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UFRRJ

INSTITUTO DE VETERINRIA

CURSO DE PS-GRADUAO EM

CINCIAS VETERINRIAS

TESE

Distribuio e Longevidade de Larvas Infectantes

de Nematides Gastrintestinais de Caprinos

(Capra hircus) em Solo e Pastagem Irrigados e No-

irrigados no Municpio de Seropdica, RJ, Brasil

Abisair Andrade de Castro

2004

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE VETERINRIA

CURSO DE PS-GRADUAO EM CINCIAS VETERINRIAS

PARASITOLOGIA VETERINRIA

DISTRIBUIO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE NEMATIDES

GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM SOLO E PASTAGEM

IRRIGADOS E NO-IRRIGADOS NO MUNICPIO DE SEROPDICA, RJ, BRASIL

ABISAIR ANDRADE DE CASTRO

Sob a Orientao do Professor

Dr. Adivaldo Henrique da Fonseca

E Co-orientao do Professor

Dr. Laerte Grisi

Tese submetida como requisito parcial

para obteno do grau de Philosophiae

Doctor em Cincias Veterinrias, rea

de concentrao em Parasitologia

Veterinria.

Seropdica, RJ

Maro de 2004

Verificar na Biblioteca Central.

...........

.....................

Castro, Abisair Andrade

Distribuio e longevidade de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em solo e pastagem irrigados e

no-irrigados no municpio de Seropdica, RJ, Brasil. Seropdica. RJ.

UFRRJ. Instituto de Veterinria. 2004.

xv. n f: il..............................

Orientador: Adivaldo Henrique da Fonseca

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE VETERINRIA

CURSO DE PS-GRADUAO EM CINCIAS VETERINRIAS

PARASITOLOGIA VETERINRIA

ABISAIR ANDRADE DE CASTRO

Tese submetida ao Curso de Ps-Graduao em Cincias Veterinrias, como requisito

parcial para obteno do grau de Philosophiae Doctor, em Cincias Veterinrias, rea de

concentrao em Parasitologia Veterinria.

TESE APROVADA EM 25/03/2004

Adivaldo Henrique da Fonseca. Dr. UFRRJ

(Orientador)

Laerte Grisi. Dr. UFRRJ

Maria de Lurdes de Azevedo Rodrigues. Dra. UFRRJ

Dbora Henrique da Silva Anjos. Dra. UFRJ

Denise Botelho de Oliveira Braga. Dra. UFF

O temor ao Senhor o princpio da cincia... A sabedoria cousa principal: adquire pois a sabedoria; sim, com tudo o que possuis adquire o conhecimento. Exalta-a, e ela te exaltar; e abraando-a tu, ela te honrar. Dar tua cabea um diadema de graa, e uma coroa de glria te entregar. (Provrbios, 1:7; 4:7-9.)

A Deus, pois est escrito...

... sem Mim, nada podeis fazer. (Joo 15:5)

Ao meu esposo, Joo Carlos,

pelo apoio, compreenso e carinho...

Aos meus pais, Othniel e Maria Auxiliadora, cujos ensinamentos so minha maior e mais rica herana...

Dedico...

Amo vocs.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, a Deus, por ter me dado condies fsicas e psicolgicas, e ainda

por proporcionar os meios para o desenvolvimento e trmino deste trabalho.

Ao prof. Dr. Adivaldo Henrique da Fonseca pela amizade, apoio e orientao

deste estudo.

Ao pesquisador Dr. Manoel Pimentel Neto pelo carinho, amizade e orientao

na escolha do tema deste estudo.

Ao meu esposo, Joo Carlos; aos meus pais, Othniel e Maria Auxiliadora; ao

meu irmo, Asriel, a minha cunhada, Cristiane, e ao pequeno Abhner Lucas por estarem

sempre ao meu lado.

A amiga M. Sc.Erika Izaac de Ornelas por todo incentivo, apoio e ajuda na parte

inicial e ao longo deste estudo.

A amiga e futura Dra. Ctia Marques da Costa pela assistncia no cuidado com

os animais em vrias ocasies, e pelos valiosos e enriquecedores momentos

compartilhados no dia a dia.

Aos mestrandos Daniel S. Guedes Junior e Carlo J. F. Oliveira pela amizade,

disponibilidade e ajuda em vrios momentos.

Aos bolsistas de iniciao cientfica Fbio J. M. Silva e Patrcia F. Magalhes

pelo importante auxlio durante a fase final deste estudo.

A doutoranda Alessandra Scofield pela amizade e grandiosa ajuda no

processamento das imagens.

Ao tcnico de laboratrio Luiz Carlos Ribeiro da Paz e ao estagirio Andr Luis

C. de Azevedo pela amizade e toda ajuda disponibilizada em vrios momentos.

Aos demais colegas do Laboratrio de Doenas Parasitrias - Projeto Sanidade

Animal/ Embrapa: Isis Abel, Renata C. Madureira, Nathalie C. da Cunha, Luciana de

Almeida, Raquel Lisboa, Jaime da S. Pena, Fabola N. Corra, e Charles P. Rangel pela

amizade, apoio e por compartilharem de muitos momentos na realizao deste trabalho.

A professora Dra Maria de Lurdes de Azevedo Rodrigues pela amizade,

incentivo e preciosos conselhos, nos primeiros passos da minha carreira profissional.

A professora Dra. Dbora H. Anjos pela amizade desde os tempos de

graduao...

Ao professor Dr. Rafael de La Veja Rubal pelo apoio tcnico na parte estatstica

deste estudo e ao tcnico veterinrio Andrs Carrejo Hernndez pelos momentos

compartilhados na fase final deste estudo.

A Sra. Sandra Sanchez, coordenadora do setor de agropecuria do Colgio

Tcnico da Universidade Rural, por gentilmente ceder os animais para realizao do

presente estudo.

Ao Sr. Josu L. Castro, responsvel pelo setor de caprinocultura do Colgio

Tcnico da Universidade Rural, pelas orientaes prticas no cuidado com os animais.

Ao professor e qumico Wanderley M. Passos por fornecer o detergente no-

inico, utilizado neste estudo.

Ao engenheiro agrnomo Ednaldo Silva por elaborar o projeto de irrigao.

A todos os funcionrios e tcnicos do Prdio de Sanidade Animal,

PSA/Embrapa, pela amizade demonstrada ao longo do curso.

A todos os professores do Curso de Ps-Graduao em Cincias Veterinrias -

Parasitologia Veterinria, e ainda, a todos aqueles que contriburam direta ou

indiretamente na elaborao deste estudo.

Ao CNPq e FAPERJ pelo auxlio financeiro.

BIOGRAFIA

ABISAIR ANDRADE DE CASTRO, filha de Othniel Rodrigues de Castro e Maria

Auxiliadora da Silva Andrade de Castro, nasceu em 25 de maro de 1973, na cidade do

Rio de Janeiro, (R.J.) onde cursou o ensino fundamental na Escola Municipal Pracinha

Joo da Silva. Concluiu o curso normal em 1990, ao nvel de ensino mdio, no Instituto

de Educao Sarah Kubitschek.

Ingressou no curso de Cincias Fsicas e Biolgicas em 1993, na Universidade

Federal Rural do Rio de Janeiro, onde obteve os graus de Licenciatura e Bacharelado

em 1997 e 1998, respectivamente.

Foi bolsista de Iniciao Cientfica do Conselho Nacional de Desenvolvimento

Cientfico e Tecnolgico (CNPq), no perodo de 01/08/1995 a 31/12/1997, participando

de trabalhos de pesquisa no Laboratrio de Helmintologia da Estao para Pesquisas

Parasitolgicas W. O. Neitz, sob orientao da Profa Dra Maria de Lurdes de Azevedo

Rodrigues, do Departamento de Parasitologia Animal, Instituto de Veterinria, da

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Em maro de 2000, defendeu a dissertao de Mestrado, tambm sob orientao

da Dra. Maria de Lurdes de Azevedo Rodrigues, pelo Curso de Ps-graduao em

Medicina Veterinria Parasitologia Veterinria, do DPA/IB-UFRRJ; tendo sido no

mesmo ano, aprovada e matriculada para o Doutorado pelo Curso de Ps-graduao em

Cincias Veterinrias Parasitologia Veterinria, CPGCV-PV, da UFRRJ, agora sob

orientao do Dr. Adivaldo Henrique da Fonseca.

Durante o perodo acadmico registraram-se 54 publicaes cientficas, dentre

os quais nove como artigos em revistas cientficas indexadas e 45 em congressos e

eventos cientficos nacionais e internacionais. E nesta data, apresenta e defende esta tese

como requisito parcial para a obteno do ttulo de Philosophiae Doctor.

SUMRIO

Pg.

1. INTRODUO................................................................................................................... 1

2. REVISO DE LITERATURA................................................................................................. 4

2.1 TCNICAS PARA RECUPERAO DE LARVAS INFECTANTES DA PASTAGEM.............. 4

2.2 DISTRIBUIO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES NA PASTAGEM, NO

EXTERIOR......................................................................................................................

8

2.2 DISTRIBUIO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES NA PASTAGEM, NO

BRASIL..........................................................................................................................

15

2.3 ESTUDOS COM PASTAGEM IRRIGADA...................... 16

2.4 DISTRIBUIO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES NO SOLO....................... 18

3. CAPTULO I: COMPARAO ENTRE AS TCNICAS DE BAERMANN MODIFICADA E

DONALD UTILIZADAS PARA RECUPERAR LARVAS INFECTANTES DE NEMATIDES

GASTRINTESTINAIS DE RUMINANTES DA PASTAGEM............................................................

21

RESUMO............................................................................................................................... 22

ABSTRACT............................................................................................................................ 23

3.1. INTRODUO........................................................................................................ 24

3.2. MATERIAL E MTODOS......................................................................................... 25

3.2.1. LOCAL...................................................................................................... 25

3.2.2. AMOSTRAS................................................................................................ 25

3.2.3. COLETA DE DADOS.................................................................................... 25

3.2.4. DESCRIO DA TCNICA DE BAERMANN................................................... 25

3.2.5. DESCRIO DA TCNICA DE DONALD........................................................ 26

3.2.6. ANLISE ESTATSTICA............................................................................... 26

3.3. RESULTADOS E DISCUSSO................................................................................... 28

3.4. CONCLUSES......................................................................................................... 32

4. CAPTULO II: DISTRIBUIO SAZONAL E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE

NEMATIDES GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM PASTAGEM IRRIGADA E

NO-IRRIGADA....................................................................................................................

33

RESUMO............................................................................................................................... 33

ABSTRACT............................................................................................................................ 34

4.1. INTRODUO......................................................................................................... 35

4.2. MATERIAL E MTODOS.......................................................................................... 38

4.2.1. LOCAL....................................................................................................... 38

4.2.2. ANIMAIS E AMOSTRAS DE FEZES................................................................ 38

4.2.3. CLIMA....................................................................................................... 38

4.2.4. PIQUETES................................................................................................... 38

4.2.5. COLETA DE DADOS.................................................................................... 40

4.2.6. ESTIMATIVA DOS DADOS EM MATRIA SECA.............................................. 40

4.2.7. ANLISE ESTATSTICA............................................................................... 40

4.3. RESULTADOS E DISCUSSO................................................................................... 43

4.3.1. DADOS APRESENTADOS MS A MS........................................................... 49

4.3.2. DADOS APRESENTADOS EM QUATRO ESTAES......................................... 56

4.3.3.DADOS APRESENTADOS NOS PERODOS CHUVOSO E SECO........................... 59

4.4. CONCLUSES......................................................................................................... 63

5. CAPTULO III: DISTRIBUIO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE

NEMATIDES GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM SOLO E PASTAGEM

IRRIGADOS E NO-IRRIGADOS.............................................................................................

65

RESUMO............................................................................................................................... 66

ABSTRACT............................................................................................................................ 67

5.1. INTRODUO......................................................................................................... 68

5.2. MATERIAL E MTODOS......................................................................................... 69

5.2.1. LOCAL....................................................................................................... 69

5.2.2. ANIMAIS E AMOSTRAS DE FEZES................................................................ 69

5.2.3. CLIMA E SOLO............................................................................................ 69

5.2.4. PIQUETES................................................................................................... 69

5.2.5. COLETA DE DADOS.................................................................................... 69

5.2.6. ESTIMATIVA DOS DADOS EM MATRIA SECA.............................................. 70

5.2.7. ANLISE ESTATSTICA............................................................................... 70

5.3. RESULTADOS E DISCUSSO................................................................................... 73

5.3.1. DADOS APRESENTADOS MS A MS........................................................... 75

5.3.2. DADOS APRESENTADOS EM QUATRO ESTAES......................................... 79

5.3.3.DADOS APRESENTADOS NOS PERODOS CHUVOSO E SECO........................... 83

5.4. CONCLUSES........................................................................................................ 87

6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS........................................................................................ 88

LISTA DE FIGURAS

FIGURAS Pg.

1. Tcnica de Baermann processando gramnea.................................................................. 27

2. Etapas da tcnica de Donald; A - incio da etapa de lavagem; B - clices de

decantao; C - funis de separao.................................................................................

27

3. Nmero total de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de bovinos, por

kg/pasto, recuperadas pelas tcnicas de Baermann e Donald..............................................

31

4. A coletor plstico cortado em forma de bisel recebendo glicerina para facilitar a

coleta; B amostras de fezes sendo coletadas diretamente do reto com auxlio de

coletor..................................................................................................................................

39

5. A - Piquetes de experimento; A () piquete no-irrigado, A com amostras; B ()

piquete irrigado, B com amostras....................................................................................

39

6. Coprocultura, tcnica utilizada para obteno de larvas infectantes. () Setas

indicam as L3 migrando pela parede do copo de vidro.......................................................

42

7. Larvas infectantes encontradas no presente estudo. So respectivamente: A e B:

extremidade anterior e posterior de Trichostrongylus sp.; C e D: extremidade anterior e

posterior de Haemonchus sp. e E e F: extremidade anterior e posterior de

Oesophagostomum sp..........................................................................................................

44

8: Curvas grficas dos nmeros de L3/kg de pasto de Trichostrongylus, Haemonchus e

Oesophagostomum, apresentados esquerda, em matria seca (ms) e direita, em

matria verde (mv)..............................................................................................................

46

9: A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos entre

os piquetes A, no-irrigado e B, irrigado. B. Longevidade de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos entre os piquetes A, no-irrigado e B,

irrigado................................................................................................................................

47

10. Pastagens: A Amostra no piquete A, no-irrigado; B. Amostra no piquete B, irrigado 48

11: Estimativa do nmero de fmeas, do nmero de ovos por gnero, distribuio de

larvas por kg/ms nos piquetes A e B, para Trichostrongylus e Haemonchus.....................

50

12: Dados climticos. Distribuio por ms, do nmero larvas infectantes de

Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum por Kg/ms e seus respectivos

dados transformados, em Seropdica..................................................................................

52

13: Dados climticos. Longevidade por ms, do nmero larvas infectantes de

Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum em semanas e seus respectivos

dados transformados, em Seropdica..................................................................................

53

14: A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos em

quatro estaes. B. Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de

caprinos em quatro estaes. (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5%

de probabilidade.)................................................................................................................

57

15. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, em quatro estaes, obtidos na Estao experimental da

Pesagro-Rio, Seropdica, RJ................................................................................................

58

16. A. Distribuio nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, expressos nmero de L3/Kg matria seca e em logaritmo do

nmero de L3. B. Longevidade nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos expressos em semanas e seus respectivos dados

transformados em logaritmo (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5%

de probabilidade.).................................................................................................................

60

17. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, nos perodos chuvoso e seco, obtidos na Estao

experimental da Pesagro-Rio, Seropdica, RJ.....................................................................

61

18. Trado, equipamento utizado para coleta de solo. () Seta indica o comprimento de

10cm; limite de profundidade utilizada no experimento......................................................

72

19. Etapas da tcnica de Baermann, utilizada para processamento de amostras do solo.

A funis com gua destilada aquecida; B amostras de solo sendo processadas..............

72

20. A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no

pasto e solo, expressos em nmero de L3/Kg de matria seca e em Kg de solo. B.

Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no pasto e

solo, expressos em semanas. (Letras, minsculas, distintas diferem ao nvel de 5% de

probabilidade.).....................................................................................................................

74

21. A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no

pasto, expressos em nmero de L3/Kg de matria seca e em logaritmo do nmero de L3.

B. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo,

expressos em nmero de L3/Kg e em logaritmo do nmero de L3 (Letras, minsculas,

idnticas no diferem ao nvel de 5% de probabilidade.)....................................................

76

22. A. Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no

pasto, expressos em semanas e em logaritmo do nmero de semanas. B. Longevidade de

larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em

semanas e em logaritmo do nmero de semanas (Letras, minsculas, idnticas no

diferem ao nvel de 5% de probabilidade.)..........................................................................

77

23. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, obtidos na Estao experimental da Pesagro-Rio, Sero., RJ.

78

24. A. Distribuio, nas quatro estaes, de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos nmero de L3/Kg matria seca e em

logaritmo do nmero de L3. B. Distribuio, nas quatro estaes, de larvas infectantes

de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em nmero de L3/Kg

matria seca e em logaritmo do nmero de L3 (Letras, minsculas, idnticas no

diferem ao nvel de 5% de probabilidade.)..........................................................................

80

25. A. Longevidade, nas quatro estaes, de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em semanas e em logaritmo do nmero

de semanas. B. Longevidade, nas quatro estaes, de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo do nmero

de semanas (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de

probabilidade.).....................................................................................................................

81

26. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, em quatro estaes, obtidos na Estao experimental da

Pesagro-Rio, Seropdica, RJ...............................................................................................

82

27. A. Distribuio nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos nmero de L3/Kg matria seca e em

logaritmo do nmero de L3. B. Distribuio nos perodos chuvoso e seco, de larvas

infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em nmero de

L3/Kg matria seca e em logaritmo do nmero de L3 (Letras, minsculas, idnticas no

diferem ao nvel de 5% de probabilidade.)..........................................................................

84

28. A. Longevidade, nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em semanas e em logaritmo do nmero

de semanas. B. Longevidade, nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo

do nmero de semanas (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de

probabilidade.).....................................................................................................................

85

29. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, nos perodos chuvoso e seco, obtidos na Estao

experimental da Pesagro-Rio, Seropdica, RJ.....................................................................

86

LISTA DE TABELAS

TABELAS Pg.

1: Nmero das amostras, nmero total e mdia de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de Haemonchus sp e Oesophagostomum sp, recuperadas pelas

tcnicas de Baermann e Donald, 21 e 28 dias aps o depsito.......................................

29

2: Nmeros mdios de larvas infectantes de Trichostrongylus e Haemonchus

recuperadas; perodo de sobrevivncia por ms e seus respectivos valores

transformados.................................................................................................................

51

xvii

RESUMO

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribuio e Longevidade de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em pastagem no municpio

de Seropdica, RJ, Brasil. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese Doutorado em

Cincias Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

O conhecimento do grau de contaminao das pastagens por larvas infectantes de

trichostrongildeos muito til aos propsitos epidemiolgicos. Pode-se determinar o

risco de infeco dos animais e fornecer dados para o estabelecimento de programas de

controle integrado. Assim este estudo foi elaborado em trs partes: a primeira diz

respeito a um estudo comparativo entre duas tcnicas para recuperar larvas infectantes

da pastagem. Para isto, seis amostras de fezes naturalmente infectadas foram

depositadas a campo. Aps 21 e 28 dias ao depsito, amostras de gramnea foram

coletadas e processadas pelas tcnicas propostas. A anlise estatstica demonstrou que

no houve diferena significativa entre os resultados. Assim, as duas tcnicas podem ser

utilizadas para recuperao de larvas infectantes da pastagem.

A segunda parte refere-se a distribuio sazonal e longevidade de larvas infectantes em

pastagem irrigada e no-irrigada. Amostras de vegetao, dos dois piquetes, no-

irrigado A, e irrigado B, foram examinadas a cada 14 dias pela tcnica de Donald,

durante maio/01 a abril/03. Os resultados indicam que as condies ambientais foram

favorveis ao desenvolvimento e longevidade de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos. Os gneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram em

praticamente todos os meses. Trichostrongylus mostrou maior longevidade e

Haemonchus foi o mais abundante. O sistema de irrigao pareceu ser favorvel

longevidade de Haemonchus e Oesophagostomum, no entanto no mostrou influncia

positiva no aumento de nmero de larvas no pasto. A ocorrncia de Oesophagostomum

e Cooperia foi rara e inexistente, respectivamente.

A ltima parte aborda a distribuio e longevidade de larvas no solo e pastagem irrigada

e no-irrigada. Assim, amostras de solo e vegetao no-irrigada e irrigada foram

examinadas a cada 14 dias durante o perodo de outubro/02 a setembro/03. Amostras de

solo e vegetao foram processadas usando as tcnicas de Baermann e Donald,

respectivamente. Os resultados mostram que as larvas de helmintos foram capazes de

migrar para o solo, considerando este um refgio s condies adversas. No entanto, a

distribuio e longevidade indicaram a irrelevante importncia epidemiolgica deste

habitat. A vegetao foi o habitat eleito pelas larvas. O sistema de irrigao no

favoreceu a migrao de larvas para o solo.

Palavras-Chave: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp.,

vegetao, irrigao, solo, epidemiologia, ruminantes.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi UFRRJ (Co-orientador) e

Fbio B. Scott UFRRJ.

18

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribution and longevity of infective larvae of goats

(Capra hircus) gastrointestinal nematodes in pastures on borough Seropdica, RJ,

Brazil. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis Doctor Science at Cincias Veterinrias,

Parasitologia Veterinria)

The knowledge of trichostrongyle infective larvae population level present on the pastures

is useful for epidemiological purposes. It enables to estimate parasitic risk for animals and

supply data to set up integrated control programs. This paper was elaborated in three parts:

first, a comparative study between Baermann and Donald techniques was accomplished for

the recovery of ruminants gastrointestinal nematodes infective larvae from pasture. To

develop the assay, six fecal samples naturally infected were placed on lawn. After 21 and

28 days, pastures samples were collected and processed for each proposed technique. The

statistic analysis showed that there is no significant difference between the results. Thus,

both techniques can be used to recover infective larvae from pasture.

The second part, refers to the seasonal distribution and longevity of goats gastrointestinal

nematodes infective larvae in irrigated and non-irrigated pastures. Thus, pasture samples at

two plots non-irrigated, A and irrigated, B were examined every 14 days for Donalds

technique between mai/01 at april/03. The results indicate that environment conditions were

favorable to development and longevity of nematode infective larvae. The genus

Trichostrongylus and Haemonchus were present on all mouths. Trichostrongylus showed

more longevity and Haemonchus was more density. The irrigation system seems to be

favorable for the longevity of Haemonchus and Oesophagostomum infective larvae.

However, it did not have a positive influence on the increase of infective larvae number in

pasture. The Oesophagostomum and Cooperia occurrence was scarce and non-existent,

respectively.

The last part refers to distribution and longevity nematodes infective larvae in soil and

herbage irrigated and non-irrigated. Soil and pastures samples at two plots non-irrigated

and irrigated were examined every 14 days during october/02 at september/03. The soil and

herbage samples were processed using Baermann and Donald techniques, respectively. The

results showed that helminthes larvae were able to migrate for soil, that is considered a

refuge from the environment adverse condition. However, the distribution and longevity

indicate the low epidemiological importance of this niche. Pastures was the elected habitat

for the larvae. The irrigation system was not favorable to migration of infective larvae for

the soil.

Keywords: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., pastures,

irrigation, soil, epidemiology, ruminants.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Advisor), Laerte Grisi UFRRJ (Co-advisor) e Fbio B.

Scott UFRRJ.

1

1. INTRODUO

O rebanho caprino da regio sudeste do Brasil, calculado em 196.924 animais,

segundo o ANUALPEC (2001), representa a segunda maior regio em nmero de

animais, e em sua grande maioria constitudo basicamente para uma pecuria de

subsistncia. Os caprinos so considerados como importante fonte de alimento

fornecendo carne, leite principalmente para pequenos criadores nas reas tropicais de

todo mundo (DEVENDRA, 1981).

Os nematides gastrintestinais parasitos de caprinos constituem-se em um dos

fatores relevantes para o comprometimento da sade e conseqentemente da

produtividade em detrimento da verminose sub-clnica e morte dos animais

(REINECKE, 1970; ALLOMBY & URQUART, 1975). Eles possuem ciclo de vida

similar, com exceo do gnero Oesophagostomum que apresenta fase tissular. As

fmeas adultas colocam ovos que so conduzidos juntamente com as fezes ao meio

exterior. Estes eclodem e desenvolvem-se em larvas de primeiro estgio, L1, e em

seguida em larvas de segundo estgio, L2. Elas so rabdiformes e se alimentam de

microorganismos do interior das fezes. De acordo com ROSE (1960) as massas fecais

funcionam como um reservatrio e a pastagem, como veculo mais importante na

transmisso da parasitose. A larva de terceiro estgio, L3, a infectante e migra das

fezes, indo a maioria para a vegetao, e uma pequena parte para o solo. Estas no se

alimentam e podem viver dias ou meses dependendo da espcie do nematide e das

condies ambientais (LEVINE, 1980). Ao serem ingeridas por hospedeiros

susceptveis, tornam-se adultas.

Durante o ciclo evolutivo, os estgios pr-parasticos de nematides

gastrintestinais no meio ambiente sofrem influncia de uma srie de fatores tais como:

temperatura, precipitao pluviomtrica, umidade, luz solar, evaporao, oxignio, tipo

de solo e pastagem (REINECKE, 1970). O desenvolvimento das larvas no pasto

depende basicamente da temperatura e da disponibilidade de umidade. Em geral, o

desenvolvimento dos estgios de vida livre realado pelo aumento da temperatura,

porm o tempo de sobrevivncia diminui. A faixa de temperatura tima para o

desenvolvimento parece ser entre 200C e 300C. Temperaturas extremas acima de 35-

400C, assim como temperaturas baixas so geralmente prejudiciais a todos os estgios

2

de vida livre e ovos; porm a larva infectante geralmente mais resistente que outros

estgios (GIBBIS, 1973). Segundo este mesmo autor, fatores do microambiente,

incluindo tipo de solo e densidade da vegetao, tambm podem ter importante papel da

migrao das larvas. Assim como perodo pr-patente e a fecundidade das fmeas destes

nematides. FITZSIMMONS (1970), em seu extenso trabalho de reviso, agrupou

alguns gneros de helmintos de pequenos ruminantes como Haemonchus, Ostertagia,

Cooperia e Trichostrongylus como helmintos de ciclo de vida curto, tendo vrias

geraes por ano, enquanto Nematodirus, e Oesophagostomum aqueles com ciclo de

vida longo, tendo somente uma ou duas geraes por ano. Segundo GIBBIS (1973), a

capacidade de ovopositar das fmeas destes helmintos relacionada com o controle da

sua respectiva populao notvel: a baixa taxa de produo de ovos de Nematodirus,

50 a 100 ovos por fmea adulta, compensada pela habilidade de seus estgios de vida

livre sobreviverem no pasto durante os meses do inverno. A alta capacidade de

ovopostura de Oesophagostomum, 3000 ovos por fmea adulta, justificada, pois

longo o perodo pr-patente e h uma relativa susceptibilidade de seus estgios de vida

livre s condies ambientais.

Para estudar a distribuio e sobrevivncia dos estgios pr-parasticos de

tricostrongildeos no ambiente, os mtodos para recuperao de L3 na pastagem ganham

uma grande importncia (DURIE, 1959). Vrias tcnicas tm sido testadas por vrios

pesquisadores para isolar larvas de nematides de diferentes meios onde as larvas

existem. A tcnica mais bem conhecida e mundialmente utilizada a de Baermann

(CORT et al. 1922). Outras tcnicas foram descritas como TAYLOR, 1939; KAUZAL,

1940; DINABURG, 1942. DONALD (1967) descreveu sua tcnica e obteve excelentes

percentuais de recuperao de L3 da pastagem. Alguns pesquisadores tm utilizado esta

tcnica como mtodo apropriado para suas pesquisas (VIANA, 1999; PIMENTEL

NETO et al., 2000; ALMEIDA, 2003). Segundo LANCASTER (1970) importante

estabelecer a tcnica que ser utilizada, comparando um mtodo com outro, com a

finalidade de padronizar a rotina, pois o valor da estimativa de larvas na vegetao e sua

relao com estudos epidemiolgicos indiscutvel.

O crescente conhecimento da biologia e epidemiologia de nematides

gastrintestinais de bovinos e ovinos tm contribudo para controle e conseqentemente

com o aumento da produtividade. No entanto, pouco se conhece sobre a dinmica

populacional de nematides gastrintestinais de caprinos, no ambiente (CHARLES,

1989). Poucos dados tambm existem sobre a influncia da irrigao sobre a

3

transmisso de larvas infectantes de tricostrongildeos (STEWART & DOUGLAS,

1938; FURMAN, 1944). A introduo do sistema de irrigao pode mudar a

epidemiologia do parasitismo interno de nematides, segundo afirmaram GRUNER et

al. (1989). BULLICK & ANDERSEN (1978) nos E. U. A. mostraram o positivo efeito

do sistema de irrigao sobre o desenvolvimento e sobrevivncia de H. contortus.

Informaes a respeito do ambiente sobre o desenvolvimento dos estgios de

vida livre de nematides de ruminantes de fundamental importncia, pois a partir da,

pode-se desenvolver medidas estratgicas e tticas de controle, objetivando um manejo

prtico ou combate direto s formas pr-parasticas (KRECEK et al., 1991). Existem

poucas informaes disponveis sobre a influncia de solos tropicais albergando larvas

infectantes de nematides (LYAKU et al. 1988). Na realidade existe uma grande

controvrsia a respeito deste fato. Alguns autores afirmam que o solo pode atuar como

reservatrio de larvas infectantes, assim como as fezes, onde num ambiente

desfavorvel, as L3 migrariam a determinadas profundidades para se protegerem. E

num momento seguinte, quando as condies ambientais estivessem favorveis

migrariam de volta a superfcie, recontaminando a pastagem (KAUZAL, 1941; REES,

1950; AL SAQUUR et al. 1982; GRUNER et al. 1982; CALLINAN & WESTCOTT,

1986). Por outro lado, existem outros autores que discordam deste fato, pois em seus

trabalhos, recuperaram poucas larvas do solo (ANSERSEN et al. 1970, ROSE &

SMALL, 1985).

O presente trabalho foi elaborado tendo como base os seguintes objetivos:

avaliar mtodos para recuperar L3 da pastagem; estudar a distribuio e longevidade de

larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos em pastagem irrigada e

no-irrigada, bem como no solo. O trabalho foi didaticamente dividido em trs

captulos. No primeiro trata-se da escolha da tcnica para recuperao de larvas da

vegetao; o segundo, sobre a distribuio sazonal e longevidade de L3 na vegetao

irrigada e no-irrigada durante dois anos e o terceiro captulo mostra o estudo de

distribuio e longevidade de L3 no pasto e solo, em rea irrigada e no-irrigada.

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2. REVISO DE LITERATURA

2.1. Tcnicas para recuperao de larvas infectantes da pastagem

Em 1917 foi descrita por Baermann a primeira tcnica para isolar larvas de

nematides do solo, a qual era basicamente constituda por um funil de vidro, com

borracha de ltex presa sua parte posterior e fechada com uma pina. Dentro do funil

um tamis com malha de 1mm coberto com pano, onde a amostra era colocada.

Primeiramente o funil era completado com gua destilada esterilizada at borda, em

seguida a amostra era mergulhada em gua. Esta tcnica foi detalhadamente descrita por

CORT et al. (1922); onde os autores testaram o efeito de vrias modificaes para

recuperar larvas de ancilostomdeos do solo: temperatura da gua (acima de 120C), tipos

de substratos (mido/seco), tamanhos das amostras (grandes/pequenas), tempo de

recuperao (seis horas ou mais). Eles registraram que mesmo nas melhores condies

para a obteno de larvas, a taxa de recuperao foi alta, porm muito varivel.

Utilizando-se a modificada tcnica de Baermann segundo CORT et al. (1922),

com acrscimo de um nmero conhecido de larvas de ancilostomdeos, em 100mg de

amostras de diferentes tipos de solos, STOLL (1923), recuperou entre 90 a 95% de

larvas do hmus, constitudo basicamente de vegetao em vrios estgios de

decomposio; 80% de larvas da areia e entre 33 a 50% de larvas do solo argiloso.

CORT et al. (1926), usaram rotineiramente gua a 450C, e observaram que de 1900-

3750 larvas de Ancylostoma e Necator colocadas em lotes de 200g de areia mida,

recuperaram uma taxa de 58% de larvas, depois de 24 horas.

MNNING (1930) testando esta tcnica em amostras de fezes e diferentes tipos

de solos, para recuperao de larvas de Trichostrongylus sp, Haemonchus contortus e

Oesophagostomum columbianum, registrou excelentes resultados comparados queles

de CORT et al. (1922) com larvas de ancilostomdeos. Seus melhores resultados foram

provenientes de amostras de solo e com a utilizao de pequenos funis com cerca de

6cm de dimetro.

A tcnica de Baermann testada para recuperar larvas infectantes, L3, de

estrongildeos, a partir de nmero de L3 conhecido em 40mg fezes estreis de eqinos,

resultou em baixos nmeros de larvas, tendo os mesmos alta variao (PARNELL,

1936).

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O primeiro registro da utilizao da tcnica de Baermann para recuperar larvas

infectantes das pastagens, foi descrito por TAYLOR em 1939 embora suas pesquisas a

campo tenham sido iniciadas anteriormente. A nova adaptao da tcnica consistia na

lavagem e sedimentao de grandes quantidades de vegetao variando de 300 a 500g,

cortadas em zig-zag. Em seguida, as amostras eram tamisadas por papel filtro e a

subseqente separao das larvas do sedimento era realizado pelo funil de Baermann. A

ineficincia do mtodo e a perda de larvas durante a separao foi reconhecida pelo

autor.

Vrias modificaes tcnica de Baermann, para avaliar a sua eficcia em

recuperar larvas de H. contortus e Trichostrongylus spp. tambm foram sugeridas por

KAUZAL (1940). Ele fez vrios testes associando o tamanho do funil quantidade de

amostra e concluiu que, apesar, de um maior nmero de larvas ter sido recuperado

quando se utilizou gua a temperatura ambiente, os mesmos foram baixos e variaram

muito. Dois anos depois, DINABURG (1942) testou novamente a eficincia da tcnica

para recuperar L3 de H. contortus de amostras de solo e fezes, e tambm observou sua

alta variao: com o tipo de material utilizado, o substrato em questo, o nmero inicial

de larvas, concluindo assim, sua ineficincia.

O mtodo de flutuao, denominado assim por CROFTON (1954), foi

desenvolvido para recuperar larvas infectantes da vegetao. As amostras eram

umedecidas, onde se adicionava lentamente uma soluo saturada de sulfato de zinco

(ZnSO4) que permanecia por cinco minutos. Em seguida, as amostras eram tamizadas.

No entanto, seus resultados no foram satisfatrios.

O uso de lavagens da vegetao, seguido por centrifugaes e adio de soluo

por diferena de densidade, para separar L3 do sedimento proveniente da centrifugao,

foi primeiramente descrito por PARFITT (1955). Ele trabalhou com grandes

quantidades de pastagem e no teste de sua tcnica, quando adicionou um nmero

conhecido de L3 na vegetao, foi observado uma taxa de recuperao em torno de

43%.

A modificada tcnica de Baermann foi utilizada para recuperar os estgios de

vida livre de nematides tricostrongildeos das pastagens por ROHRBACHER Jr.

(1957), o qual adicionou gotas de detergente no-inico, a faixa de 0.5ml por litro. O

procedimento resultou no aumento do nmero de larvas recuperadas da vegetao. No

entanto, o autor concluiu que, os percentuais de recuperao foram baixos; indicando

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que a estimativa do nmero de larvas presentes no pasto, por esta tcnica inspirava

cautela.

Tendo como objetivo estudar a distribuio e sobrevivncia dos estgios pr-

parasticos de tricostrongildeos no pasto, DURIE (1959), criou uma outra tcnica para

recuperar larvas da vegetao, uma vez que at aquele momento a tcnica mais

utilizada, Baermann, juntamente com as outras novas tcnicas apresentavam baixa

eficincia. Embora sua contribuio tenha sido considervel, a tcnica era constituda

por um equipamento muito complexo. Trabalhando com grandes quantidades

individuais de amostras, sua tcnica conseguiu recuperar a taxa mdia de 74 a 78% de

larvas do pasto e solo, respectivamente.

Visando o estudo da freqncia e distribuio de L3 de tricostrongildeos em

amostras de pastagem ao acaso, DONALD (1967), desenvolveu uma nova tcnica para

recuperar larvas de pequenas amostras, 25 a 35g, da pastagem. A tcnica consistia

basicamente em vrias lavagens das amostras de vegetao, com a utilizao de

detergente no-inico, duas centrifugaes e separao das L3 do sedimento por

ressuspeno do mesmo em soluo de iodeto de potssio a 1.63 molar. A avaliao

quanto a eficincia da tcnica mostrou que seu desempenho foi independente da

quantidade de larvas presentes; podendo a mesma recuperar de 90% 94% das larvas

no pasto.

Para estimar o nmero de larvas na vegetao ao longo do dia, HEATH &

MAJOR (1968), utilizaram ovinos fistulados.

Depois da tcnica descrita por Donald, outras tcnicas surgiram, baseadas no

mesmo princpio tendo na realidade poucas modificaes e apresentando pequenas

diferenas no percentual de recuperao de L3 da pastagem (BAWDEN, 1969;

LANCASTER, 1970).

Uma nova e minuciosa avaliao foi proposta e testada por TODD Jr. et al.

(1970), com o objetivo de comprovar a eficcia da tcnica de Baermann; pois eles

consideravam trabalhosas e de alto custo as tcnicas at ento desenvolvidas, mesmo

algumas demonstrando altos percentuais de recuperao de larvas. Os autores ento,

avaliaram o efeito do tempo, tipo de filtro, temperatura, soluo, iluminao, tamanho

do funil, peso e comprimento da gramnea, peso e tipo de solo sobre o nmero de larvas

recuperadas. Diante dos resultados os autores concluram que a tcnica de Baermann era

uma ferramenta til para determinar o nmero relativo de larvas presentes no meio

examinado, se a mesma fosse utilizada com cautela.

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SMEAL & HENDY (1972) propuseram uma tcnica de recuperao de larvas,

onde o objetivo era trabalhar vrias amostras simultaneamente, otimizando o tempo. O

mtodo usado por esses autores para separar larvas da vegetao foi baseado na tcnica

de Donald. No entanto, o mecanismo elaborado para separao das larvas do sedimento

do pasto era extremamente complexo, exigindo muitos equipamentos. Oito anos depois,

uma nova tentativa na elaborao de tcnica para recuperar larvas da pastagem foi

idealizada, visando que a mesma tivesse uma alta taxa de recuperao, trabalhasse com

grandes amostras, fosse rpida e de baixo custo. Surgia ento a tcnica descrita por

YOUNG & TRAJSTMAN (1980) onde os princpios da tcnica de Donald, eram

preservados, em termos das lavagens da vegetao e utilizao de iodeto de potssio

para separao das larvas do sedimento. No entanto, alguns ajustes permitiram que o

tamanho das amostras fosse maior, sem, contudo perder a eficcia, em torno dos 94%.

No ano seguinte, outras inovaes surgiam como tentativa de aperfeioamento

dessas tcnicas: inclusive a utilizao de mquinas de lavar, para a fase inicial de

processamento, onde as gramneas eram lavadas. Esta referida tcnica foi sugerida por

BRGER (1981). Apesar da taxa mdia de recuperao, em torno de 60%, os resultados

mostraram uma boa correlao entre a taxa de quantificao larval e o total da carga

parasitria em bezerros traadores, indicando que a leitura das larvas no pasto, refletia o

risco de contaminao dos hospedeiros.

CHIEJINA (1982) utilizou os princpios da tcnica de Baermann, e com o

volume coletado, resultante desta primeira etapa, fez lavagens por meio de

centrifugaes e ressuspendeu o sedimento em soluo saturada de sulfato de magnsio.

O autor recomendou este procedimento para rotina da estimativa de populao de L3 no

pasto, pois se tratou de mtodo simples, sem a exigncia de grandes equipamentos e o

mesmo foi considerado relativamente eficaz.

Vrios mtodos foram descritos para avaliar a concentrao de larvas no pasto.

Prvios estudos (WALLER et al., 1981; CABARET et al., 1982) quela poca,

indicavam que poderia haver correlao entre a quantidade de larvas no pasto e a carga

parasitria de nematides no hospedeiro. A fim de se confirmar essa hiptese

GETTINBY et al. (1985), compararam duas tcnicas: de um lado a recuperao de L3

da pastagem, seguindo a conhecida tcnica de Baermann e de um outro lado, a tcnica

de fstula esofagiana. Posteriormente introduziram animais traadores no local do

experimento. As observaes dos autores confirmaram a existncia de correlao

positiva entre o nmero de larvas no pasto e a carga parasitria dos hospedeiros. Com as

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mesmas intenes MARTIN et al. (1990) no sul da Austrlia, formularam uma

modificada tcnica para recuperar L3 da pastagem, seguindo os princpios de Donald e

compararam com os resultados de animais traadores. Os autores observaram que

existia correlao entre os dois mtodos; e a medida que aumentavam o nmero de

animais traadores, aumentava tambm a correspondncia entre os mtodos,

confirmando a correlao positiva de larvas na pastagem com a carga parasitria de

nematides no hospedeiro herbvoro.

ESYKER & KOOYMAN (1993) fizeram adaptaes tcnica descrita por

JORGESEN (1975) para recuperar larvas de Dictyocaulus viviparus da pastagem, e a

testaram com a original para recuperar larvas de tricostrongildeos da vegetao fezes.

Os autores observaram a melhor eficincia para tcnica original com larvas da

pastagem. A tcnica utilizava 200 a 500g de vegetao e toda a fase inicial era muito

parecida com a tcnica de Donald. Os autores tambm comentaram a falta de

padronizao de tcnicas nessa rea e sugeriram que os pesquisadores no s

escolhessem determinada tcnica mais tambm testassem e comparassem.

Com o objetivo de avaliar o efeito do tempo a partir do momento de coleta da

pastagem at o trmino total do processamento, para recuperar L3 da vegetao FINE et

al. (1993) elaboraram um estudo onde comprovou-se a importncia do tempo de

processamento. Para isto, os autores basearam seus estudos na tcnica de Baermann. Os

resultados mostraram que as taxas de recuperao declinavam a medida que o tempo de

processamento aumentava.

COUVILLION (1993) em seu trabalho de reviso enfatizou a padronizao da

tcnica escolhida pelo perodo de observao, e tambm, argumentou a importncia da

estimativa do nmero de larvas infectantes na vegetao como um importante estudo

adjunto a epidemiologia de nematodioses gastrintestinais.

2.2. Distribuio e longevidade de larvas infectantes na pastagem, no exterior

As pesquisas sobre ecologia de larvas de nematides em pastagens foram

iniciadas por TAYLOR em 1938. Ele contaminou artificialmente pastagens com larvas

de tricostrongildeos e observou que no incio, a mortalidade das larvas foi alta, mas

depois houve uma contaminao residual e as larvas foram encontradas nas pastagens

por um perodo de at 133 dias ou 19 semanas. A partir deste trabalho, muitos outros

foram feitos em diferentes regies do mundo. Pde-se ento, observar a influncia

climtica determinando as diferenas na permanncia de larvas nas pastagens, nas

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estaes do ano. O clima tambm determina as espcies presentes e/ou predominantes

em cada regio. As condies ambientais sobre a migrao de larvas de

tricostrongildeos para a vegetao foram estudadas por ROGERS (1940). O autor

registrou que a umidade do solo quando apresentou-se acima de 85%, favoreceu a

migrao de larvas para a vegetao; e que a espcie H. contortus foi a mais ativa em

altas temperaturas. Nos Estados Unidos, DINABURG (1944) contaminou

artificialmente as pastagens com larvas de H. contortus e verificou que nos meses do

vero e inverno as condies foram desfavorveis para a sobrevivncia das larvas.

DOLL & HULL (1948) tambm trabalhando nos Estados Unidos, com larvas de

tricostrongildeos, encontraram L3 de H. contortus, Cooperia spp. e Oesophagostomum

spp., sendo que somente as larvas de H. contortus foram encontradas na pastagem at

trs meses aps o incio do experimento.

No Qunia, DINNIK & DINNIK (1958) trabalharam com fezes de caprinos

experimentalmente infectados com larvas de H. contortus, e verificaram que o

desenvolvimento, dos estgios pr-parasticos foram favorecidos quando a temperatura

do ar alcanou a mdia das mximas de 23.30C ou mais, e a mdia das mnimas de

12.20C; com precipitao pluviomtrica de 25.4mm. Esses mesmos autores, em 1961,

continuaram seus estudos: eles contaminaram artificialmente as pastagens com H.

contortus em diferentes pocas do ano. No perodo quente e seco constataram que a

sobrevivncia mxima das larvas foi de cinco semanas, sendo o mais curto observado

durante o experimento. No perodo frio, as larvas sobreviveram por um perodo muito

maior, 14 semanas. Nesse perodo a temperatura e a umidade foram mais baixas,

havendo presena de nvoa durante a noite e orvalho pelas manhs. O perodo chuvoso

apresentou dados intermedirios entre o seco e o frio. As larvas que ficaram em lugares

sombreados e em vegetao mais densa, tiveram o perodo de sobrevivncia maior. As

que permaneceram em exposio solar direta e em pastagens menos densa,

sobreviveram por menos tempo.

O tempo e o clima na dinmica das larvas de nematides de ruminantes foram

discutidos por LEVINE (1963), nos Estados Unidos, o qual definiu como tempo o

conjunto de condies climticas num determinado momento. J o clima foi definido

como a soma destas condies climticas em um perodo mais longo. Desta forma, o

clima indicaria quais os nematides mais provveis de serem identificados num

determinado local e o tempo determinaria as variaes destes parasitos. Portanto, o

clima seria responsvel por estabelecer uma situao abrangente, enquanto que o tempo

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determinaria as mincias. O autor comentou ainda, que as condies de tempo poderiam

tomar caractersticas diferentes de um ano para outro. Com relao aos gneros

Cooperia e Trichostrongylus, descreveu que estes foram mais resistentes na fase larval

do que os gneros Oesophagostomum e Haemonchus.

Na ndia, TRIPATHI (1966), observando a ocorrncia dos nematides

gastrintestinais de caprinos, baseado na eliminao de ovos, citou que os maiores

ndices ocorreram durante a estao chuvosa, e que a temperatura e umidade foram

fatores essenciais para o desenvolvimento de ovos e larvas. Durante a estao quente, a

baixa produo de ovos foi provavelmente devida alta temperatura e baixa umidade,

que favoreceu a dessecao e destruio de ovos e larvas na pastagem.

Num levantamento helmintolgico realizado por McCULLOCK &

KASIMBALA (1968) na Tanznia, em 227 caprinos, os autores identificaram os

seguintes parasitos: H. contortus, T. colubriformis, O. columbianum, B.

trigonocephalum, C. pectinata, C. punctata, T. ovis. Os autores comentaram que os

fatores climticos exerceram notvel influncia sobre as cargas parasitrias, pois

verificaram que B. trigonocephalum apresentou uma ocorrncia bastante baixa,

chegando a zero, nas regies de baixa precipitao pluviomtrica anual; enquanto que

H. contortus apresentou seu pico na poca das chuvas. Afirmaram ainda, que o clima

representou um fator de pouca importncia nas infeces por T. colubriformis e O.

columbianum. Em 1970, esses mesmos autores, aps observarem a importncia

econmica e a distribuio dos principais nematides gastrintestinais em rebanhos

examinados durante um ano, citaram as seguintes ocorrncias: H. contortus 68%, T.

colubriformis 84%, O. columbianum 71%, B. trigonocephalum 32.5%, C. pectinata

1.3%.

Em um estudo sobre a distribuio sazonal de larvas de Haemonchus sp. obtidas

de culturas de fezes de caprinos, TRIPATHI (1970a) constatou que a maior recuperao

foi observada no final do perodo chuvoso e a menor durante a poca quente ou seca. Os

resultados obtidos indicaram que a temperatura elevada aliada alta umidade favoreceu

o desenvolvimento das larvas e que o aumento ocorrido nas culturas de larvas na

estao chuvosa foi devido infeco adquirida pelos hospedeiros no incio deste

perodo. Em um outro estudo, TRIPATHI (1970b), registrou a maior predominncia

para os gneros Strongyloides, Haemonchus, Trichostrongylus, Oesophagostomum e

raramente Cooperia, durante a estao das chuvas. Observou-se que o perodo seco ou

quente foi desfavorvel ao desenvolvimento e sobrevivncia das larvas no ambiente.

11

A prevalncia dos principais nematides gastrintestinais de caprinos foi estudada

na Nigria, onde se observou a presena de H. contortus, T. colubriformis, O.

columbianum, sendo tambm rara a presena de nematides do gnero Cooperia

(FABIYI, 1970). Um levantamento sobre helmintos parasitos de animais domsticos,

VASQUEZ & MARCHINARES (1971) citaram que gneros como Haemonchus,

Ostertagia, Trichostrongylus e Oesophagostumum so encontrados parasitando

caprinos.

Atravs de um estudo sobre variao sazonal dos nematides de caprinos na

Nigria, FABIYI (1973), observou que os aumentos de infeco ocorriam na estao

mida ou das chuvas e que estas condies ambientais pareciam favorecer o

desenvolvimento e sobrevivncia das fases pr-parasticas. Altas contagens de

Haemonchus e Strongyloides foram obtidas na poca das chuvas e de Gaigeria,

Oesophagostomum e Trichostrongylus s ocorreram no final desta estao.

BAKER (1975), na Califrnia, citou que H. contortus, T. colubriformis, T. axei e

O. circumcincta so as mais importantes espcies parasitas de caprinos. Relatou,

tambm, que entre os elementos necessrios para o completo desenvolvimento dos

estgios pr-parasticos esto a temperatura e a umidade como essenciais; destacou que

a confeco de bioclimatogrficos regionais auxiliam no controle dos nematides

gastrintestinais.

Em seu trabalho de reviso sobre o desenvolvimento e sobrevivncia de larvas

de H. contortus e T. colubriformis, LEVINE & TODD (1975), deram nfase aos fatores

ambientais e destes, estabeleceram que a temperatura e umidade eram os mais

importantes. Observaram que poucas larvas de H. contortus sobreviveram no inverno, e

que as mesmas permaneceram por mais tempo na primavera e menos no vero. Ao

contrrio T. colubriformis sobreviveu bem no inverno; e que o outono foi a melhor

poca para a sobrevivncia de ambas espcies. Os autores comentaram que as larvas de

H. contortus apresentaram maior resistncia quando submetidas a repetidas dessecaes

do que as de T. colubriformis.

Os parmetros de desenvolvimento e sobrevivncia de H. contortus foram

estudados na Nigria por um perodo de um ano. Observou-se que o desenvolvimento

de ovos a L3 foi dentro de uma semana nos meses de maio a outubro, com exceo do

ms de agosto; e que o maior perodo de sobrevivncia destas larvas foi de 63 dias, nove

semanas a partir do ms de setembro. Os autores concluram que a precipitao

pluviomtrica foi o fator mais importante, influenciando o desenvolvimento e a

12

sobrevivncia da L3; pois para o desenvolvimento de ovo a L3, registrou-se mdia

diria de 3mm ou mais. E para o tempo de sobrevivncia das larvas verificou-se que

quando a chuva caa uniformemente por um perodo, prolongava-se a permanncia das

larvas no pasto (OKON & ENYENIHI, 1977).

Para acompanhar a dinmica populacional dos estgios de vida livre de

nematides gastrintestinais de caprinos, numa regio de clima tropical, AUMONT &

GRUNER (1989) contaminaram piquetes com ovos de helmintos, durante a estao

chuvosa e seca. O acompanhamento de cada depsito durou 56 dias, oito semanas. Eles

recuperaram larvas de Haemonchus e Trichostrongylus e observaram que as larvas

surgiram na vegetao sete a 14 dias depois do depsito. A longevidade das larvas na

vegetao foi de 49 a 56 dias, sete a oito semanas. Os autores comentaram que houve

uma marcante diminuio na taxa de ecloso de ovos e do desenvolvimento de L3 com

algumas paradas na ecloso dos ovos de Trichostrongylus, na estao seca.

Consideraram que os eventos climticos e o fato da vegetao apresentar-se seca

durante o pastoreio, foram fatores importantes, parecendo interferir na dinmica

populacional das formas de vida livre destes helmintos.

A variao sazonal da populao de nematides gastrintestinais de caprinos, na

vegetao foi estudada por RAHMAN & COLLINS (1990), na Austrlia. Eles

verificaram que o perfil do grfico de disponibilidade de larvas no pasto foi paralelo

quele de temperatura e precipitao pluviomtrica, sugerindo que os picos de L3

ocorreram quando a temperatura e a disponibilidade de umidade foram consideradas

timas. O gnero predominante foi Trichostrongylus, seguido por Haemonchus e

Ostertagia. A alta proporo de larvas de Haemonchus em culturas de fezes foi

observada durante os meses do vero.

O desenvolvimento e sobrevivncia de larvas infectantes de H. contortus e T.

colubriformis foram estudadas em pastagens tropicais na Austrlia. Piquetes foram

mensalmente contaminados com fezes de caprinos, naturalmente infectados. As duas

espcies de larvas desenvolveram-se bem durante todo o ano na estao mida e

esporadicamente na estao seca. A contagem de larvas apresentou-se negativa depois

de nove semanas de contaminao, entre setembro e maro; porm a longevidade

aumentou durante a estao fria de abril a agosto (BANKS et al. 1990).

CONNOR et al. (1990) investigaram aspectos epidemiolgicos e possveis

mtodos de controle para helmintoses em caprinos naturalmente infectados, ao sul da

Tanznia. Durante a estao chuvosa, contagens de ovos apresentaram-se altas e depois

13

caram permanecendo baixas durante a estao seca. O tratamento anti-hemntico

mostrou-se eficiente quando administrado aps as chuvas, demonstrando que o

tradicional programa de aplicao de anti-helmnticos pode ser uma importante base

para controles rotacionais.

Um programa de rotao de pastagens para combater nematides gastrintestinais

de caprinos, em ambiente tropical chuvoso foi estabelecido por BARGER et al. (1994).

Os autores observaram que, a partir da contaminao de ovos de H. contortus, T.

colubriformis e O. columbianum mensalmente durante um ano, o desenvolvimento e

sobrevivncia das L3 foi rpido e contnuo, com um perodo curto para a longevidade

no pasto, de trs a sete semanas. Estes resultados indicaram que um sistema rotacional

com 10 piquetes para pasto poderia, ser utilizado com a seqncia de rotao de 3.5 dias

para cada piquete. Este tempo permitiria a reduo no tratamento de anti-helmnticos

em caprinos.

A contaminao da pastagem por larvas infectantes de tricostrongildeos de

caprinos, foi avaliada durante a estao seca, nas ilhas francesas de Guadalupe. Os

autores observaram que a contaminao diminuiu significativamente na estao seca,

porm mantiveram-se em nveis considerados importantes (SIMON et al. 1996).

Com o objetivo de estudar a capacidade de cabras leiteiras desenvolverem

resposta a H. contortus e T. colubriformis depois de um prvio contato, HOSTE &

CHARTIER (1998), elaboraram um estudo e observaram que a resposta desenvolvida

foi incapaz de limitar a populao de nematides, podendo haver repercusses

patofisiolgicas e conseqncias na produo.

DIALLO (1998) estudou comparativamente a dinmica sazonal de nematides

gastrintestinais nos pequenos ruminantes, ovinos e caprinos, na frica, com base na

liberao de ovos. Os resultados mostraram que os ovinos apresentaram um nvel de

infeco maior que os caprinos e que todos os animais foram infectados ao longo de um

ano predominantemente pelos gneros Haemonchus, Oesophagostomum,

Trichostrongylus, Cooperia e Gaigeria e ainda, que houve uma marcante reduo nas

intensidades desses parasitos durante a estao seca. O pico de intensidade ficou

registrado entre maio e setembro que coincidiu com a mxima anual de precipitao e

umidade. Dessa forma o autor estabeleceu os melhores perodos para interveno com

anti-helmnticos: no fim da estao seca, maio; incio da estao seca, novembro e no

meio do inverno, agosto.

14

A relao entre o nmero por ovos de grama de fezes, o.p.g., e carga parasitria

nos caprinos foi estudada por MORALES et al. (1998). Os autores observaram que

houve uma correlao positiva e que o aumento do o.p.g. estava associado presena de

H. contortus e O. columbianum; enquanto a reduo do o.p.g. estava associada com a

presena de Trichostrongylus sp.

No nordeste da frica foi conduzido um estudo com helmintos de pequenos

ruminantes. Os autores observaram que os gneros predominantes foram Haemonchus,

Oesophagostomum, Trichostrongylus e Strongyloides e que, os ovinos apresentaram-se

mais parasitados do que os caprinos. Os autores comentaram ainda a importncia de um

estudo epidemiolgico para estabelecer um efetivo mtodo de controle

(TCHOUMBOUE et al. 2000). Na Grcia, para um estudo sobre a flutuao estacional

de nematides gastrintestinais de caprinos, BOUGAS & THEODORIDIS (2000)

sacrificaram cerca de 268 animais ao longo de dois anos e observaram que nematides

como H. contortus, T. colubriformis, Nematodirus filicollis e Chabertia ovina foram

continuamente encontrados durante todo o perodo enquanto que C. curticei, e N.

helvetianus foram encontrados esporadicamente.

Um estudo sobre a atuao dos helmintos gastrintestinais sobre a produo de

caprinos no Qunia, mostrou que a contagem de ovos no grupo tratado com anti-

helmnticos permaneceu baixa enquanto que no grupo controle houve um aumento

gradual durante o perodo de estudo. A contagem esteve alta durante a curta estao

chuvosa. O grupo controle perdeu peso durante a estao seca e num grande esforo,

houve um certo crescimento no curto perodo chuvoso. J grupo tratado manteve seu

peso na estao seca e melhorou durante a estao chuvosa (GITHIGIA et al. 2001). A

patogenicidade de H. contortus em caprinos foi estudada durante as diferentes estaes

do ano por LAHA et al. (2001). Eles observaram que os maiores percentuais de infeco

foram durante a estao chuvosa.

Na Etipia, os efeitos ambientais sobre a dinmica sazonal da liberao de ovos

por helmintos gastrintestinais de caprinos foram avaliados por um perodo de um ano. O

gnero Haemonchus foi o mais prevalente seguindo por Strongyloides e

Trichostrongylus. A liberao de ovos no ms de julho foi significativamente diferente

que nos outros meses exceto no ms de junho. Os resultados mostraram que infeces

mistas so comuns em caprinos. As altas contagens de ovos coincidiram com a estao

das chuvas. Dessa forma o uso de medicamentos devem ser usados antes e depois da

estao das chuvas como uma estratgia til para o controle das helmintoses

15

gastrintestinais (DEBELA, 2002). Na ndia, BHOJANE et al. (2002) observaram que

infeces por Haemonchus e Strongyloides em caprinos foram altas e que infeces por

Oesophagostomum foram baixas; e comentaram ainda, que a estao do ano tem um

significante efeito sobre o parasitismo.

2.3. Distribuio e longevidade de larvas infectantes na pastagem, no Brasil

No estudo sobre a incidncia de helmintos de caprinos procedentes da Bahia,

GRISI (1975) registrou a presena e os seguintes valores para os perodos de chuva e

seca, respectivamente: H. contortus, 85.79% e 58.82%, T. colubriformis, 61.22 e

37.25% O. columbianum, 61.22% e 54.90% e C. curticei, 4.08% e 0%, dentre outros.

CAVALCANTI (1974) pesquisando a prevalncia estacional de nematides

gastrintestinais de caprinos procedentes de trs zonas fisiogrficas do Estado de

Pernambuco, verificou que a intensidade do parasitismo foi maior nos lotes de animais

trabalhados na estao das chuvas do que nos lotes distribudos na estao de estiagem.

As espcies encontradas parasitando caprinos foram: H. contortus, T. colubriformis, O.

columbianum, Strongyloides, B. trigonocephalum sendo as trs primeiras mais

prevalentes e as que ocorreram com mais intensidade.

Utilizando caprinos traadores para estudar a prevalncia sazonal de nematides

gastrintestinais de caprinos, no Estado de Pernambuco, CHARLES (1989) notificou que

as espcies mais prevalentes foram H. contortus, S papillosus e O. columbianum.

Verificou tambm que a carga parasitria foi considerada alta durante a ltima estao

chuvosa e incio da seca (maro-junho) e que a mesma apresentou-se baixa no meio da

estao chuvosa (janeiro-fevereiro). A contaminao dos animais traadores ocorreu

principalmente em meados da estao chuvosa e no princpio da estao seca (janeiro-

junho).

Em um estudo conduzido no nordeste brasileiro, foi observada a evoluo de

nematides gastrintestinais de caprinos. Os autores concluram que a idade dos caprinos

no pareceu ser um fator de resistncia aos nematides gastrintestinais, embora a carga

parasitria, dos animais com 11 a 12 meses de idade, tenha sido significativamente

maior que nos grupos com outras idades; sendo as espcies mais prevalentes em ordem

decrescente: T. colubriformis, H. contortus e O. columbianum (SILVA et al. 1998).

A variao sazonal de nematides gastrintestinais de pequenos ruminantes foi

estudada no semi-rido nordeste brasileiro por AROSEMENA et al. (1999). Os autores

observaram que a prevalncia desses nematides foi maior nos caprinos e que as

16

espcies predominantes foram H. contortus e T. axei. A dinmica sazonal da carga

parasitria apresentou-se de forma diferente nos ovinos e caprinos, porm a prevalncia

foi considerada baixa para os dois hospedeiros no incio da estao chuvosa (janeiro,

fevereiro e maro).

Em Seropdica, PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo) estudaram a

distribuio das helmintoses pulmonares e gastrintestinais em caprinos traadores. Os

autores verificaram que H. contortus foi o nematide mais abundante na pastagem

durante todo perodo, sugerindo uma possvel competio com T. colubriformis. Em

ordem decrescente os autores relataram os helmintos mais prevalentes: H. contortus,

54.6%, T. colubriformis, 41% e Oesophagostomum, 2%. Registraram o achado

espordico de Cooperia.

2.4. Estudos com pastagem irrigada

Com a necessidade de aumentar a produtividade de pequenos ruminantes em

pocas de estiagem, surgiram os programas de irrigao e com estes os primeiros

estudos sobre a ecologia de nematides gastrintestinais em pastos irrigados, pois a

freqente irrigao parecia favorecer o desenvolvimento e sobrevivncia de larvas na

vegetao (STEWART & DOUGLAS, 1938). Outros estudos confirmando esta hiptese

foram realizados, FURMAN (1944), BULLISK & ANDERSEN (1978).

Um estudo sobre a incidncia sazonal de tricostrongildeos em pastos irrigados

foi realizado no sul da frica, por HORAK & LOUW (1977). Eles observaram que H.

contortus foi a espcie mais prevalente e que o pico de sua carga parasitria foi

registrado nos meses de janeiro - maio. Trichostrongylus sp. apresentou-se com maior

freqncia em abril agosto. O registro de O. columbianum foi considerado espordico.

Na Califrnia, a ocorrncia sazonal de nematides gastrintestinais de ruminantes

em pasto irrigado, mostrou que o sistema influencia na ecologia dos tricostrongildeos

(BAKER et al. 1981).

URIARTE et al. (1985) investigou a distribuio de tricostrongildeos em

sistema de pastos irrigados no nordeste da Espanha. Eles concluram que esse sistema, o

qual foi um pouco diferente dos tradicionais, pois nesse era permitido o alagamento da

rea, no favoreceu aos tricostrongildeos.

O efeito da irrigao no desenvolvimento e sobrevivncia de L3 de caprinos foi

estudada em Guadalupe, nas ilhas francesas. Segundo os autores a irrigao

proporcionou condies favorveis ao desenvolvimento dos ovos em larvas. A proposta

17

de rotao de pastagem com 28-35 dias poderia minimizar o crescente risco de infeco

dos caprinos devido irrigao (GRUNER et al. 1989). Em um estudo in vitro, sobre a

migrao horizontal de L3 de tricostrongildeos, os autores observaram que em

gramnea irrigada o mximo em termos de distncia que a larva pde alcanar foi de

21cm da amostra fecal HOLASOV et al. (1989).

No estudo realizado por KRECEK et al. (1991) para avaliar os efeitos

ambientais sobre a ecologia das fases de vida livre de nematides de ruminantes,

verificou-se o efeito do tempo ao longo do dia; a sazonalidade e o tipo de extrato:

vegetao e solo sobre a disponibilidade de larvas de Haemonchus em pastos irrigados,

no sul da frica. Houve diferena significativa nos resultados apresentados entre as

estaes, no tipo de extrato e na interao estao com extrato. No entanto, no foi

registrado diferena significativa no nmero de larvas quantificadas ao longo do dia. Os

autores tambm verificaram que larvas de Haemonchus foram recuperadas em maior

nmero no vero e outono e que o nmero de larvas recuperadas na vegetao foi maior

que o recuperado no solo. Neste mesmo ano, REINECKE & LOWN (1991) estudam

uma forma de controle das nematodioses de ovinos em pastagens irrigadas, associando

anti-helmnticos com trocas estratgicas de rebanhos de ovinos por bovinos. Os bezerros

permaneciam no piquete de dezembro a fevereiro o que seria relativo a estao do

outono; j os ovinos eram introduzidos em junho e permaneciam at a primavera, no

ms de agosto.

Os efeitos do microclima sobre L3 de H. contortus e H. placei em pastos

irrigados foram estudados por KRECEK et al. (1992). O efeito da temperatura foi

similar para as duas espcies. medida que a temperatura aumentava, o nmero de L3

no pasto aumentava; o mesmo foi registrado com relao umidade relativa.

De acordo com REINECKE et al. (1994), infeco macia por Trichostrongylus,

Haemonchus e Ostertagia foi adquirida por ovinos depois de um vero com sistema de

irrigao, no sul da frica.

A epidemiologia de nematides gastrintestinais de bovinos foi estudada em duas

reas: irrigada e no-irrigada, no Zimbbue, frica. Foi observado que durante a estao

seca, o nmero de larvas apresentou-se baixo nos pastos irrigados. H. contortus

sobreviveu nesta estao como L4 inibida. O desenvolvimento de L3 no pasto coincidiu

com pico de liberao de ovos na estao das chuvas (MOYO et al. 1996).

O potencial de reas irrigadas favorece a pastagem e pode ser usada como

estratgia contra os problemas climticos aumentando a produtividade de ruminantes

18

nas condies do Mediterrneo. No entanto, esse sistema favorece grandemente a

contaminao com nematides, os quais limitam o desenvolvimento e

conseqentemente baixam a produtividade. VALDERRABANO et al. (2000) sugeriu

que esse sistema fosse associado a controles estratgicos de anti-helmnticos. Seu estudo

mostrou que essa hiptese vivel.

CARMICHAEL & BIEN (2002) estudaram o sistema de irrigao no vero da

Austrlia para aumentar a produtividade de ovinos, observando tambm as helmintoses.

Eles relataram que invernos e primaveras antecedidos por veres irrigados poderiam ser

estaes altamente arriscadas para a contaminao dos animais, embora o sistema

favorecesse o desenvolvimento da vegetao, aumentando a produtividade.

Depois de quatro anos de observaes sobre a ecologia das larvas de

tricostrongildeos em pastos irrigados, no sul da frica, WYK et al. (2003) concluram a

que a necessidade da utilizao de anti-helmnticos foi baixa no final do inverno e

primavera.

2.5. Distribuio e longevidade de larvas infectantes no solo

Os resultados dos trabalhos de TAYLOR (1938, 1939) estimularam a

investigao da populao de larvas infectantes no solo, pois na primeira publicao

Taylor afirmou que houve uma contaminao residual e no segundo o autor descreveu a

tcnica por ele utilizada, que originariamente foi descrita para recuperar larvas do solo.

KAUZAL (1941) considerando, ento que ovos e larvas de nematides poderiam

sobreviver por longos perodos e que o mesmo poderia servir como reservatrio para

futuras contaminaes da vegetao, quando as condies ambientais fossem

favorveis; iniciou seu estudo examinando vegetao e solo para determinao do

nmero de larvas infectantes de nematides. O autor concluiu que examinando apenas a

vegetao para estimar o nmero de L3 de H. contortus no foi suficiente. Em seu

experimento o mximo de larvas recuperadas da vegetao foi de 16%, enquanto que no

solo foi de 75%. Ele comentou que as considerveis flutuaes no nmero de larvas

presentes no solo e vegetao podem ser correlacionadas com as condies ambientais.

Os resultados tambm mostraram que a recuperao de larvas na vegetao

dependente da quantidade de gramnea, pois essa cobertura vegetal pode possibilitar

boas condies e proteger as larvas.

CROFTON (1948) estudou a distribuio de larvas na vegetao, no solo e na

regio superficial solo, a uma polegada de profundidade, durante um ano. Ele observou

19

que nos meses quentes, junho, julho e agosto a maioria das larvas foram encontradas na

vegetao, depois no solo e por fim na regio superficial. J nos meses de abril, maio e

setembro, o maior nmero de larvas foi encontrado na regio superficial e poucas na

vegetao e solo. O autor concluiu que a distribuio de L3 pode ser explicada sem

referncias ao geotropismo.

A superfcie do solo, 5mm de camada, e a vegetao adjacente foram avaliadas

quanto distribuio de larvas por REES (1950), ao longo do dia durante um ano.

Observou-se que a maioria das larvas foram encontradas na vegetao, mas houve

registro de larvas na superfcie do solo.

ANDERSEN et al. (1970) recuperaram poucas larvas do solo. Eles concluram

que as larvas migram diretamente dos pellets para a vegetao e que as poucas L3

encontradas no solo eram provenientes da lavagem da gramnea ou da rota de migrao

para a vegetao.

A ecologia de Trichostrongylus axei foi estudada por CALLINAN (1978). Ele

encontrou 66% das larvas na vegetao em comparao ao solo. No ano seguinte

resultados semelhantes foram registrados para a espcie T. vitrinus CALLINAN (1979).

A capacidade de migrao das larvas foi estudada por FINCHER & STEWART

(1979). Eles enterraram fezes contaminadas, alguns dias depois comearam a recuperar

larvas da vegetao. Os autores observaram que as L3 foram capazes de migrar a partir

de 12,5cm de profundidade.

Em um estudo sobre a migrao de larvas de Ostertagia em vegetao e em

camadas do solo, observou-se que as L3 foram recuperadas em todas as ocasies de

anlise a pelo menos 15cm de profundidade. Este estudo sugeriu a possvel migrao

das larvas para o solo durante o inverno, reemergindo na primavera e vero (AL

SAQUR et al., 1982).

A distribuio de tricostrongildeos no solo foi estudada a campo. Os autores

observaram que no final do inverno as larvas puderam migrar da superfcie a 40cm ou

mais de profundidade. Eles afirmaram que esta migrao pode ter sido em decorrncia

do carreamento pela gua; associando a migrao das L3 para o solo com a oferta de

gua no ambiente (GRUNER et al., 1982).

ROSE & SMALL (1985) coletaram durante um ano amostras de vegetao e

solo de rea utilizada como pastoreio para ovinos. Pouqussimas larvas foram

recuperadas do solo, no entanto, um nmero considervel foi recuperado da vegetao.

Na segunda parte deste estudo, os autores enterraram a 10cm de profundidade, fezes

20

com L3 de Trichostrongylus vitrinus e fizeram coletas da vegetao adjacente. Os

resultados indicaram que as larvas migraram para a vegetao, restando poucas no solo.

Os autores concluram que o solo pode ser um reservatrio para L3.

A distribuio de tricostrongildeos na vegetao e no solo foi estudada em

condies de temperatura e umidade controladas por CALLINAN & WESTCOTT

(1986). Eles recuperaram em mdia oito vezes mais larvas do solo do que na pastagem.

Concluram, ento que o solo um importante reservatrio de larvas.

A longevidade de lavas infectantes de tricostrongildeos foi estudada em

diferentes tipos de solos tropicais por LYAKU et al. (1988). Eles observaram que larvas

de Cooperia e Oesophagostomum sobreviveram at nove semanas nos solos e que

Haemonchus e Trichostrongylus sobreviveram at trs.

HOLASOV et al. (1989) estudaram a migrao de tricostrongildeos. Os

achados deste estudo mostraram que as larvas foram recuperadas esporadicamente do

solo a uma profundidade de 2cm e que somente uma nica vez larvas de Ostertagia

foram recuperadas a 7cm de profundidade.

3. CAPTULO I

21

COMPARAO ENTRE AS TCNICAS DE BAERMANN MODIFICADA E DONALD

UTILIZADAS PARA RECUPERAR LARVAS INFECTANTES DE NEMATIDES

GASTRINTESTINAIS DE RUMINANTES DA PASTAGEM.

RESUMO

22

CASTRO, Abisair Andrade de. Comparao entre as tcnicas de Baermann

modificada e Donald utilizadas para recuperar larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de ruminantes da pastagem. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese

Doutorado em Cincias Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

A estimativa de densidade de larvas na vegetao usada em estudos epidemiolgicos

para determinar as variaes sazonais ou mensais de contaminao da pastagem cm

larvas infectantes de tricostrongildeos, e com isso estabelecer o risco de infeco dos

hospedeiros. Sendo assim, um estudo comparativo entre as tcnicas de Baermann e

Donald, foi realizado para recuperao de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de ruminantes da pastagem. Para o desenvolvimento do estudo, seis

amostras de fezes naturalmente infectadas foram depositadas a campo. Aps 21 e 28

dias ao depsito, amostras de gramnea foram coletadas e processadas pelas tcnicas

propostas. A anlise estatstica demonstrou que no houve diferena significativa entre

os resultados. Assim, as duas tcnicas podem ser utilizadas para recuperao de larvas

infectantes da pastagem.

Palavras-Chave: recuperao de larvas, vegetao, bovinos, Haemonchus sp.,

Oesophagostomum sp.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi UFRRJ (Co-orientador) e

Fbio B. Scott UFRRJ.

23

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Comparison between modified Baermann and

Donald techniques used for the recovery of gastrointestinal nematode infective

larvae from pasture. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis Doctor Science at

Cincias Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

Estimates of the density of larvae on herbage are used in epidemiologic studies to

determine seasonal or monthly variations in contamination of pastures with third-stage

larvae of the trichostrongyles, and to provide an index of the risk of exposure of grazing

animals. At this, a comparative study between Baermann and Donald techniques were

accomplished for the recovery of gastrointestinal ruminantes infective larvae nematodes

from pasture. To develop the assay, six faecal samples naturally infected were placed on

lawn. After 21 and 28 days, pastures samples were collected and processed for each

proposed technique. The statistic analysis showed that there is no significative

difference among the results. Thus, both techniques can be used to recover infective

larvae from pasture.

Keywords: larvae recovery, herbage, cattle, Haemonchus sp., Oesophagostomum sp.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (advisor), Laerte Grisi UFRRJ (Co-advisor) e Fbio

Babbur S. UFRRJ.

24

3. 1. INTRODUO

As nematodioses gastrintestinais de ruminantes ocorrem comumente em diversos

nveis de infeco, reduzindo a produtividade dos rebanhos. Estes helmintos tm

evoluo direta e a fase pr-parastica ocorre no ambiente. A estimativa do nmero de

larvas infectantes de tricostrongildeos na pastagem, parte integrante do estudo de

ecologia e epidemiologia desses nematides parasitas de ruminantes. O controle de

nematides gastrintestinais em ovelhas como proposto por GIBSON & EVERETT

(1968) e LANCASTER (1970) baseado no estudo da epidemiologia de doenas, onde

a estimativa de larvas infectantes nas pastagens foi parte essencial. Similarmente

THOMAS (1959) em seu estudo sobre distribuio sazonal de Nematodirus tve a

contagem de larvas na vegetao como base. Vrias tcnicas tm sido descritas a fim de

avaliar a intensidade de L3 na pastagem (TAYLOR, 1939; KAUZAL, 1940;

DINABURG, 1942; CROFTON, 1954; ROHRBACHER Jr. 1957; DURIE, 1959;

DONALD, 1967; BAWDEN, 1969; LANCASTER, 1970; TODD Jr., 1970; SMEAL &

HENDY, 1972; CHIEJINA, 1982; GETTINGY et al., 1985; FINE et al. 1993). Taylor,

acima citado, foi o primeiro pesquisador a utilizar a tcnica de Baermann (CORT et al.,

1922), para recuperar larvas infectantes das pastagens. Em seguida, pesquisadores como

KAUZAL (1940), DINABURG (1942), ROHRBACHER Jr. (1957) tambm a testaram

e como DURIE (1959) afirmaram que a mesma era ineficiente para recuperar L3 da

vegetao. DONALD (1967) descreveu e testou sua tcnica verificando excelentes

percentuais de recuperao de larvas nas pastagens. Alguns pesquisadores tm utilizado

esta tcnica como mtodo apropriado para suas pesquisas (VIANA, 1999; PIMENTEL

NETO et al., 2000; ALMEIDA, 2003). Outros autores tm preservado seus princpios

como as vrias lavagens da vegetao e a passagem pelo iodeto de potssio

(LANCASTER, 1970; SMEAL & HENDY, 1972; YOUNG & TRAJSTMAN, 1980).

O presente estudo foi elaborado com o objetivo de comparar as tcnicas de

Baermann (CORT et al., 1922) e Donald (DONALD, 1967) quanto recuperao de

larvas infectantes da pastagem, visando estabelecer entre as duas, o melhor protocolo

considerando para isso o custo, praticidade e qualidade da leitura.

25

3. 2. MATERIAL E MTODOS

3.2.1. Local:

O presente estudo foi conduzido em pastagens prximas ao prdio de Sanidade

Animal e no laboratrio de Doenas Parasitrias do Instituto de Veterinria, Convnio

Embrapa - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; no municpio de Seropdica,

localizado a 22o 54 de longitude oeste, altitude de 33 metros.

3.2.2. Amostras:

Aproximadamente 1,3kg de fezes foram colhidas diretamente da ampola retal de

bezerros naturalmente infectados. As amostras de fezes foram homogeneizadas, das

quais foram retiradas alquotas para determinao do nmero de ovos por grama de

fezes, o.p.g., de acordo com a tcnica modificada de GORDON & WHITLOCK (1939)

e, para a coprocultura (ROBERTS & OSULLIVAN, 1959) atravs da qual, foram

recuperadas larvas infectantes, as quais foram identificadas utilizando-se a chave

descrita por KEITH (1953).

3.2.3. Coleta de Dados:

Para a contaminao da pastagem com larvas infectantes, seis amostras de fezes

previamente homogeneizadas com peso igual a 200g, foram depositadas a campo. A

distncia entre as amostras fecais foi de aproximadamente 70cm. O local escolhido para

o depsito foi considerado homogneo, em relao irradiao solar, precipitao

pluviomtrica e, vegetao, constituda por grama-batatais, Paspalum notatum.

Decorridos 21 e 28 dias, a gramnea circundante de cada amostra de fezes foi colhida

em quatro pontos distintos ao redor da mesma, numa rea de 10,5 x 5,5cm (SOARES,

1980). Em seguida, as respectivas amostras de gramneas foram homogeneizadas e

divididas em duas alquotas de sete gramas, as quais foram processadas de acordo com

as tcnicas de Baermann e Donald.

3.2.4. Descrio da tcnica de Baermann:

Para o processamento pela tcnica de Baermann, utilizaram-se funis de vidro

com dimetro de aproximadamente 15cm, com borracha de ltex presa sua parte

26

posterior e fechada com uma pina (Figura 1). Dentro do funil um tamis com dimetro

de aproximadamente 10cm e 17/18 malhas/polegadas. As amostras de gramneas

picadas foram envolvidas em gaze, colocadas dentro dos tamises; estes conjuntos foram

mergulhados nos funis contendo gua destilada esterilizada aquecida 50oC. Aps 24

horas, cinco mililitros do sedimento foram recuperados em tubos de ensaio. Duas horas

depois, o sobrenadante foi desprezado e o sedimento montado em lmina com soluo

de lugol a 5%, e o nmero de L3 quantificado e identificado (KEITH, 1953).

3.2.5. Descrio da tcnica de Donald:

Para o processamento da tcnica de Donald, as amostras de gramnea foram

acondicionadas em potes plsticos, com 2.250ml de soluo mamalian ringers (Figura

2a). Estas amostras foram picadas e homogeneizadas nesta soluo com trs gotas de

teepol, detergente no-inico. Aps seis horas, as amostras foram tamisadas em

malhas de 145 micras e deixadas em repouso em clices de sedimentao por pelo

menos trs horas (Figura 2b). A partir da sucessivas lavagens foram feitas da seguinte

maneira: o sobrenadante foi sifonado e o lquido restante homogeneizado e passado para

clices menores. Totalizando trs passagens de clices, com intervalo de trs horas.

Depois dessa etapa as amostras passaram por duas centrifugaes: a primeira com um

volume inicial de 120ml por cinco minutos a 300g. A segunda com volume de 20-30ml

por trs minutos a 90g. O sedimento resultante dessa ltima centrifugao foi

ressuspendido em 100ml de iodeto de potssio cuja densidade foi de 1.63molar, em

clice de separao, por dez minutos (Figura 2c). Os cinco mililitros recuperados do

sobrenadante foram destinados leitura onde se acrescentava uma gota de hipossulfito

de sdio e as larvas quantificadas e identificadas (KEITH, 1953).

3.2.4. Anlise estatstica:

Os valores mdios, dos nmeros de larvas infectantes recuperadas, em cada

tcnica foram comparados utilizando-se o teste de Wilcoxon, a 5% de probabilidade

(SIEGEL, 1975).

Shell do Brasil

27

Figura 1. Tcnica de Baermann processando gramnea.

A

B C

Figura 2. Etapas da tcnica de Donald; A - incio da etapa de lavagem; B -

clices de decantao; C - funis de separao.

28

3.3. RESULTADOS E DISCUSSO

De acordo com os resultados apresentados na Tabela 1, larvas infectantes do

gnero Haemonchus, e Oesophagostomum foram recuperadas pelas duas tcnicas, sendo

os maiores percentuais do gnero Haemonchus. Confirmando os resultados obtidos pela

coprocultura realizada no incio do experimento. Observou-se no presente estudo, que

apesar de no haver diferena significativa entre as duas tcnicas; a de Baermann

recuperou maior nmero de larvas em sete amostras das doze testadas em relao ao

Donald (FIGURA 1). Isto se deve provavelmente a distribuio de larvas na vegetao

que foi ao acaso. No era conhecida a quantidade de larvas na gramnea processada por

uma ou por outra tcnica. importante relatar que as leituras provenientes da tcnica de

Baermann, foram, na maioria das vezes, muito difceis, devido a grande quantidade de

sujidade residual. O mesmo foi relatado por TODD et al. (1970). Embora a tcnica de

Baermann tenha apresentado maior facilidade no seu processamento, assim como, baixo

custo em relao a tcnica de Donald; esta ltima pareceu ser mais indicada, pois no

momento da leitura a tcnica de Donald foi drasticamente superior. Os resultados

encontrados neste estudo discordam das afirmativas de KAUZAL (1940),

DINAMBURG (1942), DURIE (1959), ROHRBACHER Jr., (1957), os quais atestaram

a ineficincia da tcnica de Baermann. TODD et al. (1970) concluram em seu estudo

que a tcnica de Baermann uma ferramenta til para determinar o nmero de L3 no

pasto, se o pesquisador a utilizar com rigor metodolgico, levando em considerao

suas limitaes. CHIEJINA (1982) registrou relativa eficincia do Baermann para

recuperao de L3 da pastagem; assim como o notificado no presente estudo. Outras

tcnicas para recuperao e diferenciao de L3 da pastagem foram descritas

(PARFITT, 1955; HEALTH & MAJOR, 1968; LANCASTER, 1970; SMEAL &

HENDY, 1972;). Todas exigem muito tempo de processamento e necessitam de

equipamentos especficos, difceis de serem reproduzidos e no possuem uma alta

eficincia para recuperao de L3 da pastagem. De acordo com MARTIN et al. (1990)

entre todas as tcnicas j descritas, a de Donald uma das que conseguiram recuperar

aproximadamente 90% das larvas nas pastagens, onde seu desempenho foi independente

do nmero de larvas no pasto. O mtodo mais prtico para avaliar a eficincia de uma

tcnica talvez seja fazer uma direta comparao com mtodo j existente. Assumindo a

29

Tabela 1: Nmero das amostras, nmero total e mdia de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de Haemonchus sp e

Oesophagostomum sp, recuperadas pelas tcnicas de Baermann e Donald, 21 e 28 dias aps o depsito.

A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12 Total Mdia

Baermann Haemonchus 886 852 224 938 695 863 363 1275 527 1183 490 215 8511 709

Oesophagostomum 94 102 16 84 96 58 14 98 25 88 41 32 748 62

Total 980 954 240 1022 791 921 377 1373 552 1271 531 247 9259 772 a

Donald Haemonchus 416 1217 99 586 710 512 647 607 504 1106 940 318 7662 639

Oesophagostomum 59 90 27 65 59 48 41 39 39 228 72 32 799 67

Total 475 1307 126 651 769 560 688 646 543 1334 1012 350 8461 705 a

Letras idnticas na mesma coluna indicam que no houve diferena significativa ao nvel de 5% de probabilidade.

30

padronizao da amostragem e fazendo sub-amostras da vegetao coletada, dessa

forma providenciando material com o qual testes de comparao possam ser feitos

(LANCASTER, 1970).

Compreende-se que estudos nessa rea devam continuar, visando estabelecer um

protocolo melhor, onde este possa tornar-se padro preenchendo as exigncias quanto

economia, praticidade e principalmente eficincia.

31

Figura 3: Nmero total de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de bovinos, por

Kg/pasto, recuperadas pelas tcnicas de Baermann e Donald.

0

20000

40000

60000

80000

100000

120000

140000

160000

180000

200000

n

mero d

e l

arva

s p

or k

g/p

asto

A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12

Amostras de gramneas

Baermann Donald

32

3.4. CONCLUSES

De acordo com os resultados apresentados, conclui-se que as duas tcnicas so

eficientes para recuperao de larvas infectantes da pastagem, dando a estimativa de

larvas no ambiente, favorecendo e contribuindo para estudos de controle com base na

ecologia das larvas. Sendo a tcnica de Baermann mais prtica e econmica e a de

Donald de maior qualidade quanto visualizao das larvas.

33

4. CAPTULO II

DISTRIBUIO SAZONAL E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE NEMATIDES

GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM PASTAGEM IRRIGADA E

NO-IRRIGADA.

34

RESUMO

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribuio sazonal e Longevidade de larvas

infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em pastagem

irrigada e no-irrigada. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese Doutorado em

Cincias Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

O controle das nematodioses em caprinos tem sido realizado principalmente com

produtos anti-helmnticos. No entanto, o alto custo destes produtos e o rpido aumento

de resistncia justificam a necessidade de novas alternativas. Dessa forma, o

conhecimento de alguns aspectos da epidemiologia de extrema importncia. A

distribuio sazonal e a longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais

de caprinos em pastagem irrigada e no-irrigada foram estudadas no presente trabalho.

Dessa forma, amostras de vegetao, dos dois piquetes, no-irrigado A, e irrigado B,

foram examinadas a cada 14 dias pela tcnica de Donald, durante maio/01 a abril/03. Os

resultados indicam que as condies ambientais foram favorveis ao desenvolvimento e

longevidade de L3 de caprinos. Os gneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram

em praticamente todos os meses. Trichostrongylus mostrou maior longevidade e

Haemonchus foi o que apresentou maior densidade. O sistema de irrigao pareceu ser

favorvel a longevidade de Haemonchus e Oesophagostomum, no entanto no mostrou

influncia positiva no aumento de nmero de larvas no pasto. A ocorrncia de

Oesophagostomum e Cooperia foi rara e inexistente, respectivamente.

Palavras-Chave: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp.,

irrigao, epidemiologia, pequenos ruminantes.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi UFRRJ (Co-orientador) e

Fbio B. Scott UFRRJ.

35

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Seasonal distribution and longevity of infective

larvae of goats (Capra hircus) gastrointetinal nematodes in irrigated and non-

irrigated pastures. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis Doctor Science at Cincias

Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

The control of nematodiasis in goat has been usually performed with antihelmintic

agents. However, the high cost of these products and the fast increase of products

resistance explains the search for alternative control methods. Therefore, the knowledge

of some aspects in epidemiology is very important. The seasonal distribution and

longevity of goats gastrointestinal nematodes infective larvae in irrigated and non-

irrigated pasture were studied in the present work. Thus, pasture samples of two plots

non-irrigated A, and irrigated B, were examined every 14 days using Donalds

technique between mai/01 and april/03. The results indicate that environment conditions

were favorable to the development and longevity of nematodes infective larvae. The

genus Trichostrongylus and Haemonchus were present on all months. Trichostrongylus

showed more longevity and Haemonchus showed more density. The irrigation system

seems to be favorable for the longevity of Haemonchus and Oesophagostomum

infective larvae. However, it did not have a positive influence at the increase of

infective larvae number in pasture. The Oesophagostomum and Cooperia occurrence

was scarce and non-existent, respectively.

Keywords: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., irrigation,

epidemiology, small ruminants.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Advisor), Laerte Grisi UFRRJ (Co-advisor) e Fbio

Babbur Scott UFRRJ.

36

4. 1. INTRODUO

Os helmintos gastrintestinais constituem-se em agentes etiolgicos de

significativa importncia para a diminuio da produtividade na pecuria caprina

(NGINYI et al. 2001). As variaes sazonais na dinmica das populaes dos helmintos

so reguladas, principalmente, pelas condies climticas sobre os estgios de vida

livre, pela raa e pela susceptibilidade individual do hospedeiro. A interao hospedeiro

versus parasito influenciada pela precipitao pluviomtrica, faixas climticas

favorveis, concentrao de animais por rea, faixa etria e ndice nutricional (GIBBS,

1973).

Segundo KATES (1965), o potencial bitico das helmintoses de ruminantes,

quando estudado e conhecido em uma determinada regio, torna possvel estabelecer o

seu modelo estacional, visando as dosificaes estratgicas e tticas de controle.

LEVINE (1963) ao estudar o desenvolvimento e sobrevivncia das larvas de H.

contortus nas pastagens, verificaram que 50mm de precipitao e 15 a 370C de

temperatura mdia mensal indicavam timas condies para a transmisso deste

parasito. No entanto, apenas os meses integrados por uma elipse no bioclimatograma

apresentavam melhor perodo de potencial de transmisso.

As regies da Baixada do Estado do Rio de Janeiro correspondem extensa rea

fisiogrfica, abrangendo a regio Metropolitana, Baa da Ilha Grande, Baixadas

Litorneas e parte das regies Norte e Nordeste, coincidindo com o tipo climtico AW,

segundo a classificao de KPPEN (1958). Essa regio caracterizada por inverno

seco e vero chuvoso e quente, com temperatura mdia das mdias do ms mais quente

superior a 330C, e a precipitao mdia no vero de 739mm, e no inverno, de 128mm.

O perodo seco torna-se desfavorvel para a vegetao, diminuindo assim a oferta de

volumoso para os animais. Em regies onde situao semelhante ocorre, foi implantado

sistema de irrigao como na Califrnia (BAKER et al. 1981), Guadalupe, nas ilhas

francesas (GRUNER et al. 1989), Sul da frica (KRECEK et al. 1991). De acordo com

GRUNER et al. (1989) a irrigao pode mudar a epidemiologia de nematides

gastrintestinais.

Os mtodos de controle de helmintoses utilizados no Estado do Rio de Janeiro

tm sido baseados no uso de anti-helmnticos, com potencial estabelecimento de

37

populaes resistentes aos princpios ativos disponveis no mercado. Os sistemas de

manejo zootcnicos e sanitrios, associados aos estudos epidemiolgicos, podem

minimizar o uso de produtos qumicos.

Com o objetivo de estudar a distribuio sazonal e longevidade de larvas

infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, em pastagem irrigada e no-

irrigada, este trabalho foi desenvolvido visando contribuir com a aquisio de

conhecimentos e fornecer dados para futuros projetos de controle estratgico.

38

4.2. MATERIAL E MTODOS

4.2.1. Local:

O presente estudo foi conduzido em pastagens prximas ao prdio de Sanidade

Animal e no laboratrio de Doenas Parasitrias do Instituto de Veterinria, Convnio

Embrapa - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; no municpio de Seropdica,

localizado a 22o 54 de longitude oeste, altitude de 33 metros.

4.2.2. Animais e amostras de fezes:

Nove caprinos mestios, de ambos os sexos, procedentes do Colgio Tcnico da

Universidade Rural, portadores de infeco natural foram utilizados como doadores de

fezes. Estes animais permaneceram, num piquete de aproximadamente 3500m2. As

amostras de fezes foram coletadas diretamente do reto com auxlio de coletores (Figura

3A, B). Previamente ao depsito, retiravam-se alquotas do pool de fezes coletadas, para

determinao do nmero de ovos por grama de fezes, o.p.g., segundo a modificada

tcnica de GORDON & WHITLOCK (1939); e realizao de coprocultura (ROBERTS

& OSULLIVAN, 1950) para obteno de larvas infectantes (Figura 5) e posterior

identificao de acordo com a chave de KEITH (1953).

4.2.3. Clima:

O clima da regio, segundo a classificao de KOPPEN (1958), do tipo AW,

com inverno seco, vero chuvoso e quente. Os dados de temperatura e precipitao

pluviomtrica foram fornecidos pelo posto de meteorologia Ecologia Agrcola do Km

47, distante cerca de um km do local do experimento.

4.2.4. Piquetes:

Formaram-se dois piquetes, A e B de aproximadamente 81m2 cada,

constitudos por Paspalum notatum, grama batatais (Figura 4A - a, b ). O piquete A foi

estudado de acordo com as condies ambientais (Figura 4B). O piquete B (Figura 4C)

foi irrigado a taxa de 50mm de gua por semana, durante todo o perodo do experimento,

no obedecendo esta regra apenas quando a precipitao pluviomtrica excedia esta taxa.

Quando a mesma ocorria, sem, contudo exceder a taxa, calculava-se a diferena.

39

Figura 4. A coletor plstico cortado em forma de bisel recebendo glicerina para facilitar a

coleta; B amostras de fezes sendo coletadas diretamente do reto com auxlio de coletor

Figura 5. A - Piquetes de experimento; A () piquete no-irrigado, A com amostras; B ()

piquete irrigado, B com amostras.

40

4.2.5. Coleta de Dados:

Duas amostras de fezes com 35g cada, foram depositadas a campo, de 14 em 14

dias, as quais foram identificadas como massa fecal teste (MFT) e massa fecal

controle (MFC); no perodo de maio de 2001 a abril de 2003. As amostras distavam

cerca de 80cm umas das outras. Uma semana aps o depsito, coletou-se a gramnea da

MFT, rente ao solo, numa rea de 5cm de largura por 30cm de comprimento (ROSE,

1970). Logo aps a coleta, a gramnea foi processada pela tcnica de DONALD (1967)

para recuperao de larvas da pastagem. A MFC foi trabalhada utilizando-se a mesma

metodologia, quando a MFT correspondente apresentou-se negativa por duas vezes

consecutivas (OKON & ENYENIHI, 1977).

4.2.6. Estimativa dos dados em matria seca:

Ao longo do experimento os dados foram coletados em peso de matria verde.

Para calcular o correspondente em matria seca, coletou-se durante um ano, outubro de

2002 a setembro de 2003, trs amostras de vegetao de acordo com ROSE (1970).

Essas amostras foram individualmente pesadas, em seguida mantidas em estufa a 80oC

por 48 horas, sendo novamente pesadas. Com os dados mdios obtidos empregou-se a

anlise de regresso, obtendo-se a equao da reta, y= a + b x .

Donde: y= matria verde;

a=0.94;

b= 0.202 e

x= matria seca.

Atravs da qual estimou-se a matria seca para todas as amostras coletadas. Para

comprovao da curva dos resultados, uma nova anlise de regresso foi realizada,

confrontando-se os dados de matria verde com os de matria seca.

4.2.7. Anlise estatstica:

Para melhor aproveitamento dos resultados, os mesmos foram apresentados sob

anlise de trs pontos de vista: dados ms a ms; dados em quatro estaes e dados em

duas estaes. Para os trs casos, o nmero mdio de larvas para distribuio e o

nmero mdio de semanas para longevidade foram transformados em Log10 (x + 2).

Com esses dados empregou-se anlise de varincia (ANOVA) considerando-se um nvel

de 5% de probabilidade. Em seguida, para as anlises que diferiram significativamente,

foi aplicado o teste de Duncan a 5%, para comparao entre as mdias (VIEIRA, 1999)

41

Com a finalidade de estudar a relao entre os gneros Trichostrongylus e

Haemonchus calculou-se o nmero de fmeas, a partir do o.p.g. para cada gnero,

utilizando-se o seguinte clculo de acordo com UENO & GONALVES (1998):

no de fmeas =

o.p.g x quantidade/fezes/dias

Postura/fmea/dia

Em seguida, empregou-se anlise de correlao ao nvel de 5% de probabilidade.

42

Figura 6. Coprocultura, tcnica utilizada para obteno de

larvas infectantes. () Setas indicam as L3 migrando pela

parede do copo de vidro

43

4. 3. RESULTADOS E DISCUSSO

As larvas infectantes recuperadas neste estudo foram Trichostrongylus sp,

Haemonchus sp, e Oesophagostomum (Figura 7). Sendo o maior nmero de larvas

recuperadas 300.612, identificadas como pertencentes ao gnero Haemonchus, seguido

por Trichostrongylus, 201.767, e Oesophagostomum, 4.344. Estes dados concordam

com PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo), pois estes autores trabalhando com

caprinos traadores em Seropdica recuperaram 54.6% de Haemonchus; 41% de

Trichostrongylus e 2% de Oesophagostomum.

A recuperao de larvas do gnero Oesophagostomum foi considerada baixa nos

dois piquetes, durante todo o perodo do experimento. Por esse motivo no se aplicou

teste estatstico a esse gnero. Resultados semelhantes foram encontrados por HORAK

& LOWN (1977), no sul da frica, OKON & ENYENIHI (1977) na Nigria,

AUMONT & GRUNER (1989) em Guadalupe, nas ilhas francesas, BOJANE et al.

(2002) na ndia, PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo) em Seropdica, Brasil.

Larvas de Oesophagostomum, no presente estudo, foram recuperadas em sete dos 24

meses de experimento no piquete A: outubro/01, maro/02, maio/02, junho/02,

setembro/02, maro/03 e abril/03. J no piquete B ocorreram em oito dos 24 meses:

novembro/01, maro/02, maio/02, junho/02, julho/02, agosto/02, maro/02 e abril/03. O

maior perodo de sobrevivncia das larvas de Oesophagostomum foi no piquete B, ms

de maio, chegando a seis semanas.

Larvas pertencentes ao gnero Cooperia no foram recuperadas em nenhum dos

meses ao longo deste estudo. TRIPATHI (1970b) registrou a rara ocorrncia desse

gnero em caprinos na ndia; assim como FABIYI (1970) na Nigria, GRISI (1975) na

Bahia, BOUGAS & THEODORIDIS (2000) na Grcia; PIMENTEL NETO &

FONSECA (no prelo) em Seropdica, Brasil. VASQUEZ & MARCHINARES (1971)

no registraram a presena desse gnero, parasitando caprinos no Peru. Da mesma

forma CAVALCANTI (1974) e CHARLES (1989) em Pernambuco, AUMONT &

GRUNER (1989) em Guadalupe, BAKER (1975) na Califrnia, e SILVA et al. (1998)

tambm no nordeste brasileiro.

44

F E

A

D C

B

Figura 7: Larvas infectantes encontradas no presente estudo. So

respectivamente: A e B: extremidade anterior e posterior de

Trichostrongylus sp.; C e D: extremidade anterior e posterior de

Haemonchus sp. e E e F: extremidade anterior e posterior de

Oesophagostomum sp.

45

Vrios pesquisadores como AL SAQUR et al (1982), CALLINAN &

WESTCOTT (1986), AUMONT et al. (1989), AUMONT & GRUNER (1989), BANKS

et al. (1990), KRECEK et al (1992), BARGER et al (1994) entre outros, apresentaram

os dados de seus resultados em nmero de larvas por kg de matria seca. No entanto,

autores como HOLOSOV et al. (1989), RAHMAN & COLLINS (1990), PIMENTEL

NETO et al. (2000), ALMEIDA (2003) apresentaram seus resultados em nmero de

larvas por kg de matria verde. No presente estudo foi verificada a relao entre as duas

formas de apresentao de resultados e de acordo com os clculos estatsticos da anlise

de regresso (r2= 0.97), constatou-se que os valores transformados de matria verde

para matria seca, embora aumentados, mantinham a mesmo modelo de curva grfica

(figura 8).

Os nmeros de larvas recuperadas da vegetao e o perodo de sobrevivncia em

semanas, no apresentaram diferena significativa entre os dois piquetes (Figura 9A e

B), embora, os valores tenham sido superiores no piquete B, para todos os gneros

encontrados neste estudo. A nica exceo foi descrita ao nmero total de L3 de

Haemonchus, onde o maior valor registrou-se no piquete B, demonstrando assim, uma

possvel atuao da irrigao favorecendo o desenvolvimento destas larvas. No entanto,

quanto sobrevivncia, a irrigao no otimizou o perodo de longevidade destas.

Mesmo que no se possa afirmar estatisticamente, o sistema de irrigao pareceu

favorecer a distribuio de larvas de Oesophagostomum. De uma forma geral estes

resultados discordam dos achados dos autores STWART & DOUGLAS (1938),

FURMAN (1944), BULLISK & ANDERSEN (1978), HORAK & LOWN (1977),

BAKER et al. (1981), GRUNER et al. (1989), os quais afirmaram que a irrigao

favorecia o desenvolvimento e sobrevivncia de larvas de tricostrongildeos.

VALDERRABANO et al. (2000) observaram que a irrigao favorecia a pastagem,

podendo ser utilizada contra problemas climticos aumentando a produtividade dos

rebanhos. No presente estudo, a vegetao do piquete B apresentou-se viosa durante

todo o perodo do experimento (Figura 10).

GORDON (1967) observou o fenmeno de competio entre espcies do gnero

Trichostrongylus e Haemonchus. PIMENTEL NETO (1976) observou retardamento no

desenvolvimento do ciclo biolgico de H. contortus quando ocorreu infeco

concomitante com T. axei. REINECKE (1989) relatou que a contaminao prvia por T.

46

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N DL

3 /

Kg

ms

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

2 0 0

4 0 0

6 0 0

8 0 0

1 0 0 0

1 2 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

s

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

1 0 0

2 0 0

3 0 0

4 0 0

5 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/ K

g m

v

H a e m o n c h u s s p .

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

v

H a e m o n c h u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

v

Figura 8: Curvas grficas dos nmeros de L3/kg de pasto de Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum,

apresentados esquerda, em matria seca (ms) e direita, em matria verde (mv).

47

Figura 9: A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos entre os piquetes A, no-

irrigado e B, irrigado. B. Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos entre os piquetes

A, no-irrigado e B, irrigado.

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

7 0 0 0 0

8 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/ms

A a

B a

H a e m o n c h u s s p .

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

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8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/ms

A a

B b

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/ms

A

B

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

5

1 0

1 5

2 0

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

A a

B a

H a e m o n c h u s s p .

0

5

1 0

1 5

2 0

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

A a

B a

O e s o p h a g s to m u m s p .

0

1

2

3

4

5

6

7

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

A

B

A B

48

Figura 10. Pastagens: A Amostra no piquete A, no-irrigado; B. Amostra no piquete B, irrigado.

49

axei fez com que houvesse supresso de novas infeces pelo H. contortus ou que as L4

sofressem parada de crescimento. PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo)

comentaram a possibilidade de existncia de competio entre os gneros

Trichostrongylus e Haemonchus em caprinos. No presente estudo, verificou-se que no

houve relao entre os dois gneros, ou seja, que ambos ocorreram independentemente,

quando se analisou a estimativa do nmero de fmeas (r2=0.02), embora as curvas de

distribuio do nmero de L3, o.p.g. e fmea de Trichostrongylus e Haemonchus, nos

dois piquetes tenha mostrado uma tendncia a esta hiptese (Figura 11). Fato este que

pode ser justificado pela simples diferena de ovopostura das respectivas fmeas

adultas: a de Trichostrongylus capaz de liberar 200 ovos/dia enquanto que uma fmea

de Haemonchus libera 5000 ovos/dia (UENO & GONALVES, 1998).

4.3.1. Dados apresentados ms a ms:

As larvas infectantes do gnero Trichostrongylus apresentaram distribuio e

longevidade significativamente diferentes entre os meses. Estes dados esto

sucintamente apresentados na tabela 2. A curva grfica dos nmeros mdios totais e dos

dados mdios transformados para os parmetros acima citados, e os dados climticos

esto representados nas figuras 12 e 13, respectivamente. A distribuio de L3 de

Trichostrongylus entre os meses, foi a seguinte: o nmero de larvas recuperadas no ms

de janeiro foi significativamente diferente dos meses de junho, julho, agosto, setembro,

outubro, novembro, sendo que nestes foram registrados os maiores nmeros de L3. O

ms de fevereiro foi considerado diferente dos meses de maro, agosto e novembro.

Maro diferiu de todos com exceo de janeiro. Abril foi considerado diferente de

maro, agosto e novembro. O ms de maio diferiu apenas de maro. Os meses de junho,

julho, setembro e outubro foram considerados diferentes apenas de janeiro e maro.

Agosto e novembro diferiram estatisticamente de janeiro, fevereiro, maro e abril.

Finalizando, o ms de dezembro diferiu apenas do ms de maro. O ms que no qual

recuperou-se maior quantidade de L3 foi novembro com cerca de 56.484 larvas por kg

de matria seca.

O perodo de sobrevivncia das larvas de Trichostrongylus apresentou-se da

seguinte forma: o ms de janeiro diferiu significativamente dos meses de abril, maio,

junho, julho quanto ao nmero de semanas que as larvas sobreviveram; considerando

que estes foram os que apresentaram maior perodo de longevidade. Fevereiro diferiu

dos meses de maro a outubro, inclusive. Maro diferiu apenas de fevereiro e maio.

50

Piq A

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

7 0 0 0 0

8 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

L3

Kg

/ms

Tri H ae

Piq B

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

L3

Kg

/ms

Tri H ae

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

N

me

ro d

e o

vo

s

Tri H ae

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

2 5 0 0

3 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

N

me

ro d

e f

m

ea

s

Tri H ae

Figura 11: Estimativa do nmero de fmeas, do nmero de ovos por gnero, distribuio de

larvas por kg/ms nos piquetes A e B, para Trichostrongylus e Haemonchus.

51

Tabela 2: Nmeros mdios de larvas infectantes de Trichostrongylus e Haemonchus

recuperadas; perodo de sobrevivncia por ms e seus respectivos valores transformados.

Trichostrongylus sp.

Meses No de L3/kg ms (x) Log10 L3 Longevidade (x) Log10 Longevidade

JAN 1359 2.61 c, d 3 0.66 d, e, f

FEV 2819 2.95 b, c 1.6 0.51 f

MAR 3437 2.08 d 5.3 0.79 b, c, d, e

ABR 2848 2.92 b, c 9 1.03 a, b, c

MAI 7419 3.26 a, b, c 13 1.15 a

JUN 19161 3.58 a, b 9.6 1.05 a, b, c

JUL 15534 3.71 a, b 7.8 0.98 a, b, c

AGO 56168 4.11 a 7 0.93 a, b, c,d

SET 10252 3.50 a, b 6.5 0.92 a, b, c, d

OUT 18043 3.81 a, b 4.6 0.83 c, d, e

NOV 56493 4.09 a 2.3 0.61 e, f

DEZ 8228 3.22 a, b, c 2.5 0.62 e, f

Haemonchus sp.

Meses No de L3/kg ms (x) Log10 L3 Longevidade (x) Log10 Longevidade

JAN 1776 5.84 c, d 4.18 0.77 a

FEV 8725 7.77 a, b, c, d 3.37 0.72 a

MAR 3835 6.87 b, c, d 9.62 1.02 a

ABR 101350 9.78 a 9 1.03 a

MAI 4416 7.36 a, b, c, d 7.5 0.95 a

JUN 6735 7.35 a, b, c, d 10.37 1.03 a

JUL 21998 8.48 a, b 4.58 0.78 a

AGO 31547 8.12 a, b, c 3.25 0.65 a

SET 7668 5.40 d 5 0.77 a

OUT 4120 5.50 d 4.12 0.75 a

NOV 88243 9.38 a, b 4.5 0.78 a

DEZ 20194 8.49 a, b 3.01 0.74 a

Letras idnticas na mesma coluna no diferem significativamente ao nvel de 5% de probabilidade.

52

H a e m o n ch u s sp .

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/MS

0

2

4

6

8

1 0

1 2

L3

lo

g1

0

L 3 lo g L 3

T ric hos t rongylus s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/MS

0

1

2

3

4

5

L3

lo

g1

0

L 3 lo g L 3

0

5

1 0

1 5

2 0

2 5

3 0

3 5

J F M A M J J A S O N D

tem

pera

tura

em

gra

us

C

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

2 5 0

plu

vio

sidade m

m

P P M TM x . M TM n . T m d i

O e so p h a g o sto m u m sp .

0

2 0 0

4 0 0

6 0 0

8 0 0

1 0 0 0

1 2 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/MS

L 3

Figura 12: Dados climticos. Distribuio por ms, do nmero larvas infectantes de Trichostrongylus,

Haemonchus e Oesophagostomum por Kg/ms e seus respectivos dados transformados, em Seropdica.

53

H a e m o n c h u s s p

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

1 6

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

1 ,2

lon

ge

vid

ad

e lo

g1

0lo n g lo g lo n g

O e s o p h a g o s to m u m s p

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

0

5

1 0

1 5

2 0

2 5

3 0

3 5

J F M A M J J A S O N D

tem

pera

tura

em

gra

us

C

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

2 5 0

plu

vio

sidade m

m

P P M TM x . M TM n . T m d i

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

1 ,2

1 ,4

lon

ge

vid

ad

e lo

g1

0lo n g lo g lo n g

Figura 13: Dados climticos. Longevidade por ms, do nmero larvas infectantes de

Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum em semanas e seus respectivos dados

transformados, em Seropdica.

54

Abril foi considerado diferente de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro. Maio

diferiu de janeiro, fevereiro, maro, outubro, novembro e dezembro. Junho e julho

diferiram dos meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro. Agosto e setembro

diferiram significativamente dos meses de fevereiro, novembro e dezembro. O ms de

outubro diferiu apenas dos meses de fevereiro e maio. Novembro e dezembro diferiram

dos meses de abril a setembro, inclusive. O ms de depsito em que as larvas

apresentaram maior perodo de longevidade foi maio, com 13 semanas.

A distribuio do nmero de larvas infectantes de Haemonchus diferiu

significativamente entre os meses de experimento da seguinte forma: o ms de janeiro

diferiu dos meses de abril, julho, novembro e dezembro. Fevereiro no diferiu de

nenhum dos meses. O ms de maro foi diferente apenas para o ms de abril. Abril

apresentou-se significativamente diferente de janeiro, maro, setembro e outubro.

Apresentaram distribuio semelhante, os meses de maio e junho, os quais no

diferiram dos demais meses. Julho diferiu apenas de janeiro, setembro e outubro.

Agosto tambm diferiu dos meses de setembro e outubro. Os meses de setembro e

outubro foram semelhantes, diferindo apenas de abril, julho, agosto, novembro e

dezembro. Tambm foram semelhantes os meses de novembro e dezembro diferindo

apenas de janeiro, setembro e outubro. O maior nmero de larvas infectantes de

Haemonchus recuperadas da vegetao foi registrado no ms de abril chegando

aproximadamente 101.350 L3 por kg de matria seca.

A longevidade das larvas de Haemonchus no apresentou diferena significativa

entre os meses, embora o maior perodo de sobrevivncia, dez semanas, tenha sido

registrado em junho.

A distribuio de Haemonchus no presente estudo reflete que este gnero

ocorreu praticamente durante todo o ano. Na Nigria, OKON & ENYENIHI (1977)

estudaram o desenvolvimento e sobrevivncia de H. contortus. Eles registraram a

presena de L3 no pasto apenas nos meses de outubro/73, maio/74, junho/74, julho/74,

setembro/74 e outubro/74 e nestes meses os respectivos perodos de longevidade quatro,

seis, seis, cinco, nove e sete semanas.

Mesmo com valores baixos, a distribuio do nmero mdio de larvas do gnero

Oesophagostomum nos dois piquetes indicou a ocorrncia das larvas durante o

experimento, sendo os meses de abril e julho queles em que se recuperou o maior

nmero de larvas. A longevidade destas L3 foi de no mximo cinco semanas em maro

e maio.

55

REINECKE (1970) comentou que as fases pr-parasticas de tricostrongildeos

estariam sujeitas a fatores como temperaturas, precipitaes pluviomtricas, tipo de

solo, vegetao. No presente estudo, a temperatura pareceu ser um fator limitante para o

gnero Trichostrongylus, pois nos meses mais quentes, novembro a abril, cuja mdia foi

em torno dos 270C, o nmero de L3 recuperado e a longevidade foi significativamente

menor em relao aos outros meses, quando a temperatura apresentou-se mais amena,

em torno dos 220C. A precipitao no pareceu ter influncia clara sobre este gnero.

OKON & ENYENIHI (1977) associaram a distribuio de Haemonchus aos dados de

precipitao, informando ser este o principal fator. A distribuio de larvas de

Haemonchus no presente estudo, no pareceu ser influenciada diretamente pela

precipitao. Estes dados concordam com os achados de AUMONT et al. (1989). Eles

comentaram que no foi clara a relao entre os dados climticos com a dinmica da

populao de larvas. Provavelmente existiram outros fatores que influenciaram a

distribuio e longevidade das larvas infectantes de tricostrongildeos, neste estudo. De

acordo com GIBBIS (1973), LEVINE (1963) fatores do microambiente podem ter

importante papel no desenvolvimento e sobrevivncia das L3. ROSEMBERG (1974)

definiu microclima como o clima onde vivem animais e plantas. RIBEIRO (1992)

observou que as temperaturas do microclima embora fossem mais elevadas, mantinham

a mesma curva grfica dos dados do macroclima. Talvez as condies do

microambiente possam ter uma influncia mais perceptvel, justificando a distribuio e

o perodo de longevidade das larvas de forma mais clara.

Embora boa parte dos pesquisadores como TRIPATHI (1970a,b), FABIYI

(1973), CAVALCANTI (1974) tenham trabalhado por um perodo de um ano ou mais,

seus resultados foram comumente apresentados por estaes, sejam elas quatro ou duas

de acordo com o ponto de vista de cada um. Por esse motivo no foi possvel discutir

esses dados com os dos referidos pesquisadores, pois nesse tpico apresentou-se os

dados ms a ms. No entanto pode-se dizer que estes dados esto de acordo com os

achados de PIMENTEL NETO et al. (2000) e PIMENTEL NETO & FONSECA (no

prelo), pois estes pesquisadores trabalharam com tricostrongildeos de bovinos e

caprinos, respectivamente na regio de Seropdica e observaram que as condies locais

foram consideradas propcias, uma vez que estas larvas foram encontradas o ano todo

assim como no presente estudo.

56

4.3.2. Dados apresentados em quatro estaes:

A distribuio de larvas por kg de matria seca e a longevidade em nmero de

semanas das larvas recuperadas neste estudo, nas quatro estaes convencionais, esto

representadas nas figuras 14 A e B. As estaes mais quentes foram o vero e outono

com a mdia de temperatura das mximas em torno dos 32 e 300C, respectivamente

(Figura 15). Estas estaes, no entanto, foram as mais chuvosas, registrando-se 156 e

104 mm de precipitao pluviomtrica, respectivamente.

Os trs gneros encontrados neste estudo ocorreram nas quatro estaes.

Trichostrongylus apresentou significativo desenvolvimento no inverno e primavera. J

longevidade das larvas desse gnero foi significativamente superior nas estaes do

outono e inverno. O que demonstra que a temperatura talvez tenha sido um fator

limitante para esse gnero, como afirmou LEVINE (1963) sobre o desenvolvimento de

tricostrongildeos. TRIPATHI (1970b) observou que o perodo quente foi desfavorvel

ao desenvolvimento e sobrevivncia das larvas no ambiente. A precipitao

pluviomtrica no pareceu ser um fator de importncia para esse gnero, pois as

estaes chuvosas foram justamente quelas, nas quais o nmero de larvas de

Trichostrongylus foi mais baixo.

Foi registrado para o gnero Haemonchus, que os maiores nmeros de larvas

recuperadas foram nas estaes do outono e primavera, embora estatisticamente no

tenha ocorrido diferena entre as quatro estaes. Observou-se, porm, que houve

diferena estatstica para a longevidade dessas larvas entre as estaes; sendo o outono

considerado a melhor poca para a sobrevivncia das larvas. DINABURG (1944)

contaminou artificialmente as pastagens com H. contortus e verificou que nos meses do

vero as condies foram desfavorveis para a sobrevivncia das larvas. Resultados

equivalentes foram registrados no presente estudo. SKINNER & TODD Jr. (1980)

estudaram a migrao lateral de H. contortus nas pastagens e concluram que quando a

temperatura diminua, a sobrevivncia das larvas aumentavam. Talvez seja essa a

justificativa para o outono ser a melhor poca para a sobrevivncia das larvas.

Os resultados presente estudo esto de acordo com LEVINE & TODD (1975).

Eles estudaram o desenvolvimento e sobrevivncia de larvas de H. contortus e T.

colubriformis. Os autores observaram que poucas larvas de H. contortus sobreviveram

no inverno, e ao contrrio T. colubriformis sobreviveu bem nesta estao; e que o

outono foi a melhor poca para a sobrevivncia de ambas espcies. Os autores

57

Figura 14: A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos em quatro estaes. B.

Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos em quatro estaes. (Letras, minsculas,

idnticas no diferem ao nvel de 5% de probabilidade.).

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ k

g m

s

H a e m o n c h u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ k

g m

s

2 ,6

2 ,8

3

3 ,2

3 ,4

3 ,6

Lo

g1

0-

L3

a

a a

a

T r i c h o s to n g yl u s s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

3 0 0 0 0

3 5 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ k

g m

sb b

a a

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

1

2

3

4

5

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

c

a

b

a

H a e m o n c h u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

b

a

b

b

A B

58

0

5

10

15

20

25

30

35

vero outono inverno primavera

tem

pera

tura

em

gra

us

C

0

20

40

60

80

100

120

140

160

180

plu

vio

sid

ade e

m m

m

PP MTMx.MTMn. T mdi

Figura 15. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, em quatro estaes, obtidos na Estao experimental da Pesagro-

Rio, Seropdica, RJ.

59

comentaram que as larvas de H. contortus apresentaram maior resistncia quando

submetidas a repetidas dessecaes do que as de T. colubriformis.

LEVINE (1963) descreveu que larvas do gnero Trichostrongylus foram mais

resistentes na fase larval do que os gneros Haemonchus e Oesophagostomum. No

presente estudo essa diferena no foi registrada para os dois primeiros gneros acima

citados, uma vez que ambos ocorrem durante todas as estaes e em praticamente todos

os meses. No entanto, com relao a Oesophagostomum, existe concordncia com a

afirmativa acima, uma vez que essas larvas foram recuperadas em maior nmero apenas

na estao do inverno e o maior perodo de sobrevivncia foi de quatro semanas no

outono.

4.3.3. Dados apresentados nos perodos chuvoso e seco:

Os dados de distribuio e de longevidade das larvas de nematides

gastrintestinais expressos em dois perodos, chuvoso e seco, esto sucintamente

apresentados nas figuras 16A e B, respectivamente. Os dados climticos divididos em

duas estaes esto representados na figura 17. Os trs gneros ocorreram nos dois

perodos estudados. No houve diferena significativa entre os perodos para nenhum

dos gneros estudados, embora Trichostrongylus tenha apresentado maior nmero de

larvas, e maior tempo de sobrevivncia no perodo seco. Haemonchus ao contrrio

apresentou o maior nmero de larvas recuperadas na poca das chuvas e a longevidade

das mesmas foi semelhante nos dois perodos. Autores como TRIPATHI (1970a),

FABIYI (1973), CAVALCANTI (1974), GRISE (1975), CONNOR et al. (1990),

LAHA et al. (2001) registraram a importncia do perodo das chuvas nas infeces por

tricostrongildeos; assim como McCULLOCK & KASIMBALA (1968) registraram que

H. contortus apresentou seu pico no perodo chuvoso; este dado no concorda com o

achado neste estudo. McCULLOCK & KASIMBALA (1968) afirmaram ainda, que o

clima representou um fator de pouca importncia nas infeces por T. colubriformis e

O. columbianum. No presente estudo verificou-se que as condies podem atuar

limitando ou favorecendo larvas de Trichostrongylus e Oesophagostomum.

Para acompanhar a dinmica populacional dos estgios de vida livre de

nematides gastrintestinais de caprinos, numa regio de clima tropical, AUMONT &

GRUNER (1989) contaminaram piquetes com ovos de helmintos, durante a estao

chuvosa e seca. Eles recuperaram larvas de Haemonchus e Trichostrongylus e

observaram que as larvas surgiram na vegetao sete a 14 dias depois do depsito. Este

60

Figura 16.A. Distribuio nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de

caprinos, expressos nmero de L3/Kg matria seca e em logaritmo do nmero de L3. B. Longevidade nos perodos

chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos expressos em semanas e seus

respectivos dados transformados em logaritmo (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de

probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

4 0 0 0

8 0 0 0

1 2 0 0 0

1 6 0 0 0

c h u v o s a s e c a

L3

/ kg

ms

2 ,9

3

3 ,1

3 ,2

3 ,3

3 ,4

3 ,5

3 ,6

Lo

g1

0-L

3

H a e m o n c h u s s p .

1 8 0 0 0

1 9 0 0 0

2 0 0 0 0

2 1 0 0 0

2 2 0 0 0

c h u v o s a s e c a

L3

/ kg

ms

7

7 ,1

7 ,2

7 ,3

7 ,4

7 ,5

7 ,6

7 ,7

7 ,8

Lo

g1

0-L

3

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

c h u v o s a s e c a

L3

/ kg

ms

a

a

a

a

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

c h u v o s a s e c a

se

ma

na

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

c h u v o s a s e c a

se

ma

na

s

0

2

4

6

8

1 0

Lo

g1

0-

se

ma

na

s

a

a

H a e m o n c h u s s p .

0

1

2

3

4

5

6

7

c h u v o s a s e c a

se

ma

na

s

A B

61

0

5

10

15

20

25

30

35

chuvosa seca

tem

pera

tura

em

gra

us C

0

20

40

60

80

100

120

140

160

plu

viosid

ade e

m m

m

PP MTMx.MTMn. T mdi

Figura 17. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, nos perodos chuvoso e seco, obtidos na Estao experimental da

Pesagro-Rio, Seropdica, RJ.

62

fato foi observado no presente estudo. Os autores relataram que a longevidade das

larvas na vegetao foi de 49 a 56 dias, sete a oito semanas. No presente estudo as

larvas sobreviveram at nove semanas. Consideraram que os eventos climticos e o fato

da vegetao apresentar-se seca durante o pastoreio, foram fatores importantes,

parecendo interferir na dinmica populacional das formas de vida livre destes helmintos.

O gnero Oesophagostomum apresentou seu pico na poca da seca e seu maior

perodo de sobrevivncia foi de duas semanas para os dois perodos. O clima pareceu

interferir na ecologia das formas pr-parasticas dessas larvas.

63

4. 4. CONCLUSES

Pode-se concluir, de acordo com os resultados apresentados que:

1. As condies climticas de Seropdica foram favorveis ao desenvolvimento e

longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos;

2. Os gneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram em praticamente todos os

meses de perodo do experimento; sendo que em termos de quantidade, Haemonchus foi

o que apresentou maior nmero, e em longevidade, Trichostrongylus, foi o que

apresentou o maior perodo de sobrevivncia;

3. A ocorrncia dos gneros Oesophagostomum e Cooperia foi considerada,

respectivamente, baixa e inexistente, no perodo estudado;

4. No h diferena entre a apresentao dos resultados como matria verde ou matria

seca;

5. Foi constatado que o sistema de irrigao no favoreceu o desenvolvimento e a

longevidade de L3 de nematides gastrintestinais de caprinos, com exceo ao nmero

total de larvas de Haemonchus, que foi significativamente maior no piquete irrigado.

6. No houve relao entre os gneros Trichostrongylus e Haemonchus. Eles ocorrem

independentemente.

7. Os meses de agosto e novembro foram os que apresentaram maior nmero de larvas

infectantes de Trichostrongylus; e o maior perodo de sobrevivncia foi no ms maio.;

8. Os meses de abril e novembro foram os que apresentaram maior nmero de larvas

infectantes de Haemonchus; e o maior perodo de sobrevivncia foi registrado nos

meses de maro e junho;

64

9. Com anlise nas quatro estaes Trichostrongylus apresentou maior recuperao de

larvas no inverno e primavera;

10. No houve diferena entre as estaes, para distribuio e longevidade de larvas de

Haemonchus;

11. Outono foi a poca mais favorvel sobrevivncia das larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos;

12. No houve diferena entre os perodos chuvoso e seco, para distribuio e

longevidade das larvas encontradas neste estudo.

65

5. CAPTULO III

DISTRIBUIO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE NEMATIDES

GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM SOLO E PASTAGENS IRRIGADAS E

NO-IRRIGADAS.

66

RESUMO

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribuio e Longevidade de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em solo e pastagem irrigada

e no-irrigada. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese Doutorado em Cincias

Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

A distribuio e longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de

caprinos foi estudada em solo e em vegetao irrigada e no-irrigada com o objetivo de

contribuir para aquisio de conhecimentos e fornecer dados para o estabelecimento de

programas de controle integrado. Assim, amostras de solo e vegetao no-irrigada e

irrigada foram examinadas a cada 14 dias durante o perodo de setembro/02 a

setembro/03. Os resultados mostram que as larvas de helmintos foram capazes de

migrar para o solo, considerando este um refgio s condies adversas. No entanto, a

distribuio e longevidade indicaram a irrelevante importncia epidemiolgica deste

habitat. A vegetao foi o local eleito pelas larvas. O sistema de irrigao no favoreceu

a migrao de larvas para o solo.

Palavras-Chave: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., solo,

vegetao, irrigao, epidemiologia

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi UFRRJ (Co-orientador) e

Fbio B. Scott UFRRJ.

67

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribution and longevity of infective larvae of goats

(Capra hircus) gastrointetinal nematodes in soil and irrigated and non-irrigated

pastures. Seropdica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis Doctor Science at Cincias

Veterinrias, Parasitologia Veterinria)

The distribution and longevity of infective larvae of goats gastrointestinal nematodes

was studied in the soil and herbage irrigated and non-irrigated with aim to contribute the

acquisition of knowledge and gives dates to establishment to program of integrated

control. Thus, samples soil and pastures at two plots non-irrigated and irrigated were

examined every 14 days during september/02 at september/03. The samples soil and

herbage were processed for Baermann and Donald techniques, respectively. The results

showed that helminthes larvae were able to migrate for soil, considering this place a

refuge because the adverse condition environment. However, the distribution and

longevity indicate the small epidemiological importance this niche. Pastures was the

elect place for the larvae. The irrigation system was not favorable to migration of

infective larvae for the soil.

Keywords: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., soil,

pastures, irrigation, epidemiology.

Comit: Adivaldo Henrique da Fonseca UFRRJ (Advisor), Laerte Grisi UFRRJ (Co-advisor) e Fbio

B. Scott UFRRJ.

68

5. 1. INTRODUO

O conhecimento da dinmica das larvas infectantes de nematides parasitos de

ruminantes nas pastagens e no solo de determinada regio, levando-se em considerao

as condies biticas e abiticas, epidemiologicamente importante, uma vez que com

estes dados, pode-se determinar o risco de infeco dos animais. Desta forma,

estabelecendo medidas preventivas de controle como: alternncia de pastagens,

dosificaes estratgicas.

Existem poucas informaes disponveis sobre a influncia de solos tropicais

albergando larvas infectantes de tricostrongildeos (LYAKU et al. 1988). Na realidade

existe uma grande controvrsia a respeito deste fato. Alguns autores afirmam que o solo

pode atuar como reservatrio de larvas infectantes, onde num ambiente desfavorvel, as

L3 migrariam a determinadas profundidades para se protegerem. E num momento

seguinte, quando as condies ambientais estivessem favorveis migrariam de volta a

superfcie, recontaminando a pastagem (KAUZAL, 1941; REES, 1950). Por outro lado,

existem outros autores que discordam deste fato, pois em seus trabalhos, recuperaram

poucas larvas do solo (ANDERSON et al. 1970; ROSE & SMALL, 1985). H, porm

que se levar em considerao os tipos de solos estudados, as condies de temperatura e

umidade, bem como a poca do ano, e outros fatores. Dessa forma, com o objetivo de

estudar a distribuio e longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais

de caprinos no solo e pasto, este estudo foi elaborado, visando no futuro propiciar uma

base slida para programas estratgicos de controle.

69

5.2. MATERIAL E MTODOS

5.2.1. Local:

O presente estudo foi conduzido em pastagens prximas ao prdio de Sanidade

Animal e no laboratrio de Doenas Parasitrias do Instituto de Veterinria, Convnio

Embrapa - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; no municpio de Seropdica,

localizado a 22o 54 de longitude oeste, altitude de 33 metros.

5.2.2. Animais:

Nove caprinos mestios, de ambos os sexos, procedentes do Colgio Tcnico da

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - CTUR, portadores de infeco natural

foram utilizados como doadores de fezes. Estes animais permaneceram, num piquete de

aproximadamente 3500m2. As amostras de fezes foram coletadas diretamente do reto

com auxlio de coletores.

5.2.3. Clima e solo:

O clima da regio, segundo a classificao de KOPPEN (1958), do tipo AW,

com inverno seco, vero chuvoso e quente. Os dados de temperatura, umidade relativa e

precipitao pluviomtrica foram fornecidos pelo posto de meteorologia Ecologia

Agrcola do Km 47, distante cerca de um km do local do experimento. O solo do tipo

franco-argiloso.

5.2.4. Piquetes:

Formaram-se dois piquetes, A e B de aproximadamente 81m2 cada,

constitudos por Paspalum notatum, grama batatais. O piquete B foi irrigado a taxa de

50mm de gua por semana, durante todo o perodo do experimento, no obedecendo esta

regra apenas quando a precipitao pluviomtrica excedia esta taxa. Quando a mesma

ocorria, sem, contudo exceder a taxa calculava-se a diferena.

5.2.5. Coleta de Dados:

Depositaram-se a campo, de 14 em 14 dias, quatro amostras de fezes, onde os

pares foram identificados como massa fecal teste e massa fecal controle, sendo um

70

par para anlise de solo e outro para pastagem no perodo de setembro de 2002 a

setembro de 2003. As amostras distavam cerca de 80cm umas das outras. Previamente

ao depsito, retiravam-se alquotas do pool de fezes coletadas, para determinao do

nmero de ovos por grama de fezes, o.p.g., segundo a modificada tcnica de GORDON

& WHITLOCK (1939); e realizao de coprocultura (ROBERTS & OSULLIVAN,

1950) para obteno de larvas infectantes e posterior identificao de acordo com a

chave de KEITH (1953). Alquotas de solo e pastagem foram coletadas aps o stimo

dia de depsito e a partir da, de 14 em 14 dias. Para a coleta do solo utilizou-se um

trado (Figura 12) com as seguintes dimenses: 3,5cm de dimetro por 10cm de

comprimento (ROSE & SMALL, 1985). A vegetao foi coletada numa rea de 5cm de

largura por 30cm de comprimento (ROSE, 1970). Primeiramente trabalhava-se a MFT,

quando esta apresentava-se negativa por duas vezes consecutivas, passava-se para a

MFC seguindo o mesmo procedimento. As respectivas amostras foram processadas

pelas tcnicas de Baermann (CORT et al., 1922) (Figura 13) e Donald (DONALD,

1967). As L3 recuperadas foram quantificadas e identificadas segundo KEITH (1953).

5.2.6. Estimativa dos dados em matria seca:

Ao longo do experimento os dados foram coletados em peso de matria verde.

Para calcular o correspondente em matria seca, coletou-se durante um ano, outubro de

2002 a setembro de 2003, trs amostras de vegetao de acordo com ROSE (1970).

Essas amostras foram individualmente pesadas, em seguida mantidas em estufa a 80oC

por 48 horas, sendo novamente pesadas. Com os dados mdios obtidos empregou-se a

anlise de regresso, obtendo-se a equao da reta, y= a + b x .

Donde: y= matria verde;

a=0.94;

b= 0.202 e

x= matria seca.

Atravs da qual estimou-se a matria seca para todas as amostras coletadas. Para

comprovao da curva dos resultados, uma nova anlise de regresso foi realizada,

confrontando-se os dados de matria verde com os de matria seca.

5.2.7. Anlise estatstica:

Para melhor aproveitamento dos resultados, os mesmos foram apresentados sob

anlise de trs pontos de vista: dados ms a ms; dados em quatro estaes e dados em

71

duas estaes. Para os trs casos, o nmero mdio de larvas para distribuio e o

nmero mdio de semanas para longevidade foram transformados em Log10 (x + 2).

Com esses dados empregou-se anlise de varincia (ANOVA) considerando-se um nvel

de 5% de probabilidade. Em seguida, para as anlises que diferiram significativamente,

foi aplicado o teste de Duncan a 5%, para comparao entre as mdias (VIEIRA, 1999)

72

Figura 12. Trado, equipamento utizado para coleta de solo.

() Seta indica o comprimento de 10cm; limite de

profundidade utilizada no experimento.

A

B

Figura 13. Etapas da tcnica de Baermann, utilizada para

processamento de amostras do solo. A funis com gua destilada

aquecida; B amostras de solo sendo processadas

73

5. 3. RESULTADOS E DISCUSSO

As larvas infectantes recuperadas neste captulo tambm foram Trichostrongylus

sp, Haemonchus sp, e Oesophagostomum. Os nmeros de larvas recuperadas para os

gneros acima citados no pasto (kg/ms) e solo (kg) foram respectivamente: 99.243 e

461; 289.594 e 876, e 14.563 e 109 larvas.

A recuperao de larvas do gnero Oesophagostomum foi considerada baixa.

Dessa forma no se aplicou teste estatstico a esse gnero. Como no captulo anterior,

larvas do gnero Cooperia no foram recuperadas neste estudo.

No houve diferena significativa (p 0.05) entre os piquetes, irrigado e no-

irrigado com relao distribuio e longevidade de larvas dos dois gneros analisados.

Ou seja, a irrigao neste estudo no favoreceu o desenvolvimento e longevidade de

larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos. Contrariamente, autores

como HORAK & LOUW (1977), GRUNER et al. (1989), HOLOSOV et al. (1989)

afirmaram que sistemas irrigados beneficiavam a ecologia das larvas na vegetao. Esta

aparente contradio pode estar relacionada ao tipo de vegetao em questo. A

vegetao utilizada neste estudo, Paspalum notatum, grama batatais um tipo de

gramnea rasteira e de pequeno porte, aproximadamente 20cm de altura. Talvez por

mais desenvolvida que esta gramnea pudesse estar, no proporcionaria condies

adequadas para o desenvolvimento e sobrevivncia das larvas. As vegetaes utilizadas

nos estudos dos autores acima citados, Dicanthuim caricosum e Lolium multiflorum

eram de porte maior, aproximadamente 120 e 127cm de altura, respectivamente, que em

sistema de irrigao provavelmente favoreceram a expanso da cobertura vegetal,

criando um microclima favorvel ao desenvolvimento das larvas.

ROSE (1960), REES (1950), ANDERSEN et al. (1970), CALLINAN (1978);

ROSE & SMALL (1985), KRECEK et al. (1991) observaram que a maioria das larvas

migraram para a vegetao e uma pequena parte para o solo. Estes resultados so

equivalentes aos achados neste estudo, pois o nmero de larvas recuperadas na

vegetao foi significativamente maior (p 0.05) que o nmero de larvas recuperadas

do solo (Figura 20A). Tambm houve diferena significativa entre pasto e solo quanto

ao perodo de sobrevivncia (Figura 20B). Constatou-se que as larvas sobreviveram por

mais tempo na vegetao que no solo. Estes resultados podem estar intimamente

74

Figura 20.A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no pasto e solo, expressos em

nmero de L3/Kg de matria seca e em Kg de solo. B. Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais

de caprinos, no pasto e solo, expressos em semanas. (Letras, minsculas, distintas diferem ao nvel de 5% de

probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

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J F M A M J J A S O N D

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Pa s to a

S o lo b

A B

75

relacionados ao tipo de solo da regio, que do tipo franco argiloso, o qual possui em

sua composio cerca de 70% de argila e 30% de areia (RAMOS et al. 1973). Isto

provavelmente dificultou a migrao e sobrevivncia das L3 no solo, uma vez que este

pode produzir uma liga bastante forte com baixa aerao. Autores como KAUZAL

(1941), CALLINAN & WESTCOTT (1986), LYAKU et al. (1988) consideraram que o

solo poderia atuar como um reservatrio de larvas infectantes, buscando neste, um

refgio as condies adversas, pois seus resultados apontaram para essa hiptese, no

entanto, os tipos de solos trabalhados por esses autores eram do tipo arenoso e humfero.

5.3.1. Dados apresentados ms a ms:

Analisando os resultados deste estudo ms a ms, observou-se que no houve

diferena significativa entre os meses tanto para distribuio quanto para longevidade

das larvas infectantes de Trichostrongylus e Haemonchus, na vegetao e solo

respectivamente (Figuras 21 A, B e 22 A, B).

Foi registrado, porm, que a maior quantidade de larvas recuperadas para

Trichostrongylus no pasto foi no ms de julho e no solo no ms de outubro. Meses cujos

valores mdios de temperatura e precipitao foram respectivamente 22 e 260C e 10 e

52mm (Figura 23). Na vegetao as L3 foram capazes de sobreviver por um perodo de

aproximadamente dez semanas e no solo seis, ambos no ms de abril.

No pasto, o gnero Haemonchus teve seu pico de recuperao no ms de maro,

onde foi registrada a temperatura mdia de 260C e 246mm de precipitao; e no solo o

ms de outubro. A longevidade dessas larvas no pasto e solo foi de 13 semanas em

maro e cinco semanas em abril, respectivamente. LYAKU et al. (1988) observaram

que larvas de Haemonchus sobreviveram at trs semanas em solos, concordando com o

registrado no presente estudo.

Larvas de Oesophagostomum na vegetao foram mais recuperadas em maio,

cujos valores de temperatura e precipitao foram respectivamente 220C e 70.6mm e no

solo, em outubro. O perodo de sobrevivncia dessas larvas foi de oito semanas em

maro, na vegetao e de duas semanas no solo, em abril. LYAKU et al. (1988)

verificaram que essas larvas sobreviveram at nove semanas, em seus estudos.

A exemplo do captulo anterior, a temperatura pareceu ser um fator importante

na distribuio de Trichostrongylus e Oesophagostomum ao longo do ano, pois os dois

gneros, foram recuperados em meses onde a temperatura apresentou-se mais amena.

Concordando com LEVINE (1963), que afirmou que a temperatura poderia ser um fator

76

Figura 21.A. Distribuio de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em

nmero de L3/Kg de matria seca e em logaritmo do nmero de L3. B. Distribuio de larvas infectantes de nematides

gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em nmero de L3/Kg e em logaritmo do nmero de L3 (Letras,

minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de probabilidade.).

T ric h o s tro n g y lu s s p . - p a s to

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

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A B

77

Figura 22.A. Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em

semanas e em logaritmo do nmero de semanas. B. Longevidade de larvas infectantes de nematides gastrintestinais

de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo do nmero de semanas (Letras, minsculas, idnticas no

diferem ao nvel de 5% de probabilidade.).

T ric hos t rongylus s p . - pas to

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plu

vio

sid

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m m

m

PP MTMx.

MTMn. MTMdi

Figura 23. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, obtidos na Estao experimental da Pesagro-Rio, Seropdica, RJ.

79

limitante. A precipitao no pareceu exercer importncia, pois os meses de maior

precipitao no coincidiram com os meses de maior recuperao de larvas. E embora

os maiores nmeros de L3 de Haemonchus tenham sido recuperados num ms chuvoso,

esses eventos pareceram no ter relao direta com a distribuio de larvas; podendo

outros fatores, estarem influenciando de forma mais clara, como sugeriu AUMONT et

al. (1989).

5.3.2. Dados apresentados em quatro estaes:

Assim como no tpico anterior, o nmero de larvas recuperadas e o perodo

sobrevivncia destas foi significativamente maior no pasto (p 0.05) do que solo. A

distribuio de L3 assim como a longevidade na vegetao e solo, para os trs gneros,

esto sucintamente apresentados nas Figura 24 A, B e Figura 25 A, B, respectivamente.

Os gneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram na vegetao e no solo,

nas quatro estaes. Esses dados concordam com os achados de PIMENTEL NETO &

FONSECA (no prelo), na vegetao. O gnero Oesophagostomum ocorreu nas estaes

do outono e inverno, na vegetao e nas quatro estaes, no solo. Os dados climticos

divididos em quatro estaes esto apresentados na figura 26.

A distribuio de larvas de Trichostrongylus foi significativamente diferente

entre as estaes do vero e as demais, sendo esta a poca em que menos se recuperou

larva da vegetao. TRIPATHI (1970b) verificou que o perodo quente foi desfavorvel

sobrevivncia das larvas. Foi no inverno quando registrou-se o maior nmero de

larvas, 15.498. No solo no foi registrada diferena entre as estaes, embora o maior

nmero de larvas tenha sido recuperado na primavera, duas L3. O outono foi a estao

onde registrou-se significativamente o maior perodo de sobrevivncia para larvas de

Trichostrongylus na vegetao, em relao as demais estaes. No solo, no houve

diferena significativa entre as estaes, embora tambm tenha sido no outono,

registrado a maior longevidade.

O gnero Haemonchus foi recuperado na vegetao, em maior nmero na

estao do outono, diferindo significativamente das demais. DINABURG (1944)

observou que os meses do vero e inverno foram desfavorveis ao desenvolvimento e

sobrevivncia das larvas de Haemonchus. Estes dados esto de acordo com o presente

estudo. No solo, embora no tenha ocorrido diferena estatstica entre as estaes, a

primavera foi a que se destacou. O perodo de sobrevivncia de Haemonchus na

80

Figura 24.A. Distribuio, nas quatro estaes, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no pasto,

expressos nmero de L3/Kg matria seca e em logaritmo do nmero de L3. B. Distribuio, nas quatro estaes, de larvas

infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em nmero de L3/Kg matria seca e em

logaritmo do nmero de L3 (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de probabilidade.).

H a e m n c h u s s p . - p a s to

0

2 0 0 0 0

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L3

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A B

81

Figura 25.A. Longevidade, nas quatro estaes, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no pasto,

expressos em semanas e em logaritmo do nmero de semanas. B. Longevidade, nas quatro estaes, de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo do nmero de semanas (Letras,

minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - p a s to

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A B

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m m

m

PP MTMx.

MTMn. MTMdi

Figura 26. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e precipitao

pluviomtrica, em quatro estaes, obtidos na Estao experimental da Pesagro-Rio, Seropdica, RJ.

83

vegetao foi significativamente maior no outono. No solo tambm no houve diferena

entre as estaes.

LEVINE & TODD (1975) observaram que poucas larvas de Haemonchus

sobreviveram no inverno, e ao contrrio larvas de Trichostrongylus sobreviveram bem

nesta estao. O mesmo foi verificado neste estudo.

Embora no se tenha empregado teste estatstico para Oesophagostomum,

verificou-se que o outono e a primavera foram estaes eleitas para o desenvolvimento

de L3 na vegetao e solo, respectivamente. O melhor perodo de sobrevivncia foi

identificado como a estao do outono na vegetao e no solo, no houve destaque.

5.3.3. Dados apresentados nos perodos chuvoso e seco:

Os dados de distribuio e longevidade dos trs gneros de larvas recuperadas

neste estudo ao nvel de vegetao e solo, esto respectivamente apresentados nas

figuras 27A, B e 28A, B. Os dados climticos esto apresentados na figura 29.

O trs gneros ocorreram na vegetao e no solo, nos dois perodos estudados. A

recuperao e sobrevivncia de larvas de Trichostrongylus na vegetao foi

significativamente superior no perodo seco. Para o solo, o perodo chuvoso e seco,

foram, respectivamente, as pocas em que se recuperou maior nmero de larvas e que as

mesmas sobreviveram, embora no tenha sido verificada diferena significativa entre os

perodos. A distribuio e longevidade de larvas de Oesophagostomum foram

semelhantes de Trichostrongylus.

No houve diferena estatstica entre os dois perodos para a distribuio e

longevidade de larvas de Haemonchus tanto na vegetao quanto no solo. TRIPATHI

(1970a), FABIYI (1973), CAVALCANTI (1974), GRISE (1975), CONNOR et al.

(1990), McCULLOCK & KASIMBALA (1968) registraram que H. contortus

apresentou seu pico no perodo chuvoso. Embora os resultados na vegetao mostrem

uma tendncia a este fato, os mesmos discordam, pois estatisticamente no houve

diferena entre os dois perodos.

84

Figura 27.A. Distribuio nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de

caprinos, no pasto, expressos nmero de L3/Kg matria seca e em logaritmo do nmero de L3. B. Distribuio nos

perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em

nmero de L3/Kg matria seca e em logaritmo do nmero de L3 (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de

5% de probabilidade.).

H a e m o n c h u s s p . - p a s to

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

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5 0 0

1 0 0 0

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a

a

a

A B

85

Figura 28.A. Longevidade, nos perodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de

caprinos, no pasto, expressos em semanas e em logaritmo do nmero de semanas. B. Longevidade, nos perodos

chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em

logaritmo do nmero de semanas (Letras, minsculas, idnticas no diferem ao nvel de 5% de probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - p a s to

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PP MTMx.

MTMn. MTMdi

Figura 29. Dados climticos das mdias das temperaturas mximas, mdias e mnimas, e

precipitao pluviomtrica, nos perodos chuvoso e seco, obtidos na Estao experimental da

Pesagro-Rio, Seropdica, RJ.

87

5. 4. CONCLUSES

De acordo com os resultados apresentados neste captulo, pde-se concluir que:

1. O sistema de irrigao no favoreceu a migrao de larvas infectantes para a

vegetao e solo;

2. As larvas infectantes de nematides gastrintestinais foram capazes de migrar para o

solo, porm a distribuio e o perodo de sobrevivncia mostraram a irrelevante

importncia epidemiolgica deste habitat, nesta regio.

3. Ao longo de um ano, no houve diferena significativa entre os meses, para

distribuio e longevidade de larvas infectantes dos trs gneros encontrados neste

estudo;

4. Com anlise nas quatro estaes, o gnero Trichostrongylus obteve o maior e menor

nmero de larvas recuperadas no inverno e vero, respectivamente. Esses resultados

foram associados temperatura;

5. O maior nmero de larvas infectantes de Haemonchus recuperadas foi no outono;

6. O outono foi a poca mais favorvel para a sobrevivncia de larvas infectantes de

nematides gastrintestinais de caprinos, na vegetao;

7. O perodo seco foi favorvel distribuio e sobrevivncia de larvas de

Trichostrongylus;

8. No houve diferena significativa entre os perodos chuvoso e seco para distribuio

e longevidade de Haemonchus.

88

6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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