+ DIREITOS, + DIGNIDADE, + URBANIDADE, + ACESSIBILIDADE: CALÇADAS ACESSIVEIS

Download + DIREITOS, + DIGNIDADE, + URBANIDADE, + ACESSIBILIDADE:  CALÇADAS ACESSIVEIS

Post on 14-Jan-2015

1.673 views

Category:

Education

1 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Artigo completo, intitulado + DIREITOS, + DIGNIDADE, + URBANIDADE, + ACESSIBILIDADE: CALADAS ACESSIVEIS; publicado em livro, revista e sites de forma resumida. Aborda a questo da acessibilidade arquitetnica e urbanstica e aponta com programas pblicos para a mudana de postura da sociedade em funo da eliminao de barreiras e promoo da acessibilidade.

TRANSCRIPT

<ul><li> 1. + DIREITOS, + DIGNIDADE, + URBANIDADE, + ACESSIBILIDADE: CALADAS ACESSIVEIS Fernando Zornitta / Luciano Luca Zornitta ACESSIBILIDADE, URBANIDADADE &amp; DIREITOS UNIVERSAIS Acessvel o espao, a edificao, o mobilirio, o equipamento urbano ou o elemento que possa ser alcanado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa, inclusive aquelas com mobilidade reduzida. O termo acessvel implica tanto acessibilidade fsica como de comunicao.1 Todas as pessoas, independentemente da sua condio fsica, econmica ou de sade; deveriam ter acesso e utilizarem-se com segurana, conforto e autonomia os equipamentos, o mobilirio e toda a infraestrutura urbana; de forma igualitria; exercendo os seus direitos de cidadania e de usufruto da cidade. 85% da populao brasileira vive no meio urbano, em cidades que se moldam e se conformam desordenadamente, sem planejamento e nem controle, deixando um rastro de injustias pelo caminho e ajudando na conformao das barreiras e segundo dados do IBGE de 2010, cerca de 24% da populao ou 45,6 milhes de pessoas tm algum tipo de deficincia. Quem vem em busca da oportunidade e no a encontra, assim mesmo fica e vive nas cidades da forma que d; mora onde der, trabalha onde e como der. E quem chega sem qualificao e sem alternativas, busca renda no comrcio informal - que se d prioritariamente nas ruas e nos espaos pblicos. E essa uma das principais barreiras acessibilidade urbana que nasce de uma necessidade, a de sustento familiar e da sobrevivncia e que se traduz numa 1 - ABNT - NBR 9050:2004 1. ALGUMAS DEFINIES Barreiras Qualquer entrave ou obstculo que limite ou impea o acesso, a liberdade de movimento, a circulao com segurana e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso informao. (Dec 5296/2004) - Q impedem o direito cidade ! 29 </li></ul><p> 2. postura atitudinal que vem em benefcio econmico de uns de quem pratica - mas em prejuzo de toda a populao. Ruas, caladas, praas, lagoas e margens dos rios so encampados em nome da sobrevivncia dos contingentes humanos que migram para a cidade em busca da oportunidade - de moradia, trabalho, educao, sade, lazer e de servios bsicos. A condio de quem chega de pobreza e de misria e a base familiar ocorre em sub-habitaes, nas favelas e nas reas de risco. De norte a sul; de leste a oeste do Brasil, esse um processo comum s grandes metrpoles. As cidades despreparadas so excludentes e os problemas gerados tremendos, o que diminui a qualidade de vida de todos os seus habitantes. Os grandes prejudicados so aquelas pessoas com mobilidade reduzida2 , que no conseguem ter acesso aos equipamentos urbanos, s edificaes, ao transporte, cidade e cidadania. Nesse contexto, na luta pela sobrevivncia, a solidariedade e o respeito ao direito do outro no so priorizados. A revelia das leis, dos cdigos de posturas; nas ruas, caladas e nos espaos pblicos cada um faz o que quer, desrespeitando o direito do outro o de ir e vir, dentre tantos outros. a falta de urbanidade, que normalmente deixada revelia pelos gestores, pois envolve um grave problema social. URBANIDADE X DIREITO UNIVERSAL; ONDE FICA A ACESSIBILIDADE ? Urbanidade o senso de co-responsabilidade, o cuidado e o carinho que devemos ter para com o ambiente em que vivemos e que nos envolve; o esforo que empreendemos para fazer dele um ambiente saudvel para todos; o respeito ao direito do outro e de todos o direito universal um princpio de bem viver coletivamente nas cidades. O direito universal, de igualdade de direitos - o direito do outro e de todos um principio de convivncia harmnica nas cidades que deveria ser respeitado, mas no . A revelia das leis, cada um faz o que quer nos espaos pblicos e as administraes municipais fecham os olhos para os improprios, quando no, deixam rolar para ver como que fica. E sempre fica pior. Vale lembrar que os grandes redutos eleitorais esto nas camadas de base, nos mais necessitados e que, nossos polticos de planto nada fazem contra aquilo que lhes venha em prejuzo prprio. Mas o prejuzo assim fica dividido por todos e maior ainda, para aquelas pessoas alijadas do exerccio da cidadania, de usufruto da cidade, por apresentarem mobilidade reduzida idosos, pessoas com deficincias, obesos e gestantes. Apesar da garantia dos direitos constitucionais e legais, uma parcela aproximada de 40% da populao brasileira PCDs e idosos principalmente se vem tolhidas do exerccio pleno da cidade; impedidas de terem acesso s edificaes e ao meio urbano. A Conveno da ONU Sobre Direito das Pessoas com deficincias, por exemplo, aps dcadas de lutas do segmento, reconheceu e apontou para os pases membros em 50 Artigos dentre estes o nono que trata exclusivamente da acessibilidade os direitos e necessidades, recomendando aes aos governos 2 Pessoas com deficincias, idosos, obesos e gestantes 3. destes pases. O QUE QUEREM AS PCDs Logo de Fernando &amp; Luca Zornitta Sobre as palavras chave da Conveno da ONU Sobre Direitos das PCDs, 2008 O que reivindicam as PCDs Frases extradas da leitura das Extrato da leitura das resolues da Conferncia resolues da Conferncia da ONU Sobre da ONU Sobre Direito das PCDs F. Zornitta Direitos das PCDs F. Zornitta No Brasil, desde a Constituio de 1988, que indica a elaborao de polticas para as PCDs, culminando com as Leis 10.048 e 10.098, de 2000 e o Dec. 5296/2004 - que anterior Conveno da ONU - estabelece os padres mnimos da acessibilidade com base nas normas brasileiras e indica os padres a serem obedecidos em consonncia com a NBR 9050 - Acessibilidade a edificaes, mobilirio, espaos e equipamentos urbanos. Esta norma atualmente passa por reviso e ser colocada a consulta pblica. O brasil signatrio da Conveno da ONU e de seu Protocolo Facultativo desde 205 206 4. maro de 2007 e tem carter de emenda constitucional. Em seu artigo primeiro afirma que Pessoas com deficincia so aquelas que tm impedimentos de natureza fsica, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interao com diversas barreiras, podem obstruir sua participao plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas. A CONFORMAO DAS BARREIRAS &amp; O SEU AMPLO ESPECTRO As barreiras encontradas nas cidades podem ser classificadas como naturais ou artificiais. As naturais dizem respeito topografia e solo, hidrografia, vegetao como por exemplos: o aclive natural do terreno, uma cachoeira, a floresta, etc.. e as artificiais, aquelas impostas pela ao humana. Estas ltimas tm o elemento atitudinal da populao como gerador e a ineficincia ou falta de planejamento e de controle das administraes municipais. As principais barreiras artificiais encontradas nas cidades so oriundas: Dos elementos de urbanizao mal constitudos, mal implantados ou danificados, por exemplo, de pavimentao inadequada, irregular ou com buracos, posteamento mal localizado e sinalizado, calamento irregular dentre outros; Do mobilirio urbano mal construdo, mal implantado ou danificados, por exemplo, dos pontos de nibus, telefones pblicos, bancos de praas, caixas de correio - dentre outros; Das obras pblicas no sistema virio, por exemplo, para acesso aos estdios da Copa de 2014, de metrs como o Metrofor em Fortaleza; de saneamento, de vias dentre outras; Do comrcio e servios ambulante e informal que normalmente se localiza nos espaos e vias pblicas; do comrcio e servios regulares; por 1. ALGUMAS DEFINIES TIPOS DE BARREIRAS Barreira urbanstica Barreira nas edificaes Barreiras nos transportes Barreira das informaes e comunicaes 31 5. exemplo, pela exposio de materiais em caladas, dos containers para venda de tudo bancas de jornais e revistas, cartes telefnicos, sucos e lanches dentre outros); De eventos em ambientes pblicos os quais no podem ser previsveis para uma grande gama de PCDs, principalmente das com deficincia visual, que se deparam com os mais inusitados eventos e desavisados feiras, feirinhas, manifestaes polticas e de todas as ordens; De arborizao sem planejamento e nem gesto comum encontrarmos rvores com razes que afloram superfcie; rvores no meio de passeios e nas fachadas dos imveis, sem qualquer planejamento. Alm de prejudicarem a circulao, danificam tubulaes de esgoto, de abastecimento d gua, redes eltricas, etc... Dos automveis e veculos que ocupam as caladas e espaos pblicos de lazer como estacionamento uma postura atitudinal comum em todas as cidades brasileiras, que a revelia das leis e demonstrando a falta de urbanidade, encampam e ocupam as caladas, espaos pblicos destinados ao lazer; De materiais diversos depositados nas vias e em espaos pblicos como por exemplo, de materiais de construo, entulho, objetos; De lixo que no tem separao, armazenamento, coleta e destinao adequados e vo parar nas caladas comum a todas as cidades brasileiras; Da populao de rua que busca a moradia e vive nas ruas; ocupando como comum encontrar-se em So Paulo ou Porto Alegre, onde pessoas moram e instalam-se em espaos pblicos diversos. Nesse contexto pode-se classificar os maiores viles da acessibilidade: O habitante, que encampa os espaos pblicos, numa postura de libertinagem, egosmo e falta de urbanidade; para estacionar carros, comercializar produtos, prestar servios, expor materiais lixo, propaganda, etc.... desrespeitando o direito do outro; O poder pblico, que fecha os olhos e deixa correr ou no consegue se impor para mudar; no planeja, no controla e nem fiscaliza e deixa rolar para ver como que fica; O comrcio e servios nas vias pblicas (informal e formal) por exemplo, as borracharias, estofarias, oficinas mecnicas, moto-conserto, bike-conserto (dentre outros); containers para venda de produtos (jornais, revistas, lanches dentre outros). Personalizou-se esse tem como vilo, pela abrangncia que tem na conformao de barreiras e condicionante da acessibilidade; O automvel, que tem prioridade em detrimento do transeunte, com total desrespeito s leis de transito, de posturas e de convivncia urbana. Tambm ganha personalidade embora tenha origem motivacional humana pela sua importncia na conformao de barreiras acessibilidade e problemas para a mobilidade urbana; 6. O sistema virio principalmente as caladas e vias pblicas de configurao espontnea, onde a revelia do planejamento, vo se abrindo vias de comunicao; onde cada um molda o seu acesso ao lote a p ou para seu automvel, pavimenta e conforma como quer sem qualquer senso de continuidade e de urbanidade. CALADA &amp; ACESSIBILIDADE A calada o espao pblico de uso coletivo destinado a circulao de pessoas e onde devem estar localizados o mobilirio urbano, a sinalizao de trnsito, a vegetao dentre outros elementos que favorecem o conforto na cidade. Por definio do Cdigo de Transito Brasileiro3 , a calada a parte da via, normalmente segregada e em nvel diferente, no destinada circulao de veculos, reservada ao trnsito de pedestres e, quando possvel, implantao de mobilirio, sinalizao, vegetao e outros fins. A calada acessvel deve garantir a qualquer pessoa, inclusive com mobilidade reduzida, o deslocamento seguro, com autonomia e conforto; livre de barreiras. As normas determinam uma faixa livre para circulao de 1,50 m, sendo o mnimo admissvel de 1,20 m com 2,10 m de altura livre de obstculos; sendo que os demais elementos do mobilirio, devem ser alocados numa faixa especfica, a de servios (0,70 m). Em caladas com mais de 2,00 m, pode-se incorporar ainda uma outra faixa, chamada de acesso (ao lote) e ser nela onde sero implantadas as rampas, degraus, etc... de acesso ao lote. 3 - Lei n. 9.503, de 23 de setembro de 1977 DEC 5296/2004 Art. 14. Na promoo da acessibilidade, sero observadas as regras gerais previstas neste Decreto, complementadas pelas normas tcnicas de acessibilidade da ABNT e pelas disposies contidas na legislao dos Estados, Municpios e do Distrito Federal. Art. 15. No planejamento e na urbanizao das vias, praas, dos logradouros, parques e demais espaos de uso pblico, devero ser cumpridas as exigncias dispostas nas normas tcnicas de acessibilidadeda ABNT. 216 7. Rampa na calada para acesso de veculos Ideograma (e respectivas faixas) - Fundao Prefeito Faria Lima - CEPAM Ideograma da distribuio das faixas Recomendao do Guia Prtico da Construo de Caladas do CREA-BA A calada de uso pblico, mas a responsabilidade de pavimentao e conservao do proprietrio do lote onde ela est localizada; podem ser pavimentados como melhor lhe aprouver, mas segundo a NBR 9050, nas condies gerais da circulao e dos acessos internos s edificaes e externos (caladas, passeios e vias exclusivas de pedestres), o piso deve ser antiderrapante (em qualquer situao inclusive de chuvas), regular e contnuo, com inclinao em direo ao meio fio (transversal) no superior a 3% e sem 8. degraus (admite uma inclinao transversal da superfcie de at 2% para pisos internos e qualquer desnvel transversal acima de 3% considerado como rampa); no devem provocar trepidao em dispositivos com rodas (cadeiras de rodas ou carrinhos de beb), dentre outros condicionantes da legislao e destas normas tcnicas. Inclinaes longitudinais superiores a 5% em caladas so consideradas rampas e, portanto, devem prever reas de descanso e para manobras de cadeiras de rodas. Recomenda a norma a inclinao longitudinal das reas de circulao seja de no mximo 8,33% (1/12), sempre acompanharem as inclinaes das vias lindeiras e evitada a utilizao de padronagem na superfcie do piso que possam causar insegurana, como a impresso de tridimensionalidade; por exemplo, estampas que pelo contraste de cores. As faixas livres devem ser completamente desobstrudas e isentas de interferncias, tais como vegetao, mobilirio urbano, equipamentos de infra-estrutura urbana aflorados (postes, armrios de equipamentos, e outros), orlas de rvores e jardineiras, rebaixamentos para acesso de veculos, bem como qualquer outro tipo de interferncia ou obstculo que reduza a largura da faixa livre. Eventuais obstculos areos, tais como marquises, faixas e placas de identificao, toldos, luminosos, vegetao e outros, devem se localizar a uma altura superior a 2,10 m. (NBR 9050:2004) A calada um dos elementos de urbanizao (anteriormente classificado pelo autor4 na segmentao de barreiras), assim como o posteamento, o asfalto, a rede de esgotos dentre outros elementos que compe a infra e a superestrutura das cidades. Serve para atender uma parte da funo humana de circulao, segundo a carta dos Andes5 , mas tambm onde se instalam e se conformam as principais barreiras acessibilidade, tais como as advindas do comrcio legal e do comrcio informal do primeiro pela exposio de produtos, propagandas e, do segundo, pela encampao do espao para as relaes comerciais com os mais diversos tipos de expositores e containers de mercadorias, de alimentao e prestao de servios. Embora a legislao determine a condio de acessibilidade, especialmente o Dec. 5296/2004 e a NBR 9050, a calada nas nossas cidades tornou-se um ambiente inseguro, um espao onde pode se encontrar de tudo. Todos e cada um, a revelia dos avanos das leis, fazem como querem as...</p>