090819 das penas e gozos terrenos–livro iv, cap. i

Download 090819 das penas e gozos terrenos–livro iv, cap. i

Post on 11-Apr-2017

294 views

Category:

Spiritual

2 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • O LIVRO DOS ESPRITOSAmai-vos e instru-vosEsprito de verdade

  • O LIVRO DOS ESPRITOS PARTE QUARTA Das esperanas e consolaesCaptulo I - Das penas e gozos terrenosFelicidade e infelicidade relativasPerda dos entes queridosDecepes. Ingratido. Afeies destrudasUnies antipticas Temor da morteDesgosto da vida. Suicdio

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas920. Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?No, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiao. Dele, porm, depende a suavizao de seus males e o ser to feliz quanto possvel na Terra.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas921. Concebe-se que o homem ser feliz na Terra, quando a Humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso no se verifica, poder conseguir uma felicidade relativa?O homem quase sempre o obreiro da sua prpria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrar e proporcionar a si mesmo felicidade to grande quanto o comporte a sua existncia grosseira.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas923. O que para um suprfluo no representar, para outro, o necessrio, e reciprocamente, de acordo com as posies respectivas?

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativasR923. Sim, conforme s vossas ideias materiais, aos vossos preconceitos, vossa ambio e s vossas ridculas extravagncias, a que o futuro far justia, quando compreenderdes a verdade. No h dvida de que aquele que tinha cinquenta mil libras de renda, vendo-se reduzido a s ter dez mil, se considera muito desgraado. Acredita que lhe falta o necessrio. Mas, francamente, achas que seja digno de lstima, quando ao seu lado muitos h, morrendo de fome e frio, sem um abrigo onde repousem a cabea? O homem criterioso, a fim de ser feliz, olha sempre para baixo e no para cima, a no ser para elevar sua alma ao infinito.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas924. H males que independem da maneira de proceder do homem e que atingem mesmo os mais justos. Nenhum meio ter ele de os evitar?Deve resignar-se e sofr-los sem murmurar, se quer progredir. Sempre, porm, lhe dado haurir consolao na prpria conscincia, que lhe proporciona a esperana de melhor futuro, se fizer o que preciso para obt-lo.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas926. Criando novas necessidades, a civilizao no constitui uma fonte de novas aflies?Os males deste mundo esto na razo das necessidades fictcias que vos criais. A muitos desenganos se poupa nesta vida aquele que sabe restringir seus desejos e olha sem inveja para o que esteja acima de si. O que menos necessidades tem, esse o mais rico.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas927. No h dvida que, felicidade, o suprfluo no indispensvel, porm o mesmo no se d com o necessrio. Ora, no ser real a infelicidade daqueles a quem falta o necessrio?Verdadeiramente infeliz o homem s o quando sofre da falta do necessrio vida e sade do corpo. Todavia, pode acontecer que essa privao seja de sua culpa. Ento, s tem que se queixar de si mesmo. Se for ocasionada por outrem, a responsabilidade recair sobre aquele que lhe houver dado causa.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas931. Por que so mais numerosas as classes sofredoras do que as felizes?Nenhuma perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflies. O sofrimento est por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras so mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiao. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espritos bons, o homem deixar de ser infeliz a e ela lhe ser o paraso terrestre.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSFelicidade e infelicidade relativas932. Por que, no mundo, to amide, a influncia dos maus sobrepuja a dos bons?Por fraqueza destes. Os maus so intrigantes e audaciosos, os bons so tmidos. Quando estes o quiserem, preponderaro.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSPerda de entes queridos934. A perda dos entes queridos no constitui para ns legtima causa de dor, tanto mais legtima quanto irreparvel e independente da nossa vontade?Essa causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou expiao, e comum a lei. Tendes, porm, uma consolao em poderdes comunicar-vos com os vossos entes pelos meios atuais, enquanto no dispondes de outros mais diretos e mais acessveis aos vossos sentidos.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSPerda de entes queridos935. Que se deve pensar da opinio dos que consideram profanao as comunicaes com o alm-tmulo?No pode haver nisso profanao, quando haja recolhimento e quando a evocao seja praticada respeitosa e convenientemente. A prova de que assim tendes no fato de que os Espritos que vos consagram afeio acodem com prazer ao vosso chamado. Sentem-se felizes por vos lembrardes deles e por se comunicarem convosco. Haveria profanao, se isso fosse feito levianamente.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSPerda de entes queridos936. Como que as dores inconsolveis dos que sobrevivem se refletem nos Espritos que as causam?O Esprito sensvel lembrana e s saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele v falta de f no futuro e de confiana em Deus e, por conseguinte, um obstculo ao adiantamento dos que o choram e talvez sua reunio com estes.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDecepes. Ingratido. Afeies destruidas937. Para o homem de corao, as decepes oriundas da ingratido e da fragilidade dos laos da amizade no so tambm uma fonte de amarguras?

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDecepes. Ingratido. Afeies destruidasR937. So; porm, deveis lastimar os ingratos e os infiis; sero muito mais infelizes do que vs. A ingratido filha do egosmo e o egosta topar mais tarde com coraes insensveis, como o seu prprio o foi. Lembrai-vos de que o prprio Jesus foi, quando no mundo, injuriado e menosprezado, tratado de velhaco e impostor, e no vos admireis de que o mesmo vos suceda. Seja o bem que houverdes feito a vossa recompensa na Terra e no atenteis no que dizem os que ho recebido os vossos benefcios. A ingratido uma prova para a vossa perseverana na prtica do bem.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDecepes. Ingratido. Afeies destruidas938. As decepes oriundas da ingratido no sero de molde a endurecer o corao e a fech-lo sensibilidade?Fora um erro, porquanto o homem de corao, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, ser lembrado em outra e que o ingrato se envergonhar e ter remorsos da sua ingratido.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSUnies antipticas939. Uma vez que os Espritos simpticos so induzidos a unir-se, como que, entre os encarnados, frequentemente s de um lado h afeio e que o mais sincero amor se v acolhido com indiferena e, at, com repulso? Como , alm disso, que a mais viva afeio de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em dio?

  • O LIVRO DOS ESPRITOSUnies antipticasR939. Duas espcies h de afeio: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequncia tomar-se uma pela outra. Quando pura e simptica, a afeio da alma duradoura; efmera a do corpo. Da vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a iluso se desfaa.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSTemor da morte941. Para muitas pessoas, o temor da morte uma causa de perplexidade. Donde lhes vm esse temor, tendo elas diante de si o futuro?Ao justo, nenhum temor inspira a morte, porque, com a f, tem ele a certeza do futuro. A esperana f-lo contar com uma vida melhor; e a caridade, a cuja lei obedece, lhe d a segurana de que, no mundo para onde ter de ir, nenhum ser encontrar cujo olhar lhe seja de temer.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDesgosto da vida - Suicdio943. Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausveis, se apodera de certos indivduos?Efeito da ociosidade, da falta de f e, tambm, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim til e de acordo com as suas aptides naturais, o trabalho nada tem de rido e a vida flui naturalmente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais pacincia e resignao, quanto obra com o fito da felicidade mais slida e mais durvel que o espera.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDesgosto da vida - Suicdio944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?No; s a Deus assiste esse direito. O suicdio voluntrio importa numa transgresso desta lei.

    a) No sempre voluntrio o suicdio?O louco que se mata no sabe o que faz.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDesgosto da vida - Suicdio949. Ser desculpvel o suicdio, quando tenha por fim obstar a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobrea famlia?O que assim procede no faz bem. Mas, como pensa que o faz, Deus lhe leva isso em conta, pois que uma expiao que ele se impe a si mesmo. A inteno lhe atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Demais, eliminai da vossa sociedade os abusos e os preconceitos e deixar de haver desses suicdios.

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDesgosto da vida - Suicdio953. Quando uma pessoa v diante de si um fim inevitvel e horrvel, ser culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte? sempre culpado aquele que no aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existncia. E quem poder estar certo de que, malgrado s aparncias, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado no venha no ltimo momento?

  • O LIVRO DOS ESPRITOSDesgosto da vida - Suicdio957. Quais, em geral, com relao ao estado do Esprito, as consequncias do suicdio?Muito diversas so as consequncias do suicdio. No h penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre s causas que o produziram. H, porm, uma consequncia a que o suicida no pode escapar; o desapontamento. Mas,