08 - o ultimo adeus.pdf

Download 08 - O ultimo adeus.PDF

Post on 18-Dec-2014

2.562 views

Category:

Documents

21 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

TRANSCRIPT

  • 1. O LTIMO ADEUSE OUTRAS HISTRIAS Sir Arthur Conan Doyle 1a edio
  • 2. PRE.CIO Sir Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo, a 22 de maio de 1859, deascendncia aristocrtica anglo-irlandesa. Seus pais, com poucos recursos financeiros,tiveram de fazer considerveis sacrifcios para oferecer-lhe o que, ento, se consideravauma educao condigna. Assim, como fidalgo pobre, entre colegas privilegiados, Doyleestudou nas escolas qualificadas de Hodder e Stoneyhurst; depois em colgios deJesutas, tanto na .rana, como na Alemanha. Aos dezessete anos dominava o latim e ogrego, falava fluentemente francs e alemo, alm do ingls e irlands, e adquirira umaformao metodolgica que viria a ser-lhe til como investigador e escritor. O polivalente Doyle acabou se formando em Medicina, na Universidade deEdimburgo, aps o que resolveu embarcar num veleiro, como cirurgio de bordo, parauma expedio predatria baleia, no Mar rtico. No final desta viagem, ele percorreuas costas da frica, ocidental e oriental, como mdico de um navio mercante. Em 1885, casou-se com Jane Hawkins que, vtima de uma enfermidade crnica, ficouinvlida durante muitos anos, at falecer em 1906. .oi no ano seguinte ao seu casamentoque, sempre escrevendo para a Imprensa, Doyle criou a famosa figura de Sherlock Holmes. Recordando-se do professor de Cirurgia, Dr. Joseph Bell , com o seu nariz aquilinoque lhe dava uma expresso de ave de rapina, a sua inclinao frustrada para a msicae os seus hbitos peculiares, Doyle moldou Sherlock Holmes imagem daquele mdicocom quem estudou na Enfermaria Real de Edimburgo, anexa Universidade. O Dr. Bell, com base nas autpsias, contribuiu com algumas descobertas no campo daMedicina Legal, fundamentando-as na Anatomia, na Antropometria e at na nova teoriacientfica da .renologia, correlacionando as deformaes cranianas com a Psicopatologia;e soube encantar os discpulos com as suas faculdades de anlise e deduo lgica. Assim, imitao do mestre, Doyle dedicou a ateno a alguns casos criminais, chegando,posteriormente, a ser convidado a participar de vrios inquritos policiais. Mas no foi s influncia do Dr. Bell e sim a todo um conjunto de circunstncias que se deve oseu interesse pela criminologia. Em 1807, foi criada, na Universidade de Edimburgo, acadeira de Jurisprudncia Mdica (Medicina Legal). O professor catedrtico era Sir HenryLittlejohn, Cirurgio-Chefe da Polcia daquela cidade. Embora Doyle tivesse se apaixonado pelos mtodos dedutivos e confessasse ter seinspirado no Dr. Bell ao criar Sherlock Holmes, no foi com Bell, mas sim com SirHenry Littlejohn que estudou investigao criminal e que, como seu assessor, tevevontade de ser testemunha da Coroa (Acusao) em casos de homicdio debatidos notribunal. Enquanto o personagem de Sherlock Holmes, pelo seu temperamentoidiossincrtico, no podia ser considerado encantador; o Dr. Bell, pelo contrrio, possuaum corao terno e um vivo senso de humor.
  • 3. Contriburam para a escolha do nome, Sherlock Holmes: um detetive particularchamado Wendell Scherer que ficou famoso em Londres, pois, em tribunal, se recusoua revelar o segredo de um cliente, alegando tal como os mdicos o sigilo profissional.E Wendell Holmes, o autor cuja leitura Doyle preferia. Ora, o apelido Schererassemelhava-se ao termo alemo Shearer, que significa barbeiro, assim como Sherlockna gria inglesa. Assim, a personagem que Doyle criou semelhana do Dr. Bell foibatizada com o nome de Sherlock Holmes. Na realidade, Doyle fez de Sherlock Holmes uma espcie de cavaleiro andante naluta do Bem contra o Mal, embora profissionalmente o heri apenas procurasse averdade, sobrepondo a anlise cientfica a qualquer tipo de sentimentalismo. .oi realmente pelo indiscutvel mrito de Doyle que, em 1902, o governo britnicoinduziu a Coroa a homenage-lo com um ttulo de nobreza . Outro fato significativo que altamente dignifica a obra de Sir Arthur Conan Doylereside na adoo, por parte de todas as Polcias do mundo civilizado, dos mtodos einvestigao estruturados pelo genial personagem fictcio Sherlock Holmes. Nas palavrasdo seu companheiro, Dr. Watson: (...) a deduo elevada categoria de cincia exata. Publicando no Strand Magazine a sua primeira novela, Um Estudo em Vermelho,Doyle recebeu por ela apenas 25 libras, ou seja, quinhentas vezes menos do que hoje sepaga por um exemplar dessa edio. O interesse manifestado pelo pblico ingls noparecia prometedor. Mas, um editor americano encomendou-lhe outra obra que veio ase chamar O Signo dos Quatro e que, sendo publicada em 1890, obteve um xitosurpreendente. No ano seguinte, o Strand Magazine props-lhe a edio de doze contos, e depoisoutros doze e, ento, o sucesso de Sherlock Holmes no teve limites, verificando-se aconstante procura por suas obras, no s seqentes, mas tambm anteriores, mesmo apsa morte do autor, na sua casa de Sussex, a 7 de julho de 1920, com 71 anos de idade. Mais tarde fundaram-se sociedades e clubes em vrias cidades da Europa e daAmrica, e muitos outros escritores tm feito anlise biogrfica sobre esse investigadorda Baker Street, como se este tivesse realmente existido. Atualmente, nos EstadosUnidos, o preo de cada exemplar das primeiras edies de Sherlock Holmes chega aatingir, conforme a sua raridade, 7500 dlares. Assim, a Editora Rideel lana agora a Coleo Sherlock Holmes.
  • 4. SUMRIOO ltimo Adeus ................................................................................ 7O Mistrio do Vale de Boscombe ................................................... 24O Sossego Trgico ......................................................................... 49Os Trs Garridebs ............................................................................ 64O Cliente Ilustre .............................................................................. 80O Rosto Lvido ............................................................................... 104O Homem Macaco ........................................................................ 123A Juba do Leo ............................................................................... 143
  • 5. O LTIMO ADEUS E ram nove horas da noite do dia 2 de agosto... o mais terrvel agosto da histria do mundo. J se podia imaginar que a maldio divina pendia ameaadora sobre a humanidadedegenerada, pois, na atmosfera parada e sufocante, pairava um soturnosilncio e uma vaga sensao de inquieta expectativa. O sol j se pusera,havia muito, mas uma faixa vermelho-sangue, semelhante a feridaaberta, estendia-se ainda no horizonte distante. No alto brilhavam asestrelas e, na baa, cintilavam as luzes das embarcaes. Os dois famososalemes encontravam-se junto do parapeito de pedra da alameda dojardim, de costas para a extensa casa baixa, ornada de pesados frontes,olhando para a ampla curva da praia que se desenrolava aos ps daenorme rocha calcria, sobre a qual Von Bork, como guia errante, seinstalara, quatro anos antes. Estavam de p, com as cabeas quaseunidas, e conversavam em tom confidencial. Vistas de baixo, as pontasacesas dos seus charutos pareciam os olhos flamejantes de algum espritomaligno a perscrutar as trevas. Homem extraordinrio, este Von Bork, que dificilmente encontrariaparalelo entre todos os fiis agentes do Kaiser. .oram os seus dotesparticulares que o indicaram para a misso inglesa, a mais importantede todas, e esses dotes tinham se tornado cada vez mais patentes quelesque, no mundo inteiro, se encontravam em contato direto com a verdade.Uma destas pessoas era o seu atual companheiro, o baro Von Herling,primeiro-secretrio da miso diplomtica, cujo possante Benz, de 100cavalos, atravancara a estrada, enquanto esperava o seu proprietrio, paralev-lo a Londres. A julgar pelo rumo dos acontecimentos, voc estar, provavelmente,voltando a Berlim dentro de uma semana dizia o secretrio. Quando l chegar, meu caro Von Bork, creio que ficar surpreso com oacolhimento que lhe foi preparado. Estou a par do que se pensa nasmais altas esferas a respeito de suas atividades neste pas. O secretrio era um homem gigantesco, dotado de um modo de falarpausado e persuasivo, que constitua o principal segredo do seu xito nacarreira poltica. 7 7
  • 6. Von Bork sorriu. No muito difcil engan-los observou. No se podeimaginar povo mais dcil e simplrio. Eu no diria isso respondeu o outro, pensativo. Os inglesespossuem curiosas limitaes que precisamos aprender a observar. estasimplicidade superficial que faz o estrangeiro se iludir. A primeira impressoque se tem deles de que so inteiramente flexveis. Depois, subitamente,surge em nossa frente algo muito slido e notamos que preciso adaptar-nos realidade. Eles tm, por exemplo, as suas convenes insulares, asquais, por si ss, devem ser observadas com ateno. Refere-se s regras de boas maneiras e coisas assim? suspirouVon Bork, como algum que sofrera muito. Refiro-me aos preconceitos britnicos, com todas as suas ridculasmanifestaes. Posso citar-lhe um dos meus piores descuidos... e voc conhecebem os meus xitos. O fato ocorreu na primeira vez que estive aqui. Tinhasido convidado para uma reunio de fim de semana na casa de campo deum membro do Gabinete. A co