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N. 197 ARMANDO MADEIRA V

A L E P R A E SEU TRATAMENTO

. (NOES GERAIS)

TESE DE DOUTORAMENTO APRESENTADA FACULDADE DE MEDICINA DO PORTOU ^ P / Y / l X

mMwm JULHO DE 1924

m:M

A LEPRA E SEU TRATAMENTO

ARMANDO MADEIRA

A L E P R A E SEU TRATAMENTO

(NOES GERAIS)

TESE DE DOUTORAMENTO APRESENTADA

FACULDADE DE MEDICINA DO PORTO

JULHO DE 1924

EMP. INDUST. GRFICA DO PORTO, L.da R. DOS MRTIRES DA LIBERDADE, 178

faculdade de Medicina do Parte DIRECTOR

Dr. Jos Alfredo Mendes de Magalhes SECRETRIO-INTERINO

Dr. Hernni Bastos Monteiro

CORPO DOCENTE

Professores Ordinrios Anatomia descritiva. . . Dr. Joaquim Alberto Pires de Lima Histologia e Embriologia. Dr. Abel de Lima Salazar Fisiologia geral e especial Vaga Farmacologia Vaga Patologia geral . . . . Dr. Alberto Pereira Pinto de Aguiar Anatomia patolgica . . Dr. Antnio Joaquim de Souza Jnior Bacteriologia e Parasito-

logia Dr. Carlo* Faria Moreira Ramalho Higiene Dr. Joo Lopes da Silva Martins Jnior Medicina legal . . . . Dr. Manuel Loureno Gomes Anatomia cirrgica . . . Dr. Hernni Bastos Monteiro Patologia cirrgica. . . Dr. Carlos Alberto de Lima Clnica cirrgica. . . . Dr. lvaro Teixeira Bastos Patologia mdica . . . Dr. Alfredo da Rocha Pereira Clnica mdica . . . . Dr. Tiago Augusto de Almeida Teraputica geral . . . Dr. Jos Alfredo Mendes de Magalhes Clnica obsttrica . . . Dr. Manuel Antnio de Morais Frias. Histria da medicina e

Deontologia . . . . Vaga Dermatologia e Sifiligra-

fla Dr. Lus de Freitas Viegas Psiquiatria Dr. Antnio de Souza Magalhes e Lemos Pediatria Dr. Antnio de Almeida Garrett

Professores Jubi lados

Dr. Pedro Augusto Dias Dr. Augusto Henriques de Almeida Brando

A Faculdade no responde pelas doutrinas expendidas na dissertao.

(An. 15.o 2.0 do Regulamento Privativo da Faculdade de Medicina do Porto, de 3 de Janeiro de 1920).

A TI

OSWALDO ou MARIA DE LOURDES?

i

A MEUS PAIS

Pelos muitos sacrifcios que lhes devo.

A TODOS OS QUE SOUBERAM CRIAR RAZES DE PROFUNDA

AMIZADE

A ALGUM...

a quem muito devo.

A FACULDADE DE MEDICINA DO PORTO

AOS MEUS QUERIDOS CONDISCPULOS

A todos, um grande abrao de leal amizade.

AO MEU ILUSTRE PRESIDENTE DE TESE

EX. SNR.

PROF. DR. LUIS VIEGAS

a maior estima de dis-cpulo agradecido.

P R E F C I O

Aps a terminao do curso geral de medicina, tive eu, como todos os que se destinam ao seu exercido legal, de pen-sar nesse magno problemaa defesa de teseponto final da minha vida acad-mica.

No foi sem um certo receio, declaro, que me lancei em busca de assunto que me pudesse servir de tema, receio esse que alis se justifica plenamente, para quem tem pela primeira vez, como eu, de versar alguma cousa de interesse e valor scientifico. Po-rm, quis a fatalidade, que depois de muito conjecturar em vo, me fosse sugerido o assunto que constitui o objecto desta minha

dissertao. Ao Dr. Freire de Andrade devo essa gentileza.

Foi o caso que, tendo-me o destino leva-do a frequentar a Escola de Medicina Tro-pical em Lisboa, e tivesse exprimido ao ilustre assistente da cadeira de Patologia Extica, as dificuldades com que lutava para a preparao deste meu trabalho, me fosse por ele, alm da escolha do, assunto, fornecidas todas as facilidades, que muito contriburam para a resoluo do proble-ma que at ento considerava de mui difcil soluo. Com ele fiz o estudo clinico e acom-panhei o tratamento dos dois casos clnicos qqui citados.

NOTA EXPLICATIVA

No decorrer da minha dissertao deixei de me referir ao tratamento hoje ministrado na Clnica Dermatolgica da Faculdade de Medicina do Porto, to habilmente dirigida pelo Professor Lus Viegas.

Direi to somente, que todos os t rata-mentos modernos ali tem sido feitos, ten-do-se colhido resultados verdadeiramente brilhantes.

LEPRA

Sinonmia A denominao grega de lepra, dada a esta dermatose, veio do nome indianoLapque significa doena esca-mosa. Na sia Central, designavam por nomes diferentes as duas formas clnicas da lepra. Assim chamavam Kushta lepra anestsica; eCharaka lepra tu-berculosa. Igualmente acontece no sul do continente americano, onde o povo chama vulgarmente lepra nervosa, morfea; e lepra propriamente dita, lepra tubercu-losa. Os hebreus chamam-lhe Zaraath, que significa insensibilidade.

O grande filsofo Aristteles, que foi quem primeiramente descreveu clinicamen-te a lepra, ora lhe chamava Styriasis, ora Leontyasis, conforme a predominncia dos

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sintomas clnicos. Daqui veio a designao de face lenica, vulgarmente empregada.

Hipcrates, reconhecendo que a lepra foi importada da Fincia, chamou-lheMorbus phenicius. Quando as tropas de Pompeu, t rouxeram para a Itlia a lepra, do Egito e da Grcia, Plnio descreveu-a com o nome de Morbus elephans, donde veio mais tarde Elephantiasis. Como existem duas doenas com este nome, os escritores modernos cha-mam lepra Elephantiasis graecorum para a distinguir da filaria que tambm cha-mada Elephantiasis a rabum.

Os rabes chamam lepra Djudsaur. Os italianos Lebbra. Os alemes Aussatz. Os noruegueses Spedalsked. Segundo a escritura sagrada, Lzaro morreu com a lepra. O papa Damsio II, criando a ordem de S. Lzaro no ano de 1048, instituiu que o Gro Mestre da mesma ordem fosse sem-pre um leproso. Dai o hbito de chamar lepra Mal de Lzaro. Depois da desco-berta do bacilo por Hansen em 1874, muito vulgar chamar lepra Mal de Hansen em homenagem ao seu descobridor.

Definio A lepra, tambm designada por Elephantiasis Graecorum, uma doena crnica infecciosa, com tubrculos, produzida pelo bacilo de Hansen, caracteri-

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zada por leses da psle, dos nervos e das vsceras, traduzindo-se por anestesia local, ulceraes e uma grande variedade de per-turbaes trficas.

HISTRIA DA LEPRA

Pelo que extramos das mais antigas obras orientais, referente a uma doena desigurante, e apresentando leses da pele bem caractersticas, somos autorizados a concluir que a doena conhecida hoje pela denominao de lepra, era tanto ou mais frequente no Oriente outrora, como actual-mente entre ns.

Pode igualmente dizer-se que a sua in-troduo na Europa relat ivamente recente.

Hipcrates, se bem que a tivesse conhe-cido, no fez dela uma descripo exacta.

A invaso na Grcia, deve ter sido feita entre a poca de Hipcrates e a de Arist-teles, isto , entre os anos de 400 e 345 antes de Cristo.

. No tempo de Celso, 53 anos antes de Cristo, a 1 depois de C , era ainda r a r a na Itlia. Mas, durante os primeiros sculos da era crist, ela tomou maior desenvolvi-mento, seguindo provavelmente as con-quistas romanas , a ponto de invadir qusi,

2!.)

seno a totalidade da Europa. Na idade mdia, as cruzadas ao Oriente, t iveram um resultado nefasto, fazendo com que esta doena se espalhasse ainda mais, a ponto de os diferentes estados conjuntamente com o clero, a larmados com a sua brusca ex-panso, tomarem medidas enrgicas de iso-lamento, contra to grande calamidade.

Foi ento que se formou a ordem de S. Lzaro para o servio de leprosos, crian-do para esse fim leprosarias. Cada leprosa-ria compreendia um certo nmero de casas, construdas numa cerca comum. O leproso, antes de ser internado, era submetido a um exame mdico, e uma vez a doena reco-nhecida, assistia a uma cerimnia religiosa, que diferia-pouco dos ofcios fnebres.

Durante todo este ofcio, o leproso assis-tia de joelhos debaixo dum pano preto.

Depois da sua encarcerao, o leproso podia sair, com a condio de se cobrir com uma vestimenta especial, e de tocar um instrumento sonante prprio, pa ra afas-tar de si os t ranseuntes .

Graas a estas medidas r igorosas de isolamento, se bem que demasiado severas , a lepra retrocedeu na sua marcha, e em alguns pases chegou a desaparecer.

Mais tarde Napoleo com as suas terr-veis invases e guer ras interminveis, foi

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tambm um grande responsvel pela p ro . pagao da lepra na Europa.

Se bem que se conhecesse a lepra nos seus terrveis efeitos, s em meiados do sculo XIX1848, pela pr imeira vez Da-nielssen, Beck, na sua obra intitulada Tratado da Spedalskned descreveu os seus sintomas clnicos duma forma exacta. Em seguida foram feitas as descries das leses micro e macroscpicas por Virkow, Vandike, Carier e outros. Em 1874 Armauer Hansen descobriu o agente da lepra, desco-berta que contribuiu imenso pa ra a orien-tao moderna do seu tratamento.

DISTRIBUIO GEOGRFICA

As regies intertropicais so particular-mente atacadas pela lepra. Em algumas destas regies, a ausncia de medidas higi-nicas, a promiscuidade das famlias, favo-recem extremamente a sua propagao.

O Hindusto, o pas que maior nmero de leprosos encerra ; a p r o x i m a d a m e n t e 105.000, pa ra 210 milhes de habitantes. O sul da China, a Cochinchina e a Malsia, so talvez mais assolados que a ndia Inglesa.

O mesmo se pode dizer das Antilhas, das

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Guianas e de a lgumas ilhas da Oceania as Marquesas. A propagao da lepra na Oceania, parece ter sido obra dos chineses.

O continente negro tem sido sempre um foco de endemicidade da lepra, na zona in-tertropical. Mas a doena parece ultimamen-te ganhar terreno ao norte do lado de Mar-rocos e Tripolitana e no sul, na Colnia do Cabo.

Na Europa, h ainda focos de lepra mal extintos nos diferentes pases.

Aonde, porm, parece existirem mais, nos pases do Norte, como a Noruega e Sucia. No nosso pas, a lepra existe, infe-lizmente. Registam-se casos autctones. Mas a maior parte dos casos que c existem pa-rece serem imp