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  • Duques de Bragana [100]

    Em todo o decurso da monarquia portuguesa, sempre a nossa cidadedeu o apelido a famlias nobres, quer sejam os Braganos durante a pri-meira dinastia (655), quer os Braganas nas outras.

    ~ bastante obscura na histria portuguesa a origem da casa deBragana, porque, no intuito de a engrandecer, os escritores eivados depalacianismo tm somente acumulado dvidas sobre ela.

    El-rei D. Pedro, consolado da perda de D. Ins de Castro, tomou-sede amores com a formosa Teresa Loureno, que, em paga, lhe deu, emAbril de 1357 ou 1358 (no bem averiguado este ponto), D. Joo,Mestre de Avis, depois primeiro deste nome rei de Portugal.

    Alguns dizem que esta rgia barreg era simples tendeira ou regateirada Ribeira Velha, em Lisboa, facto que no destoa do carcter plebeu doreal amante.

    Em 1368 viu este rgio rebento na vila de Veiros, no Alentejo, InsPerez, filha de Pero Esteves e de Mafalda Anes, e, aproveitando a ausn-cia do pai desta, que fora obrigado a ir guerra comeada no anoseguinte entre Portugal e Castela, raptou-a, provindo daqui em 1370D. Afonso, nono conde de Barcelos, por sua mulher D. Beatriz Pereira,filha nica do oitavo conde desse ttulo, o clebre D. Nuno Alvares

    (655) Ver a seu propsito os Livros de Linhagens in Portugalire Monumenta His-torica.

    MEMRIAS ARQUEOLGICO-HISTRICAS DO DISTRITO DE BRAGANA

  • Pereira. Tambm aqui h suas dvidas: do alguns barreg o nome deIns Fernandes e aos pais o de Pero Esteves Marques ou Ferno ouFernando e Maria Anes ou Mafalda Eanes.

    No respeitante profisso, sentem alguns que eram de gerao nobree ricos, ou pobres lavradores segundo outros; no faltando quem afirmeque Pero Esteves era carpinteiro e simples besteiro de garrucha e, con-

    seguintemente, peo.Ainda segundo uma genealogia manuscrita encontrada na

    Biblioteca da Ajuda, Ins Peres ou Fernandes era filha de Memda Guarda, de alcunha o Barbado, judeu converso que, de Castela, deonde era natural, veio estabelecer-se na cidade da Guarda, exercendoa enquanto viveu o seu oficio de sapateiro. Esta genealogia goza depouco crdito e atribuda a despeitos do clebre cronista Damiode Gis (656).

    Quanto filiao materna tambm a casa de Bragana notvel.Assim, D. Gonalo Pereira, 340 arcebispo de Braga, houve da castelhanaTeresa Perez Vilarinho a D. Antnio ou Alvaro Gonalves Pereira, quefoi prior do Crato e teve trinta e dois filhos de vrias mulheres (I) sendoum destes o grande condestvel, pai da primeira mulher do primeiroduque de Bragana, tronco de onde procedem em linha recta todos osdemais (657) [101].

    F. a seguinte a srie dos duques de Bragana [102]:

    D. Afonso, filho bastardo reconhecido do Mestre de Avis D. Joo I,rei de Portugal, ao qual o regente D. Pedro, seu meio irmo, por cartadatada de F.vora a 20 de Dezembro de 1442 deu, desde o primeiro deJaneiro de 1443 em diante, todas as rendas e direitos que tinha emBragana seu primo D. Duarte, senhor desta cidade, falecido nesseano (658). Instituiu em Bragana a confraria da nobre cavalaria deS. Tiago, qual se referem muitos documentos existentes no livro daCmara intitulado Manuscritos Antigos, m. O fim desta confraria seriaidntico ao da de S. Joo que o mesmo estabeleceu em Chaves, um dosestatutos da qual reza assim: no dia de S. Joo o capito cavalgar comtodos os cavaleiros e pessoas de qualidade, e todos seguiro a bandeiraat ao mosteiro de S. Francisco muito quietos, sem correrem nem

    (656) LEAL, Pinho -Portugal Antigo e Moderno, artigo Castanheira e Veiros. Por-tugal- Dicionrio Histrico, artigo Barcelos (Solar dos Pinheiros de).

    (657) LEAL, Pinho -Portugal Antigo e Moderno, lugares citados.(658) Chancelaria de D. Afonso V, livro 23, fi. 47. Msticos, livro 3, fi. 146 v.

    MEMRIAS ARQUEOLGICO. HISTRICAS DO DISTRITO DE BRAGANA

  • escaramuarem at ouvirem missa na capela de S. Joo e saindo damissa, no campo de S. Francisco e dentro da vila e em qualquerparte, assim pela manh, como tarde, segundo o capito ordenar,sero obrigados os cavaleiros a fazerem escaramuas e correrem e jugarcanas, sortilha e outra qualquer coisa que pelo capito lhes for orde-nada (659).

    ~ pouco simptica a memria deste bastardo (660); faleceu em Dezem-bro de 1461 e est sepultado no convento de S. Francisco de Chaves, emrico mausolu erigido pelo seu descendente, el-rei D. Joo IV.

    D. Fernando I foi o segundo duque de Bragana -Nasceu em 1403e faleceu a 1 de Abril de 1478. Era filho do precedente; a seu pedido foiBragana elevada a cidade. Nas lutas entre seu pai e o regente, seguiu opartido deste, talvez por clculo maldoso, pois, quer ganhasse um, quero outro, sempre a sua casa medraria em benesses (661).

    D. Fernando li, terceiro duque de Bragana, filho do precedente -

    Nasceu em 1430 e foi supliciado em ~vora a 20 de Junho de 1483. A vozda justia, conclamada pelo sangue inocente esparso em Alfarrobeira,efectivou-se enflIn, punindo neste irrequieto Bragana as iniquidades deseu av.

    D. Jaime I, quarto duque de Bragana, filho do precedente -

    Nasceu em 1479 e faleceu a 20 de Setembro de 1532. A morte de seupai foi levado para Castela, de onde s voltou em 1497, reinando D.Manuel, que o integrou no domnio de todas as terras da sua casaconfiscadas a seu pai, e declarou em 1500 nulos os efeitos desse processocriminal.

    ~ datada de Setbal, a 20 de Junho de 1496, a carta onde D. Manueldeclara que tendo-lhe o duque de Bragana, D. Jaime, seu sobrinho,

    (659) SANTIAGO, Francisco de, Fr. -Crnica da Santa Provinda de Nossa Senhora daSoledade, capo 3, p. 214 e sego Ver o que, a propsito de outra confraria idntica, existenteem Moncorvo, dissemos em a llustraao Trasmontana (1909), p. 10

    (660) SILVA, Lus Augusto Rebelo da -D. Joao II e a Conspiraao da Nobreza, luta daprerrogativa real, Dirio do Governo de 20 de Setembro de 1860. CHAGAS, Pinheiro -

    Histria de Portugal, ilustrada, vol. 2, p. 410. PINA, Rui de -Cr6nica de D. Afonso V, capo8, 16,25, 34 e 40.

    (661) Portugal- Didondrio histrico, artigo Bragana (D. Fernando I). PINA, Rui de-Cr6nica de D. Afonso V, capo 40.

    MEMRIAS ARQUEOLGICO-HISTRICAS DO DISTRITO DE BRAGANA

  • apresentado outra de doao de D. Afonso V, dada em Lisboa a 28 deJunho de 1449 em favor de D. Afonso, filho bastardo d'el-rei D. Joo I,na qual lhe fazia merc de juro e herdade para ele e seus sucessores davila de Bragana e seu castelo, do de Outeiro de Miranda e Nozelos comtodos seus termos, rendas, padroados, direitos novos e antigos, toda ajurisdio civel e crime, excepto as aladas, o qual poderia nomearjuizes, alcaides, meirinhos, escrives, tabelies e todos os outros oficiaispertencentes aos ditos lugares, por esta o confirma na posse desses direi-tos e terras (662).

    J a 1 de Fevereiro desse mesmo ano de 1496, por carta dada emMontemor-o-Novo, el-rei D. Manuel, querendo fazer merc a AlvaroChaves, escudeiro, criado do duque que fora de Bragana, o qual depoisda morte do dito duque havia sido expulso da cidade de Bragana,tomando-se-lhe sua fazenda avaliada em 22.000 reais, no tendo elefeito motivo para merecer tal castigo, lhe manda entregar todos os seusbens (663).

    Na mesma Chancelaria de D. Manuel, livro XXXII, fi. 77, encontra-mos outro documento que talvez tenha relao com os acontecimentosde que vamos tratando. P. a carta datada de 20 de Janeiro de 1496, dadatambm em Montemor-o-Novo, onde declara que tendo-lhe Pedro deSousa representado que el-rei D. Joo li, suspeitando de Joo Homem,j falecido, morador em Bragana, o mandara expulsar da cidadetomando-lhe seus bens que rendiam 1.200 reais; em vista do que reque-rendo Pedro de Sousa os citados bens lhos manda entregar. Estes bensso os de que trata o aforamento de 1485, de que damos extracto nodocumento nO 85-B.

    Voltando para o reino deu D. Jaime a alcaidaria-mor de Braganaa seu aio Lopo de Sousa, fidalgo que descendia do rei de PortugalD. Afonso 111.

    Foi este sombrio duque o que, a 2 de Novembro de 1512, levado pormal entendidos cimes, assassinou a prpria mulher, D. Leonor (66()

    [103].

    D. Teodsio I, quinto duque de Bragana, filho do precedente. -

    Faleceu a 20 de Setembro de 1563 (665).

    (662) Mfsticos, livro 2, tI. 211 v.(663) Chancelaria de D. Manuel, livro 32, fi. 114 v.(664) CHAGAS, Pinheiro -Histria de Portugal, popular ilustrada, tomo IV, p. 549.

    Portugal- Dicionrio histrico, artigo Bragana (D. Jaime I).(665) Portugal- Dicionrio histrico, artigo D. Teodsio I.

    MEMRIAS ARQUEOLGICO.HISTRICAS DO DISTRITO DE BRAGANA

  • D. Joo I, sexto duque de Bragana, filho do antecedente -Nasceupouco antes de 1547 e faleceu a 22 de Fevereiro de 1583.

    D. Teodsio 11, stimo duque de Bragana, filho do anterior -

    Nasceu a 28 de Abril de 1568 e faleceu a 29 de Setembro de 1630.

    D. Joo 11, oitavo duque de Bragana, filho do precedente -Nasceu a 19 de Maro de 1604 e morreu a 6 de Novembro de 1656.Em 1640 foi aclamado rei de Portugal debaixo do nome de D. Joo IV,cuja Coroa tm cingido seus descendentes at hoje, passando o ttulode duque de Bragana ao filho primognito, herdeiro presumptivo dotrono.

    Para conhecermos o florescente estado a que chegou a casa deBragana, ouamos um nosso historiador: quanto a privilgios, diz ele,a Casa de Bragana no conhecia mulos na pennsula. Provia ofcios,concedia foros de nobreza com moradia, corno el-rei, passava alvars demoos fidalgos, de escudeiros e de fidalgos cavaleiros reconhecidos paratodos os efeitos e nomeava quarenta e urna comendas da Ordem deCristo, com inteira independncia do mestrado em virtude das bulasapostlicas, podendo tir-Ias aos que deixassem o seu servio e con-feri-Ias a outros.

    O estado ordinrio da casa excedia o dos infantes tanto em vassaloscorno em ttulos.

    Trs ducados: Bragana, Barcelos e Guimares; um marquesado, ode Vila Viosa, e quatro condados: Ourm, Arraiolos, Neiva e Penafiel,compunham aquele opulento senhorio com a cidade e termo