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BIOLOGIA E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

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PLANTAS DANINHAS: BIOLOGIA E MTODOS DE CONTROLE ..... 1. INTRODUO ............................................................................................ 2. PLANTA DANINHA ................................................................................... 2.1. Prejuzos Causados pelas Plantas Daninhas ...........................................2.1.1. Prejuzos diretos......................................................................................... 2.1.2. Prejuzos indiretos...................................................................................... 2.2. Utilidades das Plantas Daninhas ....................................................................... 2.3. Origem, Estabelecimento e Propagao das Plantas Daninhas ........................ 2.4. Classificao das Plantas Daninhas .................................................................. 2.4.1. Caractersticas prticas para reconhecimento das principais famlias de plantas daninhas......................................................................................... 2.5. Caractersticas de Agressividade das Plantas Daninhas ...................................

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3. COMPETIO ENTRE PLANTAS DANINHAS E CULTURAS ........3.1. Fatores do Ambiente Passveis de Competio ................................................ 3.1.1. Competio por gua ................................................................................. 3.1.2. Competio por luz .................................................................................... 3.1.3. Competio por CO2 .................................................................................. 3.1.4. Competio por nutrientes .........................................................................

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4. ALELOPATIA .............................................................................................4.1. Alelopatia das Plantas Daninhas Sobre as Culturas e Plantas Daninhas .......... 4.2. Alelopatia entre Culturas .................................................................................. 4.3. Alelopatia das Coberturas Mortas ....................................................................

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5. COMPETIO E PERODO CRTICO DE COMPETIO .............. 6. MTODOS DE CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS ....................6.1. Controle Preventivo .......................................................................................... 6.2. Controle Cultural .............................................................................................. 6.3. Controle Mecnico ou Fsico............................................................................ 6.4. Controle Biolgico............................................................................................ 6.5. Controle Qumico .............................................................................................

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LITERATURA CONSULTADA......................................................................

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SILVA, A.A., FERREIRA, F.A., FERREIRA, L.R.

Biologia e Controle de Plantas Daninhas

PLANTAS DANINHAS: BIOLOGIA E MTODOS DE CONTROLE 1. INTRODUOPara um leigo, o controle de plantas daninhas, usando mtodos manuais, mecnicos ou qumicos, extremamente simples. Na verdade, uma cincia multidisciplinar que depende de conhecimentos de botnica, biologia, mecanizao agrcola, fsica e qumica do solo, qumica orgnica, bioqumica, fisiologia vegetal, climatologia, fitotecnia, tcnicas de biologia molecular e sensoriamento remoto. Como toda cincia, o estudo das plantas daninhas dinmico. Novas tcnicas esto sempre sendo pesquisadas e incorporadas. Assim, com ajuda da fsica, o ultra-som, a eletricidade, as microondas e o raio laser esto sendo avaliados como futuros mtodos de controle; isoenzimas e RAPD (biotecnologia) e sensoriamento remoto tambm so teis na identificao de plantas daninhas. Muitos estudos esto sendo conduzidos em gentica, visando o melhoramento de culturas para resistncia a herbicidas; como exemplos, esto sendo desenvolvidos trabalhos objetivando a criao de cultivares de soja resistentes ao glyphosate; de milho, ao imazaquin; de arroz, ao amnio-glufosinato, etc. Todavia, toda e qualquer tcnica de manejo de plantas daninhas somente ter sucesso se for aplicada levando-se em conta conhecimentos detalhados da biologia das plantas infestantes da rea, envolvendo principalmente conhecimentos nas reas de morfologia e fisiologia. Os novos herbicidas esto cada vez mais seguros para o ambiente e o homem, sendo mais eficientes no controle de plantas daninhas especficas e com doses cada vez mais baixas. Os estudos de ecologia e da toxicologia humana e animal so conduzidos, simultaneamente, antes do lanamento de qualquer herbicida. A demanda cada vez maior de alimentos, fibras e energia, para uma populao crescente de consumidores e decrescente de produtores, destaca a importncia da eficincia do controle de plantas daninhas. Cerca de 92% da populao, na regio produtora de alimentos do Brasil, vive hoje nas cidades, e a mo-de-obra rural existente escassa e de baixa qualidade. Em razo disso, o produtor deve ser mais eficiente, ou seja, deve utilizar menos mo-de-obra para produo de maior quantidade de alimentos. Com relao aos gastos com defensivos agrcolas no Brasil, para o controle de pragas, doenas e plantas daninhas, cerca de 56% referem-se a gastos com herbicidas, representando em torno de 7% do consumo mundial (ANDEF, 1997). Em termos mdios, cerca de 20-30% do custo de produo refere-se ao controle de plantas daninhas. Em algumas culturas, como soja e cana-de-acar, esse percentual ainda maior. Devido dificuldade de se encontrar mo-de-obra no campo, no momento preciso e na quantidade necessria, alm da eficincia e, principalmente, economicidade do controle qumico, o uso de herbicidas tornou-se uma prtica indispensvel. So necessrios, entretanto, cuidados tcnicos para atingir a mxima eficincia, sem poluir o solo, a gua e os alimentos. Deve-se ressaltar que o herbicida considerado apenas uma ferramenta a mais no manejo de plantas daninhas, sendo recomendado sempre um programa de controle integrado. Neste programa, para se obter um controle que seja eficiente, econmico e que preserve a qualidade ambiental e a sade do homem, associam-se os diversos mtodos disponveis (preventivo, mecnico, fsico, cultural, biolgico e qumico), levando-se em considerao as espcies daninhas infestantes, o tipo de solo, a topografia da rea, os equipamentos disponveis na propriedade, as condies ambientais e o nvel cultural do proprietrio. Segundo Rodrigues e Almeida (1998), o controle qumico de plantas daninhas, hoje, um tpico setor de tecnologia de ponta e, por isso mesmo,

Plantas Daninhas Biologia e Mtodos de Controle

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Biologia e Controle de Plantas Daninhas

SILVA, A.A., FERREIRA, F.A., FERREIRA, L.R.

um campo no qual est muito presente o desafio maior do agronegcio brasileiro, que o de conciliar, no seu processo, os conceitos de competitividade, sustentabilidade e eqidade.

2. PLANTA DANINHADefinir planta daninha nem sempre fcil, devido evoluo e complexidade que atualmente atingiu a Cincia das Plantas Daninhas. Entretanto, todos os conceitos baseiam-se na sua indesejabilidade em relao a uma atividade humana. Uma planta pode ser daninha em determinado momento se estiver interferindo negativamente nos objetivos do homem, porm esta mesma planta pode ser til em outra situao. Como exemplos, podem-se citar espcies altamente competidoras com culturas sendo extremamente teis no controle da eroso, promovendo a reciclagem de nutrientes, servindo como planta medicinal, fornecendo nctar para as abelhas fabricarem o mel, etc. Uma planta cultivada tambm pode ser daninha se ela ocorrer numa rea de outra cultura, como a presena do milho em cultura da soja e da aveia em cultura do trigo. Por este motivo, so vrios os conceitos de planta daninha: Shaw (1956), citado por Fischer (1973), afirma que planta daninha qualquer planta que ocorre onde no desejada. Para Beal, citado por Marinis (1972), uma planta fora de lugar. Cruz (1979) salienta que uma planta sem valor econmico ou que compete, com o homem, pelo solo. Fischer (1973) apresenta duas definies: Plantas cujas vantagens ainda no foram descobertas e plantas que interferem com os objetivos do homem em determinada situao. Na verdade, num conceito mais amplo, uma planta s deve ser considerada daninha se estiver direta ou indiretamente prejudicando uma determinada atividade humana, como, por exemplos, plantas interferindo no desenvolvimento de culturas comerciais, plantas txicas em pastagens, plantas ao lado de refinarias de petrleo, plantas estranhas no jardim, etc. Numa cultura, por exemplo, qualquer planta estranha que vier a afetar a produtividade e, ou, a qualidade do produto produzido ou interferir negativamente no processo da colheita considerada daninha. Embora no se possa dizer que uma planta na sua essncia, seja daninha, pois estas, em determinadas situaes, podem ser extremamente teis, algumas tm sido consideradas plantas daninhas comuns e outras plantas daninhas verdadeiras. As comuns so aquelas que no possuem habilidade de sobreviver em condies adversas. Por exemplo, num plantio rotacional trigo/soja, as plantas de trigo que surgirem das sementes remanescentes no solo passam a ser consideradas daninhas cultura da soja. As consideradas verdadeiras possuem caractersticas especiais que permitem fix-las como infestantes ou daninhas, como: a) No so melhoradas geneticamente. b) Crescem em condies adversas. c) So rsticas quanto ao ataque de pragas e doenas. Possuem habilidade de produzir grande nmero de sementes por planta, geralmente com facilidade para disseminao pelo vento, gua, plo de animais, etc. Exemplo: Desmodium purpureum, que produz at 42.000 sementes