0 internato nas escolas médicas brasileiras

Download 0 internato nas escolas médicas brasileiras

Post on 06-Jun-2015

2.212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Nos dias de hoje, quando se exige das escolas mdicas o esforo de recuperara terminalidade do Curso de Graduao em Medicina, o Internatomerece reexame crtico, por suas particularidades de estgio pr-profissional ede balano integrador das atividades curriculares precedentes. Tal reexamedeve considerar as diretrizes estabelecidas pelas prprias escolas mdicas, nareunio anual da Associao Brasileira de Educao Mdica, em 1974, e pelaComisso de Ensino Mdico do Ministrio da Educao e Cultura, em1976...

TRANSCRIPT

<p>ASSOCIAO BRASILEIRA DE EDUCAO MDICA DIRETORIA EM EXERCCIO (1980-1982) Presidente: Clementino Fraga Filho 1o Vice-Presidente: Fernando Figueira 2 Vice-Presidente: Alberto Accioly Veiga Tesoureiro: Celmo Celeno Porto Diretor Executivo: Alice Reis Rosa</p> <p>Associao Brasileira de Educao Mdica Apoio SESu/MEC</p> <p>0 INTERNATO NAS ESCOLAS MDICAS BRASILEIRAS</p> <p>1982</p> <p>Construo do instrumento:</p> <p>Dejano Tavares Sobral, FUB Alice Reis Rosa, ABEM Alice Reis Rosa Dejano Tavares Sobral Henri Eugene Jouval Jnior, ABEM Jaime Scherb, FESP Jos Luiz Cavalcanti, UFRJ Jos Manuel Ribeiro dos Santos, ABEM Keyla Belzia Marzochi, UFRJ Luiz Fernando Rangel Tura, ABEM Mrcio de Oliveira Fonseca, ABEM Nilo Galvo, UFRGS Paulo Nolasco Pedrosa, UFRJ Srgio Menna Barreto, UFRGS Alice Reis Rosa Henri Eugene Jouval Jnior Alice Reis Rosa</p> <p>Entrevistadores:</p> <p>Tabulao dos dados:</p> <p>Anlise dos dados e redao:</p> <p>SUMRIO I II III IV V VI VII VII Introduo Origem e Evoluo do Internato Metodologia Regio Norte Regio Nordeste Regio Sudeste Regio Sul Regio Centro-Oeste Comentrios Concluses Anexos 5 7 14 17 21 29 45 53 58 61 63</p> <p>INTRODUONos dias de hoje, quando se exige das escolas mdicas o esforo de recuperar a terminalidade do Curso de Graduao em Medicina, o Internato merece reexame crtico, por suas particularidades de estgio pr-profissional e de balano integrador das atividades curriculares precedentes. Tal reexame deve considerar as diretrizes estabelecidas pelas prprias escolas mdicas, na reunio anual da Associao Brasileira de Educao Mdica, em 1974, e pela Comisso de Ensino Mdico do Ministrio da Educao e Cultura, em 1976. Em 1981, estudos acerca da organizao curricular dos Cursos das escolas de Medicina do Estado do Rio de Janeiro e da Regio Sul, realizados pela ABEM, revelaram impreciso, e mesmo omisso, de dados relativos ao Internato. Este achado fez supor a persistncia de dificuldades em seu planejamento e em sua execuo, cujo xito tanto depende da integrao ensinoassistncia e, por conseguinte, da disponibilidade e da qualidade dos servios hospitalares. Acresce, ainda, que a reviso criteriosa do Internato pode levar, como resultado, ao reestudo do processo ensino-aprendizagem relativo as matrias bsicas e profissionais, tais as repercusses de sua organizao e de suas eventuais deficincias na ltima fase do Curso. Foram essas observaes que motivaram a ABEM a apresentar um projeto com o objetivo de diagnosticar as caractersticas do Internato nas escolas mdicas brasileiras e de sondar as razes que as justificam. Esse projeto mereceu o apoio da Secretaria de Educao Superior do Ministrio da Educao e Cultura, cujo atual titular, Professor Gladstone Rodrigues da Cunha Filho, desde logo pressentiu a importncia de que poder se revestir o levantamento de dados a respeito dessa etapa fundamental da formao mdica.</p> <p>ORIGEM E EVOLUO DO INTERNATO"O Internato, como etapa final do Curso de Graduao, representa aquisio recente em nossas escolas mdicas.Foi a Resoluo n 8, de 8 de outubro de 1969, do Conselho Federal de Educao, que o tornou obrigatrio como perodo especial de aprendizado. Antes eram pouqussimos os lugares de Interno oferecidos pelas faculdades oficiais, dois ou trs para cada ctedra, remunerados e com atribuies equiparveis s dos atuais monitores. Fora das escolas, havia-os em hospitais estaduais e municipais, nas Santas Casas e em servios assistenciais de ordens religiosas, onde os estudantes buscavam treinamento prtico, ou, para os mais carentes, simplesmente casa e comida, que lhes aliviavam os custos da educao superior. (...)Existia, assim, entre ns, um Internato espontneo ou informal, conforme j foi chamado, quando o aluno se ligava a um servio onde supria deficincias do ensino acadmico. Algumas dessas clnicas tinham excelentes condies de aprendizado, com elevado nvel operacional e tico. O grave defeito desse regime estava em que, muitas vezes, tais servios eram de especialidades, e at de subespecialidades, e a eles se agregavam os estudantes desde os primeiros anos do Curso Mdico. Aos poucos, sobretudo na dcada de 60, algumas faculdades ensaiaram o Internato para todos os alunos, logo tornado obrigatrio pela referida Resoluo de 1969". 1 Essa Resoluo derivou do Parecer 506/69 do Conselho Federal de Educao, cujo trecho, transcrito a seguir, ajuda a compreender as origens do Internato nas escolas mdicas brasileiras: "Permanece na ordem do dia, no Brasil e no mundo, o debate sobre quando ser mais oportuno o incio da especializao do futuro mdico, se somente na ps-graduao, ou se ainda durante o curso de graduao. E, neste ltimo caso, em qual das suas fases. Cabe a esse respeito breve comentrio sobre a evoluo da prtica do ensino mdico entre ns. At a metade da dcada de 1950, a um currculo demasiado denso correspondiam horrios que, se fossem cumpridos, ocupariam todas as horas teis do dia, todos os dias do ano ao longo de todo o curso, com aulas tericas e com prticas de demonstrao, nas quais o estudante era mero espectador, no participando ativamente dos exerccios prticos, nem das aulas de doutrina. Nenhum mdico dos que se formaram no Brasil at quela poca cumpriu seno parcela reduzidssima dos horrios oficialmente estabelecidos pelas escolas. Era praxe vincular-se</p> <p>cada estudante, desde o segundo, ou terceiro ano, a determinado servio clnico, onde, no horrio oficialmente destinado ao aprendizado terico das vrias disciplinas, procurava aprender, ou exercitar-se, nas tarefas necessrias prtica da profisso, com desconhecimento quase completo de programa escolar. Naquela poca era regra a especializao precoce. O estudante se tornava cirurgio, psiquiatra, otorrinolaringologista, sem nunca chegar a adquirir, nem mesmo superficialmente a viso global dos fenmenos mrbidos que podem incidir sobre o homem. Reagindo a esse estado de coisas, que havia criado vigorosssimas razes ao longo de muitas dcadas, dispuseram-se as escolas de Medicina, na segunda metade dos anos 50, a oferecer condies que permitissem exigir-se dos respectivos estudantes o rodzio pelas clnicas de diferentes especialidades, tornando-se, destarte, mais prtico o ensino oficial. Alterou-se profundamente a seriao das disciplinas, adotou-se o chamado "horrio em bloco", o qual pela primeira vez permitiu que os estudantes, no cumprimento de horrios oficiais, permanecessem nos ambulatrios e enfermarias tempo suficiente, sem interrupes, para cuidar de doentes. Para fugir especializao precoce que era regra, pretendeu-se, contudo, ocupar todo o Curso de Graduao com programas destinados formao do "mdico geral". Ao procurar-se evitar o exagero em um sentido, descreveu-se verdadeiro movimento pendular, cometendo-se exagero do mesmo grau em sentido oposto. A fora da prpria realidade, contrariado os horrios oficiais, mais uma vez frustrou a inteno dos educadores. Continuou a grande maioria dos estudantes, a iniciar-se numa especialidade, ainda durante o Curso de Graduao, embora mais tardiamente do que no passado. A vivncia do problema no contexto brasileiro leva-nos a acreditar que, ao fim de 4.500 horas, poder a generalidade dos nossos estudantes do Curso de Graduao haver adquirido a viso global dos problemas mdicos, mediante rodzio nos ambulatrios e enfermarias das diferentes especialidades. Nesses estgios o estudante aprender as bases tericas da especialidade e tambm participar da rotina dos vrios servios, com responsabilidade limitada, porm crescente. Integrando ainda o Curso de Graduao, e em seguida s 4.500 horas mencionadas, dever, o estudante cumprir o perodo de Internato, o qual ser total, ou parcialmente, um regime de livre escolha, isto , oferecendo-se ao aluno a faculdade de adestrar-se nas tarefas especficas abrangidas pelo gnero de atividades que ir exercer logo aps a formatura e ao longo da vida profissional".2 Nesse Parecer, "observa-se com nitidez a preocupao de transferir para o Internato a incontrolvel tendncia especializao precoce, objetivo aparentemente modesto se comparado ao que se pretende hoje, porm de grande alcance no caminhar lento e gradativo em direo ao aprimoramento. Trata-se de preservar antes de tudo a eficincia do ncleo de formao situado nos ciclos bsico e clnico, assegurando a participao de todos os estudantes nas atividades tericas e prticas dos cursos programados, antes de induzi-los ao treinamento em servio, em tempo integral, em reas pr-determinadas". 3</p> <p>Conforme j aludido, esse Parecer fundamentou a mencionada Resoluo n 8, que oficializou o Internato, de acordo com o item b de seu art. 12, verbis: "estgio obrigatrio em Hospitais e Centros de Sade adaptados ao ensino das profisses de Sade, em regime de Internato, no qual se faculte ao aluno adestrar-se, por sua escolha, nas tarefas, especficas abrangidas pelo gnero de atividade que ir exercer logo aps a formatura e ao longo da vida profissional, atribuindo-se-lhe responsabilidade crescente na assistncia ao doente, porm ainda sob a superviso do pessoal docente, compreendendo o mnimo de dois semestres".4 Registram-se, ainda, dois outros momentos importantes na evoluo do Internato: a reunio da ABEM, em 1974, e o documento n 3 da Comisso de Ensino Mdico do Ministrio da Educao e Cultura, em 1976. Do relatrio final da XII Reunio Anual da ABEM, realizada de 11 a 14 de setembro de 1974, em So Paulo, podem-se extrair as seguintes recomendaes: 1) O Internato deve ser cumprido pelos alunos que tenham satisfeitos os pr-requisitos, ou seja, tenham cursado, com aproveitamento, as disciplinas que o precedem; 2) o Internato deve ter durao mnima de 2 semestres, podendo atingir at 4; 3) o Internato deve ser rotativo, podendo haver, aps o rodzio, estgio eletivo, de preferncia em uma das reas de Clnica Mdica, Cirurgia, Tocoginecologia e Pediatria; 4) a programao do Internato deve caber a um colegiado especfico, ouvidos os departamentos; 5) o programa do Internato deve incluir atividades em projetos de extenso comunitria, reas rurais, Campus avanado, garantida a superviso docente direta, ou delegada; 6) o programa do Internato pode ser modelado pelas diferenas regionais no sendo necessariamente o mesmo para todo o Pas; 7) o Internato pode ser realizado fora dos servios subordinados s escolas mdicas, de preferncia em instituies de sade da Regio em que se situa a escola; 8) as referidas instituies de sade devem ser credenciadas pela escola mdica, para que se assegure a superviso docente; 9) a avaliao do Interno deve basear-se em medida de conhecimentos, atitudes e habilidades; 10) o Interno nao deve ser remunerado, admitindo-se a concesso de bolsas em casos especiais. 5 Quanto ao documento da Comisso de Ensino Mdico, so fundamentais a conceituao e os objetivos atribudos a essa etapa da formao mdica: "Parte integrante do currculo de graduao, o Internato o ltimo perodo do Curso Mdico, em que o estudante deve receber treinamento prtico intensivo, livre de cargas disciplinares acadmicas, em hospitais de ensino, ou instituies de prestao de ser-</p> <p>vio mdico, de modo a assumir, progressivamente, a responsabilidade do tratamento de pacientes, sob superviso docente contnua. A durao do Internato, recomendada por lei, , no mnimo, de um ano. Entretanto, e tal ocorre em algumas escolas mdicas, pode o mesmo ser feito em um e meio e at em dois anos. Os objetivos do Internato podem ser assim resumidos: a) oferecer ao estudante a oportunidade final para aumentar, integrar e aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo de seu Curso de Graduao; b)permitir melhor adestramento em tcnicas e habilidades indispensveis ao exerccio futuro de atos mdicos bsicos; c) ensejar, de maneira mais orientada e individualizada, a aquisio, ou aperfeioamento, de atitudes adequadas em relao ao cuidado dos pacientes; d) estimular o interesse nas esferas de promoo e preservao da sade, e de preveno de doenas; e) desenvolver a conscincia das limitaes e responsabilidades da atuao do mdico perante o doente, a instituio e a comunidade; f) possibilitar o desenvolvimento e o hbito de uma atuao mdica integrada, no s com seus colegas mdicos, mas, tambm, com os demais elementos que compem a equipe de sade; g)permitir experincias individuais de interao escola mdica/comunidade, atravs da participao em trabalhos extra-hospitalares, ou de campo; h) representar, por fim, o ltimo perodo deformao escolar de um mdico geral, com capacidade de resolver, ou bem encaminhar, os problemas de sade da populao, ou da Regio a que vai servir, sem prejuzo da aquisio indispensvel da noo de necessidade de permanente e continuado aperfeioamento profissional, que poder lev-lo, no futuro, at a especializao, ou docncia".6 Estabeleceu, tambm, esse documento que o Internato um regime de treinamento prtico intensivo, com carga horria global mnima de 1800 horas, sem interrupo para frias, com freqncia obrigatria s atividades, com avaliao do rendimento do Interno. Ainda a Comisso identificou as seguintes dificuldades execuo do estgio: "a) nmero exagerado de estudantes; b) nmero deficiente de docentes; c) insuficincia de reas de treinamento nas prprias escolas; d) utilizao inadequada de reas no universitrias, pela falta de acompanhamento ou superviso dos Internos pela prpria escola, segundo programa previamente estabelecido; e) falta de avaliao dos Internos pela prpria escola, ou, pelo menos, por docentes que a ela pertenam; j) falta de requisitos mnimos a serem exigidos, pelas respectivas universidades, ou escolas isoladas, dos hospitais no universi-</p> <p>trios que aceitam participar, eventualmente, do treinamento de Internos; g) desigualdade de critrios quanto remunerao, ou no, dos Internos, assim como das importncias eventualmente pagas pelas vrias instituies que o fazem; h) desateno a princpio fundamental de educao mdica, que indica a absoluta convenincia de estabelecer-se uma organizao docente tal que assegure continuidade harmnica dos vrios perodos de graduao eps-graduao de mdicos, o que vale dizer uma integrao satisfatria entre Internato, Residncia Mdica e Mestrado-Doutorado".7 Em 1981, a Diretoria da ABEM em exerccio no binio 1980-1982, que ressaltou em seu programa o estimulo ao reexame do Curso de Graduao e consecuo de sua terminalidade, deliberou promover novas discusses acerca do Internato: uma, local, entre as escolas do Rio de Janeiro; outra, regional, congregando as escolas do Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; e, finalmente, a reunio nacional, para a qual convidou cinco professores, pertencentes a escolas de cada uma das Grandes Regies do Pas. Como conseqncia, produziram-se doze documentos, cuja leitura atenta evidencia: 1) concordncia com a modalidade de Internato rotativo que, para sua organizao, deve levar em conta os propsitos do projeto educacional; os recursos e restries da escola; as necessidades de sade locais; as expectativas e aspiraes de vida profissional dos alunos; 2) recomendao para treinamento eletivo, aps o rodzio, para contemplar motivaes pessoais; permitir recuperao de deficincias individuais; permitir exposio a prticas que o Interno poder eleger, futuramente, para sua atividade profissiona...</p>