, tm sido criadas instncias governamentais esta- duais especficas, leis, programas e aes nos PPAs estaduais para atender as demandas de povos e comunidades tradicionais. A Comisso Nacional est tambm viabilizando um rastreamento do banco de dados do IBGE, especificamente nos dados do Censo Agropecurio 2007, com vistas em quantificar e localizar estabelecimentos presumivelmente de povos e comunidades tradicio- nais, e a elaborao de polticas pblicas voltadas para tais grupos. O MDS, alm de assumir a presidncia da Comisso Nacional e de se responsabilizar por tudo o que ela exige em termos polticos e de articulao institucional, tem buscado garantir o acesso de povos e comunidades tradicionais aos programas sociais universais, como o Bolsa Famlia, o CRAS/PAIF e as aes de segurana alimentar e nutricional, atuando sempre em parceria com os diversos rgos de governo e com a sociedade civil. Nesse sentido, houve um avano em termos de quantidade e qualidade. Por exemplo, mais de 64 mil famlias indgenas e de 25 mil famlias qui- lombolas so beneficiadas pelo Programa Bolsa Famlia3 . Cabe ressaltar que o novo formulrio do Cadnico, que entrou em vigor em 2010, possui campo obrigatrio especfico para identificao das famlias e da comunidade quilombola, incluindo um Guia para Cadastramento destas. Outro exemplo a parceria MDS-FUNAI nas aes emergenciais e estruturantes de seguran- a alimentar junto aos ndios Kaiow-Guarani do Mato Grosso do Sul, onde mais de 8 mil fam- lias indgenas recebem regularmente cestas de alimentos mensais, alm do fomento produo sustentvel para aquelas famlias que possuem terras agricultveis. Em todo o Brasil, foram distribudas 215.818 cestas de alimentos para 46.000 famlias in- dgenas, em 2009. Quanto aos quilombolas, em 2009, foram atendidas 24.700 famlias com 93.500 cestas de alimentos (mdia de 4,6 cestas por famlia/ano). Nesse mesmo ano, foi tambm realizado ciclo de oficinas regionais para debater a Ao, alm de uma Oficina Nacional. Repre- sentantes quilombolas esto participando ativamente desse processo. 3 Dados do Cadnico, novembro de 2009.
  • 177. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 187 Em termos de fomento produo agrofamiliar, cabe ressaltar que no PAA esto assegurados 32 milhes de reais que sero destinados a Povos e Comunidades Tradicionais, sendo 8 milhes por ano, no perodo que se estende entre 2008-2011, cuja execuo de recurso est pactuada anu- almente no Plano de Trabalho do Termo de Cooperao MDS/CONAB. Cabe tambm ressaltar, igualmente, que a SESAN lanou, em 2009, um edital especfico para Povos e Comunidades Tra- dicionais. Ele conta com recursos da ordem de 5,4 milhes em apoio aos Projetos de Segurana Alimentar e Nutricionais para a produo sustentvel destinada subsistncia. Quanto s aes socioassistenciais, a nfase recai na proteo social bsica. Segundo levanta- mento do Censo CRAS 2008, 1.118 CRAS de 990 municpios atendem a povos e comunidades tradicionais. Destes, 867 CRAS de 764 municpios recebem cofinanciamento federal para o PAIF, o que corresponde a um investimento de R$ 5.134.500,00 mensais e de R$ 61.614.000,00 anuais (ao continuada). Atualmente, 477 CRAS atendem comunidades quilombolas em 456 municpios. Nestes CRAS, o MDS recomenda o auxlio de um profissional de antropologia junto equipe do PAIF que conhea as especificidades locais para a construo de uma metodologia que visa o fortaleci- mento da identidade cultural e tradies quilombolas. Em relao aos demais segmentos sociais tradicionais, a maioria dos programas do MDS atende indiscriminadamente, ainda sem dados especficos, dentro da perspectiva de universaliza- o de suas polticas. OS CONSELHEIROS, O MDS E OS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS Nos ltimos anos houve grandes avanos em termos de incluso sociopoltica de povos e co- munidades tradicionais. Porm, os maiores desafios no que diz respeito s categorias identitrias tradicionais que integram a sociedade brasileira continuam: a necessidade em assegurar a univer- salizao dos direitos individuais e coletivos e a implementao de recortes diferenciados nas po- lticas pblicas adequadas s suas realidades. Por isso, a Comisso Nacional de Desenvolvimento Sustentvel dos Povos e Comunidades Tradicionais vem lutando para transformar o Decreto n 6.040, que contempla povos indgenas e comunidades quilombolas, em poltica de Estado. A PNAS prega que ao agir nas capilaridades dos territrios e se confrontar com a dinmica do real, no campo das informaes, essa poltica inaugura uma outra perspectiva de anlise ao tornar visveis aqueles setores da sociedade brasileira tradicionalmente tidos como invisveis ou excludos das estatsticas populao em situao de rua, adolescentes em conflito com a lei, indgenas, quilombolas, idosos, pessoas com deficincia. Considerando a diretriz de descentralizao do Sistema nico de Assistncia Social e a parti-
  • 178. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 188 cipao popular nas polticas de proteo social no contributivas, torna-se absolutamente fun- damental que os povos e comunidades tradicionais estejam representados nos espaos locais de controle social, para trazer para o debate seus modelos de organizao social, as manifestaes culturais, as formas de produzir e se relacionar com a natureza e seus modelos de gesto. Partici- pando das esferas de fiscalizao e acompanhamento das polticas sociais, os povos e comunidades tradicionais podem visibilizar as demandas especficas de seus grupos. Essa percepo contribui para um dos aspectos fundamentais dos conselhos municipais de assistncia social e das Instncias e Controle Social (ICS) do Programa Bolsa Famlia: a repre- sentatividade. Os membros dos povos e comunidades tradicionais devem fazer parte dos espaos deliberativos e participativos de controle social, uma vez que so parte do pblico beneficirio das polticas pblicas e parte da sociedade como um todo. Sabe-se que, na realidade, so diversos os fatores que impedem que os povos e comunidades tradicionais acessem as polticas sociais: os processos histricos de excluso supracitados, os con- flitos territoriais, ambientais e fundirios, o desconhecimento do Estado em relao s demandas dos grupos e o desconhecimento desses grupos acerca de seus direitos e da lgica burocrtica das instncias governamentais. Esses aspectos tambm impedem que tais comunidades participem ativamente dos espaos de controle social. Nesse sentido, todos os nveis de conselho de assistncia social nacional (CNAS), estaduais e municipais , assim como as ICS, devem buscar incluir representantes dos povos e comunidades tradicionais entre seus representantes da sociedade civil, tornando esses espaos mais democrti- cos e fazendo com que eles espelhem as diversas realidades encontradas na sociedade brasileira. PARA SABER MAIS SOBRE COMUNIDADES QUILOMBOLAS E POVOS INDGENAS, SUGERIMOS OS SEGUINTES STIOS: - Para Comunidades Quilombolas: - Para Povos Indgenas:
  • 179. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 189 REFERNCIA BIBLIOGRFICA ALMEIDA, Alfredo W. B. Os Quilombos e as Novas Etnias In Quilombos: identidade tnica e territorialidade. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2002. COSTA FILHO, Aderval. Marco legal e reas de atuao do Programa Brasil Quilombola In Textos Subsidirios para o Programa BB Educar Quilombola. Braslia: Mimeo/Fundao Banco do Brasil, 2009. ODWYER, Eliane Cantarino. Os quilombos e a prtica profissional dos antroplogos In Qui- lombos: identidade tnica e territorialidade. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2002.
  • 180. 191 TEXTO COMPLEMENTAR II CONSTRUO DE POLTICAS PBLICAS DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL PELO MDS
  • 181. 193 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 1. INTRODUO O presente suplemento, parte integrante do curso Capacitao de Controle Social nos Municpios: Assistncia Social e Bolsa Famlia, objetiva aproximar os participantes dos principais conceitos acerca da temtica de Segurana Alimentar e Nutricional (SAN), alm do conhecimento do funcionamento das polticas pblicas de SAN implementadas em nosso pas pelo Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS). Em 2004, o Governo Federal criou o Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome por meio da fuso do Ministrio Extraordinrio de Segurana Alimentar e Combate Fome, do Ministrio da Assistncia Social e da Secretaria Executiva do Programa Bolsa Famlia, poca, vinculada Presidncia da Repblica. A partir de ento, o MDS passou a coordenar todos os programas sociais existentes nas antigas estruturas de acordo com a orientao estratgica de construir polticas pblicas de incluso social para a superao da misria e da fome em nosso pas. A misso do MDS promover o desenvolvimento social e combater a fome visando a incluso e a promoo da cidadania, garantindo a segurana alimentar e nutricional, a transferncia de renda e a assistncia integral s famlias. Para tanto, articula diversos Programas e Projetos em parcerias realizadas nas trs esferas de governo e sociedade civil, respeitando as especificidades regionais, culturais e a autonomia dos seres humanos. Alm disso, o Ministrio estimula a participao popular na construo e efetivao de suas polticas pblicas. Dentro de sua estrutura organizacional foi criada a Secretaria Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (SESAN). De acordo com a Lei n. 10.869/2004 e com o art. 22 do Decreto n. 7.079, de 26 de janeiro de 2010, a SESAN tem as seguintes atribuies:
  • 182. 194 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS ATRIBUIES DA SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL I - planejar, implementar, coordenar, super- visionar e acompanhar programas, projetos e aes de segurana alimentar e nutricional; II - fomentar a execuo de programas de se- gurana alimentar e nutricional, em parceria com rgos federais, estaduais, do Distrito Federal, municipais e com a sociedade civil; III - articular e integrar aes de segurana alimentar e de combate fome nos Estados, Municpios e no Distrito Federal com a par- ticipao de organizaes da sociedade civil integrantes do Sistema Nacional de Segu- rana Alimentar (SISAN) e seus congneres Estaduais, do Distrito Federal e Municipais, em conformidade com as decises emanadas da Cmara Interministerial de Segurana Ali- mentar e Nutricional; IV - prestar suporte tcnico e assessoramento Cmara Interministerial de Segurana Ali- mentar e Nutricional; V - apoiar a implementao do SISAN de forma coordenada com a Cmara Interminis- terial de Segurana Alimentar e Nutricional; VI - apoiar a estruturao dos sistemas esta- duais e municipais de segurana alimentar e nutricional, nos termos preconizados pela Lei n. 11.346, de 15 de setembro de 2006; VII - coordenar e secretariar o Grupo Gestor do Programa de Aquisio de Alimentos da Agricultura Familiar, consoante as disposi- es contidas no art. 19 da Lei n. 10.696, de 2 de julho de 2003, e do Decreto n. 6.447, de 7 de maio de 2008; VIII - planejar e acompanhar a execuo e avaliar programas, projetos e aes de segu- rana alimentar e nutricional para a estru- turao de sistemas pblicos municipais e o ordenamento da produo, da circulao e do consumo alimentar na perspectiva da rea- lizao do direito humano alimentao, nos termos da Lei n. 11.346, de 2006; IX - planejar, acompanhar a execuo e ava- liar programas, projetos e aes de compras governamentais de alimentos da agricultura familiar para a distribuio s famlias em si- tuao de insegurana alimentar, no mbito de sua competncia; X - subsidiar a Secretaria de Avaliao e Ges- to da Informao na elaborao de indicado- res de desempenho dos programas e projetos, desta rea de atuao, para a realizao do monitoramento e avaliao; XI - acompanhar o Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (CON- SEA), interagindo com as diretrizes polticas por ele definidas e XII - manter estreita articulao com os de- mais programas de desenvolvimento social, com o objetivo de integrar interesses conver- gentes na rea de segurana alimentar e nu- tricional.
  • 183. 195 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Na estrutura da SESAN existem trs Departamentos responsveis pelos programas e aes, atuando em parceria com governos estaduais, distrital e municipais, organizaes sociais, alm do Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional e suas respectivas representaes nos Estados e Municpios. Os Departamentos que compem a SESAN so: Departamento de Sistemas Descentralizados de SAN, Departamento de Apoio Produo Familiar e ao Acesso Alimentao e Departamento de Promoo da Alimentao Adequada. Um aspecto importante da construo de polticas pblicas de segurana alimentar e nutricional em nosso pas a intersetorialidade, o que significa que diversos setores como a assistncia social, agricultura, educao, sade, entre outros, desenvolvem programas e aes de SAN. A intersetorialidade , portanto, um dos principais desafios para a gesto e o controle social das polticas de SAN, que devem ser pensadas, executadas e acompanhadas de forma articulada. Outra caracterstica importante do processo de construo das polticas pblicas de segurana alimentar e nutricional no Brasil a participao social, tanto na formulao quanto no controle social das diversas iniciativas, o que tem-se dado por meio das Conferncias Nacionais de Segurana Alimentar e Nutricional e do Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (CONSEA). As diretrizes e principais estratgias que orientam as polticas de SAN vm sendo amplamente debatidas com a sociedade civil por meio desses espaos de participao. Como veremos mais adiante, sero tratadas nesta publicao apenas os programas e aes de SAN sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional do MDS, que em alguns municpios so acompanhados pelos Conselhos Municipais de Segurana Alimentar e Nutricional, mas que na ausncia destes conselhos presentes apenas em 700 cidades brasileiras tem seu controle social realizado nos conselhos de assistncia social ou instncia de controle social do Programa Bolsa Famlia. 2. A SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL COMO UM DIREITO HUMANO O reconhecimento da alimentao como um direito inalienvel do ser humano uma luta antiga em nosso pas e no mundo. Diversos organismos internacionais, tais como a ONU, entendem que o acesso a alimentos de qualidade condio bsica para a sobrevivncia dos seres humanos.
  • 184. 196 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Um dos maiores lutadores para superao da fome em nosso pas foi o Professor Josu de Castro1 . Para ele, a fome tinha algumas caractersticas que sua poca no eram levadas em considerao: a) a fome gerada predominantemente por escolhas sociais e suas principais causas no se explicam pela regio em que ocorrem; b) h produo de alimentos suficiente para acabar com a fome dos povos do mundo, sendo que no h escassez alguma na produo de alimentos; c) a fome no causada pela determinao geogrfica dos pases. O homem consegue superar as condies geogrficas adversas (RODRIGUES, 2005, p. 30). Outro lutador brasileiro contra a fome foi Herbert de Souza2 , o Betinho, que organizou na dcada de 1990 uma grande campanha nacional contra a fome no pas envolvendo diversos grupos da sociedade no sentido de mobilizar recursos para a superao da fome. Desde ento vem crescendo o consenso na sociedade brasileira em torno da necessidade de enfrentamento da fome e da pobreza e o entendimento de que o poder pblico deve adotar as polticas e aes que se faam necessrias para garantir a segurana alimentar e nutricional da populao. O Governo Federal vem respondendo a este desafio com responsabilidade e seriedade, na medida em que constri polticas pblicas nacionais para a promoo e garantia do direito humano alimentao, que ganharam maior nfase a partir de 2003, por meio da Estratgia Fome Zero, uma articulao entre diversos rgos do Governo Federal no sentido de construir alternativas para a superao da fome. Grande parte destas aes executada de forma descentralizada em Estados e Municpios. Tambm so muitas as iniciativas prprias dos entes federados, o que tem resultado nacionalmente em melhoras significativas dos indicadores de pobreza e vulnerabilidade alimentar. MAS O QUE VEM A SER SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL? O conceito de Segurana Alimentar e Nutricional (SAN) adotado no Brasil e consagrado na Lei Orgnica de Segurana Alimentar e Nutricional LOSAN, Lei n. 11.346, de 15 de setembro de 2006, pode ser compreendido como a realizao prtica do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base prticas alimentares promotoras de sade, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econmica e socialmente sustentveis. 1 Josu de Castro foi mdico e uma das grandes referncias mundiais para o combate fome. Publicou inmeras obras, sendo a de maior destaque: Geografia da Fome, de 1946. 2 Betinho foi socilogo e militante ativo em nosso pas. Fundou na dcada de 1980 o Instituto Brasileiro de Anlises Sociais e Econmicas IBASE. Conhea mais aqui: .
  • 185. 197 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA Esse conceito busca incorporar duas dimenses: a alimentar e a nutricional. A primeira refere-se aos processos de disponibilidade (produo, comercializao e acesso aos alimentos) e a segunda diz respeito mais diretamente escolha, ao preparo e consumo alimentar e sua relao com a sade. Mais recentemente outras dimenses vm sendo associadas ao termo, dentre elas destaca-se a soberania alimentar, que trata do direito de todos os povos em decidir de forma autnoma suas polticas de produo, distribuio e consumo de alimentos a fim de garantir o direito humano alimentao adequada, com o devido respeito suas culturas e mtodos populares de produo dos alimentos. Para a construo de polticas pblicas de SAN, importante considerarmos o respeito soberania alimentar, em especial os hbitos e costumes de produo e consumo de alimentos de nossos povos e comunidades tradicionais. POR QUE A SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL UM DIREITO HUMANO? O Direito Humano Alimentao Adequada (DHAA) indispensvel para a sobrevivncia. As normas internacionais reconhecem o direito de todos alimentao adequada e o direito fundamental de toda pessoa a estar livre da fome como requisito para a realizao de outros direitos humanos. Em 1966 foi efetivado o Pacto Internacional de Direitos Econmicos, Sociais e Culturais (PIDESC), que determina obrigaes legais aos Estados-Membros no que se refere responsabilizao em caso de violao aos direitos ali presentes.Tais direitos podem ser abrangidos nas seguintes temticas: i) direitos dos povos indgenas e outras minorias, ii) meio ambiente, iii) desenvolvimento sustentvel, iv) discriminao e desigualdades, v) questes de gnero, vi) situao agrria, vii) desenvolvimento econmico prprio, viii) trabalho e sindicalizao, ix) previdncia social, x) descanso e lazer, xi) famlia, xii) sade, xiii) alimentao e nutrio, xiv) criana e adolescente, xv) educao, xvi) cultura, xvii) moradia e xviii) cincia e tecnologia. Dessa forma, a primeira considerao de tratado internacional referente alimentao e nutrio como um direito humano foi o PIDESC. Depois dele, outros tratados foram elaborados com essa preocupao, deixando claro no somente a importncia, mas tambm a necessidade de se considerar a alimentao como um Direito inalienvel do ser humano. No Brasil, a primeira Lei nacional que trata da Segurana Alimentar e Nutricional a Lei Orgnica de Segurana Alimentar e Nutricional, Lei n. 11.346, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da Repblica em 15 de setembro de 2006, que, dentre outras questes, cria o Sistema Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (SISAN) e
  • 186. 198 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS promove a garantia do direito humano alimentao e nutricional como objetivo e meta da Poltica Nacional de SAN. A LOSAN nasceu como fruto de mobilizao da sociedade civil, que h muito tempo atuava no pas para a construo de um marco legal em SAN, e tambm como compromisso pblico do Governo Lula em construir em todo o territrio nacional polticas pblicas que reconheam os princpios do Direito Humano Alimentao Adequada. Existem algumas questes relacionadas ao DHAA que precisam ser observadas para sua melhor compreenso e que devem ser consideradas como parmetros para o acompanhamento e controle social das polticas pblicas de SAN sob a tica do direito humano alimentao adequada. a) Disponibilidade de alimentos A disponibilidade de alimentos refere-se s condies para que as pessoas possam produzi- los ou possam consumi-los via mercado local. Em outras palavras, os alimentos precisam ser produzidos permanentemente para o autoconsumo ou para serem disponibilizados no mercado local. Em ambos os casos, outras questes, como acesso renda e aos meios de produo dos alimentos, tambm so necessrias para a efetivao da disponibilidade. b) Acessibilidade aos alimentos A acessibilidade aos alimentos pressupe o acesso aos recursos necessrios para obteno de alimentos para uma alimentao adequada com regularidade durante todo o ano e a todas as pessoas. A alimentao deve estar acessvel a todos, inclusive queles com necessidades alimentares especiais, s pessoas que vivem em reas de difcil acesso, povos e comunidades tradicionais e ainda vtimas de calamidades pblicas e desastres naturais. c) Adequao dos alimentos Alimentao adequada implica acesso a alimentos saudveis que tenham como atributos: acessibilidade fsica e financeira, sabor, variedade, cor, bem como aceitabilidade cultural, como, por exemplo, respeito a questes religiosas, tnicas e s peculiaridades dos diversos grupos e indivduos (VALENTE et alli, 2007, p. 12). Alm disso, os alimentos no devem conter substncias adversas em nveis superiores queles estabelecidos por padres internacionais e pela legislao nacional. d) Estabilidade de fornecimento A estabilidade de fornecimento refere-se periodicidade da disponibilizao de alimentos saudveis para as pessoas. importante que os alimentos sejam disponibilizados de forma regular e permanente, no apenas em momentos espordicos. A figura a seguir infere a relao dos conceitos mencionados acima com a consolidao do DHAA:
  • 187. 199 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA O DHAA EST NA CONSTITUIO! O movimento nacional pela defesa da Segurana Alimentar e Nutricional sempre buscou a ampliao dos direitos ligados alimentao. Desde sua criao, o Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (CONSEA) vem se esforando para consolidar a SAN como poltica de Estado, independentemente dos governos que estejam no poder central. Nesse sentido, e entendendo como estratgica a incluso do DHAA na Constituio Federal, em maro de 2009, o CONSEA protagonizou amplo processo de mobilizao nacional para a aprovao no Congresso Nacional de uma emenda Constituio (PEC-047/2003) que visava a incluso da alimentao no rol dos direitos sociais impressos em nossa Carta Magna. Em 4 de fevereiro de 2010 foi promulgada a Emenda Constitucional 64, que incluiu no texto constitucional mais precisamente no artigo sexto, que elenca os direitos sociais a alimentao. Segue abaixo a nova redao: DISPONIBILIDADE DOS ALIMENTOS DIREITO HUMANO ALIMENTAO ADEQUADA ESTABILIDADE DE FORNECIMENTO ACESSIBILIDADE AOS ALIMENTOS ADEQUAO DOS ALIMENTOS
  • 188. 200 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Art. 6. So direitos sociais a educao, a sade, a alimentao, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurana, a previdncia social, a proteo maternidade e infncia, a assistncia aos desamparados, na forma desta Constituio. Dessa maneira, a nossa Constituio afirma que a alimentao um Direito indissocivel dos cidados brasileiros. Cabe a todos ns, governos, sociedade civil organizada, empresrios, fazer com que o preceito constitucional se torne realidade. O QUE SO POLTICAS PBLICAS DE SAN? Polticas pblicas de Segurana Alimentar e Nutricional so Programas, Projetos e Aes estruturadas construdos pelos governos em todas as esferas da Federao (federal, estadual, distrital e municipal) com vistas em efetivar no curto, mdio e longo prazo o Direito Humano Alimentao Adequada. No Brasil existem diversas polticas pblicas voltadas para a garantia do direito humano alimentao. No mbito do Governo Federal so vrios os setores que desenvolvem programas com esta natureza, iniciativas governamentais que atuam desde a produo de alimentos at a garantia de assistncia alimentar s famlias em situao de vulnerabilidade alimentar. Dentre eles destacam-se o Programa Bolsa Famlia, a Rede de Equipamentos Pblicos de Alimentao e Nutrio, compostas por Restaurantes Populares, Cozinhas Comunitrias e Bancos de Alimentos e o Programa Cisternas, todos, programas executados pelo MDS; o Programa de Aquisio de Alimentos, operado de forma integrada pelo MDS e o Ministrio do Desenvolvimento Agrrio (MDA); o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar do MDA; o Programa Nacional de Alimentao Escolar do Ministrio da Educao e o Sistema de Vigilncia Alimentar e Nutricional do Ministrio da Sade. As polticas pblicas de SAN buscam responder a sete diretrizes, inicialmente propostas na III Conferncia Nacional de SAN, realizada em 2007, e posteriormente amadurecidas no mbito do CONSEA. So elas: I - promoo do acesso universal alimentao saudvel e adequada, mediante o enfrentamento das desigualdades, com prioridade para as famlias em situao de insegurana alimentar e nutricional; II - promoo do abastecimento e estruturao de sistemas justos, de base agroecolgica e sustentveis de produo, extrao, processamento e distribuio de alimentos; III - instituio de processos permanentes de produo de conhecimento, educao e formao em soberania e segurana alimentar e nutricional e direito humano alimentao adequada;
  • 189. 201 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA IV - promoo, nfase e coordenao das aes de segurana alimentar e nutricional voltadas para povos e comunidades tradicionais; V - fortalecimento das aes de alimentao e nutrio em todos os nveis da ateno sade, de modo articulado s demais polticas de segurana alimentar e nutricional; VI - apoio a iniciativas de promoo da soberania e segurana alimentar e nutricional em mbito internacional; VII - promoo do acesso universal gua de qualidade e em quantidade suficiente para atender s necessidades das populaes urbanas e rurais, com prioridades para as famlias em situao de insegurana hdrica, e promoo do acesso gua para a produo de alimentos da agricultura familiar, povos indgenas e outros povos e comunidades tradicionais. O QUE O SISTEMA NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL? O Sistema Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (SISAN), institudo pela LOSAN, um sistema em construo, que tem como objetivo promover, em todo o territrio nacional, o direito humano alimentao adequada. Trata-se de um sistema pblico, que possibilita a gesto intersetorial e participativa e a articulao entre os entes federados para a implementao das polticas promotoras da segurana alimentar e nutricional, numa perspectiva de complementaridade e otimizao das potencialidades de cada setor. O SISAN integrado por uma srie de rgos e entidades da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e Municpios afetos segurana alimentar e nutricional. Tem por objetivos formular e implementar polticas e planos de SAN, estimular a integrao dos esforos entre governo e sociedade civil, bem como promover o acompanhamento, monitoramento e avaliao da SAN no pas. Seguem demonstrados na figura os integrantes do SISAN.
  • 190. 202 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS SISTEMA NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL CMARA INTERMINISTERIAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL CONSELHO NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL INSTITUIES PRIVADAS COM OU SEM FINS LUCRATIVOS RGOS E ENTIDADES DE SAN QUE ATUAM EM TODAS AS ESFERAS DA FEDERAO CONFERNCIA NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
  • 191. 203 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA INSTNCIA ATRIBUIES Conferncia Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (CNSAN) Responsvel pela indicao ao CONSEA das diretrizes e prioridades da Poltica e do Plano Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional, bem como pela avaliao do SISAN. Conselho Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (CONSEA) convocar a Conferncia Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional; propor ao Poder Executivo Federal, de acordo com os resultados da CNSAN, as diretrizes e priorida- des da Poltica e do Plano Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional; articular, acompanhar e monitorar, em regime de colaborao com os demais integrantes do Siste- ma, a implementao e a convergncia de aes inerentes Poltica e ao Plano Nacional de Segu- rana Alimentar e Nutricional; definir, em regime de colaborao com a CAISAN, os critrios e procedimentos de adeso ao SISAN; instituir mecanismos permanentes de articulao com rgos e entidades congneres de segurana alimentar e nutricional em todas as esferas da Fe- derao, com a finalidade de promover o dilogo e a convergncia das aes que integram o SISAN; mobilizar e apoiar entidades da sociedade civil na discusso e na implementao de aes pblicas de segurana alimentar e nutricional. O quadro abaixo ilustra as atribuies de cada integrante no SISAN.
  • 192. 204 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS Cmara Interministerial de Segurana Alimentar e Nutricional (CAISAN) elaborar, a partir das diretrizes emanadas do CONSEA, a Poltica e o Plano Nacional de Se- gurana Alimentar e Nutricional, indicando dire- trizes, metas, fontes de recursos e instrumentos de acompanhamento, monitoramento e avaliao de sua implementao; coordenar a execuo da Poltica e do Plano; articular as polticas e planos de suas congneres es- taduais e do Distrito Federal. rgos e entidades de segurana alimentar e nutricional da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios participar das conferncias e encaminhamento de proposies. Instituies privadas, com ou sem fins lucrativos construir parcerias para o fortalecimento do SISAN. Fonte: LOSAN, org. prpria.
  • 193. 205 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA O SISAN um sistema novo, ainda em fase de consolidao. Neste processo cabe aos Estados, Distrito Federal e Municpios, para integrar o SISAN, a reproduo dos componentes do sistema supracitados, em especial dos conselhos municipais, cmaras intersetoriais e planos municipais de SAN. Dessa forma, pretende-se assegurar condies para a construo dos pactos interfederativos e intersetoriais de SAN. Um enorme desafio nesta construo, tanto do ponto de vista da gesto quanto de seu controle social, o dilogo do SISAN com os demais sistemas de polticas pblicas. O SISAN deve ser capaz de dialogar com todos, em especial com o Sistema nico de Assistncia Social (SUAS) e o Sistema nico de Sade (SUS). Na prtica isso significa que, para o devido planejamento e controle social das polticas de SAN, os planos municipais de assistncia social e segurana alimentar e nutricional, bem como os respectivos conselhos e gestores pblicos, devem atuar de forma intersetorial. Encontra-se em fase de elaborao pela Cmara Interministerial de Segurana Alimentar (CAISAN), a partir das diretrizes e proposies emanadas da III Conferncia Nacional de SAN e recomendaes do CONSEA, da Poltica Nacional de SAN, projeto a partir do qual se pretende regulamentar a LOSAN, dispondo sobre sua gesto, financiamento, parmetros para a elaborao do Plano Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional e sistema de monitoramento e avaliao. Por meio desse marco regulatrio, pretende-se definir as orientaes necessrias para a descentralizao do SISAN e a adeso formal dos estados e municpios ao Sistema Nacional.
  • 194. 206 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 3. A CONTRIBUIO DA SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL (SESAN) PARA O FORTALECIMENTO DAS POLTICAS PBLICAS DE SAN NO BRASIL A Secretaria Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional (SESAN), vinculada ao Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome, desenvolve uma srie de programas em todo o territrio nacional, a fim de contribuir para a realizao do direito humano alimentao. responsvel tambm pela Secretaria Executiva da Cmara Interministerial de SAN, portanto, assume responsabilidades tanto no sentido da execuo de programas e aes quanto na coordenao desta instncia intersetorial responsvel pela articulao, acompanhamento e monitoramento da Poltica Nacional de SAN. Dentre os programas e aes da SESAN destacam-se aqueles que compem a Rede de Equipamentos Pblicos e Servios de Alimentao e Nutrio (REDESAN), composta por Restaurantes Populares, Bancos de Alimentos e Cozinhas Comunitrias; o Programa de Aquisio de Alimentos (PAA) e o Programa Cisternas. A REDESAN tem como objetivo principal a promoo do acesso a uma alimentao adequada para a populao urbana em situao de insegurana alimentar, exerce ainda papel importante na estruturao de sistemas locais de Segurana Alimentar e Nutricional, por meio de estratgias de integrao com o PAA e a rede privada de produo e comercializao de alimentos. A rede de equipamentos executada em parceria com Estados, o Distrito Federal e os Municpios. O MDS repassa recursos suficientes para a implantao do equipamento, enquanto o ente federado parceiro se responsabiliza por sua manuteno. O Programa de Aquisio de Alimentos da Agricultura Familiar conta com recursos do MDS e do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio (MDA), executado em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Estados e Municpios e prev a compra governamental de produtos alimentares diretamente de agricultores familiares, assentados da reforma agrria, bem como de povos e comunidades tradicionais, para a formao de estoques estratgicos e distribuio populao em maior vulnerabilidade social. Os alimentos adquiridos das famlias, com apoio operacional de governos estaduais, municipais e da CONAB, segue, como doao para abastecimento da Rede de Proteo e Promoo Social, da Rede de Equipamentos Pblicos de Alimentao e Nutrio, da Rede Pblica de Ensino e ainda para a composio de cestas de alimentos distribudas pelo MDS. Os Estados e Municpios acessam o PAA por meio de editais pblicos, enquanto a CONAB compra os alimentos diretamente de cooperativas, associaes e organizaes informais de
  • 195. 207 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA agricultores familiares e distribui diretamente para as entidades. Na operacionalizao em parceria com Estados e Municpios, o MDS repassa recursos aos entes, especificamente para a aquisio de alimentos. Desde 2003 a SESAN vem investindo em programas de acesso gua direcionados s famlias de mais baixa renda e dispersas nos territrios rurais, tendo como prioridade o semirido brasileiro, so equipamentos de coleta de gua da chuva desenvolvidos no mbito da tecnologia social. Outro programa que visa assegura o acesso gua o Programa Segunda gua, que fomenta a implantao de tecnologias sociais de captao e armazenagem das guas pluviais, para viabilizar o cultivo de horta domstica e a criao de pequenos animais de modo sustentvel. A seguir so descritas o conjunto de Programas desenvolvidos pela SESAN: NOME DA POLTICA RESTAURANTES POPULARES Objetivo Produzir e distribuir um mnimo de 1.000 refeies saudveis ao dia, oferecidas a preos acessveis populao, localizadas preferencialmente em grandes centros urbanos. A quem se destina Municpios com mais de 100 mil habitantes, sendo que o pblico beneficirio dos restaurantes so trabalhadores formais e informais de baixa renda, desempregados, estudantes, aposentados, pessoas em situao de rua e famlias em situao de risco de insegurana alimentar e nutricional. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Prefeituras, Governos Distrital e Estadual. Contato: (61) 3433-1395/ 3433-1399restaurantes.populares@mds.gov.br NOME DA POLTICA COZINHAS COMUNITRIAS Objetivo Produzir e distribuir um mnimo de 100 refeies saudveis ao dia, alm de ser uma estratgia de incluso social produtiva, de fortalecimento da ao coletiva e da identidade comunitria. A quem se destina Pessoas em situao de insegurana alimentar e nutricional grave, indicadas, preferencialmente, pelos Centros de Referncia de Assistncia Social (CRAS). Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Prefeituras, Governos Distrital e Estadual, prioritariamente os que possuem IDH baixo, municpios do semirido e regies metropolitanas. Contato: (61) 3433-1203/ 3433-1316cozinhas.comunitarias@mds.gov.br
  • 196. 208 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS NOME DA POLTICA BANCOS DE ALIMENTOS Objetivo Arrecadar alimentos por meio de doaes via articulaes com o setor alimentcio (indstrias, supermercados, varejes, feiras, centrais de abastecimento e outros) e funcionar como central de abastecimentos do PAA. A quem se destina Famlias em vulnerabilidade alimentar atendidas pelas entidades beneficiadas pelas doaes. Como acessar Por meio de editais para formalizao de Contratos de Repasse, convnios entre o MDS e Prefeituras para municpios com mais de 100.000 habitantes. Contato: (61) 3433-1204/ 3433-1176 bancos.alimentos@mds.gov.br NOME DA POLTICA PROGRAMA DE AQUISIO DE ALIMENTOS (PAA) Objetivo Garantir o acesso aos alimentos em quantidade, qualidade e regularidade necessriasspopulaesemsituaodeinseguranaalimentarenutricional e promover a incluso social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar. A quem se destina Pequenos produtores familiares inseridos no PRONAF e pessoas em situao de insegurana alimentar e nutricional, atendidas por programas e equipamentos de SAN. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Prefeituras, Governos Distrital e Estadual ou diretamente com a CONAB. Contato: (61) 3433-1184/ 3433-1185/ 3433-1195paa@mds.gov.br NOME DA POLTICA PROGRAMA DE FEIRAS POPULARES DA AGRICULTURA FAMILIAR Objetivo Disponibilizar recursos financeiros para aquisio de equipamentos, material de consumo e capacitao para implantao de Feiras de Agricultura Familiar envolvendo Associaes de Produtores Rurais, Cooperativas, COMSEAs, Fruns de Economia Solidria. A quem se destina Pequenos produtores familiares preferencialmente atendidos pelo PAA e PRONAF. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Prefeituras, Governos Distrital e Estadual, prioritariamente municpios da regio do semirido brasileiro e de regies metropolitanas. Contato: (61) 3433-1198 / 3433-1197feiras.populares@mds.gov.br
  • 197. 209 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA NOME DA POLTICA CENTROS DE APOIO AGRICULTURA URBANA E PERIURBANA Objetivo Espaos estruturados para a consolidao de um sistema pblico de promoo da agricultura urbana em regies metropolitanas, por meio de Assistncia Tcnica aos Agricultores Familiares Urbanos e/ou Periurbanos; Formao de Gestores e Beneficirios da Poltica de Agricultura Urbana; Fomento a Empreendimentos Produtivos. A quem se destina Agricultores urbanos e periurbanos. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios direcionados a Universidades, rgos de Pesquisa e Assistncia Tcnica. Contato: (61) 3433-1198 / 3433-1420agricultura.urbana@mds.gov.br NOME DA POLTICA PROGRAMA CISTERNAS Objetivo Construir unidades de captao de gua das chuvas, com base em tecnologias sociais em pequenas propriedades rurais. A quem se destina Pequenos agricultores familiares do semirido brasileiro com perfil de elegibilidade do Cadastro nico para Programas Sociais (Cadnico), com renda familiar mensal de at meio salrio mnimo per capita. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS e Prefeituras. O programa tambm operado em parceria com a Articulao do Semirido (ASA). Contato: (61) 3433-1182 / 3433-1180 / 3433-2013cisternas@mds.gov.br NOME DA POLTICA SEGUNDA GUA Objetivo Apoiar a implementao de tecnologias de baixo custo e de comprovada eficincia tcnica que visam captar e aproveitar de maneira racional a pouca disponibilidade hdrica do semirido. A ao amplia as condies de acesso gua para a pequena produo de autoconsumo e implementa estruturas descentralizadas de abastecimento aliada capacitao e promoo de intercmbios de experincias de manejo sustentvel da gua para produo de alimentos entre os prprios agricultores familiares, tais como: barragem subterrnea, caldeiro (tanque de pedra), barreiro trincheira (caxio), cisterna adaptada para a roa, bomba dgua popular e outras tecnologias apropriadas. A quem se destina Pequenos agricultores familiares do semirido brasileiro com perfil de elegibilidade do Cadastro nico para Programas Sociais (Cadnico), com renda familiar mensal de at meio salrio mnimo per capita. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS e Prefeituras. Contato: (61) 3433-1182 / 3433-1180 / 3433-2013cisternas@mds.gov.br
  • 198. 210 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS NOME DA POLTICA CONSRCIOS DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL (CONSAD) Objetivo Articular em territrios com baixo IDH atores sociais e polticos para a construo de polticas pblicas de SAN vinculadas ao desenvolvimento local. Atualmente existem 40 CONSADs em todo o pas. Nesses territrios, o Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome (MDS) apoia a implantao de projetos de combate pobreza relacionados a sistemas agroalimentares, capazes de intervir na realidade socioterritorial, integrando polticas pblicas, envolvendo atores sociais e gerando trabalho e renda. A quem se destina Atores sociais da SAN e populao residente nas reas de CONSAD. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Prefeituras e Estados, prioritariamente para Pequenos municpios com baixo IDH e em situao de Insegurana Alimentar e Nutricional. Contato: (61) 3433-1167 consad@mds.gov.br NOME DA POLTICA DISTRIBUIO DE ALIMENTOS A GRUPOS POPULACIONAIS ESPECFICOS (PARCERIA COM CONAB) Objetivo Atender, por meio da distribuio de cestas de alimentos, s famlias em situao de insegurana alimentar e nutricional. A quem se destina A distribuio de alimentos feita de acordo com a priorizao a grupos quilombolas, famlias acampadas que aguardam o Programa de Reforma Agrria, comunidades de terreiros, indgenas, grupos atingidos por barragens e populaes residentes em municpios vtimas de calamidades pblicas, impossibilitadas de produzir ou adquirir alimentos. Como acessar As cestas so distribudas por meio de indicao feita por entidades parceiras do MDS: Ouvidoria Agrria Nacional/Incra, Fundao Nacional de Sade, Fundao Nacional do ndio, Fundao Cultural Palmares, Secretaria Especial de Polticas de Promoo da Igualdade Racial (Seppir), Secretaria Nacional de Defesa Civil e Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens. Contato: (61) 3433-1153 gruposvulneraveis@mds.gov.br
  • 199. 211 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA NOME DA POLTICA CARTEIRA INDGENA (REALIZADO EM PARCERIA COM O MMA) Objetivo Executar projetos estruturantes voltados para a segurana alimentar e nutricional e desenvolvimento sustentvel de comunidades indgenas, respeitando a autonomia das comunidades e suas identidades culturais. Os projetos podem ser elaborados para as seguintes reas: prticas sustentveis de produo de alimentos; prticas sustentveis de produo, beneficiamento e comercializao da produo agroextrativista e do artesanato; revitalizao de prticas e saberes tradicionais e apoio ao fortalecimento da capacidade tcnica e operacional das organizaes e comunidades indgenas. A quem se destina Comunidades indgenas. Como acessar Associaes indigenistas, Centros de Pesquisa apresentam propostas para captao de recursos que chegam a R$ 50.000,00 por projeto. Contato: (61) 3433-1153 gruposvulneraveis@mds.gov.br NOME DA POLTICA EDUCAO ALIMENTAR E NUTRICIONAL Objetivo Realizar aes de Educao Alimentar e Nutricional visando promover uma alimentao adequada e saudvel no sentido de prazer cotidiano, de modo que estimule a autonomia do indivduo e a mobilizao social, valorize e respeite as especificidades culturais e regionais dos diferentes grupos sociais e etnias, na perspectiva da Segurana Alimentar e Nutricional (SAN) e da garantia do Direito Humano Alimentao Adequada (DHAA). A quem se destina Famlias em situao de vulnerabilidade alimentar. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Prefeituras, Governos Distrital e Estadual. Contato: (61) 3433-1125 / 3433-1159educacaoalimentar@mds.gov.br NOME DA POLTICA APOIO IMPLANTAO DO SISAN Objetivo Apoiar governos estaduais e seus CONSEAs no processo de implantao do SISAN e da instituio de seus marcos legais estaduais. A quem se destina Gestores pblicos e conselheiros estaduais de SAN. Como acessar Por meio de editais para formalizao de convnios entre o MDS, Governos Distrital e Estadual. Contato: (61) 3433-1175 / 3433-1122sisan@mds.gov.br
  • 200. 212 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 4. CONTROLE SOCIAL DE POLTICAS PBLICAS DE SAN: O QUE E COMO SE FAZ Nesta ltima seo, discutiremos sobre a importncia do controle social das Polticas Pblicas de Segurana Alimentar e Nutricional em todo o pas. A consagrao do Direito Humano Alimentao Adequada ser atingida com maior rapidez se toda a sociedade estiver atenta utilizao dos recursos pblicos pelos governos para a SAN. Para a construo de qualquer poltica pblica, o Estado utiliza da arrecadao tributria para compor suas receitas. A utilizao de tais recursos fixada na chamada despesa pblica. O instrumento de previso de receitas e fixao de despesas consagrado na Constituio Federal de 1988 o oramento pblico. Por meio dele, qualquer cidado, em qualquer lugar do pas, poder perceber onde, como, por quanto e quando sero aplicados os recursos pblicos. Compreender a importncia de se controlar socialmente tais gastos tarefa fundamental para que possamos consolidar o DHAA. Existem algumas formas de controlar socialmente as polticas pblicas de SAN em todo o territrio nacional. A seguir discutiremos as formas mais recorrentes: a) Participao em Conselhos Setoriais A participao popular nos Conselhos Setoriais de suma importncia para que os cidados possam efetivamente verificar se os recursos pblicos esto sendo utilizados de maneira a possibilitar a consolidao do DHAA. Em nvel nacional, temos uma instncia de representao chamada Conselho Nacional de Segurana Alimentar (CONSEA ) formada por 57 conselheiros (38 conselheiros da sociedade civil e 19 conselheiros representando Ministrios e outros rgos federais), alm de 23 observadores convidados. Em todos os Estados brasileiros existe uma instncia similar ao do CONSEA. Nos Municpios, j se percebe a construo de conselhos especficos para a Segurana Alimentar e Nutricional: so aproximadamente 700 em todo o pas. de sublinhar que, nos Municpios onde no existe o Conselho Municipal de SAN, outros conselhos, como o de Assistncia Social, de Sade, ou de Agricultura, podem fazer a discusso de SAN. b) Participao em Conferncias Nacionais, Distritais, Estaduais e Municipais de SAN A participao em Conferncias de Polticas Pblicas contribui para a reflexo crtica da poltica pblica em questo (no caso SAN) e tambm para a discusso aprofundada sobre os conceitos, diretrizes, objetivos e metas a serem atingidos. Como j dissemos em outra oportunidade, foi justamente por meio de Conferncias Nacionais que foram aprovadas as estratgias de elaborao da LOSAN e de incluso da alimentao como Direito na Constituio Federal. Trata-se de espaos pblicos no estatais de articulao, mediao, reflexo, proposio, avaliao de polticas pblicas.
  • 201. 213 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA c) Participao em Fruns populares de SAN Outra forma importante de participao popular e controle social da poltica pblica de SAN refere- se aos Fruns Populares de SAN. Tais fruns so espaos pblicos de discusso e reflexo sobre a SAN em todo o pas e principalmente sobre os avanos e limites da construo de polticas pblicas de SAN. Nacionalmente podemos citar a experincia do Frum Brasileiro de Segurana Alimentar e Nutricional3 (FBSAN), formado por entidades, movimentos sociais da sociedade civil organizada, cidados e instituies que atuam na temtica de SAN. Cabe ainda afirmar que independentemente da participao nos espaos anteriormente citados, qualquer cidado tem o Direito garantido pela Constituio Federal de 1988, em seu artigo 6, de exigir a construo de polticas pblicas de DHAA para qualquer governante. Essa conquista deve ser lembrada no cotidiano dos movimentos sociais, entidades da sociedade civil, partidos polticos, a fim de que se reduza cada vez mais a distncia entre a vontade da consolidao do DHAA e a efetivao desse Direito. d) Controle Social dos Programas da SESAN No que se refere ao controle social, os programas da SESAN devem ser acompanhados a partir da tica do direito humano alimentao adequada, portanto, devem ser observados aspectos de disponibilidade, acessibilidade, adequao dos alimentos e estabilidade de fornecimento j descritos anteriormente. Por exemplo, no que se refere aos equipamentos pblicos de alimentao e nutrio e s iniciativas de distribuio de alimentos a grupos populacionais especficos, importante observar a qualidade e regularidade da alimentao servida e dos alimentos distribudos e ainda se esto sendo levadas em considerao as necessidades alimentares especiais e a cultura alimentar local. Em relao s cisternas, cabe, por exemplo, acompanhar a participao dos beneficirios na fase de planejamento e construo destes equipamentos. No Programa de Aquisio de Alimentos, o papel das instncias de controle social deve se dar prioritariamente na fase de seleo dos agricultores e dos equipamentos e entidades a serem beneficiadas com a doao de alimentos. Os programas desenvolvidos pela SESAN foram concebidos para serem executados de forma integrada, o que significa, por exemplo, que os alimentos adquiridos no mbito do PAA devem abastecer prioritariamente os equipamentos pblicos, a fim de assegurar melhores condies de sustentabilidade a estes equipamentos e o estmulo produo local dos pequenos agricultores familiares. Os Bancos de Alimentos, alm de arrecadar alimentos por meio de doaes, podem tambm funcionar como centrais de abastecimento do PAA. As aes de educao alimentar devem acontecer prioritariamente nos equipamentos de SAN. 3 Conhea o FBSAN: .
  • 202. 214 CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS importante tambm a integrao das iniciativas de SAN com as iniciativas da assistncia social e do Programa Bolsa Famlia. Estimula-se a utilizao do Cadnico para a identificao das famlias a serem beneficiadas pelos programas de SAN, e ainda a implantao de cozinhas comunitrias nos territrios dos CRAS, de modo que as famlias referenciadas e em situao de vulnerabilidade alimentar possam ser direcionadas a estes equipamentos.
  • 203. 215 ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS AO BRASILEIRA PELA NUTRIO E DIREITOS HUMANOS. Curso de Formao em Direito Humano Alimentao Adequada no contexto da Segurana Alimentar e Nutricional. 2007. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Lei n. 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional SISAN com vistas em assegurar o direito humano alimentao adequada e d outras providncias. Lex: . Acesso em: 23 mar. 2010. BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. Regimento Interno. Disponvel em: . Acesso em: 23 mar. 2010. ________._________. Decreto n. 7.079, de 26 de janeiro de 2010. Altera a estrutura interna do Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome e d outras providncias. Disponvel em: . Acesso em: 23 mar. 2010. ________._________. Programas. Disponvel em: . Acesso em: 23 mar. 2010. CONSELHO NACIONAL DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. Disponvel em: . Acesso em: 24 mar. 2010. ________. Construo do Sistema e da Poltica Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional: a experincia brasileira. Disponvel em: . Acesso em: 24 mar. 2010. FRUM BRASILEIRO DE SEGURANA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. Disponvel em: . Acesso em: 26 mar. 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE ANLISE SOCIAIS E ECONMICAS. Disponvel em: . Acesso em: 27 mar. 2010. RODRIGUES, Nilson. Almanaque histrico. Josu de Castro: por um mundo sem fome. [S. l: s.n], 2005. 64 p. VALENTE, Flvio L. S. (Org.). Direito humano alimentao: desafios e conquistas. So Paulo: Cortez, 2002. 272 p.
  • 204. LEGISLAES DA ASSISTNCIA SOCIAL E DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA
  • 205. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 219 LEGISLAO DA ASSISTNCIA SOCIAL Resoluo n. 130 de 15 de julho de 2005 - Aprova a Norma Operacional Bsica da Assistncia Social NOB SUAS. Resoluo n. 7, de 10 de setembro de 2009, estabelece procedimentos necessrios para a garantia da oferta prioritria de servios socioassistenciais nos CRAS, s famlias do Programa Bolsa Famlia (PBF), do Programa de Erradicao do Trabalho Infantil especialmente das que apresentam sinais de maior vulnerabilidade (PETI), do Benefcio de Prestao Continuada (BPC) e Benefcios Eventuais. Lei n. 8.742/1993 - Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS) - dispe sobre a assistncia social e d outras providncias Resoluo n. 269, de 13 de dezembro - de 2006. Essa norma estabelece e consolida os principais eixos a serem considerados para a gesto do trabalho do SUAS. Resoluo CNAS n. 109/2009, que define a tipificao dos servios socioassistenciais; Lei n. 9.604/1998 - Dispe sobre a prestao de contas de aplicao de recursos a que se refere a Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e d outras providncias. Decreto n 1.744, de 08 de dezembro de 1995 - Regulamenta o Benefcio de Prestao Continuada devido pessoa portadora de deficincia e ao idoso, de que trata a Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e d outras providncias. Decreto n 1.605, de 25 de agosto de 1995 - Regulamenta o Fundo Nacional de Assistncia Social, institudo pela Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Decreto n 2.298, de 12 de agosto de 1997 - Acresce 2 ao art. 5 do Decreto n. 1.605, de 25 de agosto de 1995, que regulamenta o Fundo Nacional de assistncia Social, e d outras providncias. Decreto n. 2.529, de 25 de maro de 1998 - Dispe sobre a transferncia de recursos do Fundo Nacional de Assistncia Social (FNAS), para os fundos estaduais, do Distrito Federal e municipais, e sua respectiva prestao de contas, na forma estabelecida na Lei n. 9.604, de 5 de fevereiro de 1998. Decreto n 2.536, de 6 de abril de 1998 - Dispe sobre a concesso do Certificado de Entidade de Fins Filantrpicos a que se refere o inciso IV do art. 18 da Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e d outras providncias.
  • 206. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 220 Decreto no 3.613, de 27 de setembro de 2000 - Acrescenta dispositivo ao Decreto n. 1.605, de 25 de agosto de 1995, que regulamenta o Fundo Nacional de Assistncia Social. Decreto n 5.003, de 4 de maro de 2004 - Dispe sobre o processo de escolha dos representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Assistncia Social (CNAS), e d outras providncias. Decreto n. 6.307/2007 - Dispe sobre os benefcios eventuais de que trata o art. 22 da Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Decreto n. 6.308/2007 - Dispe sobre as entidades e organizaes de assistncia social de que trata o art. 3o da Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e d outras providncias. Decreto n. 6.214/2007 - Regulamenta o benefcio de prestao continuada da assistncia social devido pessoa com deficincia e ao idoso acresce pargrafo ao art. 162 do Decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999, e d outras providncias. Decreto n. 1.605/1995 - regulamenta o Fundo Nacional de Assistncia Social; Decreto n. 5.085/2004 - define as aes continuadas de assistncia social; Resoluo CNAS n. 145/2004 - aprova a Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS); Resoluo CNAS n. 130/2005 - aprova a NOB/SUAS; Resoluo CNAS n. 191/2005 - dispe sobre entidades e organizaes de assistncia social; Resoluo CNAS n. 23/2006 - traz entendimento acerca de trabalhadores do setor; Resoluo CNAS n. 24/2006 - dispe sobre representantes de usurios e de organizao de usurios; Resoluo CNAS n. 212/2006 - prope critrios orientadores para a regulamentao da proviso de benefcios eventuais no mbito da Poltica Pblica de Assistncia Social; Resoluo CNAS n. 237/2006 - aponta diretrizes para estruturao, reformulao e funcionamento dos Conselhos de Assistncia Social; Resoluo CNAS n. 269/2006 - aprova a NOBRH/SUAS. Resoluo n. 269, de 13 de dezembro de 2006. Essa norma estabelece e consolida os principais eixos a serem considerados para a gesto do trabalho do SUAS. Lei n. 4.320/1964 - Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaborao e controle dos oramentos e balanos da Unio, dos Estados, dos Municpios e do Distrito Federal; Lei Complementar n. 101/2000 - a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal) estabelece normas de finanas pblicas voltadas para a responsabilidade na gesto fiscal;
  • 207. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 221 Lei n. 9.720, de 30.11.1998 - dispe sobre a organizao da Assistncia Social; Portaria 42/1999 da SOF/MPOG atualiza a discriminao da despesa por funes de que tratam a lei 4320/64, estabelece os conceitos de funo, subfuno, programa, projeto, atividades, operaes especiais; Portaria MDS n. 222/2008 - Dispe sobre a oferta de servios de proteo social bsica do Sistema nico de Assistncia Social com os recursos originrios do Piso Bsico de Transio - PBT, estabelece o co-financiamento dos servios de proteo bsica para idosos e/ou crianas de at seis anos e suas famlias por meio do Piso Bsico Varivel - PBV, Portaria 431/2008 - Dispe sobre a expanso e alterao do co-financiamento federal dos servios de Proteo Social Especial, no mbito do Sistema nico de Assistncia Social SUAS Acrdo n. 2.809/2009 - relatrio da auditoria de natureza operacional. Avaliao da aplicao dos recursos federais transferidos pelo fundo nacional de assistncia social - FNAS aos fundos municipais de assistncia social. Anlise do controle exercido sobre os rgos, entidades e demais organizaes responsveis pela gesto desses recursos. Identificao de falhas e oportunidades de melhoria. Determinaes. Recomendaes. Autorizao para realizao de monitoramento. Cincia a diversos rgos e entidades. Arquivamento Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993 - Dispe sobre a organizao da Assistncia Social e d outras providncias. Lei n. 11.692, de 10 de junho de 2008 - Dispe sobre o Programa Nacional de Incluso de Jovens - Projovem, institudo pela Lei n. 11.129, de 30 de junho de 2005; altera a Lei n. 10.836, de 9 de janeiro de 2004; revoga dispositivos das Leis nos 9.608, de 18 de fevereiro de 1998, 10.748, de 22 de outubro de 2003, 10.940, de 27 de agosto de 2004, 11.129, de 30 de junho de 2005, e 11.180, de 23 de setembro de 2005; e d outras providncias. Lei n. 12.058, de 13 de outubro de 2009 - Dispe sobre a prestao de apoio financeiro pela Unio aos entes federados que recebem recursos do Fundo de Participao dos Municpios FPM, no exerccio de 2009, com o objetivo de superar dificuldades financeiras emergenciais; (PBF) Lein.12.101de27denovembrode2009- Dispe sobre a certificao das entidades beneficentes de assistncia social; regula os procedimentos de iseno de contribuies para a seguridade social; altera a Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisria n. 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e d outras providncias.
  • 208. CONTROLE SOCIAL NOS MUNICPIOS 222 Resoluo CIT n. 07, de setembro de 2009 - estabelece procedimentos para a gesto integrada dos servios, benefcios socioassistenciais e transferncias de renda para o atendimento de indivduos e de famlias beneficirias do PBF, Peti, BPC e benefcios eventuais no mbito do SUAS. Resoluo do CNAS Ao Civil Pblica - Lei n. 7.347 de 24/7/85 n24/2006 - que define a representao dos usurios no CNAS: Disciplina a ao civil pblica de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artstico, esttico, histrico, turstico e paisagstico. Portaria MDS n. 288/2009 Dispe sobre a oferta de servios de proteo social bsica do Sistema nico de Assistncia Social com os recursos originrios do Piso Bsico de Transio -PBT, estabelece o co-financiamento dos servios de proteo bsica para idosos e/ou crianas de at seis anos e suas famlias por meio do Piso Bsico Varivel PBV. Portaria MDS n. 222/2008 - Dispe sobre o co-financiamento Federal do Piso Fixo de Mdia Complexidade para a implantao de Centro de Referncia Especializado de Assistncia Social - CREAS e implementao do Servio de Proteo Social aos Adolescentes em Cumprimento de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto no mbito da Proteo Social Especial do Sistema nico de Assistncia Social - SUAS, com recursos do Fundo Nacional de Assistncia Social. Instruo Normativa n. 3, publicada em 22 de setembro de 2005 - Estabelece e torna pblico os critrios para o processo seletivo de Organizaes No Governamentais, sem fins lucrativos, interessados em estabelecer Convnios de Cooperao Financeira com o Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome. EC 64 - Aprovada e promulgada pelo congresso nacional no dia 4 de fevereiro de 2010, altera o art. 6 da Constituio Federal, para introduzir a alimentao como direito social.
  • 209. ASSISTNCIA SOCIAL | PROGRAMA BOLSA FAMLIA 223 LEGISLAO DO PROGRAMA BOLSA FAMLIA Lei n 10.836/04 - Lei de criao do PBF, que estabelece, em seu Art. 9 que o controle e a participao social do Programa Bolsa Famlia sero realizados, em mbito local, por um conselho ou por um comit instalado pelo Poder Pblico municipal. Decreto n 5.209/04 - Decreto de regulamentao do PBF, que definiu a composio e as atribuies das Instncias de Controle Social Portaria GM/MDS n. 246/05 - Aprova os instrumentos necessrios formalizao da adeso dos municpios ao Programa Bolsa Famlia, designao dos gestores municipais do Programa e informao sobre sua instncia local de controle social, e define o procedimento de adeso dos entes locais ao referido Programa. Instruo Normativa SENARC n. 01/05 - Divulga orientaes aos municpios, Estados e Distrito Federal para constituio de instncia de controle social do Programa Bolsa Famlia (PBF) e para o desenvolvimento de suas atividades. Instruo Operacional SENARC/MDS n. O9/05 - Divulga instrues sobre os procedimentos operacionais necessrios formalizao da adeso dos municpios ao Programa Bolsa Famlia e ao Cadastro nico de Programas Sociais, orienta os gestores e tcnicos sobre a designao do gestor municipal do Bolsa Famlia e a formalizao da Instncia de Controle Social do Programa, e especifica a documentao a ser anexada para fins de comprovao das medidas adotadas. Instruo Operacional Conjunta SENARC/SNAS n. 01/06 - Divulga aos municpios orientaes sobre operacionalizao da integrao entre o Programa Bolsa famlia e o Programa de Erradicao do Trabalho Infantil, no que se refere insero, no Cadastro nico, das famlias beneficirias do PETI e famlias com crianas/adolescentes em situao de trabalho. Instruo Operacional n. 15/06 - Divulga aos Estados e Municpios orientaes sobre os procedimentos para credenciamento de usurios ao Sistema de Gesto de Benefcios do Programa Bolsa Famlia. Instruo OperacionalSENARC/MDSn. 22/08 - Divulga procedimentos operacionais aos municpios para acesso Central de Sistemas da Senarc. Instruo OperacionalSENARC/MDSn. 23/08 (reeditada em 19 de janeiro de 2009) - Divulga aos municpios orientaes para a substituio de Prefeito, Prefeitura, Gestor Municipal e de Instncia deControle Social (ICS) do PBF e procedimentos para alterao de seus dados cadastrais, bem comoos procedimentos para o Acesso Sistema de Gesto Integrada (SGI). Lei n. 12.058/09. Altera o art. 8o da Lei n. 10.836, de 9 de janeiro de 2004, com vistas a instituir o ndice de Gesto Descentralizada e defini-lo como critrio para a transferncia obrigatria de recursos para apoio financeiro s aes de gesto e execuo descentralizada do Programa Bolsa Famlia.

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