08 pragas da soja - sua eliminao da lavoura, ... como por exemplo, a broca-das-axilas ... como o...

Download 08 pragas da soja -   sua eliminao da lavoura, ... como por exemplo, a broca-das-axilas ... como o inseto causa dano s plantas de soja e como a planta responde a este dano

Post on 03-May-2018

219 views

Category:

Documents

4 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • 73

    Pragas da Soja

    Medidas que devem ser adotadas para o controle eficiente das pragas na cultura da soja:

    - Amostre regular e sistematicamente a cultura da soja para identificar as pragas;

    - Adote medidas de controle somente onde as pragas estejam em condies que ameacem a rentabilidade atravs do dano econmico; e

    - Quando o controle necessrio, aplique a menor quantidade efetiva de pesticida usando um equipamento corretamente calibrado.

    A cultura da soja est sujeita ao ataque de pragas desde a germinao at a colheita. Neste texto, so apresentadas como pragas as espcies de insetos, caros ou outros organismos que, pela sua ocorrncia, causam danos econmicos significativos cultura e, conseqentemente, diminuem o rendimento ou a qualidade do produto final.

    Como um nico indivduo, isoladamente, pode no produzir danos que compensem sua eliminao da lavoura, no ento considerado praga. Portanto, o termo praga depende da densidade populacional do organismo em questo.

    Basicamente, por ocasio da amostragem semanal da lavoura ou da vistoria da palhada, resteva, invasoras ou rea antes da dessecao, devem ser avaliados 10

    2pontos de amostragem (1 m cada) para cada 100 hectares.As pragas de solo que exigem cuidado no incio da safra so a lagarta-rosca,

    a lagarta elasmo, os cascudinhos, o percevejo-castanho-da-raiz, os cors, a cochonilha rosada e o piolho-de-cobra. Enquanto outras pragas, como a lagarta da soja, a lagarta falsa-medideira, a lagarta enroladeira, a lagarta cabea-de-fsforo, as vaquinhas, os cascudinhos metlicos, as lesmas, o bicudinho, o grilo e o gafanhoto, dentre outras, podem causar desfolha ao longo do desenvolvimento da cultura. Alguns insetos podem danificar brotaes, hastes ou ponteiros da planta, como por exemplo, a broca-das-axilas e o tamandu-da-soja. Tambm podem ocorrer pragas que danificam as vagens e as sementes, como certas brocas, lagartas de vagens e percevejos. Os percevejos podem causar danos desde a formao de vagens at o desenvolvimento completo das sementes. Nesse grupo, dentre as espcies que ocorrem mais comumente esto: o percevejo marrom, o percevejo verde-pequeno, o percevejo barriga-verde, o percevejo-da-soja e o percevejo verde. H de se incluir, ainda, outros sugadores como a mosca-branca, o tripes, a cigarrinha-verde, o caro-rajado e o caro-branco que podem, esporadicamente ou regionalmente, ameaar o cultivo da soja.

    O conhecimento do impacto dos insetos no desenvolvimento e na produo da soja essencial para um manejo satisfatrio. Duas questes devem ser consideradas: como o inseto causa dano s plantas de soja e como a planta responde a este dano? A

    1Paulo E. Degrande2Lucia M. Vivan

    1 Professor-associado de Entomologia. Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Faculdade de Cincias Agrrias (DCA). Rodovia Dourados-Itahum, km 12. Caixa Postal 533. Bairro Aeroporto. CEP 79804-970. Dourados, MS. E-mail: degrande@ufgd.edu.br.2 Pesquisadora-doutora em Entomologia. Fundao MT. Rua Antnio Teixeira dos Santos, 1559. Caixa Postal 79. CEP 78750-000. Rondonpolis, MT. (66) 3439-4100. E-mail: luciavivan@fundacaomt.com.br.

    Tecnologia e Produo: Soja e Milho 2008/2009

    08

    8.1. Introduo

  • primeira questo requer a distino dos diferentes danos de insetos e a segunda envolve o impacto fisiolgico do dano.Muitos outros fatores podem influenciar a resposta da planta ao dano. A parte atacada da planta uma importante

    considerao. Os danos nas estruturas de produo das plantas como flores, vagens, gros ou sementes apresentam efeitos mais severos e afetam mais a produo do que os danos em razes ou folhas. Outro fator importante a fase de desenvolvimento da planta em que ocorre o dano. O ataque de pragas na fase de plntula pode ser mais severo do que na fase em que a planta est mais tolerante ao ataque e ainda possui um perodo para compensar o dano, como no caso de pragas desfolhadoras. Durante o estdio reprodutivo, perodo de formao de gros e sementes, h menos oportunidade para as plantas compensarem o dano. Conseqentemente, os danos durante o estdio reprodutivo apresentam maior efeito na produo quando comparado aos danos ocasionados nos outros estdios de desenvolvimento. Mortes de plantas que levem reduo do estande, normalmente contribuem para perdas elevadas de produtividade.

    Outro fator que altera as relaes entre o dano e a produo o ambiente, o qual inclui os fatores fsicos e biolgicos que influenciam o desenvolvimento e a produo da soja.

    A Produo Integrada de Plantas consiste em utilizar medidas preventivas e observaes das pragas no campo antes de qualquer medida direta de controle dessas pragas. A preveno ou supresso de pragas-chave deve ser embasada em algumas medidas indiretas, tais como:

    - escolha de cultivares resistentes/tolerantes;- utilizao de rotao de culturas para suprimir a populao de algumas pragas;- uso de tcnicas adequadas de cultivo como poca e densidade de semeadura, uso de lavouras-iscas na proximidade

    de focos, minimizao de risco em solos de textura muito favorvel s pragas e abandono do controle de pragas em qualquer estdio da cultura;

    - uso de adubao correta conforme anlise de solo;- preservao de reas de refgio para inimigos naturais e aumento do uso de controle biolgico para as pragas-

    chave; e- busca do fechamento da cultura atravs de cultivares ou espaamentos adequados, como forma de diminuir

    problemas com lagartas, especialmente as de vagens.Na produo integrada, as pragas devem ser monitoradas com mtodos e ferramentas adequados para determinar

    as suas populaes. O monitoramento importante para tomar a deciso da poca correta de controle em relao ao nvel de controle pelo dano econmico. Devem ser estabelecidos nveis de controle por regio antes de ser realizado o tratamento atravs de medidas diretas, sendo que as diferenas na suscetibilidade varietal, quando conhecidas, devem ser consideradas.

    Nos casos onde as medidas de proteo indireta das plantas no forem suficientes para prevenir os problemas de ataque de pragas e os nveis de controle indicarem a necessidade de interveno com medidas diretas de combate, essas devem apresentar o mnimo impacto na sade humana, nos organismos no-alvos e no ambiente.

    importante enfatizar que todos os produtos qumicos utilizados para o controle de pragas devem preencher os requisitos bsicos do conceito de boas prticas agrcolas. Para isso, o produto deve ser apropriado para o alvo, utilizado na dose recomendada pelo fabricante e obedecer ao intervalo adequado de aplicao. Tambm devem ser consideradas as toxicidades dos produtos para o homem, a seletividade aos inimigos naturais e outros organismos, o potencial de poluio para o ambiente (em especial o solo, a gua e o ar), a persistncia, o potencial de desenvolver resistncia ao alvo e a necessidade para o uso. imprescindvel o uso de tcnicas de aplicao disponveis para minimizar derivas e perdas. O modo de aplicao deve ser realizado conforme as instrues do rtulo, bem como devem ser obedecidas as condies ambientais descritas pelo fabricante. O impacto no ambiente deve ser minimizado, calculando a dose por hectare requerida para o estdio fenolgico da cultura. O intervalo de pr-colheita deve ser obedecido para minimizar resduos de produtos e, se possvel, estendido por um perodo maior para no ter problemas de resduos qumicos nos produtos comercializados.

    O equipamento de pulverizao deve estar em bom estado de uso. Estes devem ser verificados anualmente por tcnicos competentes para a correta calibrao e operao, sendo que o funcionamento adequado de cada equipamento deve ser verificado antes de cada pulverizao. Tambm se deve optar pelo uso de equipamentos que ofeream menores perdas e deriva de produtos.

    desejvel que seja utilizado produto fitossanitrio que controle com eficcia o(s) organismo(s) prejudicial(is) planta e ao mesmo tempo preserve os indivduos benficos, como os inimigos naturais. Neste aspecto, os profissionais precisam conhecer as listas de produtos seletivos para fazer a melhor seleo de produtos recomendados (Tabela 8.1).

    8.2. Produo Integrada de Plantas

    Tecnologia e Produo: Soja e Milho 2008/2009

    74

  • Tabela 8.1. Seletividade de inseticidas e acaricidas utilizados na cultura da soja com base na classificao preconizada pelo IOBC (2007), onde: N = incuo ou levemente txico; M = moderadamente txico; e, T = txico aos inimigos naturais mais abundantes.

    Ingrediente ativo(grupo qumico)

    acefato (organofosforado)

    alfa-cipermetrina (piretride)

    alfa-cipermetrina (piretride)+teflubenzurom (benzoiluria)

    Bacillus thuringiensis (biolgico - bactria)

    Baculovirus anticarsia (biolgico - vrus)

    beta-ciflutrina (piretride)

    beta-ciflutrina(piretride)+imidacloprido(neonicotinide)

    beta-cipermetrina (piretride)

    bifentrina (piretride)

    carbaril (carbamato)

    carbosulfano (carbamato)

    ciflutrina (piretride)

    cipermetrina (piretride)

    cipermetrina (piretride)+profenofs (organofosforado)

    cipermetrina (piretride)+tiametoxam (neonicotinide)

    clorfluazurom (benzoiluria)

    Acefato Fersol 750 SP

    Aquila 750 SP

    Avant 750 SP

    Orthene 750 SP

    Plenty750 SP

    Rapel 750 SP

    Fastac 100 EC

    Fastac 100 SC

    Imunit 75 + 75 SC

    Bac-Control 32 WP

    Bactur 35 WP

    Dipel 33,6 SC

    Dipel 540 WG

    Dipel 32 WP

    Ecotech Pro 72 SC

    Thuricide 32 WP

    Coopervrus 0,6% PM

    Protege 0,3 G/G WP

    Bulldock 125 SC

    Ducat 50 EC

    Full 50 EC

    Turbo 50 EC

    Connect 12,5 + 100 SC

    Akito 100 CE

    Bistar 100 EC

    Brigade 100 EC

    Brigade 25 EC

    Capture 100 EC

    Capture 120 FS

    Insemat 120 FS

    Talstar 100 EC

    Carbaryl Fersol 75 DP

    Carbaryl Fersol 480 SC

    Fenix 250 FS

    Baytroid 50 EC

    A