ufrrjr1.ufrrj.br/adivaldofonseca/wp-content/uploads/2014/06/catro-a-a... · os quais nove como...

of 117 /117
UFRRJ INSTITUTO DE VETERINÁRIA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS TESE Distribuição e Longevidade de Larvas Infectantes de Nematóides Gastrintestinais de Caprinos (Capra hircus) em Solo e Pastagem Irrigados e Não- irrigados no Município de Seropédica, RJ, Brasil Abisair Andrade de Castro 2004

Upload: duonganh

Post on 27-Dec-2018

224 views

Category:

Documents


0 download

TRANSCRIPT

UFRRJ

INSTITUTO DE VETERINÁRIA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM

CIÊNCIAS VETERINÁRIAS

TESE

Distribuição e Longevidade de Larvas Infectantes

de Nematóides Gastrintestinais de Caprinos

(Capra hircus) em Solo e Pastagem Irrigados e Não-

irrigados no Município de Seropédica, RJ, Brasil

Abisair Andrade de Castro

2004

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE VETERINÁRIA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS

PARASITOLOGIA VETERINÁRIA

DISTRIBUIÇÃO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE NEMATÓIDES

GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM SOLO E PASTAGEM

IRRIGADOS E NÃO-IRRIGADOS NO MUNICÍPIO DE SEROPÉDICA, RJ, BRASIL

ABISAIR ANDRADE DE CASTRO

Sob a Orientação do Professor

Dr. Adivaldo Henrique da Fonseca

E Co-orientação do Professor

Dr. Laerte Grisi

Tese submetida como requisito parcial

para obtenção do grau de Philosophiae

Doctor em Ciências Veterinárias, Área

de concentração em Parasitologia

Veterinária.

Seropédica, RJ

Março de 2004

Verificar na Biblioteca Central.

...........

.....................

Castro, Abisair Andrade

Distribuição e longevidade de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em solo e pastagem irrigados e

não-irrigados no município de Seropédica, RJ, Brasil. Seropédica. RJ.

UFRRJ. Instituto de Veterinária. 2004.

xv. nº f: il..............................

Orientador: Adivaldo Henrique da Fonseca

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE VETERINÁRIA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS –

PARASITOLOGIA VETERINÁRIA

ABISAIR ANDRADE DE CASTRO

Tese submetida ao Curso de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, como requisito

parcial para obtenção do grau de Philosophiae Doctor, em Ciências Veterinárias, área de

concentração em Parasitologia Veterinária.

TESE APROVADA EM 25/03/2004

Adivaldo Henrique da Fonseca. Dr. UFRRJ

(Orientador)

Laerte Grisi. Dr. UFRRJ

Maria de Lurdes de Azevedo Rodrigues. Dra. UFRRJ

Débora Henrique da Silva Anjos. Dra. UFRJ

Denise Botelho de Oliveira Braga. Dra. UFF

“O temor ao Senhor é o princípio da ciência... A sabedoria é cousa principal: adquire pois a sabedoria; sim, com tudo o que possuis adquire o conhecimento. Exalta-a, e ela te exaltará; e abraçando-a tu, ela te honrará. Dará à tua cabeça um diadema de graça, e uma coroa de glória te entregará.” (Provérbios, 1:7; 4:7-9.)

A Deus, pois está escrito...

“... sem Mim, nada podeis fazer.” (João 15:5)

Ao meu esposo, João Carlos,

pelo apoio, compreensão e carinho...

Aos meus pais, Othniel e Maria Auxiliadora, cujos ensinamentos são minha maior e mais rica herança...

Dedico...

Amo vocês.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, a Deus, por ter me dado condições físicas e psicológicas, e ainda

por proporcionar os meios para o desenvolvimento e término deste trabalho.

Ao prof. Dr. Adivaldo Henrique da Fonseca pela amizade, apoio e orientação

deste estudo.

Ao pesquisador Dr. Manoel Pimentel Neto pelo carinho, amizade e orientação

na escolha do tema deste estudo.

Ao meu esposo, João Carlos; aos meus pais, Othniel e Maria Auxiliadora; ao

meu irmão, Asriel, a minha cunhada, Cristiane, e ao pequeno Abhner Lucas por estarem

sempre ao meu lado.

A amiga M. Sc.Erika Izaac de Ornelas por todo incentivo, apoio e ajuda na parte

inicial e ao longo deste estudo.

A amiga e futura Dra. Cátia Marques da Costa pela assistência no cuidado com

os animais em várias ocasiões, e pelos valiosos e enriquecedores momentos

compartilhados no dia a dia.

Aos mestrandos Daniel S. Guedes Junior e Carlo J. F. Oliveira pela amizade,

disponibilidade e ajuda em vários momentos.

Aos bolsistas de iniciação científica Fábio J. M. Silva e Patrícia F. Magalhães

pelo importante auxílio durante a fase final deste estudo.

A doutoranda Alessandra Scofield pela amizade e grandiosa ajuda no

processamento das imagens.

Ao técnico de laboratório Luiz Carlos Ribeiro da Paz e ao estagiário André Luis

C. de Azevedo pela amizade e toda ajuda disponibilizada em vários momentos.

Aos demais colegas do Laboratório de Doenças Parasitárias - Projeto Sanidade

Animal/ Embrapa: Isis Abel, Renata C. Madureira, Nathalie C. da Cunha, Luciana de

Almeida, Raquel Lisboa, Jaime da S. Pena, Fabíola N. Corrêa, e Charles P. Rangel pela

amizade, apoio e por compartilharem de muitos momentos na realização deste trabalho.

A professora Dra Maria de Lurdes de Azevedo Rodrigues pela amizade,

incentivo e preciosos conselhos, nos primeiros passos da minha carreira profissional.

A professora Dra. Débora H. Anjos pela amizade desde os tempos de

graduação...

Ao professor Dr. Rafael de La Veja Ruíbal pelo apoio técnico na parte estatística

deste estudo e ao técnico veterinário Andrés Carrejo Hernández pelos momentos

compartilhados na fase final deste estudo.

A Sra. Sandra Sanchez, coordenadora do setor de agropecuária do Colégio

Técnico da Universidade Rural, por gentilmente ceder os animais para realização do

presente estudo.

Ao Sr. Josué L. Castro, responsável pelo setor de caprinocultura do Colégio

Técnico da Universidade Rural, pelas orientações práticas no cuidado com os animais.

Ao professor e químico Wanderley M. Passos por fornecer o detergente não-

iônico, utilizado neste estudo.

Ao engenheiro agrônomo Ednaldo Silva por elaborar o projeto de irrigação.

A todos os funcionários e técnicos do Prédio de Sanidade Animal,

PSA/Embrapa, pela amizade demonstrada ao longo do curso.

A todos os professores do Curso de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias -

Parasitologia Veterinária, e ainda, a todos aqueles que contribuíram direta ou

indiretamente na elaboração deste estudo.

Ao CNPq e FAPERJ pelo auxílio financeiro.

BIOGRAFIA

ABISAIR ANDRADE DE CASTRO, filha de Othniel Rodrigues de Castro e Maria

Auxiliadora da Silva Andrade de Castro, nasceu em 25 de março de 1973, na cidade do

Rio de Janeiro, (R.J.) onde cursou o ensino fundamental na Escola Municipal Pracinha

João da Silva. Concluiu o curso normal em 1990, ao nível de ensino médio, no Instituto

de Educação Sarah Kubitschek.

Ingressou no curso de Ciências Físicas e Biológicas em 1993, na Universidade

Federal Rural do Rio de Janeiro, onde obteve os graus de Licenciatura e Bacharelado

em 1997 e 1998, respectivamente.

Foi bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento

Científico e Tecnológico (CNPq), no período de 01/08/1995 a 31/12/1997, participando

de trabalhos de pesquisa no Laboratório de Helmintologia da Estação para Pesquisas

Parasitológicas W. O. Neitz, sob orientação da Profa Dra Maria de Lurdes de Azevedo

Rodrigues, do Departamento de Parasitologia Animal, Instituto de Veterinária, da

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Em março de 2000, defendeu a dissertação de Mestrado, também sob orientação

da Dra. Maria de Lurdes de Azevedo Rodrigues, pelo Curso de Pós-graduação em

Medicina Veterinária – Parasitologia Veterinária, do DPA/IB-UFRRJ; tendo sido no

mesmo ano, aprovada e matriculada para o Doutorado pelo Curso de Pós-graduação em

Ciências Veterinárias – Parasitologia Veterinária, CPGCV-PV, da UFRRJ, agora sob

orientação do Dr. Adivaldo Henrique da Fonseca.

Durante o período acadêmico registraram-se 54 publicações científicas, dentre

os quais nove como artigos em revistas científicas indexadas e 45 em congressos e

eventos científicos nacionais e internacionais. E nesta data, apresenta e defende esta tese

como requisito parcial para a obtenção do título de Philosophiae Doctor.

SUMÁRIO

Pág.

1. INTRODUÇÃO................................................................................................................... 1

2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................................................. 4

2.1 TÉCNICAS PARA RECUPERAÇÃO DE LARVAS INFECTANTES DA PASTAGEM.............. 4

2.2 DISTRIBUIÇÃO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES NA PASTAGEM, NO

EXTERIOR......................................................................................................................

8

2.2 DISTRIBUIÇÃO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES NA PASTAGEM, NO

BRASIL..........................................................................................................................

15

2.3 ESTUDOS COM PASTAGEM IRRIGADA………………………………...................... 16

2.4 DISTRIBUIÇÃO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES NO SOLO....................... 18

3. CAPÍTULO I: “COMPARAÇÃO ENTRE AS TÉCNICAS DE BAERMANN MODIFICADA E

DONALD UTILIZADAS PARA RECUPERAR LARVAS INFECTANTES DE NEMATÓIDES

GASTRINTESTINAIS DE RUMINANTES DA PASTAGEM”............................................................

21

RESUMO............................................................................................................................... 22

ABSTRACT............................................................................................................................ 23

3.1. INTRODUÇÃO........................................................................................................ 24

3.2. MATERIAL E MÉTODOS......................................................................................... 25

3.2.1. LOCAL...................................................................................................... 25

3.2.2. AMOSTRAS................................................................................................ 25

3.2.3. COLETA DE DADOS.................................................................................... 25

3.2.4. DESCRIÇÃO DA TÉCNICA DE BAERMANN................................................... 25

3.2.5. DESCRIÇÃO DA TÉCNICA DE DONALD........................................................ 26

3.2.6. ANÁLISE ESTATÍSTICA............................................................................... 26

3.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................... 28

3.4. CONCLUSÕES......................................................................................................... 32

4. CAPÍTULO II: “DISTRIBUIÇÃO SAZONAL E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE

NEMATÓIDES GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM PASTAGEM IRRIGADA E

NÃO-IRRIGADA”....................................................................................................................

33

RESUMO............................................................................................................................... 33

ABSTRACT............................................................................................................................ 34

4.1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 35

4.2. MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................................... 38

4.2.1. LOCAL....................................................................................................... 38

4.2.2. ANIMAIS E AMOSTRAS DE FEZES................................................................ 38

4.2.3. CLIMA....................................................................................................... 38

4.2.4. PIQUETES................................................................................................... 38

4.2.5. COLETA DE DADOS.................................................................................... 40

4.2.6. ESTIMATIVA DOS DADOS EM MATÉRIA SECA.............................................. 40

4.2.7. ANÁLISE ESTATÍSTICA............................................................................... 40

4.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................... 43

4.3.1. DADOS APRESENTADOS MÊS A MÊS........................................................... 49

4.3.2. DADOS APRESENTADOS EM QUATRO ESTAÇÕES......................................... 56

4.3.3.DADOS APRESENTADOS NOS PERÍODOS CHUVOSO E SECO........................... 59

4.4. CONCLUSÕES......................................................................................................... 63

5. CAPÍTULO III: “DISTRIBUIÇÃO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE

NEMATÓIDES GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM SOLO E PASTAGEM

IRRIGADOS E NÃO-IRRIGADOS”.............................................................................................

65

RESUMO............................................................................................................................... 66

ABSTRACT............................................................................................................................ 67

5.1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 68

5.2. MATERIAL E MÉTODOS......................................................................................... 69

5.2.1. LOCAL....................................................................................................... 69

5.2.2. ANIMAIS E AMOSTRAS DE FEZES................................................................ 69

5.2.3. CLIMA E SOLO............................................................................................ 69

5.2.4. PIQUETES................................................................................................... 69

5.2.5. COLETA DE DADOS.................................................................................... 69

5.2.6. ESTIMATIVA DOS DADOS EM MATÉRIA SECA.............................................. 70

5.2.7. ANÁLISE ESTATÍSTICA............................................................................... 70

5.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................... 73

5.3.1. DADOS APRESENTADOS MÊS A MÊS........................................................... 75

5.3.2. DADOS APRESENTADOS EM QUATRO ESTAÇÕES......................................... 79

5.3.3.DADOS APRESENTADOS NOS PERÍODOS CHUVOSO E SECO........................... 83

5.4. CONCLUSÕES........................................................................................................ 87

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................ 88

LISTA DE FIGURAS

FIGURAS Pág.

1. Técnica de Baermann processando gramínea.................................................................. 27

2. Etapas da técnica de Donald; A - início da etapa de lavagem; B - cálices de

decantação; C - funis de separação.................................................................................

27

3. Número total de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de bovinos, por

kg/pasto, recuperadas pelas técnicas de Baermann e Donald..............................................

31

4. A – coletor plástico cortado em forma de bisel recebendo glicerina para facilitar a

coleta; B – amostras de fezes sendo coletadas diretamente do reto com auxílio de

coletor..................................................................................................................................

39

5. A - Piquetes de experimento; A () piquete não-irrigado, “A” com amostras; B ()

piquete irrigado, “B” com amostras....................................................................................

39

6. Coprocultura, técnica utilizada para obtenção de larvas infectantes. () Setas

indicam as L3 migrando pela parede do copo de vidro.......................................................

42

7. Larvas infectantes encontradas no presente estudo. São respectivamente: A e B:

extremidade anterior e posterior de Trichostrongylus sp.; C e D: extremidade anterior e

posterior de Haemonchus sp. e E e F: extremidade anterior e posterior de

Oesophagostomum sp..........................................................................................................

44

8: Curvas gráficas dos números de L3/kg de pasto de Trichostrongylus, Haemonchus e

Oesophagostomum, apresentados à esquerda, em matéria seca (ms) e à direita, em

matéria verde (mv)..............................................................................................................

46

9: A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos entre

os piquetes A, não-irrigado e B, irrigado. B. Longevidade de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos entre os piquetes A, não-irrigado e B,

irrigado................................................................................................................................

47

10. Pastagens: A Amostra no piquete A, não-irrigado; B. Amostra no piquete B, irrigado 48

11: Estimativa do número de fêmeas, do número de ovos por gênero, distribuição de

larvas por kg/ms nos piquetes A e B, para Trichostrongylus e Haemonchus.....................

50

12: Dados climáticos. Distribuição por mês, do número larvas infectantes de

Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum por Kg/ms e seus respectivos

dados transformados, em Seropédica..................................................................................

52

13: Dados climáticos. Longevidade por mês, do número larvas infectantes de

Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum em semanas e seus respectivos

dados transformados, em Seropédica..................................................................................

53

14: A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos em

quatro estações. B. Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de

caprinos em quatro estações. (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5%

de probabilidade.)................................................................................................................

57

15. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, em quatro estações, obtidos na Estação experimental da

Pesagro-Rio, Seropédica, RJ................................................................................................

58

16. A. Distribuição nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, expressos número de L3/Kg matéria seca e em logaritmo do

número de L3. B. Longevidade nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos expressos em semanas e seus respectivos dados

transformados em logaritmo (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5%

de probabilidade.).................................................................................................................

60

17. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, nos períodos chuvoso e seco, obtidos na Estação

experimental da Pesagro-Rio, Seropédica, RJ.....................................................................

61

18. Trado, equipamento utizado para coleta de solo. () Seta indica o comprimento de

10cm; limite de profundidade utilizada no experimento......................................................

72

19. Etapas da técnica de Baermann, utilizada para processamento de amostras do solo.

A – funis com água destilada aquecida; B – amostras de solo sendo processadas..............

72

20. A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no

pasto e solo, expressos em número de L3/Kg de matéria seca e em Kg de solo. B.

Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no pasto e

solo, expressos em semanas. (Letras, minúsculas, distintas diferem ao nível de 5% de

probabilidade.).....................................................................................................................

74

21. A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no

pasto, expressos em número de L3/Kg de matéria seca e em logaritmo do número de L3.

B. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo,

expressos em número de L3/Kg e em logaritmo do número de L3 (Letras, minúsculas,

idênticas não diferem ao nível de 5% de probabilidade.)....................................................

76

22. A. Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no

pasto, expressos em semanas e em logaritmo do número de semanas. B. Longevidade de

larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em

semanas e em logaritmo do número de semanas (Letras, minúsculas, idênticas não

diferem ao nível de 5% de probabilidade.)..........................................................................

77

23. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, obtidos na Estação experimental da Pesagro-Rio, Sero., RJ.

78

24. A. Distribuição, nas quatro estações, de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos número de L3/Kg matéria seca e em

logaritmo do número de L3. B. Distribuição, nas quatro estações, de larvas infectantes

de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em número de L3/Kg

matéria seca e em logaritmo do número de L3 (Letras, minúsculas, idênticas não

diferem ao nível de 5% de probabilidade.)..........................................................................

80

25. A. Longevidade, nas quatro estações, de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em semanas e em logaritmo do número

de semanas. B. Longevidade, nas quatro estações, de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo do número

de semanas (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de

probabilidade.).....................................................................................................................

81

26. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, em quatro estações, obtidos na Estação experimental da

Pesagro-Rio, Seropédica, RJ...............................................................................................

82

27. A. Distribuição nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos número de L3/Kg matéria seca e em

logaritmo do número de L3. B. Distribuição nos períodos chuvoso e seco, de larvas

infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em número de

L3/Kg matéria seca e em logaritmo do número de L3 (Letras, minúsculas, idênticas não

diferem ao nível de 5% de probabilidade.)..........................................................................

84

28. A. Longevidade, nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em semanas e em logaritmo do número

de semanas. B. Longevidade, nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo

do número de semanas (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de

probabilidade.).....................................................................................................................

85

29. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, nos períodos chuvoso e seco, obtidos na Estação

experimental da Pesagro-Rio, Seropédica, RJ.....................................................................

86

LISTA DE TABELAS

TABELAS Pág.

1: Número das amostras, número total e média de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de Haemonchus sp e Oesophagostomum sp, recuperadas pelas

técnicas de Baermann e Donald, 21 e 28 dias após o depósito.......................................

29

2: Números médios de larvas infectantes de Trichostrongylus e Haemonchus

recuperadas; período de sobrevivência por mês e seus respectivos valores

transformados.................................................................................................................

51

xvii

RESUMO

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribuição e Longevidade de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em pastagem no município

de Seropédica, RJ, Brasil. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese – Doutorado em

Ciências Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

O conhecimento do grau de contaminação das pastagens por larvas infectantes de

trichostrongilídeos é muito útil aos propósitos epidemiológicos. Pode-se determinar o

risco de infecção dos animais e fornecer dados para o estabelecimento de programas de

controle integrado. Assim este estudo foi elaborado em três partes: a primeira diz

respeito a um estudo comparativo entre duas técnicas para recuperar larvas infectantes

da pastagem. Para isto, seis amostras de fezes naturalmente infectadas foram

depositadas a campo. Após 21 e 28 dias ao depósito, amostras de gramínea foram

coletadas e processadas pelas técnicas propostas. A análise estatística demonstrou que

não houve diferença significativa entre os resultados. Assim, as duas técnicas podem ser

utilizadas para recuperação de larvas infectantes da pastagem.

A segunda parte refere-se a distribuição sazonal e longevidade de larvas infectantes em

pastagem irrigada e não-irrigada. Amostras de vegetação, dos dois piquetes, não-

irrigado A, e irrigado B, foram examinadas a cada 14 dias pela técnica de Donald,

durante maio/01 a abril/03. Os resultados indicam que as condições ambientais foram

favoráveis ao desenvolvimento e longevidade de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos. Os gêneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram em

praticamente todos os meses. Trichostrongylus mostrou maior longevidade e

Haemonchus foi o mais abundante. O sistema de irrigação pareceu ser favorável à

longevidade de Haemonchus e Oesophagostomum, no entanto não mostrou influência

positiva no aumento de número de larvas no pasto. A ocorrência de Oesophagostomum

e Cooperia foi rara e inexistente, respectivamente.

A última parte aborda a distribuição e longevidade de larvas no solo e pastagem irrigada

e não-irrigada. Assim, amostras de solo e vegetação não-irrigada e irrigada foram

examinadas a cada 14 dias durante o período de outubro/02 a setembro/03. Amostras de

solo e vegetação foram processadas usando as técnicas de Baermann e Donald,

respectivamente. Os resultados mostram que as larvas de helmintos foram capazes de

migrar para o solo, considerando este um refúgio às condições adversas. No entanto, a

distribuição e longevidade indicaram a irrelevante importância epidemiológica deste

habitat. A vegetação foi o habitat eleito pelas larvas. O sistema de irrigação não

favoreceu a migração de larvas para o solo.

Palavras-Chave: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp.,

vegetação, irrigação, solo, epidemiologia, ruminantes.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-orientador) e

Fábio B. Scott – UFRRJ.

18

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribution and longevity of infective larvae of goats

(Capra hircus) gastrointestinal nematodes in pastures on borough Seropédica, RJ,

Brazil. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis – Doctor Science at Ciências Veterinárias,

Parasitologia Veterinária)

The knowledge of trichostrongyle infective larvae population level present on the pastures

is useful for epidemiological purposes. It enables to estimate parasitic risk for animals and

supply data to set up integrated control programs. This paper was elaborated in three parts:

first, a comparative study between Baermann and Donald techniques was accomplished for

the recovery of ruminants gastrointestinal nematodes infective larvae from pasture. To

develop the assay, six fecal samples naturally infected were placed on lawn. After 21 and

28 days, pastures samples were collected and processed for each proposed technique. The

statistic analysis showed that there is no significant difference between the results. Thus,

both techniques can be used to recover infective larvae from pasture.

The second part, refers to the seasonal distribution and longevity of goats gastrointestinal

nematodes infective larvae in irrigated and non-irrigated pastures. Thus, pasture samples at

two plots non-irrigated, A and irrigated, B were examined every 14 days for Donald’s

technique between mai/01 at april/03. The results indicate that environment conditions were

favorable to development and longevity of nematode infective larvae. The genus

Trichostrongylus and Haemonchus were present on all mouths. Trichostrongylus showed

more longevity and Haemonchus was more density. The irrigation system seems to be

favorable for the longevity of Haemonchus and Oesophagostomum infective larvae.

However, it did not have a positive influence on the increase of infective larvae number in

pasture. The Oesophagostomum and Cooperia occurrence was scarce and non-existent,

respectively.

The last part refers to distribution and longevity nematodes infective larvae in soil and

herbage irrigated and non-irrigated. Soil and pastures samples at two plots non-irrigated

and irrigated were examined every 14 days during october/02 at september/03. The soil and

herbage samples were processed using Baermann and Donald techniques, respectively. The

results showed that helminthes larvae were able to migrate for soil, that is considered a

refuge from the environment adverse condition. However, the distribution and longevity

indicate the low epidemiological importance of this niche. Pastures was the elected habitat

for the larvae. The irrigation system was not favorable to migration of infective larvae for

the soil.

Keywords: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., pastures,

irrigation, soil, epidemiology, ruminants.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Advisor), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-advisor) e Fábio B.

Scott – UFRRJ.

1

1. INTRODUÇÃO

O rebanho caprino da região sudeste do Brasil, calculado em 196.924 animais,

segundo o ANUALPEC (2001), representa a segunda maior região em número de

animais, e é em sua grande maioria constituído basicamente para uma pecuária de

subsistência. Os caprinos são considerados como importante fonte de alimento

fornecendo carne, leite principalmente para pequenos criadores nas áreas tropicais de

todo mundo (DEVENDRA, 1981).

Os nematóides gastrintestinais parasitos de caprinos constituem-se em um dos

fatores relevantes para o comprometimento da saúde e conseqüentemente da

produtividade em detrimento da verminose sub-clínica e morte dos animais

(REINECKE, 1970; ALLOMBY & URQUART, 1975). Eles possuem ciclo de vida

similar, com exceção do gênero Oesophagostomum que apresenta fase tissular. As

fêmeas adultas colocam ovos que são conduzidos juntamente com as fezes ao meio

exterior. Estes eclodem e desenvolvem-se em larvas de primeiro estágio, L1, e em

seguida em larvas de segundo estágio, L2. Elas são rabdiformes e se alimentam de

microorganismos do interior das fezes. De acordo com ROSE (1960) as massas fecais

funcionam como um reservatório e a pastagem, como veículo mais importante na

transmissão da parasitose. A larva de terceiro estágio, L3, é a infectante e migra das

fezes, indo a maioria para a vegetação, e uma pequena parte para o solo. Estas não se

alimentam e podem viver dias ou meses dependendo da espécie do nematóide e das

condições ambientais (LEVINE, 1980). Ao serem ingeridas por hospedeiros

susceptíveis, tornam-se adultas.

Durante o ciclo evolutivo, os estágios pré-parasíticos de nematóides

gastrintestinais no meio ambiente sofrem influência de uma série de fatores tais como:

temperatura, precipitação pluviométrica, umidade, luz solar, evaporação, oxigênio, tipo

de solo e pastagem (REINECKE, 1970). O desenvolvimento das larvas no pasto

depende basicamente da temperatura e da disponibilidade de umidade. Em geral, o

desenvolvimento dos estágios de vida livre é realçado pelo aumento da temperatura,

porém o tempo de sobrevivência diminui. A faixa de temperatura ótima para o

desenvolvimento parece ser entre 200C e 300C. Temperaturas extremas acima de 35-

400C, assim como temperaturas baixas são geralmente prejudiciais a todos os estágios

2

de vida livre e ovos; porém a larva infectante é geralmente mais resistente que outros

estágios (GIBBIS, 1973). Segundo este mesmo autor, fatores do microambiente,

incluindo tipo de solo e densidade da vegetação, também podem ter importante papel da

migração das larvas. Assim como período pré-patente e a fecundidade das fêmeas destes

nematóides. FITZSIMMONS (1970), em seu extenso trabalho de revisão, agrupou

alguns gêneros de helmintos de pequenos ruminantes como Haemonchus, Ostertagia,

Cooperia e Trichostrongylus como helmintos de ciclo de vida curto, tendo várias

gerações por ano, enquanto Nematodirus, e Oesophagostomum aqueles com ciclo de

vida longo, tendo somente uma ou duas gerações por ano. Segundo GIBBIS (1973), a

capacidade de ovopositar das fêmeas destes helmintos relacionada com o controle da

sua respectiva população é notável: a baixa taxa de produção de ovos de Nematodirus,

50 a 100 ovos por fêmea adulta, é compensada pela habilidade de seus estágios de vida

livre sobreviverem no pasto durante os meses do inverno. A alta capacidade de

ovopostura de Oesophagostomum, 3000 ovos por fêmea adulta, é justificada, pois é

longo o período pré-patente e há uma relativa susceptibilidade de seus estágios de vida

livre às condições ambientais.

Para estudar a distribuição e sobrevivência dos estágios pré-parasíticos de

tricostrongilídeos no ambiente, os métodos para recuperação de L3 na pastagem ganham

uma grande importância (DURIE, 1959). Várias técnicas têm sido testadas por vários

pesquisadores para isolar larvas de nematóides de diferentes meios onde as larvas

existem. A técnica mais bem conhecida e mundialmente utilizada é a de Baermann

(CORT et al. 1922). Outras técnicas foram descritas como TAYLOR, 1939; KAUZAL,

1940; DINABURG, 1942. DONALD (1967) descreveu sua técnica e obteve excelentes

percentuais de recuperação de L3 da pastagem. Alguns pesquisadores têm utilizado esta

técnica como método apropriado para suas pesquisas (VIANA, 1999; PIMENTEL

NETO et al., 2000; ALMEIDA, 2003). Segundo LANCASTER (1970) é importante

estabelecer a técnica que será utilizada, comparando um método com outro, com a

finalidade de padronizar a rotina, pois o valor da estimativa de larvas na vegetação e sua

relação com estudos epidemiológicos é indiscutível.

O crescente conhecimento da biologia e epidemiologia de nematóides

gastrintestinais de bovinos e ovinos têm contribuído para controle e conseqüentemente

com o aumento da produtividade. No entanto, pouco se conhece sobre a dinâmica

populacional de nematóides gastrintestinais de caprinos, no ambiente (CHARLES,

1989). Poucos dados também existem sobre a influência da irrigação sobre a

3

transmissão de larvas infectantes de tricostrongilídeos (STEWART & DOUGLAS,

1938; FURMAN, 1944). A introdução do sistema de irrigação pode mudar a

epidemiologia do parasitismo interno de nematóides, segundo afirmaram GRUNER et

al. (1989). BULLICK & ANDERSEN (1978) nos E. U. A. mostraram o positivo efeito

do sistema de irrigação sobre o desenvolvimento e sobrevivência de H. contortus.

Informações a respeito do ambiente sobre o desenvolvimento dos estágios de

vida livre de nematóides de ruminantes é de fundamental importância, pois a partir daí,

pode-se desenvolver medidas estratégicas e táticas de controle, objetivando um manejo

prático ou combate direto às formas pré-parasíticas (KRECEK et al., 1991). Existem

poucas informações disponíveis sobre a influência de solos tropicais albergando larvas

infectantes de nematóides (LYAKU et al. 1988). Na realidade existe uma grande

controvérsia a respeito deste fato. Alguns autores afirmam que o solo pode atuar como

reservatório de larvas infectantes, assim como as fezes, onde num ambiente

desfavorável, as L3 migrariam a determinadas profundidades para se protegerem. E

num momento seguinte, quando as condições ambientais estivessem favoráveis

migrariam de volta a superfície, recontaminando a pastagem (KAUZAL, 1941; REES,

1950; AL SAQUUR et al. 1982; GRUNER et al. 1982; CALLINAN & WESTCOTT,

1986). Por outro lado, existem outros autores que discordam deste fato, pois em seus

trabalhos, recuperaram poucas larvas do solo (ANSERSEN et al. 1970, ROSE &

SMALL, 1985).

O presente trabalho foi elaborado tendo como base os seguintes objetivos:

avaliar métodos para recuperar L3 da pastagem; estudar a distribuição e longevidade de

larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos em pastagem irrigada e

não-irrigada, bem como no solo. O trabalho foi didaticamente dividido em três

capítulos. No primeiro trata-se da escolha da técnica para recuperação de larvas da

vegetação; o segundo, sobre a distribuição sazonal e longevidade de L3 na vegetação

irrigada e não-irrigada durante dois anos e o terceiro capítulo mostra o estudo de

distribuição e longevidade de L3 no pasto e solo, em área irrigada e não-irrigada.

4

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Técnicas para recuperação de larvas infectantes da pastagem

Em 1917 foi descrita por Baermann a primeira técnica para isolar larvas de

nematóides do solo, a qual era basicamente constituída por um funil de vidro, com

borracha de látex presa à sua parte posterior e fechada com uma pinça. Dentro do funil

um tamis com malha de 1mm coberto com pano, onde a amostra era colocada.

Primeiramente o funil era completado com água destilada esterilizada até à borda, em

seguida a amostra era mergulhada em água. Esta técnica foi detalhadamente descrita por

CORT et al. (1922); onde os autores testaram o efeito de várias modificações para

recuperar larvas de ancilostomídeos do solo: temperatura da água (acima de 120C), tipos

de substratos (úmido/seco), tamanhos das amostras (grandes/pequenas), tempo de

recuperação (seis horas ou mais). Eles registraram que mesmo nas melhores condições

para a obtenção de larvas, a taxa de recuperação foi alta, porém muito variável.

Utilizando-se a modificada técnica de Baermann segundo CORT et al. (1922),

com acréscimo de um número conhecido de larvas de ancilostomídeos, em 100mg de

amostras de diferentes tipos de solos, STOLL (1923), recuperou entre 90 a 95% de

larvas do húmus, constituído basicamente de vegetação em vários estágios de

decomposição; 80% de larvas da areia e entre 33 a 50% de larvas do solo argiloso.

CORT et al. (1926), usaram rotineiramente água a 450C, e observaram que de 1900-

3750 larvas de Ancylostoma e Necator colocadas em lotes de 200g de areia úmida,

recuperaram uma taxa de 58% de larvas, depois de 24 horas.

MÖNNING (1930) testando esta técnica em amostras de fezes e diferentes tipos

de solos, para recuperação de larvas de Trichostrongylus sp, Haemonchus contortus e

Oesophagostomum columbianum, registrou excelentes resultados comparados àqueles

de CORT et al. (1922) com larvas de ancilostomídeos. Seus melhores resultados foram

provenientes de amostras de solo e com a utilização de pequenos funis com cerca de

6cm de diâmetro.

A técnica de Baermann testada para recuperar larvas infectantes, L3, de

estrongilídeos, a partir de número de L3 conhecido em 40mg fezes estéreis de eqüinos,

resultou em baixos números de larvas, tendo os mesmos alta variação (PARNELL,

1936).

5

O primeiro registro da utilização da técnica de Baermann para recuperar larvas

infectantes das pastagens, foi descrito por TAYLOR em 1939 embora suas pesquisas a

campo tenham sido iniciadas anteriormente. A nova adaptação da técnica consistia na

lavagem e sedimentação de grandes quantidades de vegetação variando de 300 a 500g,

cortadas em zig-zag. Em seguida, as amostras eram tamisadas por papel filtro e a

subseqüente separação das larvas do sedimento era realizado pelo funil de Baermann. A

ineficiência do método e a perda de larvas durante a separação foi reconhecida pelo

autor.

Várias modificações à técnica de Baermann, para avaliar a sua eficácia em

recuperar larvas de H. contortus e Trichostrongylus spp. também foram sugeridas por

KAUZAL (1940). Ele fez vários testes associando o tamanho do funil à quantidade de

amostra e concluiu que, apesar, de um maior número de larvas ter sido recuperado

quando se utilizou água a temperatura ambiente, os mesmos foram baixos e variaram

muito. Dois anos depois, DINABURG (1942) testou novamente a eficiência da técnica

para recuperar L3 de H. contortus de amostras de solo e fezes, e também observou sua

alta variação: com o tipo de material utilizado, o substrato em questão, o número inicial

de larvas, concluindo assim, sua ineficiência.

O método de flutuação, denominado assim por CROFTON (1954), foi

desenvolvido para recuperar larvas infectantes da vegetação. As amostras eram

umedecidas, onde se adicionava lentamente uma solução saturada de sulfato de zinco

(ZnSO4) que permanecia por cinco minutos. Em seguida, as amostras eram tamizadas.

No entanto, seus resultados não foram satisfatórios.

O uso de lavagens da vegetação, seguido por centrifugações e adição de solução

por diferença de densidade, para separar L3 do sedimento proveniente da centrifugação,

foi primeiramente descrito por PARFITT (1955). Ele trabalhou com grandes

quantidades de pastagem e no teste de sua técnica, quando adicionou um número

conhecido de L3 na vegetação, foi observado uma taxa de recuperação em torno de

43%.

A modificada técnica de Baermann foi utilizada para recuperar os estágios de

vida livre de nematóides tricostrongilídeos das pastagens por ROHRBACHER Jr.

(1957), o qual adicionou gotas de detergente não-iônico, a faixa de 0.5ml por litro. O

procedimento resultou no aumento do número de larvas recuperadas da vegetação. No

entanto, o autor concluiu que, os percentuais de recuperação foram baixos; indicando

6

que a estimativa do número de larvas presentes no pasto, por esta técnica inspirava

cautela.

Tendo como objetivo estudar a distribuição e sobrevivência dos estágios pré-

parasíticos de tricostrongilídeos no pasto, DURIE (1959), criou uma outra técnica para

recuperar larvas da vegetação, uma vez que até aquele momento a técnica mais

utilizada, Baermann, juntamente com as outras novas técnicas apresentavam baixa

eficiência. Embora sua contribuição tenha sido considerável, a técnica era constituída

por um equipamento muito complexo. Trabalhando com grandes quantidades

individuais de amostras, sua técnica conseguiu recuperar a taxa média de 74 a 78% de

larvas do pasto e solo, respectivamente.

Visando o estudo da freqüência e distribuição de L3 de tricostrongilídeos em

amostras de pastagem ao acaso, DONALD (1967), desenvolveu uma nova técnica para

recuperar larvas de pequenas amostras, 25 a 35g, da pastagem. A técnica consistia

basicamente em várias lavagens das amostras de vegetação, com a utilização de

detergente não-iônico, duas centrifugações e separação das L3 do sedimento por

ressuspenção do mesmo em solução de iodeto de potássio a 1.63 molar. A avaliação

quanto a eficiência da técnica mostrou que seu desempenho foi independente da

quantidade de larvas presentes; podendo a mesma recuperar de 90% à 94% das larvas

no pasto.

Para estimar o número de larvas na vegetação ao longo do dia, HEATH &

MAJOR (1968), utilizaram ovinos fistulados.

Depois da técnica descrita por Donald, outras técnicas surgiram, baseadas no

mesmo princípio tendo na realidade poucas modificações e apresentando pequenas

diferenças no percentual de recuperação de L3 da pastagem (BAWDEN, 1969;

LANCASTER, 1970).

Uma nova e minuciosa avaliação foi proposta e testada por TODD Jr. et al.

(1970), com o objetivo de comprovar a eficácia da técnica de Baermann; pois eles

consideravam trabalhosas e de alto custo as técnicas até então desenvolvidas, mesmo

algumas demonstrando altos percentuais de recuperação de larvas. Os autores então,

avaliaram o efeito do tempo, tipo de filtro, temperatura, solução, iluminação, tamanho

do funil, peso e comprimento da gramínea, peso e tipo de solo sobre o número de larvas

recuperadas. Diante dos resultados os autores concluíram que a técnica de Baermann era

uma ferramenta útil para determinar o número relativo de larvas presentes no meio

examinado, se a mesma fosse utilizada com cautela.

7

SMEAL & HENDY (1972) propuseram uma técnica de recuperação de larvas,

onde o objetivo era trabalhar várias amostras simultaneamente, otimizando o tempo. O

método usado por esses autores para separar larvas da vegetação foi baseado na técnica

de Donald. No entanto, o mecanismo elaborado para separação das larvas do sedimento

do pasto era extremamente complexo, exigindo muitos equipamentos. Oito anos depois,

uma nova tentativa na elaboração de técnica para recuperar larvas da pastagem foi

idealizada, visando que a mesma tivesse uma alta taxa de recuperação, trabalhasse com

grandes amostras, fosse rápida e de baixo custo. Surgia então a técnica descrita por

YOUNG & TRAJSTMAN (1980) onde os princípios da técnica de Donald, eram

preservados, em termos das lavagens da vegetação e utilização de iodeto de potássio

para separação das larvas do sedimento. No entanto, alguns ajustes permitiram que o

tamanho das amostras fosse maior, sem, contudo perder a eficácia, em torno dos 94%.

No ano seguinte, outras inovações surgiam como tentativa de aperfeiçoamento

dessas técnicas: inclusive a utilização de máquinas de lavar, para a fase inicial de

processamento, onde as gramíneas eram lavadas. Esta referida técnica foi sugerida por

BÜRGER (1981). Apesar da taxa média de recuperação, em torno de 60%, os resultados

mostraram uma boa correlação entre a taxa de quantificação larval e o total da carga

parasitária em bezerros traçadores, indicando que a leitura das larvas no pasto, refletia o

risco de contaminação dos hospedeiros.

CHIEJINA (1982) utilizou os princípios da técnica de Baermann, e com o

volume coletado, resultante desta primeira etapa, fez lavagens por meio de

centrifugações e ressuspendeu o sedimento em solução saturada de sulfato de magnésio.

O autor recomendou este procedimento para rotina da estimativa de população de L3 no

pasto, pois se tratou de método simples, sem a exigência de grandes equipamentos e o

mesmo foi considerado relativamente eficaz.

Vários métodos foram descritos para avaliar a concentração de larvas no pasto.

Prévios estudos (WALLER et al., 1981; CABARET et al., 1982) àquela época,

indicavam que poderia haver correlação entre a quantidade de larvas no pasto e a carga

parasitária de nematóides no hospedeiro. A fim de se confirmar essa hipótese

GETTINBY et al. (1985), compararam duas técnicas: de um lado a recuperação de L3

da pastagem, seguindo a conhecida técnica de Baermann e de um outro lado, a técnica

de fístula esofagiana. Posteriormente introduziram animais traçadores no local do

experimento. As observações dos autores confirmaram a existência de correlação

positiva entre o número de larvas no pasto e a carga parasitária dos hospedeiros. Com as

8

mesmas intenções MARTIN et al. (1990) no sul da Austrália, formularam uma

modificada técnica para recuperar L3 da pastagem, seguindo os princípios de Donald e

compararam com os resultados de animais traçadores. Os autores observaram que

existia correlação entre os dois métodos; e a medida que aumentavam o número de

animais traçadores, aumentava também a correspondência entre os métodos,

confirmando a correlação positiva de larvas na pastagem com a carga parasitária de

nematóides no hospedeiro herbívoro.

ESYKER & KOOYMAN (1993) fizeram adaptações à técnica descrita por

JORGESEN (1975) para recuperar larvas de Dictyocaulus viviparus da pastagem, e a

testaram com a original para recuperar larvas de tricostrongilídeos da vegetação fezes.

Os autores observaram a melhor eficiência para técnica original com larvas da

pastagem. A técnica utilizava 200 a 500g de vegetação e toda a fase inicial era muito

parecida com a técnica de Donald. Os autores também comentaram a falta de

padronização de técnicas nessa área e sugeriram que os pesquisadores não só

escolhessem determinada técnica mais também testassem e comparassem.

Com o objetivo de avaliar o efeito do tempo a partir do momento de coleta da

pastagem até o término total do processamento, para recuperar L3 da vegetação FINE et

al. (1993) elaboraram um estudo onde comprovou-se a importância do tempo de

processamento. Para isto, os autores basearam seus estudos na técnica de Baermann. Os

resultados mostraram que as taxas de recuperação declinavam a medida que o tempo de

processamento aumentava.

COUVILLION (1993) em seu trabalho de revisão enfatizou a padronização da

técnica escolhida pelo período de observação, e também, argumentou a importância da

estimativa do número de larvas infectantes na vegetação como um importante estudo

adjunto a epidemiologia de nematodioses gastrintestinais.

2.2. Distribuição e longevidade de larvas infectantes na pastagem, no exterior

As pesquisas sobre ecologia de larvas de nematóides em pastagens foram

iniciadas por TAYLOR em 1938. Ele contaminou artificialmente pastagens com larvas

de tricostrongilídeos e observou que no início, a mortalidade das larvas foi alta, mas

depois houve uma contaminação residual e as larvas foram encontradas nas pastagens

por um período de até 133 dias ou 19 semanas. A partir deste trabalho, muitos outros

foram feitos em diferentes regiões do mundo. Pôde-se então, observar a influência

climática determinando as diferenças na permanência de larvas nas pastagens, nas

9

estações do ano. O clima também determina as espécies presentes e/ou predominantes

em cada região. As condições ambientais sobre a migração de larvas de

tricostrongilídeos para a vegetação foram estudadas por ROGERS (1940). O autor

registrou que a umidade do solo quando apresentou-se acima de 85%, favoreceu a

migração de larvas para a vegetação; e que a espécie H. contortus foi a mais ativa em

altas temperaturas. Nos Estados Unidos, DINABURG (1944) contaminou

artificialmente as pastagens com larvas de H. contortus e verificou que nos meses do

verão e inverno as condições foram desfavoráveis para a sobrevivência das larvas.

DOLL & HULL (1948) também trabalhando nos Estados Unidos, com larvas de

tricostrongilídeos, encontraram L3 de H. contortus, Cooperia spp. e Oesophagostomum

spp., sendo que somente as larvas de H. contortus foram encontradas na pastagem até

três meses após o início do experimento.

No Quênia, DINNIK & DINNIK (1958) trabalharam com fezes de caprinos

experimentalmente infectados com larvas de H. contortus, e verificaram que o

desenvolvimento, dos estágios pré-parasíticos foram favorecidos quando a temperatura

do ar alcançou a média das máximas de 23.30C ou mais, e a média das mínimas de

12.20C; com precipitação pluviométrica de 25.4mm. Esses mesmos autores, em 1961,

continuaram seus estudos: eles contaminaram artificialmente as pastagens com H.

contortus em diferentes épocas do ano. No período quente e seco constataram que a

sobrevivência máxima das larvas foi de cinco semanas, sendo o mais curto observado

durante o experimento. No período frio, as larvas sobreviveram por um período muito

maior, 14 semanas. Nesse período a temperatura e a umidade foram mais baixas,

havendo presença de névoa durante a noite e orvalho pelas manhãs. O período chuvoso

apresentou dados intermediários entre o seco e o frio. As larvas que ficaram em lugares

sombreados e em vegetação mais densa, tiveram o período de sobrevivência maior. As

que permaneceram em exposição solar direta e em pastagens menos densa,

sobreviveram por menos tempo.

O tempo e o clima na dinâmica das larvas de nematóides de ruminantes foram

discutidos por LEVINE (1963), nos Estados Unidos, o qual definiu como “tempo” o

conjunto de condições climáticas num determinado momento. Já o “clima” foi definido

como a soma destas condições climáticas em um período mais longo. Desta forma, o

clima indicaria quais os nematóides mais prováveis de serem identificados num

determinado local e o tempo determinaria as variações destes parasitos. Portanto, o

clima seria responsável por estabelecer uma situação abrangente, enquanto que o tempo

10

determinaria as minúcias. O autor comentou ainda, que as condições de tempo poderiam

tomar características diferentes de um ano para outro. Com relação aos gêneros

Cooperia e Trichostrongylus, descreveu que estes foram mais resistentes na fase larval

do que os gêneros Oesophagostomum e Haemonchus.

Na Índia, TRIPATHI (1966), observando a ocorrência dos nematóides

gastrintestinais de caprinos, baseado na eliminação de ovos, citou que os maiores

índices ocorreram durante a estação chuvosa, e que a temperatura e umidade foram

fatores essenciais para o desenvolvimento de ovos e larvas. Durante a estação quente, a

baixa produção de ovos foi provavelmente devida à alta temperatura e baixa umidade,

que favoreceu a dessecação e destruição de ovos e larvas na pastagem.

Num levantamento helmintológico realizado por McCULLOCK &

KASIMBALA (1968) na Tanzânia, em 227 caprinos, os autores identificaram os

seguintes parasitos: H. contortus, T. colubriformis, O. columbianum, B.

trigonocephalum, C. pectinata, C. punctata, T. ovis. Os autores comentaram que os

fatores climáticos exerceram notável influência sobre as cargas parasitárias, pois

verificaram que B. trigonocephalum apresentou uma ocorrência bastante baixa,

chegando a zero, nas regiões de baixa precipitação pluviométrica anual; enquanto que

H. contortus apresentou seu pico na época das chuvas. Afirmaram ainda, que o clima

representou um fator de pouca importância nas infecções por T. colubriformis e O.

columbianum. Em 1970, esses mesmos autores, após observarem a importância

econômica e a distribuição dos principais nematóides gastrintestinais em rebanhos

examinados durante um ano, citaram as seguintes ocorrências: H. contortus 68%, T.

colubriformis 84%, O. columbianum 71%, B. trigonocephalum 32.5%, C. pectinata

1.3%.

Em um estudo sobre a distribuição sazonal de larvas de Haemonchus sp. obtidas

de culturas de fezes de caprinos, TRIPATHI (1970a) constatou que a maior recuperação

foi observada no final do período chuvoso e a menor durante a época quente ou seca. Os

resultados obtidos indicaram que a temperatura elevada aliada à alta umidade favoreceu

o desenvolvimento das larvas e que o aumento ocorrido nas culturas de larvas na

estação chuvosa foi devido à infecção adquirida pelos hospedeiros no início deste

período. Em um outro estudo, TRIPATHI (1970b), registrou a maior predominância

para os gêneros Strongyloides, Haemonchus, Trichostrongylus, Oesophagostomum e

raramente Cooperia, durante a estação das chuvas. Observou-se que o período seco ou

quente foi desfavorável ao desenvolvimento e sobrevivência das larvas no ambiente.

11

A prevalência dos principais nematóides gastrintestinais de caprinos foi estudada

na Nigéria, onde se observou a presença de H. contortus, T. colubriformis, O.

columbianum, sendo também rara a presença de nematóides do gênero Cooperia

(FABIYI, 1970). Um levantamento sobre helmintos parasitos de animais domésticos,

VASQUEZ & MARCHINARES (1971) citaram que gêneros como Haemonchus,

Ostertagia, Trichostrongylus e Oesophagostumum são encontrados parasitando

caprinos.

Através de um estudo sobre variação sazonal dos nematóides de caprinos na

Nigéria, FABIYI (1973), observou que os aumentos de infecção ocorriam na estação

úmida ou das chuvas e que estas condições ambientais pareciam favorecer o

desenvolvimento e sobrevivência das fases pré-parasíticas. Altas contagens de

Haemonchus e Strongyloides foram obtidas na época das chuvas e de Gaigeria,

Oesophagostomum e Trichostrongylus só ocorreram no final desta estação.

BAKER (1975), na Califórnia, citou que H. contortus, T. colubriformis, T. axei e

O. circumcincta são as mais importantes espécies parasitas de caprinos. Relatou,

também, que entre os elementos necessários para o completo desenvolvimento dos

estágios pré-parasíticos estão a temperatura e a umidade como essenciais; destacou que

a confecção de bioclimatográficos regionais auxiliam no controle dos nematóides

gastrintestinais.

Em seu trabalho de revisão sobre o desenvolvimento e sobrevivência de larvas

de H. contortus e T. colubriformis, LEVINE & TODD (1975), deram ênfase aos fatores

ambientais e destes, estabeleceram que a temperatura e umidade eram os mais

importantes. Observaram que poucas larvas de H. contortus sobreviveram no inverno, e

que as mesmas permaneceram por mais tempo na primavera e menos no verão. Ao

contrário T. colubriformis sobreviveu bem no inverno; e que o outono foi a melhor

época para a sobrevivência de ambas espécies. Os autores comentaram que as larvas de

H. contortus apresentaram maior resistência quando submetidas a repetidas dessecações

do que as de T. colubriformis.

Os parâmetros de desenvolvimento e sobrevivência de H. contortus foram

estudados na Nigéria por um período de um ano. Observou-se que o desenvolvimento

de ovos a L3 foi dentro de uma semana nos meses de maio a outubro, com exceção do

mês de agosto; e que o maior período de sobrevivência destas larvas foi de 63 dias, nove

semanas a partir do mês de setembro. Os autores concluíram que a precipitação

pluviométrica foi o fator mais importante, influenciando o desenvolvimento e a

12

sobrevivência da L3; pois para o desenvolvimento de ovo a L3, registrou-se média

diária de 3mm ou mais. E para o tempo de sobrevivência das larvas verificou-se que

quando a chuva caía uniformemente por um período, prolongava-se a permanência das

larvas no pasto (OKON & ENYENIHI, 1977).

Para acompanhar a dinâmica populacional dos estágios de vida livre de

nematóides gastrintestinais de caprinos, numa região de clima tropical, AUMONT &

GRUNER (1989) contaminaram piquetes com ovos de helmintos, durante a estação

chuvosa e seca. O acompanhamento de cada depósito durou 56 dias, oito semanas. Eles

recuperaram larvas de Haemonchus e Trichostrongylus e observaram que as larvas

surgiram na vegetação sete a 14 dias depois do depósito. A longevidade das larvas na

vegetação foi de 49 a 56 dias, sete a oito semanas. Os autores comentaram que houve

uma marcante diminuição na taxa de eclosão de ovos e do desenvolvimento de L3 com

algumas paradas na eclosão dos ovos de Trichostrongylus, na estação seca.

Consideraram que os eventos climáticos e o fato da vegetação apresentar-se seca

durante o pastoreio, foram fatores importantes, parecendo interferir na dinâmica

populacional das formas de vida livre destes helmintos.

A variação sazonal da população de nematóides gastrintestinais de caprinos, na

vegetação foi estudada por RAHMAN & COLLINS (1990), na Austrália. Eles

verificaram que o perfil do gráfico de disponibilidade de larvas no pasto foi paralelo

àquele de temperatura e precipitação pluviométrica, sugerindo que os picos de L3

ocorreram quando a temperatura e a disponibilidade de umidade foram consideradas

ótimas. O gênero predominante foi Trichostrongylus, seguido por Haemonchus e

Ostertagia. A alta proporção de larvas de Haemonchus em culturas de fezes foi

observada durante os meses do verão.

O desenvolvimento e sobrevivência de larvas infectantes de H. contortus e T.

colubriformis foram estudadas em pastagens tropicais na Austrália. Piquetes foram

mensalmente contaminados com fezes de caprinos, naturalmente infectados. As duas

espécies de larvas desenvolveram-se bem durante todo o ano na estação úmida e

esporadicamente na estação seca. A contagem de larvas apresentou-se negativa depois

de nove semanas de contaminação, entre setembro e março; porém a longevidade

aumentou durante a estação fria de abril a agosto (BANKS et al. 1990).

CONNOR et al. (1990) investigaram aspectos epidemiológicos e possíveis

métodos de controle para helmintoses em caprinos naturalmente infectados, ao sul da

Tanzânia. Durante a estação chuvosa, contagens de ovos apresentaram-se altas e depois

13

caíram permanecendo baixas durante a estação seca. O tratamento anti-hemíntico

mostrou-se eficiente quando administrado após as chuvas, demonstrando que o

tradicional programa de aplicação de anti-helmínticos pode ser uma importante base

para controles rotacionais.

Um programa de rotação de pastagens para combater nematóides gastrintestinais

de caprinos, em ambiente tropical chuvoso foi estabelecido por BARGER et al. (1994).

Os autores observaram que, a partir da contaminação de ovos de H. contortus, T.

colubriformis e O. columbianum mensalmente durante um ano, o desenvolvimento e

sobrevivência das L3 foi rápido e contínuo, com um período curto para a longevidade

no pasto, de três a sete semanas. Estes resultados indicaram que um sistema rotacional

com 10 piquetes para pasto poderia, ser utilizado com a seqüência de rotação de 3.5 dias

para cada piquete. Este tempo permitiria a redução no tratamento de anti-helmínticos

em caprinos.

A contaminação da pastagem por larvas infectantes de tricostrongilídeos de

caprinos, foi avaliada durante a estação seca, nas ilhas francesas de Guadalupe. Os

autores observaram que a contaminação diminuiu significativamente na estação seca,

porém mantiveram-se em níveis considerados importantes (SIMON et al. 1996).

Com o objetivo de estudar a capacidade de cabras leiteiras desenvolverem

resposta a H. contortus e T. colubriformis depois de um prévio contato, HOSTE &

CHARTIER (1998), elaboraram um estudo e observaram que a resposta desenvolvida

foi incapaz de limitar a população de nematóides, podendo haver repercussões

patofisiológicas e conseqüências na produção.

DIALLO (1998) estudou comparativamente a dinâmica sazonal de nematóides

gastrintestinais nos pequenos ruminantes, ovinos e caprinos, na África, com base na

liberação de ovos. Os resultados mostraram que os ovinos apresentaram um nível de

infecção maior que os caprinos e que todos os animais foram infectados ao longo de um

ano predominantemente pelos gêneros Haemonchus, Oesophagostomum,

Trichostrongylus, Cooperia e Gaigeria e ainda, que houve uma marcante redução nas

intensidades desses parasitos durante a estação seca. O pico de intensidade ficou

registrado entre maio e setembro que coincidiu com a máxima anual de precipitação e

umidade. Dessa forma o autor estabeleceu os melhores períodos para intervenção com

anti-helmínticos: no fim da estação seca, maio; início da estação seca, novembro e no

meio do inverno, agosto.

14

A relação entre o número por ovos de grama de fezes, o.p.g., e carga parasitária

nos caprinos foi estudada por MORALES et al. (1998). Os autores observaram que

houve uma correlação positiva e que o aumento do o.p.g. estava associado à presença de

H. contortus e O. columbianum; enquanto a redução do o.p.g. estava associada com a

presença de Trichostrongylus sp.

No nordeste da África foi conduzido um estudo com helmintos de pequenos

ruminantes. Os autores observaram que os gêneros predominantes foram Haemonchus,

Oesophagostomum, Trichostrongylus e Strongyloides e que, os ovinos apresentaram-se

mais parasitados do que os caprinos. Os autores comentaram ainda a importância de um

estudo epidemiológico para estabelecer um efetivo método de controle

(TCHOUMBOUE et al. 2000). Na Grécia, para um estudo sobre a flutuação estacional

de nematóides gastrintestinais de caprinos, BOUGAS & THEODORIDIS (2000)

sacrificaram cerca de 268 animais ao longo de dois anos e observaram que nematóides

como H. contortus, T. colubriformis, Nematodirus filicollis e Chabertia ovina foram

continuamente encontrados durante todo o período enquanto que C. curticei, e N.

helvetianus foram encontrados esporadicamente.

Um estudo sobre a atuação dos helmintos gastrintestinais sobre a produção de

caprinos no Quênia, mostrou que a contagem de ovos no grupo tratado com anti-

helmínticos permaneceu baixa enquanto que no grupo controle houve um aumento

gradual durante o período de estudo. A contagem esteve alta durante a curta estação

chuvosa. O grupo controle perdeu peso durante a estação seca e num grande esforço,

houve um certo crescimento no curto período chuvoso. Já grupo tratado manteve seu

peso na estação seca e melhorou durante a estação chuvosa (GITHIGIA et al. 2001). A

patogenicidade de H. contortus em caprinos foi estudada durante as diferentes estações

do ano por LAHA et al. (2001). Eles observaram que os maiores percentuais de infecção

foram durante a estação chuvosa.

Na Etiópia, os efeitos ambientais sobre a dinâmica sazonal da liberação de ovos

por helmintos gastrintestinais de caprinos foram avaliados por um período de um ano. O

gênero Haemonchus foi o mais prevalente seguindo por Strongyloides e

Trichostrongylus. A liberação de ovos no mês de julho foi significativamente diferente

que nos outros meses exceto no mês de junho. Os resultados mostraram que infecções

mistas são comuns em caprinos. As altas contagens de ovos coincidiram com a estação

das chuvas. Dessa forma o uso de medicamentos devem ser usados antes e depois da

estação das chuvas como uma estratégia útil para o controle das helmintoses

15

gastrintestinais (DEBELA, 2002). Na Índia, BHOJANE et al. (2002) observaram que

infecções por Haemonchus e Strongyloides em caprinos foram altas e que infecções por

Oesophagostomum foram baixas; e comentaram ainda, que a estação do ano tem um

significante efeito sobre o parasitismo.

2.3. Distribuição e longevidade de larvas infectantes na pastagem, no Brasil

No estudo sobre a incidência de helmintos de caprinos procedentes da Bahia,

GRISI (1975) registrou a presença e os seguintes valores para os períodos de chuva e

seca, respectivamente: H. contortus, 85.79% e 58.82%, T. colubriformis, 61.22 e

37.25% O. columbianum, 61.22% e 54.90% e C. curticei, 4.08% e 0%, dentre outros.

CAVALCANTI (1974) pesquisando a prevalência estacional de nematóides

gastrintestinais de caprinos procedentes de três zonas fisiográficas do Estado de

Pernambuco, verificou que a intensidade do parasitismo foi maior nos lotes de animais

trabalhados na estação das chuvas do que nos lotes distribuídos na estação de estiagem.

As espécies encontradas parasitando caprinos foram: H. contortus, T. colubriformis, O.

columbianum, Strongyloides, B. trigonocephalum sendo as três primeiras mais

prevalentes e as que ocorreram com mais intensidade.

Utilizando caprinos traçadores para estudar a prevalência sazonal de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no Estado de Pernambuco, CHARLES (1989) notificou que

as espécies mais prevalentes foram H. contortus, S papillosus e O. columbianum.

Verificou também que a carga parasitária foi considerada alta durante a última estação

chuvosa e início da seca (março-junho) e que a mesma apresentou-se baixa no meio da

estação chuvosa (janeiro-fevereiro). A contaminação dos animais traçadores ocorreu

principalmente em meados da estação chuvosa e no princípio da estação seca (janeiro-

junho).

Em um estudo conduzido no nordeste brasileiro, foi observada a evolução de

nematóides gastrintestinais de caprinos. Os autores concluíram que a idade dos caprinos

não pareceu ser um fator de resistência aos nematóides gastrintestinais, embora a carga

parasitária, dos animais com 11 a 12 meses de idade, tenha sido significativamente

maior que nos grupos com outras idades; sendo as espécies mais prevalentes em ordem

decrescente: T. colubriformis, H. contortus e O. columbianum (SILVA et al. 1998).

A variação sazonal de nematóides gastrintestinais de pequenos ruminantes foi

estudada no semi-árido nordeste brasileiro por AROSEMENA et al. (1999). Os autores

observaram que a prevalência desses nematóides foi maior nos caprinos e que as

16

espécies predominantes foram H. contortus e T. axei. A dinâmica sazonal da carga

parasitária apresentou-se de forma diferente nos ovinos e caprinos, porém a prevalência

foi considerada baixa para os dois hospedeiros no início da estação chuvosa (janeiro,

fevereiro e março).

Em Seropédica, PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo) estudaram a

distribuição das helmintoses pulmonares e gastrintestinais em caprinos traçadores. Os

autores verificaram que H. contortus foi o nematóide mais abundante na pastagem

durante todo período, sugerindo uma possível competição com T. colubriformis. Em

ordem decrescente os autores relataram os helmintos mais prevalentes: H. contortus,

54.6%, T. colubriformis, 41% e Oesophagostomum, 2%. Registraram o achado

esporádico de Cooperia.

2.4. Estudos com pastagem irrigada

Com a necessidade de aumentar a produtividade de pequenos ruminantes em

épocas de estiagem, surgiram os programas de irrigação e com estes os primeiros

estudos sobre a ecologia de nematóides gastrintestinais em pastos irrigados, pois a

freqüente irrigação parecia favorecer o desenvolvimento e sobrevivência de larvas na

vegetação (STEWART & DOUGLAS, 1938). Outros estudos confirmando esta hipótese

foram realizados, FURMAN (1944), BULLISK & ANDERSEN (1978).

Um estudo sobre a incidência sazonal de tricostrongilídeos em pastos irrigados

foi realizado no sul da África, por HORAK & LOUW (1977). Eles observaram que H.

contortus foi a espécie mais prevalente e que o pico de sua carga parasitária foi

registrado nos meses de janeiro - maio. Trichostrongylus sp. apresentou-se com maior

freqüência em abril – agosto. O registro de O. columbianum foi considerado esporádico.

Na Califórnia, a ocorrência sazonal de nematóides gastrintestinais de ruminantes

em pasto irrigado, mostrou que o sistema influencia na ecologia dos tricostrongilídeos

(BAKER et al. 1981).

URIARTE et al. (1985) investigou a distribuição de tricostrongilídeos em

sistema de pastos irrigados no nordeste da Espanha. Eles concluíram que esse sistema, o

qual foi um pouco diferente dos tradicionais, pois nesse era permitido o alagamento da

área, não favoreceu aos tricostrongilídeos.

O efeito da irrigação no desenvolvimento e sobrevivência de L3 de caprinos foi

estudada em Guadalupe, nas ilhas francesas. Segundo os autores a irrigação

proporcionou condições favoráveis ao desenvolvimento dos ovos em larvas. A proposta

17

de rotação de pastagem com 28-35 dias poderia minimizar o crescente risco de infecção

dos caprinos devido à irrigação (GRUNER et al. 1989). Em um estudo in vitro, sobre a

migração horizontal de L3 de tricostrongilídeos, os autores observaram que em

gramínea irrigada o máximo em termos de distância que a larva pôde alcançar foi de

21cm da amostra fecal HOLASOVÁ et al. (1989).

No estudo realizado por KRECEK et al. (1991) para avaliar os efeitos

ambientais sobre a ecologia das fases de vida livre de nematóides de ruminantes,

verificou-se o efeito do tempo ao longo do dia; a sazonalidade e o tipo de extrato:

vegetação e solo sobre a disponibilidade de larvas de Haemonchus em pastos irrigados,

no sul da África. Houve diferença significativa nos resultados apresentados entre as

estações, no tipo de extrato e na interação estação com extrato. No entanto, não foi

registrado diferença significativa no número de larvas quantificadas ao longo do dia. Os

autores também verificaram que larvas de Haemonchus foram recuperadas em maior

número no verão e outono e que o número de larvas recuperadas na vegetação foi maior

que o recuperado no solo. Neste mesmo ano, REINECKE & LOWN (1991) estudam

uma forma de controle das nematodioses de ovinos em pastagens irrigadas, associando

anti-helmínticos com trocas estratégicas de rebanhos de ovinos por bovinos. Os bezerros

permaneciam no piquete de dezembro a fevereiro o que seria relativo a estação do

outono; já os ovinos eram introduzidos em junho e permaneciam até a primavera, no

mês de agosto.

Os efeitos do microclima sobre L3 de H. contortus e H. placei em pastos

irrigados foram estudados por KRECEK et al. (1992). O efeito da temperatura foi

similar para as duas espécies. À medida que a temperatura aumentava, o número de L3

no pasto aumentava; o mesmo foi registrado com relação à umidade relativa.

De acordo com REINECKE et al. (1994), infecção maciça por Trichostrongylus,

Haemonchus e Ostertagia foi adquirida por ovinos depois de um verão com sistema de

irrigação, no sul da África.

A epidemiologia de nematóides gastrintestinais de bovinos foi estudada em duas

áreas: irrigada e não-irrigada, no Zimbábue, África. Foi observado que durante a estação

seca, o número de larvas apresentou-se baixo nos pastos irrigados. H. contortus

sobreviveu nesta estação como L4 inibida. O desenvolvimento de L3 no pasto coincidiu

com pico de liberação de ovos na estação das chuvas (MOYO et al. 1996).

O potencial de áreas irrigadas favorece a pastagem e pode ser usada como

estratégia contra os problemas climáticos aumentando a produtividade de ruminantes

18

nas condições do Mediterrâneo. No entanto, esse sistema favorece grandemente a

contaminação com nematóides, os quais limitam o desenvolvimento e

conseqüentemente baixam a produtividade. VALDERRABANO et al. (2000) sugeriu

que esse sistema fosse associado a controles estratégicos de anti-helmínticos. Seu estudo

mostrou que essa hipótese é viável.

CARMICHAEL & BIEN (2002) estudaram o sistema de irrigação no verão da

Austrália para aumentar a produtividade de ovinos, observando também as helmintoses.

Eles relataram que invernos e primaveras antecedidos por verões irrigados poderiam ser

estações altamente arriscadas para a contaminação dos animais, embora o sistema

favorecesse o desenvolvimento da vegetação, aumentando a produtividade.

Depois de quatro anos de observações sobre a ecologia das larvas de

tricostrongilídeos em pastos irrigados, no sul da África, WYK et al. (2003) concluíram a

que a necessidade da utilização de anti-helmínticos foi baixa no final do inverno e

primavera.

2.5. Distribuição e longevidade de larvas infectantes no solo

Os resultados dos trabalhos de TAYLOR (1938, 1939) estimularam a

investigação da população de larvas infectantes no solo, pois na primeira publicação

Taylor afirmou que houve uma contaminação residual e no segundo o autor descreveu a

técnica por ele utilizada, que originariamente foi descrita para recuperar larvas do solo.

KAUZAL (1941) considerando, então que ovos e larvas de nematóides poderiam

sobreviver por longos períodos e que o mesmo poderia servir como reservatório para

futuras contaminações da vegetação, quando as condições ambientais fossem

favoráveis; iniciou seu estudo examinando vegetação e solo para determinação do

número de larvas infectantes de nematóides. O autor concluiu que examinando apenas a

vegetação para estimar o número de L3 de H. contortus não foi suficiente. Em seu

experimento o máximo de larvas recuperadas da vegetação foi de 16%, enquanto que no

solo foi de 75%. Ele comentou que as consideráveis flutuações no número de larvas

presentes no solo e vegetação podem ser correlacionadas com as condições ambientais.

Os resultados também mostraram que a recuperação de larvas na vegetação é

dependente da quantidade de gramínea, pois essa cobertura vegetal pode possibilitar

boas condições e proteger as larvas.

CROFTON (1948) estudou a distribuição de larvas na vegetação, no solo e na

região superficial solo, a uma polegada de profundidade, durante um ano. Ele observou

19

que nos meses quentes, junho, julho e agosto a maioria das larvas foram encontradas na

vegetação, depois no solo e por fim na região superficial. Já nos meses de abril, maio e

setembro, o maior número de larvas foi encontrado na região superficial e poucas na

vegetação e solo. O autor concluiu que a distribuição de L3 pode ser explicada sem

referências ao geotropismo.

A superfície do solo, 5mm de camada, e a vegetação adjacente foram avaliadas

quanto à distribuição de larvas por REES (1950), ao longo do dia durante um ano.

Observou-se que a maioria das larvas foram encontradas na vegetação, mas houve

registro de larvas na superfície do solo.

ANDERSEN et al. (1970) recuperaram poucas larvas do solo. Eles concluíram

que as larvas migram diretamente dos pellets para a vegetação e que as poucas L3

encontradas no solo eram provenientes da lavagem da gramínea ou da rota de migração

para a vegetação.

A ecologia de Trichostrongylus axei foi estudada por CALLINAN (1978). Ele

encontrou 66% das larvas na vegetação em comparação ao solo. No ano seguinte

resultados semelhantes foram registrados para a espécie T. vitrinus CALLINAN (1979).

A capacidade de migração das larvas foi estudada por FINCHER & STEWART

(1979). Eles enterraram fezes contaminadas, alguns dias depois começaram a recuperar

larvas da vegetação. Os autores observaram que as L3 foram capazes de migrar a partir

de 12,5cm de profundidade.

Em um estudo sobre a migração de larvas de Ostertagia em vegetação e em

camadas do solo, observou-se que as L3 foram recuperadas em todas as ocasiões de

análise a pelo menos 15cm de profundidade. Este estudo sugeriu a possível migração

das larvas para o solo durante o inverno, reemergindo na primavera e verão (AL

SAQUR et al., 1982).

A distribuição de tricostrongilídeos no solo foi estudada a campo. Os autores

observaram que no final do inverno as larvas puderam migrar da superfície a 40cm ou

mais de profundidade. Eles afirmaram que esta migração pode ter sido em decorrência

do carreamento pela água; associando a migração das L3 para o solo com a oferta de

água no ambiente (GRUNER et al., 1982).

ROSE & SMALL (1985) coletaram durante um ano amostras de vegetação e

solo de área utilizada como pastoreio para ovinos. Pouquíssimas larvas foram

recuperadas do solo, no entanto, um número considerável foi recuperado da vegetação.

Na segunda parte deste estudo, os autores enterraram a 10cm de profundidade, fezes

20

com L3 de Trichostrongylus vitrinus e fizeram coletas da vegetação adjacente. Os

resultados indicaram que as larvas migraram para a vegetação, restando poucas no solo.

Os autores concluíram que o solo pode ser um reservatório para L3.

A distribuição de tricostrongilídeos na vegetação e no solo foi estudada em

condições de temperatura e umidade controladas por CALLINAN & WESTCOTT

(1986). Eles recuperaram em média oito vezes mais larvas do solo do que na pastagem.

Concluíram, então que o solo é um importante reservatório de larvas.

A longevidade de lavas infectantes de tricostrongilídeos foi estudada em

diferentes tipos de solos tropicais por LYAKU et al. (1988). Eles observaram que larvas

de Cooperia e Oesophagostomum sobreviveram até nove semanas nos solos e que

Haemonchus e Trichostrongylus sobreviveram até três.

HOLASOVÁ et al. (1989) estudaram a migração de tricostrongilídeos. Os

achados deste estudo mostraram que as larvas foram recuperadas esporadicamente do

solo a uma profundidade de 2cm e que somente uma única vez larvas de Ostertagia

foram recuperadas a 7cm de profundidade.

3. CAPÍTULO I

21

COMPARAÇÃO ENTRE AS TÉCNICAS DE BAERMANN MODIFICADA E DONALD

UTILIZADAS PARA RECUPERAR LARVAS INFECTANTES DE NEMATÓIDES

GASTRINTESTINAIS DE RUMINANTES DA PASTAGEM.

RESUMO

22

CASTRO, Abisair Andrade de. Comparação entre as técnicas de Baermann

modificada e Donald utilizadas para recuperar larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de ruminantes da pastagem. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese –

Doutorado em Ciências Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

A estimativa de densidade de larvas na vegetação é usada em estudos epidemiológicos

para determinar as variações sazonais ou mensais de contaminação da pastagem cm

larvas infectantes de tricostrongilídeos, e com isso estabelecer o risco de infecção dos

hospedeiros. Sendo assim, um estudo comparativo entre as técnicas de Baermann e

Donald, foi realizado para recuperação de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de ruminantes da pastagem. Para o desenvolvimento do estudo, seis

amostras de fezes naturalmente infectadas foram depositadas a campo. Após 21 e 28

dias ao depósito, amostras de gramínea foram coletadas e processadas pelas técnicas

propostas. A análise estatística demonstrou que não houve diferença significativa entre

os resultados. Assim, as duas técnicas podem ser utilizadas para recuperação de larvas

infectantes da pastagem.

Palavras-Chave: recuperação de larvas, vegetação, bovinos, Haemonchus sp.,

Oesophagostomum sp.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-orientador) e

Fábio B. Scott – UFRRJ.

23

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Comparison between modified Baermann and

Donald techniques used for the recovery of gastrointestinal nematode infective

larvae from pasture. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis – Doctor Science at

Ciências Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

Estimates of the density of larvae on herbage are used in epidemiologic studies to

determine seasonal or monthly variations in contamination of pastures with third-stage

larvae of the trichostrongyles, and to provide an index of the risk of exposure of grazing

animals. At this, a comparative study between Baermann and Donald techniques were

accomplished for the recovery of gastrointestinal ruminantes infective larvae nematodes

from pasture. To develop the assay, six faecal samples naturally infected were placed on

lawn. After 21 and 28 days, pastures samples were collected and processed for each

proposed technique. The statistic analysis showed that there is no significative

difference among the results. Thus, both techniques can be used to recover infective

larvae from pasture.

Keywords: larvae recovery, herbage, cattle, Haemonchus sp., Oesophagostomum sp.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (advisor), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-advisor) e Fábio

Babbur S. – UFRRJ.

24

3. 1. INTRODUÇÃO

As nematodioses gastrintestinais de ruminantes ocorrem comumente em diversos

níveis de infecção, reduzindo a produtividade dos rebanhos. Estes helmintos têm

evolução direta e a fase pré-parasítica ocorre no ambiente. A estimativa do número de

larvas infectantes de tricostrongilídeos na pastagem, é parte integrante do estudo de

ecologia e epidemiologia desses nematóides parasitas de ruminantes. O controle de

nematóides gastrintestinais em ovelhas como proposto por GIBSON & EVERETT

(1968) e LANCASTER (1970) é baseado no estudo da epidemiologia de doenças, onde

a estimativa de larvas infectantes nas pastagens foi parte essencial. Similarmente

THOMAS (1959) em seu estudo sobre distribuição sazonal de Nematodirus têve a

contagem de larvas na vegetação como base. Várias técnicas têm sido descritas a fim de

avaliar a intensidade de L3 na pastagem (TAYLOR, 1939; KAUZAL, 1940;

DINABURG, 1942; CROFTON, 1954; ROHRBACHER Jr. 1957; DURIE, 1959;

DONALD, 1967; BAWDEN, 1969; LANCASTER, 1970; TODD Jr., 1970; SMEAL &

HENDY, 1972; CHIEJINA, 1982; GETTINGY et al., 1985; FINE et al. 1993). Taylor,

acima citado, foi o primeiro pesquisador a utilizar a técnica de Baermann (CORT et al.,

1922), para recuperar larvas infectantes das pastagens. Em seguida, pesquisadores como

KAUZAL (1940), DINABURG (1942), ROHRBACHER Jr. (1957) também a testaram

e como DURIE (1959) afirmaram que a mesma era ineficiente para recuperar L3 da

vegetação. DONALD (1967) descreveu e testou sua técnica verificando excelentes

percentuais de recuperação de larvas nas pastagens. Alguns pesquisadores têm utilizado

esta técnica como método apropriado para suas pesquisas (VIANA, 1999; PIMENTEL

NETO et al., 2000; ALMEIDA, 2003). Outros autores têm preservado seus princípios

como as várias lavagens da vegetação e a passagem pelo iodeto de potássio

(LANCASTER, 1970; SMEAL & HENDY, 1972; YOUNG & TRAJSTMAN, 1980).

O presente estudo foi elaborado com o objetivo de comparar as técnicas de

Baermann (CORT et al., 1922) e Donald (DONALD, 1967) quanto à recuperação de

larvas infectantes da pastagem, visando estabelecer entre as duas, o melhor protocolo

considerando para isso o custo, praticidade e qualidade da leitura.

25

3. 2. MATERIAL E MÉTODOS

3.2.1. Local:

O presente estudo foi conduzido em pastagens próximas ao prédio de Sanidade

Animal e no laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto de Veterinária, Convênio

Embrapa - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; no município de Seropédica,

localizado a 22o 54’ de longitude oeste, à altitude de 33 metros.

3.2.2. Amostras:

Aproximadamente 1,3kg de fezes foram colhidas diretamente da ampola retal de

bezerros naturalmente infectados. As amostras de fezes foram homogeneizadas, das

quais foram retiradas alíquotas para determinação do número de ovos por grama de

fezes, o.p.g., de acordo com a técnica modificada de GORDON & WHITLOCK (1939)

e, para a coprocultura (ROBERTS & O’SULLIVAN, 1959) através da qual, foram

recuperadas larvas infectantes, as quais foram identificadas utilizando-se a chave

descrita por KEITH (1953).

3.2.3. Coleta de Dados:

Para a contaminação da pastagem com larvas infectantes, seis amostras de fezes

previamente homogeneizadas com peso igual a 200g, foram depositadas a campo. A

distância entre as amostras fecais foi de aproximadamente 70cm. O local escolhido para

o depósito foi considerado homogêneo, em relação à irradiação solar, à precipitação

pluviométrica e, à vegetação, constituída por grama-batatais, Paspalum notatum.

Decorridos 21 e 28 dias, a gramínea circundante de cada amostra de fezes foi colhida

em quatro pontos distintos ao redor da mesma, numa área de 10,5 x 5,5cm (SOARES,

1980). Em seguida, as respectivas amostras de gramíneas foram homogeneizadas e

divididas em duas alíquotas de sete gramas, as quais foram processadas de acordo com

as técnicas de Baermann e Donald.

3.2.4. Descrição da técnica de Baermann:

Para o processamento pela técnica de Baermann, utilizaram-se funis de vidro

com diâmetro de aproximadamente 15cm, com borracha de látex presa à sua parte

26

posterior e fechada com uma pinça (Figura 1). Dentro do funil um tamis com diâmetro

de aproximadamente 10cm e 17/18 malhas/polegadas. As amostras de gramíneas

picadas foram envolvidas em gaze, colocadas dentro dos tamises; estes conjuntos foram

mergulhados nos funis contendo água destilada esterilizada aquecida à 50oC. Após 24

horas, cinco mililitros do sedimento foram recuperados em tubos de ensaio. Duas horas

depois, o sobrenadante foi desprezado e o sedimento montado em lâmina com solução

de lugol a 5%, e o número de L3 quantificado e identificado (KEITH, 1953).

3.2.5. Descrição da técnica de Donald:

Para o processamento da técnica de Donald, as amostras de gramínea foram

acondicionadas em potes plásticos, com 2.250ml de solução mamalian ringer’s (Figura

2a). Estas amostras foram picadas e homogeneizadas nesta solução com três gotas de

teepol, detergente não-iônico. Após seis horas, as amostras foram tamisadas em

malhas de 145 micras e deixadas em repouso em cálices de sedimentação por pelo

menos três horas (Figura 2b). A partir daí sucessivas lavagens foram feitas da seguinte

maneira: o sobrenadante foi sifonado e o líquido restante homogeneizado e passado para

cálices menores. Totalizando três passagens de cálices, com intervalo de três horas.

Depois dessa etapa as amostras passaram por duas centrifugações: a primeira com um

volume inicial de 120ml por cinco minutos a 300g. A segunda com volume de 20-30ml

por três minutos a 90g. O sedimento resultante dessa última centrifugação foi

ressuspendido em 100ml de iodeto de potássio cuja densidade foi de 1.63molar, em

cálice de separação, por dez minutos (Figura 2c). Os cinco mililitros recuperados do

sobrenadante foram destinados à leitura onde se acrescentava uma gota de hipossulfito

de sódio e as larvas quantificadas e identificadas (KEITH, 1953).

3.2.4. Análise estatística:

Os valores médios, dos números de larvas infectantes recuperadas, em cada

técnica foram comparados utilizando-se o teste de Wilcoxon, a 5% de probabilidade

(SIEGEL, 1975).

Shell do Brasil

27

Figura 1. Técnica de Baermann processando gramínea.

A

B C

Figura 2. Etapas da técnica de Donald; A - início da etapa de lavagem; B -

cálices de decantação; C - funis de separação.

28

3.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com os resultados apresentados na Tabela 1, larvas infectantes do

gênero Haemonchus, e Oesophagostomum foram recuperadas pelas duas técnicas, sendo

os maiores percentuais do gênero Haemonchus. Confirmando os resultados obtidos pela

coprocultura realizada no início do experimento. Observou-se no presente estudo, que

apesar de não haver diferença significativa entre as duas técnicas; a de Baermann

recuperou maior número de larvas em sete amostras das doze testadas em relação ao

Donald (FIGURA 1). Isto se deve provavelmente a distribuição de larvas na vegetação

que foi ao acaso. Não era conhecida a quantidade de larvas na gramínea processada por

uma ou por outra técnica. É importante relatar que as leituras provenientes da técnica de

Baermann, foram, na maioria das vezes, muito difíceis, devido a grande quantidade de

sujidade residual. O mesmo foi relatado por TODD et al. (1970). Embora a técnica de

Baermann tenha apresentado maior facilidade no seu processamento, assim como, baixo

custo em relação a técnica de Donald; esta última pareceu ser mais indicada, pois no

momento da leitura a técnica de Donald foi drasticamente superior. Os resultados

encontrados neste estudo discordam das afirmativas de KAUZAL (1940),

DINAMBURG (1942), DURIE (1959), ROHRBACHER Jr., (1957), os quais atestaram

a ineficiência da técnica de Baermann. TODD et al. (1970) concluíram em seu estudo

que a técnica de Baermann é uma ferramenta útil para determinar o número de L3 no

pasto, se o pesquisador a utilizar com rigor metodológico, levando em consideração

suas limitações. CHIEJINA (1982) registrou relativa eficiência do Baermann para

recuperação de L3 da pastagem; assim como o notificado no presente estudo. Outras

técnicas para recuperação e diferenciação de L3 da pastagem foram descritas

(PARFITT, 1955; HEALTH & MAJOR, 1968; LANCASTER, 1970; SMEAL &

HENDY, 1972;). Todas exigem muito tempo de processamento e necessitam de

equipamentos específicos, difíceis de serem reproduzidos e não possuem uma alta

eficiência para recuperação de L3 da pastagem. De acordo com MARTIN et al. (1990)

entre todas as técnicas já descritas, a de Donald é uma das que conseguiram recuperar

aproximadamente 90% das larvas nas pastagens, onde seu desempenho foi independente

do número de larvas no pasto. O método mais prático para avaliar a eficiência de uma

técnica talvez seja fazer uma direta comparação com método já existente. Assumindo a

29

Tabela 1: Número das amostras, número total e média de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de Haemonchus sp e

Oesophagostomum sp, recuperadas pelas técnicas de Baermann e Donald, 21 e 28 dias após o depósito.

A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12 Total Média

Baermann Haemonchus 886 852 224 938 695 863 363 1275 527 1183 490 215 8511 709

Oesophagostomum 94 102 16 84 96 58 14 98 25 88 41 32 748 62

Total 980 954 240 1022 791 921 377 1373 552 1271 531 247 9259 772 a

Donald Haemonchus 416 1217 99 586 710 512 647 607 504 1106 940 318 7662 639

Oesophagostomum 59 90 27 65 59 48 41 39 39 228 72 32 799 67

Total 475 1307 126 651 769 560 688 646 543 1334 1012 350 8461 705 a

Letras idênticas na mesma coluna indicam que não houve diferença significativa ao nível de 5% de probabilidade.

30

padronização da amostragem e fazendo sub-amostras da vegetação coletada, dessa

forma providenciando material com o qual testes de comparação possam ser feitos

(LANCASTER, 1970).

Compreende-se que estudos nessa área devam continuar, visando estabelecer um

protocolo melhor, onde este possa tornar-se padrão preenchendo as exigências quanto à

economia, praticidade e principalmente eficiência.

31

Figura 3: Número total de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de bovinos, por

Kg/pasto, recuperadas pelas técnicas de Baermann e Donald.

0

20000

40000

60000

80000

100000

120000

140000

160000

180000

200000

mero d

e l

arva

s p

or k

g/p

asto

A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12

Amostras de gramíneas

Baermann Donald

32

3.4. CONCLUSÕES

De acordo com os resultados apresentados, conclui-se que as duas técnicas são

eficientes para recuperação de larvas infectantes da pastagem, dando a estimativa de

larvas no ambiente, favorecendo e contribuindo para estudos de controle com base na

ecologia das larvas. Sendo a técnica de Baermann mais prática e econômica e a de

Donald de maior qualidade quanto à visualização das larvas.

33

4. CAPÍTULO II

DISTRIBUIÇÃO SAZONAL E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE NEMATÓIDES

GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM PASTAGEM IRRIGADA E

NÃO-IRRIGADA.

34

RESUMO

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribuição sazonal e Longevidade de larvas

infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em pastagem

irrigada e não-irrigada. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese – Doutorado em

Ciências Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

O controle das nematodioses em caprinos tem sido realizado principalmente com

produtos anti-helmínticos. No entanto, o alto custo destes produtos e o rápido aumento

de resistência justificam a necessidade de novas alternativas. Dessa forma, o

conhecimento de alguns aspectos da epidemiologia é de extrema importância. A

distribuição sazonal e a longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais

de caprinos em pastagem irrigada e não-irrigada foram estudadas no presente trabalho.

Dessa forma, amostras de vegetação, dos dois piquetes, não-irrigado A, e irrigado B,

foram examinadas a cada 14 dias pela técnica de Donald, durante maio/01 a abril/03. Os

resultados indicam que as condições ambientais foram favoráveis ao desenvolvimento e

longevidade de L3 de caprinos. Os gêneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram

em praticamente todos os meses. Trichostrongylus mostrou maior longevidade e

Haemonchus foi o que apresentou maior densidade. O sistema de irrigação pareceu ser

favorável a longevidade de Haemonchus e Oesophagostomum, no entanto não mostrou

influência positiva no aumento de número de larvas no pasto. A ocorrência de

Oesophagostomum e Cooperia foi rara e inexistente, respectivamente.

Palavras-Chave: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp.,

irrigação, epidemiologia, pequenos ruminantes.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-orientador) e

Fábio B. Scott – UFRRJ.

35

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Seasonal distribution and longevity of infective

larvae of goats (Capra hircus) gastrointetinal nematodes in irrigated and non-

irrigated pastures. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis – Doctor Science at Ciências

Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

The control of nematodiasis in goat has been usually performed with antihelmintic

agents. However, the high cost of these products and the fast increase of product’s

resistance explains the search for alternative control methods. Therefore, the knowledge

of some aspects in epidemiology is very important. The seasonal distribution and

longevity of goats gastrointestinal nematodes infective larvae in irrigated and non-

irrigated pasture were studied in the present work. Thus, pasture samples of two plots

non-irrigated A, and irrigated B, were examined every 14 days using Donald’s

technique between mai/01 and april/03. The results indicate that environment conditions

were favorable to the development and longevity of nematodes infective larvae. The

genus Trichostrongylus and Haemonchus were present on all months. Trichostrongylus

showed more longevity and Haemonchus showed more density. The irrigation system

seems to be favorable for the longevity of Haemonchus and Oesophagostomum

infective larvae. However, it did not have a positive influence at the increase of

infective larvae number in pasture. The Oesophagostomum and Cooperia occurrence

was scarce and non-existent, respectively.

Keywords: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., irrigation,

epidemiology, small ruminants.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Advisor), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-advisor) e Fábio

Babbur Scott – UFRRJ.

36

4. 1. INTRODUÇÃO

Os helmintos gastrintestinais constituem-se em agentes etiológicos de

significativa importância para a diminuição da produtividade na pecuária caprina

(NGINYI et al. 2001). As variações sazonais na dinâmica das populações dos helmintos

são reguladas, principalmente, pelas condições climáticas sobre os estágios de vida

livre, pela raça e pela susceptibilidade individual do hospedeiro. A interação hospedeiro

versus parasito é influenciada pela precipitação pluviométrica, faixas climáticas

favoráveis, concentração de animais por área, faixa etária e índice nutricional (GIBBS,

1973).

Segundo KATES (1965), o potencial biótico das helmintoses de ruminantes,

quando estudado e conhecido em uma determinada região, torna possível estabelecer o

seu modelo estacional, visando as dosificações estratégicas e táticas de controle.

LEVINE (1963) ao estudar o desenvolvimento e sobrevivência das larvas de H.

contortus nas pastagens, verificaram que 50mm de precipitação e 15 a 370C de

temperatura média mensal indicavam ótimas condições para a transmissão deste

parasito. No entanto, apenas os meses integrados por uma elipse no bioclimatograma

apresentavam melhor período de potencial de transmissão.

As regiões da Baixada do Estado do Rio de Janeiro correspondem à extensa área

fisiográfica, abrangendo a região Metropolitana, Baía da Ilha Grande, Baixadas

Litorâneas e parte das regiões Norte e Nordeste, coincidindo com o tipo climático AW,

segundo a classificação de KÖPPEN (1958). Essa região é caracterizada por inverno

seco e verão chuvoso e quente, com temperatura média das médias do mês mais quente

superior a 330C, e a precipitação média no verão é de 739mm, e no inverno, de 128mm.

O período seco torna-se desfavorável para a vegetação, diminuindo assim a oferta de

volumoso para os animais. Em regiões onde situação semelhante ocorre, foi implantado

sistema de irrigação como na Califórnia (BAKER et al. 1981), Guadalupe, nas ilhas

francesas (GRUNER et al. 1989), Sul da África (KRECEK et al. 1991). De acordo com

GRUNER et al. (1989) a irrigação pode mudar a epidemiologia de nematóides

gastrintestinais.

Os métodos de controle de helmintoses utilizados no Estado do Rio de Janeiro

têm sido baseados no uso de anti-helmínticos, com potencial estabelecimento de

37

populações resistentes aos princípios ativos disponíveis no mercado. Os sistemas de

manejo zootécnicos e sanitários, associados aos estudos epidemiológicos, podem

minimizar o uso de produtos químicos.

Com o objetivo de estudar a distribuição sazonal e longevidade de larvas

infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, em pastagem irrigada e não-

irrigada, este trabalho foi desenvolvido visando contribuir com a aquisição de

conhecimentos e fornecer dados para futuros projetos de controle estratégico.

38

4.2. MATERIAL E MÉTODOS

4.2.1. Local:

O presente estudo foi conduzido em pastagens próximas ao prédio de Sanidade

Animal e no laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto de Veterinária, Convênio

Embrapa - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; no município de Seropédica,

localizado a 22o 54’ de longitude oeste, à altitude de 33 metros.

4.2.2. Animais e amostras de fezes:

Nove caprinos mestiços, de ambos os sexos, procedentes do Colégio Técnico da

Universidade Rural, portadores de infecção natural foram utilizados como doadores de

fezes. Estes animais permaneceram, num piquete de aproximadamente 3500m2. As

amostras de fezes foram coletadas diretamente do reto com auxílio de coletores (Figura

3A, B). Previamente ao depósito, retiravam-se alíquotas do pool de fezes coletadas, para

determinação do número de ovos por grama de fezes, o.p.g., segundo a modificada

técnica de GORDON & WHITLOCK (1939); e realização de coprocultura (ROBERTS

& O’SULLIVAN, 1950) para obtenção de larvas infectantes (Figura 5) e posterior

identificação de acordo com a chave de KEITH (1953).

4.2.3. Clima:

O clima da região, segundo a classificação de KOPPEN (1958), é do tipo AW,

com inverno seco, verão chuvoso e quente. Os dados de temperatura e precipitação

pluviométrica foram fornecidos pelo posto de meteorologia Ecologia Agrícola do Km

47, distante cerca de um km do local do experimento.

4.2.4. Piquetes:

Formaram-se dois piquetes, “A” e “B” de aproximadamente 81m2 cada,

constituídos por Paspalum notatum, grama batatais (Figura 4A - a, b ). O piquete “A” foi

estudado de acordo com as condições ambientais (Figura 4B). O piquete “B” (Figura 4C)

foi irrigado a taxa de 50mm de água por semana, durante todo o período do experimento,

não obedecendo esta regra apenas quando a precipitação pluviométrica excedia esta taxa.

Quando a mesma ocorria, sem, contudo exceder a taxa, calculava-se a diferença.

39

Figura 4. A – coletor plástico cortado em forma de bisel recebendo glicerina para facilitar a

coleta; B – amostras de fezes sendo coletadas diretamente do reto com auxílio de coletor

Figura 5. A - Piquetes de experimento; A () piquete não-irrigado, “A” com amostras; B ()

piquete irrigado, “B” com amostras.

40

4.2.5. Coleta de Dados:

Duas amostras de fezes com 35g cada, foram depositadas a campo, de 14 em 14

dias, as quais foram identificadas como “massa fecal teste” (MFT) e “massa fecal

controle” (MFC); no período de maio de 2001 a abril de 2003. As amostras distavam

cerca de 80cm umas das outras. Uma semana após o depósito, coletou-se a gramínea da

MFT, rente ao solo, numa área de 5cm de largura por 30cm de comprimento (ROSE,

1970). Logo após a coleta, a gramínea foi processada pela técnica de DONALD (1967)

para recuperação de larvas da pastagem. A MFC foi trabalhada utilizando-se a mesma

metodologia, quando a MFT correspondente apresentou-se negativa por duas vezes

consecutivas (OKON & ENYENIHI, 1977).

4.2.6. Estimativa dos dados em matéria seca:

Ao longo do experimento os dados foram coletados em peso de matéria verde.

Para calcular o correspondente em matéria seca, coletou-se durante um ano, outubro de

2002 a setembro de 2003, três amostras de vegetação de acordo com ROSE (1970).

Essas amostras foram individualmente pesadas, em seguida mantidas em estufa a 80oC

por 48 horas, sendo novamente pesadas. Com os dados médios obtidos empregou-se a

análise de regressão, obtendo-se a equação da reta, y= a + b x .

Donde: y= matéria verde;

a=0.94;

b= 0.202 e

x= matéria seca.

Através da qual estimou-se a matéria seca para todas as amostras coletadas. Para

comprovação da curva dos resultados, uma nova análise de regressão foi realizada,

confrontando-se os dados de matéria verde com os de matéria seca.

4.2.7. Análise estatística:

Para melhor aproveitamento dos resultados, os mesmos foram apresentados sob

análise de três pontos de vista: dados mês a mês; dados em quatro estações e dados em

duas estações. Para os três casos, o número médio de larvas para distribuição e o

número médio de semanas para longevidade foram transformados em Log10 (x + 2).

Com esses dados empregou-se análise de variância (ANOVA) considerando-se um nível

de 5% de probabilidade. Em seguida, para as análises que diferiram significativamente,

foi aplicado o teste de Duncan a 5%, para comparação entre as médias (VIEIRA, 1999)

41

Com a finalidade de estudar a relação entre os gêneros Trichostrongylus e

Haemonchus calculou-se o número de fêmeas, a partir do o.p.g. para cada gênero,

utilizando-se o seguinte cálculo de acordo com UENO & GONÇALVES (1998):

no de fêmeas =

o.p.g x quantidade/fezes/dias

Postura/fêmea/dia

Em seguida, empregou-se análise de correlação ao nível de 5% de probabilidade.

42

Figura 6. Coprocultura, técnica utilizada para obtenção de

larvas infectantes. () Setas indicam as L3 migrando pela

parede do copo de vidro

43

4. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As larvas infectantes recuperadas neste estudo foram Trichostrongylus sp,

Haemonchus sp, e Oesophagostomum (Figura 7). Sendo o maior número de larvas

recuperadas 300.612, identificadas como pertencentes ao gênero Haemonchus, seguido

por Trichostrongylus, 201.767, e Oesophagostomum, 4.344. Estes dados concordam

com PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo), pois estes autores trabalhando com

caprinos traçadores em Seropédica recuperaram 54.6% de Haemonchus; 41% de

Trichostrongylus e 2% de Oesophagostomum.

A recuperação de larvas do gênero Oesophagostomum foi considerada baixa nos

dois piquetes, durante todo o período do experimento. Por esse motivo não se aplicou

teste estatístico a esse gênero. Resultados semelhantes foram encontrados por HORAK

& LOWN (1977), no sul da África, OKON & ENYENIHI (1977) na Nigéria,

AUMONT & GRUNER (1989) em Guadalupe, nas ilhas francesas, BOJANE et al.

(2002) na Índia, PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo) em Seropédica, Brasil.

Larvas de Oesophagostomum, no presente estudo, foram recuperadas em sete dos 24

meses de experimento no piquete A: outubro/01, março/02, maio/02, junho/02,

setembro/02, março/03 e abril/03. Já no piquete B ocorreram em oito dos 24 meses:

novembro/01, março/02, maio/02, junho/02, julho/02, agosto/02, março/02 e abril/03. O

maior período de sobrevivência das larvas de Oesophagostomum foi no piquete B, mês

de maio, chegando a seis semanas.

Larvas pertencentes ao gênero Cooperia não foram recuperadas em nenhum dos

meses ao longo deste estudo. TRIPATHI (1970b) registrou a rara ocorrência desse

gênero em caprinos na Índia; assim como FABIYI (1970) na Nigéria, GRISI (1975) na

Bahia, BOUGAS & THEODORIDIS (2000) na Grécia; PIMENTEL NETO &

FONSECA (no prelo) em Seropédica, Brasil. VASQUEZ & MARCHINARES (1971)

não registraram a presença desse gênero, parasitando caprinos no Peru. Da mesma

forma CAVALCANTI (1974) e CHARLES (1989) em Pernambuco, AUMONT &

GRUNER (1989) em Guadalupe, BAKER (1975) na Califórnia, e SILVA et al. (1998)

também no nordeste brasileiro.

44

F E

A

D C

B

Figura 7: Larvas infectantes encontradas no presente estudo. São

respectivamente: A e B: extremidade anterior e posterior de

Trichostrongylus sp.; C e D: extremidade anterior e posterior de

Haemonchus sp. e E e F: extremidade anterior e posterior de

Oesophagostomum sp.

45

Vários pesquisadores como AL SAQUR et al (1982), CALLINAN &

WESTCOTT (1986), AUMONT et al. (1989), AUMONT & GRUNER (1989), BANKS

et al. (1990), KRECEK et al (1992), BARGER et al (1994) entre outros, apresentaram

os dados de seus resultados em número de larvas por kg de matéria seca. No entanto,

autores como HOLOSOVÁ et al. (1989), RAHMAN & COLLINS (1990), PIMENTEL

NETO et al. (2000), ALMEIDA (2003) apresentaram seus resultados em número de

larvas por kg de matéria verde. No presente estudo foi verificada a relação entre as duas

formas de apresentação de resultados e de acordo com os cálculos estatísticos da análise

de regressão (r2= 0.97), constatou-se que os valores transformados de matéria verde

para matéria seca, embora aumentados, mantinham a mesmo modelo de curva gráfica

(figura 8).

Os números de larvas recuperadas da vegetação e o período de sobrevivência em

semanas, não apresentaram diferença significativa entre os dois piquetes (Figura 9A e

B), embora, os valores tenham sido superiores no piquete B, para todos os gêneros

encontrados neste estudo. A única exceção foi descrita ao número total de L3 de

Haemonchus, onde o maior valor registrou-se no piquete B, demonstrando assim, uma

possível atuação da irrigação favorecendo o desenvolvimento destas larvas. No entanto,

quanto à sobrevivência, a irrigação não otimizou o período de longevidade destas.

Mesmo que não se possa afirmar estatisticamente, o sistema de irrigação pareceu

favorecer a distribuição de larvas de Oesophagostomum. De uma forma geral estes

resultados discordam dos achados dos autores STWART & DOUGLAS (1938),

FURMAN (1944), BULLISK & ANDERSEN (1978), HORAK & LOWN (1977),

BAKER et al. (1981), GRUNER et al. (1989), os quais afirmaram que a irrigação

favorecia o desenvolvimento e sobrevivência de larvas de tricostrongilídeos.

VALDERRABANO et al. (2000) observaram que a irrigação favorecia a pastagem,

podendo ser utilizada contra problemas climáticos aumentando a produtividade dos

rebanhos. No presente estudo, a vegetação do piquete B apresentou-se viçosa durante

todo o período do experimento (Figura 10).

GORDON (1967) observou o fenômeno de competição entre espécies do gênero

Trichostrongylus e Haemonchus. PIMENTEL NETO (1976) observou retardamento no

desenvolvimento do ciclo biológico de H. contortus quando ocorreu infecção

concomitante com T. axei. REINECKE (1989) relatou que a contaminação prévia por T.

46

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N DL

3 /

Kg

ms

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

2 0 0

4 0 0

6 0 0

8 0 0

1 0 0 0

1 2 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

s

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

1 0 0

2 0 0

3 0 0

4 0 0

5 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/ K

g m

v

H a e m o n c h u s s p .

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

v

H a e m o n c h u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/K

g m

v

Figura 8: Curvas gráficas dos números de L3/kg de pasto de Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum,

apresentados à esquerda, em matéria seca (ms) e à direita, em matéria verde (mv).

47

Figura 9: A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos entre os piquetes A, não-

irrigado e B, irrigado. B. Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos entre os piquetes

A, não-irrigado e B, irrigado.

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

7 0 0 0 0

8 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/ms

A a

B a

H a e m o n c h u s s p .

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/ms

A a

B b

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/ms

A

B

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

5

1 0

1 5

2 0

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

A a

B a

H a e m o n c h u s s p .

0

5

1 0

1 5

2 0

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

A a

B a

O e s o p h a g s to m u m s p .

0

1

2

3

4

5

6

7

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

A

B

A B

48

Figura 10. Pastagens: A Amostra no piquete A, não-irrigado; B. Amostra no piquete B, irrigado.

49

axei fez com que houvesse supressão de novas infecções pelo H. contortus ou que as L4

sofressem parada de crescimento. PIMENTEL NETO & FONSECA (no prelo)

comentaram a possibilidade de existência de competição entre os gêneros

Trichostrongylus e Haemonchus em caprinos. No presente estudo, verificou-se que não

houve relação entre os dois gêneros, ou seja, que ambos ocorreram independentemente,

quando se analisou a estimativa do número de fêmeas (r2=0.02), embora as curvas de

distribuição do número de L3, o.p.g. e fêmea de Trichostrongylus e Haemonchus, nos

dois piquetes tenha mostrado uma tendência a esta hipótese (Figura 11). Fato este que

pode ser justificado pela simples diferença de ovopostura das respectivas fêmeas

adultas: a de Trichostrongylus é capaz de liberar 200 ovos/dia enquanto que uma fêmea

de Haemonchus libera 5000 ovos/dia (UENO & GONÇALVES, 1998).

4.3.1. Dados apresentados mês a mês:

As larvas infectantes do gênero Trichostrongylus apresentaram distribuição e

longevidade significativamente diferentes entre os meses. Estes dados estão

sucintamente apresentados na tabela 2. A curva gráfica dos números médios totais e dos

dados médios transformados para os parâmetros acima citados, e os dados climáticos

estão representados nas figuras 12 e 13, respectivamente. A distribuição de L3 de

Trichostrongylus entre os meses, foi a seguinte: o número de larvas recuperadas no mês

de janeiro foi significativamente diferente dos meses de junho, julho, agosto, setembro,

outubro, novembro, sendo que nestes foram registrados os maiores números de L3. O

mês de fevereiro foi considerado diferente dos meses de março, agosto e novembro.

Março diferiu de todos com exceção de janeiro. Abril foi considerado diferente de

março, agosto e novembro. O mês de maio diferiu apenas de março. Os meses de junho,

julho, setembro e outubro foram considerados diferentes apenas de janeiro e março.

Agosto e novembro diferiram estatisticamente de janeiro, fevereiro, março e abril.

Finalizando, o mês de dezembro diferiu apenas do mês de março. O mês que no qual

recuperou-se maior quantidade de L3 foi novembro com cerca de 56.484 larvas por kg

de matéria seca.

O período de sobrevivência das larvas de Trichostrongylus apresentou-se da

seguinte forma: o mês de janeiro diferiu significativamente dos meses de abril, maio,

junho, julho quanto ao número de semanas que as larvas sobreviveram; considerando

que estes foram os que apresentaram maior período de longevidade. Fevereiro diferiu

dos meses de março a outubro, inclusive. Março diferiu apenas de fevereiro e maio.

50

Piq A

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

7 0 0 0 0

8 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

L3

Kg

/ms

Tri H ae

Piq B

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

L3

Kg

/ms

Tri H ae

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

me

ro d

e o

vo

s

Tri H ae

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

2 5 0 0

3 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

me

ro d

e f

êm

ea

s

Tri H ae

Figura 11: Estimativa do número de fêmeas, do número de ovos por gênero, distribuição de

larvas por kg/ms nos piquetes A e B, para Trichostrongylus e Haemonchus.

51

Tabela 2: Números médios de larvas infectantes de Trichostrongylus e Haemonchus

recuperadas; período de sobrevivência por mês e seus respectivos valores transformados.

Trichostrongylus sp.

Meses No de L3/kg ms (x) Log10 L3 Longevidade (x) Log10 Longevidade

JAN 1359 2.61 c, d 3 0.66 d, e, f

FEV 2819 2.95 b, c 1.6 0.51 f

MAR 3437 2.08 d 5.3 0.79 b, c, d, e

ABR 2848 2.92 b, c 9 1.03 a, b, c

MAI 7419 3.26 a, b, c 13 1.15 a

JUN 19161 3.58 a, b 9.6 1.05 a, b, c

JUL 15534 3.71 a, b 7.8 0.98 a, b, c

AGO 56168 4.11 a 7 0.93 a, b, c,d

SET 10252 3.50 a, b 6.5 0.92 a, b, c, d

OUT 18043 3.81 a, b 4.6 0.83 c, d, e

NOV 56493 4.09 a 2.3 0.61 e, f

DEZ 8228 3.22 a, b, c 2.5 0.62 e, f

Haemonchus sp.

Meses No de L3/kg ms (x) Log10 L3 Longevidade (x) Log10 Longevidade

JAN 1776 5.84 c, d 4.18 0.77 a

FEV 8725 7.77 a, b, c, d 3.37 0.72 a

MAR 3835 6.87 b, c, d 9.62 1.02 a

ABR 101350 9.78 a 9 1.03 a

MAI 4416 7.36 a, b, c, d 7.5 0.95 a

JUN 6735 7.35 a, b, c, d 10.37 1.03 a

JUL 21998 8.48 a, b 4.58 0.78 a

AGO 31547 8.12 a, b, c 3.25 0.65 a

SET 7668 5.40 d 5 0.77 a

OUT 4120 5.50 d 4.12 0.75 a

NOV 88243 9.38 a, b 4.5 0.78 a

DEZ 20194 8.49 a, b 3.01 0.74 a

Letras idênticas na mesma coluna não diferem significativamente ao nível de 5% de probabilidade.

52

H a e m o n ch u s sp .

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/MS

0

2

4

6

8

1 0

1 2

L3

lo

g1

0

L 3 lo g L 3

T ric hos t rongylus s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

5 0 0 0 0

6 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/MS

0

1

2

3

4

5

L3

lo

g1

0

L 3 lo g L 3

0

5

1 0

1 5

2 0

2 5

3 0

3 5

J F M A M J J A S O N D

tem

pera

tura

em

gra

us

C

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

2 5 0

plu

vio

sidade m

m

P P M TM áx . M TM ín . T m éd i

O e so p h a g o sto m u m sp .

0

2 0 0

4 0 0

6 0 0

8 0 0

1 0 0 0

1 2 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

Kg

/MS

L 3

Figura 12: Dados climáticos. Distribuição por mês, do número larvas infectantes de Trichostrongylus,

Haemonchus e Oesophagostomum por Kg/ms e seus respectivos dados transformados, em Seropédica.

53

H a e m o n c h u s s p

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

1 6

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

1 ,2

lon

ge

vid

ad

e lo

g1

0lo n g lo g lo n g

O e s o p h a g o s to m u m s p

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

0

5

1 0

1 5

2 0

2 5

3 0

3 5

J F M A M J J A S O N D

tem

pera

tura

em

gra

us

C

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

2 5 0

plu

vio

sidade m

m

P P M TM áx . M TM ín . T m éd i

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

1 ,2

1 ,4

lon

ge

vid

ad

e lo

g1

0lo n g lo g lo n g

Figura 13: Dados climáticos. Longevidade por mês, do número larvas infectantes de

Trichostrongylus, Haemonchus e Oesophagostomum em semanas e seus respectivos dados

transformados, em Seropédica.

54

Abril foi considerado diferente de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro. Maio

diferiu de janeiro, fevereiro, março, outubro, novembro e dezembro. Junho e julho

diferiram dos meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro. Agosto e setembro

diferiram significativamente dos meses de fevereiro, novembro e dezembro. O mês de

outubro diferiu apenas dos meses de fevereiro e maio. Novembro e dezembro diferiram

dos meses de abril a setembro, inclusive. O mês de depósito em que as larvas

apresentaram maior período de longevidade foi maio, com 13 semanas.

A distribuição do número de larvas infectantes de Haemonchus diferiu

significativamente entre os meses de experimento da seguinte forma: o mês de janeiro

diferiu dos meses de abril, julho, novembro e dezembro. Fevereiro não diferiu de

nenhum dos meses. O mês de março foi diferente apenas para o mês de abril. Abril

apresentou-se significativamente diferente de janeiro, março, setembro e outubro.

Apresentaram distribuição semelhante, os meses de maio e junho, os quais não

diferiram dos demais meses. Julho diferiu apenas de janeiro, setembro e outubro.

Agosto também diferiu dos meses de setembro e outubro. Os meses de setembro e

outubro foram semelhantes, diferindo apenas de abril, julho, agosto, novembro e

dezembro. Também foram semelhantes os meses de novembro e dezembro diferindo

apenas de janeiro, setembro e outubro. O maior número de larvas infectantes de

Haemonchus recuperadas da vegetação foi registrado no mês de abril chegando

aproximadamente 101.350 L3 por kg de matéria seca.

A longevidade das larvas de Haemonchus não apresentou diferença significativa

entre os meses, embora o maior período de sobrevivência, dez semanas, tenha sido

registrado em junho.

A distribuição de Haemonchus no presente estudo reflete que este gênero

ocorreu praticamente durante todo o ano. Na Nigéria, OKON & ENYENIHI (1977)

estudaram o desenvolvimento e sobrevivência de H. contortus. Eles registraram a

presença de L3 no pasto apenas nos meses de outubro/73, maio/74, junho/74, julho/74,

setembro/74 e outubro/74 e nestes meses os respectivos períodos de longevidade quatro,

seis, seis, cinco, nove e sete semanas.

Mesmo com valores baixos, a distribuição do número médio de larvas do gênero

Oesophagostomum nos dois piquetes indicou a ocorrência das larvas durante o

experimento, sendo os meses de abril e julho àqueles em que se recuperou o maior

número de larvas. A longevidade destas L3 foi de no máximo cinco semanas em março

e maio.

55

REINECKE (1970) comentou que as fases pré-parasíticas de tricostrongilídeos

estariam sujeitas a fatores como temperaturas, precipitações pluviométricas, tipo de

solo, vegetação. No presente estudo, a temperatura pareceu ser um fator limitante para o

gênero Trichostrongylus, pois nos meses mais quentes, novembro a abril, cuja média foi

em torno dos 270C, o número de L3 recuperado e a longevidade foi significativamente

menor em relação aos outros meses, quando a temperatura apresentou-se mais amena,

em torno dos 220C. A precipitação não pareceu ter influência clara sobre este gênero.

OKON & ENYENIHI (1977) associaram a distribuição de Haemonchus aos dados de

precipitação, informando ser este o principal fator. A distribuição de larvas de

Haemonchus no presente estudo, não pareceu ser influenciada diretamente pela

precipitação. Estes dados concordam com os achados de AUMONT et al. (1989). Eles

comentaram que não foi clara a relação entre os dados climáticos com a dinâmica da

população de larvas. Provavelmente existiram outros fatores que influenciaram a

distribuição e longevidade das larvas infectantes de tricostrongilídeos, neste estudo. De

acordo com GIBBIS (1973), LEVINE (1963) fatores do microambiente podem ter

importante papel no desenvolvimento e sobrevivência das L3. ROSEMBERG (1974)

definiu microclima como o clima onde vivem animais e plantas. RIBEIRO (1992)

observou que as temperaturas do microclima embora fossem mais elevadas, mantinham

a mesma curva gráfica dos dados do macroclima. Talvez as condições do

microambiente possam ter uma influência mais perceptível, justificando a distribuição e

o período de longevidade das larvas de forma mais clara.

Embora boa parte dos pesquisadores como TRIPATHI (1970a,b), FABIYI

(1973), CAVALCANTI (1974) tenham trabalhado por um período de um ano ou mais,

seus resultados foram comumente apresentados por estações, sejam elas quatro ou duas

de acordo com o ponto de vista de cada um. Por esse motivo não foi possível discutir

esses dados com os dos referidos pesquisadores, pois nesse tópico apresentou-se os

dados mês a mês. No entanto pode-se dizer que estes dados estão de acordo com os

achados de PIMENTEL NETO et al. (2000) e PIMENTEL NETO & FONSECA (no

prelo), pois estes pesquisadores trabalharam com tricostrongilídeos de bovinos e

caprinos, respectivamente na região de Seropédica e observaram que as condições locais

foram consideradas propícias, uma vez que estas larvas foram encontradas o ano todo

assim como no presente estudo.

56

4.3.2. Dados apresentados em quatro estações:

A distribuição de larvas por kg de matéria seca e a longevidade em número de

semanas das larvas recuperadas neste estudo, nas quatro estações convencionais, estão

representadas nas figuras 14 A e B. As estações mais quentes foram o verão e outono

com a média de temperatura das máximas em torno dos 32 e 300C, respectivamente

(Figura 15). Estas estações, no entanto, foram as mais chuvosas, registrando-se 156 e

104 mm de precipitação pluviométrica, respectivamente.

Os três gêneros encontrados neste estudo ocorreram nas quatro estações.

Trichostrongylus apresentou significativo desenvolvimento no inverno e primavera. Já

longevidade das larvas desse gênero foi significativamente superior nas estações do

outono e inverno. O que demonstra que a temperatura talvez tenha sido um fator

limitante para esse gênero, como afirmou LEVINE (1963) sobre o desenvolvimento de

tricostrongilídeos. TRIPATHI (1970b) observou que o período quente foi desfavorável

ao desenvolvimento e sobrevivência das larvas no ambiente. A precipitação

pluviométrica não pareceu ser um fator de importância para esse gênero, pois as

estações chuvosas foram justamente àquelas, nas quais o número de larvas de

Trichostrongylus foi mais baixo.

Foi registrado para o gênero Haemonchus, que os maiores números de larvas

recuperadas foram nas estações do outono e primavera, embora estatisticamente não

tenha ocorrido diferença entre as quatro estações. Observou-se, porém, que houve

diferença estatística para a longevidade dessas larvas entre as estações; sendo o outono

considerado a melhor época para a sobrevivência das larvas. DINABURG (1944)

contaminou artificialmente as pastagens com H. contortus e verificou que nos meses do

verão as condições foram desfavoráveis para a sobrevivência das larvas. Resultados

equivalentes foram registrados no presente estudo. SKINNER & TODD Jr. (1980)

estudaram a migração lateral de H. contortus nas pastagens e concluíram que quando a

temperatura diminuía, a sobrevivência das larvas aumentavam. Talvez seja essa a

justificativa para o outono ser a melhor época para a sobrevivência das larvas.

Os resultados presente estudo estão de acordo com LEVINE & TODD (1975).

Eles estudaram o desenvolvimento e sobrevivência de larvas de H. contortus e T.

colubriformis. Os autores observaram que poucas larvas de H. contortus sobreviveram

no inverno, e ao contrário T. colubriformis sobreviveu bem nesta estação; e que o

outono foi a melhor época para a sobrevivência de ambas espécies. Os autores

57

Figura 14: A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos em quatro estações. B.

Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos em quatro estações. (Letras, minúsculas,

idênticas não diferem ao nível de 5% de probabilidade.).

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ k

g m

s

H a e m o n c h u s s p .

0

1 0 0 0 0

2 0 0 0 0

3 0 0 0 0

4 0 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ k

g m

s

2 ,6

2 ,8

3

3 ,2

3 ,4

3 ,6

Lo

g1

0-

L3

a

a a

a

T r i c h o s to n g yl u s s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

3 0 0 0 0

3 5 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ k

g m

sb b

a a

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

1

2

3

4

5

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

c

a

b

a

H a e m o n c h u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

b

a

b

b

A B

58

0

5

10

15

20

25

30

35

verão outono inverno primavera

tem

pera

tura

em

gra

us

C

0

20

40

60

80

100

120

140

160

180

plu

vio

sid

ade e

m m

m

PP MTMáx.

MTMín. T médi

Figura 15. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, em quatro estações, obtidos na Estação experimental da Pesagro-

Rio, Seropédica, RJ.

59

comentaram que as larvas de H. contortus apresentaram maior resistência quando

submetidas a repetidas dessecações do que as de T. colubriformis.

LEVINE (1963) descreveu que larvas do gênero Trichostrongylus foram mais

resistentes na fase larval do que os gêneros Haemonchus e Oesophagostomum. No

presente estudo essa diferença não foi registrada para os dois primeiros gêneros acima

citados, uma vez que ambos ocorrem durante todas as estações e em praticamente todos

os meses. No entanto, com relação a Oesophagostomum, existe concordância com a

afirmativa acima, uma vez que essas larvas foram recuperadas em maior número apenas

na estação do inverno e o maior período de sobrevivência foi de quatro semanas no

outono.

4.3.3. Dados apresentados nos períodos chuvoso e seco:

Os dados de distribuição e de longevidade das larvas de nematóides

gastrintestinais expressos em dois períodos, chuvoso e seco, estão sucintamente

apresentados nas figuras 16A e B, respectivamente. Os dados climáticos divididos em

duas estações estão representados na figura 17. Os três gêneros ocorreram nos dois

períodos estudados. Não houve diferença significativa entre os períodos para nenhum

dos gêneros estudados, embora Trichostrongylus tenha apresentado maior número de

larvas, e maior tempo de sobrevivência no período seco. Haemonchus ao contrário

apresentou o maior número de larvas recuperadas na época das chuvas e a longevidade

das mesmas foi semelhante nos dois períodos. Autores como TRIPATHI (1970a),

FABIYI (1973), CAVALCANTI (1974), GRISE (1975), CONNOR et al. (1990),

LAHA et al. (2001) registraram a importância do período das chuvas nas infecções por

tricostrongilídeos; assim como McCULLOCK & KASIMBALA (1968) registraram que

H. contortus apresentou seu pico no período chuvoso; este dado não concorda com o

achado neste estudo. McCULLOCK & KASIMBALA (1968) afirmaram ainda, que o

clima representou um fator de pouca importância nas infecções por T. colubriformis e

O. columbianum. No presente estudo verificou-se que as condições podem atuar

limitando ou favorecendo larvas de Trichostrongylus e Oesophagostomum.

Para acompanhar a dinâmica populacional dos estágios de vida livre de

nematóides gastrintestinais de caprinos, numa região de clima tropical, AUMONT &

GRUNER (1989) contaminaram piquetes com ovos de helmintos, durante a estação

chuvosa e seca. Eles recuperaram larvas de Haemonchus e Trichostrongylus e

observaram que as larvas surgiram na vegetação sete a 14 dias depois do depósito. Este

60

Figura 16.A. Distribuição nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de

caprinos, expressos número de L3/Kg matéria seca e em logaritmo do número de L3. B. Longevidade nos períodos

chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos expressos em semanas e seus

respectivos dados transformados em logaritmo (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de

probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

4 0 0 0

8 0 0 0

1 2 0 0 0

1 6 0 0 0

c h u v o s a s e c a

L3

/ kg

ms

2 ,9

3

3 ,1

3 ,2

3 ,3

3 ,4

3 ,5

3 ,6

Lo

g1

0-L

3

H a e m o n c h u s s p .

1 8 0 0 0

1 9 0 0 0

2 0 0 0 0

2 1 0 0 0

2 2 0 0 0

c h u v o s a s e c a

L3

/ kg

ms

7

7 ,1

7 ,2

7 ,3

7 ,4

7 ,5

7 ,6

7 ,7

7 ,8

Lo

g1

0-L

3

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

c h u v o s a s e c a

L3

/ kg

ms

a

a

a

a

O e s o p h a g o s to m u m s p .

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

c h u v o s a s e c a

se

ma

na

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

c h u v o s a s e c a

se

ma

na

s

0

2

4

6

8

1 0

Lo

g1

0-

se

ma

na

s

a

a

H a e m o n c h u s s p .

0

1

2

3

4

5

6

7

c h u v o s a s e c a

se

ma

na

s

A B

61

0

5

10

15

20

25

30

35

chuvosa seca

tem

pera

tura

em

gra

us C

0

20

40

60

80

100

120

140

160

plu

viosid

ade e

m m

m

PP MTMáx.MTMín. T médi

Figura 17. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, nos períodos chuvoso e seco, obtidos na Estação experimental da

Pesagro-Rio, Seropédica, RJ.

62

fato foi observado no presente estudo. Os autores relataram que a longevidade das

larvas na vegetação foi de 49 a 56 dias, sete a oito semanas. No presente estudo as

larvas sobreviveram até nove semanas. Consideraram que os eventos climáticos e o fato

da vegetação apresentar-se seca durante o pastoreio, foram fatores importantes,

parecendo interferir na dinâmica populacional das formas de vida livre destes helmintos.

O gênero Oesophagostomum apresentou seu pico na época da seca e seu maior

período de sobrevivência foi de duas semanas para os dois períodos. O clima pareceu

interferir na ecologia das formas pré-parasíticas dessas larvas.

63

4. 4. CONCLUSÕES

Pode-se concluir, de acordo com os resultados apresentados que:

1. As condições climáticas de Seropédica foram favoráveis ao desenvolvimento e

longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos;

2. Os gêneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram em praticamente todos os

meses de período do experimento; sendo que em termos de quantidade, Haemonchus foi

o que apresentou maior número, e em longevidade, Trichostrongylus, foi o que

apresentou o maior período de sobrevivência;

3. A ocorrência dos gêneros Oesophagostomum e Cooperia foi considerada,

respectivamente, baixa e inexistente, no período estudado;

4. Não há diferença entre a apresentação dos resultados como matéria verde ou matéria

seca;

5. Foi constatado que o sistema de irrigação não favoreceu o desenvolvimento e a

longevidade de L3 de nematóides gastrintestinais de caprinos, com exceção ao número

total de larvas de Haemonchus, que foi significativamente maior no piquete irrigado.

6. Não houve relação entre os gêneros Trichostrongylus e Haemonchus. Eles ocorrem

independentemente.

7. Os meses de agosto e novembro foram os que apresentaram maior número de larvas

infectantes de Trichostrongylus; e o maior período de sobrevivência foi no mês maio.;

8. Os meses de abril e novembro foram os que apresentaram maior número de larvas

infectantes de Haemonchus; e o maior período de sobrevivência foi registrado nos

meses de março e junho;

64

9. Com análise nas quatro estações Trichostrongylus apresentou maior recuperação de

larvas no inverno e primavera;

10. Não houve diferença entre as estações, para distribuição e longevidade de larvas de

Haemonchus;

11. Outono foi a época mais favorável à sobrevivência das larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos;

12. Não houve diferença entre os períodos chuvoso e seco, para distribuição e

longevidade das larvas encontradas neste estudo.

65

5. CAPÍTULO III

DISTRIBUIÇÃO E LONGEVIDADE DE LARVAS INFECTANTES DE NEMATÓIDES

GASTRINTESTINAIS DE CAPRINOS (Capra hircus) EM SOLO E PASTAGENS IRRIGADAS E

NÃO-IRRIGADAS.

66

RESUMO

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribuição e Longevidade de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos (Capra hircus) em solo e pastagem irrigada

e não-irrigada. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tese – Doutorado em Ciências

Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

A distribuição e longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de

caprinos foi estudada em solo e em vegetação irrigada e não-irrigada com o objetivo de

contribuir para aquisição de conhecimentos e fornecer dados para o estabelecimento de

programas de controle integrado. Assim, amostras de solo e vegetação não-irrigada e

irrigada foram examinadas a cada 14 dias durante o período de setembro/02 a

setembro/03. Os resultados mostram que as larvas de helmintos foram capazes de

migrar para o solo, considerando este um refúgio às condições adversas. No entanto, a

distribuição e longevidade indicaram a irrelevante importância epidemiológica deste

habitat. A vegetação foi o local eleito pelas larvas. O sistema de irrigação não favoreceu

a migração de larvas para o solo.

Palavras-Chave: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., solo,

vegetação, irrigação, epidemiologia

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Orientador), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-orientador) e

Fábio B. Scott – UFRRJ.

67

ABSTRACT

CASTRO, Abisair Andrade de. Distribution and longevity of infective larvae of goats

(Capra hircus) gastrointetinal nematodes in soil and irrigated and non-irrigated

pastures. Seropédica: UFRRJ, 2004. 97p. (Tesis – Doctor Science at Ciências

Veterinárias, Parasitologia Veterinária)

The distribution and longevity of infective larvae of goats gastrointestinal nematodes

was studied in the soil and herbage irrigated and non-irrigated with aim to contribute the

acquisition of knowledge and gives dates to establishment to program of integrated

control. Thus, samples soil and pastures at two plots non-irrigated and irrigated were

examined every 14 days during september/02 at september/03. The samples soil and

herbage were processed for Baermann and Donald techniques, respectively. The results

showed that helminthes larvae were able to migrate for soil, considering this place a

refuge because the adverse condition environment. However, the distribution and

longevity indicate the small epidemiological importance this niche. Pastures was the

elect place for the larvae. The irrigation system was not favorable to migration of

infective larvae for the soil.

Keywords: Trichostrongylus sp., Haemonchus sp., Oesophagostomum sp., soil,

pastures, irrigation, epidemiology.

Comitê: Adivaldo Henrique da Fonseca – UFRRJ (Advisor), Laerte Grisi – UFRRJ (Co-advisor) e Fábio

B. Scott – UFRRJ.

68

5. 1. INTRODUÇÃO

O conhecimento da dinâmica das larvas infectantes de nematóides parasitos de

ruminantes nas pastagens e no solo de determinada região, levando-se em consideração

as condições bióticas e abióticas, é epidemiologicamente importante, uma vez que com

estes dados, pode-se determinar o risco de infecção dos animais. Desta forma,

estabelecendo medidas preventivas de controle como: alternância de pastagens,

dosificações estratégicas.

Existem poucas informações disponíveis sobre a influência de solos tropicais

albergando larvas infectantes de tricostrongilídeos (LYAKU et al. 1988). Na realidade

existe uma grande controvérsia a respeito deste fato. Alguns autores afirmam que o solo

pode atuar como reservatório de larvas infectantes, onde num ambiente desfavorável, as

L3 migrariam a determinadas profundidades para se protegerem. E num momento

seguinte, quando as condições ambientais estivessem favoráveis migrariam de volta a

superfície, recontaminando a pastagem (KAUZAL, 1941; REES, 1950). Por outro lado,

existem outros autores que discordam deste fato, pois em seus trabalhos, recuperaram

poucas larvas do solo (ANDERSON et al. 1970; ROSE & SMALL, 1985). Há, porém

que se levar em consideração os tipos de solos estudados, as condições de temperatura e

umidade, bem como a época do ano, e outros fatores. Dessa forma, com o objetivo de

estudar a distribuição e longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais

de caprinos no solo e pasto, este estudo foi elaborado, visando no futuro propiciar uma

base sólida para programas estratégicos de controle.

69

5.2. MATERIAL E MÉTODOS

5.2.1. Local:

O presente estudo foi conduzido em pastagens próximas ao prédio de Sanidade

Animal e no laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto de Veterinária, Convênio

Embrapa - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; no município de Seropédica,

localizado a 22o 54’ de longitude oeste, à altitude de 33 metros.

5.2.2. Animais:

Nove caprinos mestiços, de ambos os sexos, procedentes do Colégio Técnico da

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - CTUR, portadores de infecção natural

foram utilizados como doadores de fezes. Estes animais permaneceram, num piquete de

aproximadamente 3500m2. As amostras de fezes foram coletadas diretamente do reto

com auxílio de coletores.

5.2.3. Clima e solo:

O clima da região, segundo a classificação de KOPPEN (1958), é do tipo AW,

com inverno seco, verão chuvoso e quente. Os dados de temperatura, umidade relativa e

precipitação pluviométrica foram fornecidos pelo posto de meteorologia Ecologia

Agrícola do Km 47, distante cerca de um km do local do experimento. O solo é do tipo

franco-argiloso.

5.2.4. Piquetes:

Formaram-se dois piquetes, “A” e “B” de aproximadamente 81m2 cada,

constituídos por Paspalum notatum, grama batatais. O piquete “B” foi irrigado a taxa de

50mm de água por semana, durante todo o período do experimento, não obedecendo esta

regra apenas quando a precipitação pluviométrica excedia esta taxa. Quando a mesma

ocorria, sem, contudo exceder a taxa calculava-se a diferença.

5.2.5. Coleta de Dados:

Depositaram-se a campo, de 14 em 14 dias, quatro amostras de fezes, onde os

pares foram identificados como “massa fecal teste” e “massa fecal controle”, sendo um

70

par para análise de solo e outro para pastagem no período de setembro de 2002 a

setembro de 2003. As amostras distavam cerca de 80cm umas das outras. Previamente

ao depósito, retiravam-se alíquotas do pool de fezes coletadas, para determinação do

número de ovos por grama de fezes, o.p.g., segundo a modificada técnica de GORDON

& WHITLOCK (1939); e realização de coprocultura (ROBERTS & O’SULLIVAN,

1950) para obtenção de larvas infectantes e posterior identificação de acordo com a

chave de KEITH (1953). Alíquotas de solo e pastagem foram coletadas após o sétimo

dia de depósito e a partir daí, de 14 em 14 dias. Para a coleta do solo utilizou-se um

trado (Figura 12) com as seguintes dimensões: 3,5cm de diâmetro por 10cm de

comprimento (ROSE & SMALL, 1985). A vegetação foi coletada numa área de 5cm de

largura por 30cm de comprimento (ROSE, 1970). Primeiramente trabalhava-se a MFT,

quando esta apresentava-se negativa por duas vezes consecutivas, passava-se para a

MFC seguindo o mesmo procedimento. As respectivas amostras foram processadas

pelas técnicas de Baermann (CORT et al., 1922) (Figura 13) e Donald (DONALD,

1967). As L3 recuperadas foram quantificadas e identificadas segundo KEITH (1953).

5.2.6. Estimativa dos dados em matéria seca:

Ao longo do experimento os dados foram coletados em peso de matéria verde.

Para calcular o correspondente em matéria seca, coletou-se durante um ano, outubro de

2002 a setembro de 2003, três amostras de vegetação de acordo com ROSE (1970).

Essas amostras foram individualmente pesadas, em seguida mantidas em estufa a 80oC

por 48 horas, sendo novamente pesadas. Com os dados médios obtidos empregou-se a

análise de regressão, obtendo-se a equação da reta, y= a + b x .

Donde: y= matéria verde;

a=0.94;

b= 0.202 e

x= matéria seca.

Através da qual estimou-se a matéria seca para todas as amostras coletadas. Para

comprovação da curva dos resultados, uma nova análise de regressão foi realizada,

confrontando-se os dados de matéria verde com os de matéria seca.

5.2.7. Análise estatística:

Para melhor aproveitamento dos resultados, os mesmos foram apresentados sob

análise de três pontos de vista: dados mês a mês; dados em quatro estações e dados em

71

duas estações. Para os três casos, o número médio de larvas para distribuição e o

número médio de semanas para longevidade foram transformados em Log10 (x + 2).

Com esses dados empregou-se análise de variância (ANOVA) considerando-se um nível

de 5% de probabilidade. Em seguida, para as análises que diferiram significativamente,

foi aplicado o teste de Duncan a 5%, para comparação entre as médias (VIEIRA, 1999)

72

Figura 12. Trado, equipamento utizado para coleta de solo.

() Seta indica o comprimento de 10cm; limite de

profundidade utilizada no experimento.

A

B

Figura 13. Etapas da técnica de Baermann, utilizada para

processamento de amostras do solo. A – funis com água destilada

aquecida; B – amostras de solo sendo processadas

73

5. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As larvas infectantes recuperadas neste capítulo também foram Trichostrongylus

sp, Haemonchus sp, e Oesophagostomum. Os números de larvas recuperadas para os

gêneros acima citados no pasto (kg/ms) e solo (kg) foram respectivamente: 99.243 e

461; 289.594 e 876, e 14.563 e 109 larvas.

A recuperação de larvas do gênero Oesophagostomum foi considerada baixa.

Dessa forma não se aplicou teste estatístico a esse gênero. Como no capítulo anterior,

larvas do gênero Cooperia não foram recuperadas neste estudo.

Não houve diferença significativa (p 0.05) entre os piquetes, irrigado e não-

irrigado com relação à distribuição e longevidade de larvas dos dois gêneros analisados.

Ou seja, a irrigação neste estudo não favoreceu o desenvolvimento e longevidade de

larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos. Contrariamente, autores

como HORAK & LOUW (1977), GRUNER et al. (1989), HOLOSOVÁ et al. (1989)

afirmaram que sistemas irrigados beneficiavam a ecologia das larvas na vegetação. Esta

aparente contradição pode estar relacionada ao tipo de vegetação em questão. A

vegetação utilizada neste estudo, Paspalum notatum, grama batatais é um tipo de

gramínea rasteira e de pequeno porte, aproximadamente 20cm de altura. Talvez por

mais desenvolvida que esta gramínea pudesse estar, não proporcionaria condições

adequadas para o desenvolvimento e sobrevivência das larvas. As vegetações utilizadas

nos estudos dos autores acima citados, Dicanthuim caricosum e Lolium multiflorum

eram de porte maior, aproximadamente 120 e 127cm de altura, respectivamente, que em

sistema de irrigação provavelmente favoreceram a expansão da cobertura vegetal,

criando um microclima favorável ao desenvolvimento das larvas.

ROSE (1960), REES (1950), ANDERSEN et al. (1970), CALLINAN (1978);

ROSE & SMALL (1985), KRECEK et al. (1991) observaram que a maioria das larvas

migraram para a vegetação e uma pequena parte para o solo. Estes resultados são

equivalentes aos achados neste estudo, pois o número de larvas recuperadas na

vegetação foi significativamente maior (p 0.05) que o número de larvas recuperadas

do solo (Figura 20A). Também houve diferença significativa entre pasto e solo quanto

ao período de sobrevivência (Figura 20B). Constatou-se que as larvas sobreviveram por

mais tempo na vegetação que no solo. Estes resultados podem estar intimamente

74

Figura 20.A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no pasto e solo, expressos em

número de L3/Kg de matéria seca e em Kg de solo. B. Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais

de caprinos, no pasto e solo, expressos em semanas. (Letras, minúsculas, distintas diferem ao nível de 5% de

probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p .

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/ K

g d

e m

s

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

2 5 0

3 0 0

3 5 0

L3

/ kg

de

so

lo

Pa s to a

S o lo b

H a e m o n c h u s s p .

0

6 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

1 8 0 0 0 0

2 4 0 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

L3

/ K

g d

e m

s

0

1 0 0

2 0 0

3 0 0

4 0 0

5 0 0

6 0 0

L3

/ kg

de

so

lo

Pa s to a

S o lo b

O e s o p h a g o s to m m s p .

0

2 0 0 0

4 0 0 0

6 0 0 0

8 0 0 0

J F M A M J J A S O N D

m e s e s

L3

/ K

g d

e m

s

0

2 0

4 0

6 0

8 0

L3

/ kg

de

so

lo

Pa s to

S o lo

O e s o p h a g o s to m m s p .

0

2

4

6

8

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

se

ma

na

s -

pa

sto

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

se

ma

na

s -

so

lo

Pa s to

S o lo

T ric h o s tro n g y lu s s p .

0

2

4

6

8

1 0

1 2

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s -

pa

sto

0

1

2

3

4

5

6

se

ma

na

s -

so

lo

Pa s to a

S o lo b

H a e m o n c h u s s p .

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

J F M A M J J A S O N D

se

ma

na

s -

pa

sto

0

1

2

3

4

5

se

ma

na

s -

so

lo

Pa s to a

S o lo b

A B

75

relacionados ao tipo de solo da região, que é do tipo franco argiloso, o qual possui em

sua composição cerca de 70% de argila e 30% de areia (RAMOS et al. 1973). Isto

provavelmente dificultou a migração e sobrevivência das L3 no solo, uma vez que este

pode produzir uma liga bastante forte com baixa aeração. Autores como KAUZAL

(1941), CALLINAN & WESTCOTT (1986), LYAKU et al. (1988) consideraram que o

solo poderia atuar como um reservatório de larvas infectantes, buscando neste, um

refúgio as condições adversas, pois seus resultados apontaram para essa hipótese, no

entanto, os tipos de solos trabalhados por esses autores eram do tipo arenoso e humífero.

5.3.1. Dados apresentados mês a mês:

Analisando os resultados deste estudo mês a mês, observou-se que não houve

diferença significativa entre os meses tanto para distribuição quanto para longevidade

das larvas infectantes de Trichostrongylus e Haemonchus, na vegetação e solo

respectivamente (Figuras 21 A, B e 22 A, B).

Foi registrado, porém, que a maior quantidade de larvas recuperadas para

Trichostrongylus no pasto foi no mês de julho e no solo no mês de outubro. Meses cujos

valores médios de temperatura e precipitação foram respectivamente 22 e 260C e 10 e

52mm (Figura 23). Na vegetação as L3 foram capazes de sobreviver por um período de

aproximadamente dez semanas e no solo seis, ambos no mês de abril.

No pasto, o gênero Haemonchus teve seu pico de recuperação no mês de março,

onde foi registrada a temperatura média de 260C e 246mm de precipitação; e no solo o

mês de outubro. A longevidade dessas larvas no pasto e solo foi de 13 semanas em

março e cinco semanas em abril, respectivamente. LYAKU et al. (1988) observaram

que larvas de Haemonchus sobreviveram até três semanas em solos, concordando com o

registrado no presente estudo.

Larvas de Oesophagostomum na vegetação foram mais recuperadas em maio,

cujos valores de temperatura e precipitação foram respectivamente 220C e 70.6mm e no

solo, em outubro. O período de sobrevivência dessas larvas foi de oito semanas em

março, na vegetação e de duas semanas no solo, em abril. LYAKU et al. (1988)

verificaram que essas larvas sobreviveram até nove semanas, em seus estudos.

A exemplo do capítulo anterior, a temperatura pareceu ser um fator importante

na distribuição de Trichostrongylus e Oesophagostomum ao longo do ano, pois os dois

gêneros, foram recuperados em meses onde a temperatura apresentou-se mais amena.

Concordando com LEVINE (1963), que afirmou que a temperatura poderia ser um fator

76

Figura 21.A. Distribuição de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em

número de L3/Kg de matéria seca e em logaritmo do número de L3. B. Distribuição de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em número de L3/Kg e em logaritmo do número de L3 (Letras,

minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de probabilidade.).

T ric h o s tro n g y lu s s p . - p a s to

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

L3

/ k

g m

s

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

3

3 ,5

4

4 ,5

Lo

g1

0-

L3

H a e m o n c h u s s p . - p a s to

0

6 0 0 0 0

1 2 0 0 0 0

1 8 0 0 0 0

2 4 0 0 0 0

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

L3

/ k

g m

s

0

1

2

3

4

5

6

Lo

g1

0-

L3

O e s o p h a g o s to m u m s p . - p a s to

0

2 0 0 0

4 0 0 0

6 0 0 0

8 0 0 0

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

L3

/ k

g m

s

T ric h o s tro n g y lu s s p . - s o lo

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

2 5 0

3 0 0

3 5 0

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

L3

/ k

g s

olo

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

3

Lo

g1

0-

L3

H a e m o n c h u s s p . - s o lo

0

1 0 0

2 0 0

3 0 0

4 0 0

5 0 0

6 0 0

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

L3

/ k

g s

olo

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

3

Lo

g1

0-

L3

vv

O e s o p h a g o s to m u m s p . - s o lo

0

2 0

4 0

6 0

8 0

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

L3

/ k

g s

olo

A B

77

Figura 22.A. Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no pasto, expressos em

semanas e em logaritmo do número de semanas. B. Longevidade de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais

de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo do número de semanas (Letras, minúsculas, idênticas não

diferem ao nível de 5% de probabilidade.).

T ric hos t rongylus s p . - pas to

0

2

4

6

8

1 0

1 2

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

se

ma

na

s -

Lo

n L

3

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

1 ,2

Lo

g1

0 -

lo

ng

L3

H a e m o n c h u s s p . - p a s to

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

se

ma

na

s -

Lo

n L

3

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

1 ,2

1 ,4

Lo

g1

0 -

lo

ng

L3

O e s o p h a g o s to m u m s p . - p a s to

0

2

4

6

8

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

se

ma

na

s -

Lo

n L

3

T ric hos t rongylus s p . - s o lo

0

1

2

3

4

5

6

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

se

ma

na

s -

Lo

n L

3

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

1

Lo

g1

0 -

lo

ng

L3

H aem onc hus s p . - s o lo

0

1

2

3

4

5

Jan

a

F ev

a

M ar

a

A br

a

M ai

a

Jun

a

Ju l

a

A go

a

S et

a

O ut

a

N ov

a

D ez

a

se

ma

na

s -

Lo

n L

3

0

0 ,1

0 ,2

0 ,3

0 ,4

0 ,5

0 ,6

0 ,7

0 ,8

0 ,9

Lo

g1

0 -

lo

ng

L3

O e s o p h a g o s to m u m s p . - s o lo

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

J F M A M J J A S O N Dm e s e s

se

ma

na

s -

Lo

n L

3

A B

78

0

5

10

15

20

25

30

35

40

J F M A M J J A S O N Dmeses

tem

pera

tura

0C

celc

ius

0

50

100

150

200

250

300

350

plu

vio

sid

ade e

m m

m

PP MTMáx.

MTMín. MTMédi

Figura 23. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, obtidos na Estação experimental da Pesagro-Rio, Seropédica, RJ.

79

limitante. A precipitação não pareceu exercer importância, pois os meses de maior

precipitação não coincidiram com os meses de maior recuperação de larvas. E embora

os maiores números de L3 de Haemonchus tenham sido recuperados num mês chuvoso,

esses eventos pareceram não ter relação direta com a distribuição de larvas; podendo

outros fatores, estarem influenciando de forma mais clara, como sugeriu AUMONT et

al. (1989).

5.3.2. Dados apresentados em quatro estações:

Assim como no tópico anterior, o número de larvas recuperadas e o período

sobrevivência destas foi significativamente maior no pasto (p 0.05) do que solo. A

distribuição de L3 assim como a longevidade na vegetação e solo, para os três gêneros,

estão sucintamente apresentados nas Figura 24 A, B e Figura 25 A, B, respectivamente.

Os gêneros Trichostrongylus e Haemonchus ocorreram na vegetação e no solo,

nas quatro estações. Esses dados concordam com os achados de PIMENTEL NETO &

FONSECA (no prelo), na vegetação. O gênero Oesophagostomum ocorreu nas estações

do outono e inverno, na vegetação e nas quatro estações, no solo. Os dados climáticos

divididos em quatro estações estão apresentados na figura 26.

A distribuição de larvas de Trichostrongylus foi significativamente diferente

entre as estações do verão e as demais, sendo esta a época em que menos se recuperou

larva da vegetação. TRIPATHI (1970b) verificou que o período quente foi desfavorável

à sobrevivência das larvas. Foi no inverno quando registrou-se o maior número de

larvas, 15.498. No solo não foi registrada diferença entre as estações, embora o maior

número de larvas tenha sido recuperado na primavera, duas L3. O outono foi a estação

onde registrou-se significativamente o maior período de sobrevivência para larvas de

Trichostrongylus na vegetação, em relação as demais estações. No solo, não houve

diferença significativa entre as estações, embora também tenha sido no outono,

registrado a maior longevidade.

O gênero Haemonchus foi recuperado na vegetação, em maior número na

estação do outono, diferindo significativamente das demais. DINABURG (1944)

observou que os meses do verão e inverno foram desfavoráveis ao desenvolvimento e

sobrevivência das larvas de Haemonchus. Estes dados estão de acordo com o presente

estudo. No solo, embora não tenha ocorrido diferença estatística entre as estações, a

primavera foi a que se destacou. O período de sobrevivência de Haemonchus na

80

Figura 24.A. Distribuição, nas quatro estações, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no pasto,

expressos número de L3/Kg matéria seca e em logaritmo do número de L3. B. Distribuição, nas quatro estações, de larvas

infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em número de L3/Kg matéria seca e em

logaritmo do número de L3 (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de probabilidade.).

H a e m n c h u s s p . - p a s to

0

2 0 0 0 0

4 0 0 0 0

6 0 0 0 0

8 0 0 0 0

1 0 0 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ K

g m

s

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - p a s to

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/ K

g m

s

O e s o p h a g o s to m u m s p . - p a s to

0

1 0 0 0

2 0 0 0

3 0 0 0

4 0 0 0

v e r o u t in v p r ie s ta ç õ e s

L3

/ K

g m

s

b

a

a

a

b

a

b b

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - s o lo

0

0 ,5

1

1 ,5

2

v e r o u t in v p r i

L3

/ kg

0

0 ,1

0 ,2

0 ,3

0 ,4

0 ,5

0 ,6

Lo

g -

L3

/ K

g

H a e m n c h u s s p . - s o lo

0

5 0

1 0 0

1 5 0

2 0 0

v e r o u t in v p r i

L3

/kg

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

Lo

g -

L3

/kg

O e s o p h a g o s to m u m s p . - s o lo

0

5

1 0

1 5

2 0

2 5

3 0

v e r o u t in v p r ie s ta ç õ e s

L3

/ K

g

a

aa

a

aa

a

a

A B

81

Figura 25.A. Longevidade, nas quatro estações, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no pasto,

expressos em semanas e em logaritmo do número de semanas. B. Longevidade, nas quatro estações, de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em logaritmo do número de semanas (Letras,

minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - p a s to

0

2

4

6

8

1 0

v e r o u t in v p r is

em

an

as

H a e m n c h u s s p . - p a s to

0

2

4

6

8

1 0

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

O e s o p h a g o s to m u m s p . - p a s to

0

2

4

6

8

v e r o u t in v p r ie s ta ç õ e s

se

ma

na

s

c

a

b

b , c

b

a

b b

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - s o lo

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

3

3 ,5

v e r o u t in v p r i

se

ma

na

s

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

Lo

g 1

0 -

se

ma

na

s

H a e m n c h u s s p . - s o lo

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

3

3 ,5

ve r o u t in v p r i

se

ma

na

s

0

0 ,2

0 ,4

0 ,6

0 ,8

Lo

g1

0 -

se

ma

na

s

O e s o p h a g o s to m u m s p . - s o lo

0

1

2

3

4

v e r o u t in v p r ie s ta ç õ e s

se

ma

na

s

a

a

a a

a

a

a

a

A B

82

0

5

10

15

20

25

30

35

ver out inv pri

tem

pera

tura

0C

celc

ius

0

50

100

150

200

250

plu

vio

sid

ade e

m m

m

PP MTMáx.

MTMín. MTMédi

Figura 26. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e precipitação

pluviométrica, em quatro estações, obtidos na Estação experimental da Pesagro-Rio, Seropédica, RJ.

83

vegetação foi significativamente maior no outono. No solo também não houve diferença

entre as estações.

LEVINE & TODD (1975) observaram que poucas larvas de Haemonchus

sobreviveram no inverno, e ao contrário larvas de Trichostrongylus sobreviveram bem

nesta estação. O mesmo foi verificado neste estudo.

Embora não se tenha empregado teste estatístico para Oesophagostomum,

verificou-se que o outono e a primavera foram estações eleitas para o desenvolvimento

de L3 na vegetação e solo, respectivamente. O melhor período de sobrevivência foi

identificado como a estação do outono na vegetação e no solo, não houve destaque.

5.3.3. Dados apresentados nos períodos chuvoso e seco:

Os dados de distribuição e longevidade dos três gêneros de larvas recuperadas

neste estudo ao nível de vegetação e solo, estão respectivamente apresentados nas

figuras 27A, B e 28A, B. Os dados climáticos estão apresentados na figura 29.

O três gêneros ocorreram na vegetação e no solo, nos dois períodos estudados. A

recuperação e sobrevivência de larvas de Trichostrongylus na vegetação foi

significativamente superior no período seco. Para o solo, o período chuvoso e seco,

foram, respectivamente, as épocas em que se recuperou maior número de larvas e que as

mesmas sobreviveram, embora não tenha sido verificada diferença significativa entre os

períodos. A distribuição e longevidade de larvas de Oesophagostomum foram

semelhantes à de Trichostrongylus.

Não houve diferença estatística entre os dois períodos para a distribuição e

longevidade de larvas de Haemonchus tanto na vegetação quanto no solo. TRIPATHI

(1970a), FABIYI (1973), CAVALCANTI (1974), GRISE (1975), CONNOR et al.

(1990), McCULLOCK & KASIMBALA (1968) registraram que H. contortus

apresentou seu pico no período chuvoso. Embora os resultados na vegetação mostrem

uma tendência a este fato, os mesmos discordam, pois estatisticamente não houve

diferença entre os dois períodos.

84

Figura 27.A. Distribuição nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de

caprinos, no pasto, expressos número de L3/Kg matéria seca e em logaritmo do número de L3. B. Distribuição nos

períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em

número de L3/Kg matéria seca e em logaritmo do número de L3 (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de

5% de probabilidade.).

H a e m o n c h u s s p . - p a s to

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

2 0 0 0 0

2 5 0 0 0

3 0 0 0 0

c h u v o s o s e c o

L3

/kg

ms

3 ,9

4

4 ,1

4 ,2

4 ,3

4 ,4

4 ,5

Lo

g1

0 -

L3

/ kg

ms

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - p a s to

0

5 0 0 0

1 0 0 0 0

1 5 0 0 0

c h u v o s o s e c o

L3

/ kg

ms

O e s o p h a g o s to m u m s p . - p a s to

0

5 0 0

1 0 0 0

1 5 0 0

2 0 0 0

2 5 0 0

c h u v o s o s e c o

L3

/ kg

ms

a

b

a

a

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - s o lo

0

1 0

2 0

3 0

4 0

5 0

6 0

c h u v o s o s e c o

L3

/kg

0

0 ,5

1

1 ,5

2

Lo

g1

0 -

L3

/ kg

H a e m o n c h u s s p . - s o lo

0

2 0

4 0

6 0

8 0

1 0 0

1 2 0

c h u v o s o s e c o

L3

/kg

0

0 ,5

1

1 ,5

2

2 ,5

Lo

g1

0 -

L3

/ kg

O e s o p h a g o s to m u m s p . - s o lo

0

2

4

6

8

1 0

1 2

1 4

c h u v o s o s e c o

L3

/ kg

ms

a

a

a

a

A B

85

Figura 28.A. Longevidade, nos períodos chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de

caprinos, no pasto, expressos em semanas e em logaritmo do número de semanas. B. Longevidade, nos períodos

chuvoso e seco, de larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de caprinos, no solo, expressos em semanas e em

logaritmo do número de semanas (Letras, minúsculas, idênticas não diferem ao nível de 5% de probabilidade.).

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - p a s to

0

1

2

3

4

5

6

7

c h u v o s o s e c o

se

ma

na

s

H a e m o n c h u s s p . - p a s to

0

1

2

3

4

5

c h u v o s o s e c o

se

ma

na

s

O e s o p h a g o s to m u m s p . - p a s to

0

1

2

3

4

5

c h u v o s o s e c o

se

ma

na

s

a

b

a

a

T r i c h o s tr o n g yl u s s p . - s o lo

0

1

2

3

4

5

c h u v o s o s e c o

se

ma

na

s

0

0 ,1

0 ,2

0 ,3

0 ,4

0 ,5

0 ,6

Lo

g1

0 -

se

ma

na

s

H a e m o n c h u s s p . - s o lo

0

1

2

3

4

5

c h u v o s o s e c o

se

ma

na

s

0

0 ,1

0 ,2

0 ,3

0 ,4

0 ,5

0 ,6

0 ,7

Lo

g1

0 -

se

ma

na

s

O e s o p h a g o s to m u m s p . - s o lo

0

1

2

3

4

5

c h u v o s o s e c o

se

ma

na

s

a

a

a

a

A B

86

0

5

10

15

20

25

30

35

chuvoso seco

tem

pera

tura

0C

celc

ius

0

20

40

60

80

100

120

140

160

180

plu

vio

sid

ade e

m m

m

PP MTMáx.

MTMín. MTMédi

Figura 29. Dados climáticos das médias das temperaturas máximas, médias e mínimas, e

precipitação pluviométrica, nos períodos chuvoso e seco, obtidos na Estação experimental da

Pesagro-Rio, Seropédica, RJ.

87

5. 4. CONCLUSÕES

De acordo com os resultados apresentados neste capítulo, pôde-se concluir que:

1. O sistema de irrigação não favoreceu a migração de larvas infectantes para a

vegetação e solo;

2. As larvas infectantes de nematóides gastrintestinais foram capazes de migrar para o

solo, porém a distribuição e o período de sobrevivência mostraram a irrelevante

importância epidemiológica deste habitat, nesta região.

3. Ao longo de um ano, não houve diferença significativa entre os meses, para

distribuição e longevidade de larvas infectantes dos três gêneros encontrados neste

estudo;

4. Com análise nas quatro estações, o gênero Trichostrongylus obteve o maior e menor

número de larvas recuperadas no inverno e verão, respectivamente. Esses resultados

foram associados à temperatura;

5. O maior número de larvas infectantes de Haemonchus recuperadas foi no outono;

6. O outono foi a época mais favorável para a sobrevivência de larvas infectantes de

nematóides gastrintestinais de caprinos, na vegetação;

7. O período seco foi favorável à distribuição e sobrevivência de larvas de

Trichostrongylus;

8. Não houve diferença significativa entre os períodos chuvoso e seco para distribuição

e longevidade de Haemonchus.

88

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AL SAQUR, I.; BAIRDEN, J.; ARMOUR, J & GETTINBY, G. Population study of

bovine Ostertagia spp infective larvae on herbage and soil. Research in Veterinary

Science, v. 32, n. 3, p. 332-337. 1982.

ALMEIDA, L. R. Desenvolvimento, sobrevivência e distribuição de larvas infectantes

de nematódeos gastrintestinais de ruminantes, na estação seca da Baixada Fluminense,

Rio de Janeiro. 2003. 50 p. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Rural do

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003.

ANDERSEN, F. L.; LEVINE, N. D. & BOATMAN, P. A. Survival of third-stage

Trichostrongylus colubriformis larvae on pasture. Journal of Parasitology, n. 56, v. 2, p.

209-232, 1970.

AROSEMENA, N. A. E.; BEVILAQUA, C. M. L.; MELO, A. C. F. L. & GIRÃO, M.

D. Seasonal variations of gastrointestinal nematodes in sheep and goat from semi-arid

area. Revue de Medecine Veterinaire, v. 150, n. 11, p. 873-876, 1999.

AUMONT, G. & GRUNER, L. Population evolution of free-living stage of goat

gastrointestinal nematodes on herbage under tropical conditions in Guadeloupe (French

west indies). International Journal for Parasitology, v. 19, n. 5, p. 539-546, 1989.

AUMONT, G.; COULAUD, G.; GRUDE, A & GRUNER, L. Pasture populations of

cattle nematode larvae in Guadeloupe (French west indies). International Journal for

Parasitology, v. 19, n. 5, p. 547-554, 1989.

BAERMANN, G. Eine einfache methode zur auffindung von Ankylostomum

(Nematoden) larven in Erdproden. Geneesk Tidjschr Nederl Indie, n. 57, v. 1, p. 131-

137, 1917.

BARGER, I. A.; SIALE, K.; BANKS, D. J. D. & LE JAMBRE, L. F. Rotaional grazing

for control of gastrointestinal nematodes of goats in west tropical environment.

Veterinary Parasitology, v. 53, n. 1, p. 109-116, 1994.

BAKER, W. D. A. Control of parasitic gastroenteritis in goat. Journal of American

Veterinary Medicine of Association, v. 167, n. 12, p. 1069-1075, 1975.

BAKER, N. F.; FISK, R. A.; BUSHNELL, R. B. & OLIVER, M. N. Seasonal

occurrence of infective nematode larvae on irrigated pasture grazed by cattle in

California. American Journal of Veterinary Research, v. 42, n. 7, p. 1188-1191, 1981.

BANKS, D. J. D.; SINGH, R.; BARGER, I. A.; PRATAP, B. & LE JAMBRE, L. F.

Development and survival of infective larvae of Haemonchus contortus on pasture in a

tropical environment. International Journal for Parasitology, v. 20, n. 2, p. 155-160,

1990.

89

BAWDEN, R. J. A rapid technique for the recovery of strongyloid larvae from pasture

samples. Australian Veterinary Journal, v. 45, n. 5, p. 228-230.1969.

BHOJANE, G. R.; DAKSHINKAR, N. P. & KOTEKAR, M. D. Prevalence of

endoparasites in free ranging goats of Nagpur. Indian Journal of Small Ruminants, v. 8,

n. 1, p. 57-59, 2002.

BOUGAS, G. & THEODORIDIS, Y. Gastrointestinal nematodes of goats in Thessalia

region. Bulletin of the Hellenic Veterinary Medical Society, v. 51, n. 4, p. 281-287,

2000.

BULLISK, G. R & ANDERSEN, F. L. Effect of irrigation on survival of third-stage

Haemonchus contortus larvae (Nematoda, Trichostongylidae). Great Basin Nature, v.

38, n. 5, 369-378, 1978.

BÜRGER, H. J. Experiences with our techniques for the recovery of nematode larvae

from herbage. p. 25-30. In: NANSEN, P.; JORGENSEN, R. J. & SOULSBY, E. J. L.

Epidemiology and control of nematodiasis in cattle. Brussel, Luxembourg. 250p. 1981.

CABARET, J. RAYNAUD, J. P. & LE STANG, J. P. veterinary Parasitology, v. 10, n.

1, p. 65-71. 1982.

CALLINAN, A. P. L. The ecology of the free-living stages of Trichostrongylus axei.

International Journal for Parasitology, v. 8, n. 6, p. 453-456, 1978.

CALLINAN, A. P. L. The ecology of the free-living stages of Trichostrongylus vitrinus.

International Journal for Parasitology, v. 9, n. 2, p. 133-136, 1979.

CALLINAN, A. P. L. & WESTCOTT, J. M. Vertical distribution of trichostrongylid

larvae on herbage and soil. International Journal for Parasitology, v. 16, n. 3, p. 241-

244, 1986.

CARMICHAEL, I. H. & BRIEN, F. Influences on internal parasitism of sheep in South-

east Australian: studies of (1) internal parasite control on pívot irrigation systems and

(2) cobalt nutrition and internal parasite interactions. Inaugural Sheep and Wool

Industry Conference, Autralia, v. 50, n. 4, p. 518-533, 2002.

CAVALCANTI, A. M. L. Prevalência estacional de helmintos gastrintestinais de

caprinos nas zonas da Mata, do Agreste e do Sertão de Pernambuco. 1974. 48p.

Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1974.

CHARLES, T. P. Seasonal prevalence of gastrointestinal nematodes of goats in

Pernambuco State, Brazil. Veterinary Parasitology, v. 30, n. 4, p. 335-343. 1989.

CHIEJINA, S. N. Evaluation of modified Baermann apparatus for the recovery of

infective trichostrongylid larvae from herbage samples. Journal of Helminthology, v.

56, n. 2, p. 105-109, 1982.

90

CONNOR, R. J.; MUNYUKU, A. P.; MACKYAO, E. & HALLIWELL, R. W.

Helminthosis in goats in southern Tanzania: Investigations on epidemiology and

control. Tropical Animal Health Production, v. 22, n. 1, p. 1-6, 1990.

CORT, W.W.; ACKERT, J.E.; AUGUSTINE, D. L. & PAYNE, F. K. Investigations on

the control of hooworm disease. II. The description of an apparatus for isolating

infective hookworm larvae from soil. The American Journal of Hygiene, v. 2, n. 1, p. 1-

16, 1922.

CORT, W. W.; STOLL, N. R & GRANT, J. B. Researches on hookworm in China. I.

Problems and methods of attack. The American Journal of Hygiene, v. 7, n. 1, p. 1-32,

1926.

COUVILLION, C. E. Estimation of the numbers of trichostrongylid larvae on pastures.

Veterinary Parasitology, v. 46, n. 2, p. 197-203, 1993.

CROFTON, H. D. The ecology of the immature phases of Trichostongyle nematodes I.

The vertical distribution of infective larvae of Trichostrongylus retortaeformis in

relation to their habitat. Parasitology, v. 39, n. 1, p. 17-25, 1948.

CROFTON, H. D. The ecology of the immature phases of Trichostongyle parasites. V.

The estimation of pasture infestation. Parasitology, v. 44, n. 1, p. 313-324, 1954.

DEBELA, E. Epidemiology of gastrointestinal helminthiasis of Rift Valley goats under

traditional husbandry system in Adami Tulu district, Ethiopia. Ethipian Journal of

Science, v. 25, n. 1, p. 35-44, 2002.

DEVENDRA, C. Potential of sheep and goats in less developed countries. Journal

Animal Science, v. 51, n. 4, p. 461-473, 1981.

DIALLO, M. B. Seasonal dynamics of gastrointestinal nematodes in small ruminants in

the Kindia prefecture (Guinea). Bulletin of Animal Health and Production in Africa, v.

46, n. 4, p. 251-253, 1998.

DINABURG, A. G. The efficiency of the Baermann apparatus in the recovery of larvae

of Haemonchus contortus. The Journal of Parasitology, v. 28, n. 6, p. 433-440. 1942.

DINABURG, A. G. The survival of the infective larvae of the ruminant stomach worm.

Haemonchus contortus, on outdoor grass plots. American Journal of Veterinary

Research, v. 5, n. 1, p. 32-37, 1944.

DINNIK, J. A. & DINNIK, N. N. Observations on the development of Haemonchus

contortus larvae under field conditions in the Kenya hinghlands. Bulletin of

Epizootiologia Disease of Africa, v. 6, n. 1, p. 11-21, 1958.

DOLL, E. R. & HULL, F. E. Survival of sheep nematode larvae on pasture during

summer. Veterinary Medical, v. 43, n. 4, p. 147-148, 1948.

DONALD, A. B. A technique for the recovery of strongyloid larvae from small sample

units of pasture. Journal of Helminthology, v. 61, n. 1, p. 1-10, 1967.

91

DURIE, P. H. A new technique for the recovery of infective strongyle larvae from soil

and pasture. Journal of Helminthology, v. 33, n. 2, p. 189-196, 1959.

EYSKER, M. & KOOYMAN, F. N. J. Notes on necropsy and herbage processing

techniques for gastrointestinal nematodes of ruminants. Veterinary Parasitology, v. 46,

n. 2, p. 206-213, 1993.

FABIYI, J. P. An investigation into the incidence of goat helminth parasites in the Zaria

of Nigeria. Bulletin Epizootiology Disease of Africa, v. 18, n. 1, p. 29-34, 1970.

FABIYI, J. P. Seasonal fluctuations of nematode infestations in goats in the savannh

belt of Nigeria. Bulletin Epizootiology Disease of Africa, v.21, n. 3, p. 277-286, 1973.

FINCHER, G. T. & STWART, T. B. Vertical migration by nematode larvae of cattle

parasites through soil. Proceedings of the Helminthological Society of Washington, v.

46, n. 1, p. 43-46, 1979.

FINE, A. E.; HARTMAN, R.; KRECEK, R. C. & GROENEVELD, H. T. Effects of

time, from collection to processing, on the recovery of Haemonchus contortus third-

stage larvae from herbage. Veterinary Parasitology, v. 51, n. 1, p. 77-83, 1993.

FITZSIMMONS, W. M. Pathogenesis of the trichostrongyles. Helminthological

Abstracts, v. 38, n. 2, p.139-190. 1970.

FURMAN, D. P. Effects of environment upon the free-living stages of Ostertagia

circumcincta (Stadelmann) Trichostrongylidae. 2. Field experiments. American Journal

of Veterinary Research, n. 5, v. 2, p. 147-153, 1944.

GETTINBY, G.; McKELLAR, Q. A.; BAIRDEN, K.; THEODORIDIS, Y. &

WHITELAW, A. Comparison of two techniques used for the recovery of nematode

infective larvae from pasture. Research in Veterinary Science, v. 39, n. 1, p. 99-102,

1985.

GIBBS, H. C. Transmission of parasites with reference to the strongyles of domestic

sheep and cattle. Canadian Journal of Zoology, v. 51, n. 3, p. 281-289. 1973.

GIBSON, T. E. & EVERETT, G. Experiments on the control of Trichostrongyloisis in

lambs. Journal of Compendium Pathology, v. 78, n. 5, p. 427-434, 1968.

GITHIGIA, S. M.; THAMSBORG, S. M.; MUNYUA, W. K. & MAINGI, N. Impact of

gastrointestinal helmints on production in goats in Kenya. Small Ruminant Research, v.

42, n. 1, p. 21-29, 2001.

GORDON, H. McL. Self-cure reaction. p. 174-190. In: SOULSBY, E. J. L. The

reaction of the host to parasitism. Lyon, France, 490p. 1967.

GORDON, H. McL. & WHITLOCK, H.V. A new technique for counting nematode

eggs in sheep faeces. Journal Council Sience of Induntry and Research, v 12, n.1, p. 50-

52, 1939.

92

GRISI, L. Incidência de helmintos em Capra hircus L. procedentes do Estado da Bahia.

Revista Brasileira de Biologia, v. 35, n.1,p. 101-108, 1975.

GRUNER, L.; BERBIGIER, P.; CORTET, J. & SAUVE, C. Effects of irrigation on

appearance and survival of infective larvae of goats gastro-intestinal nematodes in

Guadeloupe (French West Indies). International Journal for Parasitology, v. 19, n. 4, p.

409-415, 1989.

GRUNER, L.; MAULEON, H. & SAUVE, C. Migrations of Trichostrongyle infective

larvae experiments with ovine parasites in soil. Animal Rech Véterinaire, n. 13, v. 1, p.

51-59, 1982.

HEATH, D. D. & MAJOR, G. W. A technique for the recovery of strongyle larvae from

masticated herbage. Journal of Helminthology, v. 42, n. 3,p. 299-304, 1968.

HORAK, I. G. & LOUW, J. P. Parasites of domestic andwild animals in South Africa.

IV. Helminths in sheep on irrigated pasture on the transvall highveld. Onderstepoort

Journal of Veterinary Research, v. 44, n.4, p. 261-270, 1977.

HOLOSOVÁ, E.; PAVLASEK, I & KOTRL, B. Migration of infective larvae of sheep

gastrointestinal nematodes. Acta Veterinaria Brno, v. 58, n. 4, p. 369-378, 1989.

HOSTE, H. & CHARTIER, C. Response to challenge infection with Haemonchus

contortus and Trichostrongylus colubriformis in dairy goats. Consequences on milk

production. Veterinary Parasitology, v. 74, n. 1, p. 43-54, 1998.

IBGE. Banco de Dados Agregados. Sistema IBGE de recuperação automática – SIDRA

– 2001. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/protabl.asp?z=t&o=1.

Acesso em: 27 out. 2003, 14:40.

JORGENSEN, R. J. Isolation of infective Dictyicaulus larvae from herbage. Veterinary

Parasitology, v. 1, n. 1,p. 61-67, 1975.

KATES, K. C. Ecological aspects of helminth transmission in domestic animals.

American Zoologisty, v. 5, n. 1, p. 95-130, 1965.

KAUZAL, G. P. Experiments on the recovery on sheep nematode larvae from pasture.

Journal Council Science and Industry of Research Australia. V. 13, n. 1, p. 95-106.

1940.

KAUZAL, G. P. Examination of grass and soil to determine the population of infective

larval nematodes on pastures. The Australian Veterinary Journal. v. 17, n. 2, p. 181-

184. 1941.

KEITH, R. K. The differentiation of the infective larvae of some common nematode

parasites of cattle. Australian Journal of Zoology, v.1, n. 2, p. 223-235, 1953.

KÖPPEN, C. E. Weather and climate. McGraw- Hill, New York, p. 158, 1958.

93

KRECEK, R. C.; GRENEVELD, H. T. & WYK, J. A. V. Effects of time of day, season

and stratum on Haemonchus contortus and Haemonchus placei third-stage larvae on

irrigated pasture. Veterinary Parasitology, n. 40, v.1, p. 87-98, 1991.

KRECEK, R. C.; GRENEVELD, H. T. & MARTZ, J. I. A preliminary study of the

effect of microclimate on third-stage larvae of Haemonchus contortus and Haemonchus

placei on irrigated pasture. International Journal for Parasitology, v. 22, n. 6, p. 747-

752, 1992.

LAHA, R.; RAMAKRISHNA, C.; BHATTACHARYA, D. & SIKDAR, A. Seasonal

incidence of Haemonchus contortus infection in goats, a postmortem study. Indian

Journal of Animal Science, v. 71, n. 4, p. 345-346, 2001.

LANCASTER, M. B. The recovery of infective nematode larvae from herbage samples.

Journal of Helminthology, v. 44, n. 2, p. 219-230. 1970.

LEVINE, N. D. Nematode parasites of domestic animals and man. 2a ed. Burgess

Publishing Company, 477p., 1980.

LEVINE, N. D. Weather, climate and bionomics of ruminant nematode larvae.

Advanced of Veterinary Science, v. 8, n. 2, p. 215-261, 1963.

LEVINE, N. D. & TODD, K. S. Micrometeorological factors involved in development

and survival of free-living stages of the sheep nematodes Haemonchus contortus and

Trichostrongylus colubriformis, a review. International Journal of Biometeorological,

v. 19, n. 3, p. 174-183. 1975.

LEVINE, N. D.; TODD, K. S. & BOATMAN, P. A. Development and survival of

Haemonchus contortus on pasture. American Journal of Veterinary Research, v. 35, n.

5, p. 1412-1422, 1974.

LYAKU, J. R. S.; MONRAD, J. & KASSUKU, A. A. Larval ecology of bovine

strongylid worms in tropical soils. I. In vitro on the longevity of infective strongylid

larvae in different soil types. Tropical Animal Helth of Production, v. 20, n. 1, p. 190-

192, 1988.

MAcCULLOCK, B. & KASIMBALA, S. The pathogenic importance of gastrointestinal

nematodes for sheep and goats in relation to the need for the economic development of

the livestock industry of Sukumaland, Tanzania. Easten Africa Agricultural of Force

Journal, v. 36, n. 1, p. 20-35, 1970.

MARTIN, R. R.; BEVERIDGE, I.; PULLMAN, A. L. & BROWN, T. H. A modified

technique for the estimation of the number of infective nematode larvae present on

pasture, and its application in the field under South Australian conditions. Veterinary

Parasitology, v. 37, n.2, p. 133-143, 1990.

MATTOS JUNIOR, D. G. Distribuição estacional de larvas infectantes de nematóides

gastrintestinais de bezerros criados em pastagens. Revista Brasileira de Medicina

Veterinária, v. 22, n. 5, p. 215-220, 2000.

94

MÖNNIG, H. O. Studies on the bionomics and control of the free-living stages of

Trichostrongylus spp. and other parasitic nematodes. Resp. Director Veterinary Service of

Department Agricultural, v. 16, n. 1, p. 175-198, 1930.

MORALES, G.; PINO, L.; SANDOVAL, E.; MORENO, L. De & DE MORENO, L.

Relationship between worm burden, strongylids and e.p.g. counts in naturally infected

goats. Veterinaria Tropical, v. 23, n. 2, p. 101-107, 1998.

MOYO, D. Z.; BWANGAMOI, O.; HENDRIKX, W. M. L. & EYSKER, M. The

epidemiology of gastronintestinal nematode infections in communal cattle and

commercial beef cattle on highveld of Zimbabwe. Veterinary Parasitology, v. 67, n. 1-2,

p. 105-120, 1996.

NGINYI, J. M.; DUNCAN, J. L.; MELLOR, D. J.; STEART, M. J.; WANYANGU, S.

W.; BAIN, R. K. & GATONGI, P. M. Epidemiology of parasitic gastrointestinal

nematode infections of ruminants on smallholder farms in central Kenya. Research in

Veterinary Science, v. 70, n. 1, p. 33-39, 2001.

OKON, E. D. & ENYENIHI, U. K. Development and survival of Haemonchus contortus

larvae on pastures in Ibadan. Tropical Animal Health Procedings. V. 9, n. 1, p. 7-10,

1977.

PARFITT, J. W. Two techniques used for the detection and enumeration of the larvae of

Dictyocaulus viviparus in faeces and herbage. Laboratory Practice, v. 4, n. 1, p. 15-16,

1955.

PARNELL, I. W. Studies on the bionomics and control of bursate nematodes of horses

and sheep. II. Technique. Canadian Journal of Research, v. 14, n. 4, p. 71-81, 1936.

PIMENTEL NETO, M. Epizootiologia da haemoncose em bezerros de gado de leite no

estado do Rio de Janeiro. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 11, n. 1, p. 101-114, 1976.

PIMENTEL NETO, M. & FONSECA, A. H. Distribuição sazonal das helmintoses

gastrintestinais e pulmonares de caprinos traçadores na região litorânea do Estado do

Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Medicina Veterinária (no prelo).

PIMENTEL NETO, M.; RIBEIRO, M. C. & FONSECA, A. H. Distribuição sazonal e

longevidade das larvas infectantes de nematóides gastrintestinais de bovinos em pastagens

na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Ciência Veterinária.,v. 7, n.

1, p. 37-41, 2000.

RAHMAN, W. A. & COLLINS, G. H. Seasonal variations in the populations of infective

larvae on pasture and the number of nematode eggs in the faeces of farmed goats. Journal

of Helminthology, v. 64, n. 2, p. 263-270, 1990.

REES, G. Observations on the vertical migrations of the third-stage larva of Haemonchus

contortus (Rud.) on experimental plots of Lolium perenne S24, in relation to

meteorological and micrometeorological factores. Parasitology, n. 40, v. 2, p. 127-143,

1950.

95

REINECKE, R. K. Helminth diseases in domestic animals in relation to their

environment. Soulth Africa Journal of Science, v. 66, n. 2, p. 192-198. 1970.

REINECKE, R. K. Veterinary Helminthology. Bueeterworths. p. 392. 1989.

REINECKE, R. K.; LLOYD, S. & SOULSBY, L. Parasitic control in intensive vs, non-

intensive systems – rumiants. Understanding and control pf parasitic diseases of

animals. v, 54, n. 1-3, p. 49-67, 1994.

REINECKE, R. K. & LOUW, J. P. Disinfestation of irrigated sheep pastures by

alternating grazing with cattle. Journal of the South African Veterinary Association, v.

62, n. 4, p. 156-157, 1991.

RIBEIRO, M. C. Distribuição estacional das larvas infestantes de nematóides

gastrintestinais de bovinos nas pastagens da Baixada Fluminense. 1992. 71 p. Dissertação

(Mestrado) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1992.

ROBERT, F. H. S. & O’SULLIVAN, P. J. Methods for eggs counts and larval cultures

for Strongyles infecting the gastrointestinal tract of cattle. Australian Journal of

Agricultural Research, v. 1, n.1, p. 99-192, 1950.

ROGERS, W. P. The effects of environmental conditions on the accessibility of third

stage trichostrongyle larvae to grazing animals. Parasitology, v. 23, n. 1, p. 209-223,

1940.

ROHRBACHER Jr., G. H. The recovery of nematode larvae by Baermann apparatus as

affected by a detergent. Proceedings of the Helminthological Society of Washington, v.

24, n. 1, p. 24-25, 1957.

ROSE, J. H. Experiments on the transmission of cattle lungworm infection. Journal

Compendium Pathology, v. 70, n. 4, p. 475-481, 1960.

ROSE, J. H. Parasitic gastro-enteritis in cattle. Factors influencing the time of increase

in the worn population of pasture. Research of Veterinary Science, v. 2, n. 2, p. 199-

208, 1970.

ROSE, J. H. & SMALL, A. J. The distribution of infective larvae of sheep gastro-

intestinal nematodes in soil and on herbage and on herbage and the vertical migration of

Trichostrongylus vitrinus larvae through the soil. Journal of Helminthology, n. 59, v. 1,

p. 127-135, 1985.

ROSEMBERG, N. J. Microclimate: The biological environment. Johs Wile e Sons,

New Yule, 315p, 1974.

96

SIMON, R.; AUMONT, G.; APRELON, R.; BARRE, N.; CAMUS, E.; HOUSE, J. A.

& UILENBERG, G. Herbage density of thrid-stage larvae of goat strongyles during the

dry season in Guadeloupe. Annals of the New York Academy of Science, v. 791, n. 6, p.

412-420, 1996.

SMEAL, M. G. & HENDY, G. A. A technique for the recovery of strongyloid infective

larvae from pasture. Journal of Helminthology, n. 46, v. 3, p. 201-211, 1972.

SOARES, J. C. R. S. Estudo em condições naturais da migração vertical e

disponibilidade de larvas infectantes de nematóides Strongyloidea, parasitos de

bovinos, no Estado do Rio de Janeiro. 1980. 130 p. Dissertação (Mestrado), Fundação

Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 1980.

SIEGEL, S. Estatística não-paramétrica: para as ciências do comportamento. Editora

McGraw-Hill do Brasil, Ltda. 350p. 1975.

SILVA, W. W.; BEVILAQUA, C. M. L. & COSTA, A. L. Natural evolution of

gastrointestinal nematodes in goats (Capra hircus) in the semi-arid ecosystem of the

Paraiba backwoods northeastern, Brazil. Veterinary Parasitology, v. 80, n. 1 p. 47-52,

1998.

STEWART, M. A. & DOUGLAS, J. R. Studies on the bionomics of Trichostrongylus

axei (Cobbold) and its seasonal incidence on irrigated pastures. Parasitology, v. 30, n.

1, p. 477-490. 1938.

STOLL, N. R. Investigations on the control of hookworm disease. XXIV Hookworm

cultures with humus, sand, loam and clay. The American Journal of Hygiene, v. 3, n. 1,

p. 1-36, 1923.

TAYLOR, E. L. Observations on the bionomics of strongyloid larvae in pastures. I. The

duration of infection in pasture herbage. Veterinary Record, v. 50, n. 40, p. 1265-1272,

1938.

TAYLOR, E. L. Technique for the estimation of pasture infestation by strongyloid

larvae. Parasitology, v. 31, n. 1, p. 473-478, 1939.

TCHOUMBOUE, J.; AWAH NDUKUM, J. J. & TONG, J. C. A survey of

gastrointestinal parasites in sheep and goats of western highlands of Cameroon. Bulletin

of Animal Health and Production in Africa, v. 48, n. 4, p. 250-253, 2000.

THOMAS, R. J. Field studies on the seasonal incidence of Nematodirus battus and N.

filicollis in sheep. Parasitology, v. 49, n. 1, p. 387-410.

TODD Jr., K. S.; LEVINE, N. D. & ANDERSEN, F. L. An evaluation of the Baermann

technique using infective larvae of Haemonchus contortus. Proceedings of the

Helminthological Society of Washington, v. 37, n. 1, p. 57-63, 1970.

TRIPATHI, J. C. Seasonal variations in egg output of gastrointestinal nematode of

goats. Indian Journal of Veterinary Science, v. 36, n. 4, p. 203-210, 1966.

97

TRIPATHI, J. C. Seasonal variations in egg output of gastrointestinal nematode of

goats. II recovery of infective larvae. Indian Journal Animal Science, v. 40, n. 1, p. 46-

60, 1970a.

TRIPATHI, J. C. Seasonal incidence of infective larvae of Haemonchus species

(Nematoda: Trichostrongylidae) from cultures of goats. Indian Journal of Animal

Science, v. 40, n. 4, p. 438-443, 1970b.

URIARTE, J.; CABARET, J. & TANCO, J. A. The distribution and abundance of

parasitic infections in sheep grazing on irrigated or on non-irrigated pastures in north-

eastern Spain. Annale Rechevie et Vèterinaire, v. 16, n. 4, p. 321-325, 1985.

UENO, H. & GONÇALVES, P. C. Manual para diagnóstico das Helmintoses de

ruminantes. Japan International Cooperation Agency. p. 142. 1998.

VALDERRABANO, J.; GUESSOUS, F.; RIHANI, N. & ILHAM, A. Intensive sheep

production systems on irrigated areas of the Mediterranean basin. Livestock Production

and Climate uncertainty in the Mediterranean, v. 3, n. 4, p. 291-298, 2000.

VASQUEZ, M. S. D. & MARCHINARES, C. A. Levantamiento parasitologico em

ovinos y otras especies animales del Departamento de Puno. Revista del Instituto

Zoonosis Pecuaria, v. 1, n. 2, p. 25-109, 1971.

VIANA, L. P. Capacidade migratória de larvas infectantes de nematóides Strongylida

parasitos de bovinos em diferentes espécies de forrageiras. 1999. 62 p. Dissertação

(Mestrado) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999.

WALLER, P. J.; DOBSON, R. J.; DONALD, A. D. & THOMAS, R. J. Populations of

strongyloid nematode infective stages in sheep pastures: comparison between direct

pasture sampling and tracer lambs as estimators of larval abundance. International

Journal for Parasitology, v. 11, n. 5, p. 359-367, 1981.

WYK, J. A. V.; MEYER, J.; RENSBURG, L. J. V.; WYK, J. A. V. & RENSBURG, L.

J. V. Little anthelmintic drenching required for lambs finished over winter and spring on

annually re-established irrigated pasture on the Highveld of Gauteng province, South

Africa. Journal of the South African Veterinary Association, v. 74, n. 1, p. 2-6, 2003.

YOUNG, R. R. & TRAJSTMAN, A. C. A rapid techinque for the recovery of

strongyloid infective larvae from pasture and soil samples. Parasitology, v. 80, n. 3, p.

425-431, 1980.